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A dança do Cão sem Pluma

O Cão sem Plumas. Foto: Cafi / Divulgação

Dança inspirada na obra de João Cabral de Melo Neto. Foto: Cafi / Divulgação

João Cabral de Melo Neto (1920–2000) admitiu que escreveu O Cão Sem Plumas sob o impacto de uma notícia que leu numa revista de que a expectativa de vida no Recife era de 28 anos, e, na Índia, de 29. Na obra composta entre 1949 e 1950, o escritor ergueu suas imagens poéticas à distância, da sua memória do rio, pois nessa época, como diplomata, morava em Barcelona.

O Recife que a lente do rio revela é uma cidade sem cuidado, sem enfeites. A lama, a água quase estagnada do Capibaribe transforma o homem também em paisagem. O movimento moroso, quase estancado contagia o ser.

O poema de João Cabral de Melo Neto é a inspiração do espetáculo Cão sem Plumas, da Cia. de Dança Deborah Colker, que estreia neste sábado e é reapresentado no domingo, no Teatro Guararapes. Para erguer a montagem, a coreógrafa veio a Pernambuco em 2015, quando percorreu o Capibaribe da nascente à foz. E no ano passado, quando acompanhada por seus bailarinos, realizou uma residência artística em várias cidades do estado – entre Sertão, Agreste e Recife. E exibiu trecho da encenação no Marco Zero.

Mas o processo criativo começou há quatro anos, quando Colker releu a obra de Cabral e se entusiasmou por levá-la ao palco.

Foto Cafi: Divulgação

Foto Cafi: Divulgação

O primeiro espetáculo assinado por Deborah com temática explicitamente brasileira traça o percurso do Rio Capibaribe, expõe a pobreza da população ribeirinha, a destruição da natureza, a ganância das elites, a vida no mangue.

O tom é de crítica, de coisas inconcebíveis que acontecem pelo descaso dos governos. A vida Severina desse bicho-homem que segue pulsante na paisagem caudalosa, ganha os passos de uma coreografia que evoca a movimentação dos caranguejos. O geógrafo Josué de Castro (1908-1973), autor de Geografia da fome e Homens e caranguejos, investigou essas mutações. E o cantor e compositor Chico Science (1966-1997), principal nome do manguebeat, levou para a música pop os conceitos de Castro, para miscigenar uma das criações musicais brasileiras mais potentes dos últimos tempos.

Foto: Cafi

Foto: Cafi

Dramaturgia e direção do filme são de Cláudio Assis. Foto: Cafi: Divulgação

Dramaturgia e direção do filme exibido ao fundo são de Cláudio Assis. Foto: Cafi: Divulgação

Cobertos e lama os bailarinos misturam na dança o maracatu e o coco, e também o samba, o jongo e kuduro. A trilha sonora original é assinada pelos pernambucanos Jorge Du Peixe, da banda Nação Zumbi e Lirinha (ex-cantor do Cordel do Fogo Encantado, poeta e ator), além do carioca Berna Ceppas, que integra a equipe de Deborah desde Vulcão (1994).

O cinema amplifica o poder da obra, com cenas de um filme feitas por Deborah e pelo cineasta pernambucano Cláudio Assis (diretor de Amarelo Manga, Febre do Rato e Big Jato). As imagens são projetadas no fundo do palco e produzem outras camadas nos corpos dos 13 bailarinos. Além do registro fotográfico feito por Cafi.

No repertório do grupo estão montagens mais pop como Velox (1995), Rota (1997) e Casa (1999). E os de apelo mais subjetivos, dos afetos como (2005), Cruel (2008), Tatyana (2011) e Belle (2014). Em 2009 Deborah elaborou Ovo, para o Cirque de Soleil. E no ano passado foi a diretora de movimento da cerimônia de abertura das Olimpíadas do Rio de Janeiro.

Ficha técnica
Criação, Coreografia e Direção: Deborah Colker
Direção Executiva: João Elias
Direção Cinematográfica e Dramaturgia: Claudio Assis
Direção De Arte e Cenografia: Gringo Cardia
Direção Musical: Jorge Du Peixe e Berna Ceppas Participação Especial Lirinha
Desenho De Luz: Jorginho De Carvalho
Figurinos: Cláudia Kopke
Patrocínio: Petrobras

SERVIÇO
Cão sem Plumas, da Cia. de Dança Deborah Colker
Quando: 3 de junho (sábado), às 21h e 4 de junho (domingo), às 20h
Onde: Teatro Guararapes – Centro de Convenções, s/n, Olinda
Ingresso: Plateia: R$ 120 e R$ 60 (meia) para o setor 1, R$ 100 e R$ 50 (meia) para o setor 2 e R$ 80 e R$ 40 (meia) para o setor 3; Balcão: R$ 50 e R$ 25 (meia), à venda na bilheteria, nas lojas Chili Beans e no site Bilheteria Digital
Duração: 1h10 minutos
Classificação: Livre
Informações: 3182-8020

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Marilyn Monroe, a mulher por trás do mito CANCELADO

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André Gonçalves e  Danielle Winits em Depois do amor. Foto: 

Marilyn Monroe e Margot Taylor são duas ex-amigas, separadas por uma paixão pelo mesmo homem. Dez anos depois do rompimento, essas mulheres se encontram num golpe do destino e travam um acerto de contas emocional no espetáculo Depois do amor. Com o casal Danielle Winits e André Gonçalves, a última direção de Marília Pêra ((1943-2015, que faleceu no mesmo dia em que a peça estreou no Teatro Amazonas, em Manaus), Depois do Amor, faz duas sessões no Recife, nos dias 3 e 4 de junho, no Teatro de Santa Isabel.

A peça recua ao ano de 1962 e o cenário são os bastidores de Something’s got to give, filme estrelada por Marilyn Monroe (1926-1962) e interrompido devido à morte da diva aos 36 anos, no mês de agosto do mesmo ano.

Marilyn é uma figura real, apontada como a mais absoluta encarnação do glamour, da feminilidade e da carência afetiva. Margot Taylor, a personagem fictícia, é uma assistente de figurino da obra cinematográfica que ficou incompleta.

Escrita por Fernando Duarte, a peça articula fatos reais e outros ficcionais ou conspiratórios. Something’s got to give era uma produção anunciada como a salvadora da pátria da empresa Fox, atolada em dívidas desde Cleópatra.

Mas a estrela do filme não apareceu no set de filmagem, nos primeiros 16 dias, alegando uma sucessão de enfermidades. Quando deu o ar de sua graça ela estava dez quilos mais magra, o que exigiu a remodelagem de todos os seus figurinos do famoso estilista Jean Louis. Margot Taylor, a assistente do estilista, foi designada para a tarefa. Ela era uma antiga conhecida da sexy symbol .

As duas se tornaram amigas em 1952, nos bastidores de outra filmagem. Na ocasião, Margot era namorada de Joe DiMaggio, que que se apaixonou perdidamente pela loura platinada, rompeu com noiva e manteve um casamento de nove meses com a atriz.

As fragilidades de Marilyn são exploradas na peça. Foto: Divulgação

As fragilidades de Marilyn são exploradas na peça. Foto: Divulgação

Na vida real, o jogador de baseball Joe DiMaggio (1914-1999) conheceu Marilyn em 1952. Mundialmente célebre por suas carreiras no esporte e no cinema, eles se casaram em janeiro de 1954 e se separaram em outubro. DiMaggio, que era um católico conservador, desejava que Marilyn largasse a profissão, como aconteceu com a primeira esposa, a atriz Dorothy Arnald (1917-1984). Marilyn não se submeteu a esse capricho.

Na ficção, Margot tem a chance de um acerto de contas por ter sido abandonada por DiMaggio. Entre trocas de roupas e ajustes de vestidos, as duas mulheres falam sobre o passado, mágoas antigas as dores e alegrias e sobre o futuro.

O título da peça Depois do amor remete à Depois da queda, peça escrita pelo dramaturgo Arthur Miller (1915-2015), terceiro marido de Marilyn Monroe, e lançada dois anos depois da morte da estrela. No texto de Miller, os personagens Quentin e Maggie são álter ego do casal. O protagonista Quentin faz um exame de seu passado, do seu comportamento púbico e na intimidade, dos seus dois casamentos fracassados e das responsabilidades de cada um com a sociedade e com as pessoas que ama.

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Winits interpreta a atriz mais glamourosa do cinema norte-americano

No início dos anos 1960, Monroe estava apaixonada pelo então presidente John F. Kennedy (1917-1963). Em 5 de agosto de 1962 Marilyn foi encontrada morta em sua casa e a informação oficial é a de que a deusa do cinema cometera suicídio a partir da ingestão de barbitúricos.
A peça abraça a tese de que a estrela foi assassinada, uma hipótese defendida pelos dos jornalistas Jay Margolis e Richard Buskin no livro O assassinado de Marilyn Monroe: caso concluído.

Depois do amor mostra ficcionalmente um dos seus momentos mais complexos diva do cinema americano. 


Ficha Técnica

Autor – Fernando Duarte
Direção – Marília Pêra
Diretor Assistente – Fernando Philbert
Elenco – Danielle Winits e André Gonçalves
Figurinos – Sônia Soares
Cenário – Natalia Lana
Iluminação – Vilmar Olos
Trilha sonora – Paula Leal
Ass. de Direção – Mayara Travassos
Projeções – Anibal Diniz
Visagismo – Max Lira e Chico Toscano
Fotos material gráfico – Lucio Luna
Fotos de cena – Guga Melgar
Direção de produção – Cássia Vilasbôas e Fernando Duarte
Realização – NOVE PRODUÇÕES Culturais
Produção local – Art Rec Produções.

SERVIÇO
Depois do Amor, um encontro com Marilyn Monroe
Quando: Dia 3 de junho (sábado), às 21h e Dia 4 de junho (domingo), às 19h
Onde: Teatro de Santa Isabel – Praça da República, s/n, Santo Antônio
Informações: 3355.3323

Gênero: comédia biográfica
Classificação: 12 anos
Duração: 60 min

Ingressos:
Plateia R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia)
Frisas: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia)
Camarotes A e B: R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia)
À venda na bilheteria do teatro e no site Compre Ingressos

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Bonecos para encantar

Foto: Franz Mendes Cia Fios de Sombra (SP)

Foto: Franz Mendes Cia Fios de Sombra (SP)

A 6ª Mostra Pernambucana de Teatro de Bonecos se faz na raça. Mesmo com a carência de espaços teatrais e específicos para títeres, com os incentivos insuficientes e a falta de políticas de salvaguarda para o mamulengo, que é Patrimônio Imaterial. O resultado de resistência e insistência dos artistas do setor são exibidos deste sábado (27) até o dia 4 de junho, no Teatro Apolo, e em espaços públicos do Recife, Olinda e Igarassu.

Serão 33 apresentações artísticas, com destaque para a produção local, que compõe um panorama dessa arte no estado. E a Associação Pernambucana de Teatro de Bonecos, presidida por Jorge Costa, focou na descentralização do programa e na realização de três oficinas: Confecção de Bonecos de papel machê, Confecção de bonecos de sucata e Confecção de bonecos de madeira (Mulungu).

O festival inclui os tradicionais, como o Mestre Saúba e seu filho Bibiu, de Carpina (PE), o Mamulengo Riso do Povo do Mestre Zé de Vina, de Glória do Goita (PE), Mestre João do Mamulengo (São João/PE); Mamulengo Jurubeba. E também peças que usam técnicas de objetos animados, como Mistério das Figuras de Barro, da Cia. Máscaras de Teatro (PE), o musical Pipoquinha, e O mascate, a pé-rapada e os forasteiros, da Artes Cínicas com Objetos (PE).

Além de duas montagens do Mão Molenga Teatro de Bonecos ,na programação paralela: Babau ou a vida desembestada do homem que tentou engabelar a morte e Fio mágico.
A programação é vasta e o espectador deve encontrar algo que o encante nessa arte mágica.

A Companhia Fios de Sombra, de Campinas, vem com dois espetáculos neste sábado. Maresias traça uma reflexão poética sobre brincadeiras na praia. Nela, um homem solitário constrói um castelo de areia e logo depois um menino. O garoto de areia sonha que uma bela sereia o chama das profundezas do mar. O homem vislumbra sua criatura no afã de conquistar o amor da sereia. São sonhos que se conectam, numa brincadeira divertida com técnica de manipulação direta e sombras.

Cinza, o solo da atriz Paloma Barreto é sobre uma personagem moradora de rua. A concepção visual trabalha com estampas de jornal e uma técnica japonesa chamada Kuruma Nyngio, em que o títere é manipulado por artista que usa um pequeno banco com rodas.

PROGRAMAÇÃO

Maresias, da Cia. Fios de Sombra (Campinas/SP)
Quando e onde: 27/05 (sábado), às 16h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

Cinza, da Cia. Fios de Sombra (Campinas/SP)
Quando e onde: 27/05 (sábado), às 20h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

A pata e a raposa, do Grupo Pipoquinha (PE)
Quando e onde: 28/05 (domingo), às 10h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

As bravatas de Tiridá no Mamulengo do Recife – Mamulengo Jurubeba
Quando e onde: 28/05 (domingo), às 15h, na Praça do Carmo – Olinda

Cantiga e histórias na terra do sabiá ou O que é meu é meu e o boi não lambe, do Grupo Mamulengos e Catrevagens (PE)
Quando e onde: 28/05 (domingo), às 16h30, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

Mestre Saúba e seu filho Bibiu – Carpina (PE)
Quando e onde: 28/05 (domingo), às 18h, na Praça do Arsenal, Bairro do Recife

Mistério das Figuras de Barro, da Cia. Máscaras de Teatro (PE)
Quando e onde: 28/05 (domingo), às 20h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

Bumba meu boi do Capitão Boca Mole, do Teatro Bonecartes (PE)
Quando e onde: 29/05 (segunda), às 10h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

O homem e a morte, do TengoLengo Teatro de Mamulengo (Salgueiro/PE)
Quando e onde: 29/05 (segunda), às 15h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

H20, o planeta é água, do Theatro de Bonecos Quero Mais (PE)
Quando e onde: 30/05 (terça), às 10h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

Era uma vez…, do Theatro de Bonecos Quero Mais (PE)
Quando e onde: 30/05 (terça), às 15h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

Musical Pipoquinha, do Grupo Pipoquinha (PE)
Quando e onde: 31/05 (quarta), às 10h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

Folclore: será que é história? Q-Riso teatro de bonecos (Igarassu/PE)
Quando e onde: 31/05 (quarta), às 15h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

A bela e a fera, do Teatro de Bonecos Lobatinho
Quando e onde: 1º/06 (quinta), às 15h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

Cantigas de Roda que o circo chegou, do Theatro de Bonecos Quero Mais (PE)
Quando e onde: 1º/06 (quinta), às 15h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

Mamulengo mulato, Mestre João do Mamulengo (São João/PE)
Quando e onde: 1º/06 (quinta), às 15h, na Praça do Carmo

Grandioso espetáculo do Mamulengo Tomé, do Mamulengo Tomé (Garanhuns/PE)
Quando e onde: 1º/06 (quinta), às 20h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

Historinhas breves: miniespetáculos dos alunos de teatro da UFPE
Quando e onde: 02/06 (sexta), às 10h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

A fazenda encantada, do Mamulengo Nova Geração de Glória do Goita (PE)
Quando e onde: 02/06 (sexta), às 15h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

Vai ter festa na fazenda de Mané Pacaru, do Teatro História do Mamulengo, de Glória do Goitá (PE)
Quando e onde: 02/06 (sexta), às 15h, na esquina da Rua 7 de setembro com a Rua do Hospício

A fazenda do coronel Mané Pacaru, do Mamulengo Riso do Povo do Mestre Zé de Vina, de Glória do Goita (PE)
Quando e onde: 02/06 (sexta), às 20h, na esquina da Rua 7 de setembro com a Rua do Hospício

Quem conta um conto, aumenta um ponto, da Oficina de Comunicação (PE)
Quando e onde: 03/06 (sábado), às 10h, na Casa da Cultura

Mestre João Galego, do Mamulengo Nova Geração (Carpina/PE)
Quando e onde: 03/06 (sábado), às 15h, na Praça do Carmo, em Olinda

Cantiga e histórias na terra do sabiá ou O que é meu é meu e o boi não lambe, do Grupo Mamulengos e Catrevagens (PE)
Quando e onde: 03/06 (sábado), às 16h30, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

Miro dos Bonecos – Mamulengo Novo Milênio, de Carpina (PE)
Quando e onde: 03/06 (sábado), às 18h, no Sítio Histórico de Igarassu

A fazenda do coronel Pacaru – Mamulengo Teatro Novo Riso do Mestre Zé Lopes – Glória do Goitá (PE)
Quando e onde: 03/06 (sábado), às 20h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

Nuviô ou Quero cê balão, da Clara Trupi de Ovos y Assovios (SP)
Quando e onde: 04/06 (domingo), às 10h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

Coisas de menino-boneco, da Clara Trupi de Ovos y Assovios (SP)
Quando e onde: 04/06 (domingo), às 16h30, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)

A fantasia dos bonecos, do Mamulengo Arte da Alegria, de Glória do Goitá (PE)
Quando e onde: 04/06 (domingo), às 18h, na Praça do Arsenal

O mascate, a pé-rapada e os forasteiros, da Artes Cínicas com Objetos (PE)
Quando e onde: 04/06 (domingo), às 20h, no Teatro Apolo

Programação paralela

Babau ou a vida desembestada do homem que tentou engabelar a morte, do Mão Molenga Teatro de Bonecos
Quando e onde: 27/05 (sábado), às 16h, no Teatro Marco Camarotti (Sesc Santo Amaro) – Rua 13 de maio, 455, Santo Amaro

Fio mágico, do Mão Molenga Teatro de Bonecos
Quando e onde: 28/05 (domingo), às 16h, no Teatro Marco Camarotti (Sesc Santo Amaro) – Rua 13 de maio, 455, Santo Amaro

SERVIÇO
6° Mostra Pernambucana do Teatro de Bonecos
De 27 de maio a 4 de junho, em Recife, Olinda e Igarassu
Ingressos: R$ 20 e R$ 10 para os espetáculos no Teatro Apolo e gratuito nas peças de rua

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A farsa do sucesso infalível

Alexandre Nero. Foto: Priscila Prade/Divulgação

Alexandre Nero. Foto: Priscila Prade/ Divulgação

Prestígio. Dinheiro. Influência. Seguidores. Símbolos de poder, de ser bem-sucedido na vida. Mas mesmo as mais sólidas estruturas podem desmoronar como castelos de areia e há muitos exemplares dessa gangorra no cenário brasileiro. Triunfo é uma meta também para os atores de uma companhia teatral. Eles refletem sobre êxitos e fracassos como faces de uma mesma moeda. Com um humor cáustico, a peça O Grande Sucesso explora o que significa esses valores no mundo contemporâneo.  Liderado pelo ator e músico Alexandre Nero, o espetáculo investiga os bastidores do teatro e essa busca pela fama. O Grande Sucesso faz curta temporada de hoje a domingo (21), no Teatro Boa Vista,

Com texto e direção de Diego Fortes a peça traz referências da trajetória de Nero como ator de televisão (Comendador na novela Império, ou Romero Rômulo em A Regra do Jogo), Nero, e dos integrantes do elenco, com cenas criadas a partir de improvisações de cada um. A montagem se dobra sobre os conflitos de uma trupe de artistas, com música ao vivo. A atmosfera político-social no Brasil e os acontecimentos novelescos temperam a trama.

Os conflitos de cada personagem na lida com seu ofício produzem cenas irônicas, engraçadas, no confronto entre realidade e ficção. Mas sabemos que riso que vem dos fatos são doloridos, porque refletem a podridão que estava escondida embaixo do tapete.

A comédia leva ao palco canções que tratam no momento atual, com força crítica. “Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo/ Que bom que somos todos bons/ Imaculados, infalíveis, invioláveis… e inocentes”.

Nessa metalinguagem que também é uma declaração de amor ao teatro, o fracasso é apontado com algo que ocorre na vida de todos. “As bactérias são organismos bem-sucedidos/ As bactérias são O Grande Sucesso”.

Participam do espetáculo Carmem Jorge (preparadora corporal e coreógrafa), os atores e músicos Rafael Camargo, Eliezer Vander Brock, Fernanda Fuchs, Fabio Cardoso, Edith de Camargo, Carol Panesi, Marco Bravo e o diretor musical Gilson Fukushima. 

Serviço

Peça O Grande Sucesso
Quando: Sexta (19) e sábado (20), às 21h, e domingo (21), às 20h
Onde: Teatro Boa Vista – Rua Dom Bosco, 551, Boa Vista, Recife – PE
Ingressos: R$ 100 (plateia A) e R$ 80 (plateia B), ambos com direito à meia-entrada. Vendas na bilheteria do teatro ou no site da Eventim.
Classificação: 14 anos

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Expedição de palhaços

Ana Nogueira é convidada especial no Cabaré de Quinta. Foto: Sayonara Freire.

Ana Nogueira é convidada especial no Cabaré de Quinta. Foto: Daniela Nader / Divulgação

Sabemos que esses tempos estão difíceis. A política no Brasil, o Fora Temer que ainda não se concretizou, a ameaça Trump constante. Mas precisamos de combustível para seguir em frente. Um dos melhores e mais eficientes é a alegria. Uma boa gargalhada tem efeitos milagrosos sobre desarranjos gerais em qualquer pessoa. Duvida? Então o desafio está feito. Hoje (18/05), Caravana de Palhaços apresenta o seu Cabaré de Quinta, no Bar do Mamulengo. A noite de Palhaçaria voltada para o público adulto reúne um bando de figuras engraçadas, perspicazes, provocadoras. Gambiarra (Dú Yândi), Gertrudes (Márcia Cruz), Boris Trindade Júnior (Tapioca), Marimbondo (Johann Brehmer), Meia (Anaíra Mahin), Silpatia (Silvia Rangel), Uruba (Fabiana Pirro), Vareta (Natália Lua) e a convidada Dona Pequena (Ana Nogueira). A palhaça Gertrudes assume a função de mestre de cerimônias. A noite segue depois dos números com o comando da DJ Suca (Suenne Sotero).

Nesta noite destinada para o riso, a política não poderia estar de fora. “A gente não é palhaço partidário; mas num dia como hoje, tudo se volta para a política. Esse povo quer fazer a gente de bobo”, pontua Fabiana Pirro. “Tudo deságua na política. Nossa indignação, a vontade gritar… Cabaré de Quinta é um ato político, pois nosso trabalho é na força e na vontade”, acredita. “Mas também tem uma picardia, tem um fogo de cabaré adulto dentro de um bar”, acrescenta Pirro.

Cada palhaço vai apresentar seus números, pois como afirmam os organizadores, não se trata de um espetáculo, mas cenas de palhaço em constante experimentação, números inacabados e reconstruídos a cada nova apresentação com púbico.

Participantes da primeira versão do Cabaré de Quinta. Montagem sobre fotos de Lana Pinho e Sayonara Freire

Participantes da primeira versão do Cabaré de Quinta. Montagem sobre fotos de Lana Pinho e Sayonara Freire

Esse conglomerado de palhaçaria começou com a Caravana de Palhaços (SP/PE) – projeto da Cia. Circo Caravana Tapioca de Giulia Cooper e Anderson Machado, com apoio do Funcultura/Fundarpe  – direcionada para o aperfeiçoamento de circenses e atores com experiência na área. Dividido em módulos, o programa trouxe no ano passado artistas tarimbados do setor para as oficinas. Muitas coisas ficaram desse programa, inclusive a instigação para o intercâmbio, compartilhamento. E principalmente a criação de números circenses voltados para o mercado, o que garante a sustentabilidade de cada artista – para passar o chapéu e saber que suas criações são verdadeiros tesouros.

O coletivo de 15 palhaços faz apresentações em praças, eventos fechados, salas de teatro e espaços culturais. Nessa peleja com o público, os repertórios dos mais diversos naipes são enriquecidos e aplicados nas diversas dramaturgias e espaços. Borica e Márcia Cruz têm várias criações. Dú Yândi leva a experiência do trabalho em sinais de trânsito. Cada um tem a sua característica.

Fabiana Pirro, por exemplo, conta que sua Uruba é selvagem em todos sentidos. “Ela é o que eu queria ser: ingênua e braba e doce. E vai fazer um número com seu bichinho de estimação, mas é surpresa”.

Dona Pequena, a palhaça de Ana Nogueira, exibe o solo Rolamentos, que ela inventou em 2010 e a cada sessão exibe um dado novo. “Estou investigando as possibilidades desse número. Depende da plateia. Espero que hoje, com essa euforia que estamos vivendo desde ontem, tenhamos novidades com os rolamentos de Dona Pequena”

Ficha Técnica

Cabaré de Quinta, com a Caravana de Palhaços
Elenco:
Anaíra Mahin (Meia)
Boris Trindade Jr° (Tapioca)
Dú Yând (Gambiarra)
Fabiana Pirro (Uruba)
Johann Brehmen (Maribondo)
Márcia Cruz (Gertrudes)
Silvia Rangel (Silpatia)
Wagner Montenegro (apoio)
Suenne Sotero (som)

Convidadas:
Ana Nogueira (Dona Pequena)
DJ Suca (Suenne Sotero)

Serviço

Cabaré de Quinta, com a DJ SUCA
Onde: Bar do Mamulengo – (Praça do Arsenal)
Quando: Quinta, 18 maio, 20h
Quanto: R$ 20 e R$ 10

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