Meninos pelados partem por outras geografias

A peça A terra dos meninos pelados, montada em 2002 pelo Grupo Teatral Arte em Foco, deu um impulso à carreira do diretor Samuel Santos. Lúdica e respeitando a inteligência do público, a montagem conquistou o respeito na cena teatral recifense.

A companhia volta a apresentar o espetáculo no 8º Festival de Teatro para Crianças de Pernambuco nos dias 16 e 17 de julho, no Teatro Barreto Júnior, no Pina.

Antes dessas duas sessões, a trupe cumpre agenda em várias cidades, dentro do projeto Itinerância – Geografia Poética. A equipe viajou hoje e vai passar pelos estados do Rio Grande do Norte, Sergipe, Paraíba, Alagoas.

O projeto foi contemplado com Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz 2010- Circulação de espetáculos. E encerrará a turnê em frente à casa que foi de Graciliano Ramos, em Quebrangulo, interior de Alagoas.

A peça é baseada na novela A Terra dos Meninos Pelados, composta por Graciliano Ramos, em 1937, assim que sai da cadeia. O escritor alagoano foi perseguido graças a uma vaga acusação de subversão comunista e preso em março de 1936, bem no auge da ditadura Vargas.

Na história, Raimundo é alvo das chacotas dos colegas por ser careca e ter um olho azul, outro preto. Ele logicamente sofre com a situação. E um dia, cansado com o que atualmente chamamos de bullying, resolve partir para a terra de Tatipirun, onde “todos os caminhos são certos” e se aplainam para ele passar. Ele aprende lições de geografia e depois entende os ensinamentos ao campo da geografia política.

A terrra dos meninos pelados defende a convivência entre diferenças humanas. E que o grande barato pode ser exatamente esse: ser diferente do outro.

Serviço
A Terra dos Meninos Pelados, Grupo Teatral Arte em Foco (Recife / PE)
Quando: Dias 16 e 17de julho, às 16h30
Onde: Teatro Barreto Júnior (Rua Estudante Jeremias Bastos, 121, Recife)
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia)
Duração: 55 minutos

A terra dos meninos pelados será exibida nos dias 16 e 17 de julho. Foto: Aryella Lira

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Peças do 8º Festival de Teatro para Crianças de Pernambuco

Encantadores de histórias, do Grupo Caixa de Elefante de Porto Alegre

A construção de uma cidade imaginária, os ímpetos de liberdade de uma abelhinha, dois mambembes que saem pelo mundo a contar histórias, a amizade entre o palhaço e uma garota e muita imaginação fazem parte dos enredos das peças do 8º Festival de Teatro para Crianças de Pernambuco deste fim de semana.

No palco do Teatro Marco Camarotti, do Sesc de Santo Amaro, o Grupo Teatro Marco Zero apresenta Minha cidade. Na peça, duas crianças constroem uma cidade imaginária. Para isso, além de criatividade, elas usam peças do jogo Brincando de Engenheiro e solicitam ajuda da plateia.

A colorida montagem Meu reino por um drama, da pernambucana Métron Produções, ocupa o palco do Teatro Luiz Mendonça, no Parque Dona Lindu. O público acompanha a saga de uma abelhinha que resolveu conhecer o mundo e sai em busca de aventuras fora da colmeia.

De Porto Alegre, Rio Grande do Sul, vem a elogiada encenação Encantadores de histórias, a companhia Caixa do Elefante Teatro de Bonecos. Eles mostram no Teatro Barreto Júnior o percurso de dois mambembes que saem pelo mundo transportando uma carroça, munida de uma bateria musical. Eles apresentam dois contos de Hans Christian Andersen: O soldadinho de chumbo e Tudo está bem quando acaba bem.

E tem início também a programação gratuita do Polo Praças. A sede da Escola Pernambucana de Circo, na Macaxeira, Zona Norte do Recife, abriga duas peças no domingo. A primeira é Popularesco e a menina do canto livre, às 15h30, que com elementos da cultura popular nordestina conta a amizade entre um palhaço e uma garota. A segunda, da Cia. Enlassos, Assim me contaram, assim vou contando, às 17h30, explora personagens de livros de fábulas, como o porquinho Comilão e a centopeia Doroteia.

SERVIÇO
8º Festival de Teatro para Crianças de Pernambuco

Espetáculo Minha cidade, com o Grupo Teatro Marco Zero
Quando: Hoje e amanhã, às 16h30
Onde: Teatro Marco Camarotti, Sesc de Santo Amaro
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia)
Duração: 50 minutos

Espetáculo Meu reino por um drama, da Métron Produções
Quando: Hoje e amanhã, às 16h30
Onde: Teatro Luiz Mendonça, Parque Dona Lindu
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia)
Duração: 50 minutos

Espetáculo Encantadores de histórias, do Grupo Caixa do Elefante Teatro de Bonecos, de Porto Alegre (RS)
Quando: Hoje e amanhã, às 16h30
Onde: Teatro Barreto Júnior
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia)
Duração: 50 minutos

Espetáculo Popularesco e a menina do canto livre
Quando: domingo às 15h30,
Onde: sede da Escola Pernambucana de Circo, na Macaxeira, Zona Norte do Recife
Informações: (81) 3088-6650

Espetáculo Assim me contaram, assim vou contando, Cia. Enlassos
Quando: domingo às 17h30
Onde: sede da Escola Pernambucana de Circo, na Macaxeira, Zona Norte do Recife
Informações: (81) 3088-6650

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Oficina gratuita de História do teatro de bonecos

O teatro de bonecos tem história e a pesquisadora Ângela Belfort vai contar esse percurso numa oficina gratuita que ministrará na Casa da Cultura, no Recife. As aulas serão de segunda a sexta-feira, das 14h às 18h. A oficina é o segundo módulo do curso básico de formação de bonequeiros, que teve início em junho. Os interessados podem participar dos módulos isoladamente. Inscrições pelo telefone da Casa da Cultura: 3184-3152. A promoção é do Ponto de Cultura Bonecos de Pernambuco.

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Caixas de afeto

Peça trata da dificuldade de comunicação entre pai e filho. Fotos: Ivana Moura

O Homem Que Amava Caixas é um emocionante espetáculo para as crianças de ontem e os adultos de amanhã. A peça mostra a dificuldade de um filho de se aproximar do pai. Ele é pequeno e tem seus medos e fantasias. Já o adulto, aficcionado por caixas de todos os tipos e tamanhos, também não consegue se aproximar do garoto.

O homem do título parece tímido e com certeza não tem muitas habilidades comunicativas. Mas eles se amam e esse obstáculo será ultrapassado no decorrer da encenação.

A peça é inspirada no livro do australiano Stephen Michael King e A Cia. de Teatro Artesanal investe na beleza plástica da montagem: todo o visual é muito cuidadoso, como as roupas do eleneco.

O trio de atores é Márcio Nascimento, que representa o pai, Bruno Oliveira e Marise Nogueira, que trabalham com manipulação de bonecos. Eles utilizam com maestria a técnica de manipulação direta e conseguem congregar o universo mágico dos títeres com a cena de atores humanos e suas máscaras. O resultado é muito bonito. Em determinado momento, parece que o menino virou gente de verdade, com todas as suas pequenas falhas – medo de criança, receio de ser repreendido ou rejeitado. A ternura emana das mãos dos atores e contagia os bonecos.

Montagem é da Cia de Teatro Artesanal, do Rio de Janeiro

O espetáculo tem poucas falas e silêncios que dizem muito. A montagem, que tecnicamente é muito bem resolvida, dialoga com o cinema como a criação de planos, simultaneidade de ações. Uma sequência belíssima é quando o pai ator sai de cena para entrar o ambiente do bonecos e as ações de empinar pipa passa na janela. Ressalta aí também a distância de mundos. Numa mesma casa em que vivem o pai, o filho e o cachorro (sem nenhuma presença feminina) parece que eles habitam em universos diferentes. O claro escuro da peça remete à estética do cinema expressionista.

O Homem que amava caixas aposta no universo minimalista com canções curtas, sons onomatopeicos enquando expande as possibilidades imagéticas e sensoriais da cena. A música original e o desenho de som são de Daniel Belquer e o desenho de luz, que salienta a temperatura das relações, é assinado por Jorginho de Carvalho. Algumas das imagens dessa peça vão se alojar na memória afetiva.

Grupo fez duas sessões no Recife

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O homem que amava caixas no Festival da Criança

O homem que amava caixas abriu programação do festival infantil. Fotos: Ivana Moura

O homem que amava caixas merece os adjetivos delicado, lúdico, sensível. O espetáculo da Cia. de Teatro Artesanal, do Rio de Janeiro, inspirado no livro do australiano Stephen Michael King, está em cartaz ainda neste domingo, no Teatro Marco Camarotti, dentro da programação do 8º Festival de Teatro para Crianças de Pernambuco.

A trupe imprime beleza plástica à encenação para tratar de um tema preocupante: a dificuldade que pai e filho têm para se aproximar. A Companhia mistura interpretação de atores, bonecos e máscaras para contar essa história com poucas palavras e muitos silêncios que falam, que emocionam.  A trilha sonora composta exclusivamente para a montagem faz reverberar os climas de tristeza ou de solidão do menino e as limitações de comunicação do pai.

Grupo do Rio de Janeiro faz última sessão hoje à tarde

O cenário é formado por caixas de vários tamanhos, que se transformam em castelo, montanha e aviões. A iluminação dá ritmo à narrativa, nos seus jogos de esconder e mostrar. Vestidos como num conto de fadas, o trio de atores desempenha com maestria suas funções. São eles Márcio Nascimento, que representa o pai, e Bruno Oliveira e Marise Nogueira, que manipulação de bonecos. A direção de O homem que amava caixas é de Gustavo Bicalho e Henrique Gonçalves.

Serviço:

O homem que amava caixas, Com a Cia. de Teatro Artesanal, do Rio de Janeiro, no 8° Festival de Teatro para Crianças de Pernambuco
Quando: hoje, às 16h30
Onde:  Teatro Marco Camarotti (Sesc Santo Amaro – Praça do Campo Santo, Santo Amaro)
Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia)
Classificação:Livre
Duração média: 45 minutos
Informações: (81) 3216-1728

Confira vídeo da companhia:

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