A provocação de Hamlet

Hamlet? Fragmentado está em cartaz no Galpão CITTA, um novo espaço cultural no Recife

Hamlet? Fragmentado está em cartaz no Galpão CITTA, um novo espaço cultural no Recife

O ato da vingança é uma “forma selvagem de fazer justiça”, como já definiu Francis Bacon. Essa ideia seduz e ganha uma bela tradução em Hamlet, uma das peças de teatro mais revisitadas e desconstruídas da história. A obra escrita por Shakespeare entre 1600 e 1602 atrai o público para o lado do jovem príncipe.

Assombrado com o fantasma do pai, Hamlet se debate com a traição dos parentes e chegados, como o tio Cláudio, que matou o irmão e casou com a cunhada – a rainha Gertrudes – para usurpar a coroa. Maldade e traição pululam do seu próprio lar. A serpente injeta seu veneno que inunda todo o reino da Dinamarca.

A Trupe Artemanha dirigida por Luciano Santiago encena Hamlet? Fragmentado inspirado no texto do bardo inglês e em Hamlet Máquina do dramaturgo alemão Heiner Mülller. Os atores Daniel Gomes e Damyeres Barbosa (além do próprio Santiago) enveredam por teias de jogos de poder, podridão humana, corrupção na Dinamarca (a Dinamarca pode ser aqui), decepções da existência. E reagem com fúria a traidores que estão do lado planejando o golpe. A figura de Ofélia também martela em problemas como violência sexual, machismo e empoderamento feminino. Segundo o diretor, a montagem segue um traçado para questionar caminhos escusos da nossa verde amarela contemporaneidade.

Com Hamlet? Fragmentado o grupo inaugura o Galpão CITTA, um novo espaço cultural no Recife. Além de apresentações, o local também será utilizado para a realização de oficinas livres de teatro, dança e circo e ponto de encontro da comunidade artística.

Vida longa ao Galpão CITTA!

Montagem da Trupe Artemanha tem direção de Luciano Santiago

Montagem da Trupe Artemanha tem direção de Luciano Santiago

Ficha Técnica
Encenação e Organização de roteiro dramatúrgico: Luciano Santiago
Elenco: Daniel Gomes, Damyeres Barbosa e Luciano Santiago
Projeto de Luz e operação de som: Guto Kelevra
Cenografia, figurinos, adereços e seleção musical: Criação coletiva
Preparador Vocal: Elthon Fernandes
Assessoria de Imprensa: Alessandro Moura
Designer Gráfico: Márcio Miranda
Apoio: Sonia Santiago
Cinegrafista: Lucas Mariz
Produção Geral: Trupe Artemanha de investigação teatral

Serviço
Hamlet?Fragmentado
Quando: Sextas e sábados de julho e 4, 11, 18 e 25 de agosto às 20h
Classificação: 16 anos
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) \ R$ 10,00 (meia)
Onde: Galpão CITTA – Centro de Investigação Teatral Trupe Artemanha (Rua João Francisco Lisboa, 170, Várzea, Recife-PE – próximo ao CFCH\UFPE – parada final do ônibus CDU\Caxangá – Boa Viagem)
Capacidade: 50 lugares

Postado com as tags: , , ,

Atrações do Teatro para Crianças de PE

Cira Ramos (D) é homenageado do fetival de Edvane Bactista e Ruy Aguiar

Cira Ramos (D) é homenageado do festival de Edivane Bactista e Ruy Aguiar

A programação do XIV Festival de Teatro para Crianças de Pernambuco prossegue até 30 de julho, com peças infanto-juvenis. Realizado pela Métron Produções, de Edivane Bactista e Ruy Aguiar, a iniciativa também sentiu a retração econômica que atingiu a área cultural. O evento, que começou no início do mês, veio mais enxuto, apenas com grupos locais, que totalizam 23 apresentações. Neste fim de semana, foram selecionados versões cênicas da literatura como O fantástico mistério de Feiurinha, adaptação do livro de Pedro Bandeira, João e o Pé de Feijão, sobre um menino que encontra uma galinha dos ovos de ouro; a clássica história de Antoine de Saint-Exupéry, sobre a relação entre um piloto de avião e uma criança em O Pequeno Príncipe e Três Contos Mágicos sobre anões e maçãs envenenadas.

A homenageada desta edição é a atriz, gestora pública, diretora teatral, locutora, dubladora e preparadora de elenco Cira Ramos, que mesmo com uma carinha de criança, já contabiliza 39 anos de profissão. Entre os espetáculos que atuou estão Maria Borralheira (Papagaios Produções), Avoar (TTTrês Produções Artísticas), A Ver Estrelas (Adriana Falcão / Alexandre Alencar), Caxuxa (Grupo ou Entra no Tom ou sai da Música), Peter Pan no Circo do Chocolate (Chocolate Produções).

PROGRAMAÇÃO

Montagem pernambucana do Pequeno Príncipe

Montagem pernambucana do Pequeno Príncipe

Teatro de Santa Isabel ((Praça da República, s/n, Santo Antônio). Fone: 3355-3323)
22 e 23/07 – O Pequeno Príncipe (Cia. do Riso – Recife/PE)

Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu / Boa Viagem)
22 e 23/07- O Fantástico Mistério da Feiurinha (Cia Individual de Teatro – Recife/PE)
29 e 30/07 – Ariel, Uma História dos 7 Mares (Humantoche Produções – Paulista/PE) 

Teatro Barreto Júnior (Rua Estudante Jeremias Bastos, s/n, Pina. Fone: 3355-6398)
22 e 23/07- Branca de Neve (Humantoche Produções – Paulista/PE)
29 e 30/07- Malévola e Aurora em Uma Bela Adormecida (Capibaribe Produções – Recife/PE)

Teatro Experimental Roberto Costa ((North Way Shopping – Paulista. Fone: 98859-0777).
22 e 23/07- João e o Pé de Feijão (Capibaribe Produções – Recife/PE)
29 e 30/07- Os 3 Super Porquinhos (Roberto Costa Produções – Paulista/PE)

Serviço
XIV Festival de Teatro para Crianças de Pernambuco
Quando: Sábados e domingos de julho 2017, 16:30h (todos os espetáculos)
Onde: Teatro Santa Isabel, Teatro Luiz Mendonça, Teatro Barreto Junior, Teatro Experimental Roberto Costa
Ingressos: R$20,00 (inteira) e R$10,00 (meia)

Postado com as tags: , , ,

Ópera-repente desafia os coronéis

Espetáculo leva ao palco a sonoridade da cantoria de viola do Nordeste brasileiro. Foto: Allan Oliveira

Espetáculo leva ao palco a sonoridade da cantoria de viola do Nordeste brasileiro. Foto: Allan Oliveira

A Ópera do Sol – Uma Odisséia Nordestina no Sertão Pernambucano – Ópera-repente, do dramaturgo Adriano Marcena, é um projeto ambicioso. Desde que foi publicado em livro, há quase 20 anos (Prefeitura da Cidade do Recife, Conselho Municipal de Cultura,1998). Escrito em mais de 18 gêneros ou modalidades da cantoria de viola, o famoso repente do Nordeste brasileiro, o texto prevê a condenação dos poderosos que tentaram ludibriar São José e a população pobre de agricultores do Sertão pernambucano. A peça chega à cena em adaptação do diretor Carlos Carvalho e estreia nesta sexta-feira (21/07), às 20h, no Teatro Apolo.

A temática envereda por assuntos irresolvíveis e que deixa esse Brasil bem fraturado: concentração latifundiária, violência e injustiças sociais. A trama é baseada em história já explorada por muitos artistas populares.

Para garantir uma boa safra, os donos da terra fazem um acordo com São José. O santo promete mandar chuva em abundância, mas em contrapartida, os poderosos devem dividir o excedente do plantio com a população. Os latifundiários viram as costas para o povo e para São José. O castigo divino chega com uma prolongada seca.

Os coronéis do lugar ameaçam os interlocutores do santo, tentam o suborno para evitar que o Sol chegue em toda sua fúria. Mas não há dinheiro que vença as forças da natureza. E os mandatários tentam se vingar de todo jeito e as mulheres são vítimas de violência. O povo se apega à religiosidade para enfrentar os desmandos políticos, econômicos e socioculturais.

No elenco dessa peleja nordestina estão os atores Beto Nery, Douglas Duan, Hermínia Célia Regina Rodrigues, Katyuscia, Miguel Taveira, Thalita Gadêlha, Eduardo Japiassú e Angelis Nardeli Brito.

Serviço:
A Ópera do Sol
Estreia:21/07/2017 (sexta-feira), às 20h
Temporada:sexta-feira a domingo (até 30/07/2017), sempre às 20h
Local:Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)
Ingressos:R$ 20,00 e R$ 10,00 (meia)
Classificação:12 anos

Elenco:
Beto Nery,
Douglas Duan,
Hermínia Mendes,
Célia Regina Rodrigues,
Katyuscia,
Miguel Taveira,
Thalita Gadêlha,
Eduardo Japiassú,
Angelis Nardeli,
Brito,

Texto: Adriano Marcena
Diretor: Carlos Carvalho
Assistente de Direção: Taveira Junior
Diretor Musical: Sandi Maia
Assistente de Direção Musical: Pita Cavalcanti
Gerência de Produção: Galharufas Produções (Taveira Belo Ltda.)
Produção Executiva: Taveira Junior
1º Assistente de Produção: José Antonio Taveira Belo
2º Assistente de Produção: Thalita Gadêlha
Preparador e Arranjador Vocal: Douglas Duan
Preparador Corporal: Raimundo Branco
Administração/ Elaboração do Projeto de Montagem: José Antonio Taveira Belo
Pesquisa Musical: Sandi Maia
Músicas: Adriano Marcena
Arranjos Musicais: Sandi Maia e Pita Cavalcanti
Músicos: Júnior Xanfer: Viola de 12 cordas; Samuel Lira: Flauta Transversal;Pedro Santana: Pandeiro e percussão; Pita Cavalcanti: Violão nylon; Sandi Maia: Piano, Violão nylon e Regência.
Plano de Iluminação: Jathyles Miranda
Figurinos e Adereços: Marcondes Lima
Cenários: Cláudio Lira
Gravuras: Carlos Carvalho
Assessoria de Imprensa: Gianfrancesco Mello
Programação Visual: Cláudio Lira
Execução de Iluminação: Jathyles Miranda
Gravação da Trilha Incidental – Coro e Vozes: Estúdio Via Brasil
Engenheiro de Som: Stephan Hitzelberqer
Execução de Sonoplastia: Danilo Augusto
Plano de Maquiagem: Carlos Carvalho
Execução de Figurinos: Maria Lima
Execução de iluminação: Jathyles Miranda
Execução de Sonoplastia: André Almeida
Execução de Cenários: Coletivo Caverna, Charles de Lima, Evandro de Mesquita eLuiz Manuel
Camareira: Beta Galdino
Contrarregra: Gaguinho
 

Postado com as tags: , , , , , , , , , , , ,

Aquilo que o meu olhar guardou para você, do grupo Magiluth

Aquilo que o meu olhar guardou para você

Aquilo que o meu olhar guardou para você

Aquilo que o meu olhar guardou para você

Aquilo que o meu olhar guardou para você

Aquilo que o meu olhar guardou para você

Aquilo que o meu olhar guardou para você

Aquilo que o meu olhar guardou para você

Aquilo que o meu olhar guardou para você

Aquilo que o meu olhar guardou para você

Aquilo que o meu olhar guardou para você

Aquilo que o meu olhar guardou para você

Aquilo que o meu olhar guardou para você

Fotos do espetáculo Aquilo que o meu olhar guardou para você, do grupo Magiluth, feitas no dia 11 de maio, durante sessão no Teatro de Contêiner Munguzá, em São Paulo, por Blenda Souto Maior.

*Blenda Souto Maior é pernambucana, atualmente moradora de São Paulo. Fotógrafa freelancer, também se dedica à arte-educação. No Recife, atuou como fotojornalista, integrando a equipe do jornal Diario de Pernambuco.

Ficha técnica do espetáculo:

Aquilo que o meu olhar guardou para você
Direção: Luiz Fernando Marques e grupo Magiluth
Dramaturgia: Giordano Castro
Atores: Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Lucas Torres, Mário Sérgio Cabral e Pedro Wagner Direção de Arte: Thaysa Zooby e Guilherme Luigi
Iluminação: Pedro Vilela
Projeto Gráfico: Guilherme Luigi
Produção e Realização: Grupo Magiluth

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Postado com as tags: , , , , , , ,

FIT de Rio Preto busca se reinventar

Suassuna abre programação. Foto: Silvana Marques

Suassuna,  da trupe teatral Barca dos Corações Partidos abre programação. Foto: Silvana Marques

Suassuna – O auto do Reino do Sol, o título já entrega, é sobre o universo do mestre Ariano Suassuna (1927 – 2014), escritor brasileiro “de Taperoá”, celebrado pela passagem de seus 90 anos. O musical que estreou há pouco e está em cartaz no Rio de Janeiro (RJ), até 20 de agosto, envereda pelos lugarejos do Sertão nordestino para tratar da guerra sangrenta entre as famílias rivais de dois jovens apaixonados. O espetáculo da trupe teatral Barca dos Corações Partidos abre nesta quinta-feira a 17º. edição do FIT – Festival Internacional de Teatro de Rio Preto, no interior de São Paulo.

A peça dirigida pelo ator paraibano Luiz Carlos Vasconcelos, com texto do compositor e escritor Braulio Tavares, também paraibano, e músicas de outro paraibano Chico César (em parceria com Beto Lemos e Alfredo Del Penho e colaborações de Braulio Tavares) articula elementos circenses e tragédias sertanejas. Um bando de artistas saltimbancos do circo-teatro vagueia em meio a retirantes, coronéis e jagunços  atravessado pelo amor de um casal de castas inimigas

Nesta edição o FIT Rio Preto conta com 23 espetáculos. Em dez dias,  50 apresentações ocorrem em 14 locais da cidade.

Criado como Festival Nacional de Teatro Amador em 1969, o programa era uma referência brasileira. Em 2001 foi firmada uma parceria entre a prefeitura da cidade e Sesc e o programa assumiu o status internacional como Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto. Problemas políticos desfizeram o convênio, que provocou uma queda de produção no FIT.

Com a parceria refeita este ano, o festival busca se reinventar e é realizado com um orçamento em torno de R$ 1,5 milhão (da prefeitura e do Sesc). A curadoria é assinada por Adriana Souza, Graziela Nunes e Jorge Vermelho.

As Criadas. foto: Piotr Lis

As Criadas. foto: Piotr Lis

São quatro espetáculos internacionais – África do Sul, Colômbia, Polônia e Portugal, 16 encenações nacionais, três montagens na Cena Rio Preto, 14 ações formativas, 10 encontros no Bar Cultural do FIT, no Graneleiro da Swift.

Uma das atrações internacionais do FIT Rio Preto junta texto francês, diretor polonês e atrizes brasileiras. A versão do jovem encenador Radosław Rychcik para a peça As Criadas, de Jean Genet, é uma coprodução entre Brasil e Polônia (prod.art.br, em parceria com o Instituto Adam Mickiewicz atuando sob a marca Culture.pl) que estreia na sexta (7) e faz mais duas sessões nos dias 8 e 9.

Madame, a patroa que oprime as duas criadas, é interpretada por Denise Assunção, que é negra. Magali Biff, Bete Coelho, brancas, fazem as empregadas. Para ampliar as discussões sobre discursos de dominador e dominado.

Sabemos que as duas criadas arquitetam a morte da patroa. Enquanto experimentam as roupas e chapéus da Madame, Solange e Claire reproduzem uma rotina de opressão, em cenas de revelações de ódio e inveja. Nesta montagem, três poltronas são colocadas uma ao lado da outra. Uma banda fica atrás e produz os climas com a trilha sonora. E há também projeção que reproduz os semblantes das interpretes.

And so you see... montagem da África do Sul. Foto: divulgação

And so you see… montagem da África do Sul. Foto: divulgação

And So You See (Então Você Vê…), mistura dança e performance, criado pela coreógrafa sul-africana Robyn Orlin, que orquestra uma experiência sobre gêneros, em parceria com o performer Albert Ibokwe Khoza.

Los Incontados – Un Tríptico (Os Incontados – Um Tríptico), do coletivo colombiano Mapa Teatro, de Bogotá, trabalha artisticamente sobre a questão da violência histórica que domina o país há mais de 50 anos.

A quarta montagem internacional é da portuguesa Má-Criação, As Cidades Invisíveis. A partir do livro homônimo de Ítalo Calvino são traçados fios de conexões entre literatura, teatro e outras artes para buscar sentidos nos nomes femininos das cidades descritas na obra.

A programação completa pode ser acessada no site fitriopreto.com.br

FIT RIO PRETO

QUANDO 6 a 17/7
ONDE São José do Rio Preto (SP)
PROGRAMAÇÃO fitriopreto.com.br

Este post foi publicado em por .