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Indicados do Janeiro 2016

A entrega do Prêmio Apacepe de Teatro e Dança do 22º Janeiro de Grandes Espetáculos será na quinta-feira, no Teatro de Santa Isabel

Entrega do Prêmio Apacepe do 22º Janeiro de Grandes Espetáculos será na quinta-feira, no Teatro de Santa Isabel

janeiro-de-grandes-espetáculos-SSSSO Prêmio Apacepe de Teatro e Dança das edições do Janeiro de Grandes Espetáculos – Festival Internacional de Artes Cênicas de Pernambuco é um dos poucos legitimadores da construção de valor dos espetáculos no estado. É um processo complexo esse da consagração. Embora o teatro por aqui não possa ser comparado à arte contemporânea enquanto estatuto de mercado. É uma premiação amada e odiada pelos próprios artistas. Of course. O resultado também não está embutido da projeção que os filmes pernambucanos recebem quando abiscoitam prêmios pelo mundo afora (e tem tanto festival de cinema, que é uma beleza). É o que pessoal do teatro daqui tem para seus escambos simbólicos.

Então, quinta-feira, a partir das 19h30, no Teatro de Santa Isabel, com entrada franca, serão conhecidos os eleitos como os melhores dessa 22ª edição. Um show com o Maestro Spok, com participação especial do Véio Mangaba, vai animar a cerimônia, que este ano não será seguida de festa, por questões de custos, segundo os organizadores.

O Festival ficou mais enxuto este ano, com 64 apresentações contra mais de 100 do ano passado. Segundo informações da assessoria o público passou de 12 mil pessoas no Recife, mais 3 mil pelo Circuito BNDES de Música (Recife, Caruaru, Goiana e Olinda), além de 1 mil pessoas nas atividades extras (oficinas, leituras dramatizadas, saraus, lançamento de revista e livros, etc.).

A turma responsável pela felicidade de uns e tristeza de outros é composta pelo encenador e dramaturgo Fernando Limoeiro e pelas atrizes Magdale Alves e Maria Rita Freire Costa. O trio integra a comissão julgadora de Teatro (Adulto e Infância). Já a de dança é formada pelas bailarinas e coreógrafas Sandra Rino, Mônica Lira e Maria Paula Costa Rêgo.

O assessor de imprensa Leidson Ferraz lembra que o Teatro de Santa Isabel não permite entrada de espectadores que estejam de short ou camiseta.

Essa regra, que deve ter sido baixada no Segundo Império (isso é uma ironia), precisa ser revista.

 

PRÊMIO APACEPE DE TEATRO E DANÇA 2016

INDICAÇÕES TEATRO ADULTO

MELHOR ESPETÁCULO
Em Nome do Pai – REC Produtores Associados – Recife/PE
Luas de Há Muito Sóis – Papelão Produções e Projeto Fafe Cidade das Artes – Recife/PE/Fafe/Portugal
O Açougueiro – Produção Alexandre Guimarães – Recife/PE
Sistema 25 – Grupo Cênico Calabouço e Grupo Teatral Risadinha – Recife/Camaragibe/PE
Soledad – A Terra é Fogo Sob Nossos Pés – Cria do Palco – Recife/PE

MELHOR DIRETOR
Cira Ramos Em Nome do Pai
José Manoel Sistema 25
Malú Bazan Soledad – A Terra é Fogo Sob Nossos Pés
Moncho Rodriguez Luas de Há Muito Sóis
Samuel Santos O Açougueiro 

MELHOR ATOR
Alexandre Guimarães O Açougueiro
Cláudio Ferrario A Invenção da Palavra
Marcelino Dias Angelicus Prostitutus
Tatto Medinni Jr.
Walmir Chagas Saudosiar… A Noite Insone de Um Palhaço…

MELHOR ATRIZ
Hilda Torres Soledad – A Terra é Fogo Sob Nossos Pés
Marina Duarte Luas de Há Muito Sóis
Nilza Lisboa Obsessão

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Antônio Rodrigues Salmo 91
Carlos LiraAngelicus Prostitutus
Emanuel David D’lucardSistema 25
Neemias Dinarte Sistema 25
Robson QueirozSistema 25

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Luciana LemosAngelicus Prostitutus
Lucrécia ForcioniAngelicus Prostitutus
Natascha Falcão Luas de Há Muito Sóis

ATOR REVELAÇÃO
André Xavier Sistema 25
Filipe Enndrio Cabaré Diversiones
Glauco Bellardy Abraço – Nunca Estaremos Sós
Mateus Maia Abraço – Nunca Estaremos Sós

ATRIZ REVELAÇÃO
Danielle Sena Abraço – Nunca Estaremos Sós
Duda Martins Abraço – Nunca Estaremos Sós
Lívia Lins Abraço – Nunca Estaremos Sós

MELHOR SONOPLASTIA OU TRILHA SONORA
Narciso Fernandes Luas de Há Muito Sóis
Narciso Fernandes e Walmir Chagas Saudosiar… A Noite Insone de Um Palhaço…
Samuel Lira Sistema 25
Vitor Bertonny e Leila Chaves Abraço – Nunca Estaremos Sós

MELHOR ILUMINAÇÃO
Dado Sodi Em Nome do Pai
Luciana Raposo Angelicus Prostitutus
Luciana Raposo Sistema 25
Moncho Rodriguez Luas de Há Muito Sóis
Samuel Santos O Açougueiro

MELHOR CENÁRIO
Antônio Rodrigues Salmo 91
Célio Pontes Angelicus Prostitutus
Malú Bazan Soledad – A Terra é Fogo Sob Nossos Pés
Moncho Rodriguez Saudosiar… A Noite Insone de Um Palhaço…
O Grupo Sistema 25

MELHOR FIGURINO
Célio Pontes Angelicus Prostitutus
Henrique Celibi Cabaré Diversiones
Marília Martins A Invenção da Palavra
Moncho Rodriguez Luas de Há Muito Sóis
Nildo Garbo A Visita

MELHOR MAQUIAGEM
Vinícius Vieira O Açougueiro
Célio Pontes Angelicus Prostitutus

O JÚRI CRIOU UM PRÊMIO ESPECIAL

CORPO DE JURADOS:
Fernando Antônio de Mélo (Fernando Limoeiro):
Magdale Alves
Maria Rita Freire Costa
Coordenação/Produção de Júri: Augusta Ferraz

INDICAÇÕES – TEATRO PARA A INFÂNCIA

MELHOR ESPETÁCULO
Cavaco e Sua Pulga Adestrada – Caravana Tapioca – Recife/PE
Sebastiana e Severina – Teatro Kamikase – Olinda/PE

MELHOR DIRETOR
Helder Vasconcelos Cavaco e Sua Pulga Adestrada
Claudio LiraSebastiana e Severina

MELHOR ATOR
Fábio Caio Sabores e Saberes do Milho
Anderson Machado Cavaco e Sua Pulga Adestrada

MELHOR ATRIZ
Zuleika Ferreira Sebastiana e Severina
Célia Regina – Sebastiana e Severina

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Apenas uma indicação

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Apenas uma indicação

ATOR REVELAÇÃO
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ATRIZ REVELAÇÃO
Não há Indicadas para esta categoria

MELHOR SONOPLASTIA OU TRILHA SONORA
Fernando Escrich Sabores e Saberes do Milho
Adriana Millet Cavaco e Sua Pulga Adestrada
Demétrio RangelSebastiana e Severina

MELHOR ILUMINAÇÃO
Apenas uma indicação

MELHOR CENÁRIO
Fábio CaioSabores e Saberes do Milho
Anderson MachadoCavaco e Sua Pulga Adestrada
Marcondes LimaSebastiana e Severina

MELHOR FIGURINO
Fábio CaioSabores e Saberes do Milho
Luciano PontesCavaco e Sua Pulga Adestrada
Marcondes LimaSebastiana e Severina

MELHOR MAQUIAGEM
Apenas uma indicação

CORPO DE JURADOS:
Fernando Antônio de Mélo (Fernando Limoeiro)
Magdale Alves
Maria Rita Freire Costa
Coordenação/Produção de Júri: Augusta Ferraz

INDICAÇÕES – DANÇA

MELHOR ESPETÁCULO
Bailaora – Cia. Karina Leiro – Recife/PE
Fraturas – Coletivo Trippé – Petrolina/PE
Passo – Compassos Cia. de Danças – Recife/PE

MELHOR COREOGRAFIA
Karina Leiro, Yara Castro, Fábio Rodriguez, Deborah Nefussi, José Sales e Cia. Karina Leiro Bailaora
Maurício de OliveiraFraturas
Raimundo Branco Passo

MELHOR BAILARINO
Adriano AlvesFraturas
Gervásio BrázPasso
Neto Portela(L)a (P)lage

MELHOR BAILARINA
Hulli Cavalcanti (L)a (P)lage
Júlia GondimFraturas
Karina LeiroBailaora
Marcela AragãoPasso

BAILARINO REVELAÇÃO
Apenas uma indicação

BAILARINA REVELAÇÃO
Apenas uma indicação

MELHOR ILUMINAÇÃO
Carlos Tiago e Maurício de Oliveira Fraturas
Cleison Ramos Bailaora
Joana Veloso (L)a (P)lage

MELHOR FIGURINO
Compassos Cia. de DançasPasso
Dallielle Oliveira, Fernanda Paulino e José SalesBailaora
Maurício de OliveiraFraturas

MELHOR CENÁRIO
Apenas uma indicação

MELHOR SONOPLASTIA OU TRILHA SONORA
Eduardo Bertussi Bailaora
Tato Taborda Fraturas

PRÊMIO ESPECIAL
O júri criou um Prêmio Especial

CORPO DE JURADAS:
Maria Paula Costa Rêgo
Mônica Lira
Sandra Rino
COORDENAÇÃO/PRODUÇÃO DE CORPO DE JÚRI: Augusta Ferraz

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Dramaturgia espanhola no Janeiro

Os corpos perdidos trata do extermínio de mulheres. Com o Angu de Teatro e convidados

Os corpos perdidos trata do extermínio de mulheres. Com o Angu de Teatro e convidados

janeiro-de-grandes-espetáculos-SSSSCiudad Juárez é um dos lugares mais violentos do México na década de 1990. A obra dramática Os corpos perdidos, de José Manuel Mora com tradução de Cibele Forjaz, trata da torrente de assassinatos de mulheres. Impera a impunidade para os criminosos e a negligência do governo. A peça mergulha nessa pungente memória de mais de 300 mulheres executadas.

O texto integra a Coleção Dramaturgia Espanhola, da Editora Cobogó, que tem lançamento hoje e amanhã (ao preço de R$ 30 cada). O lançamento ocorre junto com leituras dramatizadas, com entrada franca.

A leitura de Os corpos perdidos conta com a participação do o elenco do Coletivo Angu de Teatro e convidados (Marcondes Lima, Arilson Lopes, André Brasileiro,Gheuza Sena, Nínive Caldas, Ivo Barreto, Daniel Barros, Hermínia Mendes,Márcio Antônio Fecher Junior, Paulo De Pontes e Lúcia Machado). E tem direção de  Cibele Forjaz. Nesta quarta, às 20h, no Teatro Arraial Ariano Suassuna.

O programa reserva para quinta-feira a leitura dramatizada da obra A Paz Perpétua, de Juan Mayorga, dirigida pelo gaúcho Fernando Philbert. A intriga que envolve violência, poder e autoridade é defendida pelos atores do Grupo Magiluth (Giordano Castro, Mário Sergio Cabral, Erivaldo Oliveira, Lucas Torres Magiluth e Bruno Parmera). Às 20h de amanhã, no palco do Teatro de Santa Isabel (entrada pela administração).

O Projeto de Internacionalização da Dramaturgia Espanhola promovida pela Acción Cultural Española – AC/E, conta com o envolvimento do TEMPO_FESTIVAL (Rio de Janeiro), Editora Cobogó, Porto Alegre em Cena – Festival Internacional de Artes Cênicas; Cena Contemporânea – Festival Internacional de Teatro de Brasília; Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia – FIAC; e Janeiro de Grandes Espetáculos – Festival Internacional de Artes Cênicas de Pernambuco.

 

Leitura Dramatizada e Lançamento de Livros

Dia 20 de janeiro de 2016 (quarta), 20h, gratuito
Teatro Arraial Ariano Suassuna
Leitura dramatizada do texto Os Corpos Perdidos, de José Manuel Mora, pela encenadora Cibele Forjaz e participação do Coletivo Angu de Teatro e atores convidados.

Lançamento dos livros A Paz Perpétua, de Juan Mayorga, com tradução de Aderbal Freire-Filho, e Os Corpos Perdidos, de José Manuel Mora, com tradução de Cibele Forjaz e colaboração de Kako Arancibia.

 

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De salto alto contra a intolerância

Tatto Medinni interpreta um travesti no espetáculo Jr. Foto: Divulgação

Tatto Medinni interpreta um travesti no espetáculo Jr. Foto: Divulgação

janeiro-de-grandes-espetáculos-SSSSHá quase dez anos, no coquetel de estreia do espetáculo Ópera, a cantora Elza Show defendia com seu vozeirão: “O mundo é gay!”. O entusiasmo combinava totalmente com o clima de lançamento da peça, uma adaptação de contos inéditos do pernambucano Newton Moreno, com direção de Marcondes Lima e produção do Coletivo Angu de Teatro. O ator Tatto Medinni integrava o elenco de Ópera.  Ele estreia o monólogo Jr nesta quarta-feira, às 19h, no Teatro Hermilo Borba Filho, com segunda sessão amanhã, no mesmo horário e local, dentro da programação do Janeiro de Grandes Espetáculos.

O homoerotismo, a queer culture ocupam o centro da cena. Na peça, a travesti Suzana Star está detida. Dessa prisão real e simbólica, ela conta sua história de vida desde o ventre da mãe. O texto de Marcelino Freire problematiza questões sobre identidade de gênero, diferenças, preconceito, fronteira.

O mundo continua povoado pela diversidade. Mas a intolerância e os fundamentalismos recrudesceram. O ódio e a perseguição pelo diferente atestam que não está fácil viver neste planeta de valores heterocentristas hipócritas. Suzana Star é testemunha disso.

O espetáculo foi erguido por uma campanha de financiamento coletivo, que driblou incompetências e má vontade que se traduz na pouca verba destinada à cultura.

SERVIÇO

Espetáculos de hoje no Janeiro de Grandes Espetáculos

Jr. (Operários de Teatro – OPTE – Recife/PE)
Quando: Dias 20 e 21 de janeiro de 2016 (quarta e quinta), 19h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Quarteto Encore (Produção: Rafaela Fonsêca – Recife/PE)* *Integrando o Circuito BNDES de Música – Do Erudito ao Popular
Quando: Dia 20 de janeiro de 2016 (quarta), 20h
Onde: Teatro de Santa Isabel
Quanto: gratuito

Bailaora (Cia. Karina Leiro – Recife/PE)
Quando: Dia 20 de janeiro de 2016 (quarta), 20h30
Onde: Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu)
Quanto: R$ 20 e R$ 10

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Guerrilha e amor, uma mistura explosiva

Hilda Torres no espetáculo Soledad

Hilda Torres no espetáculo Soledad

janeiro-de-grandes-espetáculos-SSSSMuitos morreram pela liberdade. E cada vez que um personagem desses ganha os holofotes é uma justiça para a história. A  guerrilheira paraguaia Soledad Barrett Viedma (1945-1973) teve sua voz sufocada pela opressão das ditaduras por 42 anos. Até o ano passado, quando a atriz Hilda Torres, a diretora argentina Malú Bazán e a própria filha da militante, Ñasaindy Barrett, se juntaram para montar o espetáculo Soledad – A terra é fogo sob nossos pés.

O drama de “Sol” expõe as veias abertas da América Latina numa época de grande opressão política. Um trajeto de vida e poesia. Soledad foi mais uma vítima das barbaridades da ditadura militar do Brasil (1964-1985).

Ela morou na Argentina, no Uruguai, em Cuba e no Brasil, fugindo das repressões. Ao ser sequestrada por um bando de neonazistas em Montevidéu, ela adotou a guerrilha. Ao se recusar dizer a frase “viva Hitler!”, ela foi marcada nas coxas com a suástica nazista. Em Cuba, onde aprendeu a luta armada, conheceu Zé Maria, pai de sua filha Ñasaindy.

No Brasil se apaixonou por José Anselmo dos Santos, o Cabo Anselmo, companheiro que a entregaria à polícia, às garras do delegado Sérgio Fleury. O Massacre de São Bento matou Soledad grávida e outros cinco militantes na Chácara São Bento, em Abreu e Lima.

É um espetáculo emocionante.

SERVIÇO

Espetáculos de Hoje no Janeiro de Grandes Espetáculos

Soledad – A Terra é Fogo Sob Nossos Pés (Cria do Palco – Recife/PE)
Quando: Dia 18 de janeiro de 2016 (segunda), 20h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Luas de Há Muito Sóis (Papelão Produções e Fafe Cidade das Artes – Recife/Brasil/  Fafe/ Portugal)
Quando: Dias 18 e 19 de janeiro de 2016 (segunda e terça), 20h
Onde: Teatro Capiba (SESC Casa Amarela)
Quanto: R$ 20 e R$ 10

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Identidades móveis

Lúcia Romano e Edgar Castro dividem palco em Maria que Virou Jonas ou a Força da Imaginação

Lúcia Romano e Edgar Castro dividem palco em Maria que Virou Jonas ou a Força da Imaginação

janeiro-de-grandes-espetáculos-SSSSQuando criança, ficava fascinada com a lenda de que se o menino passasse debaixo do arco-íris viraria moça; e se a menina que cruzasse esse fenômeno ótico se transformaria num rapaz. Adorava esses rastros de gotas de chuva e seus espectros coloridos. Esses dias acalentavam pensamentos de trocar de sexo. Para experimentar. Mas com a garantia de voltar a ser mulher (“Eu gosto de ser mulher..”). Naquela época nem pensava que essas coisas de identidades são tão intricadas.

Michel Eyquem de Montaigne (1533-1592) foi um filósofo, escritor e humanista francês do século XVI, reputado como o inventor do ensaio pessoal. Ele deixou registrado no capítulo 21, A Força da Imaginação, do seu livro Ensaios, que conheceu em Virtry-le-François um rapaz de nome Germain Garnier, que até os 22 anos de idade era Marie. Mas num esforço para saltar um buraco, seus órgãos viris apareceram. “Não é tão extraordinário assim o caso, e essa espécie de acidente se verifica não raro”.

A partir desse disparador, a Cia. Livre ergueu peça Maria que Virou Jonas ou a Força da Imaginação, um espetáculo sobre transgêneros. A dramaturgia é assinada por Cássio Pires, que deslocou a fábula de Marie-Germain para a contemporaneidade. A encenação de Cibele Forjaz, com Edgar Castro e Lucia Romano, articula as concepções entre representação, fantasia, teatralidade e aparência.

Maria que Virou Jonas ou a Força da Imaginação foi gestada depois do ciclo Leituras Transvestidas, em que a Cia. Livre levou para a roda de debates textos da dramaturgia universal sobre mudanças de identidade, novas configurações para a questão do gênero e os intersexos.

A história de Marie que vira Germain, apresentada por Montaigne é recontada pelo historiador e sexólogo Thomas Laqueur (1945) no livro Inventando o Sexo. No palco a trupe confronta as construções culturais na definição de sexo e as supostas verdades biológicas.

Na encenação, os atores são os transexuais Neo Maria (Lúcia Romano) e Jonas Couto (Edgar Castro), que ensaiam A Força da Imaginação. Jogo de metateatro, em que o público escolhe qual papel os atores da peça vão viver a cada sessão.

Maria que Virou Jonas ou a Força da Imaginação é a décima peça da Cia. Livre em 15 anos de carreira.  O grupo já montou os espetáculos Toda Nudez Será Castigada e Os 7 Gatinhos, de Nelson Rodrigues; Arena Conta Arena 50 Anos e Arena Conta DantonVem Vai – O Caminho dos Mortos, com dramaturgia de Newton Moreno; e Raptada Pelo Raio, com dramaturgia de Pedro Cesarino.

Essas questões de gênero, identidade, opção sexual e comportamento sexual são bem complexas e podem ser libertárias.

Peça tem direção de Cibele Forjaz

Peça tem direção de Cibele Forjaz

SERVIÇO

Maria Que Virou Jonas ou A Força da Imaginação (Cia. Livre – São Paulo/SP)
Quando: Dia 16 de janeiro de 2016 (sábado), 19h, Dia 17 de janeiro de 2016 (domingo), 19h e 21h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Quanto: R$ 20 e R$ 10
Duração: 1h45 min.
Indicação de faixa etária: Não recomendado para menores de 16 anos.

Ficha Técnica
Dramaturgia: Cássio Pires
Direção: Cibele Forjaz
Atores-criadores: Edgar Castro e Lúcia Romano 
Direção de Movimento: Lu Favoreto
Cenografia: Márcio Medina
Figurinos: Fabio Namatame
Luz: Rafael Souza Lopes
Operação de Luz: Rafael Souza Lopes e Rodrigo Campos
Direção Musical: Lincoln Antonio
Sonoplastia: Pepê Mata Machado
Treinamento Vocal para Canto: Ná Ozzetti
Produção: Cia. Livre e Centro de Empreendimentos Artísticos Barca

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