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Projeto Totem Relicário:
A memória viva da performance pernambucana

Acervo histórico do grupo compreende cerca de 600 itens de 38 criações realizadas entre 1988 e 2009

Pesquisa continuada em quase 40 anos de trajetória. Foto: Olga Wanderley/ Divulgação

O Grupo Totem, um dos mais longevos e influentes coletivos de artes cênicas de Pernambuco, com 37 anos de trajetória, celebra sua história com o lançamento do projeto Totem Relicário. Este evento marca a disponibilização de um vasto acervo virtual que documenta as primeiras duas décadas de produção do grupo, oferecendo uma imersão na rica cena performática pernambucana e brasileira.

Fundado em 1988 por Fred Nascimento e Lau Veríssimo, o Grupo Totem tem sido um laboratório contínuo de experimentação nas artes cênicas, explorando as fronteiras entre teatro, performance, dança e rituais. Desde sua origem no casarão da Rua de São Bento, em Olinda, onde funcionava o icônico bar Abraxas, o grupo se dedicou a uma poética singular, caracterizada pela intensidade corporal, pela exploração de arquétipos e mitos, e por uma perspectiva ritualística da cena.

Suas obras, como Signosimbolosícones, Ele, Artaud!, Ita e Mulheres marcaram época e influenciaram gerações de artistas. A longevidade do grupo, mantendo-se ativo e relevante por quase quatro décadas, é um testemunho da força de sua pesquisa artística.

A filosofia do Totem aposta na capacidade de transformar o corpo do performer em um discurso político e poético, explorando a subjetividade e a cultura caosmopolitana, como visto em Caosmopolita. A composição de referências, desde a psicologia arquetípica de Carl Gustav
Jung e James Hillman até a antropofagia cultural brasileira, demonstra a riqueza intelectual e criativa que permeia suas produções.

A Preservação da Memória Performática em Formato Digital

Lançamento do projeto com reperformances em Olinda

O lançamento do projeto Totem Relicário, neste 5 de julho de 2025, representa um marco na história do Grupo Totem e na cena artística brasileira. Trata-se de uma plataforma virtual que reúne e disponibiliza o vasto acervo histórico do grupo, compreendendo cerca de 600 itens de 38 criações realizadas entre 1988 e 2009. Este “relicário” digital é uma verdadeira viagem no tempo, oferecendo acesso a fotos, vídeos, material gráfico, manuscritos, clipagens, croquis, mapas técnicos de palco e luz, fichas técnicas e roteiros.

A iniciativa é de extrema importância para a preservação da memória da performance. A arte performática, por sua natureza efêmera e de acontecimento ao vivo, enfrenta o desafio intrínseco de sua documentação e arquivamento. Muitas obras se perdem no tempo, existindo apenas na memória dos espectadores e artistas. Ao digitalizar e organizar este acervo, o Grupo Totem garante a perenidade de sua própria história como também oferece uma valiosa fonte de pesquisa e inspiração.

Jailson de Oliveira, Angélica Costa, Nara Sales, Lau Veríssimo e Zoraya Brayner, elenco de ITA

Cartaz do trabalho Ele, Artaud. Foto: Divulgação

Festivo e imersivo, o lançamento do Totem Relicário retorna ao local de origem do grupo em Olinda, no casarão da Rua de São Bento. A programação é um convite à revisitação e ressignificação das obras do Totem:

Reperformances

Integrantes, ex-integrantes e colaboradores convidados apresentarão cenas de seis performances históricas:

Duplo Faca Destino (2005),
com Juliana Nardin: Performance criada a partir da obra do artista visual Rinaldo Silva, explorando a dualidade da faca, do corte e do ferir.

Signosimbolosícones (1991),
com Lau Veríssimo, Suzi Couto e Zoraya Brayner: Um teatro de imagem, uma paisagem humana, mixando personas de trabalhos anteriores do grupo e registros fotográficos.

Ele, Artaud! (1997),
com Angélica e Luan Amim: Espetáculo ritualístico que antropofagicamente absorve o teatro Artaudiano, misturando-o com referências culturais brasileiras.

Ita (1991) e Mulheres (1993),
com Jailson Oliveira: Solo que integra trechos dessas performances. Ita delineou a poética do Totem, enquanto Mulheres aborda o princípio feminino e arquétipos de deusas.

Caosmopolita (2005),
com Gabi Cabral: Situa-se na fronteira do teatro físico, performático e dança, com o corpo do ator/performer como discurso político.

Outras Atividades

Depoimentos e Documentário:
O evento inclui depoimentos em vídeo de artistas que passaram pelo grupo e a exibição do documentário Totem Retrospecto, de Taína Veríssimo.

Roda de Conversa:
Uma discussão sobre a história do grupo e o site do acervo, com a participação de Fred Nascimento, Taína Veríssimo, Zé Diniz (web designer), Alexandre Figueirôa (jornalista/cineasta), e participações em vídeo de Alexandre Nunes e Inaê Veríssimo.

Pocket Show:
Atual e ex-integrantes da banda do Totem, incluindo Fred Nascimento, Cauê Nascimento, Mário Sérgio, Mari Paiva, Patrício Rodrigues e Gustavo Vilar, apresentarão trilhas sonoras dos espetáculos.

O projeto Totem Relicário é realizado via Fundo de Incentivo à Cultura do Governo de Pernambuco – Funcultura, garantindo a gratuidade e acessibilidade do acervo. O site (grupototem.com.br) conta com ferramentas de acessibilidade comunicacional para pessoas com baixa visão, daltônicos, surdas e cegas, reforçando o compromisso do grupo com a inclusão e a democratização do acesso à cultura.

GeoPoesis, filme da videoperformance do Totem. Foto: Divulgação

A performance, por sua natureza transitória, sempre representou um desafio para a historiografia da arte. O Totem Relicário encara diretamente essa questão, transformando a efemeridade em um legado acessível. Ao digitalizar e contextualizar seu vasto material, o grupo contribui para a construção de uma memória viva da performance brasileira, permitindo que obras que aconteceram uma única vez ou em poucas ocasiões possam ser estudadas, revisitadas e compreendidas por novas gerações.

Isso se alinha a discussões contemporâneas sobre a “arquivabilidade” da performance e a importância dos acervos digitais como ferramentas de pesquisa e difusão cultural. Como aponta a teórica Diana Taylor em seu livro O Arquivo e o Repertório, existe uma tensão produtiva entre o arquivo (documentos, textos, vídeos) e o repertório (práticas corporais, conhecimentos incorporados). O Totem Relicário cria uma ponte entre essas duas dimensões.

A programação do evento, com as “reperformances”, é um exemplo prático da teoria da reencenação na arte contemporânea, que pensa numa ressignificação das obras originais no contexto atual, com novos corpos e perspectivas. Isso demonstra a vitalidade da performance como linguagem, capaz de se adaptar e gerar novos sentidos ao longo do tempo.

A reperformance celebra a continuidade e a evolução de uma linhagem artística. Este conceito dialoga com as práticas de artistas como Marina Abramović e seu projeto Seven Easy Pieces, onde ela reperformou obras icônicas suas e de outros artistas.

A longevidade do Grupo Totem e a participação de ex-integrantes e colaboradores no evento de lançamento sublinham seu papel como um polo de formação e irradiação artística. Muitos artistas que passaram pelo Totem seguiram suas próprias trajetórias, levando consigo a experiência e a filosofia do grupo.

O Totem Relicário, ao disponibilizar o histórico de criações e processos, torna-se uma “escola” aberta, um repositório de metodologias e inspirações para jovens artistas e pesquisadores que buscam compreender as raízes e as evoluções da performance no Brasil. Esta função pedagógica é fundamental em um país onde o ensino formal das artes performáticas ainda enfrenta desafios estruturais.

A atuação contínua do Grupo Totem em Pernambuco, e a visibilidade que o Totem Relicário trará, reforça a importância das cenas artísticas regionais para o panorama cultural brasileiro. Em um cenário muitas vezes centralizado no Rio-São Paulo, o Totem demonstra a riqueza e a capacidade de produção artística de outras regiões, contribuindo para a diversidade e a pluralidade das expressões performáticas nacionais.

O projeto, financiado pelo Funcultura, também evidencia a relevância do apoio público para a sustentabilidade e o desenvolvimento da cultura local. Em tempos de escassez de recursos para a cultura, iniciativas como esta reafirmam a importância das políticas públicas para a preservação da memória artística.

Lau Veríssimo, uma das fundadoras do Grupo Totem. Foto: Divulgação

Fred Nascimento, um dos fundadores do Totem. Foto: Divulgação

Em quase quatro décadas de existência, o Grupo Totem construiu uma das mais consistentes e inovadoras trajetórias artísticas do Brasil, reinventando constantemente as fronteiras da performance, do teatro ritual e da experimentação corporal em Pernambuco. Apesar de sua metodologia singular, que mescla referências antropológicas, mitológicas e políticas, e de ter formado gerações de artistas que hoje atuam em diversas frentes da cena cultural brasileira, o Totem permanece um tesouro parcialmente oculto no panorama artístico nacional. Como tantas iniciativas culturais surgidas fora do trânsito Rio-São Paulo, o grupo carrega o paradoxo de ser simultaneamente reverenciado por quem conhece sua obra e invisibilizado nos grandes circuitos e narrativas oficiais das artes cênicas brasileiras, raramente recebendo o reconhecimento proporcional à sua contribuição estética e cultural.

O projeto Totem Relicário surge, portanto, como um arquivo digital e como um ato de justiça histórica e resistência cultural. Ao disponibilizar virtualmente seus 600 itens documentais e registros de 38 criações realizadas entre 1988 e 2009, o grupo ultrapassa as barreiras geográficas que tradicionalmente limitaram seu alcance, permitindo que pesquisadores, artistas e entusiastas de qualquer parte do mundo possam descobrir e estudar esta produção única. Esta plataforma representa a democratização da memória performática pernambucana e a possibilidade de reescrita de uma história das artes cênicas brasileiras mais plural e descentralizada. O Totem Relicário honra não apenas o passado do grupo, mas aponta para um futuro onde iniciativas artísticas de todas as regiões do Brasil possam ser devidamente reconhecidas, estudadas e celebradas, inscrevendo definitivamente o Grupo Totem no lugar que sempre mereceu: o de referência fundamental da performance contemporânea brasileira.

SERVIÇO
Lançamento do Acervo Virtual do Grupo Totem
Local: Rua de São Bento, 344 – Olinda-PE
Dia: SÁBADO, 05 de julho de 2025
Horário: 17h às 20h
Entrada: gratuita
Mais informações: @grupototemrecife
Site do acervo: grupototem.com.br

FICHA TÉCNICA
Acervo Virtual do Grupo Totem
Direção/coordenação: Fred Nascimento
Pesquisadoras: Lau Veríssimo, Juliana Nardin, Taína Veríssimo e Íris Campos
Web designer e programação: Zé Diniz
Editor gráfico: Luan Amim
Produtora: Taína Veríssimo

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Retomada, do Totem, para quem tem fome de justiça

Totem ergue um dos mais belos poemas cênicos de resistência, de demonstração de bravura inspirado nos povos primordiais. Foto: Divulgação

Totem ergue um dos mais belos poemas cênicos de resistência inspirado nos povos primordiais. Foto: Divulgação

Dignidade, honra,  coragem urgem voltar à prática cotidiana. Em tempos de golpes baixos é imprescindível estar atento e forte, insiste o espetáculo Retomada,que eclode em movimentos de resistência, de combate em defesa dos povos indígenas e de toda gente esmagada historicamente. A montagem faz única apresentação nesta sexta-feira (12/01) no Teatro Hermilo Borba Filho, dentro da programação do 24º Janeiro de Grandes Espetáculos – Festival Internacional de Artes Cênicas e Música de Pernambuco.

Esse trabalho do Grupo Totem, que inicia as celebrações dos 30 anos de existência da trupe, é uma experiência de luta que se manifesta no corpo, nos gestos, na sonoridade, na potência de se insurgir contra as injustiças. Encenação para quem tem fome de justiça, “Retomada se solidariza a todos os que sofreram e ainda sofrem com a invasão de seus territórios e o assassinato de seus líderes”, enfatiza o diretor, Fred Nascimento.

Retomada combina dança, teatro, performance e ritual, que permite uma experiência estética poderosa. “A energia da atmosfera sagrada se faz presente, formando um corpo expandido entre o físico, o sonoro, o espaço circundante e a metafísica, uma obra cosmológica, trazida à cena contemporânea através do contato com forças ancestrais”, confirma Fred.

oto Olga Wanderley

Foto: Olga Wanderley / Divulgação

As terras indígenas formam um espaço sagrado exaltado nesse poema cênico. É fruto da pesquisa Rito Ancestral Corpo Contemporâneo, residência artística desenvolvida junto aos povos Kapinawá, Xukuru e Pankararu.

Nesse belo, poderoso e mágico espetáculo, as artistas projetam seus corpos no universo. Com os pés batendo no chão, as mulheres guerreiras – Gabi Cabral, El Maria, Inaê Veríssimo, Juliana Nardin, Lau Veríssimo e Taína Veríssimo – convocam outros que vieram antes de nós.

A encenação ganha nuances, texturas, efeito com a trilha sonora original executada por Fred Nascimento na percussão, Cauê Nascimento na guitarra e Gustavo Vilar no pífano e nos maracás. É uma sonoridade carregada de elementos da cultura indígena que aciona as memórias em diálogo com a musicalidade contemporânea.

O desenho de luz de Natalie Revorêdo e a projeção do VJ Bio Quirino atuam como personagens a dialogar com as atrizes, amplificando a exuberância do trabalho.

O espetáculo Retomada estreou em maio de 2016, no Trema! Festival de Teatro. E a beleza se faz na cena, nos corpos expandidos. Enquanto houver injustiça, vai ter luta anunciam na pele, no gesto, no olhar, na energia feminina as atrizes-performers. Uma injeção de ânimo nesses tempos de apatia, que merece correr os palcos do Brasil e do mundo.

Ficha Técnica
Encenação: Fred Nascimento
Coreografias coletivas do grupo Totem
Preparação corporal: Totem
Performers: Gabi Cabral, El Maria, Inaê Veríssimo, Juliana Nardin, Lau Veríssimo e Taína Veríssimo.
Música original: Cauê Nascimento, Fred Nascimento e Gustavo Vilar
Cenografia: Totem
Figurino: Gabriela Holanda
Maquiagem: Totem
Designer de luz: Natalie Revorêdo
Vj: Bio Quirino
Pintura corporal: Airton Cardim
Assistente técnico: Ronaldo Pereira
Fotografia: Fernando Figueiroa
Designer gráfico: Uirá Veríssimo
Preparação vocal: Conrado Falbo e Thiago Neves

SERVIÇO
RETOMADA – performance do grupo Totem
Quando: Nesta sexta-feira (12/01),às 20h30,
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Quanto:;R$30 e R$ 15 (meia).

ATRAÇÕES DESTA SEXTA-FEIRA NO JGE (com informações da assessoria de imprensa)

Ator, diretor e dramaturgo . Ícaro - foto : Fernanda Chemale

Ator, diretor e dramaturgo Luciano Mallmann em Ícaro. Foto: Fernanda Chemale

19h, Teatro Arraial Ariano Suassuna – Ícaro –+ segunda sessão dia 13, às 18h
LM Produções (Porto Alegre/RS).

Em sua estreia como dramaturgo, o ator e bailarino Luciano Mallmann reflete sobre a fragilidade do homem a partir de seis histórias fictícias de cadeirantes. Inspirado em suas próprias experiências e nas de pessoas que conheceu ao sofrer uma lesão medular, em 2004, o monólogo mistura realidade e ficção num mosaico sobre a diversidade humana, partindo de temas universais, como relacionamentos interpessoais, abandono, maternidade e preconceito. R$ 20.

Dialogus

Dialogus Ibéricos

19h, Teatro Apolo – Dialogus Ibéricos
Favelacult Gestión Cultural (Portugal e Espanha).

O projeto une música, dança, canto e teatro numa viagem contemporânea às raízes populares portuguesas e suas influências na Espanha e no Brasil. Erudito e contemporâneo, tradicional e experimental. Resultante do encontro entre um músico espanhol, uma bailarina portuguesa e uma cantora espanhola, tendo como ponto de partida o cancioneiro popular ibérico, mostra o ciclo da vida das gentes. Verdadeiros laços de identidade que nos ligam mais do que separam. Com Carlos Blanco (músico), Vanessa Muela (cantora e percussionista), Alexandra Fonseca (bailarina). Dramaturgia e encenação: Moncho Rodriguez. Poemas: Ronaldo Correia de Brito. R$ 30 e R$ 15 (meia).

 

Espelunca, da Sede das Cias. Foto: Thiago Cristaldi Carlan / Divulgação

Espelunca, da Sede das Cias. Foto: Thiago Cristaldi Carlan / Divulgação

20h30, Teatro Barreto Júnior – Espelunca – + segunda sessão dia 13, às 20h
Cia Teatral Milongas e Pagu Produções Culturais (Rio de Janeiro/RJ).

Espetáculo baseado na relação das figuras do palhaço Branco (manipulador) com o palhaço Augusto (manipulado). A peça tem como cenário um antigo restaurante, visivelmente decadente. Um único homem espera ansioso por clientes que nunca chegam, até que uma figura estranha entra e começa o quiproquó. Toda a encenação é conduzida sem uso da palavra. R$ 30 e R$ 15 (meia).

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Claudette e Ayrton. Foto: Igor_Montarroyos / Divulgação

21h, Teatro de Santa Isabel |- Ayrton Montarroyos e Claudette Soares
Recife/PE.

Duas grandes vozes de diferentes gerações se juntam num show que passeia por vários tempos da música popular brasileira. Claudette Soares, 60 anos de carreira, grande cantora e diva da bossa nova, apresenta os clássicos dos anos 1950, 60 e 70, dos repertórios de Vinicius de Moraes, Johnny Alf, Roberto e Erasmo, Chico Buarque. Ayrton Montarroyos, 22 anos, finalista do The Voice, da TV Globo, leva ao palco as canções que o consagraram no programa e os novos compositores que estão no álbum de estreia, que leva seu nome, lançado em 2017. R$ 40 e R$ 20 (meia).

 

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Retomada, nosso grito urgente e imprescindível!

Penúltimo fim de semana da temporada do Totem no Teatro Arraial Ariano Suassuna. Foto Fernando Figueirôa

Penúltimo fim de semana da temporada do Totem no Teatro Arraial Ariano Suassuna. Foto Fernando Figueirôa

Retomada, do grupo Totem, é um espetáculo de resistência, de combate pela honra dos povos indígenas e outros silenciados historicamente. É uma experiência de luta que se manifesta no corpo, nos gestos, na sonoridade, na potência de se insurgir contra as injustiças. É um canto de guerra pelos direitos dos povos indígenas, A encenação engrossa o coro de vozes dos seres originários do país, reforça a sabedoria ancestral, robustece a batalha pela demarcação de suas terras. Retomada está em cartaz no Teatro Arraial, às sextas e sábados, às 20h, até 27 de maio.

Montagem para quem tem fome de justiça, “Retomada se solidariza a todos os que sofreram e ainda sofrem com a invasão de seus territórios e o assassinato de seus líderes”, enfatiza o diretor da performance, Fred Nascimento.

As terras indígenas formam um espaço sagrado exaltado na encenação. E o Totem corporifica a sacralidade e sentimento de resistência desses povos e produz esse poema cênico para celebrar a terra.

Resultado da Pesquisa Rito Ancestral Corpo Contemporâneo, o trabalho de residência artística foi desenvolvido junto aos povos Kapinawá, Xukuru e Pankararu. Com a investigação, o Totem se jogou nos rituais, aprofundando saberes e possibilidades de criação artística.

Um canto de resistência pelos direitos dos povos indígenas

Um canto de resistência pelos direitos dos povos indígenas

A linguagem de Retomada combina dança, teatro, performance e ritual, e possibilita uma experiência estética poderosa. “A energia da atmosfera sagrada se faz presente, formando um corpo expandido entre o físico, o sonoro, o espaço circundante e a metafísica, uma obra cosmológica, trazida à cena contemporânea através do contato com forças ancestrais”, considera Fred Nascimento.

Parece mágico. Mas aqueles pés batendo no chão convocam outros que vieram antes de nós. Aquelas mulheres guerreiras nos contagiam com suas sabedorias impregnadas no corpo, nas marcas deixadas pelo tempo, na alegria das conquistas, na tenacidade de prosseguir na vida, lutando por respeito, por dignidade, sem esmorecer nem baixar a cabeça.

É uma experiência de estar vivo, envolvido energeticamente por aquelas artistas da cena – Lau Veríssimo, Gabriela Holanda, Inaê Veríssimo, Gabi Cabral, Juliana Nardin, Taína Veríssimo e El Maria (performer convidada) – com seus corpos projetados no universo.

Além delas, a encenação ganha nuances, texturas, impacto com a trilha sonora original executada por Fred Nascimento na percussão, Cauê Nascimento na guitarra e Gustavo Vilar no pífano e nos maracás. É uma sonoridade carregada de elementos da cultura indígena que aciona as memórias mais ancestrais em diálogo com a musicalidade contemporânea, que traduz a sensibilidade deste nosso tempo.

Foi um trabalho árduo de pesquisa, que durou mais de um ano e contou com orientações importantes, como a preparação da voz e corpo monitorada pelo dançarino/performer e músico Conrado Falbo, seguida pela preparação vocal de Thiago Neves. A pintura corporal, na criação e execução, foi direcionada pelo artista plástico Airton Cardin.

força do coletivo. Foto: Fernando Figueirôa

Força do coletivo. Foto: Fernando Figueirôa

O desenho de luz de Natalie Revorêdo e a projeção do VJ Bio Quirino atuam como corpos a falar com as atrizes, estabelecendo uma atmosfera ritual do espetáculo e reforçando vigor e exuberância do coletivo. Tudo isso sob a batuta do incansável Fred Nascimento, que assina a encenação/direção geral do espetáculo.

A performance Retomada estreou em maio passado, no Trema! Festival de Teatro, passando depois pelo Cirkula/IRB, pela Mostra Outubro ou Nada de Teatro Alternativo, pela Mostra A Porta Aberta e recentemente pela Mostra de Teatro e Circo do SESC Santo Amaro. O espetáculo tem muito que circular por festivais, escolas, terreiros, palcos, rua. Vida longa e próspera à Retomada.

Ficha Técnica
Encenação: Fred Nascimento
Coreografias coletivas do grupo Totem
Preparação corporal: Totem
Performers: Gabi Cabral, Gabriela Holanda, Inaê Veríssimo, Juliana Nardin, Lau Veríssimo, Taína Veríssimo e El Maria (performer convidada)
Música original: Cauê Nascimento, Fred Nascimento e Gustavo Vilar
Cenografia: Totem
Figurino: Gabriela Holanda
Maquiagem: Totem
Designer de luz: Natalie Revorêdo
Vj: Bio Quirino
Pintura corporal: Airton Cardim
Assistente técnico: Ronaldo Pereira
Fotografia: Fernando Figueiroa
Designer gráfico: Uirá Veríssimo
Preparação vocal: Conrado Falbo e Thiago Neves

SERVIÇO
RETOMADA – performance do grupo Totem
Temporada Até 27 de maio – sextas e sábados, às 20h
Quanto: R$ 20 e 10 (meia)
Onde: Teatro Arraial (Rua da Aurora, 457 – Boa Vista – Recife)
Fone: (81) 3184-3057

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Retomada, nosso grito de guerra!

Foto Claudia Rangel

Um canto de resistência pelos direitos dos povos indígenas. Foto Claudia Rangel / Divulgação

Retomada, do grupo Totem, é um espetáculo de luta que se manifesta no corpo, nos gestos, na sonoridade, na potência de se insurgir contra as injustiças. É um canto de guerra pelos direitos dos povos indígenas e das falas silenciadas da história. A montagem engrossa o coro de vozes dos seres originários do país, reforça a sabedoria ancestral, robustece a batalha pela demarcação de suas terras. “Retomada se solidariza a todos os que sofreram e ainda sofrem com a invasão de seus territórios e o assassinato de seus líderes”, enfatiza o diretor da performance, Fred Nascimento. Neste 28 de abril, dia de manifestação nacional contra o confisco dos direitos dos trabalhadores, dos direitos dos cidadãos, essa tropa artística inicia a temporada de Retomada no Teatro Arraial, que segue até 27 de maio, às sextas e sábados, às 20h.

Nesta sexta-feira (28), o espetáculo é de portas abertas. É a contribuição ao ato que a turma aposta ser um caminho de mudança. “É nossa forma de somar forças. Nossa arma é nossa arte. Nosso espetáculo é nossa maneira de lutarmos por um país onde caibam todos”.

As terras indígenas formam um espaço sagrado exaltado na encenação. E o Totem corporifica a sacralidade e sentimento de resistência desses povos e produz esse poema cênico para celebrar a terra.

Resultado da Pesquisa Rito Ancestral Corpo Contemporâneo, o trabalho de residência artística foi desenvolvido junto aos povos Kapinawá, Xukuru e Pankararu. Com a investigação, o Totem se jogou nos rituais, aprofundando saberes e possibilidades de criação artística.

Foto: Fernando Figueirôa

A energia vem do coletivo. Foto: Fernando Figueirôa

A linguagem de Retomada combina dança, teatro, performance e ritual, e possibilita uma experiência estética poderosa. “A energia da atmosfera sagrada se faz presente, formando um corpo expandido entre o físico, o sonoro, o espaço circundante e a metafísica, uma obra cosmológica, trazida à cena contemporânea através do contato com forças ancestrais”, considera Fred Nascimento.

Parece mágico. Mas aqueles pés batendo no chão convocam outros que vieram antes de nós. Aquelas mulheres guerreiras nos contagiam com suas sabedorias impregnadas no corpo, nas marcas deixadas pelo tempo, na alegria das conquistas, na tenacidade de prosseguir na vida, lutando por respeito, por dignidade, sem esmorecer nem baixar a cabeça.

É uma experiência de estar vivo, envolvido energeticamente por aquelas artistas da cena – Lau Veríssimo, Gabriela Holanda, Inaê Veríssimo, Gabi Cabral, Juliana Nardin, Taína Veríssimo e El Maria (performer convidada) – com seus corpos projetados no universo.

Além delas, a encenação ganha nuances, texturas, impacto com a trilha sonora original executada por Fred Nascimento na percussão, Cauê Nascimento na guitarra e Gustavo Vilar no pífano e nos maracás. É uma sonoridade carregada de elementos da cultura indígena que aciona as memórias mais ancestrais em diálogo com a musicalidade contemporânea, que traduz a sensibilidade deste nosso tempo.

Foi um trabalho árduo de pesquisa, que durou mais de um ano e contou com orientações importantes, como a preparação da voz e corpo monitorada pelo dançarino/performer e músico Conrado Falbo, seguida pela preparação vocal de Thiago Neves. A pintura corporal, na criação e execução, foi direcionada pelo artista plástico Airton Cardin.

Iuminação de , Lau Veríssimo em performance Foto de Fernando Figueirôa

Iuminação de Natalie Revorêdo dialoga com as atrizes. Foto de Fernando Figueirôa

O desenho de luz de Natalie Revorêdo e a projeção do VJ Bio Quirino atuam como corpos a falar com as atrizes, estabelecendo uma atmosfera ritual do espetáculo e reforçando vigor e exuberância do coletivo. Tudo isso sob a batuta do incansável Fred Nascimento, que assina a encenação/direção geral do espetáculo.

A performance Retomada estreou em maio passado, no Trema! Festival de Teatro, passando depois pelo Cirkula/IRB, pela Mostra Outubro ou Nada de Teatro Alternativo, pela Mostra A Porta Aberta e recentemente pela Mostra de Teatro e Circo do SESC Santo Amaro. O espetáculo tem muito que circular por festivais, escolas, terreiros, palcos, rua. Vida longa e próspera à Retomada.

Lau Veríssimo, símbolo de força e amorosidade. Foto de Fernando Figueirôa

Lau Veríssimo, símbolo de força e amorosidade. Foto de Fernando Figueirôa

Ficha Técnica
Encenação: Fred Nascimento
Coreografias coletivas do grupo Totem
Preparação corporal: Totem
Performers: Gabi Cabral, Gabriela Holanda, Inaê Veríssimo, Juliana Nardin, Lau Veríssimo, Taína Veríssimo e El Maria (performer convidada)
Música original: Cauê Nascimento, Fred Nascimento e Gustavo Vilar
Cenografia: Totem
Figurino: Gabriela Holanda
Maquiagem: Totem
Designer de luz: Natalie Revorêdo
Vj: Bio Quirino
Pintura corporal: Airton Cardim
Assistente técnico: Ronaldo Pereira
Fotografia: Fernando Figueiroa
Designer gráfico: Uirá Veríssimo
Preparação vocal: Conrado Falbo e Thiago Neves

SERVIÇO
RETOMADA – performance do grupo Totem
Temporada 28 de abril a 27 de maio – sextas e sábados,às 20h
Quanto: R$ 20 e 10 (meia)
Onde: Teatro Arraial (Rua da Aurora, 457 – Boa Vista – Recife)
Fone: (81) 3184-3057

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O rito ancestral do Totem

Retomada

Retomada inspira-se na força guerreira dos povos originários. Foto: Fernando Figueiroa

Retomada, espetáculo do Grupo Totem. Foto: Claudia Rangel

Espetáculo do Grupo Totem é dirigido por Fred Nascimento. Foto: Claudia Rangel

A potência do espetáculo Retomada se nutre da força guerreira dos povos originários do Brasil. Dignidade é a palavra de ordem para traduzir a reação das tribos do país aos ataques violentos e desproporcionais armados por ruralistas. O espetáculo/performance do Grupo Totem conjuga energia e beleza. Resistência política nos pés, nos corpos e gestos dos atuadores inspirados nos rituais indígenas. O melhor de todos os trabalhos da companhia. Assistimos à peça durante o Trema! Festival de Teatro e hoje o bando liderado por Fred Nascimento faz uma apresentação no Instituto Ricardo Brennand, às 17h, na abertura do Cirkula 2016, evento do Programa de Pós Graduação em Antropologia da UFPE.

A cobiça do “homem branco” é motivo do confronto por pedaços (às vezes imensos) de chão. Ainda no século 19 os ocupantes históricos foram expulsos. A Constituição de 1988 reconheceu os direitos das tribos, mas o processo de demarcação por parte do governo tem sido devagar, quase parando.

Ao contrário dos produtores rurais, que com o arsenal bélico e poder político, inclusive com representantes no Congresso para defender seus interesses, avançam a passos largos para expulsar os nativos e as ações violentas deixam sempre um saldo negativo para as tribos.

Os poderosos dos interesses do agronegócio, tão bem alinhados ao governo provisório, intimidam com violência genocida e buscam expulsar ilegalmente as diversas etnias de sua terra ancestral.

A iluminação, a música e o vídeo amplificam a voz da montagem

A iluminação, a música e o vídeo amplificam a voz da encenação

A montagem é resultado da pesquisa Rito Ancestral, Corpo Contemporâneo. A dimensão da ancestralidade foi encaixada na expressão corporal e cênica da peça. Para isso, a trupe participou de laboratório de imersão no contexto indígena de aldeias localizadas em Pernambuco entre as etnias Xucuru, Pankararu e Kapinawá. A teoria perpassa por formulações do antropólogo Victor Turner, em diálogo com Richard Schechner e no Teatro Ritual proposto por Antonin Artaud.

O senso de coletividade, dos elementos rituais, o respeito à Terra e às unidades da natureza transbordam nas várias coreografias do grupo. Resistência política e tradição alimentam os componentes do espetáculo em vigor ritual e mítico. É uma experiência intrigante acompanhar como espectador a combativa obstinação de vozes que não se calam sobre a terra arrasada.

As atrizes-performers Lau Veríssimo, Gabi Cabral, Gabi Holanda, Inaê Veríssimo, Juliana Nardin, Taína Veríssimo e Tatiana Pedrosa carregam no corpo, no olhar, na energia do gesto, na composição da cena uma ancestralidade feminina, em conexão com a Mãe Terra. É desse planeta e dessa substância que são configuradas as renovações do ato ritual. O espaço sagrado é celebrado no corpo físico, no som e na luz, na conotação metafísica e na magnificência que esse corpo expandido atinge o universo ao seu redor.

Retomada, com o Grupo Totem
Quando: 26 de julho de 2016, terça-feira, 17h
Onde: Instituto Ricardo Brennand
Quanto: Grátis. O acesso se dará mediante inscrição por email: comunica@institutoricardobrennand.org.br, indicando nome completo e CPF, no corpo da mensagem, e nome do espetáculo (Retomada – TOTEM) no título da mensagem.

FICHA TÉCNICA
Encenação: Fred Nascimento
Atrizes-performers: Gabi Cabral, Gabriela Holanda, Inaê Veríssimo, Juliana Nardin, Lau Veríssimo e Taína Veríssimo
Música original: Cauê Nascimento, Fred Nascimento e Gustavo Vilar
Direção de palco: Tatiana Pedrosa
Cenografia: grupo Totem
Figurino: grupo Totem
Maquiagem: grupo Totem
Designer de luz: Natalie Revorêdo
Vj: bio Quirino
Pintura corporal: Airton Cardin
Assistente técnico: Ronaldo Pereira
Fotografia: Fernando Figueirôa
Designer gráfico: Iara Sales
Preparador vocal: Conrado Falbo
Assessoria de imprensa: Beth Oliveira

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