Arquivo mensais:abril 2011

As mulheres de copas

Quarta bela com as garotas da Trupe de Copas. Fotos: Val Lima

Quase sólidos, último trabalho da Trupe de Copas, que pôde ser visto no Janeiro de Grandes Espetáculos depois de uma temporada no Teatro Apolo ano passado, já tratava de amor. Mas não só. Tinha um texto que dialogava com questões como a morte e a cidade. Agora, as garotas da companhia resolveram mergulhar só no tema do amor. Nesta quarta, às 21h, no Espaço Muda, em Santo Amaro, no Recife, participam de mais uma edição do projeto Quarta Bela, com dois monólogos curtos intitulados Sobre o amor – primeiros exercícios.

Um deles, chamado Amor com mais de 4 letras, foi escrito em parceria pela atriz Viviane Bezerra e pelo publicitário e ator Cleyton Cabral a partir de letras de músicas. “São letras de Chico Buarque, Maria Bethânia, mas também Benito Di Paula, Altemar Dutra, Ivete Sangalo. São coisas que eu gostaria de falar a partir das músicas e também relatos autorais, dos meus amores, das coisas boas, de outras nem tão boas”, explica Viviane, que dirige o próprio monólogo. “Foi como abrir um diário. As músicas e os trechos foram escolhidos por ela e eu fui ajudando a criar a dramaturgia, dividida em três partes: O amor romântico, O amor ferido e O amor superado“, explicou Cleyton Cabral. No exercício, Viviane envereda por novos caminhos, inclusive cantando uma música.

O outro monólogo será encenado por Clara Camarotti, com direção de Lane Cardoso, a partir do universo de Yerma, de Garcia Lorca. “É uma performance. Uma visão mais ritualística e performática. Não estamos usando a dramaturgia mesmo de Lorca, mas principalmente a poesia tão presente em toda a obra e alguns elementos de referência, como a água e o sangue para falar da força dessa mulher”, explica Clara. Ela adianta que os dois monólogos podem sim virar um projeto maior. “São exercícios, que fazem parte das nossas pesquisas”, complementa. Kyara Muniz, outra representante feminina da Trupe de Copas, também está participando do Quarta bela, mas nos bastidores.

Projeto – Ano passado, A Trupe de Copas fez uma leitura do texto Noite de reis, de William Shakespeare, no Espaço Muda. Agora, o projeto de leituras será realizado em parceria com o Sesc. Ainda no primeiro semestre, provavelmente em junho, eles voltam a ler o mesmo texto na Livraria Cultura. “Para o segundo semestre ainda estamos decidindo que textos iremos ler. Ainda não sabemos se escolhemos as comédias ou tragédias”, finaliza Viviane.

Quarta Bela: Sobre o amor – primeiros exercícios, com as atrizes da Trupe de Copas
Quando: nesta quarta, às 21h
Onde: Espaço Muda (Rua do Lima, 280, Santo Amaro)
Quanto: contribuição espontânea
Informações: (81) 3032-1347

Lane, Viviane e Clara

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O Baile em livro

Montagem do Baile de 2008. Na foto, Sandra Rino e Tatto Medinni. Fotofreee/divulgação

Na sessão de Voragem, encontrei o escritor Ronaldo Correia de Brito. Conversamos um pouco na fila de entrada do Teatro Marco Camarotti. E depois dei uma carona para o nosso premiado romancista e dramaturgo. No percurso, ele falou sobre literatura e teatro, de um jeito culto que só ele tem. Ao fim do trajeto, ainda encontrei com a médica Avelina, uma criatura pra lá de especial, a delicada e gentil mulher de Ronaldo. E ganhei um exemplar de O Baile do Menino Deus, que acabou de sair pela Editora Objetiva.

Acompanho o Baile há muitos anos. Bem antes do sucesso retumbante da encenação do Marco Zero. Gosto desse baile que me remete à infância de festas, entre pastoris, guerreiros e reisados.

Com lindas ilustrações de Flavio Fargas, o livro é muito bem cuidado. A publicação dá inicio à Trilogia das Festas Brasileiras, das parcerias nos texto de Ronaldo e Assis Lima, e das músicas do maestro Antônio Madureira, o Zoca Madureira. Depois do baile virão Bandeira de São de São João e Arlequim.

O Baile do Menino Deus lembra que existe outro Natal. E não apenas aquele do consumismo. O personagem Mateus sai em busca da casa onde nascerá um Menino. Quando a encontra, ela está fechada. E ele precisa fazer com que as portas se abram para começar a brincadeira. Na Livraria Cultura, o livro custa R$ 36,90.

Escritor Ronaldo Correia de Brito

Edição da Objetiva do Baile do Menino Deus

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Como anda a peça A Peleja da Mãe, Carlos Carvalho?

Espetáculo foi apresentado no Janeiro de Grandes Espetáculos

Ontem (sábado, 16/04) fui assistir a dois espetáculos no Teatro Marco Camarotti, no Sesc de Santo Amaro Meu reino por um drama, da Métron Produções, com Edivane Bactista no papel principal e Voragem, do Grupo Magrykory, do Sesc Santa Rita, com direção de Quiercles Santana.

Nesses dois momentos encontrei muita gente de teatro, fora o elenco das duas montagens. Ao coreógrafo e bailarino Raimundo Branco, perguntei pela encenação A Peleja da Mãe nas Terras do Senhor do Açúcar. Ele respondeu que isso era com Carlos Carvalho, o diretor da peça. Branco realizou um belo trabalho de preparação corporal do elenco e desenho coreográfico da peça… Horas depois, avistei o ator Flávio Renovatto, também da Peleja, e lembrei novamente da montagem.

Carlos Carvalho, em que pé anda essa sua versão de A mãe, do russo Máximo Gorki? Alguém dá notícias da encenação???

A Peleja da Mãe nas Terras do Senhor do Açúcar
estreou no Recife no dia 28 de janeiro, uma sexta-feira, no Teatro Apolo, com casa lotada. Fez uma única récita no projeto Janeiro de Grandes Espetáculos. Antes houve sessões na Zona da Mata.

No elenco dessa Peleja estão além do ator Flávio Renovatto, a atriz Auricéia Fraga, Mestre Grimário, Paulo Henrique do Maracatu Piaba de Ouro e outros.

Então Carlos Carvalho, quanto teremos uma temporada da A Peleja da Mãe nas Terras do Senhor do Açúcar? Muita gente não viu. E eu quero assistir outras vezes…

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Paixão de Cristo de Nova Jerusalém – temporada 2011

Thiago Lacerda aos 33 anos se despede do papel de Jesus. Fotos: Ivana Moura

Para cristãos ou não, ateus, agnósticos, crentes ou descrentes, Nova Jerusalém – a cidade cenográfica onde é realizada há 44 anos a encenação da Paixão de Cristo no Agreste pernambucano – é um impacto de beleza. Só isso já valeria a pena se deslocar para conferir a representação dos derradeiros dias, morte e ressureição de Jesus. Um chamariz a mais neste ano é despedida do ator Thiago Lacerda do papel principal. Ele encarnou Jesus sete vezes, sendo duas delas em Fazenda Nova, em 2004 e 2008. Agora, aos 33 anos, ele quer fechar o ciclo. Mas deixa aberto que pode até voltar, mas para viver outros personagens.

A temporada deste ano da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém começou quinta-feira, com apresentações para convidados do governador (que levou muitos prefeitos), da produção e a imprensa. Cerca de duas mil pessoas acompanharam a primeira sessão deste ano da encenação no maior teatro ao livre do mundo, como é conhecido e admirado.

Fafá de Belém interpreta Maria no megaespetáculo do Agreste pernambucano

Fafá de Belém, a eterna musa das Diretas Já, também está no elenco, no papel de Maria. “Minha relação com Maria é de antes de eu nascer. Sou Fátima em homenagem à Nossa Senhora de Fátima”, contou depois da apresentação de quinta-feira. Ela disse que para compor o papel também levou para a cena o lado humano, da mãe. “Ela gerou o filho e ele foi pro mundo… mas quando ele volta humilhado, martirizado, ela tem, na minha leitura, o delírio humano. Da mãe que no último momento acredita que o Senhor não vai cumprir com o que ficou acordado e que vai salvá-lo”.

A encenação é grandiosa e isso requer uma sincronização entre gestual largo dos atores e o áudio gravado com antecedência. No meio disso, a emoção dos atores. A atriz Vanessa Lóes, esposa de Thiago Lacerda, que desta vez faz Madalena, comentou que isso limita a emoção do ator, mas a maioria do elenco reconhece essa dificuldade. Quem olha de longe não faz ideia. O ator Sidney Sampaio é estreante na Paixão e talvez o mais jovem Pilatos da história de Nova Jerusalém.

Vanessa lóes como Madalena. Foto: Nando Chiappetta

A atuação do protagonista é apaixonada, mas tem algo de contido. Uma maturidade para o papel que às vezes se expressa até na introspecção. Sidney Sampaio, traz um tom mais reflexivo para o seu Pilatos. Ele saboreia o texto e faz o público prestar mais atenção nas falas sobre o poder. Fafá de Belém como Maria tem dois momentos de destaque. Quando Jesus carrega a cruz e na Pietà. Vanessa tem um desempenho discreto. Os diretores Carlos Reis e Lúcio Lombardi poderiam pensar em ampliar um pouco os papéis femininos.

Os quatro atores mais famosos desta montagem foram unânimes em elogiar a mão-de-obra local. Os atores que têm papel com falas e os figurantes, recrutados entre os moradores do Brejo da Madre de Deus. “O elenco local é maravilhoso, tem pessoas que já estão na peça há 20, 30 anos, que trazem muita generosidade, eles são nossos orientadores maiores”, ressaltou Fafá de Belém. “É uma quantidade enorme de atores pernambucanos de talento, que muitas vezes a gente lá de baixo não tem oportunidade de conhecer”, complementa Lacerda.

É verdade, são muitos bons atores pernambucanos no elenco. Alguns me chamaram mais atenção desta vez, como Ricardo Mourão, Ednaldo Lucena, Severino Florêncio, Alberto Brigadeiro, Zé Barbosa (que eu já confundia com o próprio Cristo), Júlio Rocha, Jones Melo, João Ferreira. Mas tem muitos outros.

Depoimentos

“Madalena é uma personagem forte e misteriosa. É um presente para qualquer atriz. Lamento fazer em etapas esse trabalho. Primeiro a gente grava e no outro dia a gente faz a interpretação. Gostaria de fazer Madalena com liberdade de atuação como um todo… É maravilhoso trabalhar com Thiago”.
Vanessa Lóes – Madalena

“Pilatos era um grande egoísta. Fica a lição de que a omissão pode levar a consequências bem graves. É um grande desafio, nunca tive oportunidade de vivenciar algo semelhante. Eu aprendi muito nesses dias. Trocando com atores mais experientes, buscando informações, vou sair daqui com outra bagagem”.
Sidney Sampaio – Pilatos

“O grande desafio é esquecer quem somos e fazer parte de um contexto, para uma encenação como essa. É tirar o ego do artista bem-sucedido, conhecido. Vocês não sabem as coisas que a gente ouve ali…Pra mim a cena mais forte é a Pietà. Espero que essa Maria fique carinhosa no coração de todos como está no meu”.
Fafá de Belém – Maria

“Não dá pra passar por esse personagem sem repensar uma série de coisas… Meu Jesus apesar de proposta tradicional, tem subtexto revolucionário… Prefiro acreditar nesse personagem como homem a quem foi dada uma tarefa. Essa é uma história de perseverança e disciplina. Ele tem desejo, vacila, tem defeito”.
Thiago Lacerda – Jesus

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Os fofos para pequenos

A companhia Os fofos encenam, que está completando uma década de atuação este ano, deve estrear no mês de julho o seu primeiro espetáculo infanto-juvenil. É baseado no livro A lenda do vale da lua, que teve sua primeira edição publicada em 1975 por João das Neves. É ele mesmo quem deve dirigir a montagem. Os pernambucanos Luciana Lyra, Viviane Madu e Paulo de Pontes, que estão no elenco de Memória da cana, devem fazer parte da equipe técnica.

Falar nisso, quem ainda não viu Memória da cana (baseada em texto de Nelson Rodrigues, mas a partir da perspectiva de Gilberto Freyre) e estiver pelo Rio, vale a pena conferir a peça, em cartaz no CCBB. A estreia foi hoje à noite e a montagem fica em cartaz até 05 de junho, de quarta a domingo, sempre às 19h30. Os ingressos custam R$ 10 e R$5. A direção é de Newton Moreno e no elenco estão Carlos Ataíde, Kátia Daher, Luciana Lyra, Marcelo Andrade, Paulo de Pontes e Viviane Madu. É pra sentir o cheiro da cana e o sabor amargo do patriarcalismo.

Memória da cana. Foto: Val Lima. Em cena, Luciana Lyra.

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