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Medusa contra o Feminicídio

Fabiana Pirro em Medusa. Foto Renato Filho

Em todo o mundo houve aumento de violência doméstica desde o início das medidas de isolamento social provocados pelo novo coronavírus. No Brasil, os números são alarmantes. Por dia, em 2020, pelo menos cinco mulheres foram assassinadas ou vítimas de violência, segundo dados da Rede de Observatório da Segurança. Os casos de feminicídio (quando as vítimas foram mortas por serem mulheres) aumentaram 2,2% em relação ao ano anterior.

A atriz Fabiana Pirro entra em cena a performance #MedusaMusaMulher

Porque somos constantemente assediadas, boicotadas, erotizadas, exploradas, mutiladas, desumanizadas, silenciadas, invisibilizadas, traficadas, estupradas e assassinadas— por homens. Ela diz basta!

Porque é uma injustiça culpabilizar a vítima em caso de estupro. Isso produz raiva e revolta, sentimentos que são combustíveis para a luta. Ela reage.

Porque a mulher não pode ser incriminada por ser bonita, desejável, por não corresponder às cobiças, por não se deixar enquadrar como objeto, pelo fato de ser mulher. Ela quer cura.

A artista levanta sua voz, avança com seu corpo para apontar os horrores e usa sua potência interpretativa para combater a violência de gênero. Pirro assume de forma furiosa uma posição de combate, pelo resgate da beleza, da força e da esperança.

#MedusaMusaMulher, é a versão escrita por Cida Pedrosa e dirigida por Breno Fittipaldi, que vem sacudindo as mentes e corações no protesto contra o feminicídio e todas as violações da integridade das mulheres.  

A apresentação online de #MedusaMusaMulher tem o apoio da Lei Aldir Blanc de Pernambuco. A programação começa nesta segunda-feira (8 de Março) com o debate Medusa Agora. Do Mito À Mulher e se estende até 15 de Março, com a performance ao vivo pelo Instagram e Facebook @fabianapirro. As exibições são gratuitas.

O debate vai abordar o dia a dia do enfrentamento ao Feminicídio em Pernambuco, numa conversa entre a atriz Fabiana Pirro, o diretor Breno Fitipaldi e a promotora de Justiça, Henriqueta de Belli, que projetam a tragédia da Medusa para os dias atuais. A mediação é da jornalista Ana Nogueira.

Peça é baseada no mito grego. Foto Renato Filho

A concepção de #MedusaMusaMulher tem como base o mito grego de Medusa, que narra que a sacerdotisa foi castigada por um crime que não cometeu. Por ser um mito, há várias versões. Em essência, os deuses gregos estavam embutidos de suas características divinas, mas pareciam com os humanos em desejos, defeitos e virtudes; tudo maximizado, sem limites.

Medusa, sacerdotisa do tempo da deusa Atena, cidade grega de Hélade, era cobiçada por muitos. Ela despertou o desejo de Posseidon, o deus dos mares. Medusa o recusou. Posseidon não admitiu a rejeição. Invadiu o templo, quando Medusa estava sozinha, e a estuprou. 

Em cólera com a profanação de seu templo, Atena decidiu punir o culpado por tal injúria: Medusa. Parece quem tem alguma coisa errada aqui, não? Pois bem, a sacerdotisa foi culpabilizada por ter sido estuprada. Atena arrancou de Medusa toda a beleza e seus cabelos viraram um ninho de serpentes e ela foi condenada a rastejar. E quem a encarasse diretamente nos olhos seria subitamente petrificado. Medusa foi transfigurada em uma criatura monstruosa chamada Górgona. Em seu fim, Medusa teve sua cabeça decepada por um semideus, Perseu, filho de Zeus.

Medusa que se tornou o avatar perfeito na luta contra a violência sofrida pelas mulheres, seja física, sexual ou psicológico. #MedusaMusaMulher é uma batalha constante pelo humano e sua humanidade.

Fabiana Pirro apresenta #MedusaMusaMulher desde 2018. Foto Renato Filho / Divulgação

A estreia de #MedusaMusaMulher ocorreu em setembro de 2018 na programação do Festival Transborda do SESC Pernambuco, numa exibição a bordo do catamarã sobre as águas do rio Capibaribe. Seguiram-se apresentações na Mostra de Música Leão do Norte, do SESC Arcoverde, no I Festival Chama Violeta, na Ingazeira, ambos no Sertão pernambucano, e no Festival Ojuobá de Esporte e Cultura, em Icaraizinho de Amontada, no litoral do Ceará.

Em 2019, a performance percorreu vários palcos e eventos, levantando o debate sobre o feminicídio, destaque para a apresentação em comemoração aos 13 anos da Lei Maria da Pena, a convite da Comissão da Mulher Advogada (CMA) da OAB Pernambuco. Desde o início da pandemia, tem realizado apresentações on line, como no Festival Ocupa Maravilhas e na Mostra Marcos Freitas – Território das Artes, do SESC Garanhuns.

FICHA TÉCNICA
#MedusaMusaMulher
Direção e criação: Breno Fittipaldi
Performance e concepção: Fabiana Pirro
Texto: Cida Pedrosa
Trilha sonora: Cannibal Santos e Pierre Leite
Figurino: Eduardo Ferreira
Adereços: Maria Teresa Pontes (@terafeitoamao)
Sandália: Jailson Marcos
Maquiagem: Henrique Mello
Fotos: Renato Filho
Produção: Ellyne Peixoto e Fabiana Pirro
Assessoria de Imprensa: Ana Nogueira

SERVIÇO
8 de MARÇO (segunda-feira): MEDUSA AGORA. DO MITO À MULHER – debate com a
promotora de Justiça, Henriqueta de Belli, às 17h
15 de MARÇO (segunda-feira): apresentação da performance #MedusaMusaMulher, às
17h
Onde: INSTAGRAM e FACEBOOK @fabianapirro

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Antônio Abujamra, o eterno provocador

Antônio Abujamra é festejado com debates, show, espetáculo e leitura no Itaú Cultural

Ator e diretor paulista Antônio Abujamra (1932-2015) deixou marcas de irreverência nos palcos e nas telas; na história do teatro brasileiro. O Itaú Cultural inicia suas atividades cênicas de 2021 com uma homenagem a esse homem do teatro com Antônio Abujamra – A Voz do Provocador. A programação online ocorre de 18 a 21 e de 25 a 28 de fevereiro, de quinta-feira a domingo, com conversas, encenações inéditas e música. O legado de Abujamra é celebrado no ano em que se comemora três décadas de fundação da Cia Os Fodidos Privilegiados, criada pelo ator e diretor no Rio de Janeiro.

Abu, de Cabo a Rabo é a mesa que abre a programação – no dia 18 (quinta-feira), às 20h, e conta com a participação do crítico teatral e professor Edélcio Mostaço para distinguir a trajetória desse artista influenciado pelo dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898-1956), de inteligência brilhante, sensível, de humor ácido e que não renunciava à autoironia. A conversa será mediada pela diretora, roteirista e produtora de teatro e eventos Márcia Abujamra, sobrinha do ator, que idealizou essa mostra junto com o Itaú Cultural.

Cia Os Fodidos Privilegiados – Exorbitâncias e O Casamento, a Renovação do grupo é o tema da segunda mesa (sexta-feira, 19, também às 20h), com as atrizes Filomena Mancuzzo, Guta Stresser e Paula Sandroni, e o diretor João Fonseca. Eles apresentam histórias e gravação de cenas de espetáculos.

Fundada em 1991, no Rio de Janeiro, a Cia Os Fodidos Privilegiados montou três peças naquele ano: Um Certo Hamlet, A Serpente e Phaedra. Em 1995, juntou 60 atores em cena no espetáculo Exorbitâncias. Em 1997, o grupo estreou O Casamento, de Nelson Rodrigues.

O Casamento, montagem de 1997. Foto Chico Lima / Divulgação

Coroa para o povo

O Veneno do Teatro, espetáculo criado Antônio Abujamra e interpretado por ele por mais de 10 anos, ganha nova versão, interpretado pelo ator Elias Andreato e com roteiro e direção de Marcia Abujamra, nos dias 20 e 21 (sábado e domingo), às 20h. A encenação junta trechos de histórias biográficas da encenação original com trecho de vídeos de espetáculos que Abujamra dirigiu e depoimentos de arquivo de alguns artistas, a exemplo de Antunes Filho, Alcides Nogueira e Felipe Hirsch.

Crítico teatral e professor Edélcio Mostaço e diretor e dramaturgo Sérgio de Carvalho. Fotos: Reprodução do Facebook

A mesa Antônio Abujamra e o teatro épico no Brasil ocorre na quinta-feira, dia 25, às 20h, conduzida pelo dramaturgo e encenador Sérgio de Carvalho, fundador da Companhia do Latão. Carvalho vai focar na importância do trabalho de Antônio Abujamra em diálogo com o movimento de renovação da cena brasileira.

A leitura online de Um outro Hamlet, com companhia Os Fodidos Privilegiados, avança para a montagem do espetáculo Hamleto – que o grupo prepara para 2021, para celebrar seus 30 anos de fundação – dá prosseguimento ao programa Antônio Abujamra – A Voz do Provocador, na sexta-feira e no sábado, dias 26 e 27, às 20h.

Com direção de João Fonseca e de Johayne Ildefonso, Hamleto se baseia no texto escrito em 1972 pelo italiano Giovanni Testori (1923-1993), com adaptação de Antônio Abujamra, que dá novos rumos à história de Hamlet, de Shakespeare, com ingredientes políticos e de deboche. Sugere uma relação homossexual entre Hamlet e Horácio, e permite que o protagonista ceda as riquezas da coroa para o povo no ato de sua morte.

O Teatro Dissonante de Antônio Abujamra: A Temporada Carioca é o título do último debate, no sábado, 27, às 17h, com participação do professor André Dias.

No domingo, 28, às 20h, o encerramento da programação Antônio Abujamra – A Voz do Provocador é com o show online Abujamra Presente, com o músico André Abujamra, filho caçula do diretor. Cantor, compositor, guitarrista, percussionista, pianista, produtor musical com mais de 70 trilhas feitas para cinema, onde também tem trabalhos como ator e diretor, André Abujamra apresenta um repertório sacado de seus quatro discos – Mafaro, Homem Bruxa, Omindá e Emidoinã.

Antônio Abujamra – A Voz do Provocador acontece pela plataforma Zoom e os ingressos podem ser reservados via Sympla. Informações pelo site www.itaucultural.org.br.

Serviço:

Antônio Abujamra, a Voz do Provocador
Quando: De 18 a 21 e de 25 a 28 de fevereiro (quinta-feira a domingo)
Onde: No site do Itaú Cultural: www.itaucultural.org.br  

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Mais aprendizados sobre teatro brasileiro, iluminação, produção cultural e crítica teatral

Leda Maria Martins. Captura de tela do YouTube

Uma das principais pensadoras do teatro brasileiro, especialmente do teatro negro brasileiro, a poeta, dramaturga, pesquisadora, ensaísta, e rainha de Nossa Senhora das Mercês da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário do Jatobá, Leda Maria Martins vai ministrar o curso Fragmentos e Intensidades no Teatro Brasileiro: Experimentações e Poéticas, de 23 de fevereiro a 25 de março, às terças e quintas-feiras, em ambiente digital, pela plataforma Zoom. O programa está sendo oferecido pelo Centro de Pesquisa Teatral CPT-SESC .

A professora adianta que o conteúdo não segue uma linha histórica, nem cronológica. O foco está direcionado para temas e momentos de experimentações através da história do teatro brasileiro e que trazem, individualmente, propostas e vieses diferenciados.

Os encontros vão salientar os saberes derivados da diversidade de autores e estilos da produção dramatúrgica nacional. Entram no roteiro autoras e autores importantes na dramaturgia brasileira, sejam do século 19 e 20, como Álvares de Azevedo e Oswald de Andrade. Ou contemporâneos, feito Grace Passô, Dione Carlos e Denise Stoklos.

Nos dez encontros, a primeira parte será reservada à exposição e a segunda para reflexão, compartilhamento de experiências e trabalhos conjuntos. Dois dias do curso terão convidados – o diretor Márcio Abreu (na aula 4, sobre o espetáculo Nós) e atriz e diretora Yara de Novaes (na aula 5, falando sobre a peça-jogo Desmemória).

As inscrições ocorrem no dia 16 de fevereiro, no portal Sesc São Paulo. Como praticamente todos os cursos oferecidos pelo Centro de Pesquisa Teatral CPT-SESC acabam em poucos minutos, os interessados devem estar atentos para o horário de abertura dos cadastros virtuais. Boa sorte!

Serviço:
Fragmentos e Intensidades no Teatro Brasileiro: experimentações e poéticas
Curso com Leda Maria Martins
Centro de Pesquisa Teatral CPT-SESC
Quando: de 23 de fevereiro a 25 de março, terças e quintas, das 19h às 21h
Inscrições: de 16 de fevereiro às 14h a 19 de fevereiro, no site sescsp.org.br/cpt
Ingressos: R$24 (credencial plena/trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes), R$40 (pessoas com +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino) e R$80 (inteira).
Plataforma: Zoom
Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 16 anos.
Vagas limitadas

Iluminador Beto Bruel_ Foto: Larissa de Lima / Divulgação

A Trupe Ave Lola de Teatro promove duas palestras dentro do projeto Tempo de Formação Teatral – 2ª Ed – Minha praia é o teatro: História da Iluminação no Paraná, com o iluminador Beto Bruel e Gestão de projetos Culturais, com Dara van Doorn e Laura Tezza. Ambas as atividades são gratuitas e abertas ao público em geral, com vagas limitadas a 80 pessoas por palestra. As inscrições estão abertas até 21 de fevereiro.

Com um espaço independente em Curitiba há 10 anos, a Ave Lola mantém uma equipe de cerca de 20 pessoas entre produtoras, atrizes, atores, músicos, técnicos, além de artistas aprendizes. Trabalha com pesquisas dramatúrgicas e de linguagem e recebe artistas residentes de várias partes do mundo para ampliação e trocas estéticas e filosóficas.

Serviço:
Tempo de Formação Teatral – 2ª Ed – Minha praia é o teatro | 01 a 25 de FEV/2021
Inscrição: Até 21 de fevereiro, pelo site: http://www.avelola.net.br/agenda/tempo-de-formacao-teatral-2a-ed-minha-praia-e-o-teatro/.
Plataforma: Zoom
Projeto Realizado com o apoio do Programa de Apoio e Incentivo À Cultura – Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba

Diogo Spinelle e Heloisa Sousa ministram oficina de crítica

A crítica teatral é um disparador de diálogo para o pessoal do site Farofa Crítica, de Natal, Rio Grande do Norte. Nessa pisada, a turma propõe uma iniciação no campo da crítica teatral contemporânea, nos dias 20, 21, 27 e 28 de fevereiro, das 14h às 16h30 pela plataforma Zoom. Estão planejadas 15 vagas, sendo oito delas reservadas para moradores do estado nordestino.

O trabalho Oficina Online de Crítica Teatral será desenvolvido por Diogo Spinelli e Heloísa Sousa, a partir da leitura, análise, e produção de críticas. A proposta é que, além das discussões ao longo da oficina, os participantes escrevam seus textos críticos, com chances de serem postados no site Farofa Crítica.

As inscrições podem ser feitas até o dia 17 de fevereiro, pelo Instagram do @farofa crítica ou pelo link https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdj5SySUMkMKbucVhZVMbGrL15zPQj-0j-CtcFWFpZ2fZJm1w/viewform

Serviço:
OFICINA ONLINE DE CRÍTICA TEATRAL, ministrada por Diogo Spinelli e Heloísa Sousa
Inscrições: Até 17/02. Formulário de inscrição no Instagram do @farofa crítica
O projeto é realizado com recursos da Lei Aldir Blanc Rio Grande do Norte. Fundação José Augusto, Governo do Estado do Rio Grande do Norte, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal.

lorenna rdrigo

Lorenna Rocha e Rodrrigo Dourado ministram oficina de crítica teatral 

Investindo num espaço de debates sobre os teatros online e os arquivos audiovisuais de teatro, apostando no tensionamento de visões eurocêntricas em torno das artes cênicas e do exercício crítico, será desenvolvida A Oficina de Crítica Teatral, em sua segunda edição, ministrada por Lorenna Rocha (Quarta Parede) e Rodrigo Dourado (UFPE).

Para incentivar a reflexão crítica, eles convocam diferentes epistemologias para a produção do pensamento, deslocando os olhares para outros territórios criativos que compõem a cena contemporânea. 

Serão realizados exercícios individuais e coletivos de escrita, além de textos norteadores para as discussões propostos pelos ministrantes. A atividade será realizada via Google Meets, nos dias 24, 25 e 26 de fevereiro e 1º, 2 e 3 de março de 2021, em única turma, de 18h30 às 21h30.

 As inscrições estão abertas até o dia 20 de fevereiro e podem ser feitas no link aqui. Os resultados desta atividade poderão ser conferidos no Instagram e Facebook do Quarta Parede (@4.parede), site parceiro da ação. 

Serviço:
Oficina de Crítica Teatral com Lorenna Rocha e Rodrigo Dourado – 2ª edição
Quando: 24, 25 e 25 de fevereiro e 01, 02 e 03 de março (Única turma), das 18h30 às 21h30
Inscrições: Até 20 de fevereiro
https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSf_4LQd8QnMQswqgu_GQYb-YvmE2p0FtQmO1xlfB34SkUpp0A/viewform
Informações: oficinadecriticateatral@gmail.com.
Incentivo: Lei Aldir Blanc – Pernambuco / Governo do Estado de Pernambuco / Secretaria de Cultura de Pernambuco
Parceria: Quarta Parede (PE)

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Arte no Terreiro do Sertão do Pajeú

Histórias de Cascudo. Foto: Thais Lima/ Divulgação

O Chama Violeta, um festival a céu aberto, foi realizado no Sertão do Pajeú pernambucano de forma presencial, em dezembro, mesmo com todas as dificuldades devido à pandemia do Coronavírus. O público era formado apenas pelos moradores da região. As apresentações ocorreram no Terreiro de Dona Dia no Sítio Xique-Xique, Terreiro da Igreja do Sítio Minadouro e Terreiro de Aurinha no Sítio Caiçara. dos sítios Minadouro, Xique-Xique e Caiçara, na área rural de Ingazeira. As apresentações foram gravadas e a terceira edição do Chama Violeta está online, no canal do Youtube No Meu Terreiro Tem Arte. Agora, qualquer pessoa que tenha internet, de qualquer parte do planeta pode conferir essa lindeza de ato de resistência cultural.

A idealizada do projeto é a artista pernambucana Odília Nunes, 38, atriz, palhaça, produtora cultural, poeta e mãe de Violeta, 12 anos, e de Helena, 9, que já seguem os passos da mãe e defendem as palhaças Viola e Jerimum. Elas vivem na comunidade rural, Minadouro, com cerca de 30 casas afastadas e com uma vegetação que inclui catingueiras, aroeiras e juremas. Nessa paisagem, no pátio de casa ou defronte à residência dos vizinhos foi produzida a terceira edição do Chama Violeta, festival que começou em 2018, uma ação do projeto No Meu Terreiro Tem Arte, que existe desde 2015.

 

O festival seguiu todos os protocolos sanitários – equipe e público – e salienta que nenhuma pessoa adoeceu durante ou depois das ações. Os 25 artistas que participam desta terceira edição passaram por um confinamento de 12 dias antes das apresentações para pequenos grupos durante três dias de festival: Carolzinha Lima de Triunfo (PE), Cia. Biruta de Petrolina (PE), Cia. Cirkombi de João Pessoa (PB), Cia. Trupeçando (PB), Circo do Asfalto (SP), Fabiana Pirro (PE), Nanda Melo (PE), Rapha Santa Cruz (PE), Teatro de Retalhos (PE).

Perfeitamente Imperfeitos. Foto Rayra Martins

Odília Nunes tem razão quando destaca a importância do Chama Violeta para o Sertão do Pajeú e para o interior de Pernambuco “por seu caráter descentralizador dos bens culturais, intercâmbios e a circulação dos artistas, como também por mostrar alternativas para promoção cultural longe dos grandes centros e em regiões que não possuem equipamentos culturais”. Realmente é um drible de uma visionária inspiradora.

Apoio – Realizado pelo projeto No Meu Terreiro tem Arte, o 3º Festival Chama Violeta conta com incentivo da Lei Aldir Blanc em Pernambuco na categoria Edital para Festivais e conta com a parceria da Rede Interiorana de Produtores, Técnicos e Artistas Pernambucanos (RIPA), da Tronxo Filmes e Toró de Ideias.

PROGRAMAÇÃO

Dia 14/Quinta

já disponível – https://www.youtube.com/watch?v=hV6T3as1Yn0
Locação: Terreiro de Dona Dia no Sitio Xique-Xique

Histórias de Cascudo – Cia Biruta/ Petrolina – PE
Adaptação do conto Os Compadres Corcundas, do livro Contos Tradicionais do Brasil, de Luís da Câmara Cascudo. Os dois personagens do título, um pobre e outro rico, seguem caminhos diferentes pela força do verso e da generosidade do coração.

Cara de Pau – Fabiana Pirro/ Recife – PE
O solo propõe uma reflexão sobre a importância da Cultura em um país que tem como uma das maiores riquezas a criatividade do seu povo para enfrentar o cinismo e o descaso de políticos e figuras que ocupam o poder.

Dia 15/Sexta 

Locação: Terreiro da Igreja – Sítio Minadouro

Espalhaça – Nanda Melo /Recife –PE
A palhaça Margot Margô faz intervenção errante e convida o púlico a experimentar outras histórias e modos de estar no mundo juntass.

Sonho de uma Profissão – Rapha Santacruz/Recife – PE
O mágico lembra que cada um tem sua vocação e apresenta números de mágica para várias ajudar na descoberta da profissão, de forma lúdica e divertida.

Clássicos e Vice Versa – Cia Circo do Asfalto /Santo André – SP
Uma família de circenses viaja o mundo levando em sua mala as memórias e lembranças que jamais vão esquecer. Com cenas de malabarismo, acrobacia, palhaçaria e outras surpresas.

Dia 16/ Sábado

Locação: Terreiro de Aurinha no Sítio Caiçara
Perfeitamente Imperfeitos – Cia Trupeçando /Sumé – PB
São experiências de teatro de rua e habilidades circenses dos artistas Allan Barros (Palhaço Salsicha) e Guadalupe Merki (palhaça Guada), o que cada um trouxe de sua trajetória pessoal e o que esse encontro proporcionou de novo – um insólito trabalho em dupla não convencional.

O Matuto – Rapha Santacruz/Recife – PE
Uma figura saída de um cordel, misto de palhaço e mágico, apresenta seu universo de encantamento, com trilha sonora tipicamente nordestina.
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Ação do Teatrojornal celebra a crítica digital

Ator Luiz André Cherubini em São Manuel Bueno, Mártir, do Grupo Sobrevento. A imagem de 2004 foi escolhida para representar a ação Biocrítica, que celebra os 10 anos do site Teatrojornal. Foto Biel Machado

Valmir Santos assiste à ação formativa Corpos da Exceção, no FIT São José do Rio Preto 2019. Foto: João Cordioli

Valmir Santos, idealizador e fundador do site Teatrojornal – Leituras de Cena, alimentava um sonho lá no início dos anos 2000: formar uma rede de jornalistas e críticos de teatro em tempos digitais para conectar as artes cênicas desse imenso e tão diverso Brasil. Isso não se concretizou (ainda) em sua totalidade. Mas os diálogos são criados e renovados constantemente para reavivar nossas crenças no teatro.

Da soberania da crítica feita para o papel-jornal ao território reiteradamente provocante do digital muitas mudanças ocorreram. Outras formas de encarar, de observar, de acalentar os teatros e seus artistas são experimentados por blogs individuais ou sites coletivos de críticos que se formaram ao longo da última década. Acompanhando as mudanças de paradigma no coração das artes cênicas, com o rasgar e costurar das práticas da cena e suas subversões, a crítica teatral experimenta novas miradas.

Aquele olhar agregador do Valmir do começo do século ressoa neste janeiro de 2021. A vontade de fazer junto inspirou o Teatrojornal a construir, de forma generosa, uma ação comemorativa que junta 10 grupos de pesquisadores de várias partes do país. Para celebrar seus dez anos, o site Teatrojornal propôs essa prática coletiva: o dossiê Biocrítica. Trata-se de um conjunto de artigos que iluminam as histórias de dez espaços “empenhados na crítica de teatro na internet, mais a trajetória do próprio Teatrojornal”. “Os textos foram escritos pelas pessoas que idealizaram essas iniciativas em oito estados, num movimento oposto ao declínio da crítica jornalística na mídia impressa” explica Valmir. Os artigos são publicados a partir deste 8 de janeiro, sempre às sextas e terças-feiras.

Nós, do blog Satisfeita, Yolanda?, estamos presentes e orgulhosas de participar dessa atividade. Nosso texto, que também serve à celebração dos nossos 10 anos, comemorados agora em 2021, será publicado no dia 15 de janeiro.

O primeiro artigo no ar é o da Questão de Crítica – Revista Eletrônica de Crítica e Estudos Teatrais, do Rio de Janeiro (RJ), criada em março de 2008.

A sequência de publicação adota a ordem de fundação das casas eletrônicas. Então, depois da QC vem o Teatrojornal – Leituras de Cena, que foi erguido em março de 2010, em São Paulo, SP; o Satisfeita, Yolanda?, criado em janeiro de 2011, no Recife; Macksen Luiz, também lançado em janeiro de 2011, no Rio de Janeiro; o Antro Positivo, concebido em outubro de 2011, em São Paulo. A série prossegue com Horizonte da Cena, criado em setembro de 2012, em Belo Horizonte(MG); o Tribuna do Cretino, que surgiu em julho de 2013, em Belém (PA), Quarta Parede, lançado em abril de 2015, no Recife (PE), Agora Crítica Teatral, criado em julho de 2015, em Porto Alegre (RS); Revista Barril, concebida em março de 2016, em Salvador (BA); e Parágrafo Cerrado, registrada em novembro de 2016, em Cuiabá (MT).

O Teatrojornal sugeriu que os convocados falassem “das motivações e ambições de início, as mutações de percurso, o pensamento editorial, o modo como o espaço é estruturado, a equipe envolvida e a percepção para o futuro da prática da crítica a partir do contexto de sua cidade”.

Com a proposta do Teatrojornal, nos reconhecemos, nos confraternizamos – apesar das diferenças e das divergências – com as grandezas estéticas, éticas, políticas, existenciais das artes cênicas, que sempre queremos vivas.  Essas vozes trazem um panorama relevante da cena e de sua recepção crítica a partir do seu lugar de fala.

Além dos autorretratos, o dossiê também conta com uma análise conjuntural, elaborada por três pensadores da cena: a pesquisadora e tradutora Fátima Saadi (RJ), editora da revista Folhetim da coleção Folhetim/Ensaios no âmbito da companhia Teatro do Pequeno Gesto; o jornalista e crítico Kil Abreu (SP), curador de teatro do Centro Cultural São Paulo e editor do site Cena Aberta – Teatro, Crítica e Política das Artes; e a bailarina Rosa Primo (CE), professora da Universidade Federal do Ceará, criadora de trabalhos solos em colaboração com outros artistas e ex-crítica de dança do jornal O Povo.

No epílogo da ação em fevereiro, a Biocrítica publicará uma avaliação da passagem da crítica em jornal para o território digital, assinada pela jornalista e crítica Maria Eugênia de Menezes, da equipe do Tetrojornal e também colaboradora do jornal O Estado de S.Paulo.

O site Teatrojornal – Leituras de Cena, anfitrião da ação Biocrítica, foi lançado em 20 de março de 2010 pelo jornalista e crítico Valmir Santos. Há alguns anos fazem parte da equipe editorial as jornalistas e críticas Beth Néspoli e Maria Eugênia de Menezes. E mais recentemente também a jornalista e agitadora cultural Neomisia Silvestre responsável pelas Mídias Sociais.

É um site que trafega por reportagens, críticas, entrevistas, crônica de vários colaboradores, Acervo com textos dos autores do site desde 2010 e as ações, como Encontro com Espectadores e Crítica Militante

Participam da ação Biocrítica :

Questão de Crítica – Revista Eletrônica de Crítica e Estudos Teatrais (desde março de 2008, Rio de Janeiro, RJ)
www.questaodecritica.com.br

Teatrojornal – Leituras de Cena (março de 2010, São Paulo, SP)
www.teatrojornal.com.br

Satisfeita, Yolanda? (janeiro de 2011, Recife, PE)
www.satisfeitayolanda.com.br/blog

Macksen Luiz (janeiro de 2011, Rio de Janeiro, RJ)
www.macksenluiz.blogspot.com

Antro Positivo (outubro de 2011, São Paulo, SP)
www.antropositivo.com.br

Horizonte da Cena (setembro de 2012, Belo Horizonte, MG)
www.horizontedacena.com

Tribuna do Cretino (julho de 2013, Belém, PA)
www.tribunadocretino.com.br

Quarta Parede (abril de 2015, Recife, PE)
www.daquartaparede.com

Agora Crítica Teatral (julho de 2015, Porto Alegre, RS)
www.agoracriticateatral.com.br

Revista Barril (março de 2016, Salvador, BA)
www.revistabarril.com/

Parágrafo Cerrado (novembro de 2016, Cuiabá, MT)
www.paragrafocerrado.com.br

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