Julgamento de Hamlet, Cabaré e A Visita

Espetáculo Por favor, Continue (Hamlet) conta com a participação de não atores. Foto: Divulgação

Espetáculo Por favor, Continue (Hamlet) conta com a participação de não atores. Foto: Divulgação

janeiro-de-grandes-espetáculos-SSSSHamlet, de William Shakespeare é uma mina inesgotável de enigmas sobre o homem e a justiça. Ao fingir-se de louco e refletir profundamento sobre o pedido de vingança pelo espectro do pai, Hamlet avança num labirinto complexo e surpreendente. Os encenadores Roger Bernat e Yan Duvyendak recorrem ao personagem mais famoso do bardo inglês em Por favor, Continue (Hamlet). Na montagem espanhola, a irrepetibilidade do teatro ganha força. Um experimento que reúne atores e profissionais da justiça, do local em que é encenado. A advogada e professora Liana Cirne Lins é uma das pessoas que vai fazer parte do júri, entre outros profissionais da área jurídica. A apresentação ocorre hoje e amanhã, no Salão Nobre da Faculdade de Direito do Recife. Liana será a advogada de Hamlet na apresentação de amanhã. A entrada é gratuita, os ingressos serão distribuídos com uma hora de antecedência, e a peça tem duração prevista de duas horas e meia.

Fazer a realidade julgar a ficção, utilizando o procedimento criminal em vigor no país da exibição é um procedimento contundente. A fábula expõe um jovem que mata o pai de sua namorada, durante uma festa de casamento em um subúrbio. A única testemunha do ato é a mãe do jovem. Os nomes reais foram substituídos por nomes de ficção: o acusado é Hamlet; Polônio a vítima; a ex-namorada do acusado, Ofélia é a autora da denúncia; a mãe, Gertrudes. Hamlet assegura que o homicídio foi um acidente. Ofélia quer a pena máxima para o assassino de seu pai.

Se Hamlet é culpado; se foi premeditado é o que o júri vai decidir. Ao recrutar esses espectadores emancipados Roger Bernat e Yan Duyvendak transformam esse espaço cênico em ágora, em que os habitantes de uma cidade podem dar sentido a polis, aos destinos da polis. Por outro lado, a dupla de encenadores também reforça que, mesmo diante de regras previamente estabelecidas, o resultado de um julgamento também é uma combinação de subjetividades, pois as leis se abrem a variadas interpretações. Os excessos e absurdos do sistema capitalista estão na mira da dupla. E eles questionam como os valores de algumas subjetividades, a partir de quem tem o poder de julgar – e condenar – impõe suas decisões ao coletivo em detrimento da pluralidade.

Please,  Continue  (Hamlet)  /  Por  Favor,  Continue  (Hamlet)  (Roger  Bernat  –  Espanha)Quando: Dias  12  e  13  de  janeiro  de  2016  (terça  e  quarta),  19h30,
Onde: Salão Nobre da Faculdade de Direito do Recife
Quanto: gratuito  (distribuição  de  senhas a partir de 1h antes)
Duração: 2h30
Classificação etária: a partir de 14 anos

 Autoria e direção cênica: Roger Bernat e Yan Duvyendak
Direção técnica: Txalo Toloza
Produção executiva: Helena Febrés Fraylich

Cabaré Diversiones. Foto: Sulamita Ferreira.

Cabaré Diversiones. Foto: Sulamita Ferreira.

O Vivencial foi um grupo de subversão e desbunde dos anos 1970. Na época, Henrique Celibi era o caçula do grupo. Ele resgata esse clima irreverente e debochado, desbocado, malicioso e sensual na montagem.  Personagens e números musicais do passado combinam com novos textos, numa grande colagem. Um exercício de liberdade.

Cabaré Diversiones (Produção: Henrique Celibi – Olinda/PE)
Quando: Dia 12 de janeiro de 2016 (terça), 20h,
Onde: Teatro Apolo
Quanto: R$ 20 e R$ 10
Duração: 1h40
Classificação etária: a partir de 16 anos

Textos: Carlos Eduardo Novaes, Glauco Matoso, Fernando Pessoa, Luiz Fernando Veríssimo, Guilherme Coelho e Henrique Celibi
Cenário, coreografia, figurino, roteiro, trilha sonora e direção: Henrique Celibi
Iluminação: Beto Trindade
Preparação vocal: Cindy Fragoso
Operação de som e luz: Renato Parentes
Elenco: Carlos Mallcom, Cindy Fragoso, Filipe Enndrio, Flávio Andrade, Henrique Celibi, Ítalo Lima, Robério Lucado, Sharlene Esse e Valeska Nascimento, com participação especial de Ághata Simões

A Visita, com o ator Severino Florêncio (PE). Foto: Marcos Nascimento

A Visita, com o ator Severino Florêncio (PE). Foto: Marcos Nascimento

Antônio retorna ao lugar da sua infância e encontra tudo mudado. Um deserto de pessoa e de animal. Os homens viraram uma mistura de gente, barro e bicho. O personagem busca na memória o sentido da vida para povoar de afetos o vazio do lugar e do seu coração.

A Visita (Grupo de Teatro Arte­Em­Cena – Caruaru/PE)
Quando: Dias 12 e 13 de janeiro de 2016 (terça e quarta), 20h
Onde: Teatro Capiba (SESC Casa Amarela)
Quanto: R$ 20 e R$ 10
Duração: 1h
Classificação etária: a partir de 12 anos

Texto: Moncho Rodriguez
Direção, figurino, adereços e maquiagem: Nildo Garbo
Iluminação: Edu de Oliveira
Execução de adereços: Naldo Fernandes
Execução de figurino: Iva Araújo
Cenotécnico: Arnaldo Honorato
Produção e atuação: Severino Florêncio

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Sistema tibetano para atores

Junior Sampaio - Foto de Pedro Portugal

janeiro-de-grandes-espetáculos-SSSSHá mais de 20 anos, Portugal acolheu o pernambucano Júnior Sampaio. Em terras lusas, Sampaio criou o ENTREtanto TEATRO, companhia que já realizou, por exemplo, 18 mostras internacionais de teatro. Em todos esses anos, como dramaturgo, Júnior Sampaio escreveu 20 textos adultos e oito textos voltados para a infância e juventude, e coordenou 45 produções com apresentações nacionais e internacionais.

Nos últimos três anos, o pernambucano com sotaque português, filho mais novo de uma família de sete irmãos de Salgueiro, se dedicou ao mestrado em Interpretação/Encenação na Escola Superior de Música, Artes e Espetáculo, na cidade do Porto. Foi aprovado com nota máxima por unanimidade.

Sampaio estudou as aplicações do método Kum Nye, um sistema da medicina tibetana, na criação artística. O método já foi aplicado numa produção pernambucana: A Troiana Hécuba, que estreou em 2014, com atrizes experientes da cena pernambucana. Neste 22º Janeiro de Grandes Espetáculos, Júnior Sampaio volta a trabalhar o método na oficina A Poética do Equilíbrio: O Método Kum Nye na Criação Artística, que começa nesta segunda-feira (11) e segue até o dia 22 de janeiro. No dia 22, a aula será aberta ao público. São apenas 20 vagas, voltadas para atores com experiência. As aulas serão de segunda a sexta, das 14h30 às 17h30, no Espaço Vila, em Santo Amaro. O investimento é de R$ 100. Outras informações pelo telefone 3048-6066.

Para quem ficou interessado no tema do mestrado de Sampaio, mesmo que não vá fazer a oficina, conversamos com ele sobre o método, as aplicações do procedimento para os atores e os intercâmbios entre Portugal e Brasil.

ENTREVISTA // JÚNIOR SAMPAIO

Do que se trata o método Kum Nye?
O Kum Nye é um sistema da medicina tibetana que envolve técnicas de relaxamento, através de automassagem, meditação, mantras, exercícios de respiração e movimentos sutis, adaptados aos tempos modernos e ocidentais por Tarthang Tulku – Lama-Chefe do Centro Tibetano de Meditação Nyingma e do Instituto de Nyingma de Berkeley, na Califórnia. A referência documental do Kum Nye está contida nos textos médicos tibetanos, bem como nos antigos textos do Budismo, e foca-se no viver de acordo com as leis físicas e universais, incluindo extensas descrições de práticas de tratamento.

Qual era o enfoque da sua pesquisa de mestrado?
A pesquisa A Poética do Equilíbrio: O Método Kum Nye na Criação Artística trata da análise dos resultados da experimentação e aplicação do método Kum Nye na direção de atores em três fases de uma experiência, que resultam em três montagens distintas de A Troiana Hécuba, criada a partir da tragédia grega As Troianas, de Eurípides. A experimentação e sistematização deste método com atores profissionais, formandos e amadores oriundos de diversas áreas, de variadas escolas e de diferentes fazeres teatrais, tem início em 2013, no primeiro e no segundo ano do meu mestrado, com duas fases, na cidade do Porto, em Portugal.

No ano seguinte, a análise e a construção do método são aprofundadas e aplicadas em mais um experimento artístico com atores profissionais, aqui no Recife. A pesquisa do Kum Nye para e na criação cênica é um trabalho estruturado e baseado nas competências técnicas ao nível de corpo, voz, mente, energia e interpretação, que se desenvolve enquanto experimentos dramáticos através de exercícios específicos do Kum Nye, pretendendo que o ator amplie a sua atitude reflexiva nas descobertas dos centros energéticos da vivência teatral a partir do equilíbrio.

A prática do Kum Nye requer honestidade e aceitação, paciência e disciplina e, principalmente, disponibilidade para o desconhecido, deixando o praticante perceber como, e até que ponto, este método pode aprimorar de forma sutil a interpretação versátil dos atores.

Os exercícios do Kum Nye selecionados para a pesquisa encontram-se registados nos livros Gestos de Equilíbrio (Tulku, 2009) e Kum Nye – Técnicas de Relaxamento (Tulku, 1993) e são executados conforme o ritmo suave do Kum Nye, a fim de conduzir o ator a obter um autocontrole corporal e mental, eliminando as zonas de tensões, ultrapassando as dores musculares, reorganizando a postura do corpo, entrando em contato direto com o estado emocional do momento, aumentando a serenidade e, principalmente, vivenciando os experimentos sem se importar com rótulos, visto que, neste método, o mais importante é a experiência em si.

Como o método foi aplicado especificamente no espetáculo A Troiana Hécuba, que estreou no último Janeiro de Grandes Espetáculos?
Apesar de utilizar o Kum Nye na minha experiência profissional – ator, formador e encenador, desde 1986, são as três montagens de A Troiana Hécuba que estruturam esse método para a direção de ator. Os universos do Teatro e do Kum Nye são extremamente amplos e o objetivo principal da pesquisa é apostar na articulação desses dois universos. A montagem no Recife foi intensiva e inserida dentro de um Festival Internacional de Teatro, numa residência artística, com atores profissionais convidados a experimentar o Kum Nye pela primeira vez, resultando em duas apresentações públicas no Teatro Marco Camarotti, no Sesc Santo Amaro. É preciso deixar claro que esta criação foi apresentada ao público como um exercício teatral, mas dado envolver atores reconhecidos, as expectativas geradas no meio teatral da cidade do Recife e no público em geral, com todos os prós e os contras, passam a fazer parte diretamente da experiência.

Auricéia Fraga em A Troiana Hécuba. Foto: Reprodução facebook

Auricéia Fraga em A Troiana Hécuba. Foto: Reprodução facebook

Como foi, na ocasião, trabalhar principalmente com mulheres tão experientes?
O ator, ao longo da sua carreira, pode ir adquirindo vícios – para muitos são verdadeiras descobertas da interpretação – que interferem na criação e o impedem de recomeçar um processo criativo sem as influências de tais ruídos. A necessidade de uma limpeza ordenada, nos processos de criação, torna-se crucial para que o ator adquira uma vivência cénica inusitada. O Kum Nye é por natureza um método de limpeza e a sua prática requer uma convivência espontânea com os processos naturais do cosmo, exercitando o desapego e deixando o novo surgir, tornando-se parte do experimento.

Será que o problema maior do ator, atualmente, passa por não desbloquear os seus pontos/centros energéticos, limitando a sua comunicação com os espetadores e com os outros elementos do universo teatral? Como é que o Kum Nye pode proporcionar, conscientemente, este desbloqueio?

Na nossa experiência, em princípio, cabe a cada participante descobrir, com a autoanálise, os seus limites, vícios e bloqueios, e também cabe a cada um o desejo de ultrapassar as suas próprias descobertas. O melhor mestre, neste caso, é o próprio participante. Aqui, concordando plenamente com Tarthang Tulku: “Em última análise, o nosso melhor mestre somos nós mesmos. Quando estamos abertos, atentos e alertas, então poderemos nos guiar corretamente.” (Tarthang Tulku, Gestos de Equilíbrio).

No caso, por se tratar de uma experiência artística, com prazos determinados, o diretor alerta cada participante para as suas virtudes e as suas falhas, se assim se podem qualificar, para a criação pretendida. Ao mesmo tempo, conclui-se que esta qualificação pode ser invertida na próxima criação: a virtude passa a ser falha e a falha passa a ser virtude.

A experiência comprova que todos os participantes que se disponibilizam para os experimentos, equilibram o seu corpo e a sua psique, melhoram a concentração e renovam a clareza dos sentidos. E mais, estimulam e transformam as energias correntes em energias artísticas, utilizando os exercícios de Kum Nye adaptados para e na criação artística. São encontros momentâneos que não perduram, mas ficam gravados na memória de todos.
E cabe a cada um deles saber se deseja remexer em si mesmo, remexer nos seus sentimentos, nas suas razões e continuar permitindo, mais uma vez, que a sua criatividade e a sua inteligência seja usada em prol da sua arte. E aqui, o equilíbrio pode levar o ator a uma maior versatilidade consciente ao longo da sua carreira artística, desde que fuja dos apegos que inflamam o ego.

O ator deve entrar em cena livre de julgamentos e deixar que a sua intuição, trabalhada por técnicas, o conduza a uma vivência cénica pré-estabelecida por ele e pelo encenador, deixando que as demais criações e os espetador alterem sutilmente as suas emoções. Os espaços a serem preenchidos por essas sutilezas são infinitos e, de maneira alguma, seguir as diretrizes do diretor transforma o ator em marioneta. Não o transforma em comandado porque o Kum Nye é um método que trabalha delicadezas, doses mínimas de energia, sensações e emoções.

No caso particular da nossa experiência, procurou-se a profundeza da alma de uma rainha sem chão e um mensageiro sem voz, ambos sofrendo a dor de uma guerra, onde vencedores e vencidos perdem. Um caminho difícil de percorrer, porque o percurso se dirige para o interior de cada ator, encontrando energias sutis da dor, da destruição, da solidão e do vazio, com o intuito de transformar tudo em poesia cénica, através das técnicas do Kum Nye.

Assim, durante o processo, as experimentações seguiram-se, exaustivas e aprazíveis, dolorosas e suaves, tensas e relaxadas, ricas e pobres, doces e salgadas. E o meu desejo final é de que os participantes mantenham a tão ouvida negação do verbo apegar: Não se apeguem, pois toda experiência se encerra em si e aquilo que cada um consegue hoje é exatamente aquilo que nunca mais se consegue, pois tanto no Teatro como no Kum Nye nada se repete.

Não posso deixar de agradecer publicamente aos 16 atores que participaram nesta experiência… E aqui, registro os nomes dos sete atores, Auricéia Fraga, Fátima Aguiar, Isa Fernandes, Lano de Lins, Nilza Lisboa, Sônia Bierbard, e Zuleica Ferreira. Em primeira e última análise, foram eles que disponibilizaram as suas corporificações – energia, alma, corpo, voz e interpretação… – para refletirmos sobre o ofício do Ator.

Como será a oficina que você vai ministrar no Janeiro? Existe a pretensão de que a oficina gere um espetáculo?
Os exercícios do Kum Nye, de uma maneira geral, têm como objetivo levar o praticante a uma consciência corporal e mental no instante da prática, sem se apegar a conceitos e/ou preconceitos e, ao mesmo tempo, criando e desenvolvendo uma consciência que permita uma análise em tempo real do estado corporal – corpo no sentido do Kum Nye: corpo, existência, maneira de se corporificar.

A prática do Kum Nye tem um enfoque básico na respiração e desenvolve-se pela automassagem, pelos movimentos corporais suaves, pela meditação e pelos mantras, resultando numa sensibilidade energética e possibilitando que o ator ganhe um controle sutil dos seus instrumentos de trabalho durante a sua vivência teatral. Esses exercícios estão interligados e complementam-se constantemente. Nenhum deles pode ser isolado durante a prática: um interfere no outro, que imediatamente pede auxílio a um terceiro e assim sucessivamente, tornando-os, muitas vezes, um único exercício, uma maneira de estar, com um leque ilimitado de possibilidades.

Nesta oficina para atores, A Poética do Equilíbrio – O Método Kum Nye na Criação Artística, será aplicado o método, com as suas devidas adaptações, na comédia Os Filhos da Festa, de Júnior Sampaio, a partir de Lisístrata, de Aristófanes. Os resultados dos experimentos artísticos podem se transformar num novo espetáculo teatral, mas só processo poderá indicar o caminho seguinte.

Há mais de 20 anos, o seu trânsito entre Portugal e Brasil, especificamente Pernambuco, é intenso. Como você enxerga as possibilidades de enriquecimento cultural tanto para Portugal quanto para o Brasil com esses processos de intercâmbio que parecem cada vez mais efetivos?
Esta Oficina para Atores vem dar continuidade às coproduções e aos intercâmbios culturais realizados pelo ENTREtanto TEATRO (Valongo – Portugal) e o teatro pernambucano, iniciados, em 1999, com a homenagem à atriz pernambucana Geninha da Rosa Borges no ENTREtanto MIT Valongo – 2ª Mostra Internacional de Teatro – Portugal.

Ao longo destes anos, já passaram pelos palcos da Mostra Internacional de Teatro de Valongo – Portugal vários espetáculos pernambucanos, com nomes que representam o teatro do estado e do Brasil. Entre muitos, podemos destacar Geninha da Rosa Borges, João Denys, Gilberto Brito, Irandir Santos, Arilson Lopes, Pedro Oliveira, Carlos Carvalho, Quiercles Santana, Vivi Madureira, Soraya Silva, Fabiana Pirro, Asaias Lira, Augusta Ferraz, Severino Florêncio, Andréa Rosa, Andréa Veruska, Iara Campos, Jorge de Paula, Tatto Medinni e Marcelo Oliveira.

Também podemos destacar grupos ou produtores como Remo Produções Artísticas, Trupe Ensaia Aqui e Acolá, Parcas Sertanejas, Duas Companhias, N’Útero de Criação, Unaluna, Grupo da Quinta e Teatro Casa, que levaram os seus espetáculos a Portugal, representando da melhor forma o teatro pernambucano. Estes intercâmbios enriquecem o teatro dos dois países e fortalecem culturas que de alguma forma se irmanam.

A bailarina vai às compras, montagem vista no Recife em 2012

A bailarina vai às compras, montagem vista no Recife em 2012

Desde A Bailarina Vai às Compras você não traz um espetáculo como ator ao Recife. Quando será o próximo?
Muito em breve… Um novo monólogo está sendo criado, mas pouco posso adiantar. Como a estrutura ainda se encontra embrionária, tudo que disser pode ser alterado. Assim, prefiro ir amadurecendo as ideias na solidão da criação artística. Ainda estou nos devaneios, nos sonhos, na imaginação do que pode vir a ser esta nova criação. Nesta fase, encontro-me protegido na casa de criação, na paz da meditação do Kum Nye, tentando dar largas às minhas imaginações poéticas…

Para criar, tenho que está no aconchego dos meus ninhos, interior e exterior… Neste momento, tento me alimentar da poesia cênica… Quando estiver saciado, saio dos meus ninhos particulares e volto a partilhar os alimentos com o universo cênico…

Muito em breve, espero…

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Últimos suspiros de Kafka

Manoel constantino traça (junto com Moiséis Neto) o semitranse do escritor tcheco. Foto: Sayonara Freire

Manoel constantino traça (junto com Moiséis Neto) o semitranse do escritor tcheco. Foto: Sayonara Freire

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Franz Kafka (1883-1924) se conectava à vida pela escrita. Mas encarava a dura rotina de advogado empregado numa seguradora. Seu ideal era ser escritor em tempo integral. Esse judeu tcheco, tuberculoso, sofria a inclemência da vida numa Europa intolerante e antissemita. A Última Noite de Kafka, texto de Claúdio Aguiar, ficciona os derradeiros momentos da existência do escritor, alternando estado de lucidez e delírio, quando ele repassa sua vida e dialoga com alguns de seus personagens.

A leitura dramatizada do texto Aguiar, com direção de José Francisco Filho, ocorre nesta segunda-feira (11), a partir das 20h, no Teatro Hermilo Borba Filho, no Bairro do Recife. No elenco estão os atores Manoel Constantino e Moisés Monteiro de Melo Neto. A apresentação integra a programação paralela do 22º Janeiro de Grandes Espetáculos.

Em março de 1924, a tuberculose laríngea de Kafka piorou. Em 10 de abril, ele foi para um sanatório perto de Viena. O texto de Cláudio Aguiar, escrito em versos, constrói a peça justamente neste ponto, quando o dramaturgo Cláudio Aguiar o flagra num delírio onde mistura sua vida e obra.

A causa da morte de Kafka aparentemente foi fome: a condição da garganta fez com que comer se tornasse uma atividade muito dolorosa para ele. Não havia meios de alimentá-lo. Naquele momento, ele estava editando Um Artista da Fome, no seu leito de morte, conto cuja composição tinha sido iniciada antes da sua garganta se fechar ao ponto dele não mais poder se alimentar.

Ele morreu no dia 3 de junho de 1924, em Klosterneuburg, na Áustria. Sua escrita captou a opressão que se instalou no século XX. Quase 100 anos depois da morte do autor de Metamorfose (1915), O Processo (1925), O Castelo (1926), O desaparecido ou Amerika (1927) prosseguimos uma existência cada vez mais kafkiana.

Outras duas leituras estão agendadas no 22º Janeiro de Grandes Espetáculos. São dois textos do teatro espanhol contemporâneo. A peça Os Corpos Perdidos, de José Manuel Mora, sob direção da paulistana Cibele Forjaz, será apresentada pelo elenco do Coletivo Angu de Teatro no dia 20 de janeiro, no Teatro Arraial Ariano Suassuna. E A Paz Perpétua, de Juan Mayorga, dirigida pelo gaúcho Fernando Philbert, será desenvolvida pelo Grupo Magiluth, no dia 21, no Teatro de Santa Isabel. A entrada é franca para ambas as leituras.

Moisés Neto em A última noite de Kafka

Moisés Neto em A última noite de Kafka

Serviço

Leitura dramatizada do texto A Última Noite de Kafka
Quando: Nesta segunda-feira (11 de janeiro), a partir das 20h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho (Av. Cais do Apolo, s/n, Bairro do Recife. Fone: 3355 3321)
Quanto: R$ 5 (preço único promocional)

Texto: Cláudio Aguiar (vencedor do Prêmio Jabuti 2015)
Direção: José Francisco Filho
Elenco: Manoel Constantino e Moisés Monteiro de Melo Neto
Duração: 50 minutos
Classificação etária: a partir de 12 anos

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Em nome do primeiro amor

Matheus Nachtergaele em Processo de Conscerto do Desejo. Foto: Marcos Hermes

Matheus Nachtergaele abre Janeiro de Grandes Espetáculos com Conscerto do Desejo. Foto: Marcos Hermes

janeiro-de-grandes-espetáculos-SSSSQuando entrevistei Matheus Nachtergaele pela primeira vez, ele já havia passado pelo método do diretor paulista Antunes Filho, pela Escola de Arte Dramática (USP-SP), e deixado sua marca no grupo Teatro da Vertigem, dirigido por Antônio Araújo, por sua atuação nos espetáculos Paraíso Perdido e O Livro de Jó. Já colecionava prêmios como Shell, Mambembe e APCA. Foi uma conversa durante as filmagens de O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, dirigido por Guel Arraes, em Cabaceiras, na região do Cariri Velho, a 200 km de João Pessoa. A cidadezinha de apenas três ruas tinha virado um set de filmagem. O cotidiano pacato da população foi alterado com a presença de tanta gente famosa.

Intenso, profundo, boêmio, conversador, bem articulado, magrinho, de uma energia etérea. Matheus Nachtergaele, que interpretava João Grilo, despertava cuidados. Era tanta entrega que parecia que ele poderia explodir. “O tempo vai cuidando de tranquilizar a gente. Mas acho que, daquele tempo, 1998, até agora, acho que estou mais tranquilo. Acho que a minha intensidade talvez fosse um romantismo juvenil, uma entrega muito grande ao personagem, sempre fui muito boêmio. Tinha uma preocupação da produção ‘será que ele vai chegar às 5h da manhã ao set?’. Eu chegava. Mas também não tenho a mesma saúde daquela época para aguentar o tranco.

O ator é uma presença forte no cinema pernambucano. Atuou em quatro filmes de Cláudio Assis: Amarelo Manga, Baixio das Bestas, Febre do Rato e Big Jato. Além de Árido Movie e Sangue Azul de Lírio Ferreira; e Nina, de Heitor Dhalia. Já está com mais um na agulha. Uma adaptação de Nelson Rodrigues dirigida pelo pernambucano Jura Capela, com Lucélia Santos no elenco.

Hoje Nachtergaele abre o festival Janeiro de Grandes Espetáculos com Conscerto do Desejo uma homenagem e tentativa de apaziguamento pela ausência da mãe, que se suicidou quando Matheus tinha três meses. Depois de 30 anos de divã ele resolveu tornar pública essa dor da falta que carrega desde a infância. Acompanhado pelos músicos Henrique Rohrmann (violino) e Luã Belik (violão) o ator faz sua oração profana. Das entranhas, da memória, da imaginação, uma emoção vertiginosa como o primeiro amor que escapou tão rápido.

ENTREVISTA // MATHEUS NACHTERGAELE

Com esse espetáculo, imagino que você está tentando se curar totalmente. Por que você resolveu levar essa inquietação ao palco?
Veja só: comecei a fazer teatro no Antunes Filho. Era 1989. Não estreei nenhuma peça lá. Era o processo de Paraíso Zona Norte, duas peças de Nelson Rodrigues, que ele ia montar; e o trabalho dos atores era muito baseado no trabalho do Kazuo Ohno, o bailarino japonês. Então a gente leu muitos textos de Kazuo Ohno, nem sabia que tinha, mas a gente descobriu na época. Foi a minha primeira experiência teatral realmente. Kazuo Ohno, a física quântica e Nelson Rodrigues eram os nossos três focos. Essa dança expressionista oriental, que tinha o Hijikata e o Kazuo Ohno como pais, essa dança japonesa pós-guerra, o universo de Nelson Rodrigues e a física quântica. Assim eu fui apresentado ao teatro e isso me deixou marcas profundas, até hoje. É claro que eu tive muitas experiências, fui para o Teatro da Vertigem, onde eu fiz o Jó (O livro de Jó), passei pela Escola de Arte Dramática da USP, fiz muito cinema, tive muitos diretores, mas essas coisas me marcaram muito. Dessas coisas todas, alguns princípios me nortearam e me norteiam até hoje. Um deles é o depoimento pessoal. Isso está no Kazuo Ohno, isso está no butô, quer dizer, fazer da sua dor, a dor universal. O trabalho do butô era um trabalho de procurar a sua dor particular e dançar essa dor particular, sem palavras. E isso daria origem, se você fosse um poeta, a uma dança de alguma maneira universal, que atingisse todo mundo, a ideia de que quanto mais você fala do seu quintal, mais você fala do mundo, quanto mais você fala da sua dor, mais você fala da dor de todo homem. Então acho que o processo de Desejo de Conscerto tem a ver com isso. Acho que mais do que nunca estou indo no âmago das minhas questões e acreditando que isso deva fazer sentido para todos nós. Se cada um tem uma grande dor, uma grande perda, uma grande alegria, a minha deve também se comunicar com a dor de todo mundo; e me torna, minha dor especial, igual a todos. Todo mundo tem sua história, suas barbáries e suas maravilhas. Por isso que estou fazendo essa peça. Desde o Woyzeck, em 2005, eu não produzo um espetáculo de teatro. Fiquei muito envolvido com cinema, dirigi um longa-metragem, fiz muitos filmes como ator, muitos trabalhos na televisão e não me ocorria um texto que fosse importante de ser montado. Achava que os meus colegas que faziam teatro, que eu gosto, estavam fazendo teatro que tinha que ser feito, como o Zé Celso, como algumas pessoas que admiro. E me contive. De vez em quando pensava em fazer um Tennessee Williams, por exemplo, logo depois de uns meses de projeto, eu dizia: “não é isso. A veia não é essa!”. Eu tinha feito Woyzeck, que é uma peça determinante, uma peça de texto muito forte, moderno, que inaugura a tragédia moderna. É no Woyzeck que o destino do herói deixa de ser decidido pelos deuses para ser decidido pela sociedade capitalista. É uma peça que fala sobre muitas coisas. Que fala sobre um Brasil que não mudou muito de 2005 para cá. Então eu me sentia um pouco sem tema. Algumas pessoas me diziam: “faz o Hamlet”. Mas o meu Hamlet é o Woyzeck. O meu ser ou não ser estava no Woyzeck. Então me dediquei a outras coisas. Tinha os poemas da minha mãe guardados. Desde os 16 anos que eu tenho esses poemas, eles são o meu único contato oral, mental, racional com a minha mãe. Para mim, minha mãe é uma lembrança, também é uma perda, uma ausência. Eu estive com ela durante doze meses. Dentro do útero e fora do útero. Todo período deu doze meses. Não me lembro disso porque aos três meses é que você cria os primeiros laivos de alteridade. Parece que aos três meses é que a criança saca que existe outro. Até os três meses ela e a mãe são uma coisa só. Então minha mãe se matou justamente quando eu não era mais uma coisa só. Uma mulher inteligente, provavelmente não foi à toa. Não se matou enquanto eu era uma coisa só com ela. Esperou aquele neném entender que ele também existe sozinho e aí ela foi. Eu tinha esses textos como um tesouro. A transmissão oral que me foi possível, intelectual.

Você só teve acesso aos textos aos 16 anos?
Eu tinha 16 anos quando o meu pai me deu, pouco tempo depois de eu saber como ela tinha morrido. Até os 16 anos eu sabia que a minha mãe tinha falecido, que a minha mãe não era minha mãe, minha mãe era uma madrasta, que eu chamo de mãe até hoje, a Carmem, é minha mãe também. Mas eu não sabia como tinha acontecido. Eles demoraram um pouco porque na nossa sociedade o suicídio é uma coisa complexa. Eu acho que na nossa sociedade não…é complexo. Então demoraram um pouco para me contar. Quando me contaram eu tinha 16 anos e logo na sequência papai me deu os poemas. E eu então guardei. Foi mais ou menos quando eu decidi ser ator. Acredito que, de alguma forma, eu estou esperando esse momento há muito tempo. Como você falou, talvez uma certa intensidade, uma boêmia, um romantismo meu, me impediram de fazer isso antes. Sempre achei que se eu fizesse, eu ia ficar muito mexido e não ia aguentar a barra. E agora eu me sinto diferente. Eu me sinto homenageando não a mamãe exatamente, mas o que nós temos em comum, homenageando a possibilidade de ser feliz com o que se tem. Então tenho mamãe, que morreu em condições tristes, não são as condições ideais, um suicídio é de alguma maneira como um acidente, como um câncer, como algo que a gente não gostaria que acontecesse. Sendo que a pessoa que morre empunhou a arma que a matou. Mas, ao mesmo tempo, a mamãe me deixou os poemas, me deixou o talento, me deixou 50% de tudo que acontece em mim. Então quando eu faço essa peça e só agora eu posso fazer dessa forma, eu celebro o fato de, por ter sofrido a falta dela, talvez, também ser um ator, e usar o que eu tenho para dizer os textos dela, quer dizer, dar voz ao que foi calado. Fazer uma peça com mamãe, já que eu não pude fazer muitas coisas com ela, além de ser gerado e mamar, se é que é pouco. Agora a gente faz uma peça juntos. Eu não sou místico, então eu não acredito que ela esteja, em nenhum nível aqui acompanhando espiritualmente. Mas acredito que ela energeticamente, uma palavra mais ampla, está junto, os textos são dela, não mudo uma palavra do que ela escreveu, visto um vestido parecido com o vestido que dizem ela tinha separado para usar no meu batizado, ela morreu na madrugada que antecedia o meu batismo. Nunca se sabe se esse vestido preto foi guardado para o meu batismo ou se já foi reservado para o enterro. Ela foi enterrada com essa roupa, então eu nunca vi essa roupa, mas eu sei que era um vestido preto. Então eu visto essa roupa e falo os poemas da mamãe, mas sou eu falando. A gente faz a peça juntos. É uma peça bem simples, é um recital, com música, tem um violão clássico, com Luã Belik, e um violino clássico tocado por Henrique Rohrmann, e eu falo os poemas da mamãe, a gente canta e toca músicas que eu sei que a mamãe gostava, por notícias de parentes, de papai. E a gente faz disso então um concerto.

Você falou que não é místico. Você é agnóstico?
Eu não gostaria de definir, sabe por que? Eu acho que nenhuma palavra daria conta do que acontece exatamente. Nem comigo, nem com ninguém, não é? Se eu disser que eu sou um agnóstico, eu estaria mentindo. Se eu disser que sou ateu, eu vou estar mentindo também. Mas se eu disser que eu creio, eu também estou mentindo. Então eu sou um ateu que acredita em milagre. Eu sou um agnóstico com presságios, entendeu? Eu tenho sentimento de agradecimento pela vida, no sentido budista, mas não sou budista. Eu acredito que o amor é uma força bonita, poderosa e criadora, mas não acho que isso tenha um nome, não acho que isso vem de um ser, isso é uma consequência de um fluxo de coisas. Me sinto em Deus, se é que eu tenho que usar uma palavra para que todo mundo possa falar a mesma palavra. Então não sinto que eu preciso acreditar em Deus, uma vez eu já estou em Deus, eu, você, a planta, a máquina fotográfica. Está todo mundo em Deus, nesse fluxo que tem vida, tem morte, tem poema, tem suicídio, tem políticos roubando a gente, tem gente passando fome, tem Aids, tem amor, tem dança, tem festa, tem batuque, tem flor, tem espinho, tem leão matando a gazela, tem a gazela dando à luz um bebezinho de gazela, que sai e come uma plantinha, entendeu? E tudo isso vai sendo Deus. Então não preciso acreditar em Deus, uma vez que estou nele. E aí eu me defendo da pergunta dessa forma. Por que eu acreditaria, se eu já estou? Se já estamos todos aqui. Não é muito diferente do que as doutrinas pregam, mas não é doutrina.

A peça estreou no Rio de Janeiro. Recife é a primeira cidade que recebe a montagem depois da estreia?
É a primeira vez que a gente viaja. Estou bem contente de ser aqui, por motivos óbvios. Sou um pouco pernambucano de alma. Artisticamente eu sou muito pernambucano. Por muitos motivos eu fui jogado para dentro de uma poética que é a poética pernambucana, a poética de vocês, que se tornou a minha também. Acho que isso começou a acontecer no Auto e depois isso seguiu acontecendo nos meus encontros com Cláudio Assis, com Lírio, com Guel. Eu frequento a família Suassuna, sou amigo de Dantas, amava Ariano. Fiquei muito tempo no Sertão, trabalhando, filmando, e participando acho que poeticamente do universo pernambucano. Então apesar de ser paulistano, eu tenho cadinho que é pernambucano. Tenho grandes amigos aqui, pessoas que eu amo de verdade. Então estou contente de a primeira viagem da peça ser para cá. Acho que é um colo bom. É a primeira vez que a peça vai ser feita no palco italiano, é a primeira vez que a gente vai ter muito público. A peça sempre foi feita no Teatro Poeira, que é um teatro pequeno, como um útero. É uma cerimônia. Aqui a gente vai ter que fazer essa cerimônia se tornar uma missa, uma missa ateia, uma missa laica. Manter essa delicadeza da oração laica, mas para 700 pessoas. Então estar com amigos por perto é bom.

Por falar em amigos, acho muito bonita a relação que você tem com Conceição Camarotti. Então já que estamos falando de amor, de amizade, qual o significado dessas pessoas na sua vida?
Eu sempre me achei um cara meio incapaz de amar. Mas eu acho que subestimei minha capacidade. Muito tempo eu sentia culpa. Dizia: ‘poxa, eu não sou tão amigo dos meus amigos quanto eles são de mim’, ‘poxa, não sou tão amigo da minha madrasta quanto ela é de mim’. Eu colocava muita culpa nessa minha dor da mamãe ter morrido e ao longo do tempo e do amadurecimento que a gente vai tendo, eu fui percebendo que não, que eu tinha amigos de longa data e pessoas que estão na minha vida de uma maneira tão determinante. E a Conceição Camarotti é uma dessas pessoas. A gente se conheceu no Amarelo Manga, filme do Cláudio Assis, a gente criou um vínculo afetivo para além das cenas e do convívio no cinema, no set de filmagem. A gente ficou amigos íntimos, a gente é confidente, a gente se frequenta, a gente se fala de quando em quando, ela me liga quando tem saudades, só para dizer que estava com saudades, só para falar oi para mim. E eu penso na Conceição quase todo dia da minha vida, em algum momento, lembro da Conceição, assim como lembro de algumas pessoas que eu amo para sempre. Acho que a Conceição é uma dessas pessoas que me ensina que eu sei amar. Claro que grande parte disso é um mérito dela, ela que foi me ensinando ao longo do tempo, que uma amizade pode ser algo muito duradouro, muito eterno, muito bom. Eu fico muito calmo quando estou perto dela, me sinto em paz. A gente dá muita risada e fala muita sujeira! Vocês não têm noção da quantidade de porcaria que a gente fala dando gargalhadas. Ao mesmo tempo a gente é capaz de passar horas em silêncio, sem se incomodar, isso é importante eu acho, alguém com quem você possa ficar em silêncio muitas horas, é muito gostoso. Eu estou doido para que ela veja a peça, porque ela conhece essa minha história, conhece os poemas, ela se comove com a história da mamãe, ela gosta da história da mamãe, mesmo sem ter conhecido a minha mãe; ninguém conheceu a minha mãe, só meu pai e os meus avós. É engraçado…ela sempre gostou muito da mamãe, simpatiza com a mamãe. Então acho que ela vai se emocionar.

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Mês de teatro… e dança e música

O ano em que sonhamos perigosamente, do Grupo Magiluth, está na programação do festival. Foto: Renata Pires

O ano em que sonhamos perigosamente, do Grupo Magiluth, está na programação do festival. Foto: Renata Pires

janeiro-de-grandes-espetáculos-SSSSDesta sexta-feira até 24 de janeiro é realizada a 22ª edição do Janeiro de Grandes Espetáculos – Festival Internacional de Artes Cênicas de Pernambuco. Ao todo são 36 espetáculos de teatro, dança e música, incluindo ópera, além dos oito concertos do Circuito BNDES de Música – Do Erudito ao Popular, por Recife, Olinda, Goiana e Caruaru.

O Janeiro de Grandes Espetáculos é um grande guarda-chuva que abriga produções pernambucanas e montagens de outros estados e do exterior. A realização é da Associação de Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco (Apacepe), sob o comando dos produtores Paula de Renor, Paulo de Castro e Carla Valença, com patrocínio do BNDES, Prefeitura do Recife, Empetur e Secretaria de Cultura do Estado de Pernambuco/ Fundarpe.

Matheus Nachtergaele em Processo de Conscerto do Desejo. Foto: Marcos Hermes

Matheus Nachtergaele em Processo de Conscerto do Desejo. Foto: Marcos Hermes

A programação começa nesta sexta-feira com Processo de Conscerto do Desejo, com o ator Matheus Nachtergaele. Com poesias da mãe, a poetisa Maria Cecília Nachtergaele que se suicidou quando ele tinha três meses, o intérprete purga sua dor no palco. Ele é acompanhado pelos músicos Luã Belik (violão) e Henrique Rohrmann (violino).

Um mistura de gastronomia, com teatro, música, audiovisual é o que propõe Sabores e Saberes do Milho, uma cozinha mágica para criaturas a partir de 5 anos que gostam dos prazeres do paladar. Com trilha sonora ao vivo, o musical Abraço – Nunca Estaremos Sós é um espetáculo que toca em coisas simples e valiosas como a amizade.

O multiartista Walmir Chagas faz um velho palhaço que medita e delira sobre sua vida e solidão, em Saudosiar… A Noite Insone de Um Palhaço… A encenação é produto de uma residência artística na cidade de Fafe, no norte de Portugal e tem direção de Moncho Rodriguez.

Já universo do cavalo-marinho do maracatu rural da Zona da Mata pernambucana, do frevo e da capoeira é levado ao palco no espetáculo Passo, da Compassos com coreografia de Raimundo Branco. Outra montagem de dança no festival é Fraturas, do Coletivo Trippé de Petrolina que chama atenção para cada dobradura do corpo.

Uma casa na Ásia é um dos espetáculos internacionais do Janeiro. Foto: Nacho Gómez

Uma casa na Ásia é um dos espetáculos internacionais do Janeiro. Foto: Nacho Gómez

PROGRAMAÇÃO

Processo  de  Conscerto  do  Desejo  (Pássaro  da  Noite  Produções  –  Rio  de  Janeiro/RJ)
Quando: Dias 8 e 9 de janeiro de 2016 (sexta e sábado), 21h
Onde: Teatro de Santa Isabel
Ingressos: R$ 50 e R$ 25

Sabores e Saberes do Milho (Comedoria Popular Arte e Gastronomia – Recife/PE)
Quando: Dias 9 e 10 de janeiro de 2016 (sábado e domingo), 16h30,
Onde: Teatro Marco Camarotti (SESC Santo Amaro)
Ingressos: R$ 20 e R$ 10

Abraço – Nunca Estaremos Sós (Dispersos Cia. de Teatro – Recife/PE)
Quando: Dia 9 de janeiro de 2016 (sábado), 20h
Onde: Teatro Apolo
Ingressos: R$ 20 e R$ 10

Saudosiar… A Noite Insone de Um Palhaço…(Paulo de Castro Produções Artísticas  e Fafe Cidade das Artes – Recife/Brasil/Fafe/Portugal)
Quando: Dias 9 e 10 de janeiro de 2016 (sábado, 20h, domingo, 18h)
Onde: Teatro Capiba (SESC Casa Amarela)
Ingressos: R$ 20 e R$ 10

Passo (Compassos Cia. de Danças – Recife/PE)
Quando: Dia 10 de janeiro de 2016 (domingo), 17h
Onde: Passo do Frevo
Quanto: R$ 6 e R$ 3 (entrada no local)

Fraturas (Coletivo Trippé – Petrolina/PE)
Onde: Teatro Apolo
Quando: Dia 10 de janeiro de 2016 (domingo), 20h,
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Obsessão, Com Nilza Lisboa, Simone Figueiredo e Sílvio Pinto. Foto: joão rogério filho

Obsessão, Com Nilza Lisboa, Simone Figueiredo e Sílvio Pinto. Foto: joão rogério filho

Obsessão (Produção: Nilza Lisboa, Simone Figueiredo e Sílvio Pinto – Recife/PE)
Quando: Dia 10 de janeiro de 2016 (domingo)
Onde: Teatro de Santa Isabel
Quanto: 20h, R$ 20 e R$ 10

Please,  Continue  (Hamlet)  /  Por  Favor,  Continue  (Hamlet)  (Roger  Bernat  –  Espanha) Quando: Dias  12  e  13  de  janeiro  de  2016  (terça  e  quarta),  19h30,
Onde: Salão Nobre da Faculdade de Direito do Recife
Quanto: gratuito  (distribuição  de  senhas a partir de 1h antes)

Cabaré Diversiones (Produção: Henrique Celibi – Olinda/PE)
Quando: Dia 12 de janeiro de 2016 (terça), 20h,
Onde: Teatro Apolo
Quanto: R$ 20 e R$ 10

A Visita (Grupo de Teatro Arte­Em­Cena – Caruaru/PE)
Quando: Dias 12 e 13 de janeiro de 2016 (terça e quarta), 20h
Onde: Teatro Capiba (SESC Casa Amarela)
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Sistema  25  (Grupo  Cênico  Calabouço  e  Grupo  Teatral  Risadinha  –  Recife/Camaragibe/PE)
Quando: Dia 13 de janeiro de 2016 (quarta), 17h e 20h30
Onde: Teatro Marco Camarotti (SESC Santo Amaro)
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (cada sessão para até 25 espectadores)

Ayrton-Montarroyos foi finalista do programa The Voice Brasil. Foto: Divulgação

Ayrton-Montarroyos foi finalista do programa The Voice Brasil. Foto: Divulgação

Ayrton Montarroyos (Produção: Rita Chaves – Recife/PE)
Quando: Dia 13 de janeiro de 2016 (quarta), 20h
Onde: Teatro de Santa Isabel
Quanto: R$ 40 e R$ 20

A House in Asia / Uma Casa na Ásia (Agrupación Señor Serrano – Espanha)
Quando: Dias 14 e 15 de janeiro de 2016 (quinta e sexta), 20h
Onde: Teatro Apolo
Quanto: R$ 20 e R$ 10

(L)a (P)lage (Grupo Acaso, Apacepe e Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto –  Recife/ Brasil/ Basto/ Portugal)
Quando: Dias 14 e 15 de janeiro de 2016 (quinta e sexta), 20h
Onde: Teatro Marco Camarotti (SESC Santo Amaro)
Quanto: R$ 20 e R$ 10

O Ano Em Que Sonhamos Perigosamente (Grupo Magiluth – Recife/PE)
Quando: Dia 14 de janeiro de 2016 (quinta-­feira), 21h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Olga Ferrario e Cláudio Ferrario, filha e pai, dividem palco em A invenção da Palavra. foto: Renata pires

Olga Ferrario e Cláudio Ferrario, filha e pai, dividem palco em A invenção da Palavra. foto: Renata pires

A  Invenção  da  Palavra  (Parêa Teatro, Janela  Projetos e  Fafe Cidade  das  Artes –  Recife/ Brasil/Fafe/ Portugal)
Quando: Dias 15 e 16 de janeiro de 2016 (sexta e sábado), 20h
Onde: Teatro Capiba (SESC Casa Amarela)
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Inutilezas (Inutilezas Produções e Arte Limitada – Rio de Janeiro/RJ)
Quando: Dias 15 e 16 de janeiro de 2016 (sexta e sábado), 21h
Onde: Teatro de Santa Isabel
Quanto: R$ 40 e R$ 20

Luzia no Caminho das Águas (Grupo Engenho de Teatro – Recife/PE)
Quando: Dias 16 e 17 de janeiro de 2015 (sábado e domingo), 16h30
Onde: Teatro Marco Camarotti (SESC Santo Amaro)
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Maria Que Virou Jonas ou A Força da Imaginação (Cia. Livre – São Paulo/SP)
Quando: Dia 16 de janeiro de 2016 (sábado), 19h, Dia 17 de janeiro de 2016 (domingo), 19h e 21h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Salmo 91 (Cênicas Cia. de Repertório – Recife/PE)
Quando: Dia 16 de janeiro de 2016 (sábado), 20h e Dia 23 de janeiro de 2016 (sábado), 20h
Onde: Espaço Cênicas (Av. Marquês de Olinda, 199, – entrada pela rua Vigário Tenório –, sala 201, 2º andar, Bairro do Recife). Fone: 9 9609 3838
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Ópera Cordelista Lua Alegria (Paulo Matricó – Recife/PE)
Quando: Dias 16 e 17 de janeiro de 2016 (sábado, 21h,  domingo
Onde: Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu)
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Elke Canta e Conta (Produção: Maurílio Domiciano – São Paulo/SP)
Quando: Dia 17 de janeiro de 2016 (domingo), 20h
Onde: Teatro de Santa Isabel
Quanto: R$ 50 e R$ 25

Hilda Torres em atuação comovente em Soledad. Foto: Divulgação

Hilda Torres em atuação comovente em Soledad. Foto: Divulgação

Soledad – A Terra é Fogo Sob Nossos Pés (Cria do Palco – Recife/PE)
Quando: Dia 18 de janeiro de 2016 (segunda), 20h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Luas de Há Muito Sóis (Papelão Produções e Fafe Cidade das Artes – Recife/Brasil/  Fafe/ Portugal)
Quando: Dias 18 e 19 de janeiro de 2016 (segunda e terça), 20h
Onde: Teatro Capiba (SESC Casa Amarela)
Quanto: R$ 20 e R$ 10

O Açougueiro (Alexandre Guimarães – Recife/PE)
Quando: Dia 19 de janeiro de 2016 (terça), 19h
Onde: Teatro Marco Camarotti (SESC Santo Amaro)
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Quarteto Encore (Produção: Rafaela Fonsêca – Recife/PE)* *Integrando o Circuito BNDES de Música – Do Erudito ao Popular
Quando: Dia 20 de janeiro de 2016 (quarta), 20h
Onde: Teatro de Santa Isabel
Quanto: gratuito

Jr. (Operários de Teatro – OPTE – Recife/PE)
Quando: Dias 20 e 21 de janeiro de 2016 (quarta e quinta), 19h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Bailaora (Cia. Karina Leiro – Recife/PE)
Quando: Dia 20 de janeiro de 2016 (quarta), 20h30
Onde: Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu)
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Gota  d’Água  –  Fragmentos  e  Outras  Canções  (VI  Turma  de  Iniciação  Teatral  Cênicas Cia. de Repertório –Recife/PE) Dia 21 de janeiro de 2016 (quinta), 20h
Onde: Teatro Apolo
Quanto: R$ 10 (preço único promocional)

Homenagem ao Malandro (Curso de Interpretação para Teatro do SESC Piedade – Jaboatão dos Guararapes/PE)
Quando: Dia 22 de janeiro de 2016 (sexta), 20h
Onde: Teatro Apolo
Quanto: R$ 10 (preço único promocional)

Grito de Guerra, Grito de Amor (Duas Companhias, Coletivo Grão Comum, Apacepe e Fafe Cidada das Artes – Recife /Brasil / Fafe /Portugal)
Quando: Dias 22 e 23 de janeiro de 2016 (sexta e sábado), 20h
Onde: Teatro Capiba (SESC Casa Amarela)
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Cavaco e Sua Pulga Adestrada (Caravana Tapioca – Recife/PE)
Quando: Dia 23 de janeiro de 2016 (domingo), 16h30
Onde: Teatro Marco Camarotti (SESC Santo Amaro)
Quanto: R$ 20 e R$ 10

O Lugar Escuro (Artworks Produções – Porto Alegre/RS)
Quando: Dias 23 e 24 de janeiro de 2016 (sábado e domingo), 19h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Angelicus Prostitutus (Grupo  Matraca  de Teatro  e SESC Piedade  –  Jaboatão  dos  Guararapes/PE)
Quando: Dia 23 de janeiro de 2016 (sábado), 20h
Onde: Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu)
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Pernambuco Sonoro (P Castro Produções – Recife/PE)
Quando: Dia 23 de janeiro de 2016 (sábado), 21h
Onde: Teatro de Santa Isabel
Quanto: R$ 40 e R$ 20

Sebastiana e Severina(Teatro Kamikaze – Olinda/PE)
Onde: Dia 24 de janeiro de 2016 (sábado), 16h30
Onde: Teatro Marco Camarotti (SESC Santo Amaro)
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Quatro Pianos no Choro (Paulo de Castro Produções Artísticas – Recife/PE)* *Integrando o Circuito BNDES de Música – Do Erudito ao Popular
Quando: Dia 24 de janeiro de 2016 (domingo), 18h
Onde: Teatro de Santa Isabel
Quanto: Gratuito

Em Nome do Pai (REC Produtores Associados – Recife/PE)
Quando: Dia 24 de janeiro de 2016 (domingo), 21h,
Onde: Teatro Apolo
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Circuito BNDES de Música – Do Erudito ao Popular Programação no interior pernambucano

Caruaru

Spok Quinteto (Recife/PE)
Quando: Dia 9 de janeiro de 2016 (sábado), 20h
Onde: Paróquia Coração Eucarístico (Convento)
Quanto: Gratuito

Orquestra de Câmara de Pernambuco (Recife/PE)
Quando: Dia 10 de janeiro de 2016 (domingo), 17h
Onde: Paróquia Coração Eucarístico (Convento)
Quanto: Gratuito

Goiana

Spok Quinteto (Recife/PE)
Quando: Dia 11 de janeiro de 2016 (segunda), 20h
Onde: Igreja do Carmo
Quanto: Gratuito

Quarteto Encore (Recife/PE)
Quando: Dia 12 de janeiro de 2016 (terça), 20h, gratuito
Onde: Igreja do Carmo
Quanto: Gratuito

Olinda

Orquestra de Câmara de Pernambuco (Recife/PE)
Quando: Dia 14 de janeiro de 2016 (quinta), 20h, gratuito
Onde: Convento São Francisco
Quanto: Gratuito

Spok Quinteto (Recife/PE)
Quando: Dia 15 de janeiro de 2016 (sexta), 20h, gratuito
Onde: Convento São Francisco Quanto: Gratuito

Quarteto Encore (Recife/PE)
Quando: Dia 16 de janeiro de 2016 (sábado), 20h, gratuito
Onde: Convento São Francisco
Quanto: Gratuito

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