Razões para ir ao teatro – Em cartaz

Alguém pra fugir comigo.Foto: Maria Vilar

Alguém pra fugir comigo faz temporada no Teatro Luiz Mendonça, no Parque Dona Lindu. Foto: Maria Vilar

O que nos torna humanos? Esse é um questionamento-chave do espetáculo Alguém Pra Fugir Comigo, do Resta Um Coletivo de Teatro, que articula temas políticos e sociais e expõe que tudo pode ser ressignificado ao longo da vida. A peça faz provocações e busca abalar certezas e combater as opressões. Com encenação Analice Croccia e Quiercles Santana, e assistência dramatúrgica Ana Paula Sá, a montagem chega como um grito de dor contra qualquer barbárie.

Alguém Pra Fugir Comigo investiga fatos reais e fictícios, históricos e contemporâneos do Brasil e da Europa, para falar sobre corrupção, o trabalho escravo, a solidão e a discriminação. E utiliza provérbios e canções, imagens numa série de cenas justapostas e intercambiáveis que formam uma narrativa não-linear.

O elenco – composto pelos atores Analice Croccia, Ane Lima, Caíque Ferraz, Luís Bringel, Nataly Sousa, Pollyanna Cabral e Wilamys Rosendo – se desdobra em vários personagens de épocas e situações variadas. Mas cada um enfrenta uma crise moral ou social, como as agressões aos homossexuais, às mulheres e a escravidão na monarquia.

As malas do cenário remetem para a vontade de fugir, as memórias possíveis de carregar e os afetos ensimesmados. As fotografias de refugiados foram a inspiração para dar o motor desses deslocamentos.

ALGUÉM PRA FUGIR COMIGO
Quando: 19 e 26 de agosto e 2 de setembro (sábados), às 19h30.
Onde: Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu, s/n, Boa Viagem).
Quanto: R$ 30 e R$ 15 (meia).
Informações: 3355-9822.

Comédia Shakesfood mistura gastronomia e Teatro de Objetos. Foto: Ricardo Maciel / Divulgação

Comédia Shakesfood mistura gastronomia e Teatro de Objetos. Foto: Ricardo Maciel / Divulgação

Romeu e Julieta, Hamlet, Macbeth, as três tragédias de Shakespeare servem de inspiração para experimento teatral-gastronômico hilariante. Com doses de ironia e crítica política, os personagens do bardo inglês são transformados em ingredientes ou utensílios de cozinha para a composição de alimentos rápidos. Com Thiago Ambrieel e Diógenes D. Lima. Um comédia de teatro de objetos com chance de agradar os mais diversos paladares.

SHAKESFOOD
Quando: 19 e 20 de agosto – sábado, às 20h e domingo, às 19h.
Onde: Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife).
Quanto: R$ 40 e R$ 20 (meia).
Informações: 3355-3320.

Espetáculo A Receita, com Naná Sodré. Foto: Thais Lima

Espetáculo A Receita, com Naná Sodré. Foto: Thais Lima

Atriz Naná Sodré comemora 20 anos de carreira com mais uma temporada do espetáculo A Receita, que tem texto e direção de Samuel Santos.
A opressão conjugal é denunciada na peça que tem texto e direção de Samuel Santos. A rotina de uma dona de casa – em meio a temperos de cozinha – é alimentada pela busca de uma saída para a situação de violência doméstica. A temporada comemora os 20 anos de carreira da atriz Naná Sodré.

A RECEITA
Quando: 19 e 26 de agosto (sábados), às 20h.
Onde: Espaço O Poste (Rua da Aurora, 529, Boa Vista).
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia).
Informações: 98484-8421

Alexandra Richter e Bruno Garcia protagonizam a comédia romântica

Alexandra Richter e Bruno Garcia protagonizam a comédia romântica A História de Nós 2. Foto: Divulgação

A comédia romântica A história de nós 2 faz a segunda sessão no Recife, neste sábado (19/08). A peça é estrelada por Alexandra Richter e pelo pernambucano Bruno Garcia, que há 17 anos não se apresenta no Recife. Trata das as aventuras e desencontros de um casal já separado, que revisa a própria trajetória quando o publicitário vai buscas suas coisa no antigo lar.

Edu concentra o sonho de muitos homens, que vivem divididos entre a ânsia de de ascender profissionalmente, formar uma família perfeito e gozar da liberdade. A advogada Lena também quer vencer na profissão, mas anda desconjuntada entre a maternidade e paixão. Os dois personagens se multiplicam por seis, dos seus desejos ou facetas.

A comédia é um fenômeno de bilheteria e já foi vista, desde que estreou em 2009, por mais de 800 mil espectadores.

A HISTÓRIA DE NÓS 2.
Quando: Neste sábado (19/08), às 21h. Teatro RioMar,(RioMar Shopping)
Quanto: Entre R$ 40 e R4 120.
www.ingressorapido.com.br . Televendas: 4003-1212.
Informações: 4003-1212

Hamlet Fragmentado. Foto: Rogerio Alves/ Sobrado423

Hamlet Fragmentado. Foto: Rogerio Alves/ Sobrado423

Hamlet Fragmentado, faz ainda duas sessões neste mês de agosto no espaço da Trupe Artemanha de Investigação Teatral na Várzea, Zona Oeste do Recife. A peça cruza Hamlet de Shakespeare, e Hamlet Máquina, do dramaturgo alemão Heiner Müller. A montagem explora as crises do jovem príncipe que descobre que o pai foi assassinado pelo tio, e que o reino da Dinamarca está fedendo de corrupção. A encenação também dá destaque para as pulsações de Ofélia. O espetáculo tem roteiro dramatúrgico e encenação de Luciano Santiago, que também está no elenco ao lado de Daniel Gomes e Damyeres Barbosa.

HAMLET FRAGMENTADO – Encerramento de Temporada
Quando: 19 e 26 de agosto, às 20h
Onde:  Galpão CITTA – Centro de Investigação Teatral Trupe Artemanha
Rua João Francisco Lisboa, 170 – Várzea, Recife – PE
Classificação: 16 anos
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
Informações: 98318-1191.

Comédia com o grupo brasiliense Os Melhores do Mundo

Comédia com o grupo brasiliense Os Melhores do Mundo

Os clichês dos filmes policiais e as peripécias dos homens da lei são os combustíveis do espetáculo Um tira chamado perigo que o grupo de teatro Os Melhores do Mundo apresenta neste sábado (19/08) no Recife em única sessão, no Teatro Guararapes (Centro de Convenções). Conhecidos por montagens como Hermanoteu na Terra de Godah e Notícias populares, a trupe brasiliense satiriza o cinema enlatado norte-americano. A peça é junção de duas outras do bando, Tira – Adrenalina em Combustão, de 1994, e Tira 2 – McCoy is back, de 1995.

O grupo injeta mais humor, suspense e umas pitadas da política brasileira – da Lava-Jato e de Temer – na trama. E busca dar cores locais ao enredo com menções ao Náutico, Sport e outras coisas do Recife. A história mostra a volta herói McCoy – que havia se recolhido a uma floresta depois da morte do parceiro – para salvar a Chicago. Isso ocorre quando o vilão ameaça explodir a cidade.

UM TIRA CHAMADO PERIGO, da Companhia de Comédia Os Melhores do Mundo
Quando: Neste sábado (19/08), às 21h
Onde: Teatro Guararapes – Centro de Convenções, s/n, Olinda
Ingressos: R$ 80 e R$ 40 (meia), à venda na bilheteria do teatro e no site Compre Ingressos
Informações: 3181-8020

Peça é inspirada em obra espírita. Foto: Divlgação

Peça é inspirada em obra espírita. Foto: Divlgação

A adaptação do Livro Nosso Lar, clássica obra espírita de André Luiz, psicografada por Chico Xavier, aborda o aperfeiçoamento espiritual na vida pós-terrena, entre mensagens de solidariedade, esperança e renovação. A montagem tem versão teatral e direção assinadas por Izaltino Caetano e mostra a atuação do médico André Luiz quando chega à colônia espiritual Nosso Lar. Esse é o local de treinamento onde os Espíritos aprendem sobre a imortalidade da alma e têm a oportunidade de aperfeiçoarem-se. Os ensinamentos do espiritismo são expostos como a Lei Universal de Causa e Efeito que norteia a vida de, encarnados e desencarnados.

A encenação contou com a consultoria de Carlos Pereira reconhecido defensor e pesquisador da Doutrina Espírita com vários livros lançados. No elenco da peça estão os atores Emanuel David D’ Lucard, Feliciano Félix, Beto Silva, Francis de Souza, Méri Lins, Patrícia Breda, Wilson Aguiar, e Erdras Aguiar.

NOSSO LAR – CAMINHOS PARA EVOLUÇÃO

Quando: 19, 20, 26 e 27 de agosto – sábados, às 20h e domingos, às 19h.
Onde: Teatro Barreto Júnior (Rua Estudante Jeremias Bastos, s/n, Pina).
Quanto: R$ 30 + 1kg de alimento não-perecível.
Informações: 3355-6398.

Zambo em sessões no Experimental. Foto: Wellington Dantas

Zambo em sessões no Experimental. Foto: Wellington Dantas

As ideias, comportamento e espírito do Movimento Mangue são matérias-primas de Zambo, espétaculo de dança contemporânea do Grupo Experimental de 1997. A peça coreográfica comandada por Mônica Lira, tem como forte aliada a trilha sonora executada ao vivo.

A montagem foi renovada por quatro gerações de bailarinos. Nesta temporada, do projeto Espetáculos em Sala, a cena fica mais intimista, mais próxima do público num diálogo mais orgânico entre artistas e plateia. A concepção original do espetáculo é de Mônica Lira e Sonaly Macedo. E os intérpretes são Jennyfer Caldas, Rafaella Trindade, Gardênia Coleto, Rebeca Gondim e Jorge Kildery.

ZAMBO , do Grupo Experimental
Quando: 19, 25 e 26 de agosto, às 20h
Onde: Espaço Experimental (Rua Tomazina,199, 1º andar, Recife Antigo)
Ingressos: R$ 30 (inteira) / R$ 15 (meia-entrada)
Duração: 45 minutos
Livre
Informações: (81) 3224-1482/98812-1036

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O tempo é de luta, lembra Frei Caneca

Buarque de Aquino faz o religioso revolucionário. Foto: Roberto Soarez/ Divulgação

Buarque de Aquino faz o religioso revolucionário. Foto: Roberto Soarez/ Divulgação

Pernambuco tem seus heróis. Frei Caneca é um dos grandes. Símbolo de resistência e luta; mártir e herói da história brasileira, ele foi um dos articuladores da Revolução Pernambucana de 1817, de caráter republicano, e da Confederação do Equador de 1824. No Largo das Cinco Pontas, região central do Recife, foi espingardeado junto à forca (“por não haver réu que se prestasse a garroteá-lo”), em 13 de janeiro de 1825. O percurso político de Frei Joaquim do Amor Divino Caneca é exposto no espetáculo Suplício de Frei Caneca, encenado por José Francisco Filho e com texto de Cláudio Aguiar. A peça tem sessão nesta sexta-feira (18/08), às 20h, na Igreja de Santa Tereza D’Ávila, que fica ao lado da Basílica do Carmo do Recife (avenida Dantas Barreto), com entrada gratuita e distribuição de senhas uma hora antes.

A dramaturgia do escritor Cláudio Aguiar faz um recorte na biografia do carmelita revolucionário e foca no período que vai da ordenação até a sentença de morte. A montagem ressalta a complexidade nas escolhas do religioso. Na análise da peça, o poeta e crítico literário Ângelo Monteiro diz que o autor elegeu uma figura paradoxal e aparentemente dividida como Joana D’Arc que foi santa, guerreira, e queimada como feiticeira ao tentar salvar a França.

“Cláudio Aguiar neste oratório dramático, tem como protagonista uma figura da mesma têmpera e grandeza: Frei Caneca que, sendo frade e sacerdote, foi levado à atividade revolucionária e condenado pela Coroa brasileira à pena capital como traidor da Pátria. As grandes personagens do drama não só da arte, porém da vida, são todas marcadas pelo sentido do paradoxo e mesmo da contradição,”, atesta Monteiro.

Na encenação, o ator Buarque de Aquino assume o a papel do protagonista e a equipe conta com 20 pessoas, entre artistas e técnicos. A trilha é executada ao vivo por Júlio César Brito e Matheus Marques. Cláudio Aguiar musicou os poemas escritos pelo próprio Frei Caneca.

Não posso cantar meus males
Nem a mim mesmo em segredo;
É tão cruel o meu fado,
Que até de mim tenho medo

José Francisco Filho já montou Frei Caneca em dois outros momentos. No Teatro do Parque, em 1977 e na década de 1980, na mesma Igreja de Santa Tereza D’Ávila. Para o encenador o local da apresentação tem algo de místico porque fica próximo do Convento do Carmo, onde o religioso fez seus votos, foi ordenado e teve seus restos mortais sepultados.

Encenar a peça fora dos edifícios tradicionais também é uma postura política ressaltada pelo diretor, que atenta para os teatros sucateados e para a luta da classe artística pela reabertura do Teatro do Parque.

Sobre os motivos de de erguer o Suplício de Frei Caneca nesses tempos marcados por um golpe jurídico-político-midiático, o diretor aposta que nada mais oportuno que mostrar/montar a vida de Frei do Amor Divino Caneca. “Neste país devassado pela corrupção, pelo ódio e pela violência, Caneca nos mostra e lembra que é preciso lutar sempre: ‘Abaixo a escravidão’! ‘Viva a revolução’!!! A contemporaneidade do texto e dos fatos não nos deixa escolha: Lutar!!”

Quem passa a vida que eu passo,
Não deve a morte temer;
Com a morte não se assusta
Quem está sempre a morrer

Apresentações ocorrem na

Apresentações ocorrem na Igreja de Santa Tereza D’Ávila

Joaquim do Amor Divino Rabelo nasceu numa família pobre do Recife, em agosto de 1779. Entrou para o convento carmelita da capital e foi ordenado em 1801, quando trocou o nome de família pelo apelido do pai, que era tanoeiro. Por sua participação no movimento de 1817 ficou preso na Bahia por quatro anos. Voltou ao Recife, fundou o jornal Typhis Pernambucano, de ideias liberais, e participou da Confederação do Equador (1824), movimento separatista de caráter republicano, derrotado pelas tropas imperiais.

O movimento emancipatório que instaurou uma república no Estado durante 74 dias chega a 200 anos e o governo de Pernambuco criou uma comissão de notáveis para organizar as celebrações do bicentenário. Em março foram anunciadas as comemorações que seguem até o final do ano, com exposições, publicação de livros pela CEPE, concurso de redação para alunos e a construção de um monumento para conectar a Praça da República, aos outros espaços de referência da revolução, além de outras ações festivas.

O Suplicio de Frei Caneca não faz parte dessa programação, segundo o diretor José Francisco Filho e não recebeu nenhum tostão para sua produção do governo do Estado de Pernambuco. A montagem tem projeto aprovado pela Lei Rouanet, e busca captar recursos com as empresas. Até agora, a temporada com apresentações hoje e nos dias 27 de agosto e 1º de setembro só conta com patrocínio da Copergás.

José Francisco Filho, Cláudio Aguiar, Célia guiar, Buarque de Aquino

José Francisco Filho, Cláudio Aguiar, Célia Salsa e Buarque de Aquino

Serviço
Espetáculo Suplício de Frei Caneca
Quando: Nesta sexta-feira (18), às 20h. E nos dias 27/08 e 1º/09
Onde: Igreja de Santa Tereza D’Ávila (av. Dantas Barreto, bairro de Santo Antônio. Ao lado da Basílica do Carmo do Recife)
Entrada gratuita

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Solo visceral de Dielson encerra Mostra de Dança

Coreografia mostra as sensações da experiência do bailarino com a bipolaridade. Foto: Pedro Escobar / Divulgação

Coreografia mostra a experiência do bailarino com a bipolaridade. Foto: Pedro Escobar / Divulgação

O solo de dança contemporânea O Silêncio e o Caos explora, em movimentos frenéticos, os estágios de um surto psicótico. Criado pelo bailarino Dielson Pessoa de Melo, a peça propõe uma reflexão sobre a bipolaridade, transtorno que atingiu Dielson em 2010. A montagem encerra a programação da Mostra Brasileira de Dança no Teatro de Santa Isabel, neste sábado.

Os elementos disparadores da composição da cena foram os próprios transtornos mentais. Esses sofrimentos psíquicos normalmente atraem o olhar preconceituoso da sociedade. Dielson resolveu combater esse silenciamento com sua dança e principalmente, debater por meio da arte os atos excludentes e de pré-julgamento por parte dos que se acham normais.

As ações corporais intensas e desconexas, mas em sincronismo técnico com a música, procuram provocar a sensação de incômodo na plateia.

A encenação conta com três lances. A violência motivada pelo impulso de protestar contra as agruras do mundo. O erotismo, estranho e selvagem, com um corpo a pulsar fora do padrão. E o retorno a um território mais acolhedor, de amor e compreensão profunda pela aflição do outro.

Prêmio de melhor bailarino pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) em 2007 quando ainda integrava o Balé da Cidade de São Paulo, Dielson é muito prestigiado no mundo da dança e já interpretou coreógrafos renomados como Cayetano Soto (da Espanha), Jorge Garcia (Brasil), Ohad Naharin (Israel), Mauro Bigonzzett (Itália), entre outros.

Pernambucano, ele foi, durante anos, um dos principais bailarinos da companhia de Deborah Colker. Com ela Dielson interpretou e protagonizou alguns espetáculos como 4X4, Velox e Tatyanna. Estava escalado para O Cão sem plumas, mas resolveu dar novo rumo à carreira e mergulhar em outro processo de autoconhecimento.

Ficha Técnica:
Intérpetre/Criador: Dielson Pessoa e Melo
Luz: Jathyles Miranda
Trilha e DJ: Lucas Ferraz
Classificação: 16 anos

O Silêncio e o Caos na Mostra Brasileira de Dança
Quando: Sábado (12/08) às 20h
Onde:Teatro de Santa Isabel. Praça da República, Bairro de Santo Antônio, Centro
Ingressos: R$ 10 (meia) e R$ 20

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Meteram a colher nas peças de Shakespeare

Comédia Shakesfood mistura gastronomia e Teatro de Objetos. Foto: Ricardo Maciel / Divulgação

Comédia Shakesfood mistura gastronomia e Teatro de Objetos. Foto: Ricardo Maciel / Divulgação

William Shakespeare é massa boa! Fonte praticamente inesgotável de inspiração. Agora, o bardo inglês foi convocado para uma festança gastronômica, onde o prato principal se mostra a ironia que cerca a proliferação de restaurantes no Recife e o recuo dos espaços teatrais. Shakesfood  estreia nesta sexta-feira (11/08), às 20h, no Teatro Apolo,

Para os atores Diógenes D. Lima e Thiago Ambrieel, teatro não é um bom negócio para ganhar dinheiro. “Teatro não é a bola da vez. A gastronomia está com tudo. Tem programas em todas as emissoras de TV, reality show. O povo sai de casa para ir ao restaurante e não para ir ao teatro”, comenta Diógenes, também autor e diretor do trabalho.

Partindo dessa premissa, eles resolvem transformar a sala de espetáculo em salão de restaurante. Os espectadores viram fregueses que irão provar das iguarias preparadas pelos chefs.

A peça está dividida em três histórias. Hamlete, que é um omelete; Macbeth infeliz, um hambúrguer que quer tomar o poder; e o tradicional doce Romeu e Julieta. Como num fast food, os clientes recebem uma senha e são chamados pelo painel eletrônico. A inspiração é nas três tragédias shakespearianas, mas eles se atrapalham mesmo na hora de preparar as receitas. A critica se pretende nos trocadilhos e no humor. O público é convidado a experimentar os sabores e dissabores das histórias. Samuel Nóbrega, que assina a trilha sonora, entra em cena como assistente de cozinha.

Na montagem, os artefatos de cozinha são usados na dramaturgia. Shakesfood é a segunda experiência de Diógenes com Teatro de Objetos – uma vertente do Teatro de Animação, na qual se utilizam objetos prontos no lugar de bonecos, o que possibilita a construção de novos sentidos. 

Diógenes D. Lima e Thiago Ambrieel leva para cozinha três tragédias do bardo inglês

Diógenes D. Lima e Thiago Ambrieel leva para cozinha três tragédias do bardo inglês

SERVIÇO
Shakesfood
Quando: De 11 a 20 de agosto, sextas e sábados, às 20h, e domingo, às 19h
Onde: Teatro Apolo – Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife.
Quanto: R$ 40 e 20 (meia-entrada). À venda na bilheteria do teatro duas horas antes do espetáculo e pelo site Sympla
Classificação: 14 anos
Informações: (81) 99982-2910 | https://www.facebook.com/shakesfoodrecife/

FICHA TÉCNICA
Texto e direção: Diógenes D. Lima
Elenco: Thiago Ambrieel e Diógenes D. Lima
Assistência de direção: Thiago Ambrieel
Trilha sonora original: Samuel Nóbrega
Supervisão artística: Jorge de Paula
Direção de produção: Luciana Barbosa
Direção de arte: Diógenes D. Lima
Light designer: Jathyles Miranda
Cenotécnica: Eduardo Autran
Adereços: Altino Francisco
Programação Visual: Sócrates Guedes
Fotografia: Ricardo Maciel
Assessoria de Imprensa: Flora Noberto

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Quatro visões sobre Dinamarca, do Magiluth

Dinamarca. Grupo Magiluth. Foto: Ivana Moura

Dinamarca. Grupo Magiluth. Foto: Ivana Moura

 

Dinamarca estreou na semana passada com apresentações lotadas e despertando muitas discussões pós-teatro. O novo espetáculo do Magiluth é inspirado em Hamlet, de Shakespeare, mas sua pulsação é o presente, a crise da humanidade e as questões políticas. Eles discutem a ideia de hygge, palavra que contém o segredo da felicidade dinamarquesa, a partir de uma festa de casamento, em que todos bebem espumante, inclusive o público, pelo menos uma tacinha. O coletivo faz uma segunda minitemporada, agora no Teatro Barreto Júnior, no Pina, às sextas-feiras deste mês.

Como novos espaços de crítica são muito bem-vindos e as vozes se multiplicam nas mídias sociais, resolvemos reunir e documentar aqui quatro opiniões postadas no facebook: de um escritor, uma atriz, um encenador e um pesquisador.

Ficha técnica
Direção:Pedro Wagner
Dramaturgia:Giordano Castro
Elenco:Bruno Parmera, Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Mário Sergio Cabral e Lucas Torres
Desenho de Som:Miguel Mendes e Tomás Brandão (PACHKA)
Desenho de Luz:Grupo Magiluth
Direção de Arte:Guilherme Luigi
Fotografia: Bruna Valença
Design Gráfico: Guilherme Luigi
Técnico: Lucas Torres
Realização: Grupo Magiluth

Serviço:
Dinamarca
Quando: Sextas de agosto, às 20h
Onde: Teatro Barreto Júnior, Pina
Quanto: R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada) na bilheteria ou https://www.sympla.com.br/eventos/recife-pe?s=Dinamarca
Duração: 1h20min
Classificação: 16 anos

Erivaldo e Pamero. Foto: Ivana Moura

Erivaldo e Pamero. Foto: Ivana Moura

SOU OFÉLIA. AQUELA QUE O RIO NÃO CONSERVOU
                                                                                                                         SIDNEY ROCHA 

Edgar Alan Poe diz, n’A Filosofia da Composição, texto-base em nosso Curso Escrita Criativa:[…] “A morte”. “E quando esse assunto, o mais triste de todos, é também o mais poético?”. [….] “Quando ele se alia intimamente com a beleza. Logo a morte de uma bela mulher é, sem dúvida alguma, o tema mais poético do mundo”.
Quando assisto a adaptações inspiradas em Hamlet, me preocupo em enxergar a imagem de Ofélia, não a imagem da ninfa, morta pelos pecados do Outro, mas sobretudo Ofélia, a mulher, que, na maioria das adaptações, vive só porque Hamlet existe, e não vive nem existe para si mesma; a que “o rio não conservou”, lembrada logo no começo do texto pancadão de Dinamarca [Grupo Magiluth, 2017], Ofélia boiando no rio, porque “A água é a pátria das ninfas vivas, é também a pátria das ninfas mortas. É a verdadeira matéria da morte bem feminina”, disse Bachelard. 

Ontem, quando Ofélia se materializou líquida & invisível sob a luz em Dinamarca eu ganhei a noite. Logo após, naquele carrossel fantástico, a Rainha [Giordano Castro] põe todos contra a [quarta-]parede: “O que você sabe sobre mulher? Você sabe o que é uma mulher? Você sabe o que é ser uma mulher? […] Você não conhece porra nenhuma.” Me lembrei das minhas conversas com Cida Pedrosa e& Renata Pimentel:
– Onde se encaixa o conceito “Lugar da Fala” (ou talvez Lugar do Silêncio) de cada um, ou cada uma?

Mas fiquei pensando mesmo foi na beleza e na morte, e em Allan Poe, e na morte de Ofélia como “texto” e nunca como “imagem”, no Teatro.

E dá pra pensar em tudo isso vendo Dinamarca? Dá. E dá pra ver e pensar muito mais. Dá pra sentir o gosto do beijo e do sangue na boca dos personagens, nós, esmagados pelo vapor, sob o impacto da valsa dos nossos desejos.

“Somos felizes, não somos? Somos amigos, ou não somos?”

Está tudo desmoronando em Dinamarca.

E isso não é uma metáfora. Nem uma indireta.

É o fim dos ‘bons modos’. A extravagância, e ela me fez lembrar meu Fernanflor [Iluminuras, romance, 2016] O hipnotismo. O fim da festa. A morte.

O Magiluth me atingiu pela segunda vez. Mas é só a segunda vez que vejo o grupo atuar.
O espetáculo mais sincero que vi nesses últimos meses.

  • Sidney Rocha é escritor
Dinamarca. Foto: Ivana Moura

Dinamarca. Foto: Ivana Moura

NA DINAMARCA SOMOS TODOS UM

                                                                                                   MÁRCIA CRUZ

E no distante reino de pessoas cor-de-olhos-azul-bic, o pulso, ainda pulsa! Ao menos, naquele proposto pelo Grupo de Teatro Magiluth. As portas do teatro se abrem e o jogo é completamente estabelecido, não há como escapar, não tente sequer respirar, não-vai-dar-tem-po! Sugestão: Entregue-se, sem resistências! Eles são feras famintas, estão ávidos para iniciar o jogo e mais, eles estão precisos.
A ofegância das batatas deu espaço para elegância, e aqui não me refiro ao ambiente de festa e sim à precisão de quem se busca, de quem mergulha em si mesmo e aprofunda-se naquilo que investiga. Falo dos atores. Mas afinal o que há de tão extra-ordinário nesta montagem baseada em Hamlet, de Shakespeare? Vou falar apenas sobre Aquilo que meu olhar guardou para você, a estrutura narrativa do espetáculo.
Em Shakespeare a narrativa ímpar é totalmente construída sobre as personagens, no caso um príncipe, uma mãe, um tio, um fantasma e, em meio a tudo isso, Ofélia. Em Dinamarca, essas personagens estão diluídas, e o que é potencializado é o discurso. Ele foi mastigado, deglutido e digerido pelo grupo.
Em Dinamarca, Hamlet está nos poros e na musculatura dos atores. É atual, é local, é universal, só não é do Reino de Deus, não mesmo. E mais, o discurso é o cerne de toda ação e toda a ação está em constante pulsAção. Esse movimento remexe águas profundas, comunica como água, com fluidez, toca, significa e, de quebra, esse novo discurso-movimento-rítmico proposto pelo Magiluth ao Hamlet traz à tona duas personagens que no texto original ficam em segundo plano, mas em Dinamarca ganham luz e força: Gertrudes e Ofélia. A narração ao final do espetáculo dá o arremate entre o tema – poder – e a encenação. Por tudo isso repito, entregue-se, vale muito à pena, até porque na Dinamarca proposta pelo Magiluth, somos todos um. Bravo!

Márcia Cruz é atriz 

Erivaldo . Foto: Ivana Moura

Erivaldo . Foto: Ivana Moura

A MASSA PODRE

                                                                  MARCONDES LIMA

 

A massa, podre e inerte, culpando os poderosos. Ela está assim na nossa e na Dinamarca de outros. Onde a única diferença entre PODRE e PODER está na migração de um R. 
Quando os discursos sofrem de falências múltiplas de sentidos é necessário que busquemos outros tantos. Fique sentido. Faça sentido. Tome um sentido. Encontre um sentido. Sinta-se, esclareça-se, pense-se para chegar a algum que possa chamar de seu. Sentido também pode ser uma expressão de atenção e cuidado. Duas coisas de que precisamos muito hoje em dia. Então vá ver a vociferação cênica dos Magiluth. Vá se irmanar com outros na desconstrução e construção de sentidos. Teatro também serve pra isso.

Agora se você é daquelas pessoas que não conseguem deglutir metáforas e preferem tudo mastigadinho, pastoso ou liquefeito, se agarre com um pratinho raso de papa do tipo televisiva e rala. Mas vou avisando: ficar no seu pequeno e recluso conforto e satisfação não lhe levará a lugar algum. Nem o trará a si mesmo.
Vai lá criatura. Eu fui.

 

Marcondes Lima é encenador

 

O garotinho levando uma lição de sua mãe. Foto: Ivana Moura

O garotinho levando uma lição de sua mãe. Foto: Ivana Moura

EM DINAMARCA, MAGILUTH TE CONVIDA A UMA FESTA, MAS, CUIDADO, UM GOSTO AMARGO PODE PERDURAR!

                                                 LEIDSON FERRAZ

Não se engane. Após toda festa regada a muita bebida – entre outras drogas lícitas e ilícitas servidas a rodo – é bem provável que uma “bad trip” te persiga após a farra dantesca. Pois é mais ou menos isso que o Grupo Magiluth propõe com o seu novo espetáculo, Dinamarca. A obra é farrista, mas, acima de tudo, política, para além do que a palavra possa conter em seu sentido inicial. Em tempos de Golpe declarado, num país completamente desacreditado por conta dos homens e mulheres que o conduzem, com verdadeiras facções apologéticas em confronto permanente, o maior pecado não permitido é ficar, hoje, inerte. “Se não há nada mais a fazer, aproveitemos a festa. Sobe o som…”, grita mais ou menos isto um dos integrantes do grupo em determinado trecho. A proposta é cínica e cai como uma luva em tempos de apatia quase generalizada.

É nesta ferida que os magiluthianos estão colocando o dedo, ou melhor, entram com tudo dentro. E usam a metáfora do país quase perfeito, a Dinamarca, para expor nossos desejos mais recônditos: ser o que não somos realmente. Ao abrir-se a porta do teatro, os atores Giordano Castro, Lucas Torres , Mário Sergio Cabral, Erivaldo Oliveira e Bruno Parmera preparam uma confraternização para os convidados, com direito a champanhe para todos, e reforçam com tanta ênfase o estado de alegria e companheirismo, que de antemão já dá para descobrir que seremos cúmplices de uma mentira reinante. Tudo o que é dito e feito é dúbio, corrosivo, sacana. E rimos da própria podridão que há em cada um de nós, tendo como referência maior aquele país tão soberbamente rico financeiramente e gélido nas relações humanas.

A obra teve como disparadores iniciais algumas personagens da peça Hamlet, de William Shakespeare, minimamente apontada aqui e ali em seu núcleo familiar, pois o que o Grupo Magiluth pretende é expor a imundície ética e de caráter que nos corrói. A brincadeira ácida dissolve o pretenso politicamente correto e, pelo simples desejo da perfeição nórdica, inclusive das características físicas dos seus cidadãos, põe para fora todos os dissabores em sermos o que somos e, a contrapelo, nos faz ver a enorme quantidade de preconceitos, rancores, indecências, ódios, abusos e intolerâncias que carregamos, incluindo questões como supremacia racial, de gênero, de cor e condição social. É uma iniciativa pulverizada de referências do tempo presente, certamente fruto de muitas discussões e experimentações em sala de ensaio.

A ideia é derrubar tudo o que há na bela mesa posta aos convidados, literalmente, e revelar nossos desejos mais sórdidos sobre o próximo. Afinal, dê poder a um ser e ele mostrará quem é na sua essência. Há podridão em todo lugar, claro. E neste bolo de gente de um “reinado de aparências” é que se mostra a faceta mais cruel da humanidade: daqueles que arrotam felicidade suprema e não estão nem aí para os outros. Ou seja, uma festa de “bacanas” nem tão bacanas assim. Para aquele público mais jovem que teima em dialogar com os rapazes do Grupo Magiluth apenas pelo riso frouxo, é uma segunda “porrada” para frustrar expectativas, pois a primeira já foi dada em O Ano Em Que Sonhamos Perigosamente, produção de 2015, também com o encenador Pedro Wagner à frente. Aliás, as duas montagens dialogam profundamente.

Alguns procedimentos estilísticos vistos ali voltam como parte da assinatura de Pedro Wagner, com potência para bem mais. Lá estão a dancinha do conjunto, os beijos engolidores, a nudez sem desembaraço, os fios e microfones maltratados, o liquidificar de clássicos da dramaturgia, os abraços profundos e até a farinha nos rostos. Coincidência ou não, nos remetem a uma possível sequência de opções em recorrência. O fato é que Pedro Wagner se revela um encenador que sabe manejar com referências estilhaçadas e fragmentos. Pode até não agradar em nada aos mais tradicionais, mas consegue induzir seu elenco a composições de escrita – é Giordano Castro quem assina a dramaturgia – e de cena muito interessantes. Tudo é estranho, caótico, imprevisível, e aqui estes termos são como vantagem na sua composição de encenação, porque imprimem um à vontade essencial para o elenco magiluthiano.

Não há grandes momentos individuais dos intérpretes, pois o coletivo se coloca bem em cena, mas é inegável que Giordano Castro conquista em seus arroubos de pretensa agressividade como Gertrudes, a fragilidade inicial que se revela despótica na mulher-mãe, assim como na versão mais mefistofélica de Claudius, o tio de Hamlet, que matou o próprio irmão (é de extrema ironia o uso do “garotinho mimado” em seu discurso ao sobrinho, impossível não se remeter a um corrupto político brasileiro). E podem até me achar careta neste apontamento, mas sinto que o uso da palavra está cada vez melhor no elenco – uma das fragilidades mais visíveis para mim nos trabalhos anteriores, com progressão notável em O Ano Em Que Sonhamos Perigosamente”. Lucas Torres é ainda quem menos parece à vontade com o texto e a projeção e articulação das palavras, principalmente nas falas iniciais quase inaudíveis – ditas após uma vigorosa demonstração de intimidade com a cerveja/clarim imperial, numa ótima sacada. Erivaldo Oliveira, Mário Sérgio Cabral e Bruno Parmera divertem-se em cena, o que é muito bom para a proposta.

A montagem conta com direção de arte de Guilherme Luigi, luz do próprio coletivo e trilha sonora executada ao vivo pelo duo Pachka (a dupla Miguel Mendes e Tomás Brandão) que põe som pop e brega e utiliza dispositivos eletrônicos, principalmente para reverberação das vozes, durante toda a encenação. Estruturalmente, ainda há algo para se resolver na dramaturgia, principalmente nos finais falsos criados – a cena da Ofélia, a jovem namorada de Hamlet que se suicida e teve seu vestido esgarçado no rio, aqui posta como a garota que dança com fitas esvoaçantes, promete uma poeticidade que não acontece, e pode ser condensada. Digo isto porque entre gritos, estouros e rompantes, há sarcasmo em excesso, assim como recorrências de humor que poderiam ser suprimidas por retornarem com muita frequência. O mesmo se dá com frases que parece já terem sido ditas pouco antes, e alongam a montagem mais do que o necessário.

No entanto, há um apelo importante em Dinamarca que é bastante significativo: a peça tem assinatura estética e de discurso muito própria sobre o que e como eles querem dizer. Tanto que ao final sugestivamente apocalíptico, bastante provocador, ao nos lançarem uma pergunta-metáfora em bela cena, “O que fazer se as dinastias cíclicas continuarão?”, impossível não sair mexido. Provoque-se, então. Tente vê-los!

Leidson Ferraz é pesquisador

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