Arquivo mensais:outubro 2011

Truques irresistíveis de Aurélia Thierrée

É difícil enquadrar a arte de Aurélia Clementine Oona Moorine Hannah Madeleine Thiérrée, nascida em Paris em 24 de setembro de 1971. Dança, circo, mímica, performance, contorcionismo, acrobacia, ilusionismo. Tem de tudo um pouco e muito encantamento em Murmures des murs. É melhor embarcar nessa viagem da artista que nasceu com pedigree (neta de Charles Chaplin e bisneta do dramaturgo Eugene O’Neill), ela honra o nome da família. Aurélia veio pela primeira vez ao Brasil em 2007, e ao Recife, com L’Oratorio d’Aurélia, uma investida de Danielle Hoover, do Festival Circo do Brasil, que traz a artista novamente, agora como principal atração da edição 2011.

A temporada de Murmures des murs no Recife começou ontem, no Teatro de Santa Isabel e segue até domingo, com sessões hoje e amanhã, às 21h e domingo, às 18h.

Murmures des murs, com Aurélia Thierrée. Fotos: Ivana Moura

Como em L’Oratorio d’Aurélia, a artista volta a contracenar com seres humanos e outros nem tanto, mas às vezes mais comoventes. Como o saco bolha que é transformado em monstro extraordinário e outros objetos que ganham vida.

Neste segundo espetáculo da artista francesa, sua personagem escuta sopros de paredes, porque as paredes têm histórias para contar, guardam segredos nas sucessivas camadas de papel, que arrancadas remetem a outro tempo de outra memória habitada.

Ela também escala fachadas de edifícios abandonados, entra em apartamentos vazios, invade vidas alheias. Como uma Alice que escapou do País das Maravilhas ela foge do prosaico e esbarra em situações inusitadas, transformando objetos em cúmplices, em sequências inesperadas de acontecimentos, que cria belas imagens de ilusão.

Aurélia Thiérrée em apresentação no Teatro de Santa Isabel

A protagonista encontra passagens secretas, cria ar de mistério, dança, e de tão leve, levita. Parece que encara um romance, dois, três, foge de todos. Nesse jogo, transforma objetos, deforma-os, faz com que desapareçam. Sente a cidade enigmática se fechar sobre si, tem encontros submarinos.

Sua vida foi embalada em caixas de papelão, no começo da peça, em que tudo leva a crer que ela arruma a mudança (transferência para outra residência). Há algo de tristeza no ar, de melancólico. Mas as coisas ganham outro ritmo quando a protagonista projeta sua imaginação e circula por um mundo maluco e imprevisível, acompanhada por outros artistas, ora cúmplices ora rivais. Quem assina essa montagem poética, onírica, é a mãe de Aurélia, Victoria Thiérrée-Chaplin.

Um dos momentos mais sublimes da peça

Parece real

A arte de Aurélia ganha força no que poderia chamar originalidade, poesia para revelar um mundo interior estranho, com frescor, criatividade e humor. A vida é um sonho, onde tudo é possível. Com técnicas precisas de ilusionismo e manipulação de objetos, a movimentação cênica abre as portas da imaginação. Aurélia Thiérrée dá vida a qualquer objeto.

Cenário impressionante e sucessivas mutações pra criar espaços, como as estruturas de prédios. A paisagem emocional muda também com a aparição de uma cama que sugere um hospital psiquiátrico ou da indicação da liberdade com um navio que passa, ou da dança entre os telhados que lembra os quadrinhos. Não existe uma narrativa linear. As imagens se sucedem como num sonho. E em Murmures des murs, a fantasia e a imaginação não têm limites.

Muitas leituras para a sanidade do ser humano

REfletir sobre a liberdade humana

Para quebrar limites

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Temporada do Théâtre du Soleil em São Paulo

Começou hoje a temporada do Théâtre du Soleil no Brasil. São Paulo é a primeira cidade a receber o espetáculo Os náufragos da Louca Esperança, com 15 apresentações, de hoje a 23 de outubro, de quarta a domingo, às 19h, no SESC Belenzinho (Rua Padre Adelino, 1.000, Belenzinho, São Paulo; fone: (11) 2076-9700). Depois, a trupe francesa segue para o Rio de Janeiro e Porto Alegre.

A temporada do espetáculo é uma realização do SESC/SP em parceria com o Festival Porto Alegre em Cena, o Espaço Tom Jobim (RJ) e a Fundação Internacional Teatro a Mil (Santiago–Chile) e conta com o suporte do Consulado Geral da França em São Paulo, do Instituto Francês, da Prefeitura de Paris e da Région Ile de France.

A montagem Les naufragés du Fol Espoir (Aurores), com encenação de Ariane Mnouchkine é inspirada no romance póstumo Os náufragos do Jonathan, de Julio Verne. Ambientado em 1914, às vésperas da Primeira Guerra Mundial, uma trupe fascinada pelo advento do cinematógrafo se aperta no sótão de um cabaré para rodar um filme mudo. A dramaturgia é assinada por Hélène Cixous e a trilha sonora original é executada ao vivo pelo músico e compositor Jean-Jacques Lemêtre.

O filme dentro da peça retrata a história de emigrantes que, no final do século XIX, deixam o País de Gales rumo à Austrália, mas encalham na Terra do Fogo, onde tentam forjar uma comunidade socialista.

A companhia Théâtre du Soleil, fundada em 1964, ocupa as dependências de uma antiga fábrica nos arredores de Paris. O espaço funciona como teatro, centro de pesquisa e residência artística para profissionais de diversas partes do mundo.

A encenadora Ariane Mnouchkine, que tem o processo colaborativo como base, deu entrevista coletiva sobre o Théâtre du Soleil e seu trabalho. As Yolandas não estavam lá, mas reproduzimos aqui a coletiva.

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Pra curtir o restinho do fim de semana

Cênicas Cia de Repertório estreou Pluft - O fantasminha. Foto: Valdemir Rodrigues

O fim de semana está já acabando, mas ainda dá pra curtir a programação nos teatros da cidade! Tem muita coisa legal, inclusive opções de dança:

Divinas – Lívia Falcão (a palhaça Zanoia) divide a cena com Fabiana Pirro (Uruba) e Odília Nunes (Bandeira) no ambiente circense. As palhaças contam histórias, seguindo em uma estrada, em busca de seus sonhos e crenças. Teatro Barreto Júnior. Hoje, às 20h. Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada). Informações: (81) 3355-6398.

Lasanha e Ravioli in casa – Conduzido pela atrizes Ana Barroso e Mônica Biel, que formam a dupla Lasanha e Ravioli, peça narra o cotidiano de duas palhaças que decidem comemorar dez anos de carreira montando uma nova peça. Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife). Hoje, às 16h30. Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (crianças, artistas, estudantes e maiores de 60 anos). Informações: (81) 3355-3318.

Pluft – O fantasminha – Pirata rapta a Menina Maribel e a esconde no sótão de uma casa abandonada, onde vive uma família de fantasmas. Produção da Cênicas Companhia de Repertório. Teatro Barreto Júnior (Rua Estudante Jeremias Bastos, Pina). Hoje, às 16h30. Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada). Informações: (81) 3355-6398.

Amanhã é depois, hoje é brinquedo – Espetáculo tem como foco as brincadeiras de criança e a interação coma plateia. Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu, Boa Viagem). Hoje, às 16h30. Ingressos: R$ 10 e R$ 5. Informações: (81) 3355-9821.

Lua Cambará – Espetáculo de dança contemporânea do grupo Ária Social. A história de sofrimento, morte e vingança de Lua Cambará, é contada por 52 bailarinos. Nesta semana, montagem integra o projeto Luz para a Psiquiatria. Teatro de Santa Isabel (Praça da República, s/n – Centro). Hoje, às 16h. Ingressos a partir de R$ 20, na bilheteria do teatro. Informações: (81) 3355-3324.

Palhaças Lasanha e Ravioli fazem última sessão de espetáculo. Foto: Daniel Torres

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