Se jogue no brega com o Grupo Experimental!

Breguetu faz nova temporada no Espaço Experimental Foto: Rogério Alves

Breguetu faz nova temporada no Espaço Experimental,no Bairro do Recife. Fotos: Rogério Alves

O que é ser brega? Na música, na dança, na moda, no visual, o gênero se espalhou e o estilo ostentação vai do subúrbio ao centro e eclode em um território rizomático. Artistas da periferia disseram estou aqui e não estou nem aí para as regras do bom gosto burguês ou de técnicas tradicionais.  A liberdade de cantar e dançar suas realidades é defendida como a democratização que permite a qualquer um virar um astro. Vale a comunicação do  sentimento e da situação.  O espetáculo de dança Breguetu, do Grupo Experimental, ressalta o lado festivo do fenômeno como identidade. E com essa alegria contagiante, a trupe inicia nova temporada neste sábado (16) e fica em cartaz todos os sábados, às 20h e domingos, às 19h. Depois vai circular pelo Norte e Sudeste, com incentivo do Prêmio Klauss Vianna e do Funcultura.

A peça surgiu a partir da pesquisa A dança no corpo desse lugar, realizada pelo Experimental em 2014, que investigou os movimentos e manifestações culturais do Recife. O espetáculo concebido pela diretora da companhia, Mônica Lira, percebe a contaminação do brega no ritmo do Recife. Bregaetu ganhou o prêmio de Melhor Espetáculo pelo júri técnico do 21º Janeiro de Grandes Espetáculos.

O brega provoca movimentos de repulsão quando é taxado de feio ou cafona. Mas carrega seus distintivos para seus protagonistas. A relação amorosa pode ser rotulada de brega, pelos olhos recriminatórios de quem está de fora. Quem participa está tomado. E é com esse anseio de pertencimento, de algo inebriante que a equipe dança num clima de felicidade. Na sensualidade do corpo e no sorriso no rosto.

Nessa dança da alegria, o Experimental aponta que “todos somos bregas em alguma coisa na vida”.  Muito além dos estereótipos, carrega na ginga a legitimação da periferia. Tudo junto e misturado: sinais de violência e erotismo, denúncia de disparidades sociais e do “eu lírico”. Manifestações populares com doses generosas de humor.

Espetáculo tem direção de Mônica Lira

Espetáculo tem direção de Mônica Lira

Ficha Técnica
Concepção e Direção: Mônica Lira (Grupo Experimental)
Intérpretes Criadores: Lilli Rocha, Jorge Kildery, Rafaella Trindade, Gardênia Coleto, Márcio Filho e Rebeca Gondim
Projeto de Iluminação: Beto Trindade
Trilha sonora: Marcelo Ferreira e João Paulo Oliveira
Sonoplastia: Adelmo do Vale
Figurino: Carol Monteiro
Design: Carlos Moura
Cabelo e maquiagem: Jennyfer Caldas
Produção: Emeline Soledade
Cenotécnico: Eduardo Autran
Textos e assessoria de comunicação: Paula Caal
Duração: 60’
Indicação: 16 anos

Serviço
Espetáculo Breguetu, do Grupo Experimental
Quando:
Sábados, às 20h, domingos. às 19h, a partir do dia 16 de abril
Onde: Espaço Experimental – Rua Tomazina, nº 199, 1º andar, Recife Antigo
Ingresso: R$ 30 e R$15 (meia), à venda no local, duas horas antes do espetáculo
Informações: (81) 3224-1482 / 98812-1036

 

 

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Poesia circula com Loucos e Oprimidos da Maciel

Espetáculo Pólo Marginal - Opereta de rua. Foto: Miguel Igreja

Espetáculo Pólo Marginal – Opereta de rua. Fotos: Miguel Igreja

Feito menestréis modernos, os integrantes do Grupo de Teatro de Rua Loucos e Oprimidos da Maciel saem em turnê para espalhar poesia. Em bando, buscam um sentido da existência. Com o espetáculo Pólo Marginal – Opereta de Rua a trupe circula por oito municípios, comunidade quilombola ou distritos em Pernambuco. Essa turma de poetas-piratas-saltimbancos leva na bagagem palavras que são tesouros para curar e alimentar o espírito, para exercitar a sensibilidade das criaturas empedernidas deste século 21. A circulação estadual começa por São José do Belmonte e Triunfo neste final de semana.

A obra poética do escritor e jornalista pernambucano Marco Pólo Guimarães é a base da encenação, que tem roteiro e direção de Carlos Salles (in memoriam) e assistência de direção de Rodrigo Torres.  A solidão do poeta, a fugacidade do real e o vazio doído da existência são cantados em versos. As questões contemporâneas são declamadas para expor os estados do ser e as mazelas sociais.

As músicas da banda Ave Sangria – conjunto dos anos 1970 no Recife, liderado por Pólo, que era o vocalista e compositor – são também tocadas e cantadas pelo elenco formado por  Cris Santos, Maria Dias, Pedro Félix, Roberta Lúcia, Rodrigo Torres, Sandro Sant’na, Celso José e Walgrene Agra.

O projeto é incentivado pelo Funcultura/Governo do Estado de Pernambuco e realizado em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Social (IDS). Esta circulação estadual conta ainda com apoio das prefeituras municipais e do SESC Garanhuns.

Em atividade desde 2007 a trupe já fez suas andanças com as encenações Do Moço e do Bêbado Luna, inspirada na obra do poeta Erickson Luna. E tem planos de montar peças a partir da obra de outros poetas marginais como França e Miró.

Ficha técnica
Espetáculo Pólo Marginal – Opereta de Rua, com o Grupo de Teatro de Rua Loucos e Oprimidos da Maciel
Texto: Marco Pólo Guimarães
Roteiro e direção: Carlos Salles (in memoriam)
Assistência de direção: Rodrigo Torres.
Elenco: Cris Santos, Maria Dias, Pedro Félix, Roberta Lúcia, Rodrigo Torres, Sandro Sant’na, Celso José e Walgrene Agra
Registro de imagens: Felipe Santos
Contrarregra: Josi Rodrigues
Coordenação de produção: Rodrigo Torres
Produção executiva: Celso José
Assistência de produção: Josi Rodrigues, Maria Dias e Walgrene Agra

trupe faz itinerância por oito municípios, comunidade quilombola ou distritos em Pernambuco

trupe faz itinerância por oito municípios, comunidade quilombola ou distritos em Pernambuco

Programação da Circulação Estadual Por Pernambuco (entrada franca)

Dia 16 de abril de 2016 (sábado), às 19h, no Pátio de Eventos Cacau do Banco, em São José do Belmonte;

Dia 17 de abril de 2016 (domingo), às 17h, no Pátio de Eventos Maestro Madureira, em Triunfo;

Dia 30 de abril de 2016, às 17h, no Largo da Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, na Comunidade Quilombola Timbó, em Garanhuns;

Dia 1º de maio de 2016, às 17h, na Praça Estácio Coimbra (Praça da Fonte), em São Caetano;

Dia 14 de maio de 2016, às 20h, na Quadra do Morro da Conceição, no bairro de Casa Amarela, no Recife;

Dia 15 de maio de 2016, às 17h, na Praça do Carmo, em Olinda.

Dia 21 de maio de 2016, às 20h, na Praça Abelardo Sena (Praça do Surfista), em Ribeirão;

Dia 22 de maio de 2016, às 17h, na Praça Central de Chã de Sapé, em Itaquitinga;

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A volta da Borralheira

A Bicha Borralheira 31 anos depois. Fotos: Ítalo Lima

A Bicha Borralheira, a estória que sua mãe não contou, performance de Henrique Celibi que deu início ao megassucesso Cinderela, a estória que sua mãe não contou, inicia nesta quinta-feira (13) uma pequena temporada, no Teatro Hermilo Borba Filho, às 20h, onde fica em cartaz amanhã e na próxima semana, dias 20 e 21 de abril.

Na releitura do conto dos irmãos Grimm, a periferia recifense é representada pelo humor potente do dramaturgo, que pinta personagens que driblam a escassez financeira e os preconceitos sexuais.

Celibi corre atrás de sua própria história. No ano passado, ele que já foi o mascote do grupo Vivencial – trupe irreverente que marcou o teatro pernambucano dos anos 1970/1980 – montou espetáculo Cabaré Diversiones. Além dele, outra viveca veterana participou da peça, Sharlene Esse. E um bando jovens atores, que em parte compõe o elenco de A Bicha Borralheira.

A estreia original ocorreu na antiga Misty, da Rua das Ninfas, em 12 de abril de 1985. Há 31 anos, portanto. Na boate, a micropeça preenchia o intervalo dos números de dublagens. Celibi inclusive era famoso por sua Maria Bethânia.

Do lado de fora, o Brasil vivia um clima de desconfiança, de esperanças frustradas, depois da euforia de uma campanha pelas Diretas Já e de uma vitória parcial, quando foi escolhido o presidente pelo Colégio Eleitoral. Tancredo Neves, o primeiro presidente civil eleito, depois do período de regime militar no Brasil, em eleição indireta pelo Congresso Nacional, não tomaria posse. O mineiro foi considerado clinicamente morto no dia 12, mas o óbito só foi anunciado no dia 21 de abril.  “Após 38 dias de agonia, e sete cirurgias, o primeiro presidente civil eleito desde o Golpe Militar, morre.”

O vice da chapa, José Sarney, do PFL, assume a presidência. Durante o período de comoção nacional alimentado pelas emissoras de TV, e, principalmente depois, especulou-se sobre um plano arquitetado pelas mãos do regime autoritário para que o poder permanecesse com quem já estava.

Essa discussão não vem ao caso. Mas é interessante notar como Celibi, com as antenas de artista, capta em seu título algo que merece reflexão ontem e hoje. A história que sua mãe não contou. A História subtraída e que ganha narrativas estranhas novamente pelos agentes da plutocracia.

Elenco

Elenco

Em meados da década de 1980, falar dos excluídos e de sua força de subverter lugares era um ato político muito mais arriscado. Com um humor explosivo, Henrique Celibi investia nisso. Atualmente as questões de gênero ganham outras conotações e requerem outros avanços.

Celibi, além de dirigir e produzir, atua como a fada-macumba, que tem por missão viabilizar um cartão do sistema VEM para que Cinderela vá ao baile encontrar seu Príncipe, na Rua da Concórdia, durante o Galo da Madrugada.

Henrique Celibi. Foto: Facebook

Henrique Celibi. Foto: Facebook

ENTREVISTA // HENRIQUE CELIBI

Pelas minhas contas, a Bicha Borralheira teria 31 anos. Lembro que foi na época em que Tancredo Neves agonizava e causava uma comoção nacional. O que você lembra dessa época que você escreveu?
São 31 anos mesmo. A estreia na Misty aconteceu no dia 12 de Abril de 1985. Da época, como você bem disse; eu me lembro da euforia que tomava o país e nos enchia de esperança com uma República Nova, ao contrário da insegurança que as especulações políticas de hoje, que nos assustam.

Eu escrevi alguns releases para enviar aos jornais – Valdi Coutinho, Enéas Alvarez e outros – para lhe ajudar. Estávamos juntos porque ensaiávamos uma peça de Joaquim Cardozo, acho.
Sim você ajudou muito fazendo os releases que precisei para o jornal, pois, estávamos juntos na montagem do Casamento de Catirina, da obra do Joaquim Cardozo, adaptada por Vivi Pádua pelo Haja Teatro e Grupo Bumba, com direção de Paulinho Mafe e Carlos Varela; morávamos juntos praticamente. Você faz parte desta “estória” bem no inicio…

Bem, acho que no começo era uma performance e depois você foi acrescentando outras coisas, engrossando a peça. Você recorda qual a intenção ao escrever a Bicha Borralheira?
Fui convidado por Fefé e José Carlos (donos da Misty) para dirigir um show e como eu achava muito repetitiva a fórmula, que já era muito usada nas boates, decidi fazer algo mais pras revistas com quadros de humor. Fiz primeiro o Ensaios espontâneos que contava a história de um teste para a montagem de um musical, meio que “máfia” das amigas. Deu certo e em seguida fiz a Bicha Borralheira que era pra ficar duas semanas e ficamos três meses. Depois fiz A Batalha na Guararapes e Um, dois, direita, esquerda, vou ver… E o propósito sempre foi o mesmo: trabalhar pra sobreviver!

Você esperava a repercussão que teve com a montagem da Trupe do Barulho? A que você atribui esse sucesso?
Quando Jeison Wallace (Cinderela dos palcos e midiática) pediu os direitos de montagem em 1991, nem ele mesmo imaginava o que aconteceria. E o que aconteceu, o fenômeno, eu atribuo em grande parte ao querido José Mario Austregésilo, por ter dado a oportunidade para aqueles personagens entrarem nas casas das pessoas através da cobertura do carnaval da TV Jornal, conquistando logo a simpatia de todos que lotaram o Teatro Valdemar de Oliveira durante quase uma década. Sem a projeção da mídia talvez a história fosse outra, apesar do talento dos protagonistas.

Por que montar o “marco zero” da Bicha Borralheira? O que mudou para a Bicha e para a cidade do Recife?
A montagem é uma grande celebração ao teatro. A esse “teatro” específico que é tão mal visto por muitos que fazem teatro nesta cidade. E porque eu acredito ser o teatro a arte mais agregadora, apesar de alguns, que insistem em excluir e ou classificar o teatro por “tipos”. E porque já foi mais que provado que santo de casa faz milagres sim! Na época em que o “fenômeno” aconteceu, as salas de teatros andavam vazias, como estão hoje. E por ser também o homossexualismo um assunto tão velho que ainda é para muitos, um motivo de piadas de mau gosto.
Claro que a montagem não tem a pretensão de repetir o feito, mas, será bom para o teatro as diferentes visões e versões de uma mesma “estória”…
Quando me refiro ao santo de casa fazer milagres quero dizer que a Trupe do Barulho, mesmo nunca tendo incentivos de leis, estão produzindo com investimentos próprios há vinte e cinco anos. Assim como eu agora e muitos tantos que acreditam no que de maior existe no teatro, além do dinheiro que com ele se possa ganhar. Pra mim há muitas outras satisfações.

Ficha técnica:
Texto, direção, produção: Henrique Celibi
Elenco: Carlos Mallcom (Madrasta), Filipe Enndrio (Burralheira), Flavio Andrade (Príncipe), Renê Ribeiro e Robério Lucado (as irmãs), Henrique Celibi (Bicha Madrinha), Ítalo Lima (vassalo do rei)

SERVIÇO
A Bicha Borralheira, a estória que sua mãe não contou,
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho (Cais do Apolo, s/n, Bairro do Recife)
Quando: 13,14, 20 e 21 de abril, às 20h
Preço único: R$ 20

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Ela nasceu para brilhar

Claudia Raia. foto: Caio Gallucci

Claudia Raia comemora 30 anos de carreira no espetáculo que exalta sua carreira. Foto: Caio Gallucci

A atriz e bailarina Claudia Raia é uma das poucas estrelas brasileiras com fama de diva atualmente. Mas também vai à luta como empreendedora e é apontada como uma das figuras que consolidou o gênero musical no Brasil recente. Para brindar suas três décadas de profissão, ela protagoniza uma auto-homenagem, com o espetáculo Raia 30 – O musical. A superprodução tem direção de José Possi Neto e texto de Miguel Falabella e fará três sessões no Teatro Guararapes, em Olinda, neste fim de semana. Os ingressos custam de R$ 25 a R$ 180.

Nesse musical biográfico Claudia Raia interpreta a si mesma e repassa o gênero no Brasil. No apanhado geral da carreira, mostra quando, em 1983, aos 16 anos, fez o teste para o papel de Sheila, do musical Chorus Line, que seria montado em São Paulo em 1984.

Desde criança Claudia Raia desejava brilhar no palco. Aos sete anos, a bailarina mirim insistiu com a mãe para assistir ao irreverente grupo Dzi Croquettes, que passava por São Paulo. Ao falar com coreógrafo e bailarino norte-americano Lennie Dale (1934-1994) disse com a petulância da idade e de futura estrela: “Eu danço igual a você”. E mostrou. Esse episódio faz parte de um dos blocos da peça.

Em coreografia com Marcos Tumura. Foto: Caio Gallucci

Em coreografia com Marcos Tumura. Foto: Caio Gallucci

Críticos que viram a temporada no Rio e em São Paulo apontam ótima performance da atriz/ cantora/ bailarina e uma fragilidade da dramaturgia para expor os embates vividos pela protagonista. As coreografias de Tania Nardini, une quadros que fazem menções aos musicais A Chorus Line, Sweet Charity (2006) e Cabaret (2011). Alem da trilogia Não fuja da Raia (1991), Nas Raias da loucura (1993) e Caia na Raia (1996). E outros que resgatam sua atuação em ballet e teatro de revista, antes de 1983.

Cláudia Raia. Foto: Paschoal Rodriguez

A ida para Nova York e a relação com a arte de Bob Fosse (1927-1987), também rendem cenas. Raia interpretou, cantou, dançou e sapateou em mais de dez produções. E é apontada como uma das maiores entusiastas dessa arte no país.

Nesses estilhaços de memórias, criaturas importantes, como a mãe Odette e a irmã Olenka (ambas bailarinas e incentivadoras), são celebradas no musical, que conta com 14 atores e oito músicos executando a trilha ao vivo.

A atuação na televisão brasileira também é enfocada. Desde a estreia aos 17 anos, no programa Viva o Gordo, interpretando Carola ao lado de Jô Soares, no quadro Vamos Malhar. Passando por Tancinha, da novela Sassaricando (1987), à presidiária Tonhão, no programa TV Pirata (1988).

A direção de arte é assinada por Gringo Cardia, que se inspira no universo estilístico da designer norte-americana Dorothy Draper. São usados elementos do “rococó hollywoodiano”, um exagero que busca o glamour com cenário de cores bem berrantes. A superprodução é arquitetada com oito cenários. Os figurinos são de Fábio Namatame e a luz de Drika Matheus .

FICHA TÉCNICA
Texto: Miguel Falabella
Direção: José Possi Neto
Direção musical e vocal: Marconi Araújo
Coreografia: Tania Nardini
Produção geral: Sandro Chaim
Direção de arte, cenografia e design da identidade visual: Gringo Cardia
Figurino: Fabio Namatame
Design de luz : Drika Matheus
Design de som: Tocko Michelazzo
Visagismo: Dicko Lorenzo, Henrique Mello, Robin Garcia
Elenco: Claudia Raia, Marcos Tumura, Alberto Goya, Alessandra Dimitriou, Carol Costa, Daniel Cabral, Estela Beraldi, Elton Towersey, João Paulo de Almeida, Luana Zenun, Mariana Barros, Marilice Conseza, Matheus Paiva, Rodrigo Negrini
Produtores associados: Claudia Raia e Sandro Chaim
Produção local: Art Rec Produções

SERVIÇO
Raia 30, O Musical
Quando: Dia 16 de abril (sábado), às 17h30 e 21h / Dia 17 de abril (domingo), às 18h
Onde: Teatro Guararapes – Centro de Convenções de Pernambuco
Informações: (81) 3182.8020

INGRESSOS
Plateia especial (filas começando com a letra “A”): R$ 180 (inteira) e R$ 90 (meia)
Plateia (filas começando com a letra “B”): R$ 150 (inteira) e R$ 75 (meia)
Balcão: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia)
Balcão promocional: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia) – 200 ingressos para cada sessão
* À venda na bilheteria do teatro, site Compre Ingressos e pelo telefone (81) 2626.2605
* Meia-entrada válida para maiores de 60 anos, professores, estudantes, assinantes do Diario de PE e Jornal do Commercio, clientes Porto Seguro e Itaucard.

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Inspirado poeta teatral

Naum Alves de Souza, homem de múltiplos talentos morreu sábado, aos 73 anos. Foto: reprodução do youtube

Naum Alves de Souza, homem de múltiplos talentos, morreu sábado, aos 73 anos. Foto: Reprodução do Youtube

Os amantes, interessados e até curiosos sabem da importância do diretor, autor, roteirista, cenógrafo, figurinista, artista plástico e criador de bonecos Naum Alves de Souza para as artes. Homem de teatro, cinema, televisão e outras linguagens, ele deixou uma obra dramatúrgica singular e de uma brasilidade intrínseca.

Meu contato com sua obra ocorreu no final dos anos 1980, no antigo Curso de Formação do Ator, da Universidade Federal de Pernambuco. Uma grande alegria estudar a trilogia formada por No Natal a Gente Vem Te Buscar (1979), A Aurora da Minha Vida (1981) e Um Beijo, um Abraço, um Aperto de Mão (1984).

Ele também é autor de Suburbano Coração, peça com músicas de Chico Buarque.  Do espetáculo Dona Doida, protagonizado por Fernanda Montenegro, em que adaptou de poemas de Adélia Prado – que assisti no Rio de Janeiro, e confesso que gosto mais hoje do que na época. De Ilmo. Sr., sobre dois velhos ranzinzas. E assinou os cenários e figurinos do show Falso Brilhante, de Elis Regina, que desejei tanto ter visto. Naum cuidou da cenografia, figurinos e direção artística de Macunaíma, com direção de Antunes Filho, um marco do teatro brasileiro. E é o autor do boneco Garibaldo, de Vila Sésamo, que embalou a infância de alguns.

Marieta Severo e Mário Borges, em No Natal a Gente vem te Buscar.

Marieta Severo e Mário Borges, em No Natal a Gente vem te Buscar

Em No Natal a Gente vem Te Buscar, os personagens comuns, destituídos de heroísmos ganham os holofotes. Uma solteirona e suas memórias. O desmoronamento interno da personagem. Decadência do grupo familiar. O atropelamento da Tia na porta do asilo, o choque, como detonador para abalar valores.

O tempo imbricado com a memória. Passado e presente se emaranhando com o futuro. Cacos de um quebra-cabeça dessa trajetória dolorosa da Solteirona. E de uma delicadeza de sentimentos que flutuam nas entrelinhas, no não dito, ou não totalmente revelado com palavras.

O dramaturgo lança um olhar carinhoso e bem-humorado – mas que desmascara idealizações – sobre essa galeria de personagens, tão fáceis de serem identificados.

Naum Alves de Souza morreu nesse sábado (9), em São Paulo, aos 73 anos. Foi sepultado no Cemitério Gethsêmani, em São Paulo, neste domingo. Nascido em Pirajuí (a 384 km de São Paulo), ergueu uma carreira admirável na capital paulista, para onde se mudou aos 18 anos.

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