Espetáculo O Mascate, a Pé rapada e os Forasteiros em cartaz no Hermilo Borba Filho. Foto: Antonio Rodrigues
Não está fácil fazer teatro no Brasil. No Pernambuco multicultural, vixe! Mas os artistas das cênicas são resilientes e seguem pelejando. Parece até aquela marchinha de carnaval. Com dinheiro ou sem dinheiro, eheheheh eu brinco. No caso, brilha… É isso que eles querem: brilhar. Esse é o contexto do espetáculo O Mascate, a Pé rapada e os Forasteiros, que inicia sua segunda temporada nesta quarta-feira (3), no Teatro Hermilo Borba Filho, com sessões às quartas e quintas de agosto, sempre às 20h.
Diógenes D. Lima encarou o desafio de processar as inúmeras histórias do Recife e de Olinda para erguer essa montagem que utiliza objetos. Falar das cidades-irmãs pode render homenagens pela trajetória de ambas, mas também críticas à realidade contemporânea. O tom é satírico.
O ator manipula e interpreta seus objetos/personagens a partir de uma caldeirão de influências, inclusive da música do saudoso Reginaldo Rossi, que cantou as belezas das cidades, com romantismo exagerado e muitas alfinetadas de ironia.
Os ingressos estarão a venda na bilheteria do teatro, somente nos dias de apresentação, a partir das 18h.
SERVIÇO O Mascate, a Pé rapada e os Forasteiros Onde:Teatro Hermilo Borba Filho (Cais do Apolo, s/n – Bairro do Recife Quando: 03, 04, 10, 11, 17, 18, 24, 25 e 31 de agosto (quartas e quintas, às 20h) Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)
Duração: 60 min
Classificação: 16 anos
FICHA TÉCNICA Texto e Atuação: Diógenes D. Lima Supervisão Artística: Marcondes Lima e Jaime Santos Coreografias: Jorge Kildery Adereços: Triell Andrade e Bernardo Júnior Iluminação: Jathyles Miranda Execução de Iluminação: Rodrigo Oliveira Execução de sonoplastia: Júnior Melo Programação Visual: Arthur Canavarro Fotografia: Ítalo Lima Gerente de Produção: Luciana Barbosa Produção: AGM Produções
Retomada inspira-se na força guerreira dos povos originários. Foto: Fernando Figueiroa
Espetáculo do Grupo Totem é dirigido por Fred Nascimento. Foto: Claudia Rangel
A potência do espetáculo Retomada se nutre da força guerreira dos povos originários do Brasil. Dignidade é a palavra de ordem para traduzir a reação das tribos do país aos ataques violentos e desproporcionais armados por ruralistas. O espetáculo/performance do Grupo Totem conjuga energia e beleza. Resistência política nos pés, nos corpos e gestos dos atuadores inspirados nos rituais indígenas. O melhor de todos os trabalhos da companhia. Assistimos à peça durante o Trema! Festival de Teatro e hoje o bando liderado por Fred Nascimento faz uma apresentação no Instituto Ricardo Brennand, às 17h, na abertura do Cirkula 2016, evento do Programa de Pós Graduação em Antropologia da UFPE.
A cobiça do “homem branco” é motivo do confronto por pedaços (às vezes imensos) de chão. Ainda no século 19 os ocupantes históricos foram expulsos. A Constituição de 1988 reconheceu os direitos das tribos, mas o processo de demarcação por parte do governo tem sido devagar, quase parando.
Ao contrário dos produtores rurais, que com o arsenal bélico e poder político, inclusive com representantes no Congresso para defender seus interesses, avançam a passos largos para expulsar os nativos e as ações violentas deixam sempre um saldo negativo para as tribos.
Os poderosos dos interesses do agronegócio, tão bem alinhados ao governo provisório, intimidam com violência genocida e buscam expulsar ilegalmente as diversas etnias de sua terra ancestral.
A iluminação, a música e o vídeo amplificam a voz da encenação
A montagem é resultado da pesquisa Rito Ancestral, Corpo Contemporâneo. A dimensão da ancestralidade foi encaixada na expressão corporal e cênica da peça. Para isso, a trupe participou de laboratório de imersão no contexto indígena de aldeias localizadas em Pernambuco entre as etnias Xucuru, Pankararu e Kapinawá. A teoria perpassa por formulações do antropólogo Victor Turner, em diálogo com Richard Schechner e no Teatro Ritual proposto por Antonin Artaud.
O senso de coletividade, dos elementos rituais, o respeito à Terra e às unidades da natureza transbordam nas várias coreografias do grupo. Resistência política e tradição alimentam os componentes do espetáculo em vigor ritual e mítico. É uma experiência intrigante acompanhar como espectador a combativa obstinação de vozes que não se calam sobre a terra arrasada.
As atrizes-performers Lau Veríssimo, Gabi Cabral, Gabi Holanda, Inaê Veríssimo, Juliana Nardin, Taína Veríssimo e Tatiana Pedrosa carregam no corpo, no olhar, na energia do gesto, na composição da cena uma ancestralidade feminina, em conexão com a Mãe Terra. É desse planeta e dessa substância que são configuradas as renovações do ato ritual. O espaço sagrado é celebrado no corpo físico, no som e na luz, na conotação metafísica e na magnificência que esse corpo expandido atinge o universo ao seu redor.
Retomada, com o Grupo Totem Quando: 26 de julho de 2016, terça-feira, 17h Onde: Instituto Ricardo Brennand Quanto: Grátis. O acesso se dará mediante inscrição por email: comunica@institutoricardobrennand.org.br, indicando nome completo e CPF, no corpo da mensagem, e nome do espetáculo (Retomada – TOTEM) no título da mensagem.
FICHA TÉCNICA Encenação: Fred Nascimento Atrizes-performers: Gabi Cabral, Gabriela Holanda, Inaê Veríssimo, Juliana Nardin, Lau Veríssimo e Taína Veríssimo Música original: Cauê Nascimento, Fred Nascimento e Gustavo Vilar Direção de palco: Tatiana Pedrosa Cenografia: grupo Totem Figurino: grupo Totem Maquiagem: grupo Totem Designer de luz: Natalie Revorêdo Vj: bio Quirino Pintura corporal: Airton Cardin Assistente técnico: Ronaldo Pereira Fotografia: Fernando Figueirôa
Designer gráfico: Iara Sales
Preparador vocal: Conrado Falbo
Assessoria de imprensa: Beth Oliveira
Débora Falabella e Yara de Novaes em Contrações. Foto: Vitor Zorzal
* Atualizada no dia 28 de julho, às 13h
Até onde você iria para garantir seu emprego? Puxaria o tapete de seu colega? Aceitaria se prostituir ideológica, estética e eticamente? Seria capaz de trair o seu melhor amigo? E você Outro que ocupa um cargo de confiança, mataria a própria mãe para se manter no poder? Eita terreno escorregadio!
O mundo do trabalho é feroz. O sistema capitalista predador. E ele pode devorar sua autoestima, sua dignidade, seus ideais. As relações no mundo corporativo são nutridas por sentimentos estranhos, covardes, egoístas. Tomamos conhecimento ou vivenciamos coisas escabrosas para exercer a profissão.
As atrizes Débora Falabella e Yara de Novaes mostram os bastidores desse microcosmo de pequenos poderes exercidos numa empresa no espetáculo Contrações. A peça cumpre temporada de 28 a 30 de julho e de 4 a 6 de agosto, na CAIXA Cultural Recife. Os ingressos para a primeira semana já estão esgotados.
O Satisfeita, Yolanda? escreveu sobre o espetáculo Contrações em 2014, durante o Festival de Curitiba. Confira aqui o texto.
O texto Contrações, do dramaturgo inglês Mike Bartlett, expõe o horror da roda empresarial, com suas regras esdrúxulas, funcionários subalternos subjugados a pressões absurdas, com receio de perderem seus empregos.
É uma peça de teatro com situações plausíveis. A direção de Grace Passô reforça o conteúdo cruel, absurdo e usa a metáfora do esfriamento da temperatura do ambiente com o acirramento do conflito.
Frio traduz relação entre funcionária e chefe . Foto: Divulgação
Na peça, a gerente linha-dura inominável de um escritório de uma grande corporação (Yara de Novaes) convoca Emma (Débora Falabella), sua jovem e eficiente funcionária, para ler em voz alta uma cláusula do contrato que proíbe aos empregados estabelecerem qualquer relação sentimental ou sexual com outro contratado da firma.
E sempre é possível encontrar argumentos para defender regras estapafúrdias: segurança dos assalariados, produtividade da empresa, linhas de planejamento para melhorar bem-estar das equipes. Mas o que pesa mesmo é a sangria emocional e um jogo baixo para deixar claro quem está no comando.
Isso é o começo do calvário kafkiano para Emma.
Processo de “fritura” atinge corpo de Emma. Foto: Guto Muniz / Divulgação
O autoritarismo da chefe, com facetas de manipulação e vilania veladas, é revelado nos sucessivos encontros. Perseguida e humilhada Emma, para manter seu emprego, conta a respeito de seu envolvimento amoroso com um dos companheiros de vendas. Dizer não a esse tipo de opressão é possível, mas na prática é bem difícil.
Contrações critica o modelo de trabalho que massacra o humano em prol dos interesses empresariais. A experiência angustiante vai diminuindo a autoestima da personagem de Débora, que definha e sucumbe diante da maldade de sua chefe. É o pior dos mundos. Assédio mascarado que adoece o assediado diante do seu algoz.
O espetáculo estreou em outubro de 2013 e naquele ano rendeu às interpretes o prêmio APCA São Paulo de melhor atriz, dividido entre as duas.
O Grupo3 de Teatro foi criado em 2005 por Yara de Novaes, Débora Falabella e Gabriel Fontes Paiva. No repertório do coletivo estão A Serpente,(2005, texto de Nelson Rodrigues, direção Yara de Novaes, com Débora Falabella, Cynthia Falabella, Alexandre Cioletti, Augusto Madeira como Décio, Cyda Morenyx, Mario Hermeto, Sarito Rodrigues) ;O Continente Negro (de 2007, com texto do chileno Marco Antonio de La Parra, dirigido por Aderbal Freire Filho, com Débora Falabella, Yara de Novaes e Ângelo Antônio no elenco) e Amor e Outros Estranhos Rumores, (2010,texto de Murilo Rubião, direção de Yara de Novaes, com Débora Falabella, Maurício de Barros, Priscila Jorge e Rodolfo Vaz).
Contrações Quando: De 28 a 30 de julho e de 4 a 6 de agosto; quintas e sextas, às 20h, e aos sábados, às 18h e 20h. Onde: Teatro da CAIXA Cultural Recife (Avenida Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife) Quanto: R$ 20 e R$ 10
Informações: (81) 3425-1900/1906
Ficha técnica Texto: Mike Bartlett Direção: Grace Passô Atuação: Débora Falabella e Yara de Novaes Duração: 80 minutos Recomendação: 14 anos
A produção de Os Três Porquinhos, de Pedro Portugal e Paulo de Castro, é uma das mais longevas e resistentes do Recife. Ficou anos em cartaz no Teatro do Horto de Dois Irmãos. A estreia oficial da peça ocorreu há 24 anos, em 16 de maio de 1992, no antigo Teatro José Carlos Cavalcanti Borges, da Fundaj (agora só cinema da Fundação). A encenação já viajou para outros estados como Sergipe, Alagoas, Bahia, Paraíba, Rio Grande do Norte, Maranhão, Piauí e Pará; além de quatro cidades portuguesas: Fafe, Valongo, Póvoa do Lanhoso e Ilha dos Açores. E agora faz mais uma curta temporada no Teatro Barreto Junior.
Os três porquinhos é um musical infantil que mostra as aventuras dos irmãos Prático, Cícero e Heitor que devem enfrentar um terrível e faminto Lobo Mau, mestre em disfarces. Versão de Joseph Jacobs da clássica fábula dos irmãos Grimm é adaptada por Reginaldo Silva e tem direção de Cleusson Vieira. Estão no elenco Com Cleusson Vieira, Mário Miranda e Sóstenes Vidal.
Com a presença desse predador, a floresta se torna um local perigoso. Os suínos buscam se proteger. Prático, o mais sensato do trio, constrói sua casa com tijolos e cimento. Já Cícero e Heitor, abraçados à preguiça, erguem suas casas de palha e madeira, respectivamente.
A encenação tem aquela moral da história, condenando a preguiça inimiga da segurança e defendendo a ideia de se pensar no futuro. Não deixa de ser uma simplificação. Mas mesmo assim, a montagem já sofreu, em 2013, com a anulação da temporada no Teatro Eva Herz, palco da Livraria Cultura na unidade do Shopping RioMar, no Pina. O quiproquó deveu-se às supostas reclamações do público quanto o conteúdo do espetáculo.
Em uma das cenas da peça, o Lobo, com trajes de professor, pede para a criança apagar a lousa com a mão. Um Porquinho questiona: “Cadê o apagador? ” O Lobo retruca: “É escola da prefeitura. Vai melhorar”. Outro momento é sobre a derrubada da casa, quando um deles diz que vai virar mais “um sem teto”. O outro responde: “vai para o movimento MPST, o Movimento dos Porquinhos Sem Teto, o governo vai gostar muito”. E outras piadas de improviso, que se referem à atual realidade. Que são as melhores tiradas.
SERVIÇO Os Três Porquinhos Quando: Sábado e domingo, às 16h30 Onde: Teatro Barreto Junior (Pina)
Luiz Fernando se multiplica em 8 personagens em O impecável. Foto: Guga Melgar/ Divulgação
Luiz Fernando Guimarães caiu no teatro por acaso; se é que isso existe. Em O Inspetor Geral, clássico de Nikolai Gogol, na montagem de 1974 do grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone, foi substituir um amigo na peça e se encontrou. O Asdrúbal apostava suas fichas no humor irreverente, debochado, com um sotaque fascinante e irritantemente carioca. Parecia uma banda de rock e entrava para o cenário brasileiro para contagiar de alegria, de vitalidade as plateias brasileiras. Nos decantados anos 1970, o teatro ideológico era regra. Essa tropa fazia parte da exceção. O bando queria se divertir e fazer um teatro mais leve e com outro vigor.
A força do grupo estava na criatividade de seus integrantes. Regina Casé, Luiz Fernando Guimarães, Evandro Mesquita, Patrícia Travassos e Perfeito Fortuna, dirigidos por Hamilton Vaz Pereira esbanjavam talento. As criações do grupo eram coletivas, baseadas em improvisações e na experiência de seus integrantes.
Asdrúbal trouxe o trombone, era um código secreto que Regina Casé e seu pai usavam para avisar da chegada de um chato, ou quando a festa estava derrubada. Deu nome ao grupo que montou O inspetor geral (1974), Ubu Rei 1(975), Trate-me leão (1977), Aquela coisa toda (1980) e A farra da Terra (1983).
Depois dessa turma, o humor no teatro e na televisão brasileira nunca mais foi o mesmo. Eles subverteram as formas de fazer comédia com programas como TV Pirata, Os Normais, e Casseta & Planeta, por exemplo.
Personagens se encontram no cabeleireiro
O Impecável é o espetáculo que Luiz Fernando Guimarães traz ao Recife neste 23 de julho, com sessão no Teatro Guararapes, às 21h. O texto é inspirado nos pecados capitais. Num salão de beleza, o intérprete é tomado por figuras com muitos vícios, poucas virtudes e histórias engraçadas para contar. O faxineiro Seu Francisco é um homem trabalhador e evangélico fervoroso. O atendente Ednardo é um preguiçoso e vive dando o truque para burlar o horário do serviço.
A fauna é da pesada. Chanderley, a que cuida das unhas dos clientes, garante a sobrevivência nos “serviços extras” que realiza nas madrugadas em Copacabana. Guido, o cabeleireiro, alardeia sua masculinidade e a conquista dos inúmeros diplomas. Serginho se gaba de ser um hairstylist de mão cheia.
É essa turma quem recebe clientes como Rodolfo, o solteirão que acompanha a mãe ao salão ou o Dr. Ivan, um psicólogo simpático que quer recuperar a beleza perdida ao nascer. A dona do local, Eleonora, é ex-miss, que não valoriza o empreendimento erguido com a grana herdada do ex-marido.
Luiz Fernando Guimarães estava com desejo de viajar pelo Brasil com um espetáculo e os autores Charles Möeller e Claudio Botelho resgataram personagens criados para peças diferentes e juntaram em um texto único. Os autores, que tem uma carreira consagrada nos musicais como Cristal Bacharach, Um Dia de Sol Em Shangrilá e Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos, compuseram esse monólogo ‘multipersonagem’ sem música.
A ação de O Impecável, se passa numa tarde de sábado na Zona Sul do Rio de Janeiro, no Impecável Beauty. No palco, uma bancada e uma cadeira com secador de cabelo e a conhecida versatilidade do ator. A direção é de Marcus Alvisi, que já trabalhou com Guimarães no espetáculo Cinco Vezes Comédia (1988) e no programa Vida ao Vivo Show (1999).
Com poucos objetos de cena, a potência da intepretação de Luiz Fernando é acentuada, fazendo brilhar seu estilo de humor cínico, ácido e irônico. Até mesmo as trocas de roupas são dispensadas.
SERVIÇO
Espetáculo O Impecável, com Luiz Fernando Guimarães Quando: 23 de Julho às 21h Onde: Teatro Guararapes Quanto: R$80, inteira e R$40, meia Ponto de venda: Loja Vagamundo do Shopping RioMar, bilheteria do teatro e no site www.compreingressos.com Duração: 60min Classificação: 14 anos
Ficha Técnica: Texto – Charles Möeller e Claudio Botelho Direção – Marcus Alvisi Cenário – Natália Lana Figurino – Maria Diaz Iluminação – Carlos Lafert Trilha – Biltre Designer Gráfico – Milton Menezes Direção de Movimento – Sueli Guerra / Alessandro Brandão Preparação Vocal – Rose Gonçalves Assistente de Direção – Júlio Miranda Assistente Luiz Fernando – Katia Jorgensen Assistente de Figurino – Viviane Castelleoni Chefe de Palco – André Salles Operador de Som – Léo Magalhães Operador de Luz – Carlos Lafert Camareira – Maninha Produtora Assistente – Paula Valente Fraga Produção Executiva e Administração – Cristina Leite Direção de Produção – Alessandra Reis Realização – Brainstorming Entretenimento, Alessandra Reis 27 Produções Artísticas e Derbis Empreendimentos