Uma opereta para alegrar o Natal

“…o baile aqui não termina,
o baile aqui principia
do mesmo jeito que o sol
se renova a cada dia,
da mesma forma que a lua
quatro vezes se recria,
do mesmo tanto que a estrela
repassa a rota e nos guia”
Baile do Menino Deus é encenado no Marco Zero, no centro do Recife há 13 anos. Foto Filipe Cavalcanti

Baile do Menino Deus é encenado no Marco Zero, no centro do Recife, há 13 anos. Foto Filipe Cavalcanti

O Baile do Menino Deus – Uma Brincadeira de Natal é um procedimento que dá certo no palco há 33 anos. Há 13 é quase um destino obrigatório do período natalino na Praça do Marco zero, no centro do Recife. O que faz esse espetáculo ser tão especial? É uma química, uma combinação certeira de elementos da cultura popular nordestina, de músicas inspiradas nos folguedos, no talento de artistas, no clima da época que juntos provocam uma alegria genuína, uma esperança na humanidade (que os céticos dirão; “tolos”). Mas talvez precisemos dessas pequenas doses de bálsamos para seguir.

O espetáculo faz três apresentações, de 23 a 25 de dezembro, ao ar livre, às 20h. Com texto de Ronaldo Correia de Brito e Assis Lima e trilha sonora de Antônio Madureira (que é a alma da obra) a peça integra a Trilogia das Festas Brasileiras, composta ainda por Bandeira de São João e Arlequim.

A montagem busca encorpar a já desgastada expressão espirito natalino, na dramaturgia do texto, da cenografia e figurinos, das canções, no humor das manifestações culturais do Nordeste brasileiro que se erguem no palco em passos de esplendor.

Baile do Menino Deus – Uma Brincadeira de Natal é um símbolo pernambucano . Essa opereta nordestina junta as danças populares da região, músicas incríveis e personagens que nascem de uma mistura de reisados, maracatu, cavalo-marinho e bois. Explosão de beleza.

A história é simples. Dois Mateus perseguem a casa onde estão alojados José, Maria e o recém-nascido Jesus, para fazer uma festa na entrada. A porta está trancada. Para abrir a porta eles fazem rezas, prendas, mágicas fajutas. E convocam os seres encantados – como Jaraguá e a burrinha Zabelim, além das pastoras, a Lua, a estrela e o Sol – para reforçar a empreitada.

E a festa passa diante de nossos olhos. A música de Zoca Madureira é executada ao vivo por uma orquestra regida pelo maestro José Renato Accioly, que faz desfilar frevo, maracatu, caboclinho, ciranda e bumba meu boi.

Sóstenes

Sóstenes Vidal interpreta um dos Mateus há 13 anos

Sóstenes Vidal que interpreta um dos Mateus do Baile há 13 anos (e durante dez anos fez o Mateus na montagem do Balé Basílica, do Balé Popular do Recife), garante que é uma realização profissional – pelas pessoas envolvidas e pela grandeza do espetáculo. “A parceria com Arilson Lopes , não poderia ser melhor. Considero um dos grandes atores brasileiros, um carisma maravilhoso, profissional, desde o primeiro ano, tive a certeza que estava muito bem acompanhado no palco”.

Arilson Lopes também está no Baile do Menino Deus desde o primeiro ano no Marco Zero. “São exatos 13 anos festejando o Natal com um elenco incrível de músicos, cantores, bailarinos, atores, técnicos e uma multidão de espectadores apaixonados”, comenta com indisfarçável alegria.

“Considero o Baile do Menino Deus um espetáculo extremamente importante na minha trajetória como ator, pela beleza dessa história que contamos, pela direção generosa e atenta de Ronaldo Brito, pela poesia do personagem que defendo, por compartilhar esse aprendizado com uma equipe talentosa e dedicada e por atuar na praça para milhares e milhares de pessoas. É uma alegria também estar em cena com o ator Sóstenes Vidal, que faz o Mateus 2. Ele é um grande parceiro. Estamos juntos nesse espetáculo desde o comecinho e nossa convivência sempre foi de respeito e admiração mútuos. Sempre nos ouvimos muito, discutimos cada proposta de cena e vibramos a cada nova descoberta”, conta.

Para manter acesa a chama, o Baile do Menino Deus acrescenta novidades na encenação a cada ano. A principal delas em 2016 é que o visual ganha inspiração da cultura africana e do Oriente Médio.

Com isso, são acrescidas peças de figurinos de José e Maria, dos Mateus, da orquestra, do coros adulto e infantil, de alguns solistas e das ciganas. O multiartista Marcondes Lima, que assina a direção de arte, incrementa as roupas com mais colorido, com estampas, elementos pouco explorados nas edições anteriores. “Os figurinos terão um contraste ainda maior diante do cenário que se define como um fundo neutro, com as casas quase totalmente brancas”, pensa Marcondes, que criou 50 novas peças.

“O conceito visual da arte bizantina permaneceu nos quatro primeiros anos do Baile. Depois tivemos um conceito palestino-árabe, numa perspectiva da presença dessa cultura no Nordeste. Em seguida, nos inspiramos no leste europeu; e, por fim, agora, na cultura africana e na do Oriente Médio”, explica o diretor Ronaldo Correia de Brito.

Isadora interpreta Maria

Isadora Melo interpreta Maria

Outra alteração de registro se refere à Sagrada Família, que segundo Correia de Brito recebe um tratamento de “humanização”. “José e Maria já tinham uma performance bem humana, bem popular e agora têm algo mais moderno. Queremos dessacralizar cada vez mais essas duas figuras”, pontua o diretor. Por exemplo, Maria, interpretada pela atriz e cantora Isadora Melo, não usará mais véu e os seus ombros ficarão à mostra.

Outro detalhe dessa edição é que a encenação vem com dois Reis Magos e uma Rainha, além de uma mulher também no grupo de caboclinhos, anteriormente composto apenas por homens. A bailarina Marcela Felipe defende esses novos papéis femininos.

O Baile aglutina uma equipe caudalosa. São mais de 300 pessoas envolvidas. Sendo uma orquestra com 14 músicos, coro de 26 cantores (13 adultos e 13 crianças) e seis solistas, incluindo o cantor Silvério Pessoa.

O Mateus mais lírico, Arilson Lopes, lembra que o texto original já recebeu vários tratamentos, novas palavras e novas cenas. “ Acho que o Baile do Menino Deus é um sucesso porque o público se vê, se reconhece nas brincadeiras, nas músicas, nos folguedos ressignificados, no sotaque, na nossa cultura. Já não vejo o Natal do Recife sem essa celebração que se tornou o Baile do Menino Deus, no Marco Zero”.

SERVIÇO
Baile do Menino Deus – Uma Brincadeira de Natal
Quando: 23, 24 e 25 de dezembro de 2016, às 20h
Onde: Praça do Marco Zero, Bairro do Recife
Acesso gratuito
Classificação livre

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Peça sobre Dom Helder Camara vem ao Janeiro

Foto: Alecio Cezar

O Avesso do Claustro fecha o Janeiro de Grandes Espetáculos. Foto: Alecio Cezar

A memória de Dom Helder Camara (1909-1999) está talhada no coração da dramaturgia de O Avesso do Claustro, espetáculo da Cia. do Tijolo. A peça encerra a programação do Janeiro de Grandes Espetáculos versão 2017, no Recife, com sessões nos dias 28 e 29 do mês que vem, no Teatro de Santa Isabel. A encenação é construída enquanto missa profana e poema, celebração da utopia e da canção, na definição dos criadores.

Assisti ao Avesso do Claustro na quarta edição do MIRADA – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos, que ocorreu em setembro deste ano.  Escrevi uma crítica sobre a montagem para o site do Sesc, promotor do festival que pode ser acessado pelo link  DOM DA LIBERDADE .

É uma encenação urgente e necessária, calorosa e inteligente, que acolhe nossas fragilidades diante do mundo, que “traça paralelos da luta do Dom Helder durante o regime militar brasileiro e essa outra Idade Média que encaramos sem tantos eixos de sustentação”, como escrevi para o MIRADA. E incentiva a obstinar na justiça.

Dinho Lima Flor, que interpreta Dom Helder Camara, é pernambucano de Tacaimbó. Ele divide a direção do espetáculo com o mineiro de Belo Horizonte Rodrigo Mercadante. A vontade da Cia. do Tijolo de vir ao Recife com a peça era tanta que o grupo entrou para a programação do Janeiro de Grandes Espetáculos em condições bem especiais, dividindo os custos. Os ingressos para as sessões de O Avesso do Claustro terão preços diferenciados para complementar as despesas. Serão R$ 60 e R$ 30.

O festival ocorre de 12 a 29 de janeiro e conta com um orçamento super reduzido: R$ 400 mil, contra cerca de R$ 900 do ano passado que já era apertado.

Dinho Lima Flor interpreta o bispo no espetáculo O avesso do Claustro. Foto: Alecio Cezar

Dinho Lima Flor interpreta Dom Helder Camara. Foto: Alecio Cezar

Rememorar a história do bispo vermelho nesses tempos incertos reforça o ânimo para a boa luta. A trupe paulistana de oito anos de existência leva para a cena a trajetória do cearense que se tornou arcebispo de Olinda e Recife.

Os episódios da vida e da militância do religioso católico progressista são narrados a partir de três personagens que tentam se conectar com ele: Rodrigo Mercadante faz um pesquisador que busca investigar as trilhas do bispo no Recife; uma paulistana interpretada por Lilian de Lima, que vive numa quitinete de 15 me perambula pelo centro de São Paulo de estação em estação dando socorro aos mais desvalidos e Karen Menatti assume o papel de uma cozinheira que está aos pés do Cristo Redentor e assiste o projeto da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) na construção do conjunto habitacional Cruzada São Sebastião no bairro carioca do Leblon.

Essas três figuras cheias de questionamentos e perplexidades diante da realidade brasileira dialogam com Camara em encontros inusitados quase 20 anos após sua morte. Elas ouvem de novo a voz do religioso, seus lampejos e sua lira de poeta. Nessas conversas, eles chegam a questionar o bispo.

A ação da moradora da maior metrópole da América Latina ao aportar na estação Santa Cecilia e se deparar com o aviso “Deus não existe”, abre para um debate sobre o uso indevido do nome de Deus na atualidade. O narrador questiona: “Como Deus não existe? Deus nunca esteve tão presente nos adesivos de carros, em declarações públicas e, até mesmo, nas reuniões na Câmara dos Deputados!”.

O mundo cada vez mais conservador, a mentalidade retrógrada pulverizada no cenário brasileiro foram motivações para o grupo erguer o espetáculo. A Cia. Do Tijolo quis fazer um contraponto ao papel político exercido atualmente pelas igrejas evangélicas. Dom Helder Camara é o personagem ideal: de ideologia alinhada à esquerda, que se projetou internacionalmente por suas ações de combate à miséria e discursos igualitários. A montagem dá uma resposta estética e política à atuação da chamada BBB do Congresso Nacional, a bancada da Bíblia, do Boi e da Bala.

Elenco de O Avesso do Claustro

Elenco de O Avesso do Claustro.  Foto: Alecio Cezar / Divulgação

Dom Herder Camara é um personagem de luta, das históricas lutas de resistência política durante a ditadura civil-militar no Brasil (1964-1985). Defensor da não-violência e de uma Igreja Católica voltada aos pobres, por sua militância pela defesa dos direitos humanos, o clérigo foi indicado quatro vezes ao prêmio Nobel da Paz. E por denunciar internacionalmente os crimes de tortura pelo regime militar no Brasil ele foi impedido pelo AI-5, a partir de 1986, de ter seu nome citado pela imprensa brasileira.

Já no início do espetáculo temos o batuque a evocar nossas raízes africanas. Na última cena, grandes bonecos carnavalescos representam Patativa do Assaré, Paulo Freire, Dom Hélder e García Lorca. Essas figuras já foram celebradas em outros espetáculos da Cia do Tijolo. O mestre da cultura popular Patativa do Assaré (1909-2002) foi protagonista da montagem Concerto de Ispinho e Fulô. A peça Ledores do Breu foi inspirada no texto Confissão de Caboclo, de Guimarães Rosa, e no pensamento e prática do educador Paulo Freire. Cantata para um bastidor de utopias tem por base num texto de Federico García Lorca: Mariana Pineda.

Os personagens de O Avesso do Claustro (interpretados por Lilian de Lima, Karen Menatti, Dinho Lima Flor, Rodrigo Mercadante e Flávio Barollo, além dos músicos Aloísio Oliver, Maurício Damasceno, William Guedes e Leandro Goulart) ousam imaginar novos horizontes para esses tempos tenebrosos. No território profano, utópico e poético do teatro se cozinha o alimento da esperança e tonifica o espírito para a batalha.

SERVIÇO
O Avesso do Caustro, com a Cia. do Tijolo, dentro do Janeiro de Grandes Espetáculos
Quando: 28 e 29 de janeiro de 2017
Onde: Teatro de Santa Isabel
Quanto: R$ 60 e R$ 30

Ficha técnica
O avesso do claustro
Dramaturgia: Cia. do Tijolo
Direção: Dinho Lima Flor e Rodrigo Mercadante
Direção Musical: William Guedes
Com: Lilian de Lima, Karen Menatti, Dinho Lima Flor, Rodrigo Mercadante e Flávio Barollo
Orientação teórica: Frei Betto
Músicos: Maurício Damasceno,William Guedes, Clara Kok Martins, Eva Figueiredo e Leandro Goulart
Figurinista: Silvana Marcondes
Concepção e construção de cenário: Cia. do Tijolo e Silvana Marcondes
Assistentes e aderecistas: Alexandra Deitos e Isa Santos
Rede e bonecos de pano: Silvana Gorab
Bonecões: André Mello e Cleydson Catarina
Cenotécnica: Julio Dojcsar e Majó Sesan
Costureira: Atelier Judite de Lima e Cecília Santos
Desenho de luz: Aline Santini
Operadora de luz: Laiza Menegassi
Assistente de luz: Pati Morim
Operação de som: Emiliano Brescacin
Orientação cênica: Joana Levi e Fabiana Vasconcelos Barbosa
Orientação vocal: Fernanda Maia
Composição de trilha sonora original: Caique Botkay e Jonathan Silva
Produção executiva: Cris Raséc
Assistente de produção: Lucas Vedovoto
Designer gráfico: Fábio Viana
Fotos: Alécio Cezar

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Mostra de esquetes no Espaço Cênicas

Cenas curtas inspiradas na literatura brasileira. Foto: Cênicas Cia. de Repertório

Cenas curtas inspiradas na literatura brasileira. Foto: Cênicas Cia. de Repertório

Contos da literatura brasileira são a base para as cenas curtas articuladas nos exercícios de interpretação dirigidos por Antonio Rodrigues, da Cênicas Companhia de Repertório. A 3ª edição da Mostra Pequenos Grandes Trabalhos ocorre neste fim de semana, no Espaço Cênicas. nos dois dias são exibidas as atividades artísticas, sábado (17) às 20h e domingo (18) às 19h. No sábado são apresentadas Caixinha de música, A Coroa de Orquídeas, Triangulo em Cravo e <em>Flauta Doce, Totonha e Nossa Rainha; no domingo terão Terça-Feira Gorda, A Cartomante, Réquiem Para um Fugitivo, Despeito, Vestido Longo e Aqueles Dois.

PROGRAMAÇÃO


Sábado (17/12)às 20H:

Caixinha de Música, de Caio Fernando Abreu, por Sophia Coutinho e Ricardo Andrade.
A Coroa de Orquídeas, de Nelson Rodrigues, por Almir Guilhermino.
Triângulo em Cravo e Flauta Doce, de Caio Fernando Abreu, por Thayana Monteiro, João Victor e Flávio Moraes.
Totonha, de Marcelino Freire, por Vitória Medeiros.
Nossa Rainha, de Marcelino Freire, por Bero Andrade.

Domingo (18/12), ÀS 19H
Terça-feira Gorda, de Caio Fernando Abreu, por Fábio Queiroz.
Réquiem Para um Fugitivo, de Caio Fernando Abreu, por Fernando Pessôa.
A Cartomante, de Machado de Assis, por Emília Marques, Nemu Campos, Surete Martins e Marcionillo Pedrosa.
Despeito, de Nelson Rodrigues, por Jandson Miranda, Heloísa Medeiros, Fernanda Brasil e Ricardo Andrade.
Vestido Longo, de Marcelino Freire, por Cássia Souza.
Aqueles Dois, de Caio Fernando Abreu, por Milton Raulino e Marcionillo Pedrosa.

SERVIÇO
3ª Mostra Pequenos Grandes Trabalhos
Quando: 17 E 18 de Dezembro De 2016
Sábado 20:00h e Domingo às 19:00h
Onde: Espaço Cênicas (Rua Marques de Olinda,199 – segundo andar. Bairro do Recife Antigo – entrada pela Vigário Tenório.
Quanto: R$ 20,00 e 10,00 meia
Plateia limitada 80 lugares
16 anos
Informação 81 99609-3838

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Picadeiro para as crianças

Espetáculo da Escola Pernambucana de Circo

Espetáculo da Escola Pernambucana de Circo

Elas já aprenderam alguns truques e técnicas circenses e exibem seus talentos neste fim de semana. Crianças e adolescentes ocupam o picadeiro na Escola Pernambucana de Circo, sábado e domingo, às 19h, na sede da instituição, no bairro da Macaxeira. Os formandos do Projeto Brincar e Aprender pra Crescer com Você! Ações conjuntas na Prevenção de Uso e Abuso de Drogas realizado em convênio com a COMDICA (Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Recife (PE), exibem Acrobacias Aéreas (trapézio, tecido e lira) e Acrobacias de Solo (pirâmide humana, adágio/mão a mão, mini-tramp e pista acrobática), Malabares e Equilíbrio.

As apresentações de encerramento estão divididas em dois dias, com entrada gratuita. No primeiro, sábado (17), as crianças de 6 a 10 anos participam do espetáculo Avoar no Universo Circense, inspirado no texto Avoar, do dramaturgo Vladimir Capela, falecido em 2015. O texto foi adaptado para o universo do circo pelos educadores Karolaine Camila, Hammai de Assis e Hosani Gomes. Os alunos levam para a cena as brincadeiras e cantigas típicas infantis, com acrobacia, números de tecido, lira e equilíbrio.

Já no segundo dia, o domingo (18), o protagonismo é dos adolescentes de 11 a 15 anos. Eles encenam A Bailarina em um Musical Circense, que explora a aventura da dançarina em meio a novos ritmos. O grupo apresenta números de malabarismo, trapézio, acrobacia, equilíbrio, molas, tecido e pirâmide. O roteiro foi sugerido por duas alunas adolescentes e o texto final construído pelos educadores, Thiago Oliveira, Raquel Franco e Maicon Francisco Torres.

O Projeto Brincar e Aprender para Crescer com Você é destinado para crianças dos 6 aos 10 anos e adolescentes dos 11 aos 15. As aulas regulares ocorrem à tarde. Em março serão abertas as inscrições para novas turmas. Informações no site (www.escolapecirco.org.br).

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Odin Teatret no Recife

Samuel, Eugenio, Agri, Julia e Naná: encontro do Odin no Recife. Foto: S.Santos

Samuel Santos, Eugenio Barba, Agri Melo, Julia Varley e Naná Sodré: encontro do Odin no Recife. Foto: S.Santos

“Dou ao ofício teatral um valor muito profundo”, comenta o encenador e teórico Eugenio Barba, 80 anos, numa mistura de português, espanhol e italiano. Referência incontestável para as artes cênicas desde meados do século 20 o pensador italiano é uma figura que os artistas da cena, estudantes ou espectadores cultos e interessados em artes sabem, ou deveriam saber, da importância. Barba ainda pensa o teatro de forma inovadora – da criação artística, passando pela pedagogia, pesquisa e reflexão ética. Fundador do Odin Teatret, localizado em Holstebro, na Dinamarca, em 1964 e criador da Antropologia teatral, um estudo comparativo das diferentes habilidades cênicas do ator, performer ou bailarino a partir da sua presença física e mental aperfeiçoadas em algumas partes do mundo, durante várias gerações.

Barba e a atriz e diretora inglesa Julia Varley, companheira de Eugenio, que está no grupo desde 1976, estiveram no Recife de segunda a quarta-feira, a convite do grupo O Poste Soluções Luminosas, cumprindo uma intensa programação no Teatro Hermilo Borba Filho e sede dO Poste) que incluiu o workshop de voz O Eco do Silêncio ministrado por Varley, com demonstração de trabalho; conversa com Eugenio Barba sobre Antropologia Teatral, o que é? e exibição do espetáculo Ave Maria, que tem a morte como tema e traz Mr. Peanut, um alter-ego de Varley, em diversas identidades.

O espetáculo dirigido por Eugenio, faz uma homenagem à atriz chilena María Canépa, amiga de Julia. Ave Maria leva para a cenas as impressões, vivências de Julia ao lado da atriz chilena, que recebeu o Odin em seu país pela primeira vez na época da ditadura de Augusto Pinochet. Ave Maria trata do sentido de fazer teatro e da figura singular que depositava uma grande confiança no ser humano.

A frequência às atividades do Odin no Recife não esteve à altura da relevância do grupo sediado na Dinamarca. A apresentação de Ave Maria foi a mais atingida. Ocorreu no dia seguinte à manifestação contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Teto dos Gastos Públicos, que começou pacífica, mas que terminou com depredações no centro da cidade e alguns detidos. O dia 14 de dezembro foi de comentários temerosos nas redes sociais (alguns anunciando arrastões), ruas do centro desertas e teatro esvaziado.  

Eugenio Barba e Julia Foto:

Eugenio Barba e Julia Foto: Marcelo Dischinger

O Odin veio à capital pernambucana em 2012, numa ação do projeto Palco Giratório, do Sesc, em que Eugenio participou de uma conversa pública e Julia expôs também O eco do silêncio.

O coletivo anfitrião também exibiu dois espetáculos que têm como norte alguns princípios da antropologia teatral: A Receita, solo com a atriz Naná Sodré que investiga a violência contra a mulher, e Ombela, dueto entre Naná e Agrinez Melo a partir da obra do escritor africano Manuel Rui, ambos dirigidos por Samuel Santos.

Barba tem mais de 20 livros publicados já dirigiu mais de 70 produções, entre as quais Ferai (1969), My Father’s House (1972), Brecht’s Ashes (1980), The Gospel according to Oxyrhincus (1985), Talabot (1988), Kaosmos (1993), Mythos (1998), Andersen’s Dream (2004), Ur-Hamlet (2006), Don Giovanni all’Inferno (2006), The Marriage of Medea (2008), The Chronic Life (2011), Ave Maria (2012) e A Árvore (2016).

Há nove anos o encenador participa com o seu Odin Teatret da residência intitulada A Arte Secreta do Ator, realizada em Brasília (DF) e produzida pela TAO filmes e da Cia. YinsPiração Poéticas Contemporâneas. 

A entrevista em vídeo foi concedida após a demonstração de trabalho O eco do silêncio, de Júlia Varley, e da palestra com Eugenio Barba, no saguão do Teatro Hermilo Borba Filho, no dia 13 de dezembro, terça-feira.  Contei com a colaboração do professor da UFPE Everson Melquíades.

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