Bonecos para encantar

Foto: Franz Mendes Cia Fios de Sombra (SP)

Foto: Franz Mendes Cia Fios de Sombra (SP)

A 6ª Mostra Pernambucana de Teatro de Bonecos se faz na raça. Mesmo com a carência de espaços teatrais e específicos para títeres, com os incentivos insuficientes e a falta de políticas de salvaguarda para o mamulengo, que é Patrimônio Imaterial. O resultado de resistência e insistência dos artistas do setor são exibidos deste sábado (27) até o dia 4 de junho, no Teatro Apolo, e em espaços públicos do Recife, Olinda e Igarassu.

Serão 33 apresentações artísticas, com destaque para a produção local, que compõe um panorama dessa arte no estado. E a Associação Pernambucana de Teatro de Bonecos, presidida por Jorge Costa, focou na descentralização do programa e na realização de três oficinas: Confecção de Bonecos de papel machê, Confecção de bonecos de sucata e Confecção de bonecos de madeira (Mulungu).

O festival inclui os tradicionais, como o Mestre Saúba e seu filho Bibiu, de Carpina (PE), o Mamulengo Riso do Povo do Mestre Zé de Vina, de Glória do Goita (PE), Mestre João do Mamulengo (São João/PE); Mamulengo Jurubeba. E também peças que usam técnicas de objetos animados, como Mistério das Figuras de Barro, da Cia. Máscaras de Teatro (PE), o musical Pipoquinha, e O mascate, a pé-rapada e os forasteiros, da Artes Cínicas com Objetos (PE).

Além de duas montagens do Mão Molenga Teatro de Bonecos ,na programação paralela: Babau ou a vida desembestada do homem que tentou engabelar a morte e Fio mágico.
A programação é vasta e o espectador deve encontrar algo que o encante nessa arte mágica.

A Companhia Fios de Sombra, de Campinas, vem com dois espetáculos neste sábado. Maresias traça uma reflexão poética sobre brincadeiras na praia. Nela, um homem solitário constrói um castelo de areia e logo depois um menino. O garoto de areia sonha que uma bela sereia o chama das profundezas do mar. O homem vislumbra sua criatura no afã de conquistar o amor da sereia. São sonhos que se conectam, numa brincadeira divertida com técnica de manipulação direta e sombras.

Cinza, o solo da atriz Paloma Barreto é sobre uma personagem moradora de rua. A concepção visual trabalha com estampas de jornal e uma técnica japonesa chamada Kuruma Nyngio, em que o títere é manipulado por artista que usa um pequeno banco com rodas.

PROGRAMAÇÃO

Maresias, da Cia. Fios de Sombra (Campinas/SP)
Quando e onde: 27/05 (sábado), às 16h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

Cinza, da Cia. Fios de Sombra (Campinas/SP)
Quando e onde: 27/05 (sábado), às 20h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

A pata e a raposa, do Grupo Pipoquinha (PE)
Quando e onde: 28/05 (domingo), às 10h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

As bravatas de Tiridá no Mamulengo do Recife – Mamulengo Jurubeba
Quando e onde: 28/05 (domingo), às 15h, na Praça do Carmo – Olinda

Cantiga e histórias na terra do sabiá ou O que é meu é meu e o boi não lambe, do Grupo Mamulengos e Catrevagens (PE)
Quando e onde: 28/05 (domingo), às 16h30, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

Mestre Saúba e seu filho Bibiu – Carpina (PE)
Quando e onde: 28/05 (domingo), às 18h, na Praça do Arsenal, Bairro do Recife

Mistério das Figuras de Barro, da Cia. Máscaras de Teatro (PE)
Quando e onde: 28/05 (domingo), às 20h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

Bumba meu boi do Capitão Boca Mole, do Teatro Bonecartes (PE)
Quando e onde: 29/05 (segunda), às 10h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

O homem e a morte, do TengoLengo Teatro de Mamulengo (Salgueiro/PE)
Quando e onde: 29/05 (segunda), às 15h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

H20, o planeta é água, do Theatro de Bonecos Quero Mais (PE)
Quando e onde: 30/05 (terça), às 10h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

Era uma vez…, do Theatro de Bonecos Quero Mais (PE)
Quando e onde: 30/05 (terça), às 15h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

Musical Pipoquinha, do Grupo Pipoquinha (PE)
Quando e onde: 31/05 (quarta), às 10h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

Folclore: será que é história? Q-Riso teatro de bonecos (Igarassu/PE)
Quando e onde: 31/05 (quarta), às 15h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

A bela e a fera, do Teatro de Bonecos Lobatinho
Quando e onde: 1º/06 (quinta), às 15h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

Cantigas de Roda que o circo chegou, do Theatro de Bonecos Quero Mais (PE)
Quando e onde: 1º/06 (quinta), às 15h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

Mamulengo mulato, Mestre João do Mamulengo (São João/PE)
Quando e onde: 1º/06 (quinta), às 15h, na Praça do Carmo

Grandioso espetáculo do Mamulengo Tomé, do Mamulengo Tomé (Garanhuns/PE)
Quando e onde: 1º/06 (quinta), às 20h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

Historinhas breves: miniespetáculos dos alunos de teatro da UFPE
Quando e onde: 02/06 (sexta), às 10h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

A fazenda encantada, do Mamulengo Nova Geração de Glória do Goita (PE)
Quando e onde: 02/06 (sexta), às 15h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

Vai ter festa na fazenda de Mané Pacaru, do Teatro História do Mamulengo, de Glória do Goitá (PE)
Quando e onde: 02/06 (sexta), às 15h, na esquina da Rua 7 de setembro com a Rua do Hospício

A fazenda do coronel Mané Pacaru, do Mamulengo Riso do Povo do Mestre Zé de Vina, de Glória do Goita (PE)
Quando e onde: 02/06 (sexta), às 20h, na esquina da Rua 7 de setembro com a Rua do Hospício

Quem conta um conto, aumenta um ponto, da Oficina de Comunicação (PE)
Quando e onde: 03/06 (sábado), às 10h, na Casa da Cultura

Mestre João Galego, do Mamulengo Nova Geração (Carpina/PE)
Quando e onde: 03/06 (sábado), às 15h, na Praça do Carmo, em Olinda

Cantiga e histórias na terra do sabiá ou O que é meu é meu e o boi não lambe, do Grupo Mamulengos e Catrevagens (PE)
Quando e onde: 03/06 (sábado), às 16h30, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

Miro dos Bonecos – Mamulengo Novo Milênio, de Carpina (PE)
Quando e onde: 03/06 (sábado), às 18h, no Sítio Histórico de Igarassu

A fazenda do coronel Pacaru – Mamulengo Teatro Novo Riso do Mestre Zé Lopes – Glória do Goitá (PE)
Quando e onde: 03/06 (sábado), às 20h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

Nuviô ou Quero cê balão, da Clara Trupi de Ovos y Assovios (SP)
Quando e onde: 04/06 (domingo), às 10h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

Coisas de menino-boneco, da Clara Trupi de Ovos y Assovios (SP)
Quando e onde: 04/06 (domingo), às 16h30, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

A fantasia dos bonecos, do Mamulengo Arte da Alegria, de Glória do Goitá (PE)
Quando e onde: 04/06 (domingo), às 18h, na Praça do Arsenal

O mascate, a pé-rapada e os forasteiros, da Artes Cínicas com Objetos (PE)
Quando e onde: 04/06 (domingo), às 20h, no Teatro Apolo

Programação paralela

Babau ou a vida desembestada do homem que tentou engabelar a morte, do Mão Molenga Teatro de Bonecos
Quando e onde: 27/05 (sábado), às 16h, no Teatro Marco Camarotti (Sesc Santo Amaro) – Rua 13 de maio, 455, Santo Amaro

Fio mágico, do Mão Molenga Teatro de Bonecos
Quando e onde: 28/05 (domingo), às 16h, no Teatro Marco Camarotti (Sesc Santo Amaro) – Rua 13 de maio, 455, Santo Amaro

SERVIÇO
6° Mostra Pernambucana do Teatro de Bonecos
De 27 de maio a 4 de junho, em Recife, Olinda e Igarassu
Ingressos: R$ 20 e R$ 10 para os espetáculos no Teatro Apolo e gratuito nas peças de rua

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Saga de Bernarda Soledade

Fabiana Pirro e Sílvia Góes nos papéis de Beranrda e Inês. Foto: Roberta Guimarães

Fabiana Pirro e Sílvia Góes nos papéis de Bernarda e Inês. Foto: Roberta Guimarães / Divulgação

Conflito por terras e pelos corpos femininos. Ato sexual enquanto relação de poder e conquista. Dupla moral: honra da mulher conectada à virgindade e a do homem à virilidade. A história de Bernarda Soledade – A Tigre do Sertão, de Raimundo Carrero, trafega por essas áreas de disputas. No espaço de predomínio patriarcal, o discurso e as ações são machistas e até os subjugados usam, para pensar a dominação, as ferramentas dos dominadores. Nesse cenário, a mulher será enquadrada a uma moral masculina que desvaloriza àquelas que transgridem essa norma.

Primeiro romance de Carrero, publicado em 1975, Bernarda Soledade, a Tigre do Sertão, tem nova leitura dramática neste sábado (27), às 18h, em Olinda, no sebo Casa Azul, do escritor Samarone Lima, recém-inaugurado na rua 13 de Maio (vizinho ao MAC e Casa do Cachorro Preto). A trama da família Soledade, ganha dramatização com os atores Fabiana Pirro (Bernarda), Sílvia Góes (Inês), Ana Nogueira (Gabriela), Cláudio Ferrario (Narrador e Coronel Pedro Militão), Diógenes D. Lima (Anrique Soledade) e Edjalma Freitas (Pedro Lucas), e percussão de Luca Teixeira.

Essa ação faz parte do Circuito de Leituras Teatrais Dramatizadas da Literatura Pernambucana do Centro Cultural Raimundo Carrero. Depois da apresentação está marcada uma conversa entre o autor de Somos Pedras Que Se Consomem,  O Amor Não Tem Bons Sentimentos e A Minha Alma É Irmã de Deus e o escritor Samarone Lima. Literatura, concepção, inspiração, teatro e vida, estão na pauta desse bate-papo de criadores, que terá como eixo propulsor Bernarda Soledade, publicado há mais de quarenta anos.

faz . Foto: Nina Xará França

Cláudio Ferrario faz o Narrador e o Coronel Pedro Militão. Foto: Nina Xará França / Divulgação

Bernarda Soledade está no centro dessa história de lutas reais e simbólicas no Sertão nordestino. A filha primogênita do Coronel Pedro Militão executa sua gana de expansão territorial da fazenda Puxinãnã . Para isso confisca terras circunvizinhas, expulsa seus proprietários e semeia inimigos.

Mas a domadora de cavalos imponente nutre a vontade de gerar em seu ventre o herdeiro de Puxinãnã. E para isso escolhe o Tio Anrique. Mas nesse encontro, cada um tinha uma meta. Ele almejava se vingar da sobrinha que usurpou suas terras. Ela ansiava por um filho que herdasse a bravura do tio.

Pedro Lucas, um ex-namorado de Inês, a filha caçula do Coronel Pedro Militão, também é motivado pela revanche por ter sido expulso junto com sua família e pela morte do pai. Seu objetivo é “desonrar” Inês publicamente. 

Anrique e Pedro Lucas enxergam a relação sexual como um ato de posse do corpo feminino e de desforra. Gabriela Soledade, a mãe de Bernarda e Inês, é apresentada como uma viúva perturbada emocionalmente. 

Bernarda Soledade – A Tigre do Sertão é uma ótima provocação para debater identidade, poder, quebra de papeis e internalização do discurso dominante.

Ana Nogueira como . Foto: Roberta Guimarães

Ana Nogueira como Gabriela . Foto: Roberta Guimarães / Divulgação

Ficha Técnica
Direção: Coletiva (o grupo)
Produção: Fabiana Pirro e Ana Nogueira
Adaptação: Raimundo Carrero, Fabiana Pirro, Ana Nogueira e Sílvia Góes
Percussão: Luca Teixeira
Patrocínio: Copergás.

Serviço
Onde: Sebo Casa Azul (Rua 13 de Maio, 121 – Carmo/Olinda)
Quando: Sábado (27), às 18h
Entrada franca

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Versão feminista da Bíblia

Peça com Inez Viana é inspirada em romance de Moacir Scliar. Foto: Divulgação

Peça com Inez Viana é inspirada em romance de Moacyr Scliar. Foto: Divulgação

A peça A Mulher que Escreveu a Bíblia existe desde 2009, com a atriz Inez Viana, dirigida por Guilherme Piva. Baseada no romance de Moacyr Scliar, a história mostra uma dona considerada feia e por isso rejeitada sexualmente. A personagem chegou a ser 700ª esposa do rei Salomão, mas continuou virgem após a noite de núpcias.

Inteligente, vivaz, ela tomou gosto pelo ofício de escrever. E a criatura desprezada por sua carcaça é encarrega pelo rei a contar a história povo hebreu com as mais lindas palavras. Os relatos ganham outras nuances, pois a figura é feminista, combate o machismo e tem uma crítica bem aguçada.

A personagem que compôs a Bíblia descobriu sua identidade ancestral, a partir de uma terapia de vidas passadas. O monólogo é adaptado aos palcos por Thereza Falcão.

O espetáculo fica em cartaz de quinta a sábado (sessões de 25 a 27/05, e de 1º a 3 de junho), às 20h, na Caixa Cultural Recife. O projeto inclui uma oficina gratuita de produção cultural no dia 2 de junho (das 15h às 18h), a ser ministrada pela diretora de produção Cláudia Marques. Interessados devem ter mais de 18 anos e enviar o currículo para o e-mail contato@fabricadeeventosrj.com.br. Inscrições até 30/05. O grupo selecionado será informado por e-mail.

Ficha técnica:
Concepção e direção: Guilherme Piva
Texto: Moacyr Scliar
Adaptação: Thereza Falcão
Performance: Inez Viana
Direção Musical e música original: Marcelo Alonso Neves
Cenário: Sérgio Marimba
Iluminação: Maneco Quinderé
Figurino: Rui Cortez
Preparação corporal: Daniela Amorim
Designer gráfico: Paula Joory
Produção local: Pedro Vilella
Direção de produção: Cláudia Marques.

Serviço
A Mulher que escreveu a Bíblia, monólogo com Inez Viana
Quando: de hoje a sábado e de 1°a 3 de junho, às 20h
Onde: Caixa Cultural Recife (Avenida Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife)
Quanto: R$ 10 e R$ 5 (meia)
Classificação indicativa: 16 anos
Informações: 3425-1900

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A farsa do sucesso infalível

Alexandre Nero. Foto: Priscila Prade/Divulgação

Alexandre Nero. Foto: Priscila Prade/ Divulgação

Prestígio. Dinheiro. Influência. Seguidores. Símbolos de poder, de ser bem-sucedido na vida. Mas mesmo as mais sólidas estruturas podem desmoronar como castelos de areia e há muitos exemplares dessa gangorra no cenário brasileiro. Triunfo é uma meta também para os atores de uma companhia teatral. Eles refletem sobre êxitos e fracassos como faces de uma mesma moeda. Com um humor cáustico, a peça O Grande Sucesso explora o que significa esses valores no mundo contemporâneo.  Liderado pelo ator e músico Alexandre Nero, o espetáculo investiga os bastidores do teatro e essa busca pela fama. O Grande Sucesso faz curta temporada de hoje a domingo (21), no Teatro Boa Vista,

Com texto e direção de Diego Fortes a peça traz referências da trajetória de Nero como ator de televisão (Comendador na novela Império, ou Romero Rômulo em A Regra do Jogo), Nero, e dos integrantes do elenco, com cenas criadas a partir de improvisações de cada um. A montagem se dobra sobre os conflitos de uma trupe de artistas, com música ao vivo. A atmosfera político-social no Brasil e os acontecimentos novelescos temperam a trama.

Os conflitos de cada personagem na lida com seu ofício produzem cenas irônicas, engraçadas, no confronto entre realidade e ficção. Mas sabemos que riso que vem dos fatos são doloridos, porque refletem a podridão que estava escondida embaixo do tapete.

A comédia leva ao palco canções que tratam no momento atual, com força crítica. “Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo/ Que bom que somos todos bons/ Imaculados, infalíveis, invioláveis… e inocentes”.

Nessa metalinguagem que também é uma declaração de amor ao teatro, o fracasso é apontado com algo que ocorre na vida de todos. “As bactérias são organismos bem-sucedidos/ As bactérias são O Grande Sucesso”.

Participam do espetáculo Carmem Jorge (preparadora corporal e coreógrafa), os atores e músicos Rafael Camargo, Eliezer Vander Brock, Fernanda Fuchs, Fabio Cardoso, Edith de Camargo, Carol Panesi, Marco Bravo e o diretor musical Gilson Fukushima. 

Serviço

Peça O Grande Sucesso
Quando: Sexta (19) e sábado (20), às 21h, e domingo (21), às 20h
Onde: Teatro Boa Vista – Rua Dom Bosco, 551, Boa Vista, Recife – PE
Ingressos: R$ 100 (plateia A) e R$ 80 (plateia B), ambos com direito à meia-entrada. Vendas na bilheteria do teatro ou no site da Eventim.
Classificação: 14 anos

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Retomada, nosso grito urgente e imprescindível!

Penúltimo fim de semana da temporada do Totem no Teatro Arraial Ariano Suassuna. Foto Fernando Figueirôa

Penúltimo fim de semana da temporada do Totem no Teatro Arraial Ariano Suassuna. Foto Fernando Figueirôa

Retomada, do grupo Totem, é um espetáculo de resistência, de combate pela honra dos povos indígenas e outros silenciados historicamente. É uma experiência de luta que se manifesta no corpo, nos gestos, na sonoridade, na potência de se insurgir contra as injustiças. É um canto de guerra pelos direitos dos povos indígenas, A encenação engrossa o coro de vozes dos seres originários do país, reforça a sabedoria ancestral, robustece a batalha pela demarcação de suas terras. Retomada está em cartaz no Teatro Arraial, às sextas e sábados, às 20h, até 27 de maio.

Montagem para quem tem fome de justiça, “Retomada se solidariza a todos os que sofreram e ainda sofrem com a invasão de seus territórios e o assassinato de seus líderes”, enfatiza o diretor da performance, Fred Nascimento.

As terras indígenas formam um espaço sagrado exaltado na encenação. E o Totem corporifica a sacralidade e sentimento de resistência desses povos e produz esse poema cênico para celebrar a terra.

Resultado da Pesquisa Rito Ancestral Corpo Contemporâneo, o trabalho de residência artística foi desenvolvido junto aos povos Kapinawá, Xukuru e Pankararu. Com a investigação, o Totem se jogou nos rituais, aprofundando saberes e possibilidades de criação artística.

Um canto de resistência pelos direitos dos povos indígenas

Um canto de resistência pelos direitos dos povos indígenas

A linguagem de Retomada combina dança, teatro, performance e ritual, e possibilita uma experiência estética poderosa. “A energia da atmosfera sagrada se faz presente, formando um corpo expandido entre o físico, o sonoro, o espaço circundante e a metafísica, uma obra cosmológica, trazida à cena contemporânea através do contato com forças ancestrais”, considera Fred Nascimento.

Parece mágico. Mas aqueles pés batendo no chão convocam outros que vieram antes de nós. Aquelas mulheres guerreiras nos contagiam com suas sabedorias impregnadas no corpo, nas marcas deixadas pelo tempo, na alegria das conquistas, na tenacidade de prosseguir na vida, lutando por respeito, por dignidade, sem esmorecer nem baixar a cabeça.

É uma experiência de estar vivo, envolvido energeticamente por aquelas artistas da cena – Lau Veríssimo, Gabriela Holanda, Inaê Veríssimo, Gabi Cabral, Juliana Nardin, Taína Veríssimo e El Maria (performer convidada) – com seus corpos projetados no universo.

Além delas, a encenação ganha nuances, texturas, impacto com a trilha sonora original executada por Fred Nascimento na percussão, Cauê Nascimento na guitarra e Gustavo Vilar no pífano e nos maracás. É uma sonoridade carregada de elementos da cultura indígena que aciona as memórias mais ancestrais em diálogo com a musicalidade contemporânea, que traduz a sensibilidade deste nosso tempo.

Foi um trabalho árduo de pesquisa, que durou mais de um ano e contou com orientações importantes, como a preparação da voz e corpo monitorada pelo dançarino/performer e músico Conrado Falbo, seguida pela preparação vocal de Thiago Neves. A pintura corporal, na criação e execução, foi direcionada pelo artista plástico Airton Cardin.

força do coletivo. Foto: Fernando Figueirôa

Força do coletivo. Foto: Fernando Figueirôa

O desenho de luz de Natalie Revorêdo e a projeção do VJ Bio Quirino atuam como corpos a falar com as atrizes, estabelecendo uma atmosfera ritual do espetáculo e reforçando vigor e exuberância do coletivo. Tudo isso sob a batuta do incansável Fred Nascimento, que assina a encenação/direção geral do espetáculo.

A performance Retomada estreou em maio passado, no Trema! Festival de Teatro, passando depois pelo Cirkula/IRB, pela Mostra Outubro ou Nada de Teatro Alternativo, pela Mostra A Porta Aberta e recentemente pela Mostra de Teatro e Circo do SESC Santo Amaro. O espetáculo tem muito que circular por festivais, escolas, terreiros, palcos, rua. Vida longa e próspera à Retomada.

Ficha Técnica
Encenação: Fred Nascimento
Coreografias coletivas do grupo Totem
Preparação corporal: Totem
Performers: Gabi Cabral, Gabriela Holanda, Inaê Veríssimo, Juliana Nardin, Lau Veríssimo, Taína Veríssimo e El Maria (performer convidada)
Música original: Cauê Nascimento, Fred Nascimento e Gustavo Vilar
Cenografia: Totem
Figurino: Gabriela Holanda
Maquiagem: Totem
Designer de luz: Natalie Revorêdo
Vj: Bio Quirino
Pintura corporal: Airton Cardim
Assistente técnico: Ronaldo Pereira
Fotografia: Fernando Figueiroa
Designer gráfico: Uirá Veríssimo
Preparação vocal: Conrado Falbo e Thiago Neves

SERVIÇO
RETOMADA – performance do grupo Totem
Temporada Até 27 de maio – sextas e sábados, às 20h
Quanto: R$ 20 e 10 (meia)
Onde: Teatro Arraial (Rua da Aurora, 457 – Boa Vista – Recife)
Fone: (81) 3184-3057

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