Arquivo mensais:abril 2011

O senhor do teatro

Paulo José. Fotos: Pollyanna Diniz

Quando penso no Paulo José, a minha primeira lembrança é o personagem Orestes, da novela de Manoel Carlos Por amor, de 1997. Era um alcoólatra que fazia a esposa e a filhinha de olhos azuis sofrerem muito. Ele me gerava momentos alternados de raiva e pena. Mas essa referência é bem recente para um ator de 74 anos que dedicou praticamente toda a vida ao teatro, cinema e televisão.

Ao encarar a pergunta sobre o personagem mais marcante, ele me diz que foi a “Xuxa da infância de muita gente”. Está se referindo ao seriado da década de 1970 Shazan, Xerife & Cia. Interpretava Shazan e fazia dupla com o ator Flávio Migliaccio.

Hoje, Paulo José continua esbanjando disposição para trabalhar e lucidez, mesmo lutando contra o Mal de Parkinson desde 1992. Está em cena na novela Morde e assopra, no filme Palhaço (que tem direção de Selton Mello e previsão para estrear em maio) e dirigindo, pela segunda vez, a peça Murro em ponta de faca. A primeira vez foi em 1978, quando o amigo e autor do texto, Augusto Boal, falecido em 2009, ainda estava no exílio, vítima da ditadura.

No Festival de Curitiba, ele abriu a sala de ensaios de Murro em ponta de faca ao público. Fui assistir e pedi para marcarmos uma conversa. No dia seguinte, mesmo com chuva, ele chegou ao teatro com duas horas de antecedência, como combinado. Falou sobre a peça, que tem no elenco só atores curitibanos (Gabriel Gorosito, Laura Haddad, Erica Migon, Sidy Correa, Abílio Ramos, Espedito Di Montebranco e Nena Inoue), sobre a carreira, sobre a doença. E me disse que está cada vez mais certo de que “Teatro é teimosia. As pessoas querem fazer. E fazem”.

Entrevista // Paulo José

Qual a diferença de dirigir Murro em ponta de faca em 1978 e em 2011?
Esta versão agora nos dá a possibilidade de mergulhar no personagem. Naquele momento, tudo tinha acontecido. Era muito mais ebulição do que razão. Hoje a peça intriga, provoca, dá vontade de conhecer mais da época. É saber o princípio, a origem desse mal. Na época, o sucesso dela, o encontro dela com o público, era natural por causa das circunstâncias, da luta pela anistia, da campanha Tortura nunca mais. Não precisava nenhuma teatralidade especial. Poderia ser quase uma leitura. Agora é mais profundo, estamos menos presos à superfície, ao aparente. E são muitas as referências a coisas que aconteceram naquela época, que não necessariamente as pessoas sabem hoje. Há uma referência clara, por exemplo, ao chileno Víctor Jara (professor, diretor de teatro, poeta, cantor, compositor, músico e ativista), que teve as mãos cortadas. É cheio de referências também ao Marighella (Carlos). Apesar de que, no Brasil, a ditadura foi menos dura do que na Argentina e no Chile. Os militares aqui tinham origem de classe média, classe média baixa. Em muitas situações, eles se encontravam tendo que reprimir a própria família. Diferente do exército argentino, que tinham inimigos de raízes. Aqui, os militares se viam às voltas com parentes presos, tendo que resolver “pepinos” familiares.

Paulo José dirige Murro em ponta de faca pela segunda vez

Como você enfrentou a ditadura. Mesmo não tendo sido exilado, teve essa sensação aqui mesmo?
Claro! Eu era do Teatro de Arena. E a peça que estava em cartaz na época do golpe era O filho cão. Era do Guarineiri (Gianfrancesco) e eu dirigia e atuava. A polícia foi lá para fechar o teatro. Mas nós escapamos todos. Guarnieiri e o Juca de Oliveira foram para Bolívia. Augusto Boal foi para uma fazenda. Fiquei na casa de Cacilda Becker, que morava numa cobertura, esquina com a Avenida Paulista. Fiquei lá um mês. Depois de 15 dias na Bolívia, o Guarnieri e o Juca decidiram voltar. Disseram que preferiam morrer. Depois disso, o Boal foi preso, torturado. Éramos privados da liberdade de ir e vir, de todos os bens, de qualquer conforto que o dinheiro pudesse dar, dos teus discos, filmes, instrumentos musicais. Esse sentimento não tem idade. E hoje as pessoas, noutra situação, também são desprovidas de tudo. Mas naquela época, essas pessoas iam para a Sérvia, para a Croácia. Ficavam sem dinheiro, precisavam da família no Brasil. Mas mandar dinheiro também não era fácil. Então, às vezes, era fome, necessidade mesmo. É uma indignação, uma vergonha, a gente ser tutelado por imbecis. Apresentar uma peça para a censura, para que eles dessem o parecer. Pessoas desqualificadas, ignorantes. Às vezes a gente colocava, por exemplo, um palavrão na peça, só para poder negociar. Porque eles iam implicar com aquilo e deixavam outras coisas passar. Os policiais entravam na tua casa. Os livros perigosos ficam no fundo falso do guarda-roupa. Lembro de perguntarem que eram Aristófanes.

O Boal chegou a ver a peça sendo encenada? Qual a importância dele para o nosso teatro?
O Boal escreveu no exílio. E quando voltou em 1983, acho (na realidade, 1986), a peça já tinha sido encenada. O Boal era devotado ao teatro. Enquanto nós éramos “adúlteros”, namorávamos o cinema, a tv, ele era fiel. Quem sustentou o Arena foi o Boal, por mais de dez anos. Nós íamos para o TBC, para o Oficina. Mas o Boal estava no Arena.

Falando nisso, atuar na televisão, cinema ou teatro é a mesma coisa?
São formas diferentes de trabalhar, mas não há dificuldade. Tenho preferência por cinema e teatro. A televisão é redundante, não é muito inovador. A comunicação é horizontal. Se todo mundo tem que entender, o foco é menor. No teatro, se uma pessoa entender, tudo bem. A programação da televisão também tende a ter um discurso homogêneo, desde a manhã ate a hora que acaba. E o meio se transforma na própria mensagem.

A música é importante? Neste trabalho, o senhor está “brincando” no teclado…
Sempre trabalho com música. Gosto muito, por exemplo, do trabalho do Galpão, porque é muito musical, porque todos tocam. Gosto muito do teclado, mas eu não toco mesmo, por causa do Parkinson. Até para escrever no computador é difícil. Quero digital uma tecla e vou para outra.

No teclado, no ensaio aberto da peça em Curitiba

Como foi a descoberta de que tinha a doença e lidar com isso?
Foi em 1992. Uma doença degenerativa, progressiva e irreversível. Foi o que me disse o médico. Ele estava lá, receitando o remédio e eu perguntei “por quanto tempo vou tomar?”. “Durante toda a vida”, ele me disse. E aí, olhando para ele, um homem quase careca, perdendo o cabelo, descobri que ele também tinha o Parkinson dele: o envelhecimento. Que é progressivo, irreversível, degenerativo. A diferença é que eu tinha a certeza que ele ia morrer e ele não. Como se fosse eterno. Você passa a ter limitações, mas você descobre outras coisas, a introspecção, a concentração. Passei a escrever bem. A minha acuidade musical aumentou. Os meus sentidos foram aguçados. Cada um tem o seu Parkinson. E eu tenho 74 anos, já estou fora da garantia. É só manutenção, não troca mais peça nenhuma.

Mas quais são os cuidados?
Remédios. E hoje faço aula de voz, ginástica, hidroginástica.

Você já fazia ginástica?
Não! Ginástica faz mal! (Risos) Queima! Nunca fiz. Fazia exercício, mas tinha que ser prático, com bola, ou andar a cavalo.

Tem medo da morte?
Não tenho medo. Mas você tem que se preparar bem. As pessoas morrem mal porque não se preparam. São surpreendidas. Estou procurando deixar um testemunho pessoal das coisas que fiz. Estou passando a limpos coisas que escrevi para publicar. Cadernos de direção, de cinema. Dei aula de cinema em Cuba, por exemplo. Na Globo, dei aula para diretores e atores.

Nas duas últimas peças em que você esteve envolvido, você trabalhou com as suas filhas (Um navio no espaço ou Ana Cristina César e Histórias de amor líquido). É diferente? E o seu trabalho de direção também tem sido diferente com o tempo?
Acho que não…Cada peça tem suas exigências, necessidades. Mas a diferença que é estou ficando calmo, sossegado, não fico sofrendo. Até porque percebi que é só uma peça de teatro, tem limites previamente estabelecidos. Então fico mais calmo, tranqüilo. O que me interessa no teatro são as relações humanas, é ajudar a desenvolver potencialidades nos outros. E as pessoas me ouvem, me respeitam. Então me aproveito disso. Eu “chupo” o sangue destes atores jovens, a energia deles para mim.

Vamos falar de televisão. Como é o próximo papel?
É nessa novela nova..Morde e assopra. Entro e fico até o fim da novela. Representa o amor na terceira idade. É o Plínio. Ele volta para a cidadezinha onde tinha deixado a namorada. Gosto de trabalhar como ator. Tenho contrato com a Globo desde 1969. Então tenho que fazer algo de vez em quando. Faço a novela..aí passo mais algum tempo fazendo teatro e cinema.

Falando em cinema…o que o senhor acha da produção pernambucana?
Ah…o Cláudio Assis, o Lírio Ferreira, já estão consagrados, sabem fazer. Cláudio Assis é um louco! Aspirinas e urubus é um filme muito bom. Tem baianos também muito bons no cinema. Meu próximo papel é no filme Palhaço, de Selton Mello, que deve ser lançado em maio. É um filme autoral, que o Selton escreveu, produziu. Temos uma safra muito boa.

E deixa eu perguntar…o que o senhor acha da ministra Ana de Hollanda?
A linhagem é boa…é filha de Sérgio Buarque, de uma família que tem respeito pela cultura. Mas está apenas começando…Mesmo o governo da Dilma ainda é muito cedo. Já percebemos que ela tem diferenças de Lula, mas ainda é cedo…

Uma pergunta clássica: algum papel que gostaria de fazer e ainda não teve oportunidade?
Tem personagens da literatura, personagens reais, que a gente gosta. Mas eu não estou sofrendo com isso. Tenho tanta coisa para fazer sempre!

E vai fazer teatro até quando?
Até morrer!

Não existe aposentadoria para o teatro?
Não existe! Até porque, no teatro, tem papel para todo mundo, independentemente da idade. Aos 90, ainda terão papeis que são ideais pra mim.

No papel de diretor

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Ler comédia

A Duas Companhias, de Fabiana Pirro e Lívia Falcão, continua sua empreitada de leituras dramáticas no Centro Cultural Correios. Se ano passado o projeto era o Que absurdo! (com textos do Teatro do Absurdo), este ano virou Que comédia!, com textos da Commedia Dell´Arte.

A primeira leitura será do texto Arlequim, servidor de dois patrões, do italiano Carlo Goldoni. No elenco, Lívia Falcão, Fabiana Pirro, Arílson Lopes, Anderson Machado, Cláudio Ferrario, Jorge Clésio, Marina Duarte, Odília Nunes, Olga Ferrario e Tito França.

Lívia Falcão, da Duas Companhias, está no elenco da leitura. Foto: Daniela Nader

A direção ficou sob a responsabilidade de Adelvane Neia, que mora em Campinas, São Paulo, mas tem visitado o Recife há alguns meses, desde que participou de um projeto da Duas Companhias, de formação de palhaças, com mulheres na Zona da Mata. “É um texto clássico do Goldoni, com duelos, casamentos arranjados. É o mais conhecido, mas não tem sido tão montado”, explica Adelvane.

O projeto Que comédia! será realizado nesta segunda e terça-feira, às 20h, e segue até o mês de julho, com diferentes textos, elenco e direção a cada mês. A entrada é gratuita.

Que comédia!, leitura do texto Arlequim, servidor de dois patrões
Quando: nesta segunda (25) e terça-feira (26), às 20h
Onde: auditório do Centro Cultural Correios (Avenida Marquês de Olinda, 262, Bairro do Recife)
Quanto: Entrada gratuita
Informações: (81) 3224-5739 / 3424-1935

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Criatividade na medida

Os 39 degraus leva aos palcos o filme homônimo de Alfred Hitchcock

O espetáculo Os 39 degraus, com direção de Alexandre Reinecke, em cartaz no Rio de Janeiro, ocupa um local perigoso. Está num campo fronteiriço entre a montagem que diverte o público de maneira competente e aquela que carrega tanto nos elementos e truques, que começa empolgando, mas depois pode cansar o espectador. É como se fosse uma fórmula química mesmo e talvez cada apresentação tenha um resultado específico.

Em Curitiba, na primeira apresentação da peça no festival de teatro, por pouco a apresentação não descambou para o exagero. Nas tentativas de fuga para não ser preso injustamente pelo assassinato de Annabela Schmidt, uma agente secreta alemã, Richard Hannay pega um trem, mas é descoberto e perseguido (numa cena criativa e muito bem executada); passa por uma ponte; foge da casa de um casal pela janela; passa por um discurso político e até faz chover e trovoar com a ajuda da plateia.

Elenco interpreta mais de 30 personagens

O interessante é como uma só montagem consegue levar ao público o melodrama, a mímica, o teatro de sombras, os clowns e até o pastelão. O elenco – formado por Dan Stulbach, Danton Melo, Henrique Stroeter e Fabiana Gugli – tem uma sincronia perfeita, inclusive com a técnica, já que eles interpretam mais de 30 personagens. O único que faz um só personagem é Dan Stulbach (Richard Hannay); ele está em cena praticamente a peça inteira.

Os 39 degraus leva aos palcos o filme homônimo de Alfred Hitchcock, de 1935, que inspirou ainda duas refilmagens e uma montagem na Broadway. Na realidade, a versão brasileira é uma homenagem muito bem-humorada ao diretor, com menções a vários de seus filmes (tem até a brincadeira de tê-lo em cena). Um quebra-cabeças solucionado com criatividade, perspicácia e entrosamento, que diverte e empolga o público.

Peça está em cartaz no Rio de Janeiro. Fotos: Pollyanna Diniz

Os 39 degraus
Onde: Teatro do Leblon – Sala Marília Pêra (Rua Conde Bernardote, 26, Leblon, Rio de Janeiro)
Quando: quintas, sextas e sábados, às 21h; domingos às 20h; até 10 de julho
Quanto: R$ 78 e R$ 39 (meia)
Informações: (21) 2274-3536

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Hoje tem Paixão de Cristo do Recife

José Pimentel, o Jesus da Paixão de Cristo do Recife

Ator no Marco Zero, na noite de quarta-feira

Bairro do Recife

O ator e diretor José Pimentel, da Paixão de Cristo do Recife, foi firme: “Se uma pessoa apenas estiver na plateia, mesmo com chuva, se não acontecer um tsunami como no Japão, o espetáculo será realizado nesta quinta-feira”. O comentário foi logo depois da suspensão da encenção ao ar livre no Marco Zero, ontem à noite.

Visivelmente abalado, ele disse que estava triste e que isso nunca tinha ocorrido em 15 anos da Paixão de Cristo do Recife. E em toda sua carreira, só aconteceu uma vez, em Nova Jerusalém. Pimentel interpreta Jesus Cristo há 34 anos e há 43 dirige o espetáculo, sendo 29 desses anos em Nova Jerusalém.

Mais do que a chuva, a encenação não aconteceu porque a fiação molhada oferecia riscos ao elenco de 100 atores e 300 figurantes. Por conta da ventania, alguns detalhes do cenário, como os arcos, também não chegaram a ser levantados. Os efeitos especiais da encenação também seriam prejudicados, caso o espetáculo não tivesse sido suspenso.

O cancelamento foi anunciado por volta das 19h10, apesar da relutância de Pimentel. “Todo ano temos chuva, ventania. Já sabemos disso. O que precisamos é nos preparar para fazer o espetáculo da melhor forma”, afirmou. “A pessoa que mais sofre riscos com a chuva sou eu e ainda assim eu queria fazer”, completou o ator em meio ao cenário vazio. Por volta das 20h, poucos eram os atores que ainda estavam no camarim montado no Armazém ao lado da praça do Marco Zero.

A temporada deste ano da Paixão de Cristo do Recife vai de hoje até o domingo, sempre às 20h. O espetáculo é gratuito.

Veja vídeo com José Pimentel

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Vale da dança

A ideia era fazer um evento para celebrar o Dia Internacional da Dança, comemorado no dia 29 de abril. Mas a necessidade se mostrou maior: os espetáculos da cidade precisavam de visibilidade, havia o desejo por complementação na formação, por debates, por oficinas. Essa é a historinha da criação do Vale Dançar, festival realizado em Petrolina, Sertão pernambucano, que já vai para a sua quarta edição.

Além de movimentar a cena, o Vale Dançar tenta mostrar às autoridades que existe gente produzindo dança por lá, enquanto o poder público simplesmente não se manifesta. Uma cidade tão forte economicamente, um polo médico, educacional…e todas essas coisas que a prefeitura adora alardear… e não tem um teatro sequer! Ou melhor, tem. Porque existe o Sesc, instituição que trabalha há anos na região e realiza o Vale Dançar. Mas o Teatro do Sesc está fechado por conta de uma reforma que acabou de começar e deve durar pelo menos um ano e meio. Resultado? Os espetáculos que pedem um maior aparato de luz, som, terão que cruzar a ponte. Serão apresentados na Bahia, em Juazeiro, no Centro Cultural João Gilberto. E deve ser assim também no festival Aldeia do Velho Chico, que acontece em agosto, por mais de 15 dias.

“80% da programação do Vale Dançar é de espetáculos locais. Temos pelo menos quatro grupos de dança produzindo na cidade”, explica o supervisor de Cultura do Sesc em Petrolina, Jailson Lima, que é também diretor da Qualquer Um dos 2 Cia de Dança, que já tem três espetáculos no repertório: Vire ao contrário (2007), De dentro (2009) e Deixar ir (2010). Um dos diferenciais da companhia é que ela é formada só por homens.

Aluga-se um coração, da Qualquer Um dos 2 Cia de Dança

Além de Aluga-se um coração, novo espetáculo da Qualquer Um dos 2, inspirada no livro Amor Líquido, de Bauman e Deixar ir; da produção petrolinense, o festival apresenta ainda Esbórnia, da Cia de Dança do Sesc (grupo com 16 anos); Atração, da Cia de Dança Canuto; e as mostras de solos, duos e de dança contemporânea.

De Surubim, vai o espetáculo Valsa para cadáveres e desejos, da Solus Cia de Dança. É o primeiro trabalho coreografado e dirigido por André Chaves. São três bailarinos em cena. “É um estudo sobre as contrações involuntárias. Parkinson, cãibra, soluços. A gente parte daí como ponto de pesquisa do movimento”, conta Chaves. O espetáculo, complementa, é resultado de uma provocação feita por Raimundo Branco, da Compassos, que fez uma residência artística em Surubim ano passado.

Valsa para cadáveres e desejos. Foto: Luana Andrade

A convidada do Recife é a Cia Etc., com o espetáculo Silêncio, uma intervenção intitulada Involuntário, e ainda a participação de Marcelo Sena em alguns debates e na palestra Processos criativos em dança.

O Vale Dançar começa hoje, às 20h, e segue até o dia 1º de maio. Os espetáculos são gratuitos; já as oficinas custam R$ 15 para o público em geral e R$ 10 para comerciários e dependentes. Confira aqui a programação completa.

Silêncio, da Cia Etc. Foto: Breno César

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