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A barbárie brasileira pelos olhos de um cão

Memóri de um cão. foto: Arthur Chagas

Memórias de um cão abre programação do Festival Recife do Teatro Nacional neste sábado. Foto: Arthur Chagas

O Coletivo de Teatro Alfenim chamou para si um desafio e tanto. Transpor para a cena o romance Quincas Borba, de Machado de Assis. Um trabalho de prospecção interior difícil segundo estudo do crítico e historiador Décio de Almeida Prado, em A Personagem do Teatro[1], sem que essa recriação perca “sua imponderabilidade, a sua atmosfera feita menos de fatos que de sugestões” do original. O teatro ampliou infinitivamente os seus procedimentos da cena desde a década de 1960 e neste sábado a versão do grupo paraibano para a obra machadiana abre o 18º Festival Recife do Teatro Nacional, no Teatro de Santa Isabel, às 20h, com Memórias de um Cão, montagem com direção de Márcio Marciano.  

O protagonista Rubião é um mestre-escola interiorano que, às vésperas da abolição da escravatura, recebe uma herança de seu benfeitor, o filósofo maluco Quincas Borba, com a condição de cuidar do cão de mesmo nome. Rubião se muda para a Corte. No caminho conhece o casal Palha. O herói machadiano se apaixona por Sofia, mulher de Cristiano.  Com toda a falsidade do mundo, Cristiano extraí o dinheiro do mineiro, enquanto incentiva a esposa a alimentar falsas esperanças. O casal leva Rubião à pobreza e à loucura.

Muda a beca, mas os vilões e enganadores são os mesmos de sempre.

A exigência testamentária é uma aplicação prática do “Humanitismo”, doutrina heterodoxa criada por Quincas Borba, que pode ser resumido na frase “Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas”. O mais forte sobrevive, e esse não foi Rubião.

Enquanto o protagonista busca implantar-se num meio de relações de favor, são expostas as marcas do preconceito de todas as ordens, o luxo que espelho de futilidades e as aspirações deformadas da elite brasileira de galgar um lugar de nação de primeiro mundo. Nosso pobre Rubião chega ao ponto de pensar ser o próprio imperador francês Napoleão III.

Foto: Arthur Chagas

A elite e suas estratégias de enganação. Foto: Arthur Chagas

Memórias de um Cão esquadrinha criticamente as estratégias de dissimulação, engodo e autoengano das relações sociais do Brasil no campo subjetivo e político. A montagem expõe as contradições do país, como a apropriação da riqueza nacional a partir da instrumentalização do poder público.

A peça começa com uma cena do cortejo, em que um escravo é condenado pelo assassinato de seu senhor e dono. O Coletivo Alfenim investiga a face da barbárie brasileira, amplificada com o desejo de modernização a partir de meados do século XIX, com a equação mercantil e financeira associada ao (in)disfarçável trabalho escravo, e todas as formas de crueldade para gerar lucro.

Brecht, referência estética e política do coletivo teatral,  está presente em outras peças do repertório do grupo paraibano, no exercício dialético de Quebra quilos, Milagre brasileiro, O deus da fortuna e Brevidades.

 

[1]  PRADO, Décio de Almeida. A personagem no teatro, p. 88-89. IN CÂNDIDO, Antonio. A personagem de ficção. São Paulo, Perspectiva, 1968. 

ENTREVISTA: Márcio Marciano

MMárcio Marciano é diretor do Coletivo Alfenim. Foto: Primeiro Sinal / Reprodução do Youtube

Márcio Marciano é diretor do Coletivo Alfenim. Foto: Primeiro Sinal / Reprodução do Youtube

Os títulos sinalizam escolhas. Por que Memórias de um cão?
A ideia surgiu da necessidade de narrar a história a partir de um ponto de vista que pudesse ser ao mesmo tempo objetivo e suspeito: objetivo por se tratar do ponto de vista de uma testemunha dos fatos, no caso o cão Quincas, e suspeito, por serem essas memórias, as memórias de um cão. A escolha do título reproduz em chave derrisória o mesmo mecanismo criado por Machado de Assis em Memórias póstumas de Brás Cubas: se no romance, somos levados a colocar sob suspeição crítica as memórias de um proprietário, aqui, trata-se de colocar em dúvida o quanto a narrativa pode ser fiel à verdade dos fatos narrados. Cabe ao público esse julgamento.

Gostaria que você explicasse como essas estratégias de dissimulação, engodo e autoengano entram na cena concretamente.
O espetáculo procura acirrar as contradições entre ação e discurso de uma elite que procurar refletir-se no espelho da modernidade sem abrir mão de meios bárbaros de dominação e sujeição do outro. Essas estratégias de autoengano e dissimulação são reveladas à medida que as personagens falam de si para os outros, ou tentam convencer a si mesmas de sua civilidade e nobreza de propósitos, ao mesmo tempo em que agem de modo mesquinho, violento e até escabroso.

O Coletivo Alfenim aponta a elite econômica e cultural brasileira como responsável histórica pela barbárie? O que chega aos dias de hoje a partir do palco?
A semelhança entre a atualidade e o modo bárbaro de dominação das elites retratadas na peça não é mera coincidência. Guardando-se as devidas proporções, são os mesmos sujeitos históricos operando num novo estágio da acumulação do capital. Essa responsabilidade histórica não é privilégio apenas da elite econômica e cultural brasileira. O Brasil tem sido desde os tempos mercantilistas apenas um apêndice no concerto das nações. Num certo sentido, nossas elites não passam de capatazes de patrões internacionais. A cor local de nossa barbárie não impede que vejamos suas raízes de além-mar.

De que forma vocês leem a atual escravidão?
Certo verniz antropológico escondeu a chibata por debaixo do tapete das etiquetas politicamente corretas, mas é só adentrarmos um pouquinho rumo ao Brasil profundo para vermos uma nova ordem de práticas escravistas. Seja nas oficinas clandestinas das grifes da moda, seja nos mega-latifúndios do agro-negócio, seja na casa da madame ou no núcleo pobre da novela das oito, a violência e o mandonismo permanecem quase inalterados. O emblema da escravidão assumiu uma diversidade incrível na atualidade, é evidente que não se trata de acorrentar seres humanos, mas a questão de fundo permanece a mesma: a lógica perversa do capital e sua divisão social do trabalho. E isso é só o começo, a direita reacionária e golpista atualmente no comando não parece nada preocupada com as aparências. Como bem diz a máxima do Humanitismo “ao vencido, ódio ou compaixão, ao vencedor as batatas”.

Você está há alguns anos fora de São Paulo, trabalhando com outra realidade do Nordeste. Como você encara as dificuldades de produção e de criação artísticas? E existem vantagens em relação ao sudeste?
É preciso frisar que o Coletivo Alfenim surgiu e vem se mantendo nos últimos dez anos de atividades graças às políticas de fomento à cultura dos governos de Lula e Dilma. A realidade que encontrei no Nordeste não seria nada favorável se não fosse a política de descentralização da cultura colocada em prática durante esses governos, com os devidos apoios em nível municipal e estadual. Muito se diz sobre a diferença de produção entre as regiões do Brasil. De fato, cada localidade tem suas limitações e particularidades, mas o tipo de trabalho que desenvolvemos, de politização da forma e sempre à margem da circulação mercadológica, esse trabalho encontra dificuldades em qualquer lugar do país, seja no Nordeste ou em São Paulo.

Esteticamente vocês se consideram na contramão?
Penso que o público e a crítica podem responder a essa pergunta. De nossa parte, temos consciência de que nossa cena parte da necessidade de acirrar as contradições do assunto de modo a dotar sua forma de algum interesse estético. Se “estar na contramão” significa não ceder às facilitações do “bom-gostismo”, ao sentimentalismo das boas intenções, ao lirismo auto-referente, às formas falseadas de uma metafísica pretensamente universalizante, podemos dizer que estamos contra a corrente, mas isso não significa que não corremos o risco de também nos afogar. Em suma, se o esteticamente vigente se pauta por uma espécie de fruição acrítica e celebratória de nosso lugar no mundo, penso que estamos um pouco fora do lugar.

O que é importante que o público saiba sobre o espetáculo antes de chegar ao teatro?
Que fazemos um convite para a leitura crítica de nossas misérias.

Como equalizar munição crítica, método dialético de construção da narrativa com prazer e divertimento?
Não sei se existe uma fórmula para isso, mas o que tentamos honestamente com nosso Memórias de um cão foi pôr em prática o que pudemos aprender com Machado de Assis.

Foto: Felipe Ando

Cena de abertura do espetáculo. Foto: Felipe Ando

Ficha técnica
Direção e dramaturgia: Márcio Marciano
Assistência dramatúrgica: Gabriela Arruda
Elenco: Adriano Cabral; Lara Torrezan; Paula Coelho; Ricardo Canella; Verônica Cavalcanti; Vítor Blam; e Zezita Matos
Direção musical: Mayra Ferreira; e Nuriey Castro
Composição musical: Márcio Marciano; Marília Calderón; Mayra Ferreira; Nuriey Castro; Paula Coelho; Vítor Blam; e Walter Garcia
Músicos: Mayra Ferreira; e Nuriey Castro
Figurino: Patrícia Brandstatter
Máscaras e caracterização: Coletivo Alfenim
Consultoria Literária: José Antônio Pasta; e Iná Camargo Costa
Produção Executiva: Gabriela Arruda
Realização: Coletivo Alfenim.

SERVIÇO
Memórias de um Cão
Quando: Neste sábado,19 de novembro, às 20h
Onde: Teatro de Santa Isabel (Praça da República, Santo Antonio – Recife – Pernambuco)
Fones: 81 3355.3323 / 81 3355.3324
Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia entrada)
Classificação indicativa: não recomendado para menores de 14 anos

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Seminário de Crítica teatral no Recife

Professora Elena Vássina. Foto: Divulgação

Professora Elena Vássina. Foto: Divulgação

O teatro do século 21 é um espaço propício para a experimentação. A pluralidade de práticas cênicas exige leituras outras da crítica. Os desafios se apresentam e o pensamento crítico se abre para discutir sua atuação. Semana passada o Satisfeita Yolanda participou da 1ª Mostra DocumentaCena, promovida pela DocumentaCena – Plataforma de Crítica, e o Idiomas – Fórum Ibero-Americano de Crítica de Teatro, em Curitiba, numa semana rica de diálogos e reflexões.

No Recife, o Seminário Internacional de Crítica Teatral volta a ser realizado com incentivo do FUNCULTURA, pela Renascer Produções Culturais, com produção executiva é de Luciano Rogério. O evento ocorre de domingo a terça-feira (20 a 22 de novembro), das 14 às 18h, no Teatro Apolo (Bairro do Recife), e tem como tema desta edição o “Teatro como encontro entre mestres e aprendizes”. A crítica e professora de literatura russa da USP Elena Vássina abre programação com a palestra: Como se forma e se quebra a tradição teatral: mestres e discípulos do teatro russo.

O Seminário integra a programação do 18º Festival Recife do Teatro Nacional. Além de Elena Vassina os outros convidados são João Denys, Elton Bruno Siqueira, Ivana Moura (PE), Astier Basílio e Paulo Vieira (PB).

As inscrições gratuitas estão abertas e podem ser feitas pelo https://www.facebook.com/Semin%C3%A1rio-Internacional-de-Cr%C3%ADtica-Teatral-333871086962446/

PROGRAMAÇÃO

Dia: 20/11/2016 (domingo), das 14 às 18h, no Teatro Apolo

Homenagem a Luiz Maranhão Filho, cronista teatral do Diario de Pernambuco na década de 1940, também jornalista, radialista, professor, dramaturgo e diretor teatral.

Palestra: Como se forma e se quebra a tradição teatral: mestres e discípulos do teatro russo, com Elena Vassina (Rússia/SP)

Dia: 21/11/2016 (segunda-feira), das 14 às 18h, no Teatro Apolo

Palestra: A arte solitária do autor.  A criação dramatúrgica. Com João Denys (PE) e Paulo Vieira (PB).

Dia: 22/11/2016 (terça-feira), das 14 às 18h, no Teatro Apolo

Temas das palestras: A arte secreta da crítica. O crítico como leitor de crítica. O exemplo de Sábato Magaldi. Com Ivana Moura (PE), Astier Basílio (PB) e Elton Bruno Siqueira (PE)

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Festival Recife 2016 divulga programação

Memórias de um cão é baseada na história de Quincas Borbas, obra de Machado de Assis. Foto: Arthur Chagas

Memórias de um cão é baseada na história de Quincas Borbas, obra de Machado de Assis. Foto: Arthur Chagas

A programação do 18º Festival Recife do Teatro Nacional (FRTN) foi divulgada oficialmente nesta quinta-feira (10) pela Prefeitura do Recife. Nos últimos anos, o festival vem sofrendo com cortes orçamentários, crise de identidade e até mesmo com a ameaça de sua extinção. Em 2013, primeiro ano da gestão Geraldo Júlio, recebeu duras críticas; em 2014, não foi realizado. Ano passado, ocorreu a duras penas, com uma programação arranjada às pressas e sem recursos suficientes.

Nesta edição, 17 espetáculos de grupos de Pernambuco, Paraíba, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Ceará integram a programação, que começa no sábado (19) e segue até o dia 27 de novembro, nos Teatros de Santa Isabel, Apolo, Barreto Junior, Hermilo Borba Filho e Luiz Mendonça. O FRTN é uma realização da Prefeitura do Recife, através da Secretaria de Cultura e da Fundação de Cultura Cidade do Recife. Desde o ano passado, a Gerência de Artes Cênicas, sob a coordenação de Romildo Moreira, é a responsável pelo festival. Nos anos anteriores, a função era do Centro Apolo-Hermilo.

Em Nós, sete pessoas partilham angústias e esperanças enquanto preparam a última sopa. Foto: Guto Muniz

Em Nós, sete pessoas partilham angústias e esperanças enquanto preparam a última sopa. Foto: Guto Muniz

Latão volta ao Recife com peça sobre movimento grevista no ABC. Foto:

Latão volta ao Recife com peça sobre movimento grevista no ABC. Foto: Sérgio de Carvalho/divulgação

Entre os destaques da programação, o grupo Galpão, com o espetáculo Nós, dirigido por Márcio Abreu, um manifesto poético-político sobre o nosso tempo, com atuação impactante especialmente de Teuda Baura; o grupo Latão, que volta ao FRTN com O pão e a pedra, um espetáculo politicamente engajado, sobre a greve que aconteceu na região do ABC, em São Paulo, em 1979; e Memórias de um cão, do Coletivo Alfenim, que abre o festival.

Entre os espetáculos locais, Nossos Ossos, do Coletivo Angu de Teatro; MEDEIAPonto, com Augusta Ferraz; e Saudosear – A noite insone de um Palhaço, com Walmir Chagas.

Ainda na programação, o Conta Causos, do Doutores da Alegria. Os atores/palhaços Enne Marx, Fábio Caio, Greyce Braga, Juliana de Almeida e Tamara Floriano apresentam uma espécie de relato encenado das vivências dos palhaços nos hospitais.

Doutores da Alegria contam vivências dos hospitais. Foto: Léo Caldas

Doutores da Alegria contam vivências dos hospitais. Foto: Léo Caldas

Entre as ações formativas, o festival promove uma oficina/residência com o diretor e professor Sérgio de Carvalho, da Cia do Latão, sobre o teatro épico-dialético.

O homenageado da edição 2016 do festival é o Mamulengo Só-Riso, fundado há 42 anos em Olinda. Para celebrar o grupo, será instalada uma exposição, narrando a trajetória da trupe, no Centro Apolo Hermilo.

Os ingressos para as apresentações do festival custam R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada).

PROGRAMAÇÃO FESTIVAL RECIFE DO TEATRO NACIONAL 2016

19/11 (sábado)
Memórias de um Cão – Coletivo Alfenim – PB
Teatro de Santa Isabel, às 20h
Duração: 1h20 / Indicado para maiores de 14 anos

20/11 (domingo)
Severinos, Virgulinos e Vitalinos – Dispersos Cia. de Teatro – PE
Teatro Apolo, às 19h
Duração: 1h10 / Livre para todos os públicos

HARU – A primavera do Aprendiz – Rapha Santacruz Produções – PE
Teatro Barreto Júnior, às 16h30
Duração: 60 min / Livre para todos os públicos

Nossos Ossos – Coletivo Angu de Teatro – PE
Teatro Hermilo Borba Filho, às 19h
Duração: 1h20 / Indicado para maiores de 14 anos

21/11 (segunda)
Severinos, Virgulinos e Vitalinos – Dispersos Cia. de Teatro – PE
Teatro Apolo, às 16h30
Duração: 1h10 / Livre para todos os públicos

MEDEIAPonto – Grupo Pharcas Sertanejas – PE
Teatro Hermilo Borba Filho, às 19h
Duração: 1h10 / Indicado para maiores de 14 anos

O Mascate, a Pé rapada e os Forasteiros – Cia. de Artes Cínicas com Objetos – PE
Teatro Apolo, às 19h
Duração: 60 min / Indicado para maiores de 14 anos

22/11 (terça-feira)

O Mascate, a Pé rapada e os Forasteiros – Cia. de Artes Cínicas com Objetos – PE
Teatro Apolo, às 19h
Duração: 60 min – Indicado para maiores de 14 anos

H(EU)stória – O tempo em transe – Júnior Aguiar – PE
Teatro Barreto Jr, às 20h
Duração: 1h30 / Indicado para maiores de 14 anos

23/11 (quarta-feira)
O Pão e a Pedra – Cia. do Latão – SP
Teatro Hermilo Borba Filho, às 19h
Duração: 2h50, com intervalo / Indicado para maiores de 16 anos

NÓS – Grupo Galpão – MG
Teatro Luiz Mendonça, às 20h30
Duração: 1h30 / Indicado para maiores de 14 anos

24/11 (quinta-feira)
O Pão e a Pedra – Cia. do Latão – SP
Teatro Hermilo Borba Filho, às 19h
Duração: 2h50, com intervalo / Indicado para maiores de 16 anos

Saudosear – A noite insone de um Palhaço – Walmir Chagas – PE
Teatro Apolo, às 19h
Duração: 1h10 / Indicado para maiores de 14 anos

Walmir Chagas é dirigido por Moncho Rodriguez. Foto: Pedro Portugal

Walmir Chagas é dirigido por Moncho Rodriguez. Foto: Pedro Portugal

NÓS – Grupo Galpão – MG
Teatro Luiz Mendonça, às 20h30
Duração:1h30 / Indicado para maiores de 14 anos

25/11 (sexta-feira)
O Pão e a Pedra – Cia. do Latão – SP
Teatro Hermilo Borba Filho, às 19h
Duração: 2h50, com intervalo – Indicado para maiores de 16 anos

Dois idiotas sentados cada qual em seu barril – Borbolina Produções – SP
Teatro Barreto Jr, às 20h
Duração: 50 min – Indicado para todos os públicos

26/11 (sábado-feira)
O menino e a cerejeira – Borbolina Produções – SP
Teatro Barreto Jr. , às 16h30
Duração: 60 min / Livre para todos os públicos

O Pão e a Pedra – Cia. do Latão – SP
Teatro Hermilo Borba Filho, às 19h
Duração: 2h50, com intervalo / Indicado para maiores de 16 anos

Medida por medida – Teatro Popular de Ilhéus – BA
Teatro Luiz Mendonça, às 20h30
Duração: 1h30h – Indicado para maiores de 12 anos

Dia 27/11 (domingo)
Vento forte para água e sabão – Cia Fiandeiros de Teatro – PE
Teatro de Santa Isabel, às 16h
Duração: 55 min – Livre para todos os públicos

Sebastiana e Severina – Kamio Kaze – PE
Teatro Barreto Junior, às 16h30
Duração 1h10 – Indicado para todos os públicos

Fishman – Grupo Bagaceira – CE
Teatro Apolo, às 19h
Duração: 1h10 – Indicado para maiores de 14 anos

Fishman, do grupo cearense Bagaceira. Foto: Lina Sumizono

Fishman, do grupo cearense Bagaceira. Foto: Lina Sumizono

O Pão e a Pedra – Cia. do Latão – SP
Teatro Hermilo Borba Filho, às 19h
Duração: 2h50, com intervalo / Indicado para maiores de 16 anos

Teodorico Majestade – Teatro Popular de Ilhéus – BA
Teatro Luiz Mendonça, às 20h30
Duração: 1h30 / Indicado para todos os públicos

Programação Extra:

Dia 20/11
Exposição Mamulengo Só-Riso
Local: Teatro Hermilo Borba Filho
Abertura: às 10h
Entrada franca

Dia 22/11
Leitura Dramatizada
Medéia – O Evangelho – Albemar Araújo
Adaptação da obra de Eurípides
Teatro Joaquim Cardozo, às 20h
Livre para todos os públicos. Entrada Franca.

Dia 23/11
Conta Causos – Doutores da Alegria – PE.
Teatro Joaquim Cardozo, às 20h
Livre para todos os públicos. Entrada Franca.

Dia 26/11
Lançamentos: Livros, revista e o projeto: Teatro tem programa.
Com: Paulo Vieira, Pedro Vilela e Leidson Ferraz.
Centro Apolo Hermilo, às 15h. Entrada Franca.

Programação formativa:

De 16 a 19/11
Oficina/residência: O teatro épico-dialético
Ministrada por: Sérgio de Carvalho – SP
Local: Centro Apolo/Hermilo
Das 9 às 13h. Participação gratuita.

Dia 20/11
Seminário de Crítica Teatral – 2016
Tema Geral: A arte secreta do teatro – encontros infinitos
Como se forma e se quebra tradição teatral: Mestres e discípulos do teatro russo
Palestrante: Helena Vassina
Mediador: Diego Albuck
Local: Centro Apolo Hermilo

Dia 21/11
A arte solitária do autor – a criação dramatúrgica
Palestrantes: Paulo Vieira e João Denys
Mediador: Vinícius Vieira

Dia 22/11
A arte secreta da crítica – o exemplo de Sábato Magaldi
Palestrantes: Bruno Siqueira, Astier Basílico e Ivana Moura.
Mediadora: Isabelle Barros

Dia: 26/11
Mesa de debates: Pesquisa de grupo / investimentos e resultados
Palestrantes: Sérgio de Carvalho; Luiz Reis e Rudimar Constâncio.
Mediador: Romildo Moreira
Centro Apolo/Hermilo, às 09h30

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DocumentaCena debate sobre crítica em Curitiba

A Maldade Humana está na Mostra DocumentaCena

A Maldita Raça Humana está na Mostra DocumentaCena

Na famosa concepção de Roland Barthes, “a crítica não é uma ‘homenagem’ à verdade do passado, ou à verdade do ‘outro’, ela é construção da inteligência do nosso tempo”. [1] Os enfrentamentos da crítica com a obra não perseguem a descoberta de uma verdade cifrada, mas potências interpretativas para dialogar com assuntos atuais. Assim pode ser na construção de vários caminhos.

“Problemática, polêmica, ameaçada de falência e de estar à margem do seu próprio universo de atuação, ela não se cala. Sob olhares desconfiados por todos os lados ela permanece, há séculos, como pedra, sobrevivendo aos que não lhe querem. Maldita, é infalível e independente. Se não há mais lugar para ela aqui, encontra acolhimento ali, transita, transmuda, se move. A crítica não está falida, não está morta e pertence mais ao mundo da arte do que muitos eventos que se autodenominam artísticos. Ela está apenas em crise. Bom para ela: este é o seu habitat natural”[2]. Começa dessa forma um artigo de 2008 da crítica e pesquisadora Daniele Avila Small.

A crítica aceita novas configurações e merece ser discutida no contexto de aproximação com artistas e público. É o que propõe a 1ª Mostra DocumentaCena, promovida pela DocumentaCena – Plataforma de Crítica, que ocorre de 8 a 10 de novembro, e o Idiomas – Fórum Ibero-Americano de Crítica de Teatro, de 11 a 13, ambos em Curitiba.

A ideia na mostra é que artistas, pesquisadores e críticos possam acompanhar peças teatrais de artistas curitibanos, conversas com os grupos, uma oficina de crítica e dramaturgia, além do lançamento de publicações especializadas em teatro.

Ilíada – Canto XIII, com direção de Octávio Camargo e performance da artista Katia Horn; Os Pálidos, da Cia Senhas de Teatro, com direção de Sueli Araujo, e A Maldita Raça Humana, da Companhia Teatro de Breque, com direção de Nina Rosa Sá, integram o repertório de peças e exibem diferentes linguagens e gerações do teatro de Curitiba.  Após as sessões, os grupos se dispõem a conversar sobre os trabalhos com o público.

Daniele Avila Small, fundadora e editora da revista eletrônica Questão de Crítica está na curadoria da Mostra DocumentaCena ao lado de Luciana Romagnolli, fundadora e editora do site Horizonte da Cena. Essa é a  primeira mostra realizada pela DocumentaCena – Plataforma de Crítica, coletivo formado pelo site Horizonte da Cena (Belo Horizonte/MG), pelo blog Satisfeita, Yolanda? (Recife/PE) e pela revista eletrônica Questão de Crítica (Rio de Janeiro/RJ).

Ilíada Canto-13

Ilíada Canto 13, com a artista Katia Horn

“Claro que me aborrece deixar os criadores aborrecidos comigo. Seria mais fácil continuar a dar e receber palmadinhas nas costas”, escreveu o crítico português Jorge Louraço, no Manifesto (2006) Como fazer inimigos. Para depois perguntar, no mesmo artigo, “como garantir que o crítico não se deixa influenciar pelos amigos? É difícil. Cada vez que ele dá uma opinião sincera, tem de pedir desculpa, ou aceitar o desafio para o duelo e arranjar um padrinho de armas”. Muitas críticas pelo caminho e 10 anos depois, ele ministra As Mãos Sujas de Sangue, Oficina de Crítica e Dramaturgia.

No encontro de três dias no Centro Cultural Sesi Heitor Stockler de França (8 a 10 de novembro) o dramaturgo e crítico teatral Jorge Louraço, vai dissecar várias possibilidades da criação cênica. Sua proposta é edificar a relação da crítica teatral com a adaptação dramatúrgica. Para isso será analisado o texto Macbeth, de Shakespeare. Os participantes irão colaborar na re-escrita de uma cena da peça.

No dia 10 de novembro, às 16h, na Casa Selvática, acontece o lançamento da Trema! Revista, de Pernambuco, e do Caixa de Pont[o] – Jornal de Teatro, de Santa Catarina.

Oscar Conargo participa do Fórum Idiomas

O espanhol Óscar Cornago participa do Fórum Idiomas. Foto: Divulgação

Depois da Mostra, começa o Idiomas – Fórum Ibero-Americano de Crítica de Teatro, na CAIXA Cultural Curitiba. O exercício da crítica de teatro e seus desafios na atualidade são os temas-chaves do fórum. Especialistas nacionais e internacionais (pensadores de Portugal, Espanha, Uruguai e Argentina), participam da empreitada.

Rui Pina Coelho (Portugal) e Óscar Cornago (Espanha) debatem as transformações da crítica na Península Ibérica, enquanto o teórico Jorge Dubatti (Argentina) e a crítica María Esther Burgüeño (Uruguai) tratam do mesmo tema na América Latina. A mesa com Bernardo Borkenztain (Montevidéu), Welington Andrade (São Paulo) e a encenadora Sueli Araújo (Paraná) trata de poderes e legitimação. Patrick Pessoa e Mariana Barcelos (Rio de Janeiro), Daniel Toledo (Minas Gerais) e Jorge Louraço (Portugal) trabalham com o pêndulo do crítico como artista e espectador.

Teórico Jorge Dubatti fala no Idiomas. Foto: Divulgação

Teórico Jorge Dubatti fala no Idiomas. Foto: Divulgação

[1] BARTHES, Roland. O que é a crítica. In: Crítica e verdade. Tradução de Leyla Perrone-Moisés. São Paulo: Perspectiva, 2013, p. 163

[2] AVILA SMALL, Daniele. O que é, mais uma vez, a crítica? Breve estudo sobre a crítica de teatro. In: Questão de Crítica – Revista eletrônica de críticas e estudos teatrais. 10 de junho de 2008.

  • SERVIÇO
    MOSTRA DOCUMENTACENA

    Crítico de teatro português Jorge Louraço. Foto: Divulgação

    Crítico de teatro português Jorge Louraço. Foto: Divulgação

    De 8 a 10 de novembro de 2016
    As Mãos Sujas De Sangue
    Oficina de Crítica e Dramaturgia com Jorge Louraço (PT)
    Esta oficina parte da análise de uma crítica teatral para a exploração das várias dimensões da realização cênica, estabelecendo a relação da crítica teatral com a adaptação dramatúrgica, culminando na simulação de uma adaptação teatral de Macbeth.
    Centro Cultural Sesi Heitor Stockler De França
    (Av. Marechal Floriano Peixoto, 458 – centro)
    das 10h às 13h
    ENTRADA FRANCA via inscrição através do email: sesicultura.hsf@sesipr.org.br
    (enviar uma biografia de 5 linhas)

    Ilíada  – Canto XIII
    Ilíada, obra de tradição oral atribuída a Homero, é um dos mais importantes poemas épicos da Grécia Antiga. Trata da guerra de Troia, iniciada pelo sequestro de Helena (a mais bela mortal do mundo) por Páris, príncipe de Troia. Helena era a esposa de Menelau, o rei de Esparta, uma das principais cidades-Estado da Grécia. No canto XIII, Poseidon se apieda dos gregos e os motiva para a guerra. Nessa peleja os deuses gregos ficaram divididos. Do lado dos gregos (aqueus) estavam Hera, Atena, Poseidon, Hefesto, Tétis (mãe de Aquiles). E do lado dos troianos, Apolo, Afrodite, Ares, Ártemis, Leto. Zeus e Hades mantiveram-se neutros.

    Teatro Sesi Portão
    (R. Padre Leonardo Nunes, 180 – Portão, Curitiba – PR)
    às 19h30
    Entrada franca.
    Ficha Técnica
    Direção: Octavio Camargo | Elenco: Katia Horn|  Iluminação: Beto Bruel | Assistência, desenho de mapa e execução de luz: Daniele Regis | Cenografia: Eneas Lour |  Figurino: Ricardo Garanhani | Captação de áudio: Filipe Castro |  Arte gráfica: Foca Cruz |  Fotografia e documentação: Gilson Camargo| Tradução: Manoel Odorico Mendes | Realização: Ilíadohomero Companhia de Teatro
    Duração: 65 minutos | Classificação: 12 anos

    9 de novembro de 2016
    Os Pálidos

    Os pálidos Foto: Elenize Dezgeniski

    Os pálidos Foto: Elenize Dezgeniski

    Dois clássicos de Luis Buñuel: O Anjo Exterminador e O Discreto Chame da Burguesia são os detonadores da peça Os Pálidos, que questiona sobre estados de inércia, paralisação e anestesia em um ato urgente de pensar o mundo e a cena. Com texto e direção de Sueli Araujo, o espetáculo ocorre em dois ambientes simultaneamente, dividindo a plateia e propondo um diálogo permanente com o público.
    Sede Da Ciasenhas de Teatro
    (R. São Francisco, 35 –  centro)
    às 19h30
    Entrada franca 
    Ficha Técnica
    Dramaturgia e Direção: Sueli Araujo | Atuação: Anne Celli, Ciliane Vendruscolo, Greice Barros, Luiz Bertazzo e Rafa di Lari | Cenário e Figurino: Paulo Vinícius | Designer de Som: Ary Giordani | Designer de Luz: Wagner Corrêa | Direção de Produção: Marcia Moraes | Produção Executiva: Edran Mariano | Assistente de Produção: Mariana Freitas | Designer Gráfico: Adriana Alegria | Assessoria de Imprensa: Fernando de Proença | Fotos: Elenize Dezgeniski
    Duração: 90 minutos | Classificação: 12 anos
    8 de novembro de 2016

    10 de novembro de 2016

    peça desloca o olhar da plateia ao abrir mão da linguagem falada e investir na dramaturgia do gesto para potencializar os sentidos e contar uma história

    Peça investe na dramaturgia do gesto para potencializar os sentidos e contar uma história. Foto Daniel Assal

    A Maldita Raça Humana
    Peça livremente inspirada no livro Dicas Úteis para uma Vida Fútil, de Mark Twain, A Maldita Raça Humana desmascara o bestial por trás do verniz altruísta do homem, trazendo o politicamente incorreto para a discussão em cena. A ironia é quem dá leveza ao enredo, construído com recortes aparentemente banais do cotidiano, mas que reunidos levantam uma suspeita: a sociedade não é tão inocente assim. 
    Teatro Sesi Portão
    (R. Padre Leonardo Nunes, 180 – Portão, Curitiba – PR)
    às 19h30
    Entrada franca
    Ficha Técnica
    Direção: Nina Rosa Sá | Elenco: Rodrigo Ferrarini, Pablito Kucarz e Gabriel Gorosito | Luz: Nadja Naira | Sonoplastia: Marcelo Torrone | Cenário: Paulo Vinícius | Direção de Movimento: Carmem Jorge | Figurinos: Maureen Miranda | Direção de Produção: Michele Menezes | Dramaturgia: Criação Coletiva
    Duração: 65 minutos | Classificação: Livre

    Lançamento da Trema! Revista e do Caixa de Pont[O] – Jornal de Teatro
    Casa Selvática
    (R. Nunes Machado, 950 – Rebouças, Curitiba – PR)
    às 16h
    Entrada franca.

  • Programação

    IDIOMAS – FÓRUM IBERO-AMERICANO DE CRÍTICA DE TEATRO

    Data: 11 de novembro (sexta-feira)

    Horário: das 19h às 22h
    TRANSFORMAÇÕES E DESAFIOS DA CRÍTICA CONTEMPORÂNEA – PENÍNSULA IBÉRICA – com Rui Pina Coelho (Portugal) e Óscar Cornago (Espanha). Mediação: Daniele Avila Small (Rio de Janeiro).

    Data: 12 de novembro (sábado) 

    Horário: das 10h às 12h30
    PODERES E LEGITIMAÇÕES DA CRÍTICA DE TEATRO – com os críticos Bernardo Borkenztain (Montevidéu) e Welington Andrade (São Paulo) e da encenadora Sueli Araújo (Paraná). Mediação: Francisco Mallman (Paraná).

    Horário: das 14h30 às 17h00
    CRÍTICA DE CURADOR E DE PESQUISADOR – com a curadora Paula de Renor (Pernambuco), Rodrigo Eloi da Silva (São Paulo) e a pesquisadora Michele Rolim (Rio Grande do Sul). Mediação: crítica Soraya Belusi (Minas Gerais).

    Horário: 18h
    Lançamento do site DocumentaCena – Plataforma de crítica

    Horário: das 19h00 às 21h30
    O CRÍTICO COMO ARTISTA E ESPECTADOR – com os críticos Patrick Pessoa e Mariana Barcelos (Rio de Janeiro), Daniel Toledo (Minas Gerais) e Jorge Louraço (Portugal). Mediação: Pollyanna Diniz (Pernambuco).

    Data: 13 de novembro (domingo)

    Horário: das 11h às 13h30
    TRANSFORMAÇÕES E DESAFIOS DA CRÍTICA CONTEMPORÂNEA – AMÉRICA LATINA. Com o crítico teórico Jorge Dubatti (Argentina) e a crítica María Esther Burgüeño (Uruguai). Mediação: Luciana Romagnolli (Minas Gerais).

    Serviço
    Fórum: Idiomas – Fórum Ibero-Americano de Crítica de Teatro

    Local: CAIXA Cultural Curitiba, Rua Conselheiro Laurindo, 280 – Curitiba (PR)
    Data: 11 a 13 de novembro de 2016 (sexta a domingo)
    Horário: sexta, das 19h às 22h. Sábado, das 10h às 12h30, das 14h30 às 17h00, 18h00 e  das 19h00 às 21h30. Domingo, das 11h às 13h30.
    Ingressos: entrada franca mediante retirada de ingressos na bilheteria para a palestra do dia
    Bilheteria: (41) 2118-5111 (de terça a sexta, das 12h às 20h, sábado, das 9h às 18h30, domingo, das 10h às 19h)
    Classificação etária: livre para todos os públicos
    Lotação máxima: 125 lugares (2 para cadeirantes)

    Site: idiomasforum.wordpress.com

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Circo para encantar a vida

Peça Apesar, da companhia franco-brasileira Sôlto, abre programação do festival. Foto: Tom Proneur/ Divulgação

Conviver com alguém é um exercício de extrema tolerância e bom-humor. Se acionarmos o zoom pode ser que não sobre ninguém para compartilhar essa experiência. Nem mesmo o espelho. Mas apesar de tudo – da rotina, dos risos roubados, dos sonhos frustrados, das catástrofes – aqueles dois continuam ligados. Há tempos eles vivem juntos. Um contra o outro, um sobre o outro, um pelo outro. O espetáculo de circo contemporâneo Apesar, da Sôlta Compagnie, explora a relação entre dois personagens que decidiram viver conectados, a despeito de tudo. A peça faz a abertura do Festival de Circo do Brasil, na próxima sexta-feira, às 20h,no Teatro de Santa Isabel.

Apesar estreou ano passado na Bienal de Circo de Marseille. No elenco estão o músico, bailarino, trapezista e videomaker Tom Prôneur, ao lado da bailarina e trapezista brasileira Alluana Ribeiro.  Seus personagens estão confinados em um universo fantástico, no qual o movimento pendular do mastro marca o ritmo do tempo, que não para nunca. Além do mastro pendular, acrobacia, malabares e equilíbrios sobre as mãos são as (in)disciplinas circenses utilizadas na encenação.

Eles interpretam um velho casal que esqueceu como se comportar “normalmente” e o circo se tornou seu modus operandis. A dramaturgia da peça é baseada na noção do pesar (físico e afetivo) como fonte de conflitos consigo mesmo e com o outro. Apesar confronta o homem com seus limites. O espetáculo tem patrocínio da Pôle National des Arts du Cirque Méditerranée (FR) e do Conseil Général du Var (FR).

A 12ª edição do festival ocorre entre 4 e 13 de novembro e tem como tema a “arte portátil”, em referência a uma das grandes características do circo, que é a de ser itinerante. Durante 10 dias serão exibidos trabalhos cênicos da França, Finlândia, Itália e Brasil. Ao todo serão 17 apresentações em teatros, 10 no Santa Isabel, 3 no teatro Luiz Mendonça e 4 no Apolo-Hermilo, com ingressos a R$ 20 e R$ 10.

Dez pontos da região metropolitana, incluindo Parque da Jaqueira, Boa Viagem, Poço da Panela, Sítio Histórico de Olinda e Praça do Arsenal também recebem as atrações do evento.

Nos dias 5 e 6 de outubro, às 16h, o Santa Isabel acolhe o Circo do Só EU, do palhaço Esio Magalhães. O artista tenta apresentar sozinho um espetáculo com números de equilíbrio de pratos, macacos em monociclo, hipnose, mágica, acrobacia, música. Zabobrim, o palhaço, tenta cobrir o buraco deixado pelo Circo do Sol, que cancelou o convite da apresentação de última hora, depois de receber uma proposta muito mais lucrativa. Ele quer realizar sozinho o espetáculo de uma companhia inteira.

Fabiana Pirro (na foto por trás da boneca) e Lívia Falcão dividem palco em Caetana

Fabiana Pirro (nesta foto por trás da boneca) e Lívia Falcão dividem palco em Caetana

O repertório de peças inclui Caetana, com a pernambucana Duas Companhias, das atrizes Lívia Falcão e Fabiana Pirro. O título é inspirado na forma poética do escritor Ariano Suassuana denominar a morte. O espetáculo explora ludicamente o embate entre a rezadeira Benta, que já indicou o caminho para muitas almas, e a própria Caetana. A peça tem direção de Moncho Rodriguez.


Vizinhos brinca com o surrealismo das artes plásticas. No espetáculo, da companhia paulista Artinerant’s, os objetos de uso cotidiano de um homem e uma mulher se transformam, assumem novos usos e ganham novos significados para mostrar, através de números circenses, as dificuldades que enfrentamos em nosso dia a dia. Os jogos cênicos misturam acrobacias, equilíbrio, humor e poesia. Os artistas Daniel Pedro e Maíra Campos, integrantes do Circo Zanni, estão no elenco deste espetáculo, com direção de Lu Lopes (a Palhaça Rubra).

Irmãos Sartori. Foto: Andre Baumecker

Irmãos Sartori. Foto: Andre Baumecker

Os irmãos Luis Sartori do Vale e Pedro são artistas circenses formados pela renomada Escola Superior de Arts do Circo (Esac), na Bélgica. Pela primeira vez juntos eles encenam Dois, em que investigam temas como empatia, confiança, desafio e rivalidade. Inspirados pelos contos clássicos, arte de performance e experiências pessoais, misturam arco e flecha, teatro visual e circo, criando interpretações sutis, bem-humoradas e imagens potentes dessa relação fraternal.

Três filmes entram na programação deste ano., são os documentários HotXuá (dirigido por Letícia Sabetella), Circo é…Circo (direção Daniela Cucchiarelli). E o longa francês Chocolate (direção de Roschdy Zem, com Omar Sy), que narra a história verídica de um escravo negro que se torna um artista circense bastante popular na Paris do século 19. Os documentários serão exibidos no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco de Casa Forte, enquanto Chocolate será projetado na tela do São Luiz.

O Festival de Circo do Brasil estreou em 2004, com a proposta de criar um intercâmbio cultural entre artistas e público de diferentes países. Para este ano está reservado o Circus Incubator, com o apoio da La Granierie (França) e União Europeia. Jovens artistas de 4 países participam deste intercâmbio, em festivais na Finlândia, Canadá, Recife, França e Estocolmo. De Pernambuco foram selecionados três artistas: Euler Kalebe, que esteve na Finlândia e Canadá, e João Lucas e Vitor Lima, que vão à Suécia em fevereiro.

Realizado pela Luni Produções, o Festival de Circo do Brasil tem o patrocínio da Petrobras desde a sua primeira edição, em 2004. Nesta edição o evento conta com o apoio da Prefeitura do Recife, Institut Français, Consulado da França para o Nordeste e Califórnia Filmes.

Programação  

Dia 04/11 (sexta)

Santa Isabel
Abertura: Grand Teatro Dentro, Rufino Clown (ITA)
20h – Apesar; Cie Sôlta (FRA/BRA)

Dia 05/11 (sábado)

Santa Isabel
16h- Circo do só EU, Ésio Magalhães (SP)
Abertura: Cia Grand Teatro Dentro, Rufino Clown (ITA)
20h- Apesar; Cie Sôlta (FRA)

Parque da Jaqueira – Palco Portátil
17h- Caravana Tapioca (PE)

Dia 06/11 (domingo)

Santa Isabel
16h- Circo do Só EU, Ésio Magalhães (SP)
Abertura: Cia Grand Teatro Dentro, Rufino Clown (ITA)
20h- Apesar; Cie Sôlta (FRA)

Poço da Panela – Palco Portátil
17h- Caravana Tapioca (PE)

Dia 07/11 (segunda)

Teatro Hermilo Borba Filho
9h às 17h- Oficina Circus Incubator

Dia 08/11 (terça)

Teatro Hermilo Borba Filho
9h às 17h- Oficina Circus Incubator

Santa Isabel
15h- Giullari Clássico (ITA)

20h- Caetana
, Cia Duas em Cena (PE)

Cine Fundaj (Casa Forte)
20h- HotXuá (documentário)
22h- Circo é... Circo (documentário)

Dia 09/11 (quarta)

Teatro Hermilo Borba Filho
9h às 17h- Oficina Circus Incubator

Cinema São Luiz
17h- Chocolate (FRA, 2016)
19h30- Chocolate (FRA, 2016)

Dia 10/11 (quinta)

Teatro Hermilo Borba Filho
9h às 17h- Oficina Circus Incubator

Teatro Apolo
9h30- Carpinteiros em Domicílio, Cia Suno
15h30- Carpinteiros em Domicílio, Cia Suno

Santa Isabel
20h- Vizinhos, Artinerant’s (SP)

Dia 11/11 (sexta)

Teatro Hermilo Borba Filho
9h às 17h- Oficina Circus Incubator

Teatro Apolo
9h30- Carpinteiros em Domicílio, Cia Suno (SP)
15h30- Carpinteiros em Domicílio, Cia Suno (SP)

Santa Isabel
20h- Vizinhos, Artinerant’s (SP)

Dia 12/11 (sábado)

Teatro Hermilo Borba Filho
9h às 17h- Oficina Circus Incubator

Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu)
16h30- Circo Zanni (SP)
18h30- Circo Zanni (SP)

Teatro Apolo
16h- Carpinteiros em Domicílio, Cia Suno (SP)

Santa Isabel
20h- Dois, Luis e Pedro Sartori do Vale (BRA/FIN)

Dia 13/11 (domingo)

Teatro Apolo
16h- Carpinteiros em Domicílio, Cia Suno (SP)

Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu)
16h30- Circo Zanni (SP)

Santa Isabel
19h- Dois, Luis e Pedro Sartori do Vale (BRA/FIN)

Serviço

Festival de Circo do Brasil
Onde: Teatros de Santa Isabel, Hermilo Borba Filho, Apolo, Luiz Mendonça, Parque da Jaqueira, Boa Viagem, Poço da Panela, Sítio Histórico de Olinda e Praça do Arsenal.
Quando: de 4 a 13 de novembro
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia) (preços referentes aos espetáculos teatrais)

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