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Avante, Magiluth!

Magiluth estreou Viúva, porém honesta no Rio de Janeiro. Foto: Zé Britto

No último fim de semana, o Magiluth estreou mais um espetáculo: a sua versão para o texto Viúva, porém honesta, de Nelson Rodrigues. Como não conseguimos acompanhar as duas apresentações, que foram no Rio, no festival que está levando à cena todos os textos teatrais de Nelson, pedimos que o ator e dramaturgo do grupo, Giordano Castro, nos contasse como foi. Um relato especial para o Satisfeita, Yolanda?

Por Giordano Castro

Em todos os momentos da vida do Magiluth temos sempre uma música que marca alguns períodos. Às vezes é no processo de montagem que ela chega, às vezes é por acaso numa viagem, ou é simplesmente uma música que é usada como aquecimento e que acaba ficando… Nesse caso, a nossa música do momento é Bravura e brilho, de Siba, que está no CD novo dele, o Avante.

Esse ano esta sendo bem recheado de coisas boas pra gente e uma delas foi o prêmio para montagem de Viúva, porém honesta. A proposta dessa peça foi lançada por Pedro Vilela – ele conhecia o texto e acreditava que era a peça de Nelson que mais tinha a nossa cara. E também o prêmio vinha como uma oportunidade de sair do vermelho que ameaçava o grupo. Sempre tínhamos muito cautela ao pensar em montar um “textão” sabe? Às vezes questionavam a gente perguntando: “e aí quando vão montar um clássico?” ou “queria ver vocês fazendo o Shakespeare…” mas talvez isso não tenha sido um tesão nosso ainda… quem sabe um dia a gente faça, quem sabe não… mas a vez do Nelson chegou!

Quando ficamos sabendo da noticia de que passamos no edital estávamos em Santos montando O Canto de Gregório e ficamos muitos felizes, pulamos, rimos e etc… mas minutos depois olhamos um para cara do outro e dissemos: “Agora Fu…!”.  Não sabíamos o que fazer com esse Nelson, não tínhamos pensando anteriormente ou passado por um processo de estudo, coisa que sempre fazemos antes das nossas montagens. Em resumo, tínhamos apenas três meses pra colocar essa peça de pé. Na outra semana, já estávamos com os textos nas mãos, fazendo leitura para nos familiarizar com o Viúva. Aproveitamos também e demos umas lidas em outras obras e nas crônicas para entender as suas construções e não tem como negar, Nelson é Fo… Se você pega um texto e lê duas linhas que seja, você já olha e diz: isso é de Nelson! E não tem como negar quando você ouve um texto sendo dito, você já sabe, esse texto é de Nelson! Então concluímos, no texto dele a gente não vai mexer, mas como ele vai pra cena? Ah, aí é outra história.
Estando em São Paulo ocupando o espaço da Funarte por dois meses com os nossos outros trabalhos, tivemos que organizar e dividir o nosso tempo entre as ações que estávamos executando (temporada, oficinas, leitura, debates) e os ensaios para Viúva, identificamos também que era necessário um preparo para os atores, especialmente na voz. Para isso chamamos Mônica Montenegro, uma profissional que trabalhou com grandes nomes do teatro Paulista.  Já tínhamos ouvido falar dela por diversas pessoas e já que estávamos lá, não íamos perder essa oportunidade. Aproveitamos também a passagem do nosso amigo Ricardo Martins, ator da Cia. Armazém de Teatro, e pedimos a ele que trabalhasse conosco algo voltado para a construção de personagens, um trabalho fundamental para a modelagem das figuras que fazemos na peça.

Trabalhávamos em dois turnos e a noite todos os nossos papos eram: “ei… vamos fazer isso naquela cena?”, “olha, tive uma ideia…”, “Pedro, eu vi isso aqui, olha, será que serve pra gente?”. Foi um período de imersão total para a montagem, não tínhamos tempo para muitos questionamentos, tínhamos que fazer e, por isso, de certa forma, o tempo corrido foi um aliado para os resultados.

Com um mês de ensaio já tínhamos a metade da peça resolvida. Pra gente era tudo muito divertido, mas o x da questão era: e público será que eles vão se divertir também? Aproveitamos a passagem de amigos por São Paulo e convidamos eles para assistirem a alguns ensaios abertos. O Francis Wilker, do Teatro do Concreto (DF),  foi um dos convidados; as meninas da Cia. Brasileira (PR) – Nadja Naira e Giovana Soar, e também amigos que fizemos por lá… Biagio Picorelli performer e amigo nosso que mora hoje em São Paulo… Todos os que podiam contribuir de alguma forma eram muito bem vindos. Depois desses ensaios, percebemos que precisaríamos de alguém pra dá uma ordem ao caos (caos que adoramos) e pra isso, chamamos Simone Mina.

Simone Mina é uma artista que há muito tempo acompanhávamos. Ela trabalha com a Cia. Livre e também fez outros trabalhos da Cibele Forjaz. Muitos trabalhos que a gente admira tem a mão dela envolvida. Queríamos que a peça não perdesse muito da cara que tinha nos ensaios. Gostávamos do tom de precariedade e de ressignificação que dávamos aos elementos e ela soube respeitar isso e potencializar outros aspectos.

Partimos para o último mês e a corda começava a apertar o pescoço… correndo contra o tempo e ainda tendo que dar conta das outras atividades dos grupos. Mas era tão bom ensaiar o Viúva que esse resto de tempo que parecia ser desesperador, na verdade, foi ainda mais  divertido. Agora era só esperar a estreia no Rio…

No Rio, continuávamos ensaiando e em todas as pausas que tínhamos e saíamos do teatro para dar uma respirada, víamos a movimentação na bilheteria. Logo mais a produtora do teatro avisa a gente que os ingressos de sábado já estavam esgotados – frio na barriga – é bom lembrar que os ingressos estavam a preço super populares e todas as apresentações do festival A gosto de Nelson estão tendo a casa lotada.

Chegou a hora da estreia. E apresentação foi para nós muito boa. Apesar de ser um estreia (geralmente há pontos que ainda precisam ser ajustados na estreia), a apresentação foi no tom. E, o que é melhor, o público mostrou ter gostado bastante. No domingo conseguimos ajustar os últimos detalhes e novamente ficamos felizes com o resultado final. Ah… é importante agradecer ao grupo Armazém 88, que quebrou um galho pra gente emprestando 20 cadeiras que usamos na peça.

E agora voltamos para o Recife… extremamente ansiosos para a nossa estreia aqui e para saber como o público vai receber essa Viúva!

Ah… e o que a música tem a ver com essa história? Nada! Mas ela é tão bonitinha! hehehehehehehehe
O dia acaba de amanhecer
O meu herói vem me despertar…

A peça Viúva, porém honesta, abre o Festival A Letra e A Voz. A coletiva de imprensa foi hoje pela manhã. A apresentação será no dia 19 de agosto, às 17h. É a primeira vez que o Magiluth se apresenta no Santa Isabel.

Grupo abre o Festival A letra e a voz, no Teatro de Santa Isabel, dia 19 de agosto

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Luz do Magiluth no Festival de Curitiba

Aquilo que meu olhar guardou para você. Foto: Ivana Moura

Assisti à montagem Aquilo que meu olhar guardou para você duas vezes. No Teatro Hermilo Borba Filho, durante o festival Janeiro de Grandes Espetáculos e durante a curta temporada no Teatro Joaquim Cardozo, ambas no Recife. Gostaria de conferir a performance dos rapazes em Curitiba, mas um engarrafamento qualquer (de vontades, de quedas de reserva, de avião, de agilidade) não permitiu. Voilà

Gosto do espetáculo. Aquela inquietação de cada um deles, aquelas micro histórias que se confundem (e nos confundem), a estrutura fragmentada, as pulsações libertárias em cada gesto pequeno quase imperceptível do cotidiano. E o humor… Um humor inteligente, às vezes sarcástico, com um olhar crítico sobre minúsculas mazelas. De coisas que tocam. Tocaram a mim. Com muitas flutuações de assuntos.

Gosto da “sujeira” pop das marcas.

Lucas Torres

Achei muito divertida a crítica (meio sarro com humana pontinha de despeito) aos prêmios. Quando Pedro Vilela morre em cena e Giordano diz  que não é justo porque ele não ganhou nem um prêmio da Apacepe (Associação dos produtores de Pernambuco).

Isso me fez lembrar como é engraçada e complexa a relação que as pessoas têm com os prêmios, como se fossem um certificado incontestável de competência. Tô falando do geral e não só da abordagem da peça. E não é por aí. Tudo é muito mais complexo e depende das forças que atuam naquele momento, dos gostos e muitos coisinhas miúdas, etc…

Voltando à peça. Os pequenos episódios cotidianos, que ganham uma proporção enorme na vida das pessoas, são explorados de forma corajosa, correndo riscos.

A cidade, o Recife, muitas vezes aparece pouco de forma macro. Mas está ali em pequenas proporções, quase como a memória que carregamos e se mistura com outras lembranças que produzem um jeito de corpo, uma expressão.

Ator Pedro Wagner

Aquilo que meu olhar guardou para você explora as contradições, de sentimentos, de atitudes, de parcerias. E cria uma interação bem particular com a plateia. Mas é algo vivo e pode seguir contornos bem específicos em cada apresentação. Como já disse o diritor Luis Fernando Marqueso, o elenco – formado por Giordano Castro, Pedro Vilela, Pedro Wagner, Erivaldo Oliveira e Lucas Torres – tem “uma displicência poética, uma liberdade de amarras”.  Isso está na forma, no conteúdo, no jeito de explorar.

Mas também diz muito desse ser contemporâneo, que pode estar em cidades periféricas e com grande vocação para o desenvolvimento como o Recife. Ou na capital do poder político, como Brasília.

O espetáculo foi concebido a partir de uma investigação da urbanização das cidades, em projeto patrocinado pelo Itaú Cultural. De início a peça chamava-se Do Concreto Ao Mangue: Aquilo Que Meu Olhar Guardou Para Você, baseado na troca de conteúdos entre os dois grupos.

Dos 46 fragmentos contabilizados por eles, os atores desconstroem a quarta parede desde o  início do espetáculo e, no final, o público se torna personagem decisivo.

Erivaldo Oliveira e Giordano Castro

A cena, o sentimento da cena, do personagem se volatiza rapidamente para encaixar em outras cenas. O elenco expõe esperanças e ambições de seus personagens para em seguida desconstruir essas ilusões. É um quebra-cabeças afetivo, marcado por escolhas que poderiam ser feitas no dia a dia, por qualquer um.

Enquanto o pulso, pulsa e a poesia brota dos pequenos gestos, os atores esbanjam humor. Um humor característico do lugar. Outras trupes já tiveram a sua gréia. A do Magiluth tem um pouco mais de leveza, para dizer que estamos todos perdidos e o fim do fim para os humanos não muda tanto assim.  Mas enquanto não chega a morte, ou coisa parecida (ai Belchior dos bons tempos!)  seus personagens estão repletos de luz, intensos, correndo atrás, mas que podem acabar a qualquer hora.  São encontros e despedidas, o tempo inteiro, em que eles depositam todo o ser.

Fotos: Ivana Moura

Boa sorte e sucesso, zebrinhas.

Serviço:

Aquilo que meu olhar guardou para você

Teatro Contemporâneo | Recife-PE |

Onde: Teatro Paiol (em Curitiba)

Quando: 5 e 6 de abril às 21h

Quanto: R$ 25 e R$ 50


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Muitos olhares

Aquilo que meu olhar guardou para você, do Grupo Magiluth
Imagens: Ivana Moura

Quando: quintas e sextas-feiras, às 20h, até 23 de março
Onde: Teatro Joaquim Cardozo (Centro Cultural Benfica – Rua Benfica, 157, Madalena)
Quanto:R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)
Informações:(81) 3226-0423

Ficha técnica
Texto: Giordano Castro
Direção: Luís Fernando Marques e Grupo Magiluth
Direção de arte: Guilherme Luigi e Thaysa Zooby
Iluminação: Pedro Vilela
Sonoplastia: Grupo Magiluth
Elenco: Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Lucas Torres, Pedro Wagner e Pedro Vilela

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Fragmentos particulares

Aquilo que meu olhar guardou para você, do grupo Magiluth, hoje, às 19h. Foto: Thaysa Zooby

Displicência poética, liberdade de amarras, frescor. É assim que o diretor Luís Fernando Marques, do grupo paulista XIX, enxergou o trabalho do grupo Magiluth depois que eles começaram a conviver por conta do Rumos Itaú Cultural. Lubi tinha sido uma proposta do Teatro do Concreto, que estava fazendo um intercâmbio com o Magiluth. “O país é tão grande e a dificuldade de circular que a pergunta é: como eu não conhecia esse grupo antes?”, diz Luís Fernando. “A proximidade entre o Magiluth e o XIX não é só estética, mas no modo de produção. As relações não-hierarquizadas, o teatro como ação. Esse é o dia a dia de varios grupos no país inteiro e poder juntar isso é muito bom”, complementa.

O resultado dessa salada geográfica – Recife, Brasília, São Paulo – estará no palcos em Aquilo que meu olhar guardou para você, que faz única sessão hoje, ás 19h, no Teatro Hermilo Borba Filho. Todos os Magiluthianos estarão no palco. “Até eu!”, brinca Pedro Vilela. E eles explicam que o espetáculo funciona como se você passasse uma tarde inteira na pracinha do Diario e pudesse ouvir trechinhos da história de cada um ali. No total, são 46 fragmentos de história compondo o espetáculo.

Pergunto se não é mais fácil trabalhar com a construção ds personagens dessa forma; se o desafio como ator não é menor. “Essa realidade fragmentada é da nossa geração. E cada microparte olhamos como uma peça tradicional, lançamos mão de técnicas que são tradicionais”, explica Vilela.

A peça propõe um espectador disposto a atar e desatar nós; a compor o espetáculo de acordo com as suas próprias referências. Sim, eles respondem, há interação. “Mas não é aquela coisa forçada. Quando você vê, já está jogando conosco. Isso acontece de maneira muito orgânica”, avalia Giordano Castro.

Ah….a peça ainda não tem temporada prevista no Recife, mas já tem apresentações marcadas em São Paulo, um convite do XIX, e no Festival de Curitiba, numa mostra organizada pela Companhia Brasileira.

Aquilo que meu olhar guardou para você
Quando: hoje, às 19h, no Teatro Hermilo Borba Filho
Quanto: R$ 10 (preço único)
Informações: (81) 3355-3321

Ficha técnica:
Texto: Giordano Castro
Direção: Luís Fernando Marques e grupo Magiluth
Direção de arte: Guilherme Luigi e Thaysa Zooby
Iluminação: Pedro Vilela
Sonoplastia: Grupo Magiluth
Elenco: Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Lucas Torres, Pedro Wagner e Pedro Vilela

O melhor da foto é a mulher olhando os dois!

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Vivencial é referência afetiva no cinema

“Caros caras:
Não sou anormal. Somos. Logo, não somos. É diferente. Um anormal é anormal. Dois anormais são normais. Tanto mais se unidos. Muito poucos fazem muito. De minoria em minoria, a maioria enfia a viola no saco, e a violação no cu.”

“Não adianta fazer ou assistir teatro sem considerarmos as características do tempo em que vivemos. O teatro é o reflexo das realidades de uma época e não um fenômeno isolado cujas dificuldades sejam exclusivamente suas, mas de todo um processo criativo em crise.”

O Grupo Vivencial Diversiones foi um furacão, uma perversão, o salto-alto no mangue, o teatro em movimento. E ele mesmo se “explicou” em alguns textos. Esses foram reunidos e publicados por Lúcia Machado no livro A modernidade no teatro, Ali e aqui, Reflexos estilhaçados. Foi lá no Vivencial que o cineasta Hilton Lacerda bebeu. E Tatuagem está surgindo…

Primeiro longa de Hilton Lacerda é inspirado no Vivencial Diversiones. Fotos: Pollyanna Diniz

Visitei o set e escrevi uma matéria para o Diario de Pernambuco, publicada no último sábado e reproduzida aqui:

“O nosso show vai estrear / Mas não se engane / Nós somos perigosas / Bem gostosinhas e amorosas”. A irreverência dos versos cantados por marinheira, bailarina, um diabo provocante se propagava no jardim daquele casarão antigo nas ladeiras históricas de Olinda na quinta-feira passada. O lugar serve como locação do primeiro longa de Hilton Lacerda – Tatuagem, que será filmado até o dia 28 deste mês.

A cena que estava sendo gravada era, na realidade, “um filme dentro do filme, já que um dos personagens grava um Super-8. Era o baile da trupe Chão de Estrelas, uma “referência afetiva” ao grupo de teatro Vivencial Diversiones, que existiu no Recife nas décadas de 1970 e 1980 sob influência da contracultura. “Não queria fazer um documentário, me desagrada o fato de adaptar o real para a ficção. Mas tem essa inspiração”, explica o diretor.

Irandhir Santos interpreta líder da trupe Chão de estrelas

Casarão em Olinda onde foram rodadas algumas cenas

O filme se passa em 1978, mas não está preso ao passado. “Não me interessa fazer um filme fora do que a gente vive. Nesse Super-8 que está sendo gravado no filme, os atores dizem que o futuro será incrível e todos os preconceitos seriam abolidos. Seria uma revolução filosófica e não tecnológica. Mas 1978 era o ano em que o Brasil ia dar certo e acho que estamos passando por isso novamente”, avalia Lacerda.

O protagonista do filme é Irandhir Santos, que começou no teatro aqui em Pernambuco, mas despontou mesmo no cinema em longas como Tropa de Elite 2 e Besouro. Santos faz o líder da trupe tão questionadora quanto polêmica e inventiva; mas que está envolvido numa relação com o lado oposto, um soldado, interpretado pelo também pernambucano Jesuíta Barbosa. O diretor explica que o projeto tem pelo menos cinco anos e que sempre pensou em Irandhir para o papel principal. Os dois já trabalharam juntos – Lacerda como roteirista – em Febre do rato (que teve pré-estreia dentro do Janela de Cinema) e Baixio das bestas. “Adoro fazer roteiros e isso fez com que eu demorasse a dirigir”, complementa.

O longa tem um orçamento de R$ 2,5 milhões, recursos da Petrobras, Eletrobras e Funcultura. 70 pessoas estão na equipe. “Desde setembro temos o elenco, tanto atores quanto não-atores, mas pessoas envolvidas com arte, que, às vezes, são até mais naturais”, conta Rutílio de Oliveira, produtor de elenco. É assim, por exemplo, que Júnior Black faz o DJ Tonho do Som. Ou alguém que trabalhava na arte acabou em cena vestida de bailarina. “Meu personagem fuma um monte para poder criar. Como muitos, saiu de casa por algum motivo. Acho que hoje haveria espaço para um grupo como o Vivencial, mas não sei se com o mesmo nível de provocação”, diz o ator Erivaldo Oliveira, vestido de Marquinhos Odara.

Trupe Chão de Estrelas

Cláudio Assis relembrou o tempo em que foi dirigido por Vital Santos e se apresentou no Vivencial

Que diabos é essa liberdade?
A sede “político-anárquica” do Vivencial Diversiones ficava no Complexo de Salgadinho, numa área de mangue. “Quando eu era ator do Grupo de Cultura de Caruaru, com Vital Santos, nós nos apresentamos no Vivencial. Era meio mangue, me lembro bem, fim da década de 1970”, recorda o diretor Cláudio Assis, que estava acompanhando as gravações de Tatuagem – e iria até entrar em cena. Se a casa do Vivencial ficava no mangue, a da trupe Chão de Estrelas é construída no Nascedouro de Peixinhos, com referências ao tropicalismo e, claro, à liberdade.

O filme ainda terá a participação de alguns atores que integraram o Vivencial, como Auricéia Fraga, que entra na última etapa de gravação, em Bonito. Para a pesquisa, Hilton conversou com nomes como Guilherme Coelho, criador do Vivencial que hoje mora em Brasília, e com o diretor de teatro Antônio Edson Cadengue. “Na realidade, eu queria fazer um filme sobre o personagem Túlio Carella, do livro Orgia. Tinha até um nome…O homem da ponte. Estava conversando com João Silvério Trevisan, que era meu vizinho, e foi ele quem levantou essa ideia do Vivencial, que eu não cheguei a frequentar”, conta.

O filme tem até uma referência ao próprio Hilton. No filme, o personagem de Irandhir Santos tem um filho de 13 anos, mesma idade que Lacerda tinha em 1978. “Convivi com Cadengue, Jomard Muniz. Teatros mais marginais existiam em vários lugares do Brasil. E o filme discute que diabos é essa liberdade que temos hoje”, diz.

Hilton Lacerda disse que tem vontade de escrever para teatro

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