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Magiluth no reino feliz da Dinamarca

Magiluth estreia Dinamarca, 9º espetáculo do grupo. Foto: Bruna Valença

Magiluth estreia Dinamarca, 9º espetáculo do grupo. Foto: Bruna Valença

Não é de hoje que o Magiluth pensava em enveredar por uma dramaturgia clássica. Lembro que, quando o grupo estava prestes a comemorar dez anos, o ator e dramaturgo Giordano Castro falava com entusiasmo em Otelo. A vida foi levando para outros caminhos, mas no processo de criação do espetáculo anterior, O ano em que sonhamos perigosamente (2015), eles chegaram a cogitar utilizar trechos de Shakespeare em meio ao caos fragmentado que se tornou a encenação; na ocasião, Tchékov se impôs, cabia perfeitamente, e ocupou quaisquer possíveis espaços. Ao decidirem continuar investigando o tempo presente, nas palavras do ator e diretor Pedro Wagner, “um terreno fértil para golpes, para uma direita extremamente conservadora que está tomando conta de todo os lugares do mundo”, chegaram a Hamlet.

Dinamarca, no entanto, que estreia nesta quarta-feira (2), no Teatro Marco Camarotti, no Sesc Santo Amaro, no Recife, não se trata de uma adaptação ou versão do bardo inglês. Shakespeare foi ponto de partida, mas pelas palavras dos integrantes do grupo, talvez funcione mais como esteio ou trampolim. Trechos, frases e sentidos de Shakespeare estão lá, mas não a linearidade, ou mesmo todos os personagens. “Dinamarca só existe porque existiu O ano. Entendemos que a maneira como a gente estava dialogando com o texto vinha da atmosfera e das coisas que tínhamos discutido enquanto dramaturgia ou exercício de cena para a criação do Ano“, explica Pedro Wagner, que assume a direção e, desta vez, não integra o elenco. “Não foi uma escolha inicial de ter um olhar de fora para dirigir. O que aconteceu foi que passei muito tempo durante os ensaios fazendo outros trabalhos, no audiovisual, no teatro com Felipe Hirsch e, quando voltei, o jogo entre os meninos já estava muito estabelecido. Era difícil conseguir me inserir. Foi incompetência minha mesmo”, brinca. Estão no elenco Giordano Castro, que também assina a dramaturgia, Erivaldo Oliveira, Lucas Torres, Mário Sérgio Cabral e o estreante Bruno Parmera (que já estava em cena substituindo Pedro Wagner em apresentações de Luiz Lua Gonzaga, mas ainda não tinha participado efetivamente de um processo de criação com o grupo).

O personagem disparador para as discussões que o grupo pretende levar à cena foi Claudius, tio de Hamlet, que casa com a cunhada um mês depois da morte do rei, pai de Hamlet. “Ele fala pro Hamlet que está tudo bem, que ele é como um filho, que Hamlet não pode ficar chorando pra sempre. Isso nos interessava, esse estado de saber que não está tudo bem, mas olhar no olho e fazer o outro acreditar nisso”, diz Wagner. No espetáculo, um grupo de pessoas participa de uma festa de casamento. Dizem beber, mesmo que não haja nenhuma bebida. Evitam conflitos. Querem viver momentos agradáveis. “No Ano, aquele grupo estava no epicentro de um furacão. Agora, estamos na periferia, e pensamos que esse furacão não nos afeta. Vivemos em bolhas. Você só vê o que quer ver, só lê o que quer, e aí desperdiçamos a possibilidade de diálogo, de crescimento, de perceber que existem pontos revelantes do outro lado. Essas bolhas não são privilégio da esquerda ou da direita”, defende Giordano Castro.

Há também uma tentativa de problematizar nossa identidade em relação ao que nos parece um modelo a ser seguido. “Elsinore não cabe na Dinamarca contemporânea, o povo mais feliz do mundo, que está em todas as listas de melhor distribuição de renda, qualidade de vida. O que seria tentar ser esse dinamarquês aqui? Vestir essa camisa que não me cabe, mas que eu tento vestir mesmo assim?”, questiona o diretor. O que pode significar, por exemplo, Erivaldo Oliveira dizer que é dinamarquês, tem olhos azuis e cabelos ruivos? Mesmo sendo óbvio que não? A felicidade a todo custo, que se instaura teoricamente pela ausência de conflitos, é uma das questões em Dinamarca.

Ainda que seja uma decorrência do O ano em que sonhamos perigosamente ( e não há a decisão sobre uma possível trilogia) a relação que o grupo vai tentar construir com o espectador é outra. Digamos…mais palatável. Talvez pela dramaturgia menos entrecortada, menos cheia de referências, por uma construção mais fluida de pensamento. Ainda assim, avisa Giordano Castro, “pedimos que as pessoas cheguem mais perto, mas não tão perto assim”, ri. De qualquer forma, as influências, seja do pop, do brega, de fácil identificação e adesão, presentes em muitos trabalhos do Magiluth, em certa medida estão de volta. Pode aguardar David Guetta ou Leonardo Sullivan, por exemplo. “Quando o amanhã chegar, vou te esperar sorrindo”, assumem em algum momento. Será mesmo?

Espetáculo é uma consequência da montagem anterior, O ano em que sonhamos perigosamente

Espetáculo é consequência da montagem anterior, O ano em que sonhamos perigosamente

Um dos destaques no trabalho deve ser a trilha sonora executada ao vivo pelo duo Pachka, formado pelos músicos Miguel Mendes e Tomás Brandão (os mesmos que trabalharam com a Remo Produções em Rei Lear). Eles fazem música não só com instrumentos, mas com dispositivos eletrônicos, e participaram de todo o processo de criação do espetáculo ao lado do Magiluth. O grupo também contou com a colaboração de Giovana Soar e Nadja Naira, da Companhia Brasileira de Teatro, como provocadoras, e voltaram a trabalhar na direção de arte com Guilherme Luigi.

Depois das poucas apresentações no Teatro Marco Camarotti (dias 2, 3, 5 e 6, às 20h), o Magiluth segue para o Barreto Júnior, no Pina. Provavelmente, no mês de setembro, o grupo faz uma temporada em São Paulo.

Ficha técnica
Direção: Pedro Wagner
Dramaturgia: Giordano Castro
Elenco: Bruno Parmera, Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Mário Sergio Cabral e Lucas Torres
Desenho de Som: Miguel Mendes e Tomás Brandão (PACHKA)
Desenho de Luz: Grupo Magiluth
Direção de Arte: Guilherme Luigi
Fotografia: Bruna Valença
Design Gráfico: Guilherme Luigi
Técnico: Lucas Torres
Realização: Grupo Magiluth

Serviço:
Dinamarca
Quando: Quarta (2), quinta (3), sábado (5) e domingo (6), às 20h
Onde: Teatro Marco Camarotti, Sesc Santo Amaro
Quanto: R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada)
Duração: 1h20min
Classificação : 16 anos

 

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Paula de Renor e Carla Valença deixam Janeiro de Grandes Espetáculos

Produtores do Janeiro trabalhavam juntos há 15 anos. Foto: Pollyanna Diniz

Produtores do Janeiro trabalhavam juntos há 15 anos. Foto: Pollyanna Diniz

O trio de produtores responsável pelo Janeiro de Grandes Espetáculos se desfez. Paula de Renor, que estava no festival há 16 anos, e Carla Valença, integrada à equipe em 2003, decidiram deixar a produção da mostra. Paulo de Castro, presidente da Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco (Apacepe), assume a tarefa de encabeçar o festival na edição 2018. “Há desgastes normais de trabalho, mas nunca da amizade, da confiança, da identidade. A confiança principalmente. Esse legado independe de estarmos juntos. Posso dizer que nos amamos, mas o momento era de afastar”, explica o produtor.

O Janeiro de Grandes Espetáculos foi criado pela Prefeitura do Recife em 1995. Nessa primeira edição, os ingressos custaram R$ 2 e a propaganda circulou em carro de som. A ideia consistia em movimentar o mercado de trabalho das artes cênicas no mês de férias, apostando prioritariamente na produção local. Tradicionalmente, era um período em que os teatros da cidade estavam fechados. Dois anos depois, a gestão municipal decidiu criar o Festival Recife do Teatro Nacional, com foco na produção nacional, e engavetar o Janeiro. Foi aí que a Apacepe assumiu o comando do festival.

Para Paulo de Castro, mesmo que o festival também tenha uma programação nacional e faça parte, desde 2011, do Núcleo de Festivais Internacionais do Brasil, os esforços do evento continuam sendo para incrementar o mercado de trabalho para a produção pernambucana. “O teatro da Argentina, da Bolívia, circula pelos festivais do mundo todo. A função do Janeiro é mercado de trabalho. Não adianta você ganhar o prêmio de melhor ator no Recife e não ir a Caruaru, por exemplo”, ponderar. Um dos objetivos do produtor é voltar a trazer ao festival curadores nacionais e internacionais. “Não sei se conseguiremos neste ano, porque financeiramente estamos vivendo o pior ano do festival. Até agora, só temos a garantia de R$ 120 mil para fazer um programa da importância do Janeiro. Mas é uma intenção”, afirma.

As inscrições para o próximo Janeiro já estão abertas. Podem participar espetáculos inéditos de teatro e dança de Pernambuco que estrearem até 12 de agosto deste ano ou espetáculos que pretendem estrear no festival. As inscrições terminam no dia 15 de agosto. As escolhas serão feitas por comissões formadas, cada uma, por três pessoas da classe artística. Para os grupos de outros locais do país e internacionais, a escolha será curatorial, mas feitas pelo próprio Paulo de Castro. Não há inscrições.

Algumas ideias para a edição estão sendo encaminhadas, como trabalhar em parceria com os grupos O Poste Soluções Luminosas, tomando o recorte da negritude, e Fiandeiros, valorizando os esforços do grupo na área de educação. Os homenageados do festival serão o casal Renato e Vanda Phaelante. Nos espetáculos de música, Expedito Baracho, que morreu no último mês de maio, deve ser lembrado. “Um Janeiro nunca será igual ao outro. Sempre crescemos, fazemos melhor. Já fizemos com R$ 1.600.000 e já fizemos com R$ 250 mil, mas sempre melhoramos. Vou batalhar para que tenhamos mais um Janeiro de sucesso”, finaliza Paulo de Castro.

Novos projetos

A saída de Paula de Renor e de Carla Valença da produção do festival não aconteceu de uma hora para outra. Mesmo que amigos e parceiros, algo que os três produtores enfatizaram, com o passar dos anos, as discordâncias do trio em relação aos rumos do Janeiro se acentuaram. Paula de Renor, por exemplo, acreditava que o festival precisava seguir um caminho curatorial mais definido. Muito por esforço dela e de Carla Valença, das articulações realizadas ao longo dos anos, o festival ganhou importância entre os festivais do país e também no circuito internacional. Discussões nacionais importantes saíram de reuniões realizadas no Recife. “Tivemos grandes avanços. Saímos na frente, trazendo curadores do país para assistir aos nossos espetáculos. Por um tempo, conseguimos uma parceria com a Prefeitura do Recife, o projeto Recife Palco Brasil, para que os grupos daqui circulassem por outros estados. Também discutíamos a qualidade da produção, tínhamos um espaço para debater os espetáculos. Infelizmente, perdemos alguns desses avanços. Mas continuo acreditando na vocação do Janeiro, na importância dele para as artes cênicas no nosso estado”, afirma.

A produtora, que circulou por vários festivais do mundo, já está dedicada a um novo projeto: o Cambio FIT/PE – Festival Internacional de Teatro de Pernambuco, previsto para acontecer em setembro de 2018. “É um festival que foca na difusão, mas também na formação e na reflexão, realizando não só apresentações, mas residências, oficinas, encontros. Queremos estreitar esses laços de convivência entre diferentes grupos, discutir processos criativos”, afirma.

Carla Valença produz Baile do Menino Deus, em parceria com Ronaldo Correia de Brito. Foto: Gianny Melo

Carla Valença produz Baile do Menino Deus, em parceria com Ronaldo Correia de Brito. Foto: Gianny Melo

Carla Valença, produtora também do Baile do Menino Deus, em parceria com Ronaldo Correia de Brito, explica que precisou pesar e fazer escolhas. “Estamos com o Baile há 14 anos e, há uns quatro ou cinco, percebemos que esse projeto cresceu e tem muito potencial ainda. O Baile acontece em dezembro. Então, de outubro ao final de fevereiro, todos os anos, a minha rotina era enlouquecedora”, avalia. A produtora também deve lançar um projeto que vem sendo desenhado há cinco anos, de e-commerce. Um site (mercadocultural.pe.com.br) para comercializar produtos culturais pernambucanos, discos, livros, audiovisual, artesanato, obras de arte, que deve ser lançado em setembro.

Na perspectiva de Carla Valença, o Janeiro trilha o desafio de continuar ampliando a formação de plateia e agregar programação que, de fato, façam diferença para o repertório da cidade. “São 15 anos de uma parceria. Os três ajudaram a construir e amadurecer esse festival. Um legado que está aí, estabelecido. Tenho certeza que tanto eu quanto Paula estaremos sempre próximas, prontas para dar qualquer suporte. O grande prêmio disso tudo é a amizade. Aprendi muito com eles dois. Tenho certeza que pude contribuir, com a minha paixão e vontade de acertar”, finaliza.

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Electra de Hermilo em leitura dramatizada

Raimundo Carrero com a trupe que dramatiza peça em seu instituto. Foto: Divulgação

Raimundo Carrero com a trupe que dramatiza peça em seu Centro Cultural. Foto: Divulgação

A dramaturgia grega e a cultura nordestina são articuladas pelo teatrólogo Hermilo Borba Filho na peça Electra no Circo, escrita em 1944 e publicada pelo TEP na coletânea Teatro de 1952, em conjunto com os textos João Sem Terra (1947) e A Barca de Ouro (1949). Electra no Circo tem leitura dramatizada nesta quinta-feira (27/07), às 20h, no Centro Cultural Raimundo Carrero, no Recife. A ação integra o Circuito de Leituras Teatrais Dramatizadas da Literatura Pernambucana do Centro Cultural Raimundo Carrero e reforça as celebrações dos 100 anos de HBF. Participam do programa os atores Fabiana Pirro, Ana Nogueira, Sílvia Góes, Cláudio Ferrário, Anaíra Mahin, Johann Brehmer e Rildo de Deus. O projeto conta com o patrocínio da Copergás e tem entrada franca.

Sófocles e Eurípedes criaram suas versões da tragédia grega Electra, textos inspiradores de outros, como Electra de Eugene O’Neill (Mourning becomes Electra/Electra torna-se enlutada). Na trama grega, Orestes, filho de Agamênon, rei de Micenas, se vinga dos assassinos de seu pai, com a cumplicidade de sua irmã Electra.

Borba Filho desloca o drama para a realidade popular nordestina, ambientado em um circo, com a inserção de elementos das manifestações da cultura popular cômica e das festas públicas e carnavalescas. “O texto apresenta diálogos ligeiros de forma a alcançar efeito circense, de grande empatia com o público”, pontua Carrero.

Ana Nogueira faz o Palhaço desse picadeiro

Ana Nogueira faz o Palhaço desse picadeiro

Ana Nogueira, uma das atrizes da leitura – que faz o Palhaço – foi quem insistiu por esse texto. “Carrero sugeriu Sol das Almas, que é um livro muito profundo, pouco falado, de Hermilo. Seria ele, mas não teria papel para todos. E ainda teríamos que fazer a adaptação. Quando eu estava comprando Sol das Almas na Estante Virtual, apareceu, entre as obras de Hemilo, a Electra no Circo. Lemos juntas, Fabiana (Pirro), Silvinha (Góes) e eu, e foi amor à primeira lida”, conta. “Amamos, sobretudo, os diálogos e as possibilidades cênicas da peça. E porque também somos todos de circo”.

O picadeiro vira palco de intrigas familiares e contendas por poder da trupe circense, desejo de vingança e mortes. A trama se passa em dois planos. Mas isso o espectador só irá entender ao final. O elemento fantástico aparece na obra, que conta com a presença dos coros dos serventes e das crianças que acompanham durante toda a a teia de ações dos personagens principais.

A Moça do Arame de Borba Filho seria o equivalente à Electra. Seu pai, o Dono do Circo, foi assassinado por sua mãe, a Equitadora, com o objetivo de se casar com o Domador. A protagonista anseia vingança e para isso conta com a colaboração do irmão, O Rapaz do trapézio e o apoio do Palhaço

No primeiro ato, “Antes do espetáculo”, é exposta a situação e a morte do Dono do Circo. O segundo ato, “Durante o Espetáculo”, mostra a efetivação do complô para forjar a queda do Domador do trapézio. Surge um segundo plano, que remete a um sanatório, com um paciente que se apresenta como Orestes. Os dois planos se interpõem. No terceiro ato “Depois do espetáculo”, o cara do sanatório tem alucinações com a Moça do Arame, o Palhaço e o Dono do Circo e a trama segue para uma elucidação com a junção dos planos.

No circo ocorre as lutas por poder e traições

No circo ocorre as lutas por poder e traições. Na foto, Anaíra Mahin e Sílvia Góes

Ficha Técnica
Direção: Coletiva (o grupo)
Produção: Fabiana Pirro e Ana Nogueira
Elenco: Fabiana Pirro, Ana Nogueira, Sílvia Góes, Cláudio Ferrário, Anaíra Mahin, Johann Brehmer e Rildo de Deus.

Serviço
Onde: Centro Cultural Raimundo Carrero (avenida João de Barros, 1648 – Galeria Alameda João de Barros – em frente ao supermercado Extra)
Quando: Quinta-feira (27/07), às 20h
Duração: 1h
Entrada franca.

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Protagonismo da reflexão no Palco Giratório

Dinho Lima Flor em Ledores do Breu. Foto: Alécio Cézar/ Divulgação

Dinho Lima Flor em Ledores do Breu. Foto: Alécio Cézar/ Divulgação

O educador Paulo Freire (1921-1997) conecta as dramaturgias de PA(IDEIA) – pedagogia da libertação, do coletivo Grão Comum/ Gota Serena do Recife, e Ledores no Breu, da Cia do Tijolo, de São Paulo. Ambos os espetáculos integram a programação do projeto nacional Palco Giratório, que ocorre desta segunda-feira (24) até sexta (28) no Teatro Marco Camarotti, no Sesc Santo Amaro, no Recife. Além das peças, também estão agendados o Pensamento Giratório (troca de ideias sobre as duas montagens com os grupos), e um Seminário com pautas que versam sobre questões de gênero, sexualidade, dramaturgias, construção de narrativas, arte e ancestralidade.

O Palco Giratório Pernambuco, festival que acontecia geralmente no mês de maio, acabou em 2015 e não se fala mais nisso. Boca de siri. Um grande prejuízo para a recepção e produção artística do estado. Desde então, no Recife, esta é a maior ação do Palco nacional. A iniciativa do Sesc nacional é apontada como o maior projeto de circulação das artes cênicas no país e celebra 20 anos de atividades. E é realmente um fôlego chegar à cidade uma programação nesse formato, que amplifica a articulação do pensamento e a reflexão.

Daniel Barros e Júnior Aguiar atuam em Paideia

Daniel Barros e Júnior Aguiar atuam em Pa(ideia). Foto: Divulgação

Paulo Freire foi aquele filósofo e pedagogo que colocava em prática ideias como “Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre” ou “Não há saber mais ou saber menos: Há saberes diferentes”. Que falta faz esse homem neste mundo de tanto obscurantismo.

PA(IDEIA) – pedagogia da libertação, a segunda da Trilogia Vermelha, investe cenicamente na prisão de Paulo Freire em 1964, além de falar do Brasil de hoje. A peça ganha ainda mais força com o desmonte de um sistema de educação que ocorre no país. Os atores Daniel Barros e Júnior Aguiar ressaltam essas contradições para provocar um diálogo reflexivo com a plateia.

Com atuação de Dinho Lima Flor e direção de Rodrigo Mercadante, Ledores no Breu costura histórias de leitores que se debatem na lama da compreensão e analfabetos ainda no século XXI. O pensamento e a prática do educador Paulo Freire e as obras do poeta Zé da Luz e do ficcionista Guimarães Rosa são matéria-prima do espetáculo. Ledores no Breu narra episódios como a do homem que matou o seu amor porque não sabia ler uma carta ou de outro que reelabora seu afeto a partir das letras do seu nome.

Em 20 anos do Palco Giratório é a primeira vez que um seminário desse porte entra no projeto. Arte e Ancestralidade – Povos Indígenas é a mesa de abertura. Outras discussões estão focadas em Negros e Quilombolas; Questões de Gênero e Sexualidade -Trans-Posições Artísticas: Diversidade Sexual e Representatividade Política com a mediação de Robéyonce, primeira advogada Trans de Pernambuco; Dramaturgias e a Construção de Narrativas; Gestão Cultural e Curadoria na Experiência do Sesc: Desafios e Oportunidades; Mapeando experiências e articulando sentidos: o trabalho de críticos e curadores dos festivais cênicos; e Acessibilidade, Mediação Cultural e Formação de Público.

Serviço:
Seminário 20 anos do Palco Giratório
Quando:De 24 a 28 de julho
Onde: Teatro Marco Camarotti

Ledores do Breu reflete sobre as repercussões do analfabetismo

Ledores do Breu reflete sobre as repercussões do analfabetismo. Foto: Divulgação

PROGRAMAÇÃO

Espetáculos:
Dia 25 – Espetáculo Pa(IDEIA) – pedagogia da libertação | 20h | R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia entrada)
Dia 26 – Ledores do Breu | 20h | R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia entrada)
Dia 27 – Pensamento Giratório | 20h – Acesso gratuito

Seminário:
Inscrição gratuita:www.sescpe.org.br
24/07
14h | mesa –Arte e Ancestralidade – Povos Indígenas
Zeca Ligiéro, Vânia Fialho, Guila Xucuru e Fred Nascimento (mediação)
19h | mesa –Arte e Ancestralidade – Negros e quilombolas
Fernanda Júlia, Samuel Santos, Lara Rodrigues, Maria Bianca (mediação)

25/07
14h |Questões de Gênero e Sexualidade –Trans-Posições Artísticas: Diversidade Sexual e Representatividade Política
Dodi Leal, Marcondes Lima, Robeyoncé (mediação)

26/07
14h |Dramaturgias e a construção de Narrativas:(Des)territorializando espaços e (Re)inventando dramaturgias
Rodrigo Dourado, Mônica Lira, Eliana Monteiro, Anamaria Sobral (mediação)

27/07
14h| mesa 01 – Gestão Cultural e Curadoria na Experiência do Sesc: Desafios e Oportunidades
Maria Carolina Fescina, André Santana, Rita Marize e Raphael Vianna
16h| mesa– Mapeando experiências e articulando sentidos: o trabalho de críticos e curadores dos festivais cênicos
Michelle Rolim, Fábio Pascoal, Nara Menezes e mediação de Pedro Vilela

28/07
14h |Acessibilidade / Mediação Cultural / Formação de Público
Felipe Arruda, Bernardo Klimsa, Emanuella de Jesus e Andreza Nóbrega (mediação).

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A provocação de Hamlet

Hamlet? Fragmentado está em cartaz no Galpão CITTA, um novo espaço cultural no Recife

Hamlet? Fragmentado está em cartaz no Galpão CITTA, um novo espaço cultural no Recife

O ato da vingança é uma “forma selvagem de fazer justiça”, como já definiu Francis Bacon. Essa ideia seduz e ganha uma bela tradução em Hamlet, uma das peças de teatro mais revisitadas e desconstruídas da história. A obra escrita por Shakespeare entre 1600 e 1602 atrai o público para o lado do jovem príncipe.

Assombrado com o fantasma do pai, Hamlet se debate com a traição dos parentes e chegados, como o tio Cláudio, que matou o irmão e casou com a cunhada – a rainha Gertrudes – para usurpar a coroa. Maldade e traição pululam do seu próprio lar. A serpente injeta seu veneno que inunda todo o reino da Dinamarca.

A Trupe Artemanha dirigida por Luciano Santiago encena Hamlet? Fragmentado inspirado no texto do bardo inglês e em Hamlet Máquina do dramaturgo alemão Heiner Mülller. Os atores Daniel Gomes e Damyeres Barbosa (além do próprio Santiago) enveredam por teias de jogos de poder, podridão humana, corrupção na Dinamarca (a Dinamarca pode ser aqui), decepções da existência. E reagem com fúria a traidores que estão do lado planejando o golpe. A figura de Ofélia também martela em problemas como violência sexual, machismo e empoderamento feminino. Segundo o diretor, a montagem segue um traçado para questionar caminhos escusos da nossa verde amarela contemporaneidade.

Com Hamlet? Fragmentado o grupo inaugura o Galpão CITTA, um novo espaço cultural no Recife. Além de apresentações, o local também será utilizado para a realização de oficinas livres de teatro, dança e circo e ponto de encontro da comunidade artística.

Vida longa ao Galpão CITTA!

Montagem da Trupe Artemanha tem direção de Luciano Santiago

Montagem da Trupe Artemanha tem direção de Luciano Santiago

Ficha Técnica
Encenação e Organização de roteiro dramatúrgico: Luciano Santiago
Elenco: Daniel Gomes, Damyeres Barbosa e Luciano Santiago
Projeto de Luz e operação de som: Guto Kelevra
Cenografia, figurinos, adereços e seleção musical: Criação coletiva
Preparador Vocal: Elthon Fernandes
Assessoria de Imprensa: Alessandro Moura
Designer Gráfico: Márcio Miranda
Apoio: Sonia Santiago
Cinegrafista: Lucas Mariz
Produção Geral: Trupe Artemanha de investigação teatral

Serviço
Hamlet?Fragmentado
Quando: Sextas e sábados de julho e 4, 11, 18 e 25 de agosto às 20h
Classificação: 16 anos
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) \ R$ 10,00 (meia)
Onde: Galpão CITTA – Centro de Investigação Teatral Trupe Artemanha (Rua João Francisco Lisboa, 170, Várzea, Recife-PE – próximo ao CFCH\UFPE – parada final do ônibus CDU\Caxangá – Boa Viagem)
Capacidade: 50 lugares

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