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Um mês de “Janeiro de Grandes
Espetáculos” com 140 atrações
celebra Chico Science

Desfile da coleção Anamauê – Ecoando a Transformação, assinada pelo estilista Mendx, com a participação de  Louise França, filha de Chico Science, abre o Janeiro. Foto: Rasta Click / Divulgação

Chico Science é celebrado nessa edição do festival. Foto: Divulgação

Zambo, do Grupo Experimental, foi criada em 1997 como homenagem a Chico Science e ao Manguebeat

Circo Science: Do Mangue ao Picadeiro, da Escola Pernambucana de Circo. Foto: Divulgação

O Janeiro de Grandes Espetáculos (JGE) chega à sua 32ª edição com uma trajetória que espelha as próprias transformações da cena cultural pernambucana. Além do teatro, o JGE abriga sob seu guarda-chuva múltiplas linguagens artísticas e festivais específicos, cada um com sua identidade e propósitos.

Se no início de sua trajetória o Janeiro almejou e conseguiu reunir o que existia de mais expressivo no cenário nacional em termos de linguagem cênica, ousadia ou experimentação, isso já se modificou ao longo dessas três décadas. Hoje, os realizadores são categóricos ao afirmar que o festival se tornou uma vitrine da produção local, com impressionantes 95% de montagens pernambucanas compondo sua programação entre 7 de janeiro e 4 de fevereiro de 2026.

O tema deste ano é uma homenagem a Chico Science, que completaria 60 anos em 2026. Embora não seja um conceito que articule profundamente todos os participantes, a celebração permeia o festival, marcando sua 32ª edição com um tributo ao legado do artista.

Isso está sintetizado neste 7 de janeiro no Teatro de Santa Isabel. Pela primeira vez na sua história o JGE inicia saudando a moda pernambucana, como linguagem central da cena de abertura. 

A partir das 18h30, a artista Michelly Cross apresenta no hall de entrada a performance musical Meso’Mangue’Potamos no violoncelo, um pocket show de 30 minutos que faz uma ponte simbólica entre os rios Eufrates e Tigre do Oriente Médio e os rios Capibaribe e Beberibe do Recife. A apresentação conta com a participação especial de dança e expressão corporal de Ruth Mila.

Simultaneamente, acontece o lançamento de dois livros significativos: Chico Science e o Movimento Mangue (2ª edição), de Moisés Monteiro de Melo Neto, obra que revisita a trajetória de Chico Science e do Manguebeat com análise histórica e cultural do movimento que transformou a música brasileira, e Pedagogia Axiológica Emergente para o Teatro, de Benedito José Pereira – Didha Pereira, que propõe uma pedagogia teatral decolonizadora voltada à formação crítica, valores sociais e acesso democrático à arte.

O ponto alto da noite ocorre às 19h30 com a coleção Anamauê – Ecoando a Revolução, assinada pelo estilista Marcelo Mendx, conduzindo o público a uma abertura inédita do Janeiro de Grandes Espetáculos. Inspirada na estética do Movimento Manguebeat, a coleção apresenta 20 figurinos que dialogam com a diversidade cultural, urbana e ancestral do Recife, tendo a batida de Chico Science como guia simbólico.

O desfile reúne um elenco formado por artistas consagrados da dança, do teatro, do circo e da música. Entre elas e eles, estão as atrizes e bailarinas Íris e Iara Campos, os passistas Pinho e Minininho, a atriz e apresentadora Nínive Caldas, a atriz e palhaça Fabiana Pirro e a cantora, compositora e atriz Louise França, filha de Chico Science. 

A homenagem a Chico Science se desdobra em outras produções que integram o festival. Circo Science: Do Mangue ao Picadeiro figura entre as melhores encenações produzidas na cidade nos últimos anos, uma criação da Escola Pernambucana de Circo com direção de Ítalo Feitosa e dramaturgia de Fátima Pontes, que poderia muito bem abrir o festival, pois carrega uma força energética e fala do Chico a partir de hoje; mas vai para o final da maratona cênica. Através de números circenses, coreografias e expressões corporais e com músicas originais de Science remixadas por DJ Vibra e equipe, o espetáculo conecta o legado mangue com as manifestações culturais contemporâneas das periferias do Recife. Está agendado para 1º de fevereiro no Teatro do Parque.

Zambo, do Grupo Experimental, dirigido por Mônica Lira, constitui outro trabalho de referência direta ao músico. Criada em 1997 como homenagem a Chico Science e ao Movimento Manguebeat, a obra se atualizou ao longo dos anos, mantendo a força da diversidade e da identidade cultural pernambucana.

Um caleidoscópio teatral

Remontagem Auto da Compadecida estreia no JGE. Foto Divulgação

Um Sábado em 30, remontagem de comédia de Luiz Marinho consagrada pelo Teatro de Amadores de Pernambuco – TAP. Foto: Divulgação

Memórias Póstumas de Brás Cubas, solo com Marcos Damigo. Foto: Divulgação

O teatro, que permanece como a espinha dorsal do JGE, apresenta mais de 60 peças adultas e infantis, distribuídas entre os principais espaços cênicos da cidade. São tantas montagens oferecidas que o espectador precisa fazer uma verdadeira garimpagem para encontrar o tipo de trabalho que lhe convém, pois há um impressionante sortimento de atrações e de variáveis qualidade de produção nesse repertório.

Entre as estreias, Auto da Compadecida – Uma Farsa Modernesca, dos diretores recifenses Célio Pontes e Eron Villar, revisita a dramaturgia de Ariano Suassuna propondo um diálogo entre a cultura popular nordestina e o teatro contemporâneo. Outra remontagem notável é a do clássico da dramaturgia pernambucana Um Sábado em 30, comédia de Luiz Marinho que esteve em cartaz por várias décadas com o elenco do Teatro de Amadores de Pernambuco. O solo musical cômico-fantástico Memórias Póstumas de Brás Cubas, com Marcos Damigo, é uma produção carioca que faz sucesso há anos em várias temporadas e prova a atemporalidade do clássico machadiano.

É interessante notar que Machado de Assis vai ao palco em diversas montagens: além de Memórias Póstumas, há Dom Casmurro, adaptação de Moisés Monteiro de Melo Neto que explora as relações de amor, traição e desconfiança no oitocentismo fluminense, e O Alienista – Casa dos Loucos, do Grupo Cena Livre, que transforma a quase-novela machadiana em farsa de ritmo veloz, própria do nosso tempo, com os quatro atores nunca saindo de cena e se transformando aos olhos do público através de adereços.

Ophélia, com Pollyanna Monteiro. Foto: Divulgação

Fabiana Pirro e Jr Sampaio em Cúmplices – Transgressões de um Ricardo III. Foto: Divulgação

Medeia – Da Lama ao Caos, dirigida por Antônio Rodrigues. Foto: Divulgação

Vossa Mamulengecência tem texto de Arthur Cardoso inspirado na obra de Ariano Suassuna. Foto: Divulgação

Lucinha Guerra em Cantigas à Pedra do Reino, que trabalha o universo suassuniano através de músicas

A multiplicidade teatral se estende às novas versões de clássicos: Ophélia, da Cia. de Teatro e Dança Pós-Contemporânea d’Improvizzo Gang, com Pollyanna Monteiro, oferece uma versão feminista da personagem shakespeariana, contada por uma mulher em meio à violência extrema, enquanto Cúmplices – Transgressões de um Ricardo III, com Fabiana Pirro e Júnior Sampaio, mergulha nas contradições de dois artistas que encenam Shakespeare, explorando não apenas o texto, mas os subtextos que emergem das tensões em cena.

Como releitura de clássico diretamente influenciada pelo Manguebeat, Medeia – Da Lama ao Caos, dirigida por Antônio Rodrigues e com Beatriz Kemily, Gabriela Cicarello, Gabriela Moreira e elenco, reinventa o mito grego para o coração do Recife, onde o mangue é palco de traição, vingança e resistência contra o avanço voraz do falso progresso e da especulação imobiliária.

A obra de Ariano Suassuna ganha múltiplas abordagens. Além da já mencionada estreia de Auto da Compadecida – Uma Farsa Modernesca, o festival apresenta Vossa Mamulengecência, releitura autoral do universo suassuniano com dramaturgia e direção de Arthur Cardoso. Formado por um grupo de jovens artistas, o espetáculo mergulha no universo fantástico de Cheiroso Dorabela – mestre de mamulengos e vendedor de perfumes – que usa suas histórias para questionar figuras de autoridade. E Cantigas à Pedra do Reino, idealizado pela multiartista Lucinha Guerra, com direção de Romero de Andrade Lima, sobrinho de Ariano, celebra o legado suassuniano através de músicas, cantigas e loas que preservam a essência do Movimento Armorial.

A Paixão Segundo José Francisco Filho, conecta a história de Cristo com a figura de Antônio Conselheiro

Francisco – Um Instrumento de Paz, uma produção de Roberto Costa

Circo Godot, dirigido por Quiercles Santana e interpretado por Charles de Lima e Asaías Rodrigues 

Noite, com Fátima Aguiar, Karine Ordonio e Sônia Biebard num texto de Ronaldo Correia de Brito, com direção de Cláudio Lira 

Há espaço significativo para montagens com inspiração cristã: A Paixão Segundo José Francisco Filho, dirigida por José Francisco Filho com texto de Moisés Monteiro de Melo Neto e produção de Mísia Coutinho, conecta a história de Cristo com a realidade brasileira através da figura de Antônio Conselheiro. Enquanto o musical Francisco – Um Instrumento de Paz, da produção de Roberto Costa, retrata a jornada de São Francisco de Assis com música ao vivo e cenários que reportam à Assis do século XIII.

Entre as apostas locais que dialogam com questões urgentes do presente, encontra-se A Divina & o Esplendor – Uma Farsa Forçada, que combina farsa, melodrama, comédia e teatro de formas animadas para criticar a manipulação cultural. Já consolidado no cenário teatral pernambucano e internacional, Circo Godot, da Companhia Circo Godot de Teatro, dirigido por Quiercles Santana e interpretado por Asaías Rodrigues e Charles de Lima, comprova que o diálogo com grandes dramaturgos – neste caso, Samuel Beckett – pode gerar reflexões poderosas sobre o sadismo dos que detêm o poder.

A literatura brasileira encontra eco em F.A.M.A – Feliz Aniversário Meu Amor, livre adaptação do conto Feliz Aniversário de Clarice Lispector que transporta para o palco o retrato cruel, cômico e pungente de uma reunião familiar onde a celebração deveria trazer alegria, mas revela solidão e introspecção em meio às complexas dinâmicas familiares. Uma atmosfera semelhante de confinamento e reflexão sobre os laços afetivos permeia Noite, do dramaturgo Ronaldo Correia de Brito, com direção de Cláudio Lira e Sônia Biebard, Fátima Aguiar e Karine Ordonio no elenco, que acompanha duas velhas irmãs isoladas numa antiga casa em ruínas enquanto revisitam valores, família e amores perdidos. Já Um Minuto pra Dizer que te Amo, do Matraca Grupo de Teatro, dirigido por Rudimar Constâncio, explora as fragilidades humanas através de cenas alternadas que acompanham a relação entre um homem idoso e seu filho, e uma mulher e sua cuidadora, todos separados pelo Alzheimer, criando um mosaico afetivo onde recordações perdidas se embaralham com memórias impossíveis de esquecer e lembranças inventadas, numa visão tocante da vida em seu ocaso.

O ator Júnior Sampaio marca presença em duas montagens: no solo Atores, que explora as dificuldades da profissão artística, e em Cúmplices, já citada, baseada na peça Ricardo III de Shakespeare, onde divide a cena com Fabiana Pirro.

Gonzaga Leal em Antonin Artaud – Entre a Ordem e a Vertigem. Foto: Divulgação

Germano Hauit em O Futuro Dura Muito Tempo. Foto: Divulgação

Suzy Brasil – Uma Noite Horripilante. Foto: Divulgação

O Ciclo Iluminuras apresenta três monólogos dirigidos por Gonzaga Leal: Antonin Artaud – Entre a Ordem e a Vertigem, com interpretação do próprio Gonzaga Leal, percorrendo momentos de internações psiquiátricas e criação absurda; O Futuro Dura Muito Tempo, com Germano Hauit adentrando a narrativa de Althusser; e Carta a Spinoza, com Maria Oliveira atravessando pensamentos e sentimentos sobre a loucura e a humanidade.

A presença drag marca território no JGE com Suzy Brasil – Uma Noite Horripilante, produção carioca que mistura conto de fadas, sátira e interação com o público, explorando as múltiplas camadas da performance drag através do humor e da fantasia. Também abordando questões de gênero, mas de uma perspectiva mais íntima e autobiográfica, HBlynda em Trânsito apresenta o solo da atriz HBlynda Morais, que após 15 anos no campo das artes cênicas compartilha seu processo de transição de gênero através de uma linguagem que combina dança e música para narrar sua jornada pessoal.

Sugerimos que o espectador visite o site do JGE para explorar a programação e encontrar as atrações que mais o atraem.

Teatro para Infância e Juventude

Cantigas de Fiar, da Companhia Fiandeiros de Teatro. Manuel Carlos é um dos atores-cantores

A Cigarra e a Formiga, da Roberto Costa Produções. Foto: Divulgação

O JGE 2026 dedica uma seção especial ao público mais jovem, com uma programação diversificada de Teatro para Infância e Juventude que explora desde questões ambientais até adaptações de grandes clássicos da literatura mundial. Ao todo, são 14 espetáculos distribuídos ao longo do festival, prometendo encantar e educar através da magia do teatro.

A programação infantojuvenil se inicia no dia 8 de janeiro com Tatu-do-bem, da Companhia Catalumari e os Giguiotes, no Teatro Apolo. O espetáculo apresenta Andrezinho, filho de atores nômades que inicialmente detesta a profissão dos pais, mas que ao conhecer Tuta e Teteu, dois tatus-bolas apaixonados por arte, embarca em uma aventura lúdica pela caatinga. A montagem utiliza visualidades e ritmos da cultura pernambucana para contar uma história que enfrenta Caco, o carcará ditador que ameaça o bioma nordestino.

O universo da fantasia se expande com O Segredo da Arca de Trancoso, da Cênicas Cia de Repertório. Neste espetáculo repleto de reviravoltas, um menino recebe da feiticeira K’Temeré a perigosa missão de entregar uma arca misteriosa sem jamais abri-la. Sua jornada revela o poder mágico do objeto, que oferece conteúdos diferentes para cada pessoa – premiando uns e castigando outros – numa narrativa que dialoga com o imaginário popular brasileiro sobre tesouros e mistérios.

A Cigarra e a Formiga, da Roberto Costa Produções, apresenta uma adaptação musical da clássica fábula de Esopo com 5 atores e 3 músicos, trazendo personagens como Dona Joaninha, Abelhão e Borboleta para falar sobre responsabilidade, solidariedade e amizade através de figurinos caprichados e efeitos especiais. Em contrapartida, Cantigas de Fiar, da Companhia Fiandeiros de Teatro, oferece uma opção mais intimista ao explorar o tema da saudade em um show leve e interativo que percorre trilhas sonoras de espetáculos infantis recifenses, funcionando como uma homenagem às crianças, ao teatro e ao poeta André Filho, com toda a execução musical – textos e instrumentos – realizada pelos próprios atores da companhia.

Entre os clássicos adaptados para o público jovem, temos O Pequeno Príncipe, também da Cênicas Cia de Repertório. A adaptação dirigida por Antônio Rodrigues, com direção musical de Douglas Duan, transporta o público para o reencontro com a criança interior através da inesperada amizade entre um homem perdido no deserto e um garoto vindo de outro planeta. O musical apresenta trilha sonora original executada ao vivo pelos atores, revelando a jornada do Pequeno Príncipe por diferentes mundos e seus encontros com a rosa devotada e a raposa afetuosa.

Shakespeare também encontra espaço na programação infantil através de duas adaptações criativas que aproximam o dramaturgo inglês do universo lúdico das crianças. Hamilet no Circo transporta o drama shakespeariano para o universo circense, criando uma releitura que busca combinar a profundidade dos conflitos humanos com a magia e o espetáculo do picadeiro. Já Sonho de uma Noite de Verão encerra a programação infantil oferecendo ao público jovem uma entrada encantada no mundo da comédia shakespeariana através de suas criaturas fantásticas e tramas de amor e confusão.

Programação completa de Teatro para Infância e Juventude:

08 JAN – 16h30: Tatu-do-bem no Teatro Apolo
10 JAN – 16h30: Jeremias e as Caraminholas no Teatro Barreto Júnior
11 JAN – 16h30: Histórias Pontilhadas na Caixa Cultural
11 JAN – 16h30: A Princesa dos Mares no Teatro Santa Isabel
11 JAN – 17h: O Segredo da Arca de Trancoso no Teatro do Parque
17 JAN – 16h: Matilda no Cine Teatro Samuel Campelo
18 JAN – 16h: A Cigarra e a Formiga no Teatro do Parque
18 JAN – 16h30: Hamilet no Circo no Teatro Apolo
18 JAN – 17h: O Pequeno Príncipe no Teatro Santa Isabel
24 JAN – 16h: Cantigas de Fiar  no Teatro André Filho – Espaço Fiandeiros
25 JAN – 16h: Cantigas de Fiar no Teatro André Filho – Espaço Fiandeiros
25 JAN – 16h30: Tudo Começou Assim no Teatro Apolo
27 JAN – 17h: Os Protetores do Oceano no Teatro Capiba
01 FEV – 16h30: Sonho de uma Noite de Verão no Teatro Apolo

Música: Entre Tradição e Experimentação

Moreno Veloso e Igor de Carvalho. Foto: Divulgação

Revoredo e Gabi da Pele Preta no show Encruzilhada Agreste. Foto: Divulgação

Show de João Fenix, Luz e Fé, com direção cênica de Jean Wyllys. Foto: Divulgação

No campo da música, o festival traz quase 20 apresentações, numa curadoria que busca tanto celebrar nomes consolidados quanto abrir espaço para novas sonoridades. O encontro de Igor de Carvalho e Moreno Veloso, que dividem o palco com a participação especial de Lula Queiroga e Karina Buhr, promete um diálogo íntimo e afetuoso, trazendo à tona as ricas sonoridades dos terreiros.

O projeto Elas Cantam Elba reúne  Cristina Amaral, Deusa nordestina do forró, Liv Morais e Natasha Falcão e faz um passeio pelo repertório da cantora paraibana. A incorporação da ópera, com o espetáculo Anastácia, sinaliza uma ampliação do escopo musical do festival.

A programação musical apresenta desde Janga, show de Ylana inspirado nas memórias de infância no bairro homônimo, em Paulista, até Maestro Duda – Uma Visão Nordestina, espetáculo com nuances de concerto-aula que celebra a trajetória do maestro.

Encruzilhada Agreste, protagonizado por Revoredo e Gabi da Pele Preta, celebra as raízes agrestinas na música contemporânea, enquanto Do Frevo ao Jazz, concerto do Maestro Edson Rodrigues, constrói pontes entre a tradição pernambucana e a linguagem jazzística.

O frevo ganha destaque em Felipe Costta Trio – Frevo Sanfonado, espetáculo instrumental que exalta o ritmo em diálogo com a sanfona. Luz e Fé, show de João Fenix, com direção cênica de Jean Wyllys, conduz o público por um repertório de fé e esperança, apresentado pela voz singular do cantor pernambucano que conquistou o mundo. A presença internacional marca-se com Concerto de Música Européia e Latina, do músico eslovaco Adam Marec.

A ancestralidade afro-brasileira encontra expressão em Ọ̀ṣun Oxum Ochun – Afoxé Oxum Pandá + Luiz de Aquino, um ritual contemporâneo que celebra a força da água doce através de uma experiência sensorial, experimental e afrofuturista, com roteiro, concepção e direção geral de Jorge Féo.

O Festival de Palhaçaria: Território de Mulheres

Espetáculo As Charlatonas faz sessão na Praça do Campo Santo Amaro. Foto: Divulgação

Cabaré Janeiro de Palhaças, na Caixa Cultural. Foto: Divulgação

Mary En em Riso e Caos, com Enne Marx na Casa de Alzira. Foto: Divulgação

O PalhaçAria – Festival Internacional de Palhaças do Recife chega à sua 5ª edição em formato pocket, reafirmando seu papel como um dos mais importantes encontros de palhaçaria feminina no Brasil, criado e realizado pela Cia Animée, sob direção de Enne Marx. O festival, que acontece entre 13 e 23 de janeiro, enaltece a valorização da comicidade feminina com 8 espetáculos, um fórum de debates, um lançamento de livro e uma websérie.

A programação oferece um panorama da palhaçaria feminina contemporânea:

13 JAN – 19h: Mary En em Riso e Caos na Casa de Alzira. Uma performance que explora a comicidade através do riso e do caos.
13 JAN – 20h30: Lançamento do livro Cegonha de Mim na Casa de Alzira. Um evento literário que acompanha a programação artística.
14 JAN – 19h: Bem Me Quero na Casa de Alzira. Um espetáculo que celebra o autocuidado e a autoaceitação com humor e poesia.
15 JAN – 19h: Cabaré Janeiro de Palhaças na Caixa Cultural. Uma noite especial reunindo diversas palhaças em números variados de humor e arte circense.
16 JAN – 19h: As Testemunhas Duo: A Aparição no Teatro Apolo. Uma peça de circo-teatro que promete momentos de surpresa e reflexão.
17 JAN – 19h: Umana no Teatro Santa Isabel. Um solo ou duo que aborda a condição humana com a leveza e a profundidade da palhaçaria.
18 JAN – 11h: Fórum Entre Narizes e Fronteiras: Palhaçaria Feminina em Diálogo Brasil–Portugal na Caixa Cultural. Mediado por Enne Marx, este fórum promove um intercâmbio de ideias e práticas entre artistas brasileiras e portuguesas, explorando a pesquisa e a formação em palhaçaria.
18 JAN – 15h30: As Charlatonas na Praça do Campo Santo Amaro. Uma apresentação ao ar livre que brinca com a figura da vendedora de ilusões e o universo da charlatanaria.
18 JAN – 16h30: As Testemunhas Duo: A Aparição no Sesc Camaragibe. Uma segunda oportunidade para assistir à performance de circo-teatro.
18 JAN – 18h: A Oração no Teatro Arraial Ariano Suassuna. Um espetáculo que pode explorar temas espirituais ou sociais sob a ótica do palhaço.
23 JAN – 19h: O encerramento acontece com a websérie Mary En 20 Anos, transmitida pelo YouTube da Cia Animèe, celebrando a trajetória da artista Mary En.

Enne Marx, reconhecida internacionalmente por seu trabalho de pesquisa e formação em palhaçaria, traz uma perspectiva acadêmica que dialoga com a prática artística no fórum, promovendo intercâmbio entre artistas brasileiras e portuguesas. O festival se conecta com a Rede de Festivais de Palhaças do Brasil, que hoje reúne mais de 20 iniciativas, consolidando Recife como polo difusor da palhaçaria feminina.

Dança e Circo: Corpos em Movimento

V Festival Pole Dance de Pernambuco integra o JGE. Foto: Divulgação

Corpos em Travessia que inclui no elenco pessoas com deficiência. Foto: Divulgação

A diversidade é palavra-chave na programação de dança do JGE, que abrange desde o clássico O Lago dos Cisnes da Cia Fátima Freitas – tradicional montagem do balé de Tchaikovsky com Helena Fink e Maria Júlia Cavalcanti nos papéis principais – até manifestações contemporâneas como o V Festival Pole Dance de Pernambuco, que sob a direção de Alexandra Valença, pioneira da modalidade no Brasil, ressignifica o mesmo clássico através da força e elegância do pole dance.

Entre essas polaridades, o Festival Florescer de Danças Árabes e Fusões, criado por Simone Mahayla e dedicado ao talento das escolas da Região Metropolitana, dialoga com Corpos em Travessia, espetáculo que demonstra como a dança contemporânea pernambucana busca um vocabulário corporal que mescle técnicas do flamenco, dança clássica e contemporânea, baseado no poema de Josimar Lourenço e desenvolvido por um elenco que inclui pessoas com deficiência.

No universo circense, o JGE apresenta um leque que se estende do tradicionalíssimo Eu, Você e o Circo Alakazan a propostas contemporâneas que dialogam com questões sociais urgentes, como Sem Nome o Desempregado, que conta a história de um palhaço que, após perder o pai na pandemia e ver o circo esvaziado pela preferência do público pelas telas digitais, luta para manter a tradição familiar funcionando. Quando a realidade se impõe, ele se vê obrigado a procurar emprego fora da lona.

Cinema: A Sétima Arte no Janeiro

Kátia Mesel realizadora do filme Recife de Dentro pra Fora, de 1997. Foto: Divulgação

A incorporação do cinema como linguagem fixa significa mais do que ampliação de escopo – reconhece a força do audiovisual pernambucano. A escolha do Cinema São Luiz valoriza um espaço que carrega a memória cinematográfica da cidade.

Os quatro curtas-metragens selecionados traçam um panorama da produção audiovisual local: “Recife de Dentro pra Fora“, de Katia Mesel, e “O Mundo é uma Cabeça“, de Bidu Queiroz e Cláudio Barroso, somam-se a “Sim ou Não?“, estreia de Tiago Leitão, e “Recife Frio“, de Kleber Mendonça Filho. A sessão (2 de fevereiro) tem entrada mediante doação de 1kg de alimento, reforçando o caráter social do festival.

A Mostra de Cenas Curtas

A Mostra Janeiro de Cenas Curtas ocupará o Teatro Barreto Júnior entre 16 e 18 de janeiro. Com 27 cenas de 8 a 15 minutos cada, a mostra funciona como laboratório onde atores e autores estreantes podem experimentar diante do público.

A premiação dos três melhores trabalhos e a entrega de troféus para melhor direção e melhores atuações cria um circuito de legitimação que pode ser decisivo para carreiras artísticas. O formato permite experimentação que seria mais difícil em espetáculos de longa duração, funcionando como termômetro das tendências da cena teatral emergente.

Dimensão Territorial

O JGE 2026 se expande do Recife para Jaboatão dos Guararapes, Camaragibe, Goiana e Limoeiro. A programação internacional conta com obras da Argentina, Portugal e Eslováquia, complementada por produções de Brasília, Rio de Janeiro, Maceió e São Paulo.

Homenageados

Maestro Duda. Foto Divulgação

Ator, diretor, dramaturgo e jornalista José Mário Austragésilo. Foto: Divulgação

Severino Florêncio no espetáculo A visita. Foto: Divulgação

Os homenageados desta edição representam diferentes gerações e linguagens que contribuíram para a construção da cena cultural pernambucana. José Mário Austragésilo e Severino Florêncio, no teatro, são nomes fundamentais da dramaturgia e da direção teatral no estado. Austragésilo é reconhecido como um dos principais responsáveis pela modernização do teatro pernambucano, tendo dirigido espetáculos que marcaram época e formado gerações de atores.

Severino Florêncio defende uma vertente popular do teatro pernambucano, com trabalhos que dialogam diretamente com as tradições culturais do estado. Sua obra inclui adaptações de folhetos de cordel, autos natalinos e espetáculos que incorporam elementos do mamulengo e outras manifestações populares.

Mestra Nice, homenageada na dança, é uma das principais responsáveis pela preservação e renovação das danças populares pernambucanas. Seu trabalho de pesquisa e ensino tem formado bailarinos que atuam tanto em grupos tradicionais quanto em companhias contemporâneas.

A Escola Pernambucana de Circo, homenageada na categoria circo, constitui um marco na formação circense do estado. Fundada com o objetivo de profissionalizar e democratizar o acesso às artes circenses, a escola tem formado gerações de artistas que hoje atuam em companhias nacionais e internacionais.

Rose Mary Martins, na ópera, é pioneira na difusão desta linguagem em Pernambuco. Seu trabalho como cantora, professora e produtora tem sido fundamental para a criação de um público e de uma cena operística no estado.

Maestro Duda, homenageado na música, é um dos maiores compositores, arranjadores e instrumentistas do frevo pernambucano. Sua obra inclui arranjos para orquestras sinfônicas, grupos de frevo e big bands, além de composições próprias que se tornaram clássicos do repertório carnavalesco.

Troféus e parcerias

Quanto ao Prêmio JGE Copergás será entregue no dia 4 de fevereiro no Teatro do Parque, com 30 troféus distribuídos em seis categorias, apontado como um termômetro da produção artística do estado. 

A realização do JGE une diferentes instâncias através da parceria entre a Apacepe (Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco), o Sesc e um conjunto de apoiadores institucionais. Suape figura como patrocinador máster, enquanto Fundarpe (Governo do Estado de Pernambuco), Fundação de Cultura Cidade do Recife e Secretaria de Cultura da Prefeitura do Recife atuam como parceiros institucionais. A Copergás mantém o tradicional patrocínio do prêmio que encerra o festival.

Os ingressos variam entre R$ 10 e R$ 140, com opções de espetáculos gratuitos mediante doação de 1kg de alimento não perecível, democratizando o acesso à cultura.

SERVIÇO

Abertura : Moda e Manguebeat
Em 7 de janeiro no Teatro de Santa Isabel, pela primeira na história do festival, o JGE inicia celebrando a moda pernambucana.
Anamauê – Ecoando a Revolução
Estilista: Mendx
Conceito: 20 figurinos inspirados na estética do Movimento Mangue
Elenco: Artistas como Íris e Iara Campos, Pinho, Minininho, Fabiana Pirro e Louise França (filha de Chico Science)

Estrutura e Alcance do Festival
📍 Locais no Recife
Teatro de Santa Isabel
Teatro do Parque
Teatro Apolo
Teatro Hermilo Borba Filho
Teatro Barreto Júnior
Teatro Capiba
Arraial Ariano Suassuna
Teatro André Filho (Espaço Fiandeiros)
Casa de Alzira
Praça do Campo Santo
Cinema São Luiz

🌍 Expansão Regional
Jaboatão dos Guararapes
Camaragibe
Goiana
Limoeiro

🌎 Participação Internacional
Além das produções nacionais (Brasília, Rio de Janeiro, Maceió, São Paulo), o festival recebe obras da 
Argentina
Portugal
Eslováquia

Destaques Especiais
🏆 Homenageados 2026
Teatro: José Mário Austragésilo e Severino Florêncio
Dança: Mestra Nice
Circo: Escola Pernambucana de Circo
Ópera: Rose Mary Martins
Música: Maestro Duda

🎭 Mostra Janeiro de Cenas Curtas
Local: Teatro Barreto Júnior (16-18 de janeiro)
Objetivo: Dar visibilidade a atores e autores iniciantes
Formato: 27 cenas de 8 a 15 minutos
Premiação: Melhores trabalhos, direção e atuações

🏅 Prêmio JGE Copergás
Data: 4 de fevereiro no Teatro do Parque
Categorias: 30 troféus em Teatro Adulto, Teatro Infantil, Dança, Circo e Música

Informações Práticas
🎫 Ingressos: R$ 10 a R$ 140 (disponíveis na Sympla)
🆓 Opções gratuitas: Mediante entrega de 1kg de alimento não perecível

🌐 Programação completa: www.festivaljge.com.br
Realização: Apacepe (Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco)
Parcerias: Sesc, Suape, Fundarpe, Fundação de Cultura Cidade do Recife

🗓️ PROGRAMAÇÃO POR DATA

07 DE JANEIRO
19h – ABERTURA DO 32º JANEIRO DE GRANDES ESPETACULOS (Teatro Santa Isabel) – Teatro Adulto – Livre
19h – OPHÉLIA (Teatro Hermilo Borba Filho) – Teatro Adulto – 14 anos

08 DE JANEIRO
16h30 – TATU-DO-BEM (Teatro Apolo) – Teatro Infantil – Livre
19h – A PAIXÃO SEGUNDO JOSÉ FRANCISCO FILHO (Teatro Hermilo Borba Filho) – Teatro Adulto – Livre
20h – DOM CASMURRO (Teatro Capiba) – Teatro Adulto – 14 anos

09 DE JANEIRO
18h – HERMANOS – UMA COMÉDIA DE IRMÃOS (Teatro Barreto Júnior) – Teatro Adulto – 14 anos
19h – MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS (Teatro do Parque) – Teatro Adulto – 14 anos
19h30 – A DIVINA & O ESPLENDOR – UMA FARÇA FORÇADA (Teatro Apolo) – Teatro Adulto – 12 anos
20h – AUTO DA COMPADECIDA – UMA FARSA MODERNESCA (Teatro Santa Isabel) – Teatro Adulto – 12 anos
20h – MISTURA NORDESTINA (Teatro Arraial Ariano Suassuna) – Música – Livre
20h – JANGA (Teatro Hermilo Borba Filho) – Música – Livre
20h – DOM CASMURRO (Teatro Capiba) – Teatro Adulto – 14 anos

10 DE JANEIRO
15h – Oficina: “Maestro Edson Rodrigues – Do Frevo ao Jazz” (Caixa Cultural) – Música – 14 anos – GRATUITO
16h30 – JEREMIAS E AS CARAMINHOLAS (Teatro Barreto Júnior) – Teatro Infantil – Livre
16h30 – EU, VOCÊ E O CIRCO ALAKAZAM (Teatro Hermilo Borba Filho) – Circo – Livre
18h – MOINHO (Teatro Capiba) – Teatro Adulto – 18 anos
19h30 – Maestro Duda – Uma Visão Nordestina (Caixa Cultural) – Música – Livre – GRATUITO
19h30 – POLI DA RAIZ AO CANTO (Teatro do Parque) – Música – Livre
20h – AUTO DA COMPADECIDA – UMA FARSA MODERNESCA (Teatro Santa Isabel) – Teatro Adulto – 12 anos
20h – O ALIENISTA – CASA DOS LOUCOS (Teatro Apolo) – Teatro Adulto – 12 anos
20h – PERNAMBUCO ARRETADO (Teatro Arraial Ariano Suassuna) – Música – Livre

11 DE JANEIRO
16h – VOSSA MAMULENGECÊNCIA (Teatro Capiba) – Teatro Adulto – 14 anos
16h30 – HISTÓRIAS PONTILHADAS (Caixa Cultural) – Teatro Infantil – Livre 
16h30 – A PRINCESA DOS MARES (Teatro Santa Isabel) – Teatro Infantil – Livre
17h – NORDESTINADOS IN CIRCUS (Teatro Apolo) – Circo – Livre
17h – O ÚLTIMO CIGARRO (Teatro Arraial Ariano Suassuna) – Teatro Adulto – 12 anos
17h – SEM NOME O DESEMPREGADO (Teatro Hermilo Borba Filho) – Circo – Livre
17h – O SEGREDO DA ARCA DE TRANCOSO (Teatro do Parque) – Teatro Infantil – Livre
19h – VOSSA MAMULENGECÊNCIA (Teatro Capiba) – Teatro Adulto – 14 anos

13 DE JANEIRO
18h30 – WICKED (Teatro Santa Isabel) – Teatro Adulto – 12 anos
19h – Mary En em Riso e Caos (Casa de Alzira) – Circo – 16 anos
19h30 – HBLYNDA EM TRASITO (Teatro Hermilo Borba Filho) – Teatro Adulto – 16 anos
20h30 – LANÇAMENTO LIVRO “CEGONHA DE MIM” (Casa de Alzira) – Circo – Livre – GRATUITO

14 DE JANEIRO
18h30 – WICKED (Teatro Santa Isabel) – Teatro Adulto – 12 anos
19h – BEM ME QUERO (Casa de Alzira) – Circo – Livre
19h – TURBANTES (Teatro Capiba) – Dança – Livre
19h – ENCRUZILHADA AGRESTE (Teatro Hermilo Borba Filho) – Música – 12 anos

15 DE JANEIRO
19h – CABARÉ JANEIRO DE PALHAÇAS (Caixa Cultural) – Circo – 16 anos 
19h – ATORES (Teatro Santa Isabel) – Teatro Adulto – 12 anos
19h30 – LUZ E FÉ (Teatro Capiba) – Música – Livre
20h15 – NOITE (Teatro Hermilo Borba Filho) – Teatro Adulto – 14 anos

16 DE JANEIRO
19h – AS TESTEMUNHAS DUO: A APARIÇÃO (Teatro Apolo) – Circo – Livre
19h30 – O DIÁRIO QUASE RIDÍCULO DE AURORA (Teatro Capiba) – Teatro Adulto – 14 anos
19h30 – Maestro Duda – Uma Visão Nordestina (Caixa Cultural) – Música – Livre – GRATUITO
19h30 – CANTIGAS A PEDRA DO REINO (Teatro Hermilo Borba Filho) – Teatro Adulto – 14 anos
19h30 – O LAGO DOS CISNES (Teatro Santa Isabel) – Dança – Livre
20h – MCP – O SONHO NÃO ACABOU (Teatro Arraial Ariano Suassuna) – Teatro Adulto – 14 anos
20h – SUZY BRASIL – UMA NOITE HORRIPILANTE (Teatro do Parque) – Teatro Adulto – 16 anos

17 DE JANEIRO
16h – MATILDA (Cine Teatro Samuel Campelo) – Teatro Infantil – Livre
18h – FRANCISCO – UM INSTRUMENTO DE PAZ (Teatro do Parque) – Teatro Adulto – 14 anos
19h – UMANA (Teatro Santa Isabel) – Circo – Livre
19h30 – Do Frevo ao Jazz (Caixa Cultural) – Música – Livre – GRATUITO

18 DE JANEIRO
11h – FÓRUM Entre Narizes e Fronteiras: Palhaçaria Feminina em Diálogo Brasil–Portugal (Caixa Cultural) – Circo – Livre – GRATUITO
14h – Oficina: Já que sou do pandeiro (Caixa Cultural) – Música – 14 anos – GRATUITO
15h30 – AS CHARLATONAS (Praça do Campo Santo Amaro) – Circo – Livre – GRATUITO
16h – A CIGARRA E A FORMIGA (Teatro do Parque) – Teatro Infantil – Livre
16h30 – HAMILET NO CIRCO (Teatro Apolo) – Teatro Infantil – Livre
16h30 – AS TESTEMUNHAS DUO: A APARIÇÃO (Sesc Camaragibe) – Circo – Livre – GRATUITO
17h – O PEQUENO PRINCIPE (Teatro Santa Isabel) – Teatro Infantil – Livre
18h – FEVEREIRO (Teatro Capiba) – Teatro Adulto – 16 anos
18h00 – A ORAÇÃO (Teatro Arraial Ariano Suassuna) – Circo – 16 anos

20 DE JANEIRO
10h – Oficina: O universo clássico-popular (Caixa Cultural) – Música – Livre – GRATUITO
14h – Oficina: O universo clássico-popular (Caixa Cultural) – Música – Livre – GRATUITO
19h – A BELA ADORMECIDA (Teatro Santa Isabel) – Dança – Livre
19h30 – DO JACKSON AO PANDEIRO por Lucinha Guerra (Caixa Cultural) – Música – Livre 

21 DE JANEIRO
19h – ELAS CANTAM ELBA (Teatro do Parque) – Música – Livre
19h30 – Rock Bossa (Caixa Cultural) – Música – Livre 
19h30 – PELA NOITE (Teatro Santa Isabel) – Teatro Adulto – 16 anos
20h – CÚMPLICES – TRANSGRESSÕES DE UM RICARDO III (Teatro Hermilo Borba Filho) – Teatro Adulto – 12 anos

22 DE JANEIRO
19h – CÚMPLICES – TRANSGRESSÕES DE UM RICARDO III (Teatro Hermilo Borba Filho) – Teatro Adulto – 12 anos
19h – UM MINUTO PRA DIZER QUE TE AMO (Teatro Santa Isabel) – Teatro Adulto – 14 anos
20h – FELIPE COSTTA TRIO – FREVO SANFONADO (Teatro Capiba) – Música – Livre

23 DE JANEIRO
19h – WEBSÉRIE MARY EN 20 ANOS (Youtube da Cia Animèe) – Circo – Livre – PELO YOUTUBE
19h – UM SÁBADO EM 30 (Teatro do Parque) – Teatro Adulto – Livre
19h30 – CONCERTO DE MÚSICA EUROPÉIA E LATINA (Teatro André Filho – Espaço Fiandeiros) – Música – Livre – 
19h30 – MPB BRASIL (Teatro Santa Isabel) – Música – Livre
20h – MEDEIA – DA LAMA AO CAOS (Teatro Barreto Júnior) – Teatro Adulto – 16 anos
20h – CIRCO GODOT (Teatro Arraial Ariano Suassuna) – Teatro Adulto – Livre
20h – CÚMPLICES – TRANSGRESSÕES DE UM RICARDO III (Teatro Hermilo Borba Filho) – Teatro Adulto – 12 anos

24 DE JANEIRO
16h – CANTIGAS DE FIAR (Teatro André Filho – Espaço Fiandeiros) – Teatro Infantil – Livre
16h30 – CAMINHOS (Teatro Capiba) – Circo – 12 anos
18h – UM SÁBADO EM 30 (Teatro do Parque) – Teatro Adulto – Livre
19h – MM BEAUTY UNIVERSAL PERNAMBUCO (Teatro Barreto Júnior) – Dança – Livre – GRATUITO
19h – CORPOS EM TRAVESSIA (Teatro Apolo) – Dança – Livre
19h – CIRCO GODOT (Teatro Arraial Ariano Suassuna) – Teatro Adulto – Livre
20h – PURO TRANSE AO VIVO (Casa de Alzira) – Música – Livre
20h – MILAGRES (Teatro Hermilo Borba Filho) – Teatro Adulto – 12 anos
20h – ZAMBO (Teatro Santa Isabel) – Dança – Livre

25 DE JANEIRO
16h – CANTIGAS DE FIAR (Teatro André Filho – Espaço Fiandeiros) – Teatro Infantil – Livre
16h30 – TUDO COMEÇOU ASSIM (Teatro Apolo) – Teatro Infantil – Livre
17h – SÓ RESTA A POEIRA PRA TRÁS (Teatro Capiba) – Teatro Adulto – Livre
17h – CIRCO GODOT (Teatro Arraial Ariano Suassuna) – Teatro Adulto – Livre
18h – MM BEAUTY UNIVERSAL PERNAMBUCO (Teatro Barreto Júnior) – Dança – Livre – GRATUITO
18h – SANTERIA AFOXÉ OXUM PANDÁ (Teatro Santa Isabel) – Música – Livre
19h – MILAGRES (Teatro Hermilo Borba Filho) – Teatro Adulto – 12 anos

27 DE JANEIRO
17h – OS PROTETORES DO OCEANO (Teatro Capiba) – Teatro Infantil – Livre
18h30 – ROUBANDO A CENA (Teatro Arraial Ariano Suassuna) – Teatro Adulto – 12 anos
19h30 – FEUZA – ROCK / ÓPERA (Teatro do Parque) – Música – Livre
19h45 – SAUDADE, SENTIMENTO SEM TRADUÇÃO (Teatro Apolo) – Teatro Adulto – 12 anos
20h – MILAGRES (Galpão das Artes – Sesc Limoeiro) – Teatro Adulto – 12 anos – INGRESSO NO LOCAL

28 DE JANEIRO
16h – F.A.M.A – FELIZ ANIVERSÁRIO MEU AMOR (Teatro do Parque) – Teatro Adulto – Livre – GRATUITO
19h – AUTO DA COMPADECIDA – UMA FARSA MODERNESCA (Cine Teatro Samuel Campelo) – Teatro Adulto – 12 anos
19h30 – IMORAIS (Teatro Hermilo Borba Filho) – Teatro Adulto – 18 anos
19h30 – TUDO ACONTECE NA BAHIA (Teatro Santa Isabel) – Dança – Livre
20h – MILAGRES (Galpão das Artes – Sesc Limoeiro) – Teatro Adulto – 12 anos – INGRESSO NO LOCAL

29 DE JANEIRO
19h – AUTO DA COMPADECIDA – UMA FARSA MODERNESCA (Cine Teatro Samuel Campelo) – Teatro Adulto – 12 anos
19h – MEUS 20 MINUTOS DE RECREIO (Teatro Apolo) – Teatro Adulto – 14 anos
19h – ANTONIN ARTAUD – ENTRE A ORDEM E A VERTIGEM (Teatro Arraial Ariano Suassuna) – Teatro Adulto – 16 anos
19h – TEREZINHA CORAÇÃO DE BARRO (Teatro Santa Isabel) – Teatro Adulto – 12 anos
19h30 – SENHORA DO ENGENHO ENTRE A CRUZ E A TORÁ (Teatro André Filho – Espaço Fiandeiros) – Teatro Adulto – 14 anos
19h30 – PEDRAS, FLOR E ESPINHO (Teatro Barreto Júnior) – Teatro Adulto – 14 anos – INGRESSO NO LOCAL
20h – CÚMPLICES – TRANSGRESSÕES DE UM RICARDO III (Galpão das Artes – Sesc Limoeiro) – Teatro Adulto – 12 anos – INGRESSO NO LOCAL

30 DE JANEIRO
19h – AUTO DA COMPADECIDA – UMA FARSA MODERNESCA (Teatro do Parque) – Teatro Adulto – 12 anos
19h – O FUTURO DURA MUITO TEMPO (Teatro Arraial Ariano Suassuna) – Teatro Adulto – 16 anos
19h30 – SENHORA DO ENGENHO ENTRE A CRUZ E A TORÁ (Teatro André Filho – Espaço Fiandeiros) – Teatro Adulto – 14 anos
19h30 – PEDRAS, FLOR E ESPINHO (Teatro Barreto Júnior) – Teatro Adulto – 14 anos – INGRESSO NO LOCAL
19h30 – IGOR DE CARVALHO E MORENO VELOSO (Teatro Santa Isabel) – Música – Livre
20h – CASA VAZIA (Teatro Capiba) – Dança – 16 anos
20h – MEUS 20 MINUTOS DE RECREIO (Teatro Apolo) – Teatro Adulto – 14 anos
20h – Ọ̀ṢUN OXUM OCHUN – AFOXÉ OXUM PANDÁ + LUIZ DE AQUINO (Teatro Hermilo Borba Filho) – Música – Livre

31 DE JANEIRO
17h – AUTO DA COMPADECIDA – UMA FARSA MODERNESCA (Teatro do Parque) – Teatro Adulto – 12 anos
19h – CARTA A SPINOZA (Teatro Arraial Ariano Suassuna) – Teatro Adulto – Livre
19h – ANASTÁCIA (Teatro Santa Isabel) – Música – 16 anos
19h30 – O JARDIM DAS FLORES MORTAS (Teatro Apolo) – Teatro Adulto – 14 anos
20h – ASTEROIDE AP162 (Teatro Capiba) – Teatro Adulto – 14 anos
20h – CORAÇÃO SAUDOSIANO EM VERSO E CANTO (Teatro Hermilo Borba Filho) – Música – Livre
21h – ANASTÁCIA (Teatro Santa Isabel) – Música – 16 anos

1º DE FEVEREIRO
15h – FESTIVAL FLORESCER DE DANÇAS ÁRABES E FUSÕES (Teatro Barreto Júnior) – Dança – Livre 
16h30 – SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO (Teatro Apolo) – Teatro Infantil – 14 anos
18h – FESTIVAL FLORESCER DE DANÇAS ÁRABES E FUSÕES (Teatro Barreto Júnior) – Dança – Livre 
18h – FESTIVAL POLE DANCE DE PERNAMBUCO (Teatro Santa Isabel) – Dança – Livre
19h – BOCA SECA (Teatro Capiba) – Dança – 18 anos
19h – CIRCO SCIENCE DO MANGUE AO PICADEIRO (Teatro do Parque) – Circo – Livre

03 DE FEVEREIRO
20h – AUTO DA COMPADECIDA – UMA FARSA MODERNESCA (Sesc Ler Goiana) – Teatro Adulto – 12 anos – INGRESSO NO LOCAL

04 DE FEVEREIRO
19h – PRÊMIO JGE COPERGÁS (Teatro do Parque)

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Ter Exu como princípio: estranhar a cronologia
Crítica: HBLynda em TRANSito
Por Annelise Schwarcz*

HBLynda em TRANSito participou do OFFRec, na programação do FRTN. Foto: Ricardo Maciel/Palco Pernambuco

O que é ser homem? O que é ser mulher? A gente nasce mulher ou se torna? Como esses gêneros são construídos? Culturalmente? Biologicamente? É possível ser homem e mulher? É possível ser nenhum dos dois? O que acontece com quem recusa os quadros de reconhecimento impostos, ou seja, quem recusa ser enquadrado pelas categorias disponíveis? O que é ser não binário? O que significa ser ciborgue? A gente nasce ciborgue ou se torna? Essas são algumas questões que têm animado as discussões das teorias queer, um campo relativamente recente com menos de oito décadas de existência, e seus desdobramentos podem ser encontrados nas obras de autoras/es como Monique Wittig, Judith Butler, Donna Haraway, Paul B. Preciado e Jack Halberstam – apenas para citar alguns exemplos. Nos últimos anos, as teorias em torno dos modos de vida queer têm se popularizado e extrapolado o âmbito acadêmico, ganhando repercussão especialmente nas artes da cena e nas ruas.

HBLynda em TRANSito, espetáculo de HBLynda Moraes apresentado no OFFRec 2025 durante o 24º Festival Recife do Teatro Nacional, é mais uma montagem que se soma ao grande corpo de produções em torno da temática queer. A peça conta em primeira pessoa a vida de HBLynda Moraes – pessoa trans não binária – desde os primeiros confrontos, ainda na escola, com a não conformidade com a performance da masculinidade até o encontro com seu novo nome e identidade de gênero em trânsito. A dramaturgia segue de forma cronologicamente linear os marcos traumáticos e os prazeres da descoberta, costurados por danças aos orixás Exu, Ogum, Oxum e à Pombagira 7 Catacumbas. Com Exu, HBLynda abre os trabalhos, com Dona 7 Catacumbas dança os vivos e os mortos, com Ogum tem força para enfrentar as violências e vencer as batalhas, e com Oxum gesta um novo nome, uma nova forma de ser e estar no mundo.

Da direita para a esquerda, o cenário montado no teatro Hermilo Borba Filho é composto por quatro cadeiras ao centro, próximas a quatro lousas acopladas umas às outras e, ao lado delas, uma mesa com uma miniatura da Torre Eiffel e dois porta retratos sobre ela, um bambolê led no chão. Agora pensa numa peça generosa: logo na entrada você ganha shot de cachaça, tangerina, pompom de festa e ainda é recebida/e/o por arruda e alecrim macerados, espalhados pelo chão, perfumando o ambiente. A peça ainda conta com momentos interativos com o público como, por exemplo, distribuição de coxinhas e uma aula sobre gênero e performatividade, além de trilha sonora e sonoplastia ao vivo de Raphael Venos.

No entanto, em alguns momentos, tantos elementos sendo ofertados ao público resultam em um esvaziamento do sentido de alguns dispositivos. Por exemplo, ao distribuir as coxinhas durante o depoimento da mãe de HBLynda, os burburinhos das pessoas aceitando ou recusando, assim como a conversa em torno do quão gostoso estava o salgadinho compete com o volume do vídeo, prejudicando a compreensão do relato. Em outro momento, começa a tocar a música do Xou da Xuxa e somos convidadas/es/os a balançar nossos pompons azul e rosa que ganhamos na bilheteria ao adquirir os ingressos. O show é interrompido abruptamente quando HBLynda pede ajuda da plateia para revelar o sexo do bebê e brinca que nós, plateia majoritariamente cis, devemos adorar um chá de revelação. Depois, a cena se metamorfoseia em uma aula a partir da pergunta “quem sabe como o gênero é constituído?” e a breve cena em torno dos pompons, que estávamos carregando desde antes de entrar no teatro conosco, parece gratuita. 

Espetáculo leva à cena discussões da teoria queer que extrapolaram o ambiente acadêmico nos últimos anos. Foto: Ricardo Maciel/Palco Pernambuco

A dramaturgia é voltada para o público cis e busca oferecer letramento acerca de questões como sexo, gênero e transição. A performer explica que transicionar não é como “um botão do BBB, que você aperta para sair” e que, sobretudo para pessoas trans não binárias como ela, o gênero está em trânsito. Gênero em encruzilhada: muito ela para ser ele, muito ele para ser ela. Da mesma forma, a peça situa-se numa encruzilhada na qual, por vezes, supõe a ignorância de seu público e por isso aposta no didatismo, como quando questiona “quem sabe como o gênero é constituído?” e, ao receber como resposta o silêncio da plateia, HBLynda responde que o gênero é constituído socialmente e nos faz repetir em coro: “nem toda pessoa de pau é homem, nem toda pessoa de buceta é mulher”. Por outro lado, em outros momentos, aposta que termos como “enquadramento” de Judith Butler ou “corpo ciborgue”, conceito de Donna Haraway que se refere a um corpo composto por ficções políticas contraditórias, dispensam apresentações. 

HBLynda canta o desejo de “não ser quadrada” ou “ser enquadrada” nas normas sociais, nos quadros de reconhecimento disponíveis. A performer relembra a forma que crianças na escola, só de ver sua letra redonda e caprichada, começaram a expor sua feminilidade para ela mesma que, até então, vivia alheia a essas questões. Foram anos tentando disfarçar e se adequar, sobrevivendo às violências até que pudesse se encontrar. Um pouco antes de saudar Oxum e celebrar seu renascimento, HBLynda relembra o itan “Exu matou um pássaro ontem com uma pedra que lançou hoje”. Exu abre a apresentação, mas não (des)organiza a cronologia. A peça autobiográfica poderia se nutrir do princípio exusíaco – proferido pela própria performer e dramaturga – na construção da dramaturgia, reposicionando a convencional narrativa que parte da infância à vida adulta, quiçá revendo até os eventos traumáticos como pontos de referência. Se tudo é trânsito, a identidade e a memória se tornam ilhas de edição: o nascimento pode ter sido a morte dos pais, a aula pode acontecer sem interromper o show e o pedido para contar uma memória do passado, pode se tornar o convite para vislumbrar um futuro. 

*A cobertura crítica da programação do 24º Festival Recife do Teatro Nacional é apoiada pela Prefeitura do Recife

Ficha técnica:
HBLynda em TRANSito
Idealização, dramaturgia e atuação: HBlynda Morais
Direção artística/geral: Emmanuel Matheus
Produção executiva: Juliana Couto
Direção musical e músico: Raphael Venos
Preparação coreográfica/corporal: Aline Gomes
Iluminação: Cleison Ramos (Farol Atelier da Luz)
Figurino: Agrinez Melo
Confecção do figurino: Mariana Barbosa
Programação visual e monitoramento de redes: Bagasá / Emmanuel Matheus

Biografia é utilizada como material para elaboração da dramaturgia. Foto: Ricardo Maciel/Palco Pernambuco

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Ela enfrentou a ditadura
Lady Tempestade abre
24º Festival Recife do Teatro Nacional

Andrea Beltrão estrela monólogo sobre defensora de presos políticos em Pernambuco, abrindo festival que celebra vozes femininas nas artes cênicas.  Foto: Nana Moraes / Divulgação

Embarque na história de uma mulher que dedicou sua vida a defender aqueles que o Estado considerava inimigos. Mércia Albuquerque foi uma advogada corajosa que, durante os anos mais sombrios da ditadura militar, enfrentou tribunais, burocracias e ameaças para garantir direitos básicos a centenas de presos políticos em Pernambuco. Sua trajetória está no palco através de Lady Tempestade, com Andrea Beltrão, espetáculo que inaugura o 24º Festival Recife do Teatro Nacional, com sessões entre 20 e 22 de novembro no Teatro de Santa Isabel.

Mércia Albuquerque era uma ponte entre famílias desesperadas e um sistema jurídico militarizado. Durante os 21 anos da ditadura civil-militar (1964-1985), ela esteve na linha de frente da defesa dos direitos humanos, documentando violações, organizando defesas e mantendo viva a esperança de inúmeras famílias pernambucanas.

Com texto de Silvia Gomez e direção de Yara de Novaes, a obra baseia-se nos diários pessoais e registros profissionais deixados pela própria Mércia. Trata-se de um trabalho de arqueologia da memória que revela os bastidores da resistência jurídica durante um dos períodos mais sombrios da história brasileira.

Lady Tempestade” oferece uma aula de história viva, demonstrando como funcionava na prática a máquina repressora e, principalmente, como pessoas comuns encontraram formas de resistir dentro da própria lei. Mércia enfrentava verdadeiras tempestades burocráticas e políticas para fazer valer os direitos de seus defendidos.

Andrea Beltrão, uma trajetória de escolhas inteligentes. Foto: Gil Tuchternhagen / Divulgação

Com mais de 40 anos de carreira, Andrea Beltrão conquistou reconhecimento tanto na televisão quanto no teatro, sempre priorizando projetos de relevância artística e social. Na TV, destacou-se em produções como Armação Ilimitada, A Grande Família e Um Lugar ao Sol, enquanto no cinema brilhou em Hebe, A Estrela do Brasil.

No teatro, a atriz emocionou plateias em montagens como “A Prova” e As Centenárias“, demonstrando versatilidade para transitar entre drama e comédia com igual maestria. Essa trajetória sólida reflete uma carreira pautada pela inteligência na escolha dos trabalhos.

Em Lady Tempestade, Beltrão enfrenta um de seus papéis mais desafiadores: interpretar uma mulher real, com responsabilidades históricas e familiares que ainda guardam a memória de Mércia Albuquerque. O monólogo demanda técnica refinada e resistência emocional, já que a intérprete permanece em cena por aproximadamente 90 minutos, conduzindo uma narrativa densa sobre um período traumático da história nacional.

No cenário atual, Lady Tempestade oferece algo raro, que são fatos documentados apresentados através de uma perspectiva humana e acessível. A montagem ganha relevância especial por mostrar o papel crucial da advocacia em momentos de crise democrática. 

Para plateias mais jovens, o espetáculo atua como janela para um período histórico frequentemente reduzido a dados estatísticos nos livros didáticos. Dessa forma, através do relato pessoal de Mércia, eventos históricos ganham rostos, nomes e consequências humanas concretas.

Expectativa de alta procura

A organização do festival prevê alta demanda para as três sessões de Lady Tempestade. A produção acumula histórico de salas lotadas em temporadas anteriores, enquanto a combinação do nome de Andrea Beltrão com a relevância do tema tem atraído atenção em várias temporadas.

Há relatos de caravanas organizadas em estados vizinhos interessadas em acompanhar a abertura do festival. Tal expectativa se justifica: além da importância histórica do material, a montagem oferece a rara oportunidade de ver uma das maiores atrizes brasileiras em ação no palco, em um espaço histórico como o Teatro de Santa Isabel.

Festival celebra protagonismo feminino

Tudo que Eu Queria te Dizer, solo de Ana Beatriz Nogueira. Foto: Divulgação

O 24º Festival Recife do Teatro Nacional consolida-se como um dos principais eventos teatrais do país, apresentando 24 espetáculos em onze dias de atividades, sendo 16 deles inéditos na capital pernambucana. Com o tema “Vozes Femininas – Histórias que ressoam”, a edição deste ano celebra as criadoras e criativas do teatro brasileiro, entre dramaturgas, atrizes, diretoras e pesquisadoras.

Entre as principais atrações nacionais, além de “ady Tempestade, está Tudo que Eu Queria te Dizer, solo de Ana Beatriz Nogueira inspirado no best-seller de Martha Medeiros, onde a atriz se desdobra na pele de cinco mulheres distintas para falar sobre amor, rejeição e desejo. A apresentação acontece nos dias 22 e 23, no Teatro do Parque.

Também inédita na capital pernambucana é Mary Stuart, protagonizada por Virginia Cavendish, trazendo um olhar contemporâneo sobre as últimas 24 horas de vida da rainha escocesa, numa trama sobre conspiração e jogos de poder. A montagem paulista estreia no Recife nos dias 28 e 29, também no Teatro do Parque.

116 Gramas: Peça para Emagrecer, solo da paulista Letícia Rodrigues, explora a jornada de uma mulher em busca do emagrecimento, questionando pressões sociais sobre a imagem corporal. A protagonista tenta, a cada apresentação, perder exatamente 116 gramas, utilizando o espetáculo como uma aula de academia performativa. As sessões acontecem nos dias 22 e 23, no Teatro Apolo.

A Cia do Tijolo, companhia paulista reconhecida nacionalmente, traz duas produções inéditas na cidade: Corteja Paulo Freire, celebração poética e musical no Parque Dona Lindu, e Restinga de Canudos, que reconstrói a vida em Canudos a partir da visão feminina de duas professoras do povoado, que eram professoras em tempos de paz e enfermeiras em tempos de guerra. A montagem apresenta uma perspectiva inédita sobre a comunidade, destacando o cotidiano, as resistências e as histórias que ficaram submersas na narrativa oficial sobre o conflito. A apresentação acontece no dia 23, no Teatro Luiz Mendonça.

Homenagens

Augusta Ferraz. Foto Rogério Alves / Divulgação

Auricéia Fraga. Foto: Divulgação

A edição presta tributo a duas grandes atrizes pernambucanas: Auricéia Fraga e Augusta Ferraz, com 50 anos de trajetória cada uma, cujas vidas em cena contam a história do teatro local.

Augusta Ferraz apresenta Sobre os Ombros de Bárbara, mergulho na vida de Bárbara Alencar, heroína da Revolução Pernambucana e considerada a primeira presa política do Brasil. A montagem acontece nos dias 29 e 30, no Teatro de Santa Isabel.

Auricéia Fraga convida o público para  abertura de processo de Não se Conta o Tempo da Paixão, onde narra sua longa relação com o teatro. A abertura de processo acontece no dia 21, no Teatro Hermilo Borba Filho.

Diversidade de propostas e territórios

Das que Ousaram Desobedecer, do Ceará. Foto de Pattie Silva / Divulgação

O festival distribui sua programação estrategicamente por teatros municipais, parques e espaços públicos da cidade. Além dos tradicionais palcos do Santa Isabel, Teatro do Parque, Apolo e Hermilo Borba Filho, a programação alcança o Marco Camarotti, Luiz Mendonça, Espaço Cênicas e Casa de Alzira, chegando também aos parques da Macaxeira e da Tamarineira.

Shá da Meia Noite, com Sharlene Esse. Foto: Divulgação 

Entre as produções locais inéditas, sobressai Helô em Busca do Baobá Sagrado, espetáculo infantil que narra a história de uma menina em missão para encontrar o fruto sagrado e curar seu povo da “doença da tristeza”. As apresentações acontecem nos dias 22 e 23, no Teatro Hermilo.

Outras montagens nacionais inéditas incluem Das que Ousaram Desobedecer (CE), que relembra a luta de mulheres cearenses contra a ditadura; Zona Lésbica (RJ), que enfrenta estereótipos de gênero para reivindicar o direito ao amor; A Mulher Bala (SP), com a palhaça Funúncia tentando se tornar uma bala humana; e Ella (AM), solo de palhaçaria que aborda violência de gênero.

A Mostra OFFRec amplia o alcance do festival com produções locais e nacionais  contemporâneas, incluindo Mi Madre, solo autobiográfico de dança de Jhanaina Gomes; HBLynda em Trânsito, sobre as vivências de uma pessoa gorda, preta e não binária; e Shá da Meia Noite, celebrando os 40 anos da artista que participou do irreverente Grupo Vivencial.

O festival mantém sua vocação pedagógica através de quatro oficinas gratuitas sobre temas como teatro e sagrado feminino, dramaturgia feminista e criação de solos teatrais. As atividades acontecem entre os dias 20 e 27, em diversos equipamentos.

Toda a programação é gratuita, com distribuição de ingressos nas bilheterias dos teatros uma hora antes de cada espetáculo, mediante entrega de um quilo de alimento não perecível. Serão 37 sessões ao longo dos onze dias, convidando a cidade inteira a celebrar o teatro brasileiro.

📅 SERVIÇO 

LADY TEMPESTADE
🎭 Com: Andrea Beltrão
✍️ Texto: Silvia Gomez
🎬 Direção: Yara de Novaes
📅 Datas: 20, 21 e 22 de novembro
⏰ Horários: 20h (todas as sessões)
📍 Local: Teatro de Santa Isabel – Praça da República, Santo Antônio, Recife/PE
🪑 Capacidade: 570 lugares
🎟️ Ingressos: Gratuitos com 1kg de alimento não perecível
♿ Acessibilidade: Libras (todas as sessões) + Audiodescrição (dia 22)

24º FESTIVAL RECIFE DO TEATRO NACIONAL
🎨 Tema: “Vozes Femininas – Histórias que ressoam”
📅 Período: 20 a 30 de novembro de 2024
🎭 Programação: 24 espetáculos (16 inéditos na cidade) + 37 sessões
🎟️ Acesso: Gratuito com 1kg de alimento não perecível
🏛️ Equipamentos: 9 teatros e 2 parques da cidade
📱 Informações: @culturadorecife (Instagram) | Canais oficiais da Prefeitura do Recife

OUTROS DESTAQUES DA PROGRAMAÇÃO:

 Abertura de processo de Não se Conta o Tempo da Paixão (Auricéia Fraga) – dia 21, no Teatro Hermilo Borba Filho.
Tudo que Eu Queria te Dizer (Ana Beatriz Nogueira) – 22 e 23/11, Teatro do Parque
Mary Stuart (Virginia Cavendish e elenco) – 28 e 29/11, Teatro do Parque
116 Gramas: Peça para Emagrecer (Letícia Rodrigues) – 22 e 23/11, Teatro Apolo
Restinga de Canudos (Cia do Tijolo) – 23/11, Teatro Luiz Mendonça
Sobre os Ombros de Bárbara (Augusta Ferraz) – 29 e 30/11, Teatro de Santa Isabel

OFICINAS GRATUITAS:
Teatro, Dança e Sagrado Feminino (20-21/11)
Dramaturgia para Infâncias (21-23/11)
Criação de Solos Teatrais (24-27/11)
Dramaturgias Feministas (26/11)

⚠️ INFORMAÇÕES IMPORTANTES:

Chegada com 1h de antecedência recomendada
Programação sujeita a alterações – acompanhar canais oficiais
Espetáculos com classificação indicativa variada
Sessões com recursos de acessibilidade sinalizadas na programação

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Teatro em movimento
Rolês Teatrais no Recife
em meados de novembro

O Açougueiro, com Alexandre Guimarães. Foto: Elimar Caranguejo / Divulgação (FIG 24072017)

Eu, Romeu, solo de Marcos Camelo. Foto: Silvia Patricia /_Divulgação

Enquanto o Recife aguarda a 24ª edição do Festival Recife do Teatro Nacional, que acontece entre 20 e 30 de novembro abrindo com  cidade oferece uma programação teatral com montagens que transitam entre tradições afrobrasileiras, clássicos adaptados, monólogos premiados e experimentos cênicos contemporâneos.

Depois de dez anos percorrendo palcos nacionais e acumulando diversos prêmios, O Açougueiro retorna mais uma vez às terras pernambucanas. O monólogo com texto e direção de Samuel Santos e atuação de Alexandre Guimarães mergulha na história de Antônio, homem de origem humilde que conquistou o sonho de abrir o próprio açougue, e sua esposa Nicinha, ex-prostituta de um vilarejo sertanejo.

A narrativa, baseada no Teatro Físico e Antropológico, busca combater os estereótipos nordestinos para falar de amor, preconceito, intolerância e feminicídio. Guimarães se desdobra em nove personagens diferentes, entrelaçando diálogos com manifestações da cultura popular como aboios, toadas de vaqueiro e cantigas de reisados. A montagem já conquistou mais de 7 mil espectadores em 15 cidades brasileiras.

Shakespeare Encontra a Periferia – Da zona norte carioca, mais especificamente de Rocha Miranda, surge uma releitura ousada do clássico shakespeariano. Eu, Romeu traz Marcos Camelo em solo que celebra “a insistência petulante dos improváveis”, questionando sistemas que impõem limites por ascendência, cor de pele e CEP.

A Adorável Companhia constrói uma ponte entre a tragédia renascentista e a realidade suburbana contemporânea. Camelo, ator que “provavelmente não teria chance” de interpretar personagens shakespearianos em montagens tradicionais, se apropria do clássico misturando música, teatro e circo. O resultado é descrito pelo próprio intérprete como “Shakespeare do hip hop ao samba”, uma experiência de extrema intimidade com a plateia onde cada espectador pode se reconhecer no “Eu” do título.

Espetáculos Afrobrasileiros em Circulação

Eu conto, tu contas nós contamos – Ubuntu, uma linda aventura na floresta Afrobrasilândia, da São Gens

A ancestralidade ganha voz através de múltiplas linguagens teatrais na Sambada da Mestra Lusitânia, que acontece gratuitamente até 22 de novembro no Ilê Axé Oxum Ipondá, em Olinda. O Grupo São Gens apresenta uma fábula que questiona representatividade através de duas flores pretas intrigadas pela ausência de suas cores no arco-íris. Em Eu conto, tu contas nós contamos – Ubuntu, uma linda aventura na floresta Afrobrasilândia, (14/11, às 19h), as protagonistas embarcam numa jornada mágica conduzidas pela energia do Ubuntu e pela força dos Orixás, explorando identidade, diversidade e pertencimento através de músicas, danças e narrativas que celebram a cultura afrobrasileira. O espetáculo também circula gratuitamente por escolas públicas do interior pernambucano.

Paralelamente, outros trabalhos exploram memórias e identidades dentro da mesma programação do terreiro. Raquel Franco propõe o intimismo do Teatro lambe-lambe Igbá Itan (15/11, às 17h), formato onde poucos espectadores por vez vivenciam pequenas encenações em estruturas portáteis. Já Agrinez Melo tece recordações pessoais em Histórias Bordadas em Mim (15/11, às 19h), conectando experiência individual com coletividade na formação identitária.

Compondo este panorama de diversidade, HBLynda em TRANSito (16/11, às 19h) apresenta vivências interseccionais de uma pessoa gorda, preta, candomblecista e não binária, oferecendo múltiplas perspectivas sobre os trânsitos pelos diferentes espaços sociais contemporâneos.

Dança Musical e Tradições Populares

A linguagem coreográfica ganha destaque com duas propostas distintas. No Teatro do Parque, a Fênice Dance – Cia Guilherme Queirós adapta o conto clássico em A Bela e a Fera (16/11, 17h), prometendo “um show de dança, emoção e magia” que conta a história de amor através do movimento.

Já o 1º Festival de Cultura Popular do Sítio da Trindade, o universo da cultura popular brasileira se materializa em Chama de Griô (16/11, a partir das 15h). Este teatro musical gratuito conduz crianças e adultos pela aventura de um menino curioso que mergulha no mundo encantado das manifestações culturais, explorando danças, brincadeiras e ritmos tradicionais que compõem o mosaico da identidade brasileira.

Memórias, Identidades e Novas Dramaturgias

Tempo de Vagalume. Foto: Divulgação

Entre as propostas mais experimentais, destaca-se a sensibilidade de Tempo de Vagalume no Teatro Arraial Ariano Suassuna, em Garanhuns (14-15 de novembro, às 19h, com entrada gratuita), onde Joesile Cordeiro utiliza o brilho dos vagalumes como metáfora para reconectar com memórias de infância. O monólogo autobiográfico explora questões LGBTQIAP+ através de discursos dançantes onde memórias, movimentos e mutações se entrelaçam.

Samuel Santos e Grupo O Postinho que faz leitura de Maria Preta

A literatura periférica também encontra espaço cênico através de Samuel Santos, que transforma seu livro infantil em manifesto de representatividade negra com leituras dramatizadas gratuitas do Núcleo O Postinho. Maria Preta narra a fantástica jornada de uma menina de sete anos que, durante parada cardíaca, realiza o desejo de conhecer o próprio corpo por dentro. As apresentações acontecem no Quilombo do Catucá, em Camaragibe (15/11, às 18h) e na Escola Pernambucana de Circo, na Macaxeira (18/11, às 15h), ambas com interpretação em Libras.

FLIPORTO até 16 de Novembro

A 20ª Festa Literária Internacional de Pernambuco celebra duas décadas até 16 de novembro no Parque Dona Lindu, em Boa Viagem com o tema Literatura, tecnologia, sustentabilidade, interfaces e diálogos. Entre os destaques, o espetáculo Carlos Pena Filho e Miró da Muribeca cantam o Recife une poesia, música e performance sob idealização e direção de Ronaldo Correia de Brito no Teatro Luiz Mendonça.

Este trabalho homenageia dois poetas de gerações distintas que compartilham vínculos afetivos e líricos com o Recife, transformando a palavra poética em experiência cênica que celebra a cidade através de diferentes vozes e temporalidades.

VEM AÍ: Debates Urgentes e Vozes Femininas

Para Meu Amigo Branco discute o racismo estrutural.

A partir de 20 de novembro, a CAIXA Cultural Recife (Av. Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife) recebe Para Meu Amigo Branco, montagem que expõe o racismo estrutural através de situação escolar concreta. A trama acompanha pai que confronta a escola após sua filha de 8 anos sofrer injúria racial, descobrindo que a instituição prefere tratar a questão como mero bullying. A tensão dramática se intensifica quando um pai branco, inicialmente solidário, muda de postura ao descobrir que seu filho é o agressor. Reinaldo Junior e Fernão Lacerda interpretam os protagonistas sob direção de Rodrigo França.

Lady Tempestade, com Andréa Beltrão

Ana Beatriz Nogueira em Tudo que Eu Queria te Dizer

Helô em Busca do Baobá Sagrado. Foto: Dudu Silva

116 Gramas: Peça para Emagrecer questiona padrões corporais a partir da experiência de Letícia Rodrigues

Uma das homenageadas do festival do Recife, Auricéia Fraga compartilha suas memórias em Não se conta o tempo da Paixão

Corteja Paulo Freire, celebração poética e musical itinerante que homenageia o educador pernambucano

Restinga de Canudos a partir da perspectiva de duas professoras. Fotos: Alecio Cesar

O aguardado 24º Festival Recife do Teatro Nacional ocorre de 20 a 30 de novembro, com programação gratuita em diversos teatros da cidade, com o tema Vozes Femininas – Histórias que Ressoam, com realização da Prefeitura do Recife, através da Secretaria de Cultura do Recife e Fundação Cidade do Recife. A programação reúne 24 espetáculos em 37 sessões, celebrando perspectivas, criatividades e forças de grandes mulheres das artes cênicas.

Andréa Beltrão protagoniza Lady Tempestade no Teatro de Santa Isabel (20, 21 e 22/11), reconstruindo a trajetória de Mércia de Albuquerque, advogada que defendeu mais de 500 presos políticos durante a ditadura militar. Ana Beatriz Nogueira apresenta Tudo que Eu Queria te Dizer no Teatro do Parque (22/11 às 20h e 23/11 às 19h), interpretando seis mulheres através de cartas sobre amor, rejeição e desejo baseadas no livro de Martha Medeiros.

Entre as estreias locais, destaca-se Helô em Busca do Baobá Sagrado no Teatro Hermilo Borba Filho (22 e 23/11, às 16h), narrando a jornada de menina que deve encontrar o fruto sagrado para curar seu povo da “doença da tristeza”. Do lado, 116 Gramas: Peça para Emagrecer acontece no Teatro Apolo (22/11 às 18h e 23/11 às 18h), questionando padrões corporais através da experiência de Letícia Rodrigues com um corpo considerado “fora do padrão”.

Uma das homenageadas do festival, Auricéia Fraga compartilha memórias de mais de 50 anos dedicados às artes cênicas em Não se Conta o Tempo da Paixão (21/11, às 19h, Teatro Hermilo Borba Filho), uma abertura de processo dirigida por Rodrigo Dourado que cria espaço de intimidade entre a veterana atriz e o público.

Como parte do Ano cultural Brasil-França, On Veut / A Gente Quer (22 e 23/11, às 16h30, Bairro do Recife) materializa a colaboração da companhia francesa ktha com artistas locais selecionados para criar versão que dialogue com particularidades pernambucanas.

Ainda na programação do primeiro fim de semana, a Cia do Tijolo traz duas montagens que dialogam: Corteja Paulo Freire (22/11, às 16h30, Teatro Luiz Mendonça), celebração poética e musical itinerante que homenageia o educador pernambucano, e Restinga de Canudos (23/11, às 18h, Teatro Luiz Mendonça), que propõe inversão radical sobre o episódio histórico, mostrando Canudos como vitória através da perspectiva de duas professoras que educavam em tempos de paz e se tornaram enfermeiras e combatentes em tempos de guerra.

SERVIÇO

14 de novembro

O Açougueiro
Teatro Capiba, Sesc Casa Amarela | 20h | Gratuito (retirada 1h antes)

Eu, Romeu
Espaço O Poste, Boa Vista | 19h | R$ 20 (2 ingressos)

Eu conto, tu contas nós contamos – Ubuntu
Ilê Axé Oxum Ipondá, Olinda | 19h | Gratuito

14-15 de novembro

Tempo de Vagalume
Teatro Arraial Ariano Suassuna, Garanhuns | 19h | Gratuito

15 de novembro

Teatro lambe-lambe Igbá Itan
Ilê Axé Oxum Ipondá, Olinda | 17h | Gratuito

Histórias Bordadas em Mim
Ilê Axé Oxum Ipondá, Olinda | 19h | Gratuito

Maria Preta – Leitura Dramatizada
Quilombo do Catucá, Camaragibe | 18h | Gratuito

16 de novembro

A Bela e a Fera
Teatro do Parque | Ingressos: @fenicedance ou (81) 99968-0633

HBLynda em TRANSito
Ilê Axé Oxum Ipondá, Olinda | 19h | Gratuito

Chama de Griô – 1º Festival de Cultura Popular
Sítio da Trindade | 15h | Gratuito

FLIPORTOCarlos Pena Filho e Miró da Muribeca cantam o Recife
Parque Dona Lindu, Boa Viagem | sympla.com.br/evento/fliporto-festa-literaria-internacional-de-pernambuco/3196529

18 de novembro

Maria Preta – Leitura Dramatizada
Escola Pernambucana de Circo, Macaxeira | 15h | Gratuito

VEM AÍ

20-29 de novembro

Para Meu Amigo Branco 
CAIXA Cultural Recife | 20/11 às 18h; demais dias às 20h | R$ 30 e R$15 (meia)

24º Festival Recife do Teatro Nacional (20-30 de novembro)
Toda programação gratuita (1kg de alimento)

20/11 (quinta)

Lady Tempestade | Teatro de Santa Isabel | 20h | Com Libras

21/11 (sexta)

Não se Conta o Tempo da Paixão | Teatro Hermilo Borba Filho | 19h | Com Libras
Lady Tempestade | Teatro de Santa Isabel | 20h | Com Libras

22/11 (sábado)

Helô em Busca do Baobá Sagrado | Teatro Hermilo Borba Filho | 16h
On Veut / A Gente Quer | Bairro do Recife | 16h30 | Com Libras
Corteja Paulo Freire | Teatro Luiz Mendonça | 16h30
116 Gramas: Peça para Emagrecer | Teatro Apolo | 18h | Com Libras
Tudo que Eu Queria te Dizer | Teatro do Parque | 20h | Com Libras
Lady Tempestade | Teatro de Santa Isabel | 20h | Com Libras e Audiodescrição

23/11 (domingo)

Helô em Busca do Baobá Sagrado | Teatro Hermilo Borba Filho | 16h
On Veut / A Gente Quer | Bairro do Recife | 16h30 | Com Libras
Restinga de Canudos | Teatro Luiz Mendonça | 18h
116 Gramas: Peça para Emagrecer | Teatro Apolo | 18h | Com Libras e Audiodescrição
Tudo que Eu Queria te Dizer | Teatro do Parque | 19h | Com Libras e Audiodescrição

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Recife mantém respiração teatral
com programação atraente

 

Neste final de semana, a cidade oferece o cardápio cultural possível: do monólogo clássico ao musical biográfico, como Rita Lee – Uma Autobiografia Musical com Mel Lisboa, passando por experimentos cênicos e espetáculos para a família toda. Foto: Divulgação

Sharlene Esse no elenco de O Shá da Meia Noite. Foto: Ivana Moura

os Irmãos Gandaia apresentam Balaio na programação do Festival Cachoeira das Artes

Recife oferece por esses dias aquela programação cultural que conhecemos bem: nem revolucionária, nem inovadora, mas consistente. São atrações de teatro, música e dança que cumprem o papel de manter a cidade respirando culturalmente, oferecendo desde o solo autobiográfico até o musical infantil que agrada os pais.

A agenda não promete mudanças de paradigma, radicalidade ou experiências transformadoras, mas entrega o que se espera: espetáculos bem feitos, alguns nomes conhecidos retornando a papéis consagrados, festivais que misturam tradição e contemporaneidade, e uma dose necessária de entretenimento cultural que garante os teatros funcionando e o público frequentando.

Neste fim de semana, quem procura opções culturais na capital pernambucana encontra desde Mel Lisboa revisitando Rita Lee até experimentos de teatro físico, passando por peças gratuitas e produções que custam o preço de um jantar. É a cultura como ela é no Recife-Pernambuco: nem sempre excepcional, mas presente e acessível, que pode trazer conforto ou gerar discussão.

Mel Lisboa retorna ao papel que a consagrou. E exibe no Teatro Luiz Mendonça seis sessões de Rita Lee – Uma Autobiografia Musical (18 a 21/09). Desta vez baseada na autobiografia da cantora (bestseller com 200 mil exemplares), sob direção de Márcio Macena e Débora Dubois, a montagem transforma confissão editorial em partitura cênica, explorando “honestidade escancarada” como material dramatúrgico. A produção revisita a trajetória da artista desde a infância até seus últimos dias, com orquestra ao vivo e elenco que inclui Bruno Fraga como Roberto de Carvalho. O espetáculo ocupa o teatro quinta e sexta às 20h, sábado às 16h e 20h, domingo às 15h e 18h.

Se Rita Lee explora a autobiografia através da palavra e da música, outro trabalho investiga memórias e corporeidades de forma completamente diversa. Representando 25 anos de pesquisa franco-brasileira, Enquanto você voava, eu criava raízes (Cia. Dos à Deux) consolida a linguagem de André Curti e Artur Luanda Ribeiro, que prescinde da palavra para investigar corporalidades em trânsito. Premiado por APTR e Shell, o trabalho é bonito, com pesquisa consistente e entrega física surpreendente, que reserva momentos inesperados ao público. O espetáculo dialoga com tradições europeias sem perder especificidade brasileira, seguindo a linha de investigação que caracteriza o grupo. É um dos pontos altos da agenda cultural. A intimidade do teatro pequeno potencializa a recepção.

Enquanto você voava, eu criava raízes, espetáculo de excelente qualidade técnica e pesquisa de linguagem

Também navegando entre memória e identidade, mas com outra abordagem performática, Sharlene Esse, primeira dama trans do Teatro Pernambucano e referência LGBTQIA+ consolidada há quatro décadas na cena local, retorna aos palcos em O Shá da Meia Noite, comédia que problematiza disputas por estrelato. Com 40 anos de carreira, Sharlene continua sendo presença fundamental no teatro pernambucano, em trama de intrigas artísticas entre cantora veterana e coristas invejosos.

Ainda na trilha dos solos autobiográficos, a artista Hhblynda ocupa o Espaço O Poste (Rua do Riachuelo, 641, Boa Vista) nesta sexta-feira, 19/09, às 19h, com HBLYNDA EM TRANSito, criação que mescla performance, dança, música e teatro. O espetáculo compartilha suas vivências atravessando infância, descobertas da sexualidade e o florescer da identidade não binária. Ingressos: R$ 15 (meia) e R$ 30 (inteira).

Da performance autobiográfica para a dança como linguagem ancestral, Babi Johari e Caio Pinheiro apresentam gratuitamente no Teatro Arraial o espetáculo Híbridos – Enlaces, que explora ancestralidade das conexões através de dança fusionada de base oriental árabe, buscando liberdade nos movimento.

Contrastando com abordagens mais intimistas, a tecnologia se faz presente com The Jury Experience, adaptação brasileira de formato internacional dirigida por Talita Lima, que o Teatro RioMar apresenta no sábado (20), às 20h30. O espetáculo transforma espectadores em jurados de caso criminal fictício, utilizando códigos QR e interatividade digital para questionar limites entre ficção e realidade. A dramaturgia participativa de 75 minutos coloca decisões éticas nas mãos do público, buscando criar uma experiência imersiva onde cada sessão pode ter desfecho diferente dependendo das escolhas da plateia. Ingressos a partir de R$ 60.

Murilo Freire em Esquecidos por Deus

Voltando ao formato mais tradicional do teatro, Murilo Freire traz ao SESC Goiana nos dias 19, 20, 26 e 27/09, às 19h30, o drama Esquecidos por Deus, com entrada gratuita. O monólogo, baseado na obra O Livro das Personagens Esquecidas de Cícero Belmar, apresenta o ator interpretando diferentes personagens em uma encenação que preza pela proximidade com a plateia. O ator interpreta um bandido que se crê Deus. Lembranças saudosas de uma infância. Da irmã, do pai, da mãe… Um capanga grotesco arranca risos. Um casal é feito refém.

Enquanto o teatro explora as múltiplas facetas da linguagem cênica, a dança encontra seu espaço coletivo no Shopping Patteo Olinda, que recebe nos dias 20 e 27 de setembro, a partir das 16h, o 3º Festival de Dança e Cultura, também gratuito, reunindo mais de 30 grupos e escolas de dança com apresentações que vão do balé ao jazz.

A programação de festivais ganha continuidade com o Teatro Hermilo Borba Filho, que inaugura o Festival Cachoeira das Artes na sexta (19) com O Menestrel recita ‘O Guardador de Rebanhos’, às 19h30. O espetáculo, com direção de Márcio Fecher e música ao vivo do grupo Los Negrones, recria a atmosfera lírica do heterônimo Alberto Caeiro, de Fernando Pessoa.

A música encontra protagonismo em duas noites do 18º Festival Internacional Cena CumpliCidades no Teatro do Parque. Na sexta (19), às 20h, a trombonista Neris Rodrigues apresenta Músicas do Mundo, seu primeiro projeto autoral com orquestra, explorando sonoridades que transitam entre jazz, música brasileira e world music. No sábado (20), também às 20h, a Banda Chanfrê – formação franco-brasileira que reúne músicos franceses e pernambucanos – apresenta fusão entre música francófona, jazz e ritmos do Recife, criando pontes sonoras entre duas culturas. Ingressos: R$ 20 (meia para todos).

Paulo Cesar Freire no papel de Francisco, um instrumento de paz, com texto e direção de Roberto Costa. Foto: Renan Andrade

Das fusões musicais contemporâneas para a tradição religiosa musicada, Francisco, um instrumento de paz sobe ao palco do Teatro Guararapes no dia 19/09, às 20h, com texto e direção de Roberto Costa. O musical promete uma experiência de fé e arte para todos os públicos, religiosos ou não. A história de Francisco de Assis é apresentada desde sua infância, passando pelos conflitos familiares, sua ida à guerra, a prisão e a conversão nas ruínas de São Damião. A peça narra sua poderosa transformação, que o levou a viver o evangelho na prática e a criar a ordem dos frades menores, sempre pautado pela caridade e pelo amor ao próximo. Para dar vida ao santo, o ator Paulo Cesar Freire foi convidado, e a produção conta com um grande elenco de músicos, atores e cantores. A trilha sonora será executada ao vivo, sob a direção musical da maestrina Hadassa Rossiter, do Conservatório de Música de Pernambuco. Valores: de R$ 50 a R$ 150.

A programação contempla ainda o público infantil, com o domingo (21) oferecendo três opções especiais. O Mundo Mágico de Peter Pan no Teatro Barreto Júnior (16h) traz o musical inspirado na obra de J.M. Barrie, acompanhando os irmãos Wendy, João e Miguel em sua jornada à Terra do Nunca, onde enfrentam o Capitão Gancho. Ingressos: R$ 50 (meia) e R$ 100 (inteira). Já no teatro Hermilo, a palhaça Gardênia, vivida por Luíza Fontes, embarca em uma aventura que promete ser divertida e emocionante em A Boba, uma jornada  (16h), enquanto os Irmãos Gandaia apresentam Balaio (17h30), espetáculo que celebra a cultura pernambucana com circo, dança e música.

Ainda na programação adulta do sábado, o clássico naturalista Raimundo (20h, Teatro Barreto Júnior), inspirado em O mulato de Aluísio Azevedo, ganha adaptação de Taveira Junior e direção de Filipe Enndrio. A trama acompanha Raimundo, um jovem culto que retorna da Europa e se depara com os preconceitos, segredos e hipocrisias de uma sociedade marcada pelo racismo e pelas convenções sociais do século XIX. O espetáculo marca a conclusão da Turma de Iniciação Teatral para Adultos do Espaço de Artes Teatralizar.

🎭 SERVIÇO 

QUINTA-FEIRA (18/09)

Rita Lee – Autobiografia Musical – 20h – Teatro Luiz Mendonça
Balaio de Memórias (FETED) – 19h – Teatro Apolo – R$ 20
O Shá da Meia Noite – com Sharlene Esse – 19h30 – Teatro Santa CRuz – Gratuito
Enquanto você voava, eu criava raízes – Cia. Dos à Deux – 20h – Teatro da Caixa, 15/30

SEXTA-FEIRA (19/09)

Enquanto você voava, eu criava raízes – Cia. Dos à Deux – 20h – Teatro da Caixa, 15/30
HBLYNDA EM TRANSito – 19h – Espaço O Poste – R$ 15/30
O Shá da Meia Noite – com Sharlene Esse – 19h30 – Teatro Santa CRuz – Gratuito
Esquecidos por Deus – 19h30 – SESC Goiana – GRATUITO
O Menestrel recita O Guardador de Rebanhos – 19h30 – Teatro Hermilo – R$ 15/30
Francisco, um instrumento de paz – 20h – Teatro Guararapes – R$ 50 a 150 Sessão Única
Músicas do Mundo – 20h – Teatro do Parque – R$ 20
Rita Lee – Autobiografia Musical – 20h – Teatro Luiz Mendonça
O Sistema Morreu (FETED) – 19h – Teatro Apolo – R$ 20
Híbridos – Enlaces – 19H – Teatro Arraial – GRATUITO

SÁBADO (20/09)

Enquanto você voava, eu criava raízes – Cia. Dos à Deux – 20h – Teatro da Caixa, 15/30
Esquecidos por Deus – 19h30 – SESC Goiana – GRATUITO
CALIUGA + Leitura Por Elise – 17h e 19h30 – Teatro Hermilo – R$ 15/30
Banda Chanfrê – 20h – Teatro do Parque – R$ 20
Raimundo – 20h – Teatro Barreto Júnior
Rita Lee – Autobiografia Musical – 16h e 20h – Teatro Luiz Mendonça
The Jury Experience – 20h30 – Teatro RioMar – A partir de R$ 60
3º Festival de Dança – 16h – Shopping Patteo Olinda – GRATUITO
Sonho de uma Noite de Verão (FETED) – 16h – Teatro Apolo – R$ 20
Sonetos para um quase amor (FETED) – 19h – Teatro Apolo – R$ 20
Híbridos – Enlaces – 19H – Teatro Arraial – GRATUITO

DOMINGO (21/09)
O Mundo Mágico de Peter Pan – 16h – Teatro Barreto Júnior – R$ 50/100
A Boba, uma jornada – 16h – Teatro Hermilo – R$ 15/30
Balaio (Irmãos Gandaia) – 17h30 – Teatro Hermilo – R$ 15/30
Rita Lee – Autobiografia Musical – 15h e 18h – Teatro Luiz Mendonça
Três Histórias (FETED) – 16h – Teatro Apolo – R$ 20
De Noite, Sombras e Ausências (FETED) – 19h – Teatro Apolo – R$ 20

INFORMAÇÕES GERAIS
FETED continua até 28/09 no Teatro Apolo
Festival Cachoeira das Artes: @cachoeiradasartes
Cena CumpliCidades: cenacumplicidades.com | @ccumplicidades
A programação cultural conta com apoio do Funcultura, Fundarpe, FUNARTE e diversos parceiros culturais da cidade.

 

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