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15 minutos de Arrocho

Lorena López interpreta Pink e Leonardo Leitão o gato. Foto: Vanessa Alcântara

Lorena López interpreta Pink e Leonardo Leitão, o gato. Foto: Vanessa Alcântara

Arrocho é uma micropeça sobre o amor em tempos de guerra, sintetiza a diretora colombiana Diana Giraldo, que assina  ainda o roteiro e a produção do espetáculo.  A encenação, que será apresentada nesta quarta (6) e quinta-feira (7), em duas sessões cada dia, às 20h30 e 21h, é um exemplar do que chamamos MicroTeatro. “É um teatro de formato reduzido, com obras cênicas de 15 minutos para poucas pessoas, em salas ou habitações pequenas de 15 a 20 m2” .

A montagem é fruto da oficina de MicroTeatro Multimídia, realizada entre abril e maio, com o apoio do Edifício Texas e da Produtora Audiovisual TRESCARAS.

No elenco, uma figura mais do que conhecida deste blog. A jornalista e crítica Ivana Moura, que também é atriz e escritora, volta aos palcos depois de longos anos dedicada ao pensamento sobre teatro e ao jornalismo. “É um desafio. Há mais de de 20 anos que não sinto o sangue ferver diante do público”, conta Ivana Moura.

Ivana fez o Curso de Formação do Ator da UFPE, uma referência teatral no final do século 20 e atuou em peças como Calderón, de Pier Paolo Pasolini, com encenação de João Denys; além de experimentos no Tucap, como Os Escolhidos, de Hilda Hilst, com direção de Carlos Varela. Nem tão longe do palco, escreveu O Crepúsculo de Van Gogh, para o projeto Iluminuras, desenvolvido por Gonzaga Leal, no Hospital da Tamarineira. E adaptou e dirigiu, junto com Lúcia Machado, o espetáculo Os Desastres de Sofia.

Arrocho terá apenas quatro sessões. Foto: Ivana Moura

No elenco de Arrocho estão também Lorena López, artista visual colombiana que experimenta pela primeira vez o universo da atuação; e Leonardo Leitão, estudante de teatro da Escola de Artes João Pernambuco.

De acordo com Diana Giraldo, Arrocho traz o contexto social da América Latina, fala sobre abuso, repressão e o mundo que queremos construir, a partir do microcosmo de uma garota. Pink vive presa dentro de sua própria casa, supostamente possui um amante “gato” e uma vizinha de alma revolucionária.

Ivana Moura faz a vizinha, Dona Fina. Foto: Vanessa Alcântara

Ivana Moura faz a vizinha, Dona Fina. Foto: Vanessa Alcântara

Ficha artística
Roteiro, direção e produção: Diana Giraldo
Elenco: Ivana Moura, Lorena López e Leonardo Leitão
Diretor Técnico: Artur Rocha
Fotografia: Vanessa Alcântara e Lorena Lopez

Serviço:
Arrocho
Quando: Quarta (6) e Quintta (7), em duas sessões cada dia, às 20h30 e 21h
Onde: Edifício Texas (Rua Rosário da Boa Vista, 163, Boa Vista)
Quanto: R$ 5 (preço único)

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Esse silêncio grita por humanidade

Nina Caetano denuncia omissão da violência contra a mulher. Foto: Frederico Chigança e equipe

Nina Caetano denuncia omissão da violência contra a mulher. Foto: Frederico Chigança e equipe

bienal-usp2Em média, 13 mulheres são assassinadas por dia no Brasil. Uma a cada duas horas, segundo o Mapa da Violência Contra a Mulher. Os dados são alarmantes, mas essa realidade pode ser ainda pior. As políticas públicas são insuficientes para barrar a cultura machista, apesar de alguns avanços, como a lei do feminicídio. A indiferença da maioria da população é um grave problema. Como em outros quesitos da vida contemporânea, o entorpecimento da sensibilidade chega a patamares tão elevados que cada um só se preocupa com os seus problemas. Mas violência que fere ou abate as mulheres não distingue classe social, nem idade. Todas podem ser vítimas. E isso é assustador.

Mas as estatísticas revelam que as mais atingidas são as pobres e negras. A elite brasileira, que poderia contribuir mais, aparenta se importar pouco, de verdade, com isso. Parece que as figuras encasteladas, sob as vigilâncias de todas as ordens,  – e principalmente que ocupam posições de poder – só são tocadas quando lhes rasgam a carne: matam seu filho, sequestram seu neto, estupram sua filha. Quando uma infelicidade dessa acontece, atinge os nervos, os ossos, os músculos e o coração dessa gente.

Talvez esse não seja o principal público da performance Espaço de Silêncio, da dramaturga, professora e atriz mineira Nina Caetano, que se insurge contra esse quadro aterrador. Mas outra plateia, subjugada pelo capitalismo e desatenta ao poder submerso dentro de si, que em dinâmica coletiva seria (será) capaz de provocar mudanças. Espaço de Silêncio é uma atuação política, de denúncia e repulsa pelas mulheres mortas. Mostra-se necessária e comovente. Normalmente é apresentada em lugares de intenso fluxo de pedestres.

Na sexta-feira em que parte do país saiu às ruas em manifestação contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, Nina Caetano estava na Praça da República, no centro de São Paulo. Sua performance integrou a programação da II Bienal Internacional de Teatro da USP. Era um dia especial. As pessoas passavam apressadas. Umas para correr da passeata, outras para engrossar a mobilização.

Uma pausa para ler o manifesto. Foto: Ivana Moura

Uma pausa para ler o manifesto. Foto: Ivana Moura

Os transeuntes pareciam em dúvida se era um protesto, uma dessas pegadinhas da TV ou até mesmo teatro. Uma ação de poucos gestos, nenhuma fala, vários textos escritos, como listagem de mulheres mortas, micro obituários e manifesto poético. Vestida de vermelho, com um turbante também vermelho na cabeça, a atriz e cofundadora do agrupamento mineiro Obscena traçava seu ritual pagão.

Durante quase uma hora, um lençol branco é seu palco. A atriz aparece com uma fita vermelha em cruz afixada na boca. Desprende a fita adesiva dos lábios. Corta com os dentes outros pedaços de fita para formar cruzes sobre o tecido branco. Um cemitério simbólico, com suas histórias de massacres que a omissão covarde quer fazer parecer banal, uma consequência “natural” da postura da mulher vítima da violência de pessoas que deveriam cuidar delas, como maridos, noivos e namorados.

Representação de um cemitério sobre o lençol branco.

Representação de um cemitério sobre o lençol branco. Foto: Ivana Moura

Esse ritual silencioso vocifera de historicidade e traça seu legado de injustiças. O gestual é suave e decidido. O olhar duro carrega uma revolta contida. Quem cruzou o olhar com a atriz sente que ela cobra a parcela que cabe a cada um da responsabilidade de estar no mundo. Essa performance atesta que essa brutalidade não pode ficar por isso mesmo. Perturbadora.

É artivismo vigoroso e contundente. Chega a ser lancinante. A cada nova cruz posta no chão amplifica a potência desse grito. Aquelas mulheres simbolizadas ali insuflam os pedidos de socorro. Com os sentidos débeis, fala-se em demasia. Vivemos saturados pela superprodução mercantil de signos, de informações descartáveis. Espaço do Silêncio vem interromper o falatório vazio das coisas. Nesse espaço-gesto que ressalta a omissão adotada em torno dessa violência, a intervenção explode de indignação na paisagem urbana. A performance foi criada a partir da Ideia-Situação do artista visual Artur Barrio, uma proposta feita para a Documenta 11.

Nessa atuação performativa e micropolítica prevalece a arte do inacabado. A poesia que se instaura a cada nova ação. Temporária e nômade. Na Praça da República, a artista encarou e desafiou os presentes. Um homem tentava fazer um discurso inócuo sobre como ele valoriza a mulher. Nina Caetano pegou o cabra pela mão e “ordenou” que ele lesse o manifesto. O rapaz não suportou. Uma mulher apareceu e queria explicações sobre o trabalho. Outros paravam um minutinho, eram tocados e partiam. E Espaço do Silêncio segue afrontando as estruturas de controle. Investe na provocação para despertar os desejos de que somos todos humanos.

Dramaturgia contundente para tirar os sentidos da letargia cotidiana. Foto: Ivana Moura

Dramaturgia contundente para tirar os sentidos da letargia cotidiana. Foto: Ivana Moura

Escrito no contexto da II Bienal Internacional de Teatro da USP (27/11 a 18/12).

DocumentaCena – Plataforma de Crítica articula ideias e ações do site Horizonte da Cena, do blog Satisfeita, Yolanda?, da Questão de Crítica – Revista Eletrônica de Críticas e Estudos Teatrais e do site Teatrojornal – Leituras de Cena. Esses espaços digitais reflexivos e singulares foram consolidados por jornalistas, críticos ou pesquisadores atuantes em Belo Horizonte, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. A DocumentaCena realizou cobertura da Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, a MITsp (2014 e 2015); do Cena Contemporânea – Festival Internacional de Teatro de Brasília (2014 e 2015); da Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo, em São Paulo (2014 e 2015); e do Festival de Cenas Curtas do Galpão Cine Horto, em Belo Horizonte (2013).

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Dois anos de Satisfeita, Yolanda?

Muito felizes com os dois anos do Yolanda! Foto do querido Nando Chiappetta

Muito felizes com os dois anos do Yolanda! Foto do querido Nando Chiappetta

Estamos em festa! O Satisfeita, Yolanda? está completando dois anos e, para comemorar, nada melhor do que um baile! Será neste sábado (26), a partir das 21h, no Espaço Coletivo, no Bairro do Recife. A festa integra a programação paralela do 19º Janeiro de Grandes Espetáculos e conta com o apoio do próprio festival e ainda do Coletivo Angu de Teatro.

Entre as atrações da noite de celebração estão a Trupe Ensaia Aqui e Acolá, com um trechinho da montagem O amor de Clotilde por um certo Leandro Dantas, melodrama com direção de Jorge de Paula, baseado no folhetim A emparedada da Rua Nova, de Carneiro Vilela. Ano passado a montagem circulou o Brasil inteiro através do projeto Palco Giratório, do Sesc.

Já o Coletivo Angu de Teatro encena uma dublagem que está em Ópera, espetáculo com texto de Newton Moreno e direção de Marcondes Lima, que estreou em 2007 e não é apresentado no Recife desde março de 2009. A montagem acabou de fazer uma curta temporada de sucesso no Teatro Glauce Rocha, no Rio de Janeiro, dentro do projeto Visões coletivas.

Duas divas da música se apresentam hoje na festa!  Ópera, do parceiro de sempre, o Coletivo Angu de Teatro. Foto: Sávio Uchôa

Ópera, do parceiro de sempre, o Coletivo Angu de Teatro. Foto: Sávio Uchôa

O dramaturgo, diretor e bonequeiro Fernando Limoeiro, pernambucano nascido em Limoeiro e radicado em Minas Gerais, também participa, com a leitura dramática de Satisfeita. Limoeiro escreveu o texto especialmente pra festa!

E, para completar, o ator Paulo de Pontes faz uma cena de Deus sabia de tudo, peça da companhia paulista Os Fofos Encenam, que estreou em 2001 em São Paulo. A montagem tem texto e direção de Newton Moreno e trata de temas como homofobia e homoerotismo. A cena ainda contará com a participação de Tay Lopez, do grupo XPTO.

Depois das cenas e performances, a festa continua ao som dos DJ’s Palla e Pepe Jordão. A entrada na festa é gratuita, mas é limitada à capacidade do espaço.

Satisfeita, Yolanda? – O baile
Quando: Sábado (26), a partir das 21h
Onde: Espaço Coletivo (Rua Tomazina, 199, Bairro do Recife)
Quanto: Gratuito (limitado à capacidade do espaço)

Paulo de Pontes faz uma cena de Deus sabia de tudo com a participação de Tay Lopez

Paulo de Pontes faz uma cena de Deus sabia de tudo com a participação de Tay Lopez

"Cala-te, Clotilde...!" Virou piada interna! Uma alegria tê-los na nossa festa! Foto: Priscila Buhr

“Cala-te, Clotilde…!” Virou piada interna! Uma alegria tê-los na nossa festa! Foto: Priscila Buhr

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