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O absurdo das políticas totalitárias

O espetáculo In-di-ví-duo marcará também a estreia da Trupe Artemanha de investigação teatral na cidade do Recife.

O espetáculo In-di-ví-duo marca a estreia da Trupe Artemanha de investigação teatral na cidade do Recife.

In-di-ví-duo, primeiro espetáculo da trilogia O Atuador primitivo no Teatro político, da Trupe Artemanha,  estreia com sessões hoje e amanhã, às 20h, no Teatro Arraial. A montagem é baseada no poema Apfelböck, de Bertolt Brecht, com direção e dramaturgia de Luciano Santiago.

As leituras dos textos Woyzeck de Georg Büchner e O Idiota de Dostoievski também contribuíram para a composição dramatúrgica, com seus protagonistas punidos por  serem considerados “idiotas”.

A partir do realismo fantástico, o grotesco aparece com o absurdo do cotidiano.

No País Sem Nome em crise, um jornalista tem a incumbência de encobrir as injustiças cometidas por um governo totalitário. Ele guarda segredos comprometedores e resolve fazer sua própria revolução, “a revolução de um idiota”.

A encenação trabalha com os procedimentos corpóreos e experimentos de biomecânica e do bufão, linha de estudo da companhia paulista que se mudou para o Recife no final do ano passado.

Dramaturgia e Encenação: Luciano Santiago
Elenco: Daniel Gomes, Luciana Lemos, Luciano Santiago, Ronald Santos Cruz e Washington Machado
Projeto de Luz: Francisco Alves PH
Composição Musical e Violino: Ronald Santos Cruz
Preparador Vocal: Elthon Fernandes
Coreógrafa: Joelma Tavares
Coordenadora de figurinos e adereços: Luciana Lemos
Figurinos e adereços: Criação coletiva
Produção Geral: Trupe Artemanha de investigação teatral
Produção Executiva: Tadeu Gondim
Assessoria de Imprensa: Alessandro Moura
Identidade Visual: DGC – Designer Gráfico Cultural
Projeto: Trilogia “O Atuador primitivo no teatro político”
Realização: Trupe Artemanha de investigação teatral
Apoio Cultural: DGC – Designer Gráfico Cultural – https://goo.gl/OHLhcR
Apoio Institucional: Teatro Arraial Ariano Suassuna / FUNDARPE / Governo do Estado de Pernambuco / Teatro Municipal Barreto Júnior

SERVIÇO

IN-DI-VÍ-DUO – Trupe Artemanha – Recife
Quando: sexta-feira (12) e sábado (13), às 20h
Onde: Teatro Arraial Ariano Suassuna (Rua da Aurora, 457, Boa Vista, Recife-PE)
Capacidade do Teatro: 94 espectadores por sessão
Recomendação: a partir dos 18 anos de idade
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) / R$ 10,00 (meia)

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Fragilidades do apego

Espetáculo Alegria de náufragos (ou A Capacidade de Suportar), com o Ser Tão Teatro (PB),. Foto: Rafael Passos

Espetáculo Alegria de náufragos (ou A Capacidade de Suportar), com o Ser Tão Teatro (PB). Foto: Rafael Passos

Tudo está no seu lugar. A vida corre sem contratempos para o emérito professor Nicolai Stiepánovitch. De currículo impecável, com família bem constituída, ele é encarado como um “homem feliz”. Mas nos derradeiros atos da existência uma análise sobre si mesmo deflagra um doloroso processo de falência interior. E seus sentidos se abrem para enxergar o lado patético da sociedade e suas instituições. Stiepánovitch visualizar – sem cortina de fumaça – o mar da mediocridade humana.

O espetáculo Alegria de Náufragos (ou A Capacidade de Suportar), do grupo paraibano Ser Tão Teatro, participa do I Festival Pague Quanto Puder de Artes Integradas nesta sexta-feira e sábado, às 20h, no Edf. Texas, 3° andar, bairro Boa Vista.

O grupo queria falar das inquietações contemporâneas, mas que não fosse um texto pronto. A partir de temas como desumanização, coisificação, egocentrismo e insônia a trupe chegou ao conto A História Enfadonha, do russo Anton Tchekhov.

Ao fazer um retrospecto da vida, o acadêmico percebe que não tem muito sentido o que construiu. As coisas às quais ele mais se apegou não lhe acrescentam e constata as fragilidades existentes no próprio lar e na coletividade.

Enquanto Nicolai vivencia seu dilema interno, Kátia, sua pupila, resolve jogar tudo para o alto para perseguir seu sonho de ser atriz de teatro. E troca cartas com seu mestre sobre sua decisão.

Os três intérpretes se alternam entre os papeis e lançam mão do tom farsesco e da ironia e insere críticas aos editais de incentivo e piadas com altas doses de acidez.

Giordano Castro, do pernambucano Grupo Magiluth, e César Ferrário, do potiguar Clowns de Shakespeare, atuaram como “provocadores” na construção do espetáculo, tanto na dramaturgia quanto na encenação.

No elenco estão os atores Thardelly Lima, Rafael Guedes e (a convidada do Grupo Graxa de Teatro) Cely Farias.

Peça fala das inquietações do grupo.

Peça fala das inquietações do grupo. Foto: Helena Longo

FICHA TÉCNICA
Encenadores: César Ferrario e Giordano Castro
Atuação: Cely Farias, Rafael Guedes e Thardelly lima
Dramaturgia: Diálogo do Grupo Ser tão com Uma história enfadonha, de Anton Tcheckov
Cenografia: Maria Botelho
Trilha Sonora Original: Marco França
Iluminação: Thiago Santino
Figurino: Vilmara Georgina

SERVIÇO
Espetáculo Alegria de náufragos (ou A Capacidade de Suportar), com o Ser Tão Teatro (PB), dentro do Festival Pague Quanto Puder.
Quando:  sexta-feira (12) e sábado (13), às 20h
Onde: Edf. Texas, 3º andar (R. Rosário da Boa Vista, 163, Boa Vista – Recife)
Quanto: contribuição voluntária

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Uma festa para o Vivencial

Atriz Stela Maris Saldanha em Puro lixo, o espetáculo mais vibrante da cidade. Foto: Ana

Atriz Stella Maris Saldanha em Puro lixo, o espetáculo mais vibrante da cidade. Foto: Ana Araújo

Stella Maris Saldanha é uma atriz e produtora de talento e coragem. E a partir deste sábado encara a terceira parte do projeto Transgressão em 3 atos com a estreia de Puro lixo, o espetáculo mais vibrante da cidade, homenagem ao grupo Vivencial. A montagem, com direção de Antonio Cadengue, fica em cartaz – para apenas 10 apresentações, de 13 de agosto a 4 de setembro, no Teatro Hermilo Borba Filho.

O projeto Transgressão em 3 atos começou em 2008 com uma pesquisa dos professores Stella Maris, Alexandre Figueiroa e Cláudio Bezerra, que investigaram três importantes coletivos pernambucanos: o Teatro Hermilo Borba Filho, o Teatro Popular do Nordeste e o grupo de teatro Vivencial. O trabalho cultural rendeu a publicação de um livro (2011) e a encenação das peças Os Fuzis da Senhora Carrar (2010), com direção de João Denys, e O auto do Salão do Automóvel (2012), com direção de Kleber Lourenço.

Puro lixo, o espetáculo mais vibrante da cidade celebra o Vivencial, grupo que funcionou em Olinda de 1974 a 1983 e deixou marcas profundas na forma de produzir teatro, com irreverência, sob a influência do tropicalismo e da contracultura. Muita gente esteve no Vivencial, dirigido por Guilherme Coelho, entre eles Fábio Coelho, Ivonete Melo, Suzana Costa, Américo Barreto e Henrique Celibi.

A trupe utilizava procedimentos de ambiguidade, poesia, paródia, alta cultura misturada ao pop-chulo, carnaval e política, crueldade, inocência e ingenuidade, como investigou Stella Maris. Esses elementos são incorporados à dramaturgia de Luis Augusto Reis. O texto-roteiro foi inspirado no artigo Vivencial Diversiones apresenta frangos falando para o mundo, publicado pelo jornal Lampião na Esquina, em 1979, época da inauguração do espaço próprio do grupo, o Vivencial Diversiones, que ficava na fronteira entre Recife e Olinda.

João Silvério Trevisan, autor do artigo, localiza o Vivencial no quadro da cultura homossexual no Brasil, posterior ao “boom-guei” dos anos 1970, como uma das experiências mais fascinantes e originais na transfiguração do lixo em beleza. “Um dia o Vivencial acabou. Sua ambiguidade se esgotara, sua originalidade também. Não sei até que ponto o sucesso foi responsável por seu fim. Arrisco a dizer que o Vivencial Diversiones não conseguiu sobreviver porque se aproximou demais dos centros de poder e, com isso, abandonou a difícil arte da corda bamba que a marginalidade lhe permitia. Secou. Ao absorver sua proposta, a sociedade cooptou o grupo e transformou-o num modismo rapidamente exaurido. Assim confiscou-lhe o passaporte para a poesia”.

A montagem é realizada através de recursos do Funcultura. No elenco, além de Stella Maris Saldanha estão Eduardo Filho, Gil Paz, Marinho Falcão, Paulo Castelo Branco e Samuel Lira.

Serviço
Puro lixo, o espetáculo mais vibrante da cidade
Quando: De 13 de agosto a 4 de setembro, sempre aos sábados a partir das 18h (No dia 13 serão duas sessões: às 18h e às 20h)
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Quanto: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00
Indicação: Para maiores de 16 anos
Recursos de áudio-descrição: espetáculos encenados nos dias 20 e 21

Ficha Técnica
Elenco: Eduardo Filho, Gil Paz, Marinho Falcão, Paulo Castelo Branco, Samuel Lira, Stella Maris Saldanha
Texto: Luís Augusto Reis
Consultoria: João Silvério Trevisan
Encenação: Antonio Cadengue
Dramaturgismo e Assistência de Direção: Igor de Almeida Silva
Figurinos, Adereços e Maquiagem: Manuel Carlos de Araújo
Consultoria de Figurinos: Anibal Santiago
Cenografia: Otto Neuenschwander
Trilha Sonora Original e Gravação: Eli-Eri Moura
Música ao vivo (acordeão): Samuel Lira
Voz Off 1: Valdir Oliveira
Voz Off 2: Cássio Uchôa
Voz Off 3: José Mário Austregésilo
Técnico de som (gravação e edição): Francisco Rocha
Iluminação: Luciana Raposo (Coletivo Lugar Comum)
Coreografias, Direção de Movimentos e Preparação Corporal: Paulo Henrique Ferreira>
Preparação Vocal: Leila Freitas
Programação Visual: Claudio Lira
Fotos para o Programa: Yêda Bezerra de Mello
Fotos para Registro e Divulgação: Ana Araújo
Filmagem e Fotografias (Registro): Antônio Rodrigo Moreira
Cenotécnica: Israel Marinho e Ernandes Ferreira
Confecção dos Figurinos: Helena Beltrão
Confecção de Adereços: Jerônimo Barbosa, Charly Jadson e Tarcísio Andrade
Operação de Som: Igor de Almeida Silva
Operação de Luz: Luciana Raposo e Sueides Leal
Contrarregra e Camareira: Madelaine Eltz
Maquinaria: Gaguinho
Audiodescrição: COM Acessibilidade Comunicacional
Roteiro: Liliana Tavares e Túlio Rodrigues
Narração: Liliana Tavares
Consultoria: Roberto Cabral
Técnico dos aparelhos de AD: Eduardo Eugênio
Assistência de Produção Executiva: Antonio Cadengue, Manuel Carlos de Araújo
Produção Executiva: Clara Angélica e Jô Conceição
Produção: Stella Maris Saldanha

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A luta de Zumba-Dentão

A Gloriosa Vida e o Triste Fim de Zumba sem dente tem entrada franca ao público

A Gloriosa Vida e o Triste Fim de Zumba sem dente tem entrada franca ao público

“Pertenço a uma cultura de resistência e justamente porque a liberdade e a dignidade do homem estão em crise é que utilizo a única arma que tenho – minha ficção, para combater a intolerância sob qualquer aspecto em que se apresente”. Enquanto houver injustiça neste mundo, as palavras de Hermilo Borba Filho cintilam feito faca afiada.

A Gloriosa Vida e o Triste Fim de Zumba sem Dente é uma dessas lâminas. O espetáculo está em cartaz às terças-feiras do mês de agosto, às 19h30, no teatro que leva o nome do escritor pernambucano, com entrada franca. Os ingressos para a encenação podem ser retirados na bilheteria do teatro, a partir das 18h.

Zumba é um personagem que aparece nas narrativas de Hermilo Borba Filho primeiro no conto A gravata, do livro O general está pintando. Vítima da repressão policial, com requintes de crueldade, ele carrega o sinal da tortura inclusive na alcunha de “Zumba-Dentão”. Chamado de bolchevista por anunciar mudanças ele é uma figura que atua como metáfora da resistência.

Baseada no texto O Traidor do escritor Hermilo Borba Filho, conta a história do sapateiro candidato a prefeito na cidade de Palmares e que aniquilado.

” Zumba-Dentão, assim chamado porque nas centenas de prisões por que passara arrancaram-lhe as unhas e todos os dentes menos o grandão da frente, jamais nada se provando porque coisa nenhuma existia, mas ele pagando por qualquer malfeito impune na cidade.”

A peça tem adaptação e direção de Carlos Carvalho. A direção musical, criada pelo instrumentista Juliano Holanda, é executada ao vivo durante a peça. No elenco estão Mario Miranda, Andrezza Alves, Flávio Renovatto e Daniel Barros.

Outra encenação de A Gloriosa Vida e o Triste Fim de Zumba-Sem-Dente, também com assinatura de Carlos Carvalho, foi erguida no início dos anos 2000. Contava com direção musical de André Freitas, que buscou inspiração no cavalo-marinho.

Na atual montagem, a tradição do teatro popular como o mamulengo, o cavalo-marinho, está conectada à temática da idealização de um mundo melhor, a luta pelo poder, a urgência da democracia durante o governo militar. E prossegue falando sobre as questões atuais.

Estudioso da obra de Hermilo, Carlos Carvalho já ergueu as montagens Mucurana, o Peixe, a partir do conto O Peixe, protagonizado por Azaias Rodrigues (Zaza) e O Palhaço Jurema e os Peixinhos Dourados, elaborado com base em O Palhaço, com Gilberto Brito no elenco.

Serviço
A Gloriosa Vida e o Triste Fim de Zumba sem Dente
Quando: Nas terças-feiras de agosto, às 19h30
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho, Av. Cais do Apolo, s/n, Bairro do Recife
Quanto: Grátis
Informações: (81) 3355-3318

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Surpresas do amor

BRUTAFlor, com a Companhia Experimental de Teatro, de Vitória de Santo Antão

BRUTAFlor, com a Companhia Experimental de Teatro, de Vitória de Santo Antão

Freud identifica o amor como celeiro da libido em função a um objeto, que traça um arco com o ideal narcísico perdido. Erich Fromm concebe o amor como uma arte. Fernando Pessoa sentencia: “quem ama nunca sabe o que ama / nem sabe por que ama, nem o que é amar”. Não há consenso sobre esse sentimento que nos move. Se vivos, sentimos em algum momento. E ficamos indefesos. Esse “troço” enigmático, encarado na contemporaneidade por uma lógica consumista – do uso e descarte, é o mote do espetáculo BRUTAFlor, da Cia. Experimental de Teatro de Vitória de Santo Antão. A peça faz sessão neste domingo (07/08), no Espaço O POSTE, no centro do Recife.

Mas as abordagens sobre o amor são amplas feito o mundo e as configurações dos vínculos afetivo-amorosos variadas. O espectro da montagem investe no relacionamento entre dois irmãos (Flor e Neco) que dividem uma casa modesta. Por meio das fotografias, as lembranças traem segredos nunca revelados. O desejo de partir, a dúvida em ficar naquele lugar simples do Sertão.

O amor não torna indefesos contra o sofrimento e tão desamparadamente infelizes quando perdemos o nosso objeto amado.

“O cheiro do café, do feijão no fogão de lenha, a mão que junta os retalhos na costura de uma colcha, aquele retrato que ainda tem o cheiro da família ajuntada num dia de domingo rodeada de menino e cachorro que tinha nome de tudo que é peixe, os santinhos que a vó guardava, a sanfoninha do velho avô, uma derrota de seca e sol onde o brotar de uma flor é a esperança de que a beleza nasce até da mais danada tristeza e dor. A saudade do que foi, e a coragem de deixar o que se faz presente ir também e virar outra nova saudade. Porque o amor sempre será essa frescura de segurar o ser amado, mas saber a hora de soltar.”

Ficha técnica:
Cia Experimental de Teatro
Texto e Direção: César Leão
Elenco: Cecília Lopes e Raphael Gustavo
Cenografia: Fabiano Falcão e César Leão
Iluminação: César Leão
Figurinos: César Leão e Raphael Gustavo
Maquiagem: Cecília Lopes
Sonoplastia: César Leão e Raphael Gustavo
Cartazes: Ian de Andrade

Serviço

BRUTAFlor, Espetáculo da Cia Experimental de Teatro
Quando: 7 de agosto (Domingo) às 20h
Onde: Espaço O POSTE – Rua da Aurora, 529 – Boa Vista
Ingressos: R$ 20,00 para o público em geral; à venda nas bilheterias antes da sessão.
Duração: 60min
Classificação: 18 anos
Número limitado de público

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