Arquivo mensais:novembro 2011

Quadrinhos no teatro

Espetáculo da companhia Vigor Mortis, de Curitiba

Essa é para quem gosta também de quadrinhos. Graphic (de 2006), montagem da companhia Vigor Mortis, de Curitiba, faz a última apresentação desta temporada no Recife, neste domingo, às 20h. A turnê nacional foi selecionada pelo Programa Petrobras Distribuidora de Cultura 2011/ 2012 e daqui segue para Salvador, Belo Horizonte e Vitória.

Graphic dá continuidade à pesquisa de linguagem do grupo criado há 13 anos pelo diretor Paulo Biscaia Filho e une estética dos quadrinhos, cinema e teatro.

Para chegar ao resultado da montagem, a companhia promoveu uma oficina de desenho em quadrinhos com o artista plástico e quadrinhista DW. Nesse estudo, atores, diretor e cenógrafo da Vigor Mortis experimentaram o processo criativo de um desenhista de quadrinhos.

Na encenação, três personagens se expressam através de gráficos: Artie (Leandro Daniel Colombo) é um desenhista de manuais de instruções que tenta desenvolver ideias novas para um personagem chamado Homem-sombra; Becca (Carolina Fauquemont) é uma executiva de finanças que vive em meio a gráficos financeiros, mas tem um passado como desenhista de fanzines; e Raf (Rafaella Marques), uma artista de rua que trabalha com stencils.

O encontro dos três e a disputa por uma vaga como desenhista de quadrinhos profissional em uma grande editora traz à tona suas frustrações, anseios, visões de carreira e tem consequências tão radicais que vão levar à morte de um dos personagens.

Não é uma sequência de Morgue story – sangue, baiacu e quadrinhos, peça premiada da Vigor Mortis que esteve no Recife, mas traz diversos elementos deste trabalho. “O foco não está no terror trash, como em Morgue story, embora a violência ainda esteja lá. Queremos aqui continuar a fazer algo com nossa cara, mas temos que nos preocupar em renovar ideias e não apenas repeti-las”, assegura Paulo Biscaia Filho, que também é responsável pelo texto da encenação.

“É um conto sobre três personagens estranhos, melancólicos e divertidos”, afirma o diretor. “É uma peça sobre angústia no século 21, mas não é uma montagem tendenciosamente filosófica. Nada disso. Gostamos de fazer montagens acima de tudo empolgantes e divertidas

SERVIÇO
Graphic . com a companhia Vigor Mortis, de Curitiba
Quando: Hoje, às 20h (domingo)
Quanto: R$ 20 e R$ 10
Onde: Teatro Apolo, Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife.
Classificação: 16 anos.
Informações: (81) 3355-3318/ 3355-3321.

Conto sobre três personagens estranhos, melancólicos e divertidos

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Uma celebração para Cadengue

Noite de autógrafos de Antonio Cadengue

Noite de lua cheia. 10 de novembro de 2011. Na faustosa sede da Academia Pernambucana de Letras uma injustiça histórica era corrigida. Um livro, um estudo fundamental para o conhecimento e o reconhecimento de parte importante das artes cênicas brasileiras era lançado. Vinte anos depois de ter sido escrito.

Seu autor, Antonio Edson Cadengue se disse feliz e comentou que talvez aquele fosse o momento em que a cidade mais o levou a sério.

Reinaldo, Antonio Edson, Geninha e Leda

Cadengue entregou seu livro, em dois tomos, TAP Sua Cena e Sua Sombra (1941-1991) e recebeu o carinho de muitos. Foi exaltado pelo SESC e pela presidente da CEPE, Leda Alves, pelo diretor do Teatro de Amadores de Pernambuco, Reinaldo de Oliveira e pela atriz Geninha da Rosa Borges.

“Recife, cruel cidade”, como canta Carlos Pena Filho também tem sua outra face e de vez em quando afaga os seus talentos. Assim foi.

Foi uma festa bonita, mas havia no ar “esse dito não dito”. Coisas da trajetória da vida que promove seus encontros e desencontros, entendimentos e desentendimentos, bem-querer e desgastes. Faltou mais gente de teatro nesse lançamento. Talvez porque Cadengue tenha se afastado da classe, como comentou alguém.

Mas um estudo “perfeccionista” como comentou Reinaldo de Oliveira, de uma extensão que soma cerca de mil páginas, em dois volumes, é mais que um bom motivo para essa (re)aproximação.

Abaixo, vídeo com trechos das saudações e discurso do autor.

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Yael Karavan entre dois mundos*

Artista israelense apresenta solo no Barreto Júnior

Programa imperdível para quem gosta de dança, performance e teatro na noite de hoje. A artista israelense radicada na Inglaterra, Yael Karavan, apresenta o solo In-Between, às 21h, no Teatro Barreto Júnior, no Pina. No espetáculo, ela interpreta um personagem que, suspenso entre duas cadeiras, imagina ser um mágico. Passeando entre o trágico e o cômico, Yael cria um universo de poesia visual, e utiliza técnicas de clown, butoh (que aprendeu diretamente no Japão, com um mestre, durante temporadas de dois meses ao longo de sete anos), teatro físico, mímica. No Brasil, a atriz e bailarina de 37 anos mantém uma relação próxima com o Lume, de Campinas, e está preparando um duo com uma das integrantes da companhia de tetaro e pesquisa, Naomi Silman. Os ingressos para In-Between custam R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada).

*Colaboração de Tatiana Meira

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Ói Nóis Aqui Traveiz ficou para a próxima…

Ivonete Melo falando na coletiva de imprensa do anúncio da programação. Foto: Val Lima/Divulgação

“Porque a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz não veio ao festival?” Essa foi a minha primeira pergunta ontem, na coletiva de imprensa do anúncio da programação do Festival Recife do Teatro Nacional, no Teatro Hermilo Borba Filho. Nós vimos o novo espetáculo do grupo, Viúvas – performance sobre a ausência, no festival Porto Alegre em Cena. E ficamos felizes em saber que o grupo provavelmente voltaria ao Recife para apresentar a montagem em Peixinhos, que foi onde esse projeto começou a ser idealizado. Lá em Porto Alegre, a encenação era numa ilha.

Viúvas - Performance sobre a ausência começou a ser idealizado no Recife

Postei uma foto de Viúvas e uma legenda dizendo que o espetáculo não vinha por conta de agenda. Mas o curador do festival Valmir Santos fez um comentário no post dizendo que “é improcedente a informação de que a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz não vem ‘por conta de agenda’. Foram nove meses de articulação junto a esses artistas. Eles sempre tiveram empenhados para que Recife recebesse a residência com oficina em seis regiões mais as sessões, numa delas, de Viúvas – Performance sobre a Ausência. Infelizmente, o Festival não teve condições de acolher o projeto como idealizado”. Valmir ainda está em São Paulo e, portanto, não participou da coletiva de imprensa.

Então resolvi transcrever exatamente o que foi dito pelo coordenador do festival Vavá Schön-Paulino – para esclarecer (ou suscitar mais dúvidas):

“Infelizmente, o Viúvas não vem. É uma dor, mas são os problemas da produção e da tentativa de harmonização de um festival que tem tempo definido e com as agendas dos grupos. Nesse sentindo, da nossa tabela original, nós perdemos dois grupos: o Ói Nóis Aqui Traveiz que viria com Viúvas e com uma oficina que seria voltada para a descentralização, para as RPA’s e também perdemos o Teatro Máquina, do Ceará. O Teatro Máquina perdemos assim de última hora, há uma semana. E Valmir teve que correr para substituir, foi quando entrou o Olodum. Então, o Ói Nóis Aqui Traveiz não pode vir por conta de problemas da agenda deles com as nossas datas e também ficou muito imprensado, porque também haveria uma demanda muito grande para a produção da oficina e eles assumiram também um compromisso lá com o estado do Rio Grande do Sul. Apareceu para eles uma atividade para ser feita no interior, o que impossibilitava eles estarem aqui. Porque para fazer o Viúvas e a oficina eles tinham que chegar aqui em Recife 15 dias antes do festival começar, no início de novembro e só ir embora depois. Então não dava para cobrir esses compromissos que apareceram lá no Rio Grande do Sul. Para quem não sabe, o Ói Nóis tem mais de 30 anos de vida. É um grupo de teatro que tem um compromisso político, eu diria mesmo, usando o jargão da história do teatro, eles fazem um teatro engajado, um teatro político e eles ainda hoje lutam muito no Rio Grande do Sul, tanto na capital Porto Alegre quanto no estado. Então era super importante para eles fazerem isso e aí isso impossibilitou a presença deles aqui, infelizmente. Porque o Viúvas é uma coisa linda, lá eles fazem numa ilha e aqui seria no Nascedouro, aproveitando as ruínas”.

Espetáculo Viúvas foi apresentado em Porto Alegre numa ilha que serviu como cadeia

Ah….faltam apenas cinco dias para o festival começar e o site http://www.frtn.com.br/ainda está com a programação do ano passado. Como o festival pretende agregar mais público, se comunicar, se uma ferramenta tão importante não tem a merecida atenção? Parece que esse ano a avaliação do festival começou um pouco mais cedo….

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Festa de objetos pulsantes

É tanta coisa na programação que dá uma alegria no juízo.

São espetáculos do Brasil, da Argentina, da Holanda, da Espanha, de Israel, da Bélgica, da Itália e da França. Possivelmente coisas que você nunca viu, e que, como Pollyanna já pontuou no post, podem despertar memórias da infância. De um tempo/espaço de imaginação mais livre para enxergar paixão em dois palitos de fósforos acesos, tristeza ou nostalgia em pingo de torneira ou tesmunhar talheres virarem nobres.

Lina Rosa Vieira, idealizadora do Festival Internacional de Teatro de Objetos (Fito). Foto: Sergio Schnaider

O projeto é comandado pela publicitária Lina Rosa Vieira, uma apaixonada pelas artes e que desafiou o senso comum quando criou o Sesi Bonecos para uma multidão. Provou que é possivel levar delicadeza e excelência para o grande público. Ela aposta no lúdico, mais uma vez, com o Festival Internacional de Teatro de Objetos no Marco Zero.
Imperdível!

PROGRAMAÇÃO

SEXTA-FEIRA

15h30 – Sala 1 (Livre)
Toque Toque, com La Cie. du Petit Monde (França)

15h30 – Sala 2 (Livre)
Histórias de Meia Sola, com Fernán Cardama (Argentina)

15h30 – Sala 3 (Livre)
Guarda Zool, do Teatro das Coisas (Porto Alegre, RS)

16h30 – Entre o Público (Livre)
Performance do Grupo XPTO (São Paulo, SP)

16h50 – Sala 1 (Livre)
Toque Toque, de La Cie. du Petit Monde (França)

16h50 – Sala 2 (Livre)
Histórias de Meia Sola, do Fernán Cardama (Argentina)

16h50 – Sala 3 (Livre)
Guarda Zool, do Teatro das Coisas (São Paulo, SP)

Entre 17h e 21h – Entre o Público (Livre)

Corsários Inversos, do Mosaico Cultural (Porto Alegre, RS)

Entre 17h e 21h – Entre o Público (Livre)
Máquinas para o Teatro Inconsciente, de La Voce delle Cose (Itália)

17h – 17h30 -18h – 18h30 – Sala 4 (Livre)
Zebra, da Cia. Meital Raz (Israel)

17h – 18h – 19h – 20h – Sala 5 (Livre)
Louça Cinderella, da Gente Falante (Porto Alegre, RS)

17h40 – Palco e entre o Público (Livre)
Naná Vasconcelos e Grupo XPTO (Recife e São Paulo)

18h20 – Sala 1 – (Livre)
Ter ou não Ter, da TAMTAM-objecktentheater (Holanda)

18h20 – Sala 2 (Livre)
Histórias de Meia Sola, com Fernán Cardama (Argentina)

18h20 – Sala 3 (Livre)
Objeto de Fábula, com La Voce delle Cose (Itália)

19h10 – Entre o Público (Livre)
Performance do Grupo XPTO (São Paulo, SP)

19h30 Sala 1 – Livre
Ter ou não Ter, com TAMTAM-objecktentheater (Holanda)

19h30 Sala 2 (Adulto)
20 Minutos sob o Mar, com Théâtre de Cuisine (França)

19h30 – Sala 3 – (Livre)
O Pequeno Vulgar, com La Chana Teatro (Espanha)

19h30 – 20h – 20h30 – Sala 4 (12 anos)
Klikli, com Gare Centrale (Bélgica)

20h20 – Palco (Livre)
PINIPAN, com Naná Vasconcelos (Recife, PE)

20h40 – Sala 1 (livre)
Toque Toque, com La Cie. du Petit Monde (França)

20h40 – Sala 2 (Adulto)
20 Minutos sob o Mar, com Théâtre de Cuisine (França)

20h40 – Sala 3 (Adulto)
Teatro Entre Dilúvios, com La Chana (Espanha)

21h20 – Sala 2 (Adulto)
Pequenos Sucídios, com Rocamora (Espanha)

22h30 – Palco (Livre)
PINIPAN, com Naná Vasconcelos (Recife, PE)

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