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Um abolicionista em julgamento
na peça Joaquim Nabuco
Do Cativeiro à Consciência

Coletivo Grão Comum estreia no Recife um espetáculo que tira Joaquim Nabuco do pedestal e o devolve ao centro do debate sobre racismo, privilégio e memória nacional. Foto: Cristiano Freitas dos Santos / Divulgação

O Brasil fez de Joaquim Nabuco o rosto do abolicionismo e seguiu sem perguntar o que isso implicava. O Coletivo Grão Comum leva a questão ao palco nesta terça-feira (29), às 19h, quando estreia Joaquim Nabuco – Do Cativeiro à Consciência, no Teatro Hermilo Borba Filho, no Recife. Com roteiro e direção de Jr. Aguiar, a peça cruza metateatro e drama histórico para revisitar a trajetória do abolicionista pernambucano, e o faz com uma premissa que já anuncia o tamanho da aposta. Em vez de repetir o retrato edulcorado consagrado pela escola e pelo calendário oficial, o espetáculo escolhe tensionar as contradições de um homem que lutou contra a escravidão e, ao mesmo tempo, encarnou os limites de uma elite que extinguiu o cativeiro sem extinguir a ordem que o sustentava.

Poucas figuras da história brasileira carregam contradições tão expostas quanto Joaquim Nabuco. Nascido no Recife em 1849 e morto em Washington em 1910, ele foi o autor de O Abolicionismo (1883), texto fundador da campanha pela extinção imediata da escravidão, e o principal nome político da causa nos últimos anos do Império. O mesmo homem, porém, era um monarquista convicto e um reformista que, como a maioria dos abolicionistas da elite, apostava na negociação entre as classes dirigentes e que temia o levante dos escravizados (que ele registrou no próprio O Abolicionismo); e um defensor de uma transição conduzida de cima para baixo. Depois de 1888, aceitou a República com ressentimento, trocou a política interna pela diplomacia e terminou a vida em Washington, como primeiro diretor da União Pan-Americana, a primeira organização diplomática permanente das Américas, embrião da atual OEA.

Essa trajetória rendeu a Nabuco um assento garantido no panteão nacional. Avenidas, escolas e institutos levam seu nome, e a narrativa dominante o transforma no rosto generoso da abolição. A historiografia das últimas décadas desmontou boa parte dessa tranquilidade. Angela Alonso, em Joaquim Nabuco, os salões e as ruas (2007), reconstrói os dilemas de um reformista que oscilou entre a devoção à sociedade aristocrática e o empenho em reformar o Império e acompanha o autor de Minha Formação (1900) até suas tensões com a República. A mesma autora, em Flores, votos e balas (2015), reconstitui o abolicionismo como o primeiro movimento social nacional do país, uma rede ampla de ativistas e associações que teve entre seus protagonistas Luís Gama e José do Patrocínio, e questionando o consenso que a memória oficial sugere.

Eduardo Silva, em As camélias do Leblon e a abolição da escravatura (2003), recupera a atuação dos próprios negros livres e libertos na campanha abolicionista, atores que a narrativa consagrada apagou. Para o autor, o abolicionismo de Nabuco foi um abolicionismo de elite, conduzido sem os escravizados e quase sem os libertos, desconfiado da agitação social e comprometido com a preservação da ordem. A Lei Áurea, assinada em maio de 1888 sem qualquer política de reparação, integração ou acesso à terra, libertou corpos e abandonou vidas. A queima de documentos da escravidão ordenada por Rui Barbosa em 1890, logo no início da República, selou o apagamento da memória que o país ainda tenta reconstruir.

Jr. Aguiar e Paulo César Freire interpretam Joaquim Nabuco. Foto: Cristiano Freitas dos Santos / Divulgação

O espetáculo do Grão Comum chega em um momento em que essa discussão está acesa no debate público. A ideia de uma abolição inacabada, consolidada por historiadoras e historiadores como Hebe Mattos, Lilia Schwarcz, Flávio Gomes e Sidney Chalhoub, hoje estrutura a leitura do racismo brasileiro. Florestan Fernandes já apontava, nos anos 1960, em A integração do negro na sociedade de classes (1965), que o mito da democracia racial funcionava como cortina para a exclusão real da população negra. Gilberto Freyre havia oferecido, em Casa-Grande & Senzala (1933), a versão harmoniosa dessa história, aquela que transformou a escravidão em convivência cordial entre senhores e escravizados.

As questões que a montagem promete levantar dialogam diretamente com as frentes em disputa no presente. O racismo estrutural, conceito que atravessa o pensamento social brasileiro de Florestan Fernandes e Octavio Ianni a Clóvis Moura, Abdias do Nascimento, Lélia Gonzalez e Sueli Carneiro, e que ganhou formulação contemporânea em O racismo estrutural (2018), de Silvio Almeida, é anunciado pela produção como cativeiro que nenhuma lei abole, expressão do próprio diretor. O debate sobre reparação, as políticas de cotas que completaram uma década em 2022 e seguem em avaliação, a obrigatoriedade do ensino de história afro-brasileira estabelecida pela Lei 10.639 de 2003 e a pressão por reexame de estátuas e nomes de ruas, intensificada após o assassinato de George Floyd em 2020, compõem o pano de fundo contra o qual a peça ganha potência. Questionar Nabuco, nesse contexto, equivale a questionar a própria forma como o país escolheu contar sua libertação.

A escolha do metateatro dá forma a esse questionamento. A linhagem do teatro documental é longa. Erwin Piscator levou arquivos, filmes e depoimentos ao palco na Alemanha dos anos 1920. Peter Weiss, nas Notas sobre o teatro documentário (1968), definiu o gênero como aquele que usa o material verificável para revelar as causas por trás dos fatos, e não os fatos em si. Nos Estados Unidos, a tradição do teatro verbatim, de Anna Deavere Smith a The Laramie Project (2000), de Moisés Kaufman, transformou depoimentos reais em dramaturgia. O dossiê Teatros do Real, publicado pela revista Sala Preta da USP em 2013, consolidou no Brasil o debate sobre uma cena contemporânea que usa o real para interrogar quem teve o direito de contar a história. A montagem do Grão Comum se insere nesse território com uma diferença decisiva. Em vez de citar documentos, ela encena a própria disputa pela memória, e devolve ao espectador a responsabilidade sobre o que vê.

O segundo ato transforma o palco em tribunal, e o faz com um caso real e vastamente documentado. Tomás, escravizado que morava em Olinda, foi preso e torturado durante dias pelo subdelegado da cidade, como exemplo para os demais negros escravizados. Nos autos da época, Tomás matou o subdelegado, foi preso no Recife e, ao tentar fugir, matou quem tentou impedir a fuga. O jovem advogado Joaquim Nabuco, recém-formado e vindo da elite, assumiu a defesa. O julgamento colocou a escravidão no banco dos réus, porque um homem humilhado, torturado e retirado de todos os princípios foi considerado inocente do crime que cometeu. A peça recupera o episódio na cena da defesa, e o escravizado Tomás é vivido por Jefferson Embuá, que no primeiro ato interpreta o policial contemporâneo.

O julgamento ganha um segundo movimento, e este vem da lei do presente. O Senhor Azevedo, deputado conservador e filho de engenhos, personagem ficcional vivido por Ricardo Andrade, confronta os dois Nabucos e é detido por injúria racial, crime que a legislação brasileira só definiu em 1989, com a Lei Caó. De onde ele fala, e o que a plateia descobre nesse momento, faz parte das surpresas do espetáculo. O suficiente é dizer que a peça recusa a todos a posição de observador inocente.

Eron Vilar interpreta Machado de Assis. Foto: Cristiano Freitas dos Santos / Divulgação

Em cena, Nabuco divide o palco com Machado de Assis e com Eufrásia Teixeira Leite, herdeira de uma família de barões do café de Vassouras que hospedou e educou o jovem Nabuco entre 1863 e 1865, e que a peça apresenta como o grande amor da vida dele. O roteiro dá a Eufrásia monólogo próprio, e o romance real entre os dois, documentado em cartas, vira matéria dramática na cena intitulada A Carta Que Não Foi Enviada. 

A presença de Machado de Assis na cena merece atenção. Neto de mulheres libertas e homem negro que conquistou as letras, o escritor construiu a carreira dentro da elite branca do Império e criticou a escravidão de forma oblíqua, nas entrelinhas de uma obra que a crítica demorou décadas a ler nesse registro, como demonstra Sidney Chalhoub em Machado de Assis historiador (2003). Na cena Sonhos de Imortalidade, Nabuco e Machado sonham juntos em criar a Academia Brasileira de Letras. Colocá-los lado a lado produz uma fricção. O país celebra os dois como ícones nacionais e, no mesmo movimento, apaga a condição racial e de classe que moldou suas trajetórias e seus limites. É esse choque que a montagem promete pôr em cena.

A Consciência Negra tem corpo próprio no palco. Felipe Baobá, ator e músico, interpreta a personagem que responde à tese de uma época, a de que os negros não tinham alma. “Somos seres humanos, temos espírito, temos direitos, cidadania, fazemos parte da história”, resume o diretor. É a voz que Eduardo Silva recuperou em As camélias do Leblon, a dos próprios negros na campanha abolicionista.

Joaquim Nabuco – Do Cativeiro à Consciência  tem idealização, o roteiro e a direção de Jr. Aguiar. Na Trilogia Vermelha, composta por h(EU)stória – o tempo em transe (2014), sobre Glauber Rocha, pa(Ideia) – Pedagogia da Libertação (2016), sobre Paulo Freire, e pro(FÉ)ta – O Bispo do Povo (2018), sobre Dom Helder Camara, Aguiar dividiu a assinatura com Márcio Fecher e Daniel Barros. A série, premiada no Janeiro de Grandes Espetáculos, é dedicada a revisitar a memória do país sob a ditadura.

A tradição de dividir o protagonista entre mais de um ator vem dessa série, e se repete aqui. Jr. Aguiar e Paulo César Freire interpretam Joaquim Nabuco ao mesmo tempo, porque a diretora da ficção não decide em qual dos dois focar, e porque Nabuco carrega ambivalências demais para caber em um só corpo. O diretor resume a pergunta que orienta esse percurso ao indagar qual país a nossa memória construiu e quem ficou de fora dele. Segundo ele, chegar a Nabuco depois de Glauber, Freire e Helder representa um caminho natural, porque o abolicionista obriga o público a encarar as contradições do próprio pensamento progressista brasileiro. A proposta, adverte, não consiste em julgar um homem do século XIX, e sim em provocar a plateia a decidir o que fazer com essa herança.

A escrita do roteiro marcou uma estreia técnica na carreira do diretor Júnior Aguiar. Pela primeira vez, ele usou inteligência artificial como assistente de dramaturgia. Escreveu a cena, levou o material para a sala de ensaio, voltou, aperfeiçoou, e o texto se desenhou nesse degradê de camadas sobrepostas entre a máquina e o ensaio.

“Ao longo da minha pesquisa, aprendi que existem cativeiros que nenhuma lei abole, como o racismo, o privilégio herdado e o silêncio diante da violência. Por isso, o espetáculo não termina quando a luz se apaga. Queremos que a plateia saia do teatro incomodada, mas também mais atenta, com a responsabilidade de se perguntar o que ainda a mantém presa e o que pode fazer para se libertar”, afirma o diretor, que acumula mais de duas décadas de carreira.

Jefferson Embuá faz o escravizado Tomás. Foto: Cristiano Freitas dos Santos / Divulgação

O elenco reúne Jr. Aguiar, Paulo César Freire, Ricardo Andrade, Jefferson Embuá, Eron Villar, Felipe Baobá e Telma Melo, e quase todos interpretam dois personagens, os atores do tempo contemporâneo e os personagens do espetáculo histórico. Eron Villar faz apenas Machado de Assis, e Felipe Baobá apenas a Consciência Negra. O figurino e a caracterização são de Telma Melo e Ely Araújo, o desenho de luz é assinado por Eron Villar e Jr. Aguiar, com operação de Mah Carvalho, e a operação de áudio fica a cargo de Moacir Lago, o Moa. A fotografia é de Cristiano Freitas dos Santos e a filmagem, de Giandson.

A realização é do Coletivo Grão Comum, com colaboração de Ricardo Nunes, Daniel Mendes, Roger Bravo, Arthur Canavarro, Márcio Fecher e Sebastião Simão Filho, além do Centro Apolo Hermilo e do Teatro Barreto Jr. A montagem não tem patrocínio nem financiamento público ou privado, e os dois teatros alugados foram custeados com recursos próprios do grupo.

A Consciência Negra encerra o espetáculo com uma proposta dirigida à memória nacional. A pergunta que ela entrega ecoa há mais de um século pelo Cais do Recife, região que viu desembarcar escravizados e viu festejar a abolição. O que significa celebrar libertadores quando a liberdade prometida nunca chegou inteira para a maioria dos libertados?

SERVIÇO

Estreia do espetáculo Joaquim Nabuco – Do Cativeiro à Consciência
Quando: Terça-feira (29), às 19h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho (Av. Cais do Apolo, 142, Bairro do Recife, Recife, PE)
Quanto: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia-entrada), à venda na Sympla,
Classificação indicativa: 16 anos
Mais informações: Instagram @joaquim.nabuco.espetaculo

FICHA TÉCNICA

Elenco
Jr. Aguiar, Paulo César Freire, Ricardo Andrade, Jefferson Embuá, Eron Villar, Felipe Baobá e Telma Melo
Idealização, roteiro e direção: Jr. Aguiar
Figurino e caracterização: Telma Melo e Ely Araújo
Desenho de luz: Eron Villar e Jr. Aguiar
Operação de luz: Mah Carvalho
Operação de áudio: Moacir Lago (Moa)
Fotografia: Cristiano Freitas dos Santos (@cristiano.authorial)
Filmagem: Giandson (@frowfilmes)
Parceiros e colaboradores: Ricardo Nunes, Daniel Mendes, Roger Bravo, Arthur Canavarro, Márcio Fecher, Sebastião Simão Filho, Centro Apolo Hermilo e Teatro Barreto Jr.
Realização: Coletivo Grão Comum

REFERÊNCIAS

Angela Alonso, Joaquim Nabuco, os salões e as ruas, coleção Perfis Brasileiros, Companhia das Letras, 2007
Angela Alonso, Flores, votos e balas, o movimento abolicionista brasileiro (1868-88), Companhia das Letras, 2015
Eduardo Silva, As camélias do Leblon e a abolição da escravatura, Companhia das Letras, 2003
Sidney Chalhoub, Machado de Assis historiador, Companhia das Letras, 2003
Sidney Chalhoub, Visões da liberdade, uma história das últimas décadas da escravidão na Corte, Companhia das Letras, 1990
Ana Lugão Rios e Hebe Mattos, Memórias do cativeiro, identidade e cidadania na pós-abolição, Civilização Brasileira, 2005
Lilia Moritz Schwarcz, O espetáculo das raças, Companhia das Letras, 1993
Florestan Fernandes, A integração do negro na sociedade de classes, Dominus Editora e Edusp, 1965
Silvio Almeida, O que é racismo estrutural?, Editora Jandaíra, 2018, reeditado como O racismo estrutural pela Pólen em 2019
Sueli Carneiro, Escritos de uma vida, Editora Jandaíra, 2020
Dossiê Teatros do Real, memórias, autobiografias e documentos em cena, revista Sala Preta, volume 13, número 2, ECA-USP, 2013
Peter Weiss, Notas sobre o teatro documentário, ensaio publicado originalmente na revista alemã Theater heute, 1968 (tradução inglesa de Heinz Bernard, “The Material and the Models”, Theatre Quarterly, volume 1, número 1, 1971)
Augusto Boal, Teatro do Oprimido e outras poéticas políticas, Civilização Brasileira, 1974
Joaquim Nabuco, O Abolicionismo, Londres, 1883 (edição Câmara dos Deputados e Academia Brasileira de Letras, 2019)
Joaquim Nabuco, Minha Formação, H. Garnier, Rio de Janeiro, 1900 (edição Senado Federal, 1998)

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Haja Paixão
Pernambuco encena a trajetória de Cristo

Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, com José Loreto no papel principal. Foto: Divulgação

Paixão de Cristo do Recife, em imagem da encenação de 2024. Foto: Hans von-Manteuffel / Divulgação

Se existe uma devoção que pulsa intensamente no coração e na cultura de Pernambuco, é a arte de encenar a Paixão de Cristo. Mais que tradição, o fenômeno se tornou um verdadeiro encantamento coletivo, uma energia que a cada ano renova cidades inteiras, transforma ruas, praças e palcos em territórios sagrados onde o drama de Jesus é vivido entre lágrimas, aplausos, emoção, filmagens com smartphone e muita self. O fervor pernambucano ultrapassa o rito: é devoção que se faz teatro, identidade que se constrói na partilha e na coletividade. Da monumental Nova Jerusalém, reconhecida como o maior teatro ao ar livre do mundo, às montagens de bairros, igrejas e povoados, milhões de espectadores participam dessa experiência única, que mistura fé, espetáculo, arte popular e memória afetiva. Não importa o tamanho ou formato: cada montagem é um mergulho intenso da comunidade em sua história, suas esperanças e seus sonhos. Em Pernambuco, a encenação da Paixão é tanto um ato de religiosidade quanto um gesto de afirmação cultural, revelando a impressionante capacidade criativa de produtores, artistas, comunidades, e do povo de reinventar, ano após ano, a maior história de amor e redenção do mundo cristão.

Leopoldo Pacheco vive Pilatos em Nova Jerusalém. Foto: Divulgação

O mais tradicional espetáculo da Semana Santa em Pernambuco ocorre nos cenários monumentais de Nova Jerusalém, no distrito de Fazenda Nova, Brejo da Madre de Deus. A temporada 2025 da Paixão de Cristo vai até 20 de abril, trazendo como grande novidade o encerramento no domingo de Páscoa — algo inédito desde 1998, planejado especialmente para aproveitar o feriado do dia 21 de abril e atrair ainda mais visitantes. Com mais de 100 mil metros quadrados de extensão e imponentes muralhas de quatro metros de altura, o teatro a céu aberto replica ambientes emblemáticos da Jerusalém dos tempos de Jesus, transportando o público por lagos, jardins, palácios, o Templo e os arruados da antiga cidade sagrada. O projeto da cidade-teatro foi inaugurado em 1968 e é considerado um dos maiores do mundo em seu gênero, atraindo anualmente dezenas de milhares de espectadores de todo o Brasil.

Neste ano, o elenco principal ostenta nomes de grande expressão nacional e novos rostos no papel de figuras bíblicas marcantes. José Loreto assume o papel de Jesus, Letícia Sabatella interpreta Maria, Leopoldo Pacheco vive Pilatos, enquanto Werner Schünemann dá vida a Herodes. Além deles, Luana Cavalcante interpreta Herodíades, prometendo mais dramaticidade às cenas do palácio. Uma novidade para 2025 é o retorno da personagem Verônica, ausente desde 1993 — quando Letícia Sabatella a encarnou pela última vez e que agora é vivida pela atriz pernambucana Angélica Zenith.

O espetáculo também investe em inovações técnicas e visuais para impactar ainda mais quem assiste. A edição deste ano conta com novos efeitos especiais em cenas icônicas como o Sermão da Montanha e a Tentação de Jesus no Horto, buscando desperta mais emoção das passagens bíblicas. 

A Paixão de Cristo de Nova Jerusalém segue em grandiosidade, elenco estrelado e enorme participação do público, que marca presença em todas as edições. Só na noite de estreia deste ano (12/04), mais de 10 mil pessoas compareceram, superando as expectativas da organização e os números do ano anterior — reafirmando o status do evento como uma das maiores manifestações culturais e religiosas do país.

O espetáculo dialoga de forma surpreendente com temas da atualidade, como se viu quando, durante uma sessão, na clássica cena em que Pilatos indaga a multidão sobre libertar Barrabás ou Jesus, alguém na plateia gritou: “Solta os dois e prende Bolsonaro”, mostrando como, mesmo recriando uma história milenar, a Paixão de Nova Jerusalém permanece próxima dos debates e sentimentos do presente.

Os ingressos para a temporada 2025 variam de R$ 80 (meia) a R$ 220 (inteira), conforme o dia do espetáculo. 

Asaías Rodrigues – Zaza (Jesus) e Carlos Lira (Pilatos) na Paixão de Cristo do Recife. Foto: Hans von-Manteuffel

Em sua 27ª edição, a Paixão de Cristo do Recife vem em 2025 com uma proposta ainda mais  próxima do público. Realizado pela Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco (Apacepe), o espetáculo se destaca este ano por estender sua temporada: são quatro sessões gratuitas e a céu aberto, na Praça do Marco Zero, entre os dias 18 e 21 de abril, sempre às 18h, aproveitando tanto o feriado de Tiradentes quanto o contexto da Semana Santa. A encenação, que reafirma no próprio nome o compromisso popular ao se apresentar como Paixão do Povo, aproveita uma nova configuração de palco com passarela e praticáveis móveis, permitindo que cenas como a entrada de Jesus no templo e a Via Crúcis se aproximem ainda mais da plateia, na perspectiva de tornar a experiência mais dinâmica e envolvente.

O elenco conta com Asaías Rodrigues (Zaza) interpretando Jesus e Brenda Ligia no papel de Maria, além de Jr. Aguiar (Judas), Carlos Lira (Pilatos), Albemar Araújo (Herodes), Clau Barros (Madalena), Gil Paz (João Batista) e Paula de Tássia (Diabo), totalizando 50 atores e 60 figurantes. A direção e o texto são assinados por Carlos Carvalho, que traz para a cena uma leitura atenta dos discursos político e religioso de Jesus e Maria. Os temas da montagem — amor, solidariedade e liberdade — são tratados como valores sagrados, essenciais à humanidade e ao futuro, e discutem questões contemporâneas, como racismo e violência urbana, sob a luz dos ensinamentos amorosos de Cristo. Os figurinos criados por Álcio Lins dialogam com diferentes épocas e contextos, misturando tecidos e referências históricas a modelagens atuais.

A trilha sonora harmoniza o tradicional com o contemporâneo, incluindo composições de Milton Nascimento e de Erasmo e Roberto Carlos. Destaque para a participação do grupo musical e de dança Bacnaré (Balé da Cultura Negra do Recife), recentemente reconhecido como Patrimônio Vivo do Recife. 

Paixão de Cristo em Triunfo. Foto: Divulgação

No Sertão do Pajeú, a Paixão de Cristo de Triunfo chega à sua 50ª edição como uma das mais antigas encenações do gênero em Pernambuco e celebra este marco com novidades no roteiro e na produção. A apresentação deste ano, encenada pelo Grupo de Teatro Nós em Cena no Parque Iaiá Medeiros Gastão — conhecido como Via Verde, o primeiro teatro ao ar livre do Sertão — ganha novos contornos com a inclusão de personagens e cenas inéditas, como Adão e Eva no paraíso, a profecia de Abraão, a trajetória de Maria Madalena antes do encontro com Jesus e a ressurreição de Lázaro, além de outros milagres marcantes da vida de Cristo. O elenco ampliado, com 90 integrantes entre atores e figurantes, promete uma experiência ainda mais envolvente nas apresentações gratuitas marcadas para os dias 17 e 18 de abril, às 19h, confirmando o evento como referência de fé, arte e memória cultural do povo sertanejo.

Lucas e Maria Oliveira no elenco da Paixão de Cristo dos Bonecos. Foto: Divulgação

Entre as alternativas diferentes está a Paixão de Cristo dos Bonecos, apresentada pela Associação Pernambucana de Teatro de Bonecos (APTB). Este espetáculo acontece em 17 e 18 de abril, às 16h30, no Teatro Apolo, bairro do Recife, com entrada gratuita (retirada antecipada de ingressos na bilheteria).

A peça, adaptada por Jorge Costa e dirigida por Izabel Concessa, utiliza bonecos de vara e títeres, com irreverência e humor. Segue a cronologia tradicional (da entrada em Jerusalém à ressurreição), mas inserindo personagens como anjos, a Morte e os Reis Magos, reinterpretando episódios marcantes e derramando leveza mesmo no drama. O elenco é formado por Fábio Caio, Antero Assis, Álcio Lins, Lu Jordani, Jurubeba, Sílvia Mariz, Lucas e Maria Oliveira, Ana Rocha, Leila Gibson, Lello Vasques e Pompeia Cavalcante, além de alunos de Artes Cênicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Conta com Libras e audiodescrição).

Paixão de Cristo de Camaragibe, em foto da montagem de 2022. Reprodução do Facebook

A Paixão de Cristo de Camaragibe, a Paixão dos Camarás, transforma a Praça de Eventos da Vila da Fábrica, em Camaragibe, Região Metropolitana do Recife, em grande palco nos dias 18, 19 e 20 de abril. Dirigido por Anderson Henry e apresentado por elencos da Companhia de Teatro Popular de Camaragibe, Grupo Teatral Risadinha e outros, a montagem tem Gustavo Veiga (Jesus), Patrícia Assunção (Maria) e Mano Casado (Herodes) nos papéis principais. Com coreografia de Micael Júlio, a peça contra com tradução em Libras. O evento é gratuito, inclusivo e referência cultural do município.

PAIXÃO DE GAIBU

A Praia de Gaibu é cenário, no dia 18 de abril , às 19h, da 12ª edição da tradicional Paixão de Gaibu. O espetáculo conta com mais de 100 atores e figurantes, encenando 13 cenas inspiradas em pontos turísticos do Cabo de Santo Agostinho sob as estrelas e ao som das ondas. Com entrada gratuita, a peça valoriza a cultura local, transforma Gaibu em um grande palco, misturando fé, arte e emoção, e representa um dos momentos mais aguardados da Páscoa para moradores e visitantes.

PAIXÃO DE LAGOA GRANDE (NA REGIÃO DE PETROLINA)

Em Lagoa Grande, Sertão de Pernambuco, o grupo JUNAC apresenta o drama sacro Paixão de Cristo, o Nazareno” nos dias 18 e 20 de abril, sempre às 18h30, no estacionamento da Enoteca Francesco Luigi Pérsico, distrito de Vermelhos. O espetáculo, gratuito, reúne jovens católicos e amigos de toda a região, mobilizando mais de 60 pessoas numa narrativa emocionante que retrata personagens centrais da literatura cristã. Um ônibus especial transporta a comunidade e moradores de Izacolândia, saindo da Igreja Matriz, às 17h30, facilitando o acesso do público local.

Paixão de Cristo de Serra Talhada. Foto: Divulgação

O espetáculo Jesus Sertanejo – A Paixão de Cristo ocorre nos dias 17 e 18 de abril, no Sítio Passagem das Pedras, em Serra Talhada, Pernambuco. A montagem conta com texto e direção de Anildomá Wilians e produção da Fundação Cabras de Lampião. Mais de 30 atores e atrizes participam da apresentação, com a caatinga como cenário. A peça reforça elementos da cultura sertaneja e busca transmitir a mensagem central da história de Jesus Cristo, destacando a fé, a esperança e o amor, a partir de referências do sertão. O papel de Maria é interpretado por Laisa Magalhães e Jesus será vivido por Karl Marx. Esse projeto foi selecionado pelo 16º Pernambuco de Todas as Paixões e conta com o patrocínio da Secretaria de Cultura de Pernambuco.

 

SERVIÇO

🎭 Paixão de Cristo do Recife: A Paixão do Povo
📍 Local: Marco Zero – Recife Antigo
📅 Datas: 18, 19, 20 e 21 de abril de 2025
⏰ Horário: 18h
🎟️ Entrada: Gratuita

🎭Paixão de Cristo de Nova Jerusalém
📍 Local: Fazenda Nova, Brejo da Madre de Deus
📅 Datas: 12 a 20 de abril de 2025
⏰ Horário: 18h
🎟️ Ingressos: De R$ 80 (meia) a R$ 220 (inteira) – conforme o dia
🔗 Oficial: www.novajerusalem.com.br

🎭 Paixão de Cristo dos Bonecos
📍 Local: Teatro Apolo, Recife
📅 Datas: 17 e 18 de abril de 2025
⏰ Horário: 16h30
🎟️ Entrada: Gratuita (retirada de ingressos na bilheteria)

🎉 Paixão de Cristo de Camaragibe
📍 Local: Praça de Eventos Vila da Fábrica, Camaragibe
📅 Datas: 18 a 20 de abril de 2025
⏰ Horário: 19h30
🎟️ Entrada: Gratuita

🌊 Paixão de Cristo de Gaibu
📍 Local: Praia de Gaibu, Cabo de Santo Agostinho
📅 Data: 18 de abril de 2025
⏰ Horário: 19h
🎟️ Entrada: Gratuita
ℹ️ Detalhe: 12ª edição, mais de 100 atores em 13 cenas à beira-mar

🍇 Paixão de Cristo de Lagoa Grande (região de Petrolina)
📍 Local: Enoteca Francesco Luigi Pérsico, distrito de Vermelhos, Lagoa Grande
📅 Datas: 18 e 20 de abril de 2025
⏰ Horário: 18h30
🎟️ Entrada: Gratuita
🚌 Transporte: Ônibus gratuito saindo da Igreja Matriz às 17h30
ℹ️ Grupo: JUNAC

🏠 Paixão de Cristo de Casa Amarela
📍 Local: Concha Acústica do Sítio Trindade, Recife
📅 Datas: 17 a 19 de abril de 2025
⏰ Horário: 20h
🎟️ Entrada: Gratuita

⛰️ Paixão dos Guararapes
📍 Local: Monte dos Guararapes, Jaboatão dos Guararapes
📅 Datas: 17 a 19 de abril de 2025
⏰ Horário: 19h30
🎟️ Entrada: Gratuita

🎭 Paixão de Cristo de Triunfo – 50 anos!
📍 Local: Parque Iaiá Medeiros Gastão (Via Verde), Triunfo
📅 Datas: 17 e 18 de abril de 2025
⏰ Horário: 19h
🎟️ Entrada: Gratuita
🎭 Grupo: Grupo de Teatro Nós em Cena

⛪ Paixão de Cristo do Paulista
📍 Local: Jardim Paulista Baixo, Paulista
📅 Datas: 18 a 20 de abril de 2025
⏰ Horário: 20h
🎟️ Entrada: Gratuita

🍋 Paixão de Cristo de Limoeiro
📍 Local: Centro Cultural de Limoeiro
📅 Datas: 16 a 19 de abril de 2025
⏰ Horário: 20h
🎟️ Entrada: Gratuita

⛰️ Paixão de Cristo do Monte da Fé (Paudalho)
📍 Local: Vila Asa Branca, Paudalho
📅 Datas: 16 a 18 de abril de 2025
⏰ Horário: 19h30
🎟️ Entrada: Gratuita

🌄 Paixão pela Serra (Bezerros)
📍 Local: Circuito das Estações, Bezerros
📅 Datas: 18 a 20 de abril de 2025
⏰ Horário: 19h
🎟️ Entrada: Gratuita

🏛️ Paixão de Cristo de Igarassu
📍 Local: Sítio Histórico de Igarassu
📅 Datas: 19 e 20 de abril de 2025
⏰ Horário: 19h
🎟️ Entrada: Gratuita

✝️ Jesus Sertanejo – A Paixão de Cristo
📍 Local: Sítio Passagem das Pedras – Serra Talhada/PE
📅 Datas: 17 e 18 de abril de 2025 (Quinta e Sexta-feira da Semana Santa)
⏰ Horário: 20h
🎟️ Entrada: Gratuita

 

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