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Reinado sanguinolento na linguagem do palhaço

Bruxas da Escócia é uma livre adaptação do clássico Macbeth, de Shakespeare. Foto: João Caldas / Divulgação

Bruxas da Escócia é uma livre adaptação do clássico Macbeth, de Shakespeare. Fotos: João Caldas / Divulgação

Macbeth é uma história sobre cobiça, poder e loucura do dramaturgo William Shakespeare. Acompanhamos a ascensão do general Macbeth ao trono da Escócia. No início ele é leal e corajoso. Mas encontra três bruxas, que revelam uma profecia de grandeza: em breve ele será barão de Cawdor, e em seguida rei; e isso alimenta sua ambição, inflamada por sua mulher, Lady Macbeth.

A obra escrita provavelmente entre 1603 e 1607, já recebeu centenas de montagens e inspirou ópera e muitos filmes. Bruxas da Escócia é uma livre adaptação do clássico do bardo inglês para crianças, assinada pela Cia Vagalum Tum Tum e dirigida por Angelo Brandini.

A montagem faz temporada de 27 de outubro a 5 de novembro, de quinta a sábado, na Caixa Cultural Recife e tem classificação livre. As sessões ocorrem às 19h nas quintas e sextas e às 17h nos sábados. Os ingressos custam R$ 10 e R$ 5 (meia) e serão vendidos a partir das 10h do dia 26 de outubro, para as sessões da primeira semana – 27 a 29/10, e no dia 2 de novembro, para as apresentações de 3 a 5/11.

Bruxas da Escócia é a quarta adaptação de um clássico shakespeariano para a infância produzida pela Cia Vagalum Tum Tum. O grupo já fez de Otelo, Othelito; Rei Lear virou O Bobo do Rei e Hamlet foi transformado em O Príncipe da Dinamarca. A montagem estreou em 2014 e conquistou alguns prêmios como o APCA de Melhor Espetáculo com Texto adaptado.

A trupe lança mão da linguagem do palhaço para contar essa trama trágica e densa de uma maneira engraçada, com músicas em clima de opereta e truques de mágica. O diretor adianta que as batalhas estão recheadas de bofetadas e escorregões.

Montagem da Cia Vagalum Tum Tum tem direção de Angelo Brandini, que é integrante dos Doutores da Alegria

Montagem da Cia Vagalum Tum Tum tem direção de Angelo Brandini, que é integrante dos Doutores da Alegria

Para chegar ao poder, Macbeth elimina várias pessoas: de guardas palacianos, passando por seu amigo Banquo ao rei Duncan para usurpar seu trono. Em Bruxas da Escócia os personagens somem por meio de truques de mágica.

Além desses recursos, o grupo aposta nas canções de Fernando Escrich, que criou músicas para as personagens. A vilã Lady Macbeth, mentora dos assassinatos cometidos por Macbeth, – uma mulher que usa da sedução e artimanhas para conseguir o que quer – é apresentada no infantil com uma música divertida, que a define como a “dona da bola”, que consegue tudo na base do beliscão.

As tradicionais saias masculinas escocesas – kilt – são destaque dos figurinos, criados por Christiane Galvan. A figurinista lembra que os homens usavam saias nas batalhas na Escócia durante as guerras para facilitar na hora de fazer xixi, sem precisar descer do cavalo. O cenário assinado por Bira Nogueira é cheio de transparências e a coxia – aquele lugar do teatro onde funcionam os bastidores da encenação – fica visível ao público.

Com adaptação e direção assinadas por Angelo Brandini, a peça tem no elenco as atrizes Christiane Galvan, Layla Ruiz, Tereza Gontijo e os atores Anderson Spada, Erickson Almeida, e Val Pires. A trupe executa, também ao vivo, as músicas originais do espetáculo.

A companhia surgiu em 2001 com o espetáculo homônimo Vagalum Tum Tum que focava na saga de um palhaço atrás de um vagalume. O diretor Angelo Brandini faz parte dos Doutores da Alegria desde 1994, onde é coordenador nacional de criação.

FICHA TÉCNICA
Texto e Direção: Angelo Brandini
Elenco: Anderson Spada: Bruxa, Mensageiro e Rebelde; Christiane Galvan: Lady Macbeth e Soldado; Erickson Almeida: Músico, Filho 2 e Rebelde; Layla Ruiz: Bruxa, Filho 1 e Rebelde; Tereza Gontijo: Macbeth; Val Pires: Bruxa, Rei e Soldado; Stand in:

Direção Musical: Fernando Escrich;
Preparação Corporal: Vivien Buckup;
Cenografia: Bira Nogueira;
Iluminação: Wagner Freire;
Figurinos: Christiane Galvan;
Assistente de Figurinos: Mariana Lima;
Técnico de som: Vitor Osório;
Técnica de Luz: Giuliana Cerchiari;
Costureira: Cleide MezzacapaHissa;
Fotografia: João Caldas;
Produção geral: Cia.Vagalum Tum Tum;
Produção: Marina Mioni.

SERVIÇO
Bruxas da Escócia
Onde: CAIXA Cultural Recife (Avenida Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife, Recife/PE)
Quando: 27, 28, 29/10 e 03, 04 e 05/11. Quintas e Sextas, às 19h; Sábados, às 17h.
Ingresso: R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia)
Bilheteira: Vendas a partir das 10h do dia 26/10 (para sessões de 27 a 29/10) e a partir das 10h do dia 02/11 (para sessões de 3 a 5/11)
Classificação indicativa: Livre
Duração: 60 minutos
Informações: (81) 3425-1915

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Vulcão encerra Mostra Capiba

Fragmentos biográficos da atriz Diane Veloso são base do espetáculo. Foto Divulgação

Fragmentos biográficos da atriz Diane Veloso são base do espetáculo. Foto Divulgação

Uma cantora de Punk Rock mergulha em delírios poéticos no início de um show e embaralha lembranças, desejos e realidade. Sua batalha é levar a performance até o fim. Essa é uma das portas de entrada do monólogo Vulcão, da atriz Diane Veloso, numa produção do grupo Caixa Cênica, de Sergipe. A peça faz uma apresentação hoje, às 20, na 9ª Mostra Capiba de Teatro do Sesc de Casa Amarela.

O texto é composto por quadros, como fotogramas descontínuos, elaborado a partir de material biográfico da atriz, que ganha um tratamento poético da dramaturga brasiliense Lucianna Mauren. A direção é de Sidney Cruz.

A trilha sonora original é carregada de fragmentos de bases melódicas usados como leitmotiv, como repetições e variações, que possibilita uma atmosfera de delírio. As músicas são assinadas por Alex Sant’Anna e Leo Airplane.

Vencedor do Prêmio de Circulação Funarte de Teatro Myriam Muniz/2015, faz turnê em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Bahia e Ceará.

Diane Veloso é atriz de teatro e cinema. Foto: Reprodução do Facebook

Diane Veloso é atriz de teatro e cinema. Foto: Reprodução do Facebook

Vulcão é um monólogo desafiador em que sentido?
Tem uma coisa interessante nesse espetáculo porque o tempo todo eu falo para a plateia que eu estou doente. E ao mesmo tempo é um teatro muito pulsante. Eu canto, danço, corro. Então essa contradição exige muito de mim fisicamente.
Além do que é um teatro autobiográfico, então é uma exposição pessoal grande, mas não tem uma linguagem naturalista ou realista. É um texto bastante fragmentado, poético, que usou como referências fatos meus. Mas também é desafiador porque acabo chegando em cavernas pessoais .

Estamos em tempos de refletir, de mergulhar em questões mais profundas? Isso não parece ir na contramão do que exige esses tempos líquidos?
Estava conversando sobre esses trabalhos mais autobiográficos – não fiz uma análise um estudo sobre isso, mas parece que é uma tendência que acontece de forma orgânica. Acho que a gente precisa se humanizar. Desnaturalizar essa violência em todos os sentidos.
A gente vive esses tempos de relações fugazes, do medo desse futuro. Mas tem as relações das redes sociais, que nada aprofunda, nada é pessoal. Por outro lado, a gente vê as pessoas se expondo de uma forma que talvez nem pessoalmente elas iram se expor. A arte entra aí no lugar de humanizar mesmo, de tirar desse lugar do que parece comum.

Como você falaria sobre Vulcão para uma criança de seis anos?
Um conto de fadas que não faz concessões. Os personagens morrem, são assassinados. Tem bruxa, caverna…

Ficha Técnica

Atuação: Diane Velôso
Direção: Sidnei Cruz
Assistência de Direção: Olga Gutierrez e Amanda Steinbach
Texto: Lucianna Mauren
Iluminação: Sergio Robson
Produção: Nah Donato e Diane Velôso
Figurino: Vivy Cotrim e Roberto Laplagne
Sombrinha: Luna Safira
Adereço de cabeça: Roberto Laplagne
Cenário: Sidnei Cruz, Denver Paraízo e Manoel Passos Filho
Arte plástica: Fábio Sampaio
Fotografia de espetáculo e foto design: Marcelinho Hora
Arte design: Gabi Etinger
Trilha sonora: Alex Sant’Anna e Leo Airplane
Operador de luz: Audevan Caiçara
Operação Audiovisual, Vídeo e Assessoria: Manoela Veloso Passos Colaboração: Maicyra Leão
Produção PE: Fabiana Pirro

SERVIÇO

Vulcão – (Grupo Caixa Cênica) – Aracaju – SE
Quando: Sábado, 22/10 , às 20h
Onde: Teatro Capiba. SESC Casa Amarela (Av. Professor José dos Anjos, 1190. Bairro: Mangabeira) ​
Ingressos: R$ 20 e R$ 10
teatrocapiba@gmail.com
81 – 3267-4410
Duração: 40’
Classificação etária: 14 anos

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Recife mostra sua dança

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Balé Popular do Recife com Nordeste. Foto: Philip Moura / Divulgação

O 21º Festival de Dança do Recife começa neste sábado (22) com um Campeonato de Breaking e Popping, com grupos de hip hop, a partir das 9h, na Torre Malakoff. Durante todo o dia acontecem os confrontos artísticos individuais. A categoria breaking masculino mostra o talento e versatilidade com a palavra das 9h às 12h. Os duelos de de popping estão marcados para o período das 14h às 17h. O breaking feminino ocupa espaço das 18h às 21h. Cada categoria conta com 28 participantes.

A abertura oficial ocorre às 20h no Teatro de Santa Isabel, com o espetáculo Nordeste, a Dança do Brasil, do Balé Popular do Recife, que comemora seus 40 anos. O grupo leva ao palco os quatro ciclos festivos. As coreografias tratam das manifestações culturais e artísticas do Carnaval, de São João, do Natal, com seus autos e folguedos populares. Além de expressões de origem afro-ameríndia, entre eles Quilombiana, Afro Primitivo, Caboclos de Lança e Maracatu Nação. A direção de Ângela Fisher, com direção artística e coreografias de André Madureira.

A edição deste do festival ocorre entre os dias 22 e 29 de outubro. São 18 sessões nos palcos dos Teatros de Santa Isabel, Apolo, Hermilo Borba Filho, Barreto Junior e Luiz Mendonça. O Paço do Frevo, a Torre Malakoff e a Praça do Arsenal também recebem encenações.

O Campeonato de Batalhas de Breaking e Popping prossegue no domingo (23), com as batalhas em grupo. As 32 crews (tripulações) se enfrentam em trios das 9h às 12h. As eliminatórias continuam das 14h às 22h, até que o grupo campeão seja eleito. O campeonato acontece dentro da Mostra de Danças Urbanas, evento organizado pela Associação Metropolitana de Hip Hop, e que há 11 anos integra a programação do Festival. Um júri formado por integrantes da cena hip hop local, de São Paulo e Brasília processa as seleções.

A montagem Chetuá – a transição entre o universo do vaqueiro do sertão e o boiadeiro da jurema sagrada, da Cia Riacho de Pedra, de Olinda/PE, é a atração do domingo, no Teatro Hermilo Borba Filho, às 19h. A peça coreográfica investiga as vivências, crenças e histórias do povo. A figura do vaqueiro é focalizada no seu universo do Sertão e sua religião da Jurema Sagrada. É uma coautoria dos artistas Aldene Ferreira, Emerson Dias e Mestre Ulisses Cangaia.

Dùvido faz questionamentos existenciais

Dùvido faz questionamentos existenciais

O espetáculo Dùvido, da Cia. Sopro de Zéfiro & Aria Social, leva ao palco movimentos que exploram os conflitos existenciais. O espetáculo questiona a concepção de um outro universo, impalpável, abstrato e transcendente. Um mundo muito além do mundo conhecido, em outra dimensão. A apresentação é no domingo, às 20h, no Teatro de Santa Isabel.

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Um dos destaques nacionais é Saudade de Mim, que usa referencias de Portinari a Chico Buarque. A montagem celebra os 15 anos da Focus Cia. de Dança, do Rio de Janeiro, que se apresenta na terça-feira, 25, no Teatro Luiz Mendonça, no Parque Dona Lindu.

Como parte da ação formativa, Saudade de mim, também tem apresentações gratuitas nos dias 25 e 26, às 16h no Teatro Barreto Junior, e está direcionada a escolas de dança e da rede pública de ensino. Os interessados devem enviar uma lista com os nomes dos alunos para servicosdedancafccr@gmail.com ou confirmar os nomes pelo telefone (81) 3355-3137/38.

Na segunda (24), o grupo argentino Archipiélago Danza exibe Um animal dentro de um animal no Teatro Apolo, às 19h. A peça de dança-teatro e música especula a subjetividade feminina. O corpo aparece como território de indagação. E a produção adianta que a montagem propõe ao espectador ingressar em uma atmosfera de intensidades.

Processo Meia Noite, com criação e performance do bailarino Orun Santana, também indaga questões ligadas ao corpo. A montagem explora a capoeira como elemento criador e motivador do movimento dançado.

A realização do 21º Festival de Dança do Recife é da Prefeitura do Recife, através da Secretaria de Cultura e da Fundação de Cultura Cidade do Recife.

PROGRAMAÇÃO

Ginga B Boys e B Girls

Ginga B Boys e B Girls

DIA 22 – SÁBADO
Ginga B.Boys e B.Girls – Associação Metropolitana de Hip Hop Em PE.
Local: Torre Malakoff
Horário: 9h
Classificação: Livre
Entrada franca

Nordeste, a dança do Brasil – Balé Popular do Recife
Local: Teatro de Santa Isabel
Horário: 20h
Classificação: Livre

DIA 23 – DOMINGO

Ginga B.Boys e B.Girls – Associação Metropolitana de Hip Hop Em PE.
Local: Torre Malakoff
Horário: 9h
Classificação: Livre
Entrada franca

Chetuá – Riacho de Pedra
Local: Teatro Hermilo Borba Filho
Horário: 19h
Classificação: Livre

Dùvido – Cia. Sopro de ZéfIro & Aria Social
Local: Teatro de Santa Isabel
Horário: 20h
Classificação: Livre


DIA 24 – SEGUNDA

Un animal dentro de un animal – Archipiélago Danza Teatro (Argentina)
Local: Teatro Apolo
Horário: 19h
Classificação: maiores de 14 anos

Processo Meia-Noite – com Orun Santana
Local: Teatro Hermilo Borba Filho
Horário: 20h30
Classificação: Livre

DIA 25 – TERÇA

Saudade de mim – Focus Cia. de Dança (RJ)
Local: Teatro Luiz Mendonça
Horários: 16h (gratuita para escolas)
Classificação: Livre

Dupla Cômica
– Brow e Taw – & – 8°Sinfonia Fusion – Animatroonicz
Local: Área livre do Centro Apolo/Hermilo
Horário: 20h
Classificação: Livre
Entrada franca

Saudade de mim – Focus Cia. de Dança (RJ)
Local: Teatro Luiz Mendonça
Horários: 20h
Classificação: Livre

DIA 26 – QUARTA

Saudade de mim – Focus Cia. de Dança (RJ)
Local: Teatro Luiz Mendonça
Horários: 16h (gratuita para escolas)
Classificação: Livre

Saudade de mim – Focus Cia. de Dança (RJ)
Local: Teatro Luiz Mendonça
Horários: 20h
Classificação: Livre

DIA 27 – QUINTA

Tijolos do esquecimento – Acupe Grupo de Dança
Local: Teatro Barreto Júnior
Horário: 19h
Classificação: 16 anos

Majho Majhobê Olubajé – Cia. Pé-Nambuco de Dança
Local: Teatro Luiz Mendonça
Horário: 20h
Classificação:Livre

DIA 28 – SEXTA

Programa Duplo
Frevariando e Entre passos e sombrinhas – Cia. de Frevo do Recife & Studio Viégas
Local: Teatro Barreto Júnior
Horário: 19h
Classificação: 16 anos

Traz-humante – Camaleão Grupo de Dança (MG)
Local: Teatro de Santa Isabel
Horário: 20h
Classificação: maiores de 14 anos

Segunda pele – Coletivo Lugar Comum
Local: C. Lugar Comum (Rua do Lima, 210 – Sto. Amaro)
Horário: 20h30
Classificação: maiores de 14 anos

DIA 29 – SÁBADO

Palestra: Patrimônio Vivo, quem pode ser? – Com Marcelo Renan
Local: Paço do Frevo
Horário: 15h
Entrada Franca

Maracambuco: santos, rainhas e leões – Maracambuco
Local: Praça do Arsenal
Horário: 18h
Classificação: Livre
Entrada franca

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Artaud arde na Mostra Capiba

Samir Murad traz ao Recife o espetáculo performático Para acabar de vez com o julgamento de Artaud

Samir Murad traz ao Recife o espetáculo performático Para acabar de vez com o julgamento de Artaud

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Fotos: Divulgação

“O Teatro da Crueldade foi criado a fim de devolver ao teatro uma apaixonada e convulsiva concepção da vida, e é neste sentido de violento rigor e de extrema condensação de elementos cênicos que a crueldade em que se baseia deve ser compreendida. Essa crueldade, que será sangrenta quando necessário, mas não de modo sistemático, pode assim ser identificada com uma espécie de pureza moral severa, que não tem medo de pagar a vida o preço que deve ser pago”, escreve Artaud Artaud em O Teatro da Crueldade, de 1968.

Cartas, poemas, manifestos e pensamentos de Antonin Artaud (1896-1948) formam a carne do espetáculo performático Para acabar de vez com o julgamento de Artaud, que o ator Samir Murad apresenta nesta sexta-feira, às 20h, na 9ª Mostra Capiba de Teatro do Sesc de Casa Amarela. A montagem da Cia Cambaleei, Mas Não Caí, explora a trajetória do dramaturgo, ator e diretor francês do início do século XX, que abalou as certezas do teatro e da vida e por conta de suas ideias foi considerado louco e internado de nove anos em manicômio na França.

Durante esse período, Artaud experimentou no corpo o pavor de ser injustiçado pela sociedade. E sentiu a carga violenta como resposta a quem não se enquadra. A psiquiatria impôs tratamentos à base de eletrochoques. E com isso usurpou o potencial criativo nos meses em que ele ficava esvaziado por essas descargas.

O título da performance é inspirado no poema radiofônico de Artaud, na época censurado, Para Acabar de Vez com o Julgamento de Deus. Essa encenação processual é resultado da tese de mestrado de Murad e se propõe a provocar uma mobilização criativa no espectador. Samir é formado no Centro de Letras e Artes da Uni-Rio, fez pós-graduação em teatro na UFRJ e defendeu a Influência de Antonin Artaud sobre o trabalho do ator Rubens Corrêa.

A encenação busca exibir facetas de Artaud, como sua relação com o movimento surrealista, o teatro, as drogas, a política e o misticismo. Murad usa elementos musicais, das artes plásticas e técnicas orientais psicofísicas – yoga, o tai-chi-chuan, danças xamânicas e mantras. A peça expande a reflexão sobre o espaço do artista na sociedade.

Samir Murad. Foto Divulgação

Artista anda abraçado com Artaud há mais de uma década

SERVIÇO

Para Acabar de Vez com o Julgamento de Artaud – (Cia. Cambaleei, mas não caí…) – Rio de Janeiro – RJ
Quando: Nesta sexta, às 20h
Onde: Teatro Capiba. SESC Casa Amarela (Av. Professor José dos Anjos, 1190. Bairro: Mangabeira) ​
Ingressos: R$ 20 e R$ 10
teatrocapiba@gmail.com
81 – 3267-4410
Duração: 60’
Classificação etária: 16 anos
Sinopse:

Ficha técnica
Textos: Antonin Artaud
Concepção, Atuação e Trilha Sonora: Samir Murad
Supervisão: Paulo Cerdeira
Cenário original: Milena Vugman
Figurino: Pamela Vicenta
Reazlização: Cia. Cambaleei, mas não caí…

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Ode cômica para Olinda e Recife

O Mascate, a Pé rapada e os Forasteiros, com Diogenes D. Lima

O Mascate, a Pé rapada e os Forasteiros, com Diogenes D. Lima

Em seu livro Locuções tradicionais no Brasil, Luís da Câmara Cascudo registra a expressão pé-rapado como sinônimo de “descalço, de pés nus, pé no chão”. Por metonímia é uma qualificação oferecida à “mais humilde categoria social”. Pé-rapado era o pobretão, sobretudo da zona rural, que andava descalço e por isso era obrigado a raspar (ou rapar) os pés para lhes tirar a lama.

Não se sabe exatamente quando surgiu a expressão, mas aponta Câmara Cascudo que o termo é encontrado na segunda metade do século XVII nos versos que Gregório de Matos. A locução também foi muito utilizada na Guerra dos Mascates, no início do século XVIII, aqui em Pernambuco. Os portugueses, os mascates do Recife chamavam a nobreza de Olinda pelo depreciativo apelido de Pés-rapados. Essa aristocracia rural combatia sem sapatos contra a cavalaria de botas.

O ator Diógenes D. Lima utiliza vários recursos do humor para tratar dessa relação entre Recife e Olinda de várias épocas no espetáculo O Mascate, a Pé rapada e os Forasteiros, que faz uma apresenta nesta quinta-feira, na programação da 9ª Mostra Capiba de Teatro do Sesc de Casa Amarela.

D. Lima manipula os artefatos e interpreta os personagens, articulando signos visuais e sonoros num tom satírico e sarcástico, mas sem perder a visada lúdica.

Com a linguagem do teatro de objetos, uma narrativa cômica e fictícia sobre a história, o artista celebra criticamente as duas cidades. Ele destaca e subverte símbolos e peculiaridades culturais, de ontem e de hoje.

O encenador Marcondes Lima assina a supervisão artística do espetáculo, juntamente com o ator e diretor Jaime Santos, do grupo La Chana da Espanha.  Jathyles Miranda é o responsável pelo plano de iluminação. O bailarino Fernando Oliveira cuida das coreografias do espetáculo. É do ator e designer gráfico Arthur Canavarro a programação visual do projeto e dos diretores de arte Triell Andrade e Bernardo Júnior a confecção dos adereços. A produção-executiva é de Luciana Barbosa.

SERVIÇO
O Mascate, a Pé rapada e os Forasteiros
Onde: Teatro Capiba, Sesc de Casa Amarela
Quando: Nesta quinta-feira, às 20h
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Duração: 60 min
Classificação: 16 anos

FICHA TÉCNICA
Texto e Atuação: Diógenes D. Lima
Supervisão Artística: Marcondes Lima e Jaime Santos
Coreografias: Jorge Kildery
Adereços: Triell Andrade e Bernardo Júnior
Iluminação: Jathyles Miranda
Execução de Iluminação: Rodrigo Oliveira
Execução de sonoplastia: Júnior Melo
Programação Visual: Arthur Canavarro
Fotografia: Ítalo Lima
Gerente de Produção: Luciana Barbosa
Produção: AGM Produções

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