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24º Festival Recife do Teatro Nacional
celebra vozes femininas
que ecoam através da história

Alguns espetáculos da programação do festival

Entre os próximos dias 20 e 30 de novembro, o 24º Festival Recife do Teatro Nacional transforma palcos e outros espaços da capital pernambucana em território de celebração das vozes femininas que há décadas protagonizam movimentos de produção e insurreição cultural. Sob o tema Vozes Femininas – Histórias que Ressoam, o festival reverbera perspectivas, criatividades, forças e esperanças de grandes mulheres das artes cênicas pernambucanas e brasileiras, numa elaboração delicada e potente de lutas e lutos sociais.

Como já antecipamos aqui no Satisfeita Yolanda?, o festival abre com Lady Tempestade, protagonizada por Andréa Beltrão, montagem que tem causado furor por onde passa e despertou interesse impressionante do público recifense. O espetáculo tem três sessões nos dias 20, 21 e 22 de novembro, no Teatro de Santa Isabel, buscando acomodar o maior número possível de espectadores, já que toda a programação é gratuita, trocada por um quilo de alimento no dia da apresentação.  

Em onze dias de atividades oferecidas pela Prefeitura do Recife, através da Secretaria de Cultura e da Fundação de Cultura Cidade do Recife, serão apresentados 24 espetáculos – 16 deles inéditos na capital pernambucana – distribuídos em 37 sessões que convidam o Recife a aplaudir e celebrar o teatro feito no Brasil. Além das produções locais, o festival inclui debates, performances e oficinas gratuitas que fortalecem a vocação pedagógica do evento.

Entre os destaques nacionais inéditos na cidade estão Tudo que Eu Queria te Dizer com Ana Beatriz Nogueira, Mary Stuart dirigida por Nelson Baskerville, com Virginia Cavendish e Ana Cecília Costa e elenco, 116 Gramas: Peça para Emagrecer, as duas montagens da Cia do Tijolo (Restinga de Canudos e Corteja Paulo Freire), Zona Lésbica e Tem Bastante Espaço Aqui, do Rio de Janeiro, Das que Ousaram Desobedecer do Ceará, A Menina dos Olhos D’Água do Rio Grande do Sul,A Mulher Bala, de São Paulo e Ella do Amazonas. Das peças locais inéditas temos o infantil Helô em Busca do Baobá Sagrado, além dos trabalhos das homenageadas Não se Conta o Tempo da Paixão e Sobre os Ombros de Bárbara, abertura de processo de Auricéia Fraga e estreia de Augusta Ferraz, respectivamente. O único espetáculo internacional desta edição estabelece ponte franco-brasileira: On Veut / A Gente Quer apresenta roteiro francês interpretado por elenco recifense selecionado especialmente para o projeto.

Andréa Beltrão abre a programação do FRTN na quinta-feira, 20/11. Foto: Nana Moraes

Em diálogo com o tema do festival, Lady Tempestade reconstrói uma história fundamental da resistência brasileira através da trajetória de Mércia de Albuquerque, advogada que defendeu mais de 500 presos políticos durante a ditadura militar. Ao testemunhar a tortura de Gregório Bezerra nas ruas do Recife em 1964, sua vida foi transformada em missão de defesa dos direitos humanos.

Com texto de Sílvia Gomez e direção de Yara de Novaes, o monólogo parte dos diários que Mércia escreveu durante os anos mais duros da repressão. Andréa Beltrão interpreta A., mulher que recebe misteriosamente os escritos e gradualmente se envolve com aquelas histórias, numa estrutura narrativa que embaralha temporalidades através de um “diário dentro do diário”. A escolha dramatúrgica amplifica o impacto emocional ao criar camadas de identificação entre diferentes gerações de mulheres.

Homenageadas do ano

Augusta Ferraz e Auricéia Fraga as homenageadas desta edição

Auricéia Fraga e Augusta Ferraz são as homenageadas desta versão, duas artistas dedicadas conseguem atravessar décadas mantendo relevância criativa. Juntas, essas trajetórias mostram como a continuidade de uma tradição teatral se constrói através do trabalho persistente de seus intérpretes mais experientes, influenciando gerações e garantindo a renovação constante da cena local.

Augusta Ferraz é uma das figuras mais emblemáticas do teatro pernambucano, com carreira que ultrapassa cinco décadas e mais de 70 produções. Sua jornada artística, iniciada nos anos 1970, construiu-se através da versatilidade e compromisso inabalável com a arte cênica. Nos anos 1980, pela companhia Ilusionistas, encenou clássicos infantis que marcaram gerações; na década seguinte, tornou-se pioneira em espetáculos solo no estado, dirigindo e atuando em monólogos como Malassombro (2001) e Sexo, a arte de ser censurada (2014).

O reconhecimento de sua importância culminou em 2015, quando foi homenageada no 21º Janeiro de Grandes Espetáculos com a mostra Augusta Ferraz: 40 Anos de Resistência, apresentando quatro trabalhos em sequência. Atualmente, mantém engajamento ativo nas lutas pela cultura pernambucana e expandiu seu talento para a televisão, estreando na novela Guerreiros do Sol como Dona Berenice.

Nesta 24ª edição do FRTN, Augusta Ferraz defende a personagem Bárbara de Alencar (1760-1832), primeira presa política brasileira e protagonista da Revolução Pernambucana de 1817 em Sobre os Ombros de Bárbara, nos dias 29 e 30 de novembro. Com dramaturgia criada pela própria Augusta em parceria com Brisa Rodrigues e direção de José Manoel Sobrinho, o espetáculo explora a luta de uma mulher republicana durante a monarquia, apresentando um corpo violentado e uma resistência ao arbítrio que estabelece conexões diretas entre passado e presente.

Auricéia Fraga, por sua vez, representa a memória viva do teatro recifense. Ela acumula mais de cinco décadas de carreira com mais de 40 montagens teatrais. Iniciada em 1972 na Escola de Belas Artes da UFPE, conquistou prêmios de melhor atriz e colaborou com diretores de prestígio como Antônio Cadengue, Milton Bacarelli e Marco Camarotti, transitando também pelo cinema em filmes como Tatuagem e Árido Movie.

Não se Conta o Tempo da Paixão oferece à homenageada Auricéia Fraga a oportunidade de compartilhar memórias e reflexões sobre mais de 50 anos dedicadas às artes cênicas. O trabalho, dirigido por Rodrigo Dourado, funciona como abertura de processo que narra sua relação profunda com o teatro, criando espaço de intimidade entre a veterana atriz e o público.

Dupla Perspectiva de Resistência e Educação

Restinga de Canudos. Foto: Alecio Cesar

Corteja Paulo Freire, da Cia do Tijolo. Foto: Alecio Cesar

A presença da Cia do Tijolo no festival traz duas montagens complementares que dialogam com a pedagogia freireana e a memória histórica brasileira, demonstrando como uma companhia pode abordar temas correlatos através de linguagens distintas.

Restinga de Canudos propõe uma inversão de perspectiva radical sobre um dos episódios mais controversos da história nacional. Sob direção de Dinho Lima Flor, ao invés de partir do massacre documentado por Euclides da Cunha, a montagem escolhe iluminar a vida pulsante que existia antes da guerra, mostrando Canudos como vitória, não como derrota.

A dramaturgia reconstrói o cotidiano de uma comunidade que inventou formas próprias de existência no sertão baiano, revelando a complexidade social de Belo Monte muito além da figura de Antônio Conselheiro. O olhar parte de duas professoras – Odília Nunes e Karen Menatti – que em tempos de paz educavam e em tempos de guerra transformaram-se em enfermeiras e combatentes. Esta escolha narrativa reafirma, inspirada na ética freireana, o papel fundamental dos educadores na formação de consciência crítica.

Complementarmente, Corteja Paulo Freire chega como celebração poética, musical e itinerante que flexiona o conceito de cortejo no feminino. A montagem homenageia o educador pernambucano através de uma proposta que se movimenta pelos espaços, criando experiência imersiva que dialoga diretamente com a pedagogia freireana, falando sobre coletividade, respeito e caminhada como processos de construção coletiva de conhecimento.

Poder, Conspiração e Espelhos Contemporâneos

Mary Stuart, direção de Nelson Baskerville com Virginia Cavendish e Ana Cecília Costa. Foto: Priscila Prade

Transitando dos movimentos sociais para os jogos palacianos, Mary Stuart estabelece pontes temporais entre disputas do século XVI e embates políticos atuais. Nelson Baskerville transporta as tensões entre duas monarcas para uma linguagem que espelha questões contemporâneas, aproveitando o potencial da adaptação de Robert Icke que Virginia Cavendish descobriu em Londres.

Virginia Cavendish e Ana Cecília Costa interpretam as rainhas que historicamente nunca se encontraram, mas que no palco representam mulheres que pagaram caro por viver segundo suas convicções. A direção planeja recursos cenográficos que conectem passado e presente: um cronômetro permanentemente projetado marcará os últimos momentos de Mary Stuart, aprisionada há 18 anos.

A montagem dialoga com questões urgentes como o estímulo à misoginia, guerras religiosas que ressurgem periodicamente e mecanismos de enfraquecimento daqueles que não compactuam com estruturas de dominação. Esses temas ecoam tanto no impeachment de Dilma Rousseff quanto na crescente exploração da religião como ferramenta de manipulação política, demonstrando como clássicos teatrais podem iluminar conjunturas atuais.

Ana Beatriz Nogueira em Tudo que Eu Queria Te Dizer

Tudo que Eu Queria Te Dizer traz Ana Beatriz Nogueira revisitando textos baseados no livro de Martha Medeiros, sob direção de Victor Garcia Peralta. O solo apresenta cartas femininas sobre amor, rejeição, saudade, ética e desejo, com a atriz se desdobrando na pele de seis mulheres de universos distintos, todas vivendo momentos-limite de desabafo. A montagem, despojada cenograficamente, aposta inteiramente na força interpretativa.

Questionando Padrões Corporais e Sociais

116 Gramas: Peça para Emagrecer com Letícia Rodrigues

Ella, com Ana Oliveira da Cia Cacos, reflete sobre violência simbólica. Foto Heldemar Castro

Duas montagens se dedicam especificamente a questionar padrões impostos socialmente, pensando corpo e identidade através de perspectivas complementares mas distintas.

116 Gramas: Peça para Emagrecer apresenta Letícia Rodrigues em solo que mergulha na experiência de um corpo considerado “fora do padrão”. O título, que se refere ao peso específico que separava a personagem de um objetivo aparentemente simples, revela-se ponto de partida para investigação mais ampla sobre as pressões que a sociedade exerce sobre determinados corpos. A dramaturgia vai além da questão estética, problematizando os rituais obsessivos da busca por adequação social.

Ella, produção de Manaus com Ana Oliveira da Cia Cacos, utiliza a linguagem do clown para mirar a violência simbólica de gênero. A personagem, obcecada pela busca do amor romântico, combina humor e crítica, provocando questionamentos sobre autocuidado, padrões de beleza e os limites invisíveis da violência que perpassa o cotidiano feminino. A escolha pela palhaçaria como linguagem permite abordar temas delicados através do riso, criando pontes de identificação com o público.

A Menina dos Olhos D’Água (RS) mistura teatro de formas animadas com teatro documentário para crianças

Helô em Busca do Baobá Sagrado é montagem recifense que estreia no festival 

O festival apresenta para o público infantil montagens que tocam em temas complexos através de linguagem acessível, conectando, por exemplo, tradições ancestrais com questões contemporâneas.

Helô em Busca do Baobá Sagrado representa a produção local através do trabalho de Agrinez Melo, Cecília Chá, Ester Soares, Fábio Henrique e Talles Ribeiro. A montagem narra a jornada de uma menina que deve encontrar o fruto sagrado do Baobá para curar seu povo da “doença da tristeza”, conectando tradições africanas com questões sobre saúde mental coletiva e cuidado comunitário.

A Menina dos Olhos D’Água, com Liane Venturella do Rio Grande do Sul, vem com proposta que mistura teatro de formas animadas com teatro documentário para crianças. A montagem mistura temas como exílio, pertencimento, perda e superação, demonstrando como linguagens híbridas podem tornar questões complexas acessíveis às infâncias.

A Mulher Bala adiciona a perspectiva da palhaçaria feminina através do trabalho da paulista Funúncia (Priscila Senegalho e Renato Paio), que tenta se tornar uma bala humana usando canhão confeccionado por ela mesma. A proposta aposta no humor circense para questionar padrões de feminilidade, oferecendo às crianças referências de empoderamento feminino através do riso.

Fechando este núcleo, Tem Bastante Espaço Aqui chega do Rio de Janeiro com Carolina Godinho, Juliane Cruz e Monique Vaillé, propondo investigações intimistas sobre família, convivência e afeto. As histórias transitam entre humor e emoção, a partir dos jogos e dinâmicas familiares contemporâneas e suas narrativas que dialogam .

Laboratórios Internacionais e Memórias Regionais

Das que Ousaram Desobedecer, que resgata lutas de mulheres cearenses contra a ditadura militar entre 1960 e 1979. Foto: Pattie Silva

Montagem carioca Zona lésbica reivindica direitos afetivos 

A companhia francesa ktha veio ao Recife para desenvolver a peça On Veut / A Gente Quer com artistas locais, como parte da programação do Ano Cultural Brasil-França 2025. Após analisar mais de 100 cartas de intenção, a companhia selecionou artistas locais para construir versão específica que dialogue com particularidades pernambucanas. A metodologia da ktha funciona através de dramaturgia aberta – uma extensa lista de desejos e reivindicações que ganha forma específica através do trabalho com performers locais, criando rituais coletivos de partilha de anseios urbanos. Participam do trabalho Guaraci Rios, Rodrigo Herminio, Anna Batista, Maria Pepe, Ana Carolina dos Santos, Lucas Vinicius Silva de Lima.

A programação também valoriza memórias regionais através de Das que Ousaram Desobedecer, que chega do Ceará com Liliana Brizeno, Marina Brito e Marina Brizeno. A montagem resgata lutas de mulheres cearenses contra a ditadura militar entre 1960 e 1979, iluminando histórias de resistência que frequentemente permaneceram na sombra dos relatos oficiais, reconstruindo trajetórias de mulheres que enfrentaram a repressão através de diferentes formas de insurgência.

Ainda na programação principal, Zona Lésbica enfrenta estereótipos de gênero e reivindica direitos afetivos através do trabalho de Carolina Godinho, Dandara Azevedo, Dani Nega, Jessica Lamana, Monique Vaillé, Nely Coelho e Simone Beghinni. A montagem carioca propõe discussões necessárias sobre diversidade sexual e afetiva, uma afirmação direta sobre direitos fundamentais.

OFFRec: Ampliando Vozes Emergentes

Mi Madre, com Jhanaina Gomes. Foto: Morgana Narjara

Ensaio do Agora. Foto: Rogério Alves

HBLynda Morais apresenta vivências interseccionais. Foto: Rafael Quirino

Shá da Meia Noite, com Sharlene Esse, primeira dama trans do teatro pernambucano

A vocação pedagógica do festival segue sua trilha com a mostra OFFRec, que apresenta produções locais escolhidas pela curadoria para formar o panorama da cena contemporânea. Esta programação paralela funciona como vitrine para artistas emergentes e propostas experimentais que buscam visibilidade.

Mi Madre, solo autobiográfico de dança criado por Jhanaina Gomes, honra ancestralidade através do movimento corporal. HBLynda Morais apresenta vivências interseccionais de uma pessoa gorda, preta, candomblecista e não binária, oferecendo perspectivas múltiplas sobre identidade contemporânea.

Ensaio do Agora constrói narrativas sobre memória através do trabalho conjunto de Analice Croccia, Domingos Júnior e Natali Assunção, contando histórias de nove mulheres. Avós permite que Olga Ferrario celebre ancestralidade feminina através de trabalho poético sobre as mulheres que a antecederam, criando pontes geracionais através da arte.

Àwọn Irúgbin confirma protagonismos afro-indígenas através do trabalho de Cecilia Chá, Larissa Lira, Sthe Vieira e Thallis Ítalo, demonstrando como jovens artistas conseguem articular identidades étnicas com propostas cênicas contemporâneas.

As intervenções Silêncio, de Célia Regina, ocorre na Casa de Alzira na mesma ocasião que Shá da Meia Noite, de Sharlene Esse, que celebra os 40 anos do Grupo Vivencial. As ações conectam a história do teatro alternativo pernambucano com propostas atuais de experimentação cênica.

Formação

Quatro oficinas gratuitas fazem parte deste festival. Teatro, Dança e o Sagrado Feminino com Sandra Rino explora conexões entre espiritualidade e criação cênica. Corpo e Escrita de Si com Paula Lice investiga relações entre experiência corporal e criação dramatúrgica.

Da Ideia à Cena oferece com Malú Bazán território de experimentação para criação de solos teatrais, enquanto Dramaturgias Feministas permite que Luciana Lyra aprofunde discussões sobre o papel das mulheres na criação teatral contemporânea.

Paralelamente, o Ciclo de Dramaturgia Feminista inclui leituras cênicas e debates que fortalecem a vocação pedagógica do festival, criando espaços de reflexão sobre os avanços e desafios da representação feminina nas artes cênicas.

PROGRAMAÇÃO

24º FESTIVAL RECIFE DO TEATRO NACIONAL
De 20 a 30 de novembro

DIA 20 (QUINTA-FEIRA)

20h – Abertura + “Lady Tempestade”, com Andréa Beltrão (RJ)
No Teatro de Santa Isabel
Com Libras

DIA 21 (SEXTA-FEIRA)

19h – Abertura de processo “Não se Conta o Tempo da Paixão”, com Auricéia Fraga (PE)
No Teatro Hermilo Borba Filho
Com Libras

20h – “Lady Tempestade”, com Andréa Beltrão (RJ)
No Teatro de Santa Isabel
Com Libras

DIA 22 (SÁBADO)

16h – “Helô em Busca do Baobá Sagrado”, com Agrinez Melo, Cecília Chá, Ester Soares, Fábio Henrique e Talles Ribeiro (PE)
No Teatro Hermilo Borba Filho

16h30 – “On Veut / A Gente Quer”, com Guaraci Rios, Rodrigo Herminio, Anna Batista, Maria Pepe, Ana Carolina dos Santos, Lucas Vinicius Silva de Lima (FR/PE)
No Bairro do Recife
Com Libras

16h30 – “Corteja Paulo Freire”, da Cia do Tijolo (SP), com Dinho Lima Flor, Rodrigo Mercadante, Karen Menatti, Artur Mattar, Odilia Nunes, Danilo Nonato, Jaque da Silva, Vanessa Petroncari e João Bertolai
No Teatro Luiz Mendonça

18h – “116 Gramas: Peça para Emagrecer”, com Letícia Rodrigues (SP)
No Teatro Apolo
Com Libras

20h – “Tudo que Eu Queria te Dizer”, com Ana Beatriz Nogueira (RJ)
No Teatro do Parque
Com Libras

20h – “Lady Tempestade”, com Andréa Beltrão (RJ)
No Teatro de Santa Isabel
Com Libras e Audiodescrição

DIA 23 (DOMINGO)

16h – “Helô em Busca do Baobá Sagrado”, com Agrinez Melo, Cecília Chá, Ester Soares, Fábio Henrique e Talles Ribeiro (PE)
No Teatro Hermilo Borba Filho

16h30 – “On Veut / A Gente Quer”, com Guaraci Rios, Rodrigo Herminio, Anna Batista, Maria Pepe, Ana Carolina dos Santos, Lucas Vinicius Silva de Lima (FR/PE)
No Bairro do Recife
Com Libras

18h – “Restinga de Canudos”, da Cia do Tijolo (SP), com Dinho Lima Flor, Rodrigo Mercadante, Karen Menatti, Odília Nunes, Artur Mattar, Jaque da Silva, Danilo Nonato, João Bertolai, Marcos Coin, Dicinho Areias, Jonathan Silva, Juh Vieira, Vanessa Petroncari, Mayara Baptista, Roma Oliveira, Maria Alencar Rosa, Nanda Guedes e Leandro Goulart
No Teatro Luiz Mendonça

18h – “116 Gramas: Peça para Emagrecer”, com Letícia Rodrigues (SP)
No Teatro Apolo
Com Libras e Audiodescrição

19h – “Tudo que Eu Queria te Dizer”, com Ana Beatriz Nogueira (RJ)
No Teatro do Parque
Com Libras e Audiodescrição

DIA 24 (SEGUNDA-FEIRA)

OFFRec
19h – Espetáculo “Mi Madre”, com Jhanaina Gomes (PE)
No Teatro Hermilo Borba Filho

DIA 25 (TERÇA-FEIRA)

OFFRec
16h – Ciclo de Dramaturgia Feminista – Leitura cênica: “Deus da Carnificina”, com o Ato Teatro (PE)
No Espaço Cênicas

17h – Debate: “O Olhar da Mulher – Trânsito entre Teatro e Cinema”, com Andréa Veruska e o Ato Teatro (PE)
No Espaço Cênicas

19h – Espetáculo “HBLynda”, com HBLynda Morais (PE)
No Teatro Hermilo Borba Filho

DIA 26 (QUARTA-FEIRA)

OFFRec
16h – Ciclo de Dramaturgia Feminina – Leitura cênica: “A Peça do Vulcão”, com a Cênicas Cia de Repertório (PE)
No Espaço Cênicas

17h – Debate: “O Trabalho da Cênicas Cia e a Presença da Mulher”, com Sônia Carvalho e Toni Rodrigues (PE)
No Espaço Cênicas

19h – Espetáculo “Ella”, com Ana Oliveira (AM)
No Teatro Hermilo Borba Filho

DIA 27 (QUINTA-FEIRA)

OFFRec
16h – Ciclo de Dramaturgia Feminista – Leitura cênica: “Josephina”, com Arilson Lopes, Fabiana Pirro e Ana Luiza D’Accioli (PE). Participação: DJ Vibra
No Espaço Cênicas

17h – Debate: “Feminismo, Teatro e Dramaturgia”, com Luciana Lyra e grupo (PE)
No Espaço Cênicas

18h – Lançamento de livro: “Coleção Dramaturgias Feministas”/Numa Editora, com Luciana Lyra
No Espaço Cênicas

19h – Espetáculo “Avós”, com Olga Ferrario (PE)
No Teatro Hermilo Borba Filho

20h – Espetáculo “Ensaio do Agora”, com Analice Croccia, Domingos Júnior e Natali Assunção (PE)
No Teatro Apolo

DIA 28 (SEXTA-FEIRA)

20h – “Mary Stuart” com Virginia Cavendish, Ana Cecília Costa, Letícia Calvosa, Adilson Azevedo, César Mello/Anderson Müller, Eucir de Souza, Joelson Medeiros, Johnnas Oliva/Iuri Saraiva, Fernando Vitor, Alef Barros e Julia Terron (SP)
No Teatro do Parque
Com Libras

OFFRec
16h – “ÉdypusD’Yocasta”: abertura de processo – Dramaturgia em progresso”, com Cia do Ator Nu (PE)
Na Casa de Alzira

17h – Debate: “Escrituras Femininas – Entre Teatro e Literatura”, com Flávia Gomes e Cia do Ator Nu (PE)
Na Casa de Alzira

19h – Espetáculo “Àwọn Irúgbin”, com Cecilia Chá, Larissa Lira, Sthe Vieira e Thallis Ítalo (PE)
No Teatro Hermilo Borba Filho

DIA 29 (SÁBADO)

11h – “A Menina dos Olhos D’água”, com Liane Venturella (RS)
No Teatro Marco Camarotti
Com Libras

16h – “Tem Bastante Espaço Aqui”, com Carolina Godinho, Juliane Cruz e Monique Vaillé (RJ)
Teatro Apolo

16h – “A Mulher Bala”, com Priscila Senegalho e Renato Paio (SP)
No Parque da Tamarineira
Com Libras

20h – “Sobre os Ombros de Bárbara”, com Augusta Ferraz (PE)
No Teatro de Santa Isabel
Com Libras

20h – “Mary Stuart”, com Virginia Cavendish, Ana Cecília Costa, Letícia Calvosa, Adilson Azevedo, César Mello/Anderson Müller, Eucir de Souza, Joelson Medeiros, Johnnas Oliva/Iuri Saraiva, Fernando Vitor, Alef Barros e Julia Terron (SP)
No Teatro do Parque
Com Libras e Audiodescrição

OFFRec
16h – Diálogos Crítico-Pedagógicos: “OFFRec em Perspectiva – Tendências Contemporâneas”, com Fátima Pontes e Emanuela de Jesus (PE)
Na Casa de Alzira

19h – Espetáculo “Das que Ousam Desobedecer”, com Liliana Brizeno, Marina Brito e Marina Brizeno (CE)
No Teatro Hermilo Borba Filho

21h – Intervenção performática “Silêncio”, com Célia Regina (PE)
Na Casa de Alzira

22h – Espetáculo “Shá da Meia Noite”, com Sharlene Esse (PE)
Na Casa de Alzira

DIA 30 (DOMINGO)

11h – “A Menina dos Olhos D’água”, com Liane Venturella (RS)
No Teatro Marco Camarotti

16h – “A Mulher Bala”, com Priscila Senegalho e Renato Paio (SP)
No Parque da Macaxeira
Com Libras

18h – “Noite”, com Sônia Biebard, Fátima Aguiar e Karine Ordônio (PE)
No Teatro Hermilo Borba Filho

19h – “Zona Lésbica”, com Carolina Godinho, Dandara Azevedo, Dani Nega, Jessica Lamana, Monique Vaillé, Nely Coelho e Simone Beghinni (RJ)
No Teatro Apolo
Com Libras

20h – “Sobre os Ombros de Bárbara”, com Augusta Ferraz (SP)
No Teatro de Santa Isabel
Com Libras e Audiodescrição

OFICINAS

“Teatro, Dança e o Sagrado Feminino – A Dança dos Elementos” – Com Sandra Rino (PE). Dias 20 e 21, das 8h30 às 12h30, no Paço do Frevo. 20 vagas (só para mulheres)

“Corpo e Escrita de Si – Dramaturgia para e a partir das Infâncias” – Com Paula Lice (BA). Dias 21, 22 e 23, das 14h às 18h, Teatro Marco Camarotti.. 20 vagas

“Da Ideia à Cena – Território de Experimentação Cênica para Criação, Desenvolvimento e Pesquisa de Solos Teatrais” – Com Malú Bazán (SP). Dias 24, 25, 26 e 27, das 9h às 13h, no Teatro de Santa Isabel. 12 vagas

“Dramaturgias Feministas: Panorama Brasileiro, Agendas e Modos de Fazer” – Com Luciana Lyra (PE). Dia 26/11, das 14h às 18h, no Teatro de Santa Isabel. 20 vagas

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Cena segue aquecida no Recife
Rolês teatrais

Festival de Circo encerra programação com atrações de espetáculos como Fragmentos

 Pernambucano Armando Babaioff  retorna ao Recife com seu sucesso Tom na Fazenda.

O Festival de Circo do Brasil chega ao fim de semana com suas últimas apresentações, mas ainda dá para ver cinco espetáculos até domingo. O ator pernambucano Armando Babaioff retorna para apresentar Tom na Fazenda, espetáculo que o consagrou mundialmente .

Duas iniciativas revelam a força da representatividade negra nas artes: o lançamento do livro Maria Preta, de Samuel Santos, que estreia como escritor com leituras dramatizadas, dialoga diretamente com a circulação do espetáculo Ubuntu ou o título mais longoEu conto, tu contas, nós contamos: Ubuntu, uma linda aventura na floresta afrobrasilândia pelas escolas públicas de Pernambuco. 

Os jovens inquietos do grupo ATO continuam sua função de despertar interesse pelo teatro clássico, propondo mais uma leitura dramatizada que combina vinho com literatura. A iniciativa, que vem arregimentando uma nova geração de espectadores, traz desta vez O Tartufo, de Molière.

Do Agreste chega Tempo de Vagalume, um monólogo sensível sobre memórias e identidade LGBTQIAP+.

Copyleft encerra a programação no Parque Apipucos 

Sarayvara apresenta no Teatro Hermilo Borba Filho o universo único de Poema Mühlenberg,

O último fim de semana do Festival de Circo do Brasil oferece um caleidoscópio de propostas que revelam a diversidade das artes circenses contemporâneas. Sarayvara leva para o Teatro Hermilo Borba Filho o universo único de Poema Mühlenberg, artista que cultiva seu próprio bambuzal e transforma cada colheita em instrumento cênico. Durante 21 anos de pesquisa, ela desenvolveu uma linguagem onde balaios carregados de encantos revelam bambus que serpenteiam pelo espaço, tornando-se manto que instaura momentos mágicos entre brincadeiras e ritual ancestral.

No Teatro Apolo, Fragmentos conduz o público a um território perturbador onde o grupo La Víspera explora a fragmentação como resposta à dor insuportável. Quando o sofrimento se torna intolerável, a mente se divide – e os artistas espanhóis e franceses transformam essa premissa em thriller circense que une marionetes, próteses e máscaras numa investigação mordaz sobre deformação física e mental.

Le Bruit des Pierres transforma o Teatro de Santa Isabel em laboratório de ganância, onde duas mulheres encarnam a obsessão ocidental pelo ouro de formas distintas. Uma cobre compulsivamente pedras com folhas douradas em gestos rituais, enquanto a outra descobre que algumas são comestíveis e as devora freneticamente até a overdose, empanturrando-se de pedras preciosas enquanto o ouro escorre de sua boca.

Juventud estreia no Teatro do Parque como manifesto em movimento perpétuo, onde cinco intérpretes criam dinâmica coletiva sem anular individualidades. O espetáculo da Cie NDE francesa funciona como espiral de energia crescente, combinando malabarismo, movimento, som, luz e vídeo numa celebração da vida que tem a juventude como ponto de partida e o futuro como horizonte.

Copyleft encerra a programação no Parque Apipucos através de 45 minutos de pura energia, mesclando precisão técnica com humor e referências esportivas. O dream team formado por artistas do Uruguai, Brasil, Argentina, Espanha e França demonstra como o malabarismo pode ocupar qualquer espaço, adaptando-se a terrenos diversos sem perder potência artística.

Babaioff enfrenta a Fazenda do preconceito. Foto: Jorge Etecheber / Divulgação

Tom na Fazenda retorna ao Recife com o prestígio do sucesso em festivais internacionais. Armando Babaioff defende o papel do publicitário que chega a uma fazenda para o funeral do companheiro, descobrindo que sua sogra jamais soube de sua existência ou da sexualidade do filho falecido.

A trama de Michel Marc Bouchard se desenrola através de mentiras orquestradas pelo irmão truculento do morto, criando relações de dependência complexa num ambiente onde quanto mais os personagens se aproximam, maior se torna a sombra de suas contradições. O elenco formado por Babaioff, Denise Del Vecchio, Iano Salomão e Camila Nhary, sob direção de Rodrigo Portella, constrói essa atmosfera claustrofóbica onde cada revelação aprofunda os conflitos familiares.

Para Babaioff, a obra funciona como ato de resistência duplo: pela longevidade excepcional no teatro brasileiro e pela urgência de sua discussão sobre homofobia familiar.

Samuel Santos e Grupo O Postinho

A literatura periférica ganha voz através de Samuel Santos, que transforma sua primeira obra em manifesto de representatividade negra. Maria Preta narra a jornada de uma menina de sete anos que, durante uma parada cardíaca causada por sopro no coração, realiza seu maior desejo: entrar no próprio corpo para conhecer como funciona por dentro.

No interior, Maria descobre um circo completo onde cada órgão ganha personalidade única: os rins vivem chateados por serem chamados de “ruinzinhos”, os intestinos se transformam nos Zindunga inspirados na cultura angolana, o estômago vira cozinheiro bufão que sofre mas não perde o humor, as amígdalas se tornam cantoras equilibristas histriônicas, e o fígado assume o papel de mágico apresentador carismático.

A obra será apresentada através de leituras dramatizadas pelo Núcleo O Postinho, com direção do próprio Samuel Santos e elenco formado por Cecília Chá, Larissa Lira, Sthe Vieira e Thallis Ítalo, que dão vida aos personagens através de encenação que mescla voz, corpo, música e ancestralidade.

Já o Grupo São Gens de Teatro leva Ubuntu às escolas do interior, resultado de sete anos de pesquisa inspirada no antropólogo Raul Lody. A narrativa acompanha duas flores pretas que questionam sua ausência no arco-íris, partindo em jornada pela floresta AfroBrasilândia guiadas pela filosofia Ubuntu – “eu sou porque nós somos” – e pela força dos Orixás.

Ambas as iniciativas compartilham compromisso de confrontar as heranças coloniais através da arte, oferecendo às crianças negras espelhos positivos onde possam se reconhecer e se orgulhar de suas origens e identidades.

Molière Entre Taças e Reflexões

O ATO reinventa a experiência teatral combinando “O Tartufo” com degustação de vinhos, criando ambiente que tem conquistado nova geração de espectadores. A comédia de 1664 permanece assustadoramente atual em sua crítica à hipocrisia moral e religiosa, apresentando o falso devoto que manipula uma família através de aparente religiosidade.

Molière criou em Tartufo um arquétipo que encontra ecos em diferentes épocas: o impostor que usa máscaras sociais para sustentar poder e satisfazer desejos. A leitura dirigida por Raíza Rameh conta com elenco formado por ela própria, Nilo Pedrosa, Vitória Vasconcelos, Lara Mano, Guta Menelau, David Péricles, Kennyo Severa, Lucas Carvalho, Inês Maia e Cardo Ferraz, privilegiando a intimidade e o diálogo que permite ao público vivenciar a obra de forma participativa.

A iniciativa funciona como ponte geracional, aproximando jovens de textos clássicos através de formato descontraído que valoriza tanto o patrimônio dramatúrgico quanto a criação coletiva, mantendo viva a tradição dos encontros culturais que alimentam o debate e a reflexão.

Joesile Cordeiro, de Garanhuns, em Tempo de Vagalume. Foto: Ivana Moura

Tempo de Vagalume apresenta uma “armadilha” criada por Joesile Cordeiro para se aproximar de sua criança interior. O monólogo autobiográfico utiliza o brilho dos vagalumes como fio condutor para reconectar o personagem com memórias de infância, explorando questões LGBTQIAP+ sem se limitar a elas.

O espetáculo, que estreou em Garanhuns em junho de 2024, funciona como experiência teatral sensível onde memórias, movimentos e mutações se entrelaçam em discursos dançantes. O palco se torna território transitado por imagens das vivências do ator, construindo tom performático e poético que convida à reflexão sobre a necessidade de revisitar a criança que fomos.

A peça usa a especificidade da experiência queer para tocar aspectos da formação humana, criando pontes entre passado e presente através da arte.

SERVIÇO 

Maria Preta” – Lançamentos com Leitura Dramatizada
08/11 (sábado), às 16h
Espaço O Poste – Rua do Riachuelo, nº 641, Boa Vista, Recife
Entrada gratuita | Interpretação em Libras

15/11 (sábado), às 18h
Quilombo do Catucá – Rua Ana Alves, nº 443, Viana, Camaragibe
Entrada gratuita | Interpretação em Libras

18/11 (terça-feira), às 15h
Escola Pernambucana de Circo – Av. José Américo de Almeida, nº 05, Macaxeira, Recife
Entrada gratuita | Interpretação em Libras

Ubuntu – Circulação em Escolas Públicas
17/11/2025 – Escola Frei João Pereira de Souza, Itaíba (PE)
18/11/2025 – Escola Cel Manoel De Souza Neto, Manari (PE)
19/11/2025 – Escola José Emílio De Melo, Tupanatinga (PE)
21/11/2025 – Grupo Escolar Dom Carlos Coelho, Jurema (PE)
22/11/2025 – Colégio Municipal Monsenhor José de Anchieta Callou, Caetés (PE)
Entrada gratuita

Tempo de Vagalume
Até 15/11 (sextas e sábados), às 19h
Teatro Arraial Ariano Suassuna, Garanhuns
Entrada gratuita

Tom na Fazenda
Local: Teatro Luiz Mendonça
07/11 (sexta-feira) – 20h
08/11 (sábado) – 20h
09/11 (domingo) – 19h
Ingressos: R$ 70 a R$ 140

ATO – Leitura de “O Tartufo”
08/11 (sábado), às 17h
Galeria Joana D’Arc – Av. Herculano Bandeira, 513, Pina, Recife
Entrada gratuita | Contribuição espontânea

Festival Circo do Brasil – Últimas Apresentações
Sexta-feira, 07/11:
19h – SARAYVARA – Teatro Hermilo Borba Filho – Gratuito (Sympla)
19h30 – FRAGMENTOS – Teatro Apolo – Ingressos: Sympla

Sábado, 08/11:
15h – COPYLEFT – Parque Apipucos – Gratuito
19h30 – FRAGMENTOS – Teatro Apolo – Ingressos: Sympla
20h – LE BRUIT DES PIERRES – Teatro de Santa Isabel – Ingressos: Sympla

Domingo, 09/11:
17h – JUVENTUD – Teatro do Parque – Ingressos: Sympla
18h – LE BRUIT DES PIERRES – Teatro de Santa Isabel – Ingressos: Sympla

Classificações: Livre, 10 anos e 14 anos (conforme espetáculo)

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Lady Tempestade, com Andrea Beltrão
abre Festival Recife do Teatro Nacional
celebrando vozes femininas

Andrea Beltrão em Lady Tempestade. Foto: Nana Moraes / Divulgação

Atriz interpreta a advogada pernambucana Mércia de Albuquerque. Foto: Nana Moraes / Divulgação

2 de abril de 1964. Uma cena de horror se desenrolava pelas ruas do Recife e mudaria para sempre a vida de uma jovem advogada. Gregório Bezerra, comunista histórico e líder das Ligas Camponesas, ferrenho opositor do recém-instalado regime militar, estava sendo arrastado seminu pelo asfalto, amarrado ao para-choque de um jipe. O coronel Darcy Villocq comandava aquela demonstração de brutalidade que seria transmitida pelo Repórter Esso para todo o país – o primeiro caso documentado de tortura política pós-golpe.

Entre os que testemunharam aquela barbárie estava Mércia de Albuquerque, advogada de 30 anos. Aquela imagem ficou cravada em sua retina. Ao chegar em casa, ela comunicou ao marido Octávio uma decisão que mudaria sua vida: defenderia Gregório Bezerra e qualquer pessoa que necessitasse de proteção contra as arbitrariedades do novo regime.

Mais de sessenta anos depois, essa história de coragem chega ao 24º Festival Recife do Teatro Nacional através do espetáculo Lady Tempestade, que abre a programação no dia 20 de novembro no Teatro de Santa Isabel. Andrea Beltrão protagoniza o monólogo sobre a advogada que defendeu mais de 500 presos políticos.

Com texto de Sílvia Gomez e direção de Yara de Novaes, o espetáculo parte dos diários que Mércia escreveu durante os anos mais duros da ditadura. Passado, presente e futuro se embaralham na narrativa, que utiliza uma estrutura “diário dentro do diário”.

Andrea Beltrão interpreta A., mulher que recebe misteriosamente os escritos de Mércia e gradualmente se envolve com aquelas histórias de resistência. A protagonista encara o dilema de se aprofundar ou não naquela realidade, mas acaba mergulhando nas memórias que revelam a busca por justiça e o paradeiro de desaparecidos, ecoando as súplicas de mães desesperadas.

A dramaturgia explora a ideia de que alguém do presente recebe uma convocação do passado, criando um tempo verbal instável que oscila entre passado, presente e futuro. Essa estrutura temporal reflete como o Brasil permanece reincidente no esquecimento de sua própria história. Uma frase se torna leitmotiv da montagem, repetida após trechos dramáticos do diário: “Essas coisas acontecem, aconteceram, acontecerão”. Para materializar esse conceito em cena, a direção de Yara de Novaes constrói uma jornada visual que espelha a própria transformação de Mércia.

O espetáculo inicia em um ambiente doméstico deteriorado – mobiliário gasto, cores apagadas, iluminação que sugere clausura e melancolia. Conforme a narrativa avança e o passado invade o presente, essa cenografia se reinventa: sons de violência cedem lugar a celebração, a decadência visual dá espaço à luminosidade, e o palco se torna território de resistência e esperança.

Complementando essa atmosfera de encontro entre tempos, a presença de Chico Beltrão, filho de Andrea, adiciona uma camada geracional ao espetáculo. Responsável pela trilha sonora e por momentos pontuais de diálogo, sua participação surgiu de uma proposta da diretora. Embora Andrea inicialmente tenha hesitado em envolver o filho – produtor musical, não ator – no projeto teatral, Yara identificou que essa configuração familiar ampliaria o impacto emocional da montagem. 

Lady Tempestade consolidou-se como um dos maiores sucessos teatrais contemporâneos e já circulou por várias cidades brasileiras. Desde sua estreia em 2024, a montagem realizou cerca de 150 apresentações e ultrapassou a marca dos 70 mil espectadores, registrando sessões esgotadas e repercussão positiva na imprensa.

O alcance da obra expandiu-se além dos palcos. A dramaturgia foi publicada pela Editora Cobogó em 2024, enquanto uma versão cinematográfica, dirigida por Maurício Farias, já teve suas filmagens concluídas em janeiro e fevereiro de 2025. O filme conta com direção de fotografia de Chico Rufino, direção de arte de Luciane Nicolino, desenho de som de Arthur Ferreira, participação de Chico Beltrão e produção da Taba Filmes, Boa Vida e Quintal Produções.

Festival conecta vozes femininas através dos séculos

Augusta Ferraz no ensaio Sobre os Ombros de Bárbara. Foto: Reprodução do Instagram

O tema “Vozes Femininas – Histórias que Ressoam” conecta diferentes épocas e contextos. Ao longo da programação – ainda sendo ultimada pela organização, com contratos em finalização e sem divulgação oficial da prefeitura – o público encontra desde Mércia Albuquerque, que enfrentou a ditadura no século XX (Lady Tempestade, na abertura dia 20), até Bárbara de Alencar, que desafiou o império no século XIX (apresentações agendadas para os dias 29 e 30), passando por outras montagens que abordam as lutas das mulheres contemporâneas. Essas histórias revelam como a resistência feminina se reinventa em cada período, mantendo sua força através dos tempos.

Primeira presa política brasileira e protagonista da Revolução Pernambucana de 1817 e da Confederação do Equador de 1824, Bárbara de Alencar (1760-1832) ganha vida através da interpretação de Augusta Ferraz. Sobre os Ombros de Bárbara, com dramaturgia de Brisa Rodrigues da própria Augusta, sob direção de José Manoel Sobrinho, explora as contradições de uma mulher republicana durante a monarquia.

Nascida em Exu, Bárbara quase custou a vida da mãe no parto. Aos 22 anos, casou-se e mudou-se para o Crato, onde teve cinco filhos – dois estudaram no Seminário de Olinda, epicentro do liberalismo europeu entre as elites. Organizou células revolucionárias em sua residência, articulando movimentos que desafiaram o poder imperial.

Posteriormente presa, foi transportada a pé por 600 quilômetros até Fortaleza, permaneceu três anos em calabouços, liderou um segundo levante, perdeu dois filhos nas revoltas e morreu aos 72 anos sem testemunhar a proclamação da República. Augusta Ferraz, da série Guerreiros do Sol, dá vida a essa escravocrata em crise, apresentando um corpo violentado e uma resistência ao arbítrio.

Laboratório Franco-Brasileiro

Trabalho desenvolvido pela companhia francesa ktha em Seul. Foto: Reprodução

A companhia francesa ktha chega ao Recife para desenvolver  a peça A Gente Quer com artistas locais, dentro da programação do Ano Cultural Brasil-França 2025. O grupo não carrega espetáculos prontos; ele criou uma metodologia de criação teatral que se concretiza diferentemente em cada cidade, ocupando espaços urbanos alternativos como contêineres, carrocerias de caminhões, telhados, túneis, estacionamentos, etc.

Em agosto, na Casa do Povo, no bairro do Bom Retiro em São Paulo, durante o festival ERUV, seis artistas brasileiros participaram de residência de duas semanas para criar as versões brasileiras de A Gente Quer e Tu Es Là / Você está Aqui. As apresentações lotaram o espaço, validando a potência dessa metodologia aplicada ao contexto brasileiro.

Para Recife, após analisar mais de 100 cartas de intenção, a companhia selecionou 10 artistas locais: Lucas Vinícius, Catarina Almanova, Ludmila Lopes, Anna Batista, Ana Luiza DAccioli, Rodrigo Hermínio, Maria Pepe, Guara Rios, Bruna Luiza Barros e Caru dos Santos. Durante 10 ensaios, eles vão construir uma versão que dialogue com as particularidades pernambucanas.

Desde 2021, essa metodologia se realizou em mais de 15 cidades do mundo, gerando espetáculos únicos. A dramaturgia funciona como uma matriz: uma extensa lista de desejos e reivindicações que ganha forma específica através do trabalho com performers locais, criando rituais coletivos de partilha de anseios urbanos.

Festival Recife do Teatro Nacional 2025
📅 20 a 30 de Novembro de 2025
🎭 Abertura: 20 de novembro – Lady Tempestade
📍 Teatro de Santa Isabel e outros espaços
🎫 Programação gratuita
Homenageadas: Auricéia Fraga e Augusta Ferraz

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Rolês teatrais no Recife, minha cidade

A Risita do Coletivo Fuscirco transforma Fusca Azul 1974 em circo ambulante

Espetáculo Fragmentos de La Víspera (Espanha-França) 

A 19ª edição do Festival de Circo do Brasil estabelece Recife como território de experimentação artística transdisciplinar entre 1º e 9 de novembro, coincidindo com temporadas nacionais e criações locais que consolidam a cidade como polo de renovação cênica. Sob o eixo curatorial Aldeia de Tous (Aldeia de Todos), inspirado no pensamento do ambientalista e filósofo Ailton Krenak, o festival entrelaça sustentabilidade e democracia no picadeiro, expandindo fronteiras entre circo, dança, teatro e performance.

Esta edição marca intercâmbio inédito com a França através da parceria entre Luni Produções e La Grainerie, contemplada pela Temporada Cruzada Brasil-França 2025, levando espetáculos, oficinas, residências e gastronomia brasileira ao país francês. Com apoio da Funarte, Ministério da Cultura, Instituto Guimarães Rosa, Institut Français e governos estadual e municipal, o projeto reafirma Recife como centro irradiador de criação contemporânea.

Companhias de cinco países ocupam espaços públicos e teatros da cidade com ingressos democráticos de R$ 10 a R$ 50 para espetáculos pagos, enquanto extensa programação gratuita democratiza acesso através do Parque Santana, Teatro Apolo, Parque Apipucos e outros territórios urbanos. Paralelamente, produções nacionais como Raul Seixas, O Musical, Tom na Fazenda e criações locais como Tempo de Vagalume investigam identidade, ancestralidade e resistência.

Circo é uma Aldeia de Tous

Auro Duo, número em lira acrobática interpretado por Jéssica Moura e Fernanda Victor. Foto Divulgação

A Mostra PE celebra diversidade regional através de seis criações que ocupam o Parque Santana nos dias 1º e 2 de novembro a partir das 12h, com entrada franca. Aura Duo, interpretado por Jéssica Moura e Fernanda Victor, desenvolve lira acrobática baseada em confiança e sincronia, onde cada gesto constrói onda de energia conectiva. Águia de Cuia pela Família Malanarquista celebra malabarismo de rua forjado nos semáforos recifenses, adaptando-se a qualquer espaço com humor e improviso.

Balanceiro transforma Paiace Brotin em equilibrista de mundos através de três bambolês, reconstruindo universos após cada queda com coragem e entusiasmo bambolístico. Escada Sem Limites eleva Xixa Morales a 4,5 metros de altura numa das maiores estruturas de equilíbrio do Brasil, combinando mortais, giros e adrenalina. Eclipse: Dança dos Astros materializa pesquisa de Jimmy Sá realizada na Escola Nacional de Circo Luiz Olimecha, criando analogia astronômica onde artista representa o Sol e lira acrobática personifica a Lua em dança aérea contemplativa.

O Jogo de Tênis completa a mostra através da perambulação do Palhaço Geleia, que transforma busca por parceiros de jogo em convite ao encantamento coletivo.

How Much We Carry? do Cirque Immersif

Copyleft da Cie. NDE reúne dream team internacional no sábado 8 de novembro às 15h no Parque Apipucos: Juan Duarte Mateos (Uruguai), Lucas Castelo Branco (Brasil), Nahuel Desanto (Argentina), Gonzalo Fernandez Rodriguez (Espanha) e Walid El Yafi (França). Sob direção de Nicanor de Elia, o turbilhão de 45 minutos junta malabarismo, dança e humor com referências esportivas, utilizando trilha de Giovanni di Domenico (Itália) para criar espetáculo adaptável a espaços públicos diversos.

How Much We Carry? do Cirque Immersif propõe reflexão poética sobre o verbo “carry” através de percha gigante em desequilíbrio. O espetáculo itinerante sem diálogos transita pelo Parque Santana (1º e 2 de novembro), Alto da Sé em Olinda (7 de novembro às 16h30), Oficina Francisco Brennand (8 de novembro às 15h) e Praça do Arsenal no Recife Antigo (9 de novembro às 16h), transformando travessia urbana em homenagem às caminhadas humanas.

Hyperboles da Cie. SCoM investiga interseções entre skate e acrobacia no Parque Santana durante 1º e 2 de novembro, questionando lugar das mulheres em práticas historicamente masculinas. Reunindo artistas circenses e skatistas de diferentes culturas, o projeto transforma espaço urbano através de perspectiva feminina.

O Vazio É Cheio de Coisa Foto: Diego Bresani / Divulgação

Sarayvara celebra 21 anos de investigação da Cia Nós No Bambu na sexta-feira 7 de novembro às 19h no Teatro Hermilo. Poema Mühlenberg desenvolve dramaturgia corporal que transita entre circo, dança e teatro através do encontro simbiótico com bambu. Artista e artesã, ela cuida do bambuzal, colhe, trata e constrói instrumentos, materializando mensagem ecológica urgente sobre reconexão com natureza.

O Vazio É Cheio de Coisa sintetiza quinze anos de pesquisa arte-corpo-bambu na quinta-feira 6 de novembro às 20h no Teatro de Santa Isabel. Primeiro solo de Poema Mühlenberg constitui dança acrobática minimalista onde corpo humano e bambu oco desdobram dramaturgia de imagens emergentes da relação sensível entre humano e vegetal.

Vermelho, Branco e Preto traz Cibele Mateus de São Paulo nas quartas 5 e quinta 6 de novembro às 19h30 no Teatro Apolo. A multiartista dá vida à figura cômica “Mateu” do Cavalo Marinho pernambucano, entrelaçando narrativas caboclas (vermelho), críticas coloniais (branco) e máscara preta (negrume) numa brincadeira-manifesto que celebra alegria como tecnologia de reexistência.

Juventud da Cie NDE

Nove Tentativas de Não Sucumbir da Cia Devir transforma trapézio em metáfora sobre reconhecimento e resistência na sexta-feira 31 de outubro e sábado 1º de novembro às 19h no Teatro Apolo. Dirigido por Jean Michel Guy, João Lucas Cavalcanti e Vitor Lima investigam força do tentar através de técnica, vulnerabilidade e humor, com sessão do sábado oferecendo acessibilidade em Libras.

Juventud da Cie NDE funde dança e malabarismo no domingo 9 de novembro às 17h no Teatro do Parque. Sobre palco branco emoldurado em preto, cinco intérpretes constroem manifestação em movimento onde beleza emerge da complexidade coletiva, utilizando som, luz e vídeo para celebrar juventude como horizonte futuro.

Fragmentos de La Víspera (Espanha-França) divide corpo com humor nas sextas 7 e sábado 8 de novembro às 19h30 no Teatro Apolo. Vinka Delgado, Diego Hernando e Guille Leoni exploram distorções corporais através de máscaras, marionetes e experimentações luminosas, transformando dor em thriller circense sobre fragmentação como alívio paradoxal.

Le Bruit des Pierres do Collectif Maison Courbe entrelaça circo coreográfico, artes visuais e teatro físico no sábado 8 de novembro às 20h e domingo 9 às 18h no Teatro de Santa Isabel. Nina Harper e Domitille Martin personificam ganância ocidental pelo ouro através de ritual onde uma cobre pedras com folhas douradas enquanto outra as devora compulsivamente, criando reflexão sobre relação predatória com ambiente.

A tradição circense é celebrada no espetáculo Esparrama Circo

Esparrama Circo do Grupo Esparrama paulista homenageia tradição circense no Parque Santana durante 1º e 2 de novembro. Os palhaços convidam público a protagonizar cena, despertando memórias afetivas ligadas ao riso e convivência coletiva, celebrando circo como patrimônio cultural e teatro de rua como espaço de encontro.

A Risita do Coletivo Fuscirco transforma Fusca Azul 1974 em circo ambulante no Parque Santana (1º e 2 de novembro), Compaz Ariano Suassuna (segunda 3 de novembro às 15h) e Vera Cruz/Aldeia em Camaragibe (terça 4 de novembro às 16h). Rupi e Pitchula extraem música, malabares, equilibrismo e humor cearense do veículo que serve como transporte, lar e picadeiro móvel.

Hospital Agamenon Magalhães recebe sessão fechada do Palhaço Geleira através da Mostra PE. A performance varieté revela múltiplas facetas circenses.

Espetáculos nacionais em circulação

Bruce Gomlevsky como Raul Seixas. Foto: Dalton Valerio / Divulgação

Tom na Fazenda, com Armando Babaioff, Soraya Ravenle, Gustavo Rodrigues e Camila Nhary

Raul Seixas, O Musical desembarca no sábado 1º de novembro às 21h no Teatro RioMar com ingressos a partir de R$ 65. Bruce Gomlevsky, laureado com Prêmio Fita 2024, conduz 70 minutos através de noite insone onde Raul revisita trajetória via 21 canções emblemáticas. Entre Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás, Maluco Beleza, Tente Outra Vez e Gita, a produção mergulha nos bastidores da mente inquieta, resgatando essência da Sociedade Alternativa onde liberdade e autenticidade são valores fundamentais.

Tom na Fazenda estabelece residência no Teatro Luiz Mendonça entre 7, 8 e 9 de novembro (sexta e sábado às 20h, domingo às 19h) após aclamada turnê europeia incluindo temporada parisiense e Festival de Edimburgo. Armando Babaioff, Soraya Ravenle, Gustavo Rodrigues e Camila Nhary interpretam adaptação de Michel Marc Bouchard dirigida por Rodrigo Portella, acompanhando Tom em funeral do companheiro onde enfrenta mãe que desconhece orientação sexual e irmão violento que exige silêncio, transformando mentira em condição de sobrevivência.

We call it Ballet – A Bela Adormecida combina balé clássico com tecnologia LED no domingo 2 de novembro às 16h no Teatro RioMar, com ingressos de R$ 80 a R$ 160. Bailarinos utilizam figurinos com luzes integradas para coreografias luminosas que projetam cores pelo palco, modernizando conto da princesa amaldiçoada através de piruetas e saltos interativos com tecnologia incorporada aos trajes. Próxima apresentação confirmada para 18 de janeiro de 2026.

Gongada Drag na sessão recifense homenagea Salário Mínimo. Foto: Adelino Cruz / Divulgação

The Jury Experience — Morte pela IA: Quem Paga o Preço? transforma audiência em júri de julgamento no domingo 2 de novembro às 19h30 no Teatro RioMar. Durante 75 minutos, espectadores analisam depoimentos, examinam provas forenses e decidem veredito via celular sobre responsabilidade em acidente causado por carro autônomo. A experiência questiona limites entre criador, proprietário e tecnologia em decisões vitais, oferecendo ingressos de R$ 60 a R$ 280.

Gongada Drag chega na quinta-feira 6 de novembro às 21h no Teatro RioMar com ingressos a partir de R$ 45. Bruno Motta conduz 120 minutos reunindo queens de LOL Brasil, Caravana das Drags, Queens of The Universe e Drag Race, homenageando Salário Mínimo, histórica humorista pernambucana fundamental na construção da arte drag nacional. Hellena Malditta, Suzy Brasil, Sayuri Heiwa, Vagiene Cokeluche, Magally Mel e Luciano Rundrox como Pastor Ubirajara celebram diversidade enquanto honram tradições carnavalescas locais.

Tempo de Vagalume, com Joesile Cordeiro. Foto: Divulgação

Negaça integra programação do Espaço O Poste na sexta-feira 31 de outubro às 19h com ingressos de R$ 30/15. Urubatan Miranda desenvolve solo autobiográfico reconstruindo história pessoal através do terreiro de Umbanda Tenda Espírita Pai Jacob em Campos dos Goytacazes-RJ. Utilizando registros fotográficos, vídeos, cantigas e rezas, o artista constrói dramaturgia corporal incorporando movimentação de Exú, estruturando cena como camarinha de iniciações entre focos, sons e cânticos ancestrais.

Tempo de Vagalume marca retomada teatral do Agreste através de temporada gratuita no Teatro Arraial Ariano Suassuna de 31 de outubro a 15 de novembro (sextas e sábados às 19h). Joesile Cordeiro apresenta monólogo autobiográfico sobre percepção LGBTQIAP+ dirigido por André Chaves com dramaturgia de Bruno Alves, utilizando simbologia dos vagalumes para reencontro com memórias de infância e interação com público.

Simbiose – Um Novo Ciclo da Ardedança questiona padrões estéticos no sábado 1º de novembro às 19h30 no Teatro Barreto Júnior (ingressos R$ 60/30). Inspirado na espiral da vida representando movimento e transformação, o espetáculo investiga relação entre dança e psicanálise: “Esperam que eu dance bonito. Mas o bonito que esperam não me cabe. O padrão me aperta, me sufoca, me silencia. Eu desmonto e reinvento meu próprio passo.”

Frankinh@: Uma História em Pedacinhos. Foto: Vilmar Carvalho

Minha História Sou Eu celebra 40 anos de carreira de Geraldo Maia na sexta-feira 31 de outubro às 19h30 no Teatro Capiba (ingressos R$ 30/15). O “essencialmente artista da voz” recebe Carvalho Tomaz e trio formado por Renato Bandeira, Lieve Ferreira e Gilberto Bala, para interpretar composições como O Tempo Atravessa o Homem, Não me Venhas, De Navegar e Minha História Sou Eu, transitando entre fado com zabumba, baião e preces a Padre Cícero.

Frankenstein do Coletivo Gompa desenvolve linguagem híbrida na CAIXA Cultural através de versão adulta (sexta 31 de outubro e sábado 1º de novembro às 20h, ingressos R$ 30/15). Fabiane Severo e Alexsander Vidaleti revisitam Mary Shelley tecendo paralelos entre corpo feminino e Amazônia, com trilha de Álvaro Rosa Costa criando “dissonância Frankenstein” através de samples e improvisações ao vivo.

Frankinh@: Uma História em Pedacinhos adapta a obra para crianças no sábado 1º de novembro às 17h na CAIXA Cultural (ingressos R$ 30/15). Misturando narração, teatro, dança e artes visuais, a versão desperta imaginário criativo através de Victor Frankenstein que aprende sobre aceitação das diferenças quando Criatura não corresponde ao planejado.

Chapeuzinho de Neve Adormecida. Foto: Romeu Santos / Divulgação

Chapeuzinho de Neve Adormecida embaralha referências clássicas no sábado 1º de novembro às 16h30 no Teatro Luiz Mendonça (ingressos R$ 50 a R$ 100). O musical mistura Chapeuzinho Vermelho, Branca de Neve e A Bela Adormecida, criando narrativa onde personagens se encontram e desencontram, gerando situações educativas sobre identidade e diferenças.

A Princesa dos Mares – O Musical, também da Helena Siqueira Produções propõe programação familiar no domingo 2 de novembro às 16h30 no Teatro Luiz Mendonça (ingressos R$ 50 a R$ 100). Combinando aventura marítima com mensagem ambiental, o musical acompanha protagonista salvando oceanos através de criaturas marinhas que ensinam preservação via canções e coreografias aquáticas.

SERVIÇO

SEXTA-FEIRA, 31 DE OUTUBRO

Negaça – Urubatan Miranda
Local: Espaço O Poste (Rua do Riachuelo, 641, Boa Vista)
Horário: 19h | Ingressos: R$ 30/15

Nove Tentativas de Não Sucumbir (Festival de Circo)
Local: Teatro Apolo | Horário: 19h | Gratuito via Sympla

Minha História Sou Eu – Geraldo Maia
Local: Teatro Capiba | Horário: 19h30 | Ingressos: R$ 30/15

Frankenstein – Coletivo Gompa
Local: CAIXA Cultural | Horário: 20h | Ingressos: R$ 30/15

Tempo de Vagalume
Local: Teatro Arraial Ariano Suassuna | Horário: 19h | Gratuito

SÁBADO, 1º DE NOVEMBRO

Raul Seixas, O Musical – Bruce Gomlevsky
Local: Teatro RioMar | Horário: 21h | Ingressos: a partir de R$ 65

We call it Ballet – A Bela Adormecida
Local: Teatro RioMar | Horário: 16h | Ingressos: R$ 80 a R$ 160

Simbiose – Um Novo Ciclo – Ardedança
Local: Teatro Barreto Júnior | Horário: 19h30 | Ingressos: R$ 60/30

Chapeuzinho de Neve Adormecida
Local: Teatro Luiz Mendonça | Horário: 16h30 | Ingressos: R50aR 100

Frankinh@: Uma História em Pedacinhos
Local: CAIXA Cultural | Horário: 17h | Ingressos: R$ 30/15

Frankenstein 
Local: CAIXA Cultural | Horário: 20h | Ingressos: R$ 30/15

Nove Tentativas de Não Sucumbir (com Libras) (Festival de Circo)
Local: Teatro Apolo | Horário: 19h | Gratuito via Sympla

Tempo de Vagalume | Teatro Arraial Ariano Suassuna | 19h | Gratuito

FESTIVAL DE CIRCO – PARQUE SANTANA (a partir das 10h)

Mostra PE 
Esparrama Circo – Grupo Esparrama (SP)
A Risita – Coletivo Fuscirco (CE)
Hyperboles – Cie. SCoM (França)
How Much We Carry? – Cirque Immersif (França-Brasil) Programação gratuita
Veja + https://www.festivaldecircodobrasil.com.br/2025bra/brasil/brasil-espetaculos/

DOMINGO, 2 DE NOVEMBRO

The Jury Experience
Local: Teatro RioMar | 19h30 | R60aR 280

A Princesa dos Mares – O Musical
Local: Teatro Luiz Mendonça | Horário: 16h30 | Ingressos: R50aR 100

FESTIVAL DE CIRCO – PARQUE SANTANA
Repetição da programação gratuita

SEGUNDA-FEIRA, 3 DE NOVEMBRO

A Risita | Compaz Ariano Suassuna | 15h | Gratuito

TERÇA-FEIRA, 4 DE NOVEMBRO

A Risita | Vera Cruz/Aldeia – Camaragibe | 16h | Gratuito

QUARTA-FEIRA, 5 DE NOVEMBRO

Vermelho, Branco e Preto (com Libras)
Local: Teatro Apolo | Horário: 19h30 | Ingressos: R10aR 50

QUINTA-FEIRA, 6 DE NOVEMBRO

Gongada Drag
Local: Teatro RioMar | Horário: 21h | Ingressos: a partir de R$ 45

Vermelho, Branco e Preto
Local: Teatro Apolo | Horário: 19h30 | Ingressos: R10aR 50

O Vazio É Cheio de Coisa
Local: Teatro de Santa Isabel | Horário: 20h | Ingressos: R10aR 50

SEXTA-FEIRA, 7 DE NOVEMBRO

Tom na Fazenda
Local: Teatro Luiz Mendonça | Horário: 20h

Sarayvara
Local: Teatro Hermilo | Horário: 19h | Gratuito via Sympla

Fragmentos
Local: Teatro Apolo | Horário: 19h30 | Ingressos: R10aR 50

How Much We Carry? | Alto da Sé (Olinda) | 16h30 | Gratuito

Tempo de Vagalume | Teatro Arraial Ariano Suassuna | 19h | Gratuito

SÁBADO, 8 DE NOVEMBRO

Tom na Fazenda
Local: Teatro Luiz Mendonça | Horário: 20h

Copyleft | Parque Apipucos | 15h | Gratuito

Fragmentos | Teatro Apolo | 19h30 | R10aR 50

Le Bruit des Pierres | Teatro de Santa Isabel | 20h | R10aR 50

How Much We Carry? | Oficina Francisco Brennand | 15h | Gratuito

Tempo de Vagalume| Teatro Arraial Ariano Suassuna | 19h | Gratuito

DOMINGO, 9 DE NOVEMBRO

Tom na Fazenda
Local: Teatro Luiz Mendonça | Horário: 19h

Juventud | Teatro do Parque | 17h | R10aR 50

Le Bruit des Pierres | Teatro de Santa Isabel | 18h | R$ 10 a R$ 50

How Much We Carry? | Praça do Arsenal (Recife Antigo) | 16h | Gratuito

TEMPORADAS CONTINUADAS

Tempo de Vagalume | Teatro Arraial Ariano Suassuna
Sextas e sábados, 19h até 15/11 | Gratuito

CONTATOS E INGRESSOS
CAIXA Cultural: (81) 3425-1915
Teatro RioMar: Av. República do Líbano, 251 – Pina
Ingressos Festival de Circo: Sympla
 @festivaldecirco @luniprodutions

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Recife intensifica calendário cultural
com programação internacional

Germaine Acogny encerra dois festivais simultâneos, Foto: Thomas Dorn

O último terço do ano confirma a vocação do Recife como palco de experiências cênicas diversificadas. Nos próximos dias a cidade recebe simultaneamente festivais consolidados e estreias nacionais, criando densidade artística que atravessa teatros, parques e espaços alternativos. A programação reúne desde a presença singular de Germaine Acogny, figura seminal da dança contemporânea africana, até companhias europeias que investigam novas possibilidades do circo contemporâneo.

Aos 81 anos, Germaine Acogny chega ao Teatro Santa Isabel como ponto de convergência entre o Festival Internacional de Dança do Recife e o Festival de Teatro do Agreste – Feteag. Fundadora da École des Sables no Senegal, considerada a mais importante escola de dança contemporânea da África, ela desenvolveu metodologia própria que associa técnicas tradicionais senegalesas com formação moderna adquirida em Nova York nos anos 1970.

À un endroit du début surge como síntese autobiográfica onde Acogny revisita suas origens através do prisma da tragédia grega. A montagem, criada em colaboração com o diretor franco-alemão Mikaël Serre, conecta as palavras proféticas de sua avó, a sacerdotisa Aloopho, com o sofrimento de Medeia. A dramaturgia corporal e os elementos cênicos incluem projeções que potencializam a gestualidade ancestral, criando diálogo temporal entre cosmogonia iorubá e dramaturgia clássica ocidental. Ganhadora do Leão de Ouro na Bienal de Dança de Veneza em 2021, Acogny transforma o palco em território onde sua técnica singular ganha dimensão ritualística.

Antes da chegada da mestre senegalesa, o Festival de Dança do Recife apresenta criações que exploram identidade e ancestralidade através da corporeidade. Orun Santana desenvolve em “Orunmilá” um paralelo poético entre sua identidade pessoal e a divindade iorubá da sabedoria e adivinhação. O espetáculo incorpora o jogo de búzios como elemento dramatúrgico, encarnando figuras diferentes e construindo caminhos para lidar com o tempo em seu caráter espiralar, conectando-se à pesquisa do artista sobre A ancestralidade do presente.

Na mesma linha investigativa, Marcos Teófilo questiona expectativas sociais em Para Expectativa Somente Desvios, utilizando narrativas corporais complexas que propõem caminhos alternativos através do movimento. Enquanto isso, a Batalha da Escadaria no Compaz Eduardo Campos reúne vertentes da cultura urbana metropolitana: Serafin’s Company mistura afrobeats com hip hop local, criando sonoridade que reflete a diversidade cultural da região; a Batalha de All Style reúne dançarinos de diferentes vertentes; e o Baile Charme manifesta a cultura de rua que mescla dança, música e sociabilidade urbana.

Paralelamente, o Feteag 2025 examina questões contemporâneas através de obras que interrogam estruturas sociais. Bolor, de Gabi Holanda, Guilherme Allain e Isabela Severi, emprega fungos como protagonistas metafóricos de processos de decomposição e renascimento, confrontando diretamente a mitologia freyreana do açúcar. A criação expõe a violência estrutural da plantation açucareira através de estética que valoriza redes subterrâneas de resistência, dialogando com pensadores como Malcom Ferdinand e Anna Tsing para imaginar futuros decoloniais.

Nessa perspectiva crítica, Les Sans (Os sem), do coletivo Les Récréâtrales-ELAN de Burkina Faso, adapta o pensamento de Frantz Fanon para o teatro através do reencontro de dois ex-companheiros de luta. Ali Kiswinsida Ouédraogo explora o conflito entre Franck e Tiibo, onde um mantém ideais de transformação social enquanto o outro foi cooptado pelo sistema que combatiam, interrogando as limitações da independência burkinabê e questionando se a libertação formal constitui verdadeira descolonização.

Cia Etc reflete sobre as pulsões contemporâneas com O Tempo das Lebres. Foto: Divulgação

Enquanto os festivais investem em questões identitárias e pós-coloniais, a Cia. Etc. celebra 25 anos de trajetória com uma reflexão sobre o tempo contemporâneo. O Tempo das Lebres, investigação artística iniciada em 2019 e inspirada no livro homônimo do filósofo José Antônio Feitosa Apolinário, nasce da urgência de examinar o estado contemporâneo onde pressa e produtividade atingem níveis que empurram o mundo a um estado permanente de exaustão, ansiedade e desconexão, mesmo após a crise provocada pela pandemia.

A estética techno atravessa a montagem, reforçando a pulsação frenética das cidades e das telas presentes na sociedade contemporânea. Dirigida por Marcelo Sena e Filipe Marcena, a obra questiona o culto à velocidade e pergunta sobre o que acontece com quem não acompanha o ritmo imposto. Nesse contexto, a escolha do estúdio da TV Universitária como espaço cênico permite mesclar linguagens da dança, performance, audiovisual, instalação e música, criando imersão inédita onde o audiovisual torna-se parte essencial dos processos de aceleração tecnológica.

Importante destacar que a acessibilidade integra a dramaturgia: audiodescritoras caminham junto ao público composto por pessoas cegas e com baixa visão, narrando cada cena em tempo real no pé do ouvido. Essa escolhas técnica dialoga com as apresentações que sucedem uma série de performances urbanas que serviram como laboratório criativo – Tempo Morto, Fast Foda, Escape e Memória do Mundo – intervenções que discutiram corpo, ritmo e desconforto em espaços públicos.

Experimentações Autorais no Espaço O Poste

Luanda Ruanda – histórias africanas. Foto: Tatá Costa

Fabíola Nansurê em Barro Mulher

Negaça

Em outro território de criação, o Espaço O Poste funciona como laboratório de produções autorais que desenvolvem pesquisas continuadas sobre identidade, memória e resistência. Nessa programação curada, Fabíola Nansurê, reconhecida por suas pesquisas sobre corpo e território, constrói em Barro Mulher uma dramaturgia sensorial que utiliza barro como elemento cênico central. A obra explora texturas, plasticidade e simbolismo do material para questionar padrões estéticos e sociais impostos aos corpos femininos, propondo reflexão sobre resistência, autoconhecimento e reconexão com elementos primordiais da natureza.

A encenação dialoga com tradições ceramistas nordestinas e práticas rituais ancestrais, criando pontes entre saberes populares e linguagem cênica contemporânea. Essa mesma busca por conectar tradições e contemporaneidade aparece em Luanda Ruanda: Histórias Africanas, onde Stephany Metódio, especializada em culturas africanas e afro-brasileiras, apresenta experiência que resgata narrativas africanas através de contação que conecta tradições orais do continente com experiências da diáspora no Brasil.

A artista desenvolve dramaturgia que articula contos tradicionais de diferentes regiões da África com reflexões sobre identidade, pertencimento e resistência cultural, utilizando música, dança e elementos visuais para criar atmosfera que transporta o público para universos narrativos ricos em simbolismo e ensinamentos ancestrais. A montagem possui relevância educativa e cultural, funcionando como instrumento de valorização da herança africana e combate ao racismo através da arte. Contemplado três vezes pelo Funcultura-PE, o espetáculo já percorreu mais de 15 comunidades quilombolas e foi vencedor do Prêmio Pernalonga de Teatro 2024 na categoria Teatro para Infância.

Fechando essa trilogia de investigações identitárias, Urubatan Miranda encerra a programação mensal com Negaça, solo que explora construções de masculinidade no contexto nordestino através de autobiografia cênica que articula memória pessoal com questões coletivas sobre identidade de gênero e afetividade. O trabalho questiona estereótipos sobre homens nordestinos, explorando sensibilidades, vulnerabilidades e formas de amar que escapam aos padrões heteronormativos dominantes, utilizando humor, poesia e crítica social para desconstruir imagens cristalizadas sobre masculinidade sertaneja.

Diálogo Entre Arte e Ciência

Frankinh@ em cartaz na Caixa Cultural Recife. Foto vilmar carvalho

Transitando para um território conceitual diferente, o Coletivo Gompa apresenta na CAIXA Cultural temporada dupla que coloca arte em diálogo direto com ciência, biologia, literatura e física. Frankinh@, vencedor do Prêmio SESC de Artes Cênicas e já apresentado em 18 cidades brasileiras, além de Rússia e Cuba, mescla narração, teatro, dança, artes visuais e trilha sonora original para reinventar a primeira obra de ficção científica da história.

A montagem busca despertar o imaginário infantil e sua capacidade criativa através da história de Victor Frankenstein, jovem esquisito e solitário que acaba criando alguém para lhe fazer companhia, desafiando os limites da ciência. A Criatura não sai exatamente como planejado, ensinando Victor a lidar com surpresas e transformações.

Em contrapartida, a versão adulta Frankenstein revisita o clássico de Mary Shelley com olhar contemporâneo, criando paralelos entre corpo feminino e Amazônia, explorando questões como pertencimento, violência e identidade. No palco, os bailarinos Fabiane Severo e Alexsander Vidaleti dão vida às vozes de Sandra Dani e Elcio Rossini, em encenação que combina textos, cenário, figurinos e iluminação com narrativa decolonial. A trilha sonora, assinada por Álvaro Rosa Costa, é manipulada ao vivo buscando criar “dissonância Frankenstein”, unindo samples, ruídos e improvisações.

Sonho Encantado de Cordel – O Musical é inspirado no enredo da Escola Imperatriz Leopoldinense 

No circuito dos grandes espetáculos, Sonho Encantado de Cordel – O Musical se apresenta como uma das mais ambiciosas produções teatrais da temporada. O espetáculo, inspirado no enredo Uma Delirante Confusão Fabulística de 2005, criado por Rosa Magalhães para a Imperatriz Leopoldinense em homenagem ao centenário de Hans Christian Andersen, funde elementos da cultura nordestina com o universo dos contos de fadas dinamarqueses.

A produção de Thereza Falcão conta com mais de 10 cenários e 50 figurinos criados pela carnavalesca Rosa Magalhães – obra póstuma da artista, que faleceu em julho deste ano aos 77 anos, deixando todos os desenhos prontos na noite anterior à sua partida. Mauro Leite, braço direito de Rosa, conduz a execução dos figurinos, dialogando com projeções e vídeos dirigidos por Batman Zavareze. As coreografias são assinadas por Renato Vieira, enquanto Marcelo Alonso Neves assina a direção musical.

O diferencial musical reside nas 10 composições inéditas de Paulinho Moska, Chico César e Zeca Baleiro, criando linguagem sonora que honra raízes nordestinas e universalidade fabular. A história gira em torno de Rosa Cordelista, jovem que sonha em se tornar grande cordelista e, através de sonho mágico, encontra Hans Christian Andersen em jornada repleta de personagens míticos.

Jeison Walace como Cinderela. Foto: Divulgação

Também investindo no humor como linguagem, o Teatro do Parque recebe Jeison Wallace em Cinderela em: Toda Cidade Tem, espetáculo que explora com inteligência as peculiaridades e situações do cotidiano encontradas em qualquer cidade brasileira. O comediante, consolidado como uma das principais referências da comédia nacional, constrói esquetes que abordam desde fofoca de bairro até personagens que marcam o dia a dia local, criando identificação imediata com públicos diversos através de piadas que fazem aquela mistura.

Na mesma linha de entretenimento familiar, Os 3 Super Porquinhos, também no Teatro do Parque, recebe tratamento contemporâneo de Roberto Costa, transformando o conto clássico em comédia musical que aborda preservação ambiental. A adaptação inverte arquétipos tradicionais: o Lobo torna-se personagem cômico e educativo, interagindo com crianças e se mostrando bobalhão, enquanto a caminhada final pela paz e preservação na floresta propõe conscientização sobre causas ambientais atuais.

Tom na Fazenda, sucesso de público e crítica no Brasil e exterior

Por outro lado, o Teatro Luiz Mendonça recebe produções de maior densidade dramática, como Tom na Fazenda, adaptação da peça de Michel Marc Bouchard que retorna ao Recife após turnê europeia de cinco meses, incluindo temporada de um mês em Paris com recorde de público e bilheteria, além de participação no Festival de Edimburgo. O espetáculo, visto por mais de 150.000 pessoas em mais de 450 apresentações desde 2017, explora sobrevivência emocional em ambiente rural hostil.

A trama acompanha Tom, que viaja para fazenda no interior após morte de seu companheiro para participar do funeral. Lá encontra a mãe, que desconhece a orientação sexual do filho falecido, e o irmão, camponês violento que insiste através de agressão que Tom esconda o relacionamento da mãe enlutada. Na fazenda, mentir torna-se primeira condição de sobrevivência, criando dramaturgia visceral que mistura realismo e expressionismo para abordar homofobia interiorizada e construção de masculinidades.

Festival de Circo

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Nove Tentativas de Não Sucumbir, da Cia Devir 

Espetáculo Juventud da Cie NDE funde dança e malabarismo

Completando esse panorama diversificado, o Festival de Circo do Brasil democratiza acesso ao circo contemporâneo através de programação com espetáculos espalhados por teatros, parques e espaços públicos, sendo 9 totalmente gratuitos. Abrindo essa celebração circense, a Cia Devir apresenta Nove Tentativas de Não Sucumbir, obra dirigida por Jean Michel Guy que transforma o ato de equilibrar-se no trapézio em metáfora sobre reconhecimento, resistência e reinvenção. Entre técnica, vulnerabilidade e humor, o espetáculo investiga o que mantém corpos em movimento e a força de tentar – mais uma vez – não sucumbir.

Da esfera internacional, a programação inclui Copyleft da Cie. NDE, que reúne dream team de cinco países – Juan Duarte Mateos (Uruguai), Lucas Castelo Branco (Brasil), Nahuel Desanto (Argentina), Gonzalo Fernandez Rodriguez (Espanha) e Walid El Yafi (França) – em turbilhão de malabarismo e dança com 45 minutos de duração. Criada para espaços públicos e terrenos diversos, a obra combina precisão técnica e energia coletiva sob direção de Nicanor de Elia.

Retornando à produção nacional, o Grupo Esparrama traz Esparrama Circo, homenagem à tradição popular do circo que transforma o cotidiano em espetáculo. Os palhaços convidam o público a tornar-se protagonista da cena, despertando memórias afetivas ligadas ao riso, ao jogo e à convivência coletiva. Nessa mesma linha participativa, o Coletivo Fuscirco apresenta A Risita, onde Rupi e Pitchula chegam com Fusca Azul 1974 trazendo circo completo: música, malabares, equilibrismo e humor cearense. Do carro que é transporte e lar surgem todos os elementos, transformando o picadeiro em espetáculo que garante interação e alegria do início ao fim.

Valorizando a produção local, a Mostra PE celebra talentos pernambucanos com cinco números: Aura Duo de Jéssica Moura e Fernanda Victor em lira acrobática baseada em confiança e sincronia; Malabares da Família Malanarquista celebrando malabarismo e arte de rua; Balanceiro de Paiace Brotin com habilidades bambolísticas no trânsito; Escada Sem Limites de Xixa Morales com uma das maiores escadas de equilíbrio do Brasil (4,5 metros); e Eclipse: Dança dos Astros de Jimmy Sá, onde artista e lira criam analogia ao fenômeno astronômico.

Explorando territórios experimentais, Hyperboles da Cie. SCoM busca aprofundar interseções entre skate e acrobacia, conectando essas linguagens a reflexão sobre o lugar das mulheres em práticas historicamente dominadas por homens. Reunindo artistas circenses e skatistas de diferentes culturas, o projeto propõe criação de espaço de troca onde cada corpo contribui para enriquecimento artístico mútuo.

Ainda na linha de espetáculos itinerantes, How Much We Carry? do Cirque Immersif convida à pausa e ao encontro ao redor de aparelho circense inusitado: a percha gigante em constante desequilíbrio. Com olhar sensível sobre o verbo “carry” – que significa tanto carregar quanto cuidar –, dois personagens conduzem tudo que encontraram pelo caminho, criando homenagem às caminhadas e àqueles que cruzam nossa trajetória.

Representando a pesquisa continuada brasileira, a Cia Nós No Bambu apresenta dois solos de Poema Mühlenberg que consolidam mais de quinze anos de pesquisa em arte-corpo-bambu. Sarayvara celebra 21 anos de dedicação, enquanto O Vazio É Cheio de Coisa constitui síntese de sua investigação, criando dramaturgia de imagens e significados que emergem da relação sensível entre humano e vegetal. Artista e artesã, Poema cuida de bambuzal: colhe, projeta, trata e constrói instrumentos, transpondo saberes artesanais para corpo cênico.

Nas criações internacionais mais conceituais, Fragmentos da La Víspera explora distorções e desintegrações corporais, transformando dor em linguagem cênica através de máscaras, marionetes e experimentações com luz. O espetáculo aborda fragmentação como alívio paradoxal ao sofrimento, criando thriller circense sobre processo de transformação contínua entre escolhas pessoais e atravessamentos externos.

Por outro lado, Vermelho, Branco e Preto de Cibele Mateus dá vida à figura cômica “Mateu” do Cavalo Marinho pernambucano, construindo brincadeira-manifesto que celebra alegria como tecnologia de reexistência, misturando riso, poesia e encantamento popular para questionar padrões coloniais e afirmar ancestralidade.

Em outra abordagem crítica, Le Bruit des Pierres do Collectif Maison Courbe entrelaça circo coreográfico, artes visuais e teatro físico para examinar ganância da sociedade ocidental pelo ouro. Duas mulheres personificam essa obsessão: uma cobre pedras com folhas douradas em gesto ritual repetitivo, enquanto outra as devora freneticamente até a overdose. Entre pedras e corpos surgem coreografias que exploram suspensão, desequilíbrio e queda, trazendo reflexão sobre exaustão capitalista e fragilidade ambiental.

Encerrando essa mostra circense, Juventud da Cie NDE funde dança e malabarismo, transformando fisicalidade circense em campo de experimentação e liberdade. A obra propõe manifestação em movimento constante, onde beleza não está na ordem ou perfeição, mas na complexidade do coletivo, em que indivíduo e grupo se complementam sem se anular.

Serviço 

Encerramento dos Festivais (Dança e Feteag)

À un endroit du début (Germaine Acogny)
Síntese autobiográfica entre cosmogonia iorubá e tragédia grega
Data: 26 de outubro de 2025 (Domingo) | Horário: 19h
Local: Teatro Santa Isabel (Praça da República, s/n, Santo Antônio)
Ingressos: Gratuito (retirada 1h antes, mediante doação de 1 kg de alimento não perecível)

Festival Internacional de Dança do Recife

Orunmilá (Orun Santana) | Jogo de búzios como dramaturgia espiralar sobre ancestralidade
Data: 24 de outubro de 2025 (Sexta-feira) | Horário: 14h e 19h
Local: Teatro Hermilo Borba Filho | Acessibilidade: Libras
Para Expectativa Somente Desvios (Marcos Teófilo) | Narrativas corporais complexas questionam expectativas sociais
Data: 24 de outubro de 2025 (Sexta-feira) | Horário: 20h30
Local: Teatro Apolo | Acessibilidade: Libras
Cavalo Marinho Estrela Brilhante | Manifestação popular nordestina mistura teatro, dança e improviso
Data: 26 de outubro de 2025 (Domingo) | Horário: 16h
Local: Teatro Hermilo Borba Filho
Circo Experimental Negro – O Encontro da Tempestade e a Guerra | Intersecção afrocentrada entre circo, dança e teatro
Data: 25 de outubro de 2025 (Sábado) | Horário: 17h
Local: Teatro Apolo
Lúden Cia de Dança – Ciclobrega” | Fusão inusitada entre dança contemporânea e cultura do brega
Data: 25 de outubro de 2025 (Sábado) | Horário: 18h
Local: Teatro Hermilo Borba Filho
Batalha da Escadaria” | Cultura urbana pernambucana em afrobeats, hip hop e baile charme
Data: 25 de outubro de 2025 (Sábado) | Horário: 15h às 21h
Local: Compaz Eduardo Campos

FETEAG 2025

Bolor” (Gabi Holanda, Guilherme Allain e Isabela Severi) | Fungos como metáfora da decomposição da mitologia açucareira
Data: 24 de outubro de 2025 (Sexta-feira) | Horário: 19h
Local: Teatro Rui Limeira Rosal | Ingressos: Gratuito
Les Sans (Os sem)” (Les Récréâtrales-ELAN) | Pensamento fanoniano questiona limitações da independência africana
Data: 24 de outubro de 2025 (Sexta-feira) | Horário: 21h
Local: Teatro Lycio Neves | Ingressos: Gratuito
L’Opéra du villageois” (Compagnie Zora Snake) | Performance-ritual ressuscita máscaras africanas roubadas pelos museus europeus
Data: 25 de outubro de 2025 (Sábado) | Horário: 17h
Local: Estação Ferroviária | Ingressos: Gratuito
Corpos” (Cie Mangrove) | Laboratório coreográfico entre culturas caribenhas e brasileiras
Data: 25 de outubro de 2025 (Sábado) | Horário: 19h
Local: Teatro Rui Limeira Rosal | Ingressos: Gratuito
Inquieta (Música)” (Larissa Lisboa com Gabi da Pele Preta) | Nova cena musical pernambucana negra e LGBTQIA+
Data: 25 de outubro de 2025 (Sábado) | Horário: 21h
Local: Teatro Lycio Neves | Ingressos: Gratuito

Cia. Etc. – 25 Anos

O Tempo das Lebres” | Estética techno examina aceleração contemporânea e exaustão sistêmica
Datas: 24 e 25 de outubro (Recife) | 30 e 31 de outubro (Triunfo)
Horário: 20h (Recife) | 19h (Triunfo)
Local: TV Universitária – Estúdio B (Recife) | Sociedade Triunfense de Cultura (Triunfo)
Ingressos: R30(inteira)/R 15 (meia) – Recife | Gratuito – Triunfo
Classificação: 12 anos | Mais informações: @ciaetc

Espaço O Poste – Laboratório Autoral

Barro Mulher” (Fabíola Nansurê) | Dramaturgia sensorial questiona padrões estéticos através do barro
Data: 24 de outubro de 2025 (Sexta-feira) | Horário: 19h
Local: Espaço O Poste (Rua do Riachuelo, 641, Boa Vista)
Ingressos: R30(inteira)/R 15 (meia)
Luanda Ruanda: Histórias Africanas” (Stephany Metódio) | Contação antirracista conecta tradições africanas com diáspora brasileira
Data: 25 de outubro de 2025 (Sábado) | Horário: 16h
Local: Espaço O Poste | Ingressos: Gratuito | Classificação: Livre
Negaça” (Urubatan Miranda) | Solo autobiográfico desconstrói estereótipos da masculinidade nordestina
Data: 31 de outubro de 2025 (Quinta-feira) | Horário: 19h
Local: Espaço O Poste | Ingressos: R30(inteira)/R 15 (meia)

CAIXA Cultural Recife – Coletivo Gompa

Frankinh@ – Uma história em pedacinhos” | Primeira ficção científica da história adaptada para despertar imaginário infantil
Datas: 25 e 26 de outubro e 1º de novembro | Horários: 17h (sábado) | 11h (domingo)
Local: CAIXA Cultural Recife (Av. Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife)
Ingressos: R30(inteira)/R 15 (meia) | Classificação: Livre
Acessibilidade: Sessão de 26/10 com Libras | Informações: (81) 3425-1915
Frankenstein” | Perspectiva decolonial conecta corpo feminino e Amazônia
Datas: 30 de outubro (Quinta-feira), 31 de outubro (Sexta-feira) e 1º de novembro (Sábado) | Horário: 20h
Local: CAIXA Cultural Recife | Classificação: A partir de 16 anos
Ingressos: R30(inteira)/R 15 (meia) | Acessibilidade: Sessão de 31/10 com Libras

Produções Teatrais

Sonho Encantado de Cordel – O Musical” | Fusão entre Hans Christian Andersen e cultura nordestina inspirada na Imperatriz Leopoldinense
Datas: 25 de outubro (Sábado) e 26 de outubro (Domingo) | Horários: Sábado: 17h | Domingo: 15h e 17h
Local: Teatro Luiz Mendonça (Av. Boa Viagem, s/n, Boa Viagem)
Patrocínio: Ministério da Cultura e CAIXA Vida e Previdência
Cinderela em: Toda Cidade Tem” (Jeison Wallace) | Humor inteligente sobre peculiaridades do cotidiano urbano brasileiro
Data: 25 de outubro de 2025 (Sábado) | Horário: 18h30
Local: Teatro do Parque (R. do Hospício, 81, Recife)
Ingressos: R120(inteira)/R 60 (meia) / R$ 80 (social com 1kg alimento)
Classificação: 14 anos | Informações: (81) 98463-8388
Os 3 Super Porquinhos” | Comédia musical inverte arquétipos para conscientização ambiental
Data: 26 de outubro de 2025 (Domingo) | Horário: 11h
Local: Teatro do Parque | Ingressos: R100(inteira)/R 50 (meia) / R$ 70 (social)
Acessibilidade: Libras | Informações: @robertocostaproducoes
Tom na Fazenda” | Sobrevivência emocional em ambiente rural hostil após turnê europeia
Datas: 7 de novembro (Sexta-feira), 8 de novembro (Sábado) e 9 de novembro (Domingo) | Horários: Sex/Sáb: 20h | Dom: 19h
Local: Teatro Luiz Mendonça
Chapeuzinho de Neve Adormecida” | Confusão divertida entre múltiplos contos clássicos
Data: 1º de novembro (Sábado) | Horário: 16h30 | Ingressos: R50 a R 100
Local: Teatro Luiz Mendonça
A Princesa dos Mares – O Musical” | Jornada épica oceânica com mensagem de preservação ambiental
Data: 2 de novembro (Domingo) | Horário: 16h30 | Ingressos: R50 a R 100
Local: Teatro Luiz Mendonça

Festival de Circo do Brasil – 13 Espetáculos

Nove Tentativas de Não Sucumbir” (Cia Devir) | Trapézio como metáfora sobre resistência e reinvenção humana
Datas: 31 de outubro (Quinta-feira) e 1º de novembro (Sábado) | Horário: 19h
Local: Teatro Apolo | Classificação: 14 anos
Ingressos: Gratuito (retirada via Sympla) | Acessibilidade: 1º/11 com Libras
Copyleft” (Cie. NDE) | Dream team internacional em turbilhão malabarístico de cinco países
Data: 8 de novembro (Sábado) | Horário: 15h
Local: Parque Apipucos | Classificação: Livre
Ingressos: Gratuito
Esparrama Circo” (Grupo Esparrama) | Público como protagonista em homenagem à tradição circense popular
Datas: 1º de novembro (Sábado) e 2 de novembro (Domingo)
Local: Parque Santana – Ariano Suassuna | Classificação: Livre
Ingressos: Gratuito
A Risita” (Coletivo Fuscirco) | Circo completo em Fusca Azul com humor cearense
Datas:
1º de novembro (Sábado) e 2 de novembro (Domingo) | Parque Santana – Ariano Suassuna
3 de novembro (Segunda-feira) | 15h | Compaz Ariano Suassuna
4 de novembro (Terça-feira) | 16h | Vera Cruz/Aldeia – Camaragibe
Classificação: Livre | Ingressos: Gratuito
Mostra PE” | Cinco números da produção local pernambucana
Datas: 1º de novembro (Sábado) e 2 de novembro (Domingo)
Local: Parque Santana (Casa Forte) | Classificação: Livre
Ingressos: Gratuito
Hyperboles” (Cie. SCoM) | Interseção entre skate e acrobacia questionando lugar das mulheres
Datas: 1º de novembro (Sábado) e 2 de novembro (Domingo)
Local: Parque Santana – Ariano Suassuna | Classificação: Livre
Ingressos: Gratuito
How Much We Carry?” (Cirque Immersif) | Percha gigante em desequilíbrio como convite ao encontro
Datas:
1º de novembro (Sábado) e 2 de novembro (Domingo) | Parque Santana (Casa Forte)
7 de novembro (Sexta-feira) | 16h30 | Alto da Sé (Olinda)
8 de novembro (Sábado) | 15h | Oficina Francisco Brennand (Várzea)
9 de novembro (Domingo) | 16h | Praça do Arsenal (Recife Antigo)
Classificação: Livre | Ingressos: Gratuito
Sarayvara” (Cia Nós No Bambu) | 21 anos de pesquisa arte-corpo-bambu em celebração
Data: 7 de novembro (Sexta-feira) | Horário: 19h
Local: Teatro Hermilo Borba Filho | Classificação: Livre
Ingressos: Gratuito (retirada via Sympla)
O Vazio É Cheio de Coisa” (Cia Nós no Bambu) | Síntese de 15 anos de investigação entre humano e vegetal
Data: 6 de novembro (Quinta-feira) | Horário: 20h
Local: Teatro de Santa Isabel | Classificação: 12 anos
Ingressos: Sympla
Fragmentos” (La Víspera) | Thriller circense explora fragmentação mental como sobrevivência
Datas: 6 de novembro (Quinta-feira) e 8 de novembro (Sábado) | Horário: 19h30
Local: Teatro Apolo | Classificação: 14 anos
Ingressos: Sympla
Vermelho, Branco e Preto” (Cibele Mateus) | Mateu do Cavalo Marinho como brincadeira-manifesto de reexistência
Datas: 5 de novembro (Quarta-feira) e 6 de novembro (Quinta-feira) | Horário: 19h30
Local: Teatro Apolo | Classificação: 12 anos
Ingressos: Sympla | Acessibilidade: 5/11 com Libras
Le Bruit des Pierres” (Collectif Maison Courbe) | Obsessão pelo ouro revela exaustão capitalista e fragilidade ambiental
Datas: 8 de novembro (Sábado) e 9 de novembro (Domingo) | Horários: Sáb: 20h | Dom: 18h
Local: Teatro de Santa Isabel | Classificação: Livre
Ingressos: Sympla
Juventud” (Cie NDE) | Energia coletiva através de malabarismo, movimento e experimentação
Data: 9 de novembro (Domingo) | Horário: 17h
Local: Teatro do Parque | Classificação: 10 anos
Ingressos: Sympla
Informações Gerais: A programação oferece sessões com Libras em múltiplos espetáculos e 9 espetáculos gratuitos no Festival de Circo (além de 4 com ingressos via Sympla), democratizando acesso à cultura de qualidade internacional.

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