MITpb celebra cena pernambucana

Mostra este ano será realizada em Sousa e Cajazeiras, no Sertão da Paraíba

Mostra este ano será realizada em Sousa e Cajazeiras, no Sertão da Paraíba

A MITpb – Mostra Internacional de Teatro da Paraíba parece seguir as notas da canção de Milton Nascimento quando diz que “todo artista tem de ir aonde o povo está”. Se a primeira versão ocorreu em João Pessoa, a segunda se espalhou do litoral ao Sertão, da capital paraibana, para Campina Grande, Guarabira, Alagoa Grande, Patos, Sousa e Cajazeiras. A terceira edição, mais reduzida, finca os holofotes nas cidades de Sousa e Cajazeiras, no Sertão paraibano, para celebrar a cena pernambucana, com um programa que ocorre entre 25 a 30 de abril.

O coordenador da mostra, Luciano Santiago, escolheu cinco produções para traçar um pequeno mosaico do que é feito em Pernambuco: h(EU)stória – O Tempo em Transe, sobre o cineasta Glauber Rocha, o infantil Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo, e os três monólogos – O Velho Diário da Insônia, A Receita e O Mascate, a Pé Rapada e os Forasteiros. O jornalista e pesquisador Leidson Ferraz irá falar sobre a história do Teatro Pernambucano. Todas as atividades são gratuitas.

A abertura e atração internacional cabe ao Bonequeiro Ernesto Franco do grupo uruguaio Títeres Del Timbó. Ele vai defender dois espetáculos : Ladrón de Lechugas, na abertura em Sousa, e Historias de Un Circo En La Lona, no encerramento, na cidade de Cajazeiras.

Daqui para frente, a MITpb pretende homenagear outros estados e também pisar em outros solos do Nordeste. A 3ª MITpb tem o patrocínio do Banco do Nordeste, através do edital de Patrocínios Culturais de 2016.

PROGRAMAÇÃO

25/04 – 19h30

Ladrón de Lechugas, espetáculo do Uruguai abre a mostra em Souza

Ladrón de Lechugas, espetáculo do Uruguai abre a mostra na cidade de Sousa

Ladrón de Lechugas (Títeres del Timbo/ Uruguai)
Espetáculo de títeres de mesa. Um velho resiste numa chácara e é ameaçado por um insólito ladrão de verduras. Realidade ou devaneio do agricultor?
Dramaturgia, direção e produção: Títeres del Timbó
Duração: 45 min
Classificação etária: Livre
Local: Centro Cultural Banco do Nordeste – Sousa

26/04 – 19h30

Alessandro Moura atua, dirige e assina a dramaturgia de O Velho diário da insônia

Alessandro Moura atua, dirige e assina a dramaturgia de O Velho diário da insônia

O Velho Diário da Insônia (GITA – Grupo Independente de Teatro Alternativo/ Recife – PE)
Alessandro Moura expõe histórias de sua infância e adolescência em Goiás. Numa noite de insônia, um homem medita sobre o tempo, o abandono e a velhice.
Encenação, Texto e Interpretação: Alessandro Moura
Supervisão Cênica: Márcia Cruz
Participação especial: Talles Ribeiro
Desenho de luz: Fábio Calamy
Duração: 45 minutos
Classificação etária: 14 anos
Local: Centro Cultural Banco do Nordeste – Sousa

27/04 – 19h30

Márcio Fecher e Júnior nos embates pelo pensamento de Glauber Rocha

Márcio Fecher e Júnior Aguiar nos embates pelo pensamento de Glauber Rocha

h(EU)stória – O Tempo Em Transe (Coletivo Grão Comum/ Recife – PE)
A partir das cartas trocadas entre o cineasta baiano Glauber Rocha e o poeta Jomard Muniz de Britto a peça expõe o estado febril de um artista que perscrutou o Brasil.
Elenco: Márcio Fecher e Júnior Aguiar
Encenação e roteiro: Júnior Aguiar
Operador de luz e áudio: Felipe Silva
Música original: Geraldo maia, Juliano Muta e Leonardo Villa Nova
Áudios: Glauber Rocha (programa abertura), Marisa Santanafessa (italiano) e Darcy Ribeiro (enterro de Glauber – Filme Glauber o filme – labirinto do Brasil), Trecho dos filmes Deus e o diabo na terra do Sol e Terra em Transe
Audiovisual: Gê carvalho
Desenho dos figurinos: Asaías Lira
Identidade visual: Arthur Canavarro
Diretor de produção: Márcio Fecher
Produção executiva: Andrezza Alves
Classificação etária: 18 anos
Local: Centro Cultural Banco do Nordeste – Sousa

28/04 – 19h30

A Receita é um solo com Naná Sodré. Foto: Fernando Azevedo

A Receita é um solo com Naná Sodré. Foto: Fernando Azevedo

A Receita (O Poste Soluções Luminosas/ Recife – PE)
Uma mulher em processo de libertação. Depois de anos, décadas de opressão, entre a cozinha e a servidão, a protagonista se rebela.
Texto, direção, iluminação, sonoplastia e Figurino: Samuel Santos
Duração: 40 min
Atuação, Maquiagem, Figurino: Naná Sodré
Fotografias: Thaís Lima
Produção: O Poste Soluções Luminosas
Classificação etária: 15 anos
Local: Centro Cultural Banco do Nordeste – Sousa

29/04 – 14h

Jornalista e pesquisador Leidson Ferraz. Foto: Ivana Moura

Jornalista e pesquisador Leidson Ferraz. Foto: Ivana Moura

PALESTRA
Leidson Ferraz (Pesquisador e jornalista)
Histórias contadas e cantadas do Teatro Pernambucano.
Classificação etária: Livre
Local: Centro Cultural Banco do Nordeste – Sousa

29/04 – 16h

Chico e Flor. Foto Rubens Henrique / Divulgação

Chico e Flor, espetáculo infantil de Petrolina (PE). Foto Rubens Henrique / Divulgação

Chico E Flor Contra os Monstros Na Ilha do Fogo (Cia Biruta/ Petrolina-PE)
Esse barqueiro conhece bem o São Francisco. Ele sonha em reencontrar os pais que sumiram numa viagem de barco. E terá que enfrentar e destruir os monstros na Ilha do Fogo.
Atuação direção, texto e concepção de cenário e formas animadas: Antonio Veronaldo
Atuação e criação de figurinos: Juliene Moura
Criação de figurinos, adereços e formas animadas: Paulo Júnior
Criação de trilha sonora e efeitos de sonoplastia: Moesio Belfort e Carlos Hiury 
Criação de luz: Carlos Tiago Alves Novais 
Produção executiva e apoio técnico: Cristiane Crispim 
Concepção de cenário e arte gráfica: Uriel Bezerra  
Execução de luz: Deborah Harummy 
Contrarregra e comunicação em mídias alternativas: Camila Rodrigues
Contrarregra e apoio técnico: Letícia Rodrigues
Classificação etária: Livre
Local: Centro Cultural Banco do Nordeste – Sousa

29/04 – 19h30

Diógenes D. Lima transforma Recife e Olinda em personagens

Diógenes D. Lima transforma Recife e Olinda em personagens

O Mascate, a pé rapada e os Forasteiros (Cia. De Teatro Cínicas com Objetos/ Recife – PE)
Teatro de Objetos com Diógenes D. Lima traça uma crítica/celebração à trajetória de Olinda e Recife com muito humor.
Texto e Atuação: Diógenes D. Lima
Supervisão Artística: Marcondes Lima e Jaime Santos
Coreografias: Jorge Kildery
Adereços: Triell Andrade e Bernardo Júnior
Iluminação: Jathyles Miranda
Execução de Iluminação: Rodrigo Oliveira
Execução de sonoplastia: Júnior Melo
Programação Visual: Arthur Canavarro
Fotografia: Ítalo lima, Toni Rodrigues, Sayonara Freire e Sócrates Guedes
Cenotécnico: Gustavo Oliveira
Assessoria de impressa: Cleyton Cabral
Gerente de Produção: Luciana Barbosa
Gênero: Comédia
Duração: 60 mim
Classificação etária: 16 anos
Local: Centro Cultural Banco do Nordeste – Sousa

30/04 – 19h30

Historias de Un Circo En La Lona (Títeres del Timbo/ Uruguai)
Aventuras de Zipo (aspirante a palhaço) e Sopa (proprietário do circo) que tocam um circo que está sempre à beira da ruína. Homenagem ao circo e artistas de rua do continente sul-americano.
Dramaturgia, Direção e Produção: Títeres del Timbó
Bonequeiro: Ernesto Franco
Duração: 45 min
Classificação etária: Livre
Apresentação especial na Cidade de Cajazeiras

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É urgente ouvir Paulo Freire

Daniel Barros e Júnior Aguiar atuam em Paideia

Daniel Barros e Júnior Aguiar atuam em pa(IDEIA) – Pedagogia da Libertação

A pedagogia de Paulo Freire para alfabetizar adultos com consciência foi recebida como uma arma mortífera pela ditadura militar brasileira. Seu método defende que “não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho”.

E foi com esse intuito que, em 1963, 300 trabalhadores foram alfabetizados em 40 horas, no município de Angicos (RN). Uma ação revolucionária que ficou conhecida como “Método Paulo Freire” e passou a inspirar o pensamento pedagógico em outros países. Mas no Brasil o programa não durou muito. Menos de três meses depois, já sob o regime militar, a iniciativa foi extinta. A proposta foi considerada subversiva pelos militares e Paulo Freire ficou encarcerado no 14º Regimento de Infantaria, no Recife.

Foram 72 dias na prisão. Certa vez, um capitão do presídio lhe fez o pedido de aplicar o método para os recrutas, pois disse que havia muitos analfabetos entre eles. Ao que o educador respondeu que era exatamente por conta do método que estava ali.
paideia22a

pa(IDEIA) – Pedagogia da Libertação trata da prisão do educador no Recife, seu exílio por 16 anos pela América Latina, Europa e África e narra suas experiências na volta ao Brasil. É o segundo espetáculo da Trilogia Vermelha, do Coletivo Grão Comum / produtora Gota Serena. A primeira é h(EU)stória – o tempo em transe, com foco em Glauber Rocha; e a terceira – pro(FÉ)ta – O bispo do povo – vai visitar a trajetória de Dom Helder Camara.

Os atores Daniel Barros e Júnior Aguiar protagonizam esse espetáculo político, que defende a educação como canal de mudança da humanidade. O espetáculo faz uma sessão hoje (22), no Espaço O Poste, às 20h.

A peça parte de uma longa declaração prestada por Paulo Freire em 01/07/1964 e registrada no inquérito. O pedagogo narra sua trajetória acadêmica e, principalmente, sua posição no mundo como ser crítico, reflexivo e atuante. No espetáculo, a plateia integra uma grande sala de aula. A montagem também utiliza áudios de depoimentos como o do ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes.

A prática dialética defendida por Paulo Freire nos mais de 40 livros salvou milhões da alienação.
A atual situação da educação brasileira, com os constantes retrocessos promovidos pelo presidente catapultado por um golpe e seus asseclas – como a reforma do ensino médio feita sem consulta à sociedade – mostram a necessidade urgente de ouvir a voz de Paulo Freire. Ele que tanto lutou pelo diálogo, pelo caráter democrático da educação.

Em 2009, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça considerou o educador pernambucano como anistiado político, com pedido de desculpas oficiais pelos erros cometidos pelo Estado contra ele. No ano passado, o governo golpista de Temer tentou manchar o nome do educador com algumas manobras na biografia de Paulo Freire. Ficamos com uma frase do pedagogo: “Num país como o Brasil, manter a esperança viva é em si um ato revolucionário.”

 Ficha Técnica

pa(IDEIA) – pedagogia da libertação

Atores: Daniel Barros e Júnior Aguiar
Pesquisa, Roteiro, Encenação e Iluminação: Júnior Aguiar
Música Original: Juliano Muta, Leonardo Vila Nova e Tiago West. Com participações de Glauco César II, Aline Borba, Otiba, Geraldo Maia, Paulo Marcondes, Rodrigo Samico, Publius, Hugo Linnis e Amarelo
Operação de áudio e luz: Roger Bravo
Identidade Visual do cartaz: Arthur Canavarro
Terapeuta Corporal: Mônica Maria
Maquiadora: Luanna Barbosa
Vídeo: Ricardo Maciel
Teaser: Nilton Cavalcanti
Fotografias:  Rogério Alves, Amanda Pietra e Diego di Niglio
Idealização e Produção Geral: Coletivo Grão Comum e Gota Serena
Parceiros e Colaboradores: Márcio Fecher (Gota Serena), Asaías Lira (Zaza), Ingrid Farias, Alexandra Jarocki, Amanda Cristal, Isabelle Santos, Daniel Fialho, Charles Firmino, Jeferson Silva, Quiercles Santana, Rafael Amâncio, Espaço Cênicas, Centro Apolo-Hermilo, Teatro Arraial Ariano Suassuna, Galeria MauMau – Sala Monstro.

Serviço

PA(IDEIA) – PEDAGOGIA DA LIBERTAÇÃO

Quando: 22 de abril (sábado), às 20h
Onde: Espaço O Poste (Rua da Aurora, 529, Boa Vista)
Quanto: R$ 30 e R$ 15 (meia)
Informações: (81) 9 8484-8421

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Arte ambiciosa de Glauber Rocha

Junior Aguiar e Márcio Fecher em H(Eu)Stória - O Tempo Em Transe

Junior Aguiar e Márcio Fecher em H(Eu)Stória – O Tempo Em Transe

O espetáculo h(EU)stória – o tempo em transe emana de um movimento de intimidade – as cartas entre Glauber Rocha e o intelectual pernambucano Jomard Muniz de Britto – para traçar um perfil do cineasta projetado no mapa do Brasil (e do mundo) de um determinado período. Com atuações dos atores Júnior Aguiar e Márcio Fecher, a encenação investiga as feridas e decepções do mentor do Cinema Novo. A peça não dá conta de todas as complexidades dessa figura patrulhada tanto pela direita como pela esquerda brasileira. A visão apocalíptica de mundo fez Glauber se consumir em seu próprio fogo, como constatou o poeta Ferreira Gullar.

A montagem, do Coletivo Grão Comum em conjunto com a produtora Gota Serena, é a primeira parte da Trilogia Vermelha. As outras duas encenações celebram Paulo Freire (Pa(Ideia) – Pedagogia Da Libertação) e Dom Helder Camara (com estreia prevista para 2018). h(EU)stória – o tempo em transe tem sessão nesta sexta-feira (21) na sede do coletivo O Poste, na Boa Vista. Amanhã, sábado (22), será exibido Pa(Ideia) – Pedagogia Da Libertação.

No fundo a peça fala do Brasil e tem muito a dizer sobre os dias atuais

No fundo a peça fala do Brasil e tem muito a dizer sobre os dias atuais

Os atores recebem o público oferecendo o tchai (bebida indiana) na entrada do local da apresentação. Os incensos e o altar-oferenda salientam o tom apocalíptico e profético do protagonista. Os dois começam a peça vestidos de branco e fazem as oferendas no altar dos santos protetores para contar o percurso revolucionário do menino nascido em 14 de março de 1939, às 3:40, em Vitória da Conquista. E que morreu em 22 de agosto de 1981.

Sabemos que a cabeça de Glauber fervilhava de ideias e seu cinema foi nutrido por discursos políticos incendiários, que suas ações desafiaram o poder estabelecido no Brasil. O artista criticou, em algum momento da vida, tanto a direita quanto a esquerda. Seu pensamento e suas ações eram complexas.

O espetáculo faz opções. E não expõe todas as facetas de Glauber. Algum elogio feito aos militares na época da ditadura não são citados na peça. Creio que mais do que não revelar as incoerências desse que é considerado o gênio do cinema brasileiro, a intenção me parece de amplificar a fragilidade humana em sua intimidade, seus conflitos internos e suas dores de se sentir incompreendido e mal interpretado.

A peça expora os arroubos de Glauber, como por exemplo os insultos proferidos durante o Festival de Veneza contra o o francês Louis Malle, para quem perdeu com A Idade da Terra o Leão de Ouro. Mas a montagem não se preocupa em reproduzir as várias versões da verdade ou do fato jornalístico, com seus “inúmeros” lados. É Glauber e suas motivações, ferido e com a carne exposta que vemos.

A dupla materializa as angústias e desejos do cineasta baiano num espetáculo-manifesto, com alta dose de emoção. Prolixo, até barroco, às vezes exagerado, é uma encenação de uma potência singular para pensar o Brasil de ontem e de hoje.

Ficha Técnica

h(EU)stória – o tempo em transe

Atores: Júnior Aguiar e Márcio Fecher
Pesquisa, Roteiro, Encenação e Iluminação: Júnior Aguiar
Música Original: Juliano Muta, Leonardo Vila Nova e Geraldo Maia
Audiovisual: Gê Carvalho Galego e Márcio  Fecher
Operação de áudio e luz: Felipe Hellslaught
Identidade Visual do cartaz: Arthur Canavarro
Terapeuta Corporal: Mônica Maria
Maquiadora: Luanna Barbosa
Vídeo: Ricardo Maciel
Fotografias: Arthur Canavarro, Filipe Mendes (Bugiu), Igor Souto e Moacir Lago
Idealização e produção geral: Coletivo Grão Comum e Gota Serena
Parceiros e Colaboradores: Daniel Barros, Asaías Lira (Zaza), Ingrid Farias, Quiercles Santana, Samarah Mayra, Marisa Santanafessa, Soraya Silva, Rebeka Barros, Espaço Cênicas, Centro Apolo-Hermilo, Teatro Arraial Ariano Suassuna.

pa(IDEIA) – pedagogia da libertação

Atores: Daniel Barros e Júnior Aguiar
Pesquisa, Roteiro, Encenação e Iluminação: Júnior Aguiar
Música Original: Juliano Muta, Leonardo Vila Nova e Tiago West. Com participações de Glauco César II, Aline Borba, Otiba, Geraldo Maia, Paulo Marcondes, Rodrigo Samico, Publius, Hugo Linnis e Amarelo.
Operação de áudio e luz: Roger Bravo
Identidade Visual do cartaz: Arthur Canavarro
Terapeuta Corporal: Mônica Maria
Maquiadora: Luanna Barbosa
Vídeo: Ricardo Maciel
Teaser: Nilton Cavalcanti
Fotografias: Rogério Alves, Amanda Pietra e Diego di Niglio
Idealização e Produção Geral: Coletivo Grão Comum e Gota Serena
Parceiros e Colaboradores: Márcio Fecher (Gota Serena), Asaías Lira (Zaza), Ingrid Farias, Alexandra Jarocki, Amanda Cristal, Isabelle Santos, Daniel Fialho, Charles Firmino, Jeferson Silva, Quiercles Santana, Rafael Amâncio, Espaço Cênicas, Centro Apolo-Hermilo, Teatro Arraial Ariano Suassuna, Galeria MauMau – Sala Monstro.

Serviço:

H(EU)STÓRIA – O TEMPO EM TRANSE
Quando: 21 de abril (sexta), às 20h
Onde: Espaço O Poste (Rua da Aurora, 529, Boa Vista)
Quanto: R$ 30 e R$ 15 (meia)
Informações: (81) 9 8484-8421

PA(IDEIA) – PEDAGOGIA DA LIBERTAÇÃO
Quando: 22 de abril (sábado), às 20h
Onde: Espaço O Poste (Rua da Aurora, 529, Boa Vista)
Quanto: R$ 30 e R$ 15 (meia)
Informações: (81) 9 8484-8421

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Pimentel carrega cruz de Cristo há 40 anos

Paixão de Cristo do Recife chega à 21ª edição. Foto: Laís Telles

Paixão de Cristo do Recife chega à 21ª edição. Foto: Laís Telles

Fico pensando quando o ator José Pimentel parar de fazer o papel de Jesus Cristo. Vai ficar um vazio nesses dias da Semana Santa no Marco Zero. Será que alguém será tão ágil para ocupar o lugar? Não sei. Mas a tenacidade desse artista beira a uma ideia de missão. Não bem entendida por todos. Muitos o condenam por ter se agarrado a esse papel com tanta paixão. Ter colado sua imagem à personagem bíblica, jovem de 33 anos, ele que já passou dos 80. Mas outros (muitos) incentivam e aplaudem sua atuação. Pimentel carrega a cruz de Cristo há 40 anos – 19 em Nova Jerusalém e 21 no Recife. Por prazer. Por acreditar que essa história tem que continuar. Nesta Sexta-feira da Paixão ele sobe mais uma vez ao palco armado na Praça do Marco Zero, no Bairro do Recife, para a temporada 2017 da Paixão de Cristo do Recife. As apresentações ocorrem de hoje (14) a domingo (16), às 20h. E a previsão é que mais de 30 mil pessoas compareçam a cada noite.

Ele é tratado como um pop star por seu público e fãs. Ao terminar cada sessão, muita gente vai falar emocionada com o ator, tirar selfies. Durante muitos anos a produção explorou a “chamada” de “A Paixão de Todos”, por ser gratuita. Concebida em 1997, a Paixão de Cristo do Recife foi encenada no estádio do Arruda durante cinco anos. Depois migrou para o Marco Zero, onde ficou de 2002 a 2005. Em 2006 ocorreu em frente ao Forte do Brum. E desde 2007 ocupa o Marco Zero e se torna uma espécie de renovação de fé em um Ser que se sacrificou pela humanidade. O calvário de Jesus é uma das poucas coisas que comovem esse mundo tão embrutecido. Essa representação mobiliza multidões.

Cena da Crucificação em Nova Jerusalém, onde o ator interpretou Jesus por 19 anos. Foto: Arquivo José Pimentel

Cena da Crucificação em Nova Jerusalém, onde o ator interpretou Jesus por 19 anos. Foto: Arquivo José Pimentel

Pimentel está certo que “encarnar” Cristo o tornou uma pessoa melhor. Gosta de repetir que o mandamento “Amai-vos uns aos outros” deveria ser utilizado em todos os momentos da nossa existência. Agora mais do que nunca, com tanta violência e ódio multiplicado em todas as instâncias. Para ele, a peça também é uma lição de vida.

As dificuldades para fazer o papel foram maiores neste ano. Em dezembro passado, o ator, diretor e autor do texto passou 12 dias internado depois de se submeter à cirurgia para tratar uma hérnia inguinal e de complicações como uma embolia pulmonar. Mas seu histórico como fisiculturista e o hábito de realizar exercícios físicos regulares ajudaram na recuperação.

O papel exige muito. As cenas da crucificação e levitação de Jesus Cristo, por exemplo, são exaustivas. E mesmo que o pulmão não esteja 100%, ele descartou qualquer possibilidade de ter um dublê. “Não iria enganar a plateia com um dublê. Muitas das pessoas que lotam o Marco Zero me acompanham há anos. Não seria justo com elas”.

Temporada em 2017 vai de sexta a domingo, no Marco Zero. Foto: Wellington Dantas/ Divulgação

Temporada em 2017 vai de sexta a domingo, no Marco Zero. Foto: Wellington Dantas/ Divulgação

Cem atores e 300 figurantes ocupam a estrutura montada no Marco Zero, com três plataformas onde as cenas são desenvolvidas. Os cenários são assinados por Octávio Catanho e os figurinos por Edilson Rygaard (saudoso ator da Trupe do Barulho) e Roberto Costa.

No elenco estão Angélica Zenith no papel de Maria; Gabriela Quental faz Madalena; Renato Phaelante, do Teatro de Amadores de Pernambuco, interpreta Caifás; Pedro Souza, Pilatos; e Ivo Barreto, do Coletivo Angu de Teatro, defende o personagem Judas.

José Pimentel investiu sua carreira nos megaespetáculos ao ar livre e também leva sua assinatura como dramaturgo, ator e diretor de O calvário de Frei Caneca, Jesus e o Natal, Batalha dos Guararapes, A Revolução de 1817 e o mais recente, O massacre de Angico – A morte de Lampião, encenado em Serra Talhada, no Sertão pernambucano.

Desde o início da Paixão de Cristo do Recife Pimentel vive nessa peleja. Todo ano é a mesma dificuldade de produção. Os apoios governamentais são insuficientes, segundo o artista. Os patrocínios não chegam. E ele não desiste. Pelo menos até agora. O artista conta que precisaria de R$ 800 mil para cobrir todos os custos, mas a produção só conseguiu metade deste valor. É um milagre que Pimentel realize essa Paixão de Cristo há 21 anos. “Posso segurar a cruz! ”, diz resistente.

SERVIÇO
21ª PAIXÃO DE CRISTO DO RECIFE
Quando: 14, 15 e 16 de abril, às 20h
Onde: Praça do Marco Zero, Bairro do Recife
Quanto: Gratuito

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Minha cabeleira por uma boa tietagem

As Perucas de Bibi faz curta temporada no Teatro Apolo. Foto: Reprodução do Facebook

As Perucas de Bibi faz curta temporada no Teatro Apolo. Foto: Reprodução do Facebook

Gosto da autoironia de Henrique Celibi. Diante de um cenário em que os artistas são tão autocomplacentes com seus limites é uma pequena mina encarar um artista irreverente, que desacata os acordos silenciosos da troca de elogios. Insolente, ele expõe as pequenas máculas de caráter do recifense com um pertinente senso de humor. Autor do fenômeno teatral Cinderela – a história que sua mãe não contou, Celibi escreveu outras pequenas histórias, algumas inspiradas nos contos infantis, deslocadas para a periferia da Região Metropolitana do Recife. Sempre com personagens aloprados.

Na peça As perucas de Bibi, ele explora a rivalidade entre cabeleireiras que trabalham no meu salão de beleza. Amigas, ma non tropo, as penteadoras são tietes de duas artistas diferentes. E elas defendem suas divas como os cafuçus torcem pelos times de futebol, com devoção. Para apimentar a encrenca, ocorrem dois assassinatos e um homem de farda aparece para investigar. Mas é tudo na base do escracho.

Escrita em 1993, para a Trupe que Vier eu Traço, da qual Celibi fazia parte na época que morou no Rio de Janeiro, a montagem teve uma única apresentação no Festival Carioca de Novos Talentos. No Recife foi encenada por Jaison Wallace (a eterna Cinderela) e fez apenas 10 apresentações numa casa de shows no subúrbio da cidade.

Elenco

Sharlene Esse e Henrique Celibi (de branco) protagonizam a peça. Foto: Reprodução da internet

Léo Albuquerque, Renê Ribeiro, Ítalo Lima e Sharlene Esse, além de Celibi (que também dirige o espetáculo) estão no elenco de As Perucas de Bibi e formam o Grupo Tattoo, que no ano passado remontou Cinderela, a bicha Burralheira.

Serviço
Espetáculo As perucas de Bibi
Quando: 14, 15, 16, 21, 22 e 23 de abril. Sextas e sábados, às 19h, e domingos, às 18h.
Onde: Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)
Quanto: R$ 30 e R$ 15 (meia). Nos dias 14, 14 e 16, meia entrada para todos.
Informações: 3355-3320.

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