Arquivo mensais:agosto 2011

Se não viu vá ver O amor de Clotilde no Santa Isabel

Peça faz duas apresentações antes de seguir para festivais

Apresentação no Teatro de Santa Isabel

Peça é livremente inspirada no folhetim A emparedada da Rua Nova

Os atores Tatto Medinni e Marcelo Oliveira

A Emparedada da Rua Nova, escrita por Carneiro Vilela,fala da trágica história de uma moça que teria sido emparedada viva pelo próprio pai, um rico comerciante, quando o velho descobriu a gravidez da moça. O crime, que teria acontecido em um casarão na Rua Nova, virou uma lenda urbana. Vilela dencuncia mazelas da sociedade da época, e seus valores distorcidos.

O amor de Clotilde por um certo Leandro Dantas é inspirado em A Emparedada da Rua Nova e ganhou tintas melodramáticas nessa livre adaptação . A montagem da Trupe Ensaia Aqui e Acolá também critica a sociedade, os valores machistas, mas com mais humor. O grupo vai participar dos festivais Cena Contemporânea, de Brasília, neste mês, e do Porto Alegre em Cena, na capital gaúcha no mês que vem. Mas antes disso a peça faz duas apresentações no Recife, hoje e amanhã, às 20h, no Teatro de Santa Isabel. A direção é de Jorge de Paula.

Como ironia e muito humor a peça mostra a história de Clotilde, filha do comerciante Jaime Favais que se apaixona pelo Leandro do título, um Don Juan que muda de postura depois que cai de amores por Clotilde. Mas havia um primo ambicioso e pouco honesto no meio do caminho. Entre dublagens engraçadíssimas, algumas reviravoltas nesse enredo muito divertido.

Ficha Técnica
Encenação: Jorge de Paula
Direção de atores: Ceronha Pontes
Figurinos: Marcondes Lima
Cenografia: Jorge de Paula
Maquiagem: Trupe Ensaia Aqui e Acolá/ Assessoria de Ana Medeiros
Iluminação: Sávio Uchoa
Operação de luz: Luciana Raposo
Operação de som: Juliana Montenegro
Identidade visual: Daniela Borel
Elenco: Andrea Rosa, Andréa Veruska, Iara Campos, Jorge de Paula, Marcelo Oliveira e Tatto Medinni.
Participação especial (voz): Ricardo Mourão e Hermila Guedes.
Direção de produção: Karla Martins
Dramaturgia, Trilha Sonora e Produção executiva: Trupe Ensaia Aqui e Acolá

SERVIÇO
O amor de Clotilde por um certo Leandro Dantas
Quando: Sábado (6) e domingo (7), às 20h
Onde: Teatro de Santa Isabel – Praça da República, Santo Antônio, Recife
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia)
Informações: 3355.3323 | 3355.3324

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Quero ser Marieta Severo!

Espetáculo será encenado até domingo no Teatro da UFPE

Assisti ao espetáculo As centenárias pela primeira vez há uns três anos, no Teatro Poeira, no Rio de Janeiro. Essa sessão estava florida de gente famosa. E na realidade só consegui um ingresso porque falei com Newton Moreno, o autor, que conversou com o produtor. A temporada estava superlotando.

O teatro Poeira é mais lindo e aconchegante do que imaginei. Tem gotas de afeto espalhada pelo espaço e só percebi isso muito depois.

A história de duas carpideiras que tentam enganar a Morte e choram pelos humanos que se vão para abrir caminho me deixou em princípio desconfiada. Achei que uma narrativa tão próxima do que tive contato a vida inteira não iria me arrebatar. Mas a peça começou e as linhas do enredo foram fazendo sua teia de beleza e conquista.

Com quinze minutos de espetáculo estava entregue. Ao talenco das duas atrizes, Marieta Severo e Andréa Beltrão, à engenhosidade do diretor Aderbal Freire Filho e à simplicidade encantatória de mais esse texto de Newton Moreno.

Agora, com a vinda do montagem de As centenárias para o Recife, o que mais despertou minha admiração é a cumplicidade entre as duas atrizes, Marieta e Andréia, juntas no palco e na administração dos Teatros Poeira e Poeirinha. E uma invejável vontade de ter uma amizade desse quilate. Que quando uma repórter, Pollyanna Diniz, a Yolandinha, pergunta a Andréia qual o defeito da Marieta que mais a irrita, ela responde sem pestanejar: “A Marieta não tem defeitos. Quem tem defeitos sou eu e você”. Respeito e proteção a toda prova. Nem todo mundo merece uma amizade assim.

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Mais um grande se foi

Ítalo Rossi havia competado 60 anos de carreira em janeiro

Ítalo Rossi foi um dos maiores nomes da história do teatro brasileiro. Um ator brilhante e considerado uma pessoa especial para os seus pares. O que não é pouco.

Os depoimentos que circularam nesta terça-feira, dia do seu sepultamento no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro, dão conta disso. “Indiscutivelmente, Ítalo foi o maior ator do Brasil. Sua morte é uma enorme tristeza, uma pancada violenta. Você olha sua carreira e vê que ele fez de tudo. Era uma pessoa muito especial, que só se considerou ator quando fez um papel de astro”, conferiu seu amigo Sergio Britto.

“Era um colega sempre bem-humorado e um ator perfeito, versátil, um bicho de teatro”, comentou Walmor Chagas. Os dois atuaram juntos na companhia de Vera Nunes e em Encontro com Fernando Pessoa, que rendeu a Ítalo, em 1986, um de seus quatro prêmios Molière. “Eu só não gostava dessas últimas participações na TV fazendo comédias que eram menores do que ele”, comentou Chagas.

Ítalo Balbo Di Fratti Coppola Rossi foi internado segunda-feira no Copa D’Or, com pneumonia, e morreu nesta terça-feira, aos 80 anos, de falência múltipla dos órgãos. Foi enterrado ontem no Cemitério do Caju.

O paulista de Botucatu só fez seu grande lançamento profissional aos 25 anos, com A casa de chá do luar de agosto, no Teatro Brasileiro de Comédia. Por esse trabalho, recebeu um prêmio de revelação da Associação Brasileira de Críticos Teatrais.

A consagração em forma de troféus veio nas décadas de 1970 e 1980, com quatro Molières, então a principal premiação do teatro brasileiro, com as peças A noite dos campeões (1975), Quatro vezes Beckett (1985), Encontro com Fernando Pessoa (1986) e Encontro de Descartes e Pascal (1987).

O ator completou 60 anos de carreira em janeiro, quando foi lançada a biografia Ítalo Rossi: isso é tudo, de Antônio Gilberto e Éster Jablonski. A publicação foi editada pela Coleção Aplauso.

Com Ester Jablonski, Ítalo começaria ontem a dirigir a peça Coisas da vida.

Seu trabalho mais recente na televisão foi como o personagem Seu Ladir – autor do bordão “É mara!” – no humorístico Toma lá dá cá, da Rede Globo.

Deixa saudades…

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Robert Wilson em Porto Alegre

Robert Wilson assina a direção e atua na peça de Beckett

O Porto Alegre em Cena – Festival Internacional de Artes Cênicas chega à maioridade. E em setembro a capital gaúcha se transforma num verdadeiro paraíso para os amantes das artes.

A programação é extensa e ocupa muitos espaços entre os dias 6 e 27 de setembro. É quase um mês inteiro de apresentações de peças teatrais, show musicais, espetáculos de dança. A diversidade é um reflexo da coerência estética do curador Luciano Alabarse.

Ano passado assisti no Poa em Cena o espetáculo Dias felizes, com direção de Bob Wilson e atuação de Adriana Asti. Dias felizes é uma das principais peças do irlandês Samuel Beckett. Fernanda Montenegro, que já havia feito a peça na década de 1970, traduzida Oh! Que belos dias, ao lado de Sadi Cabral, voltou a interpretar Winnie na década de 1990, ao lado do marido, Fernando Torres. E tenho impressão que a peça foi apresentada no Teatro de Santa Isabel, no Recife.

Bem, além da peça com Asti, Bob Wilson também mandou para Porto Alegre sua exposição Video Portraits, videorretratos curiosos de Brad Pitt, Johnny Depp, Isabelle Huppert, Norman Fleming, Black Panther, Isabella Rosellini, Mikhail Baryshnikov, Robin Wright Penn, Jeanne Moureau, Steve Buscemi, Gao Xingjian, Lucinda Childs, Dita Von Teese, Zhang Huan, William Pope L e Mariane Faithfull. Numa junção de fotografia, filme, literatura e som, com uma linguagem de movimentos mínimos e gestos coreografados.

Wilson é uma das principais atrações do festival gaúcho

Mas neste ano é o próprio Wilson quem comparece com um dos mais conhecidos textos de Samuel Beckett, Krapp’s last tape, numa coprodução Itália/Eua. As sessões estão marcadas para os dias 23 e 24 às 21h; e 25 às 18h, no Theatro São Pedro. Robert Wilson é ator e diretor do solo. O protagonista mantém uma conversação com o seu passado através de uma gravação que fez 30 anos antes. Já velho, no dia do seu aniversário, ele prepara uma nova gravação e se depara com o passado, talvez feliz. E já com outras qualidades – azedo e irônico e às vezes engraçado, ele não se reconhece naquela voz de juventude.

“Eu sempre senti uma afinidade com o mundo de Beckett. De certa forma, é muito próximo ao meu trabalho. Mas agora, depois de 35 anos, decidi enfrentar o desafio e fazê-lo”, escreveu o multiartista no programa do 50st International Theatre Festival MESS, Sarajevo, Bosna i Hercegovina.

“Quando eu dirijo um trabalho, eu crio uma estrutura no tempo. Finalmente, quando todos os elementos visuais estão no lugar, eu crio uma estrutura para os artistas preencherem. Se a estrutura é sólida, então se pode estar livre nele. Aqui, na sua maior parte, a estrutura é dada, e eu devo encontrar a minha liberdade dentro da estrutura de Beckett. Tudo está escrito.”

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Deborah Colker no Nordeste

Deborah Colker apresenta novo espetáculo no Nordeste. Fotos: Pollyanna Diniz

Os bailarinos da Companhia de Dança Deborah Colker estão de malas prontas. Eles vão passar pelo menos parte do mês de agosto apresentado Tatyana, novo espetáculo do grupo, pelo Nordeste.
Neste sábado e domingo, estarão no Teatro Castro Alves, em Salvador. No dia 10, em Aracaju, no Teatro Tobias Barreto. Nos dias 13 e 14, aqui pertinho, em João Pessoa, no Teatro Paulo Pontes. E, finalmente, nos dias 17 e 18, a companhia estará no Teatro Via Sul, em Fortaleza.

Pelo menos segundo o site do grupo, Recife ainda não entrou na temporada, que começou com uma pré-estreia no Festival de Teatro de Curitiba. A última vez que a companhia esteve aqui acho que foi em março do ano passado, para uma reapresentação de 4 por 4, trabalho de 2002.

Vi o novo espetáculo do grupo em Curitiba e a minha impressão é de que Deborah está tentando trilhar novos caminhos e definitivamente ainda não chegou ao local desejado. Em Tatyana, a companhia se aproxima muito mais do balé clássico, mas fica no meio do caminho, porque nem surpreende com o “clássico” e nem com o “contemporâneo”.

Pré-estreia de Tatyana foi no Festival de Teatro de Curitiba

Na época, escrevi para o Diario de Pernambuco. Vou postar o texto. Não estranhem se virem Tatyana grafado Thatyana. Eles tinham divulgado assim anteriormente.

“A coreógrafa Deborah Colker está mais clássica. Optou pelas composições dos russos Tchaikovski, Stravinski, Prokofiev, Rachmaninov e pela sapatilha de ponta para montar Tathyana, que fez uma pré-estreia no último fim de semana, no Festival de Curitiba. Pela primeira vez desde que criou a companhia, em 1993, Deborah usa algum livro como inspiração. No caso, o romance Evguêni Oniéguin, do russo Aleksandr Puchkin (1799-1837), e seus quase 400 sonetos.

O livro traz a história de amor e rejeição travada entre Tathyana e Evguêni. E os papeis principais – Tathyana, Oniéguin, Olga e Lenski – são divididos entre os bailarinos. No palco, a trama foi intercalada em dois atos e surpreendeu a plateia, acostumada – quando pensamos nos trabalhos anteriores da senhora Colker – aos movimentos bruscos, pulos, acrobacias, a um tipo de dança que mostra ao espectador, na sua execução, ser um desafio para o bailarino. Não que o balé clássico também não o seja, mas a delicadeza dos passos provoca reações distintas no público. Tathyana não se pretende um espetáculo clássico, o contemporâneo está ali, dissolvido.

Espetáculo tem dois atos

A coreógrafa se transforma em bailarina (costume nos seus espetáculos) em poucos momentos. Mas nem por isso sua “presença” se fez menos constante no palco. Isso porque, um dos bailarinos, Dielson Pessoa (que depois descobri que é pernambucano!), loiro e com um corte de cabelo muito parecido com o da coreógrafa, suscitava dúvidas no público. “Será que é ela? Mas o cabelo está muito claro. Não, não é ela. É sim”, ouvia-se na plateia desde o primeiro ato. A dúvida se dissipa quando, finalmente, num determinado momento, Deborah e seu “duplo” ficam trocando de lugar, escondendo-se por trás da bela cenografia. Os dois interpretam o autor do livro.

No primeiro ato, a cenografia é uma armação de madeira (ao menos é o que parece). No segundo, Deborah brinca ao usar duas telas, fazendo projeções e jogando com o claro e o escuro.

Nos dois atos, a altura (um dos desafios constantes nas coreografias de Deborah Colker) é um elemento presente. Ora quando os bailarinos pulam e se penduram nos “galhos” da armação de madeira; ora de forma mais estável, quando uma série de bailarinas aparece, no fundo do palco, mas numa estrutura que as deixava mais elevadas, como que flutuando”.

Um dos momentos mais bonitos do espetáculo

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