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Domingueiras do Janeiro

Afoxé Oxum Pandá lança disco. Foto:

Afoxé Oxum Pandá lança disco. Foto:

Em louvor das divindades do Orun, o Afoxé Oxum Pandá faz a festa para a entidade  que carrega no nome no show de lançamento do CD Deusa da Beleza. O show é uma atrações do 24º Janeiro de Grandes Espetáculos – Festival Internacional de Artes Cênicas e Música de Pernambuco deste domingo. No terreiro da cultura popular, a riqueza dos passos do cavalo-marinho são defendidas por Fábio Soares no seu solo Caminhos.

Para a criançada, a artista Carol Levy aposta no lúdico nas histórias contadas e cantadas e apresenta sucessos de CantaBicho, Contarola e Contarolando. E ainda tem as opções de O Mágico de Oz, no Recife e DORalice, um delicado enredo sobre abuso sexual infantil, em Paulista. 

Com canções do disco Amor Grave, o pernambucano Adriano Salhab põe humor nos conflitos da vivência urbana, a partir de sua experiência de nordestino em São Paulo. O trabalho dialoga com compositores como Tom Zé e Itamar Assumpção. 

 E tem música mais sensualizada com o cantor Ciel Santos, que faz o pleno exercício das possibilidades humanas de ser em todos os gêneros no show Enraizado. O intérprete Geraldo Maia faz investe no potencial intimista da sua vez e canta sem microfone um repertório de canções portuguesas.

PROGRAMAÇÃO

Caminhos – DANÇA

Caminhos. Foto: Wellington Dantas

Caminhos. Foto: Wellington Dantas

Caminhos (Recife)
Quando: Domingo, 21 de janeiro, 19h,
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Quanto: R$ 40 e R$ 20 (meia).
42 minutos de duração.
Livre

A alegria, a dor, a fantasia e a realidade contidas na brincadeira do cavalo-marinho são apresentadas no espetáculo solo de Fábio Soares. O artista pretende discutir os caminhos e escolhas para buscar a sobrevivência dessa e de outras brincadeiras. Concepção, direção e atuação: Fábio Soares.

Enraizado, com Ciel Santos – MÚSICA

Ciel Santos. Foto: Diego Cruz.

Ciel Santos. Foto: Diego Cruz.

Ciel Santos (Recife)
Quando: Domingo, 21 de janeiro, 18h,
Onde: Teatro Apolo
Quanto: R$ 40 e R$ 20 (meia).
1h de duração
16 anos

Mulher? Homem? Veado? Sapatão? Humanos. Somos humanos. Germinamos todos os dias para o novo, criamos raízes, reconstruímos e desconstruímos nosso ser. Enraizado traz um repertório autoral, COMde músicas que se mesclam com textos em uma narrativa dramático-musical. Aborda temas importantes para Ciel Santos: sua vida no interior, dificuldades enfrentadas pela androgenia da sua voz, fé, prazeres e intercâmbios artísticos. Ciel experimenta uma gama de nuances e texturas na voz, com apoio na dança e em movimentos corporais presentes na pluralidade da cultura popular.
Direção musical: Mauricio Cezar.
Músicos: Mauricio Cezar (teclados), Del Lima (baixo), Silva Barros (bateria), George Rocha (percussão).

Geraldo Maria – MÚSICA

Geraldo Maia _ Foto Aldo Rocha

Geraldo Maia. Foto Aldo Rocha

Geraldo Maia (Recife)
Quando: Domingo, 21 de janeiro, 18h,
Onde: Teatro Arraial Ariano Suassuna
Quanto: R$ 40 e R$ 20 (meia).
1h10 de duração.
Livre

Nesta apresentação intimista de voz e violão, Geraldo Maia transita entre canções portuguesas que fazem parte de suas raízes lusitanas e clássicos do cancioneiro nordestino. Raízes é um show inteiramente acústico, no qual o cantor não faz uso de microfone ou qualquer outro recurso tecnológico.
Concepção, direção geral, roteiro e repertório: Geraldo Maia.

Adriano Salhab – MÚSICA

Amor Grave. Foto: Jennifer Glass

Show Amor Grave, com Adriano Salhab. Foto: Jennifer Glass

Adriano Salhab – Três de Copas Produções Artísticas (São Paulo)
Quando: Domingo, 21 de janeiro, 19h,
Onde:
Teatro Barreto Júnior
Quanto:
R$ 30 e R$ 15 (meia).
1h30 de duração.
Livre

O pernambucano Adriano Salhab apresenta canções do álbum Amor Grave, que marca sua estreia como compositor e intérprete. É uma tradução criativa e bem-humorada dos conflitos presentes na existência urbana e tem inspiração em seus anos de vida em São Paulo. Em tempos turbulentos, de intolerância e fobias mil, o show convida a uma reflexão, a frequências mais baixas que exigem atenção refinada. Salhab foi parceiro de palco por três anos de Elke Maravilha no espetáculo Elke Conta e Canta. Seu disco anterior é O Sol Rodando Vermelho, sobre Os Sertões de Euclides da Cunha e é interpretado coletivamente por Lira, Tulipa, Mariana de Morais e Celso Sim.
Baixo, viola, guitarra e voz: Adriano Salhab.
Bateria: Julio Epifany.
Guitarra e voz: Fernando Rischbieter.
Teclado e voz: Giuliano Ferrari.

Oxum Afoxé Pandá – MÚSICA

Afoxé Oxum Pandá. Foto: Alice Souza

Afoxé Oxum Pandá. Foto: Alice Souza

Oxum Afoxé Pandá – Paó Produção & Comunicação e Afoxé Oxum Pandá (Recife)
Quando: Domingo, 21 de janeiro, 19h,
Onde: Teatro Luiz Mendonça
Quanto: R$ 5.
1h20.
Livre

Comemorando 23 anos, o Afoxé Oxum Pandá traz a energia das divindades do Orun, sob as bênçãos do babalorixá Genivaldo Barbosa, para o show de lançamento do CD Deusa da Beleza. A apresentação homenageia a deusa Oxum, que representa tudo que há de belo e rico, espalhando seu axé no toque dos atabaques, no repicar dos agogôs, na virada dos agbês e na força das vozes do povo de amarelo e branco.

Carol Levy – TEATRO INFÂNCIA E JUVENTUDE – com audiodescrição em libras

Carol Levy. Foto: Andrea Rego Barros

Carol Levy. Foto: Andrea Rego Barros

Carol Levy – Onomatopéia Idéias Sonoras (Recife)
Cantora e contadora de histórias, Carol Levy leva aos palcos o projeto Conto de Casa, inicialmente concebido para o canal do Youtube da artista pernambucana. No show interativo, as crianças participam com Carol durante toda a apresentação, que traz desde músicas e histórias a peripécias na cozinha.
Direção geral: Carlinhos Borges e Carol Levy.
Direção artística: Luciano Pontes.
Texto, cantora e contadora de histórias: Carol Levy.
Quando: Domingo, 21 de janeiro, às 17h,
Onde: Teatro de Santa Isabel
Quanto: R$ 50 e R$ 25 (meia).
1h10.

Mágico de Oz – TEATRO INFÂNCIA E JUVENTUDE

Musical O Mágico de Oz - Foto: Beatriz Chaves / Divulgação

Musical O Mágico de Oz – Foto: Beatriz Chaves / Divulgação

A montagem é erguida a partir do famoso filme de 1939. Na história, Dorothy é levada por um furacão a uma terra mágica e conta com a ajuda de três amigos. A produção teatral utiliza um conjunto de cenários, figurinos e adereços para apresentar um espetáculo dinâmico e  tecnológico.
O Mágico de Oz | Companhia do Sol (Recife)
Direção artística geral: Lano de Lins.
Elenco: Anitson Monique, Ibson Quirino, Geovane Souza, Hemerson Moura, Joelma Alves, Lano de Lins, Karine Ordônio, Ibson Silver, Augusto Neves, Marília Santana.
Quando: Domingo, 21 de janeiro, às 10h,
Onde: Teatro Boa Vista
Quanto: R$ 30 e R$ 15 (meia).
Musical.
55 minutos de duração.
Livre

Programação Paralela

Ombela – TEATRO ADULTO

Ombela. Com Agri Melo. Foto: Lucas Emanuel / Divulgação.

Ombela. Com Naná Sodré e Agri Melo. Foto: Lucas Emanuel / Divulgação

As atrizes Agrinez Melo e Naná Sodré personificam duas gotas de chuva que se transformam em entidades. As personagens inventam rios e desdobram-se ao som do vento e, a cada gota, fazem nascer ou morrer coisas, gente e sentimentos. Esse mergulho no universo do escritor africano Manuel Rui está envolto numa atmosfera mágica. A peça é interpretada em português e, em algumas partes, em umbundo – um dos principais dialetos de Angola. A trilha sonora é assinada pela cantora Isaar França, e executada ao vivo pelas atrizes do elenco.

Ombela – O Poste Soluções Luminosas (Recife)
Texto: Manuel Rui.
Encenação: Samuel Santos.
Elenco: Agrinez Melo e Naná Sodré
Quando: Domingo, 21 de janeiro, às 18h,
Onde: Espaço O Poste
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia).
Musical.
1h de duração.
18 anos

Senhora na Boca do Lixo  – TEATRO ADULTO

Escrita em 1963, a peça retrata a decadência da classe rica paulistana como metáfora da realidade social do Brasil naquela época, reverberando no panorama político e existencial da atualidade.   

Senhora na Boca do Lixo – Concluintes do curso profissionalizante da Escola de Teatro Fiandeiros (Recife)

Texto:  Jorge Andrade.
Encenação: 
Roberto Lúcio.
Elenco:
Airton Oliveira, Álcio Lins, Bianca Suely, DihRôh, Eduardo Godoy, Ewerton Oliveira, Fernanda Spíndola, Gabriel Thacio, Gabriela Fernanda, Kléber Félix, Laís Queiroz, Luciana Tognon, Milton Raulino, Rafael Braga, Tarcísio Andrade, Humberto, Valmir Leite e Zé Lucas.
Quando: 
Domingo, 21 de janeiro, às 18h,
Onde:
Espaço Fiandeiros
Quanto: 
Gratuito.
1h10.
16 anos

Pequenos Grandes Trabalhos – TEATRO ADULTO

Cenas com os alunos do Espaço Cênicas. Foto: Toni Rodrigues / Divulgação

Cenas com os alunos do Espaço Cênicas. Foto: Toni Rodrigues / Divulgação

 Cenas curtas, a partir de textos de escritores brasileiros, como Nelson Rodrigues, Marcelino Freire e Caio Fernando Abreu, construídas com os alunos do curso Dramaturgia do Ator, da Cênicas Cia. de Repertório, no processo de aprendizagem.

Pequenos Grandes Trabalhos – Alunos do curso Dramaturgia do Ator da Cênicas Cia. de Repertório (Recife)

Encenação: Antônio Rodrigues.
Elenco: Aline Santos, Bruna Barros, Carolina Rolim, Cristiano Primo, Elielson Fellype da Silva Soares, Fabiane Santos, Flávio Moraes, Hygor Callas, Jamerson Lima, Jandson Miranda, Marcionilo Pedrosa, Marcos Zé, Maria Eduarda Pepe, Mariana Brandão, Nara Esteves, Paula Ferreira Mendes, Raphael Mota, Ricardo Andrade, Roberto Sterenberg, Rodrigo Porto Cavalcanti, Sissi Loreto, Tábatta Martins, Waggner Lima.
Participação especial: Douglas Duan.
Quando:Domingo, 21 de janeiro, às 18h,
Onde: Espaço Cênicas (Rua Marques de Olinda, 199 sala 201 2º andar – Entrada pela rua Vigário Tenório.)
Quanto: R$ 30 e R$ 15 (meia).
1h20.
14 anos

DORalice – TEATRO INFANTIL

DORalice. Foto: André Ramos / Divulgação

DORalice. Foto: André Ramos / Divulgação

A montagem infantil, da Cia. 2 em Cena, aborda com muita delicadeza o abuso sexual infantil. Brincadeira de casinha e comidinha com Cidinha, a boneca preferida de Alice. A menina também brinca com um amiguinho de pique esconde, pega-pega, amarelinha. Alice e as histórias do Pai e os cuidados da Mainha. Tudo é brincadeira na vida da menina, até que um dia uma mão malvada invade a casinha de Cidinha e tudo muda na vida de Alice. O espetáculo não usa palavras para contar esta história…

DORalice – Cia. 2 em Cena (Recife)
Direção e roteiro: Alexsandro Silva
Elenco: Arnaldo Rodrigues e Paula de Tássia
Quando: Domingo, 21 de janeiro, às 16h
Onde: Teatro Paulo Freire, Paulista.
Quanto: R$ 2 e R$ 1 (meia)

Ingressos

Programação oficial: à venda no www.compreingressos.com/janeirodegrandesespetaculos e na Central de Ingressos no Teatro de Santa Isabel (de terça a domingo, das 9h às 16h).
Programação paralela: à venda ou distribuído uma hora antes do espetáculo no próprio local.

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Residência e oficinas gratuitas na MITsp

Susanne Kennedy

Encenadora Susanne Kennedy adaptou para o teatro um filme de Fassbinder. Foto: Franziska Sinn /Divulgação 

Quatro ações educativas da 5ª edição da MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo estão com inscrições abertas para artistas de todo o país. Uma residência sobre possibilidades de escrita não-criativa no espaço teatral, com a encenadora alemã Susanne Kennedy. Um Workshop sobre internacionalização de espetáculos, com artista e produtora croata Iva Horvat. O outro Workshop, com a dramaturga e encenadora sueca Liv Elf Karlén, discute a desconstrução da normatividade. Além uma Oficina com os cenógrafos e curadores da Mostra Brasileira na Quadrienal de Praga, Aby Cohen e Renato Bolelli Rebouças. A curadoria das Ações Pedagógicas da MITsp (1º a 11 de março de 2018), – que ocorrem antes antes e durante o festival – é assinada por Maria Fernanda Vomero. 

A encenadora alemã Susanne Kennedy volta ao festival depois de ter participado da 4ª edição da MITsp com a encenação intencionalmente estranha ao senso comum Por que o senhor R. enlouqueceu?, concebida a partir do roteiro do filme homônimo (Warum läuft Herr R. Amok, em alemão), de R. W. Fassbinder. O sistema neoliberal está na mira crítica do teatro de Susanne, um dos mais admirados da cena contemporânea alemã. Nessa peça há uma sucessão de quadros que revelam situações cotidianas e aparentemente banais. Mas que estão carregadas de questões sobre a falta de sentido ou o absurdo da existência, que podem levar à loucura.

Textos cotidianos em cena

O ponto principal da residência de Susanne Kennedy para atrizes, atores e performers é a pesquisa com novas formas de linguagem verbal aliadas à precisão das expressões corporal e vocal. A ação ocorre de 19 de fevereiro e 4 de março de 2018, no Instituto Goethe de São Paulo. No domingo, 4 de março, será apresentado o experimento cênico.

A residência integra a pesquisa artística de Susanne, que investiga as possibilidades da escrita não-criativa – de acordo com conceito do poeta e crítico estadunidense Kenneth Goldsmith – no espaço teatral. As performers holandesas Suzan Boogaerdt (atriz de Senhor R.) e Bianca van der Schoot vão administrar a preparação física dos participantes. 

Internacionalização de espetáculos

A artista e produtora croata Iva Horvat, que reside em Barcelona, Espanha, e é fundadora da Art Republic, uma agência voltada para a gestão das artes, vai conduzir um workshop sobre estratégias de divulgação e circulação internacional de espetáculos. O caminho das pedras que muitas companhias brasileiras almejam para entrar no circuito de festivais e temporadas mundiais.

Durante cinco dias, Iva vai abrir o leque de técnicas para orientar sobre o desenvolvimento de plano de internacionalização de projetos teatrais.

Possibilidades criativas de expressão

A normatividade aprisiona, encaixota, engarrafa comportamentos na vida cotidiana e também no teatro. Dá regras sociais e cala singularidades expressivas. Como  exercício para a libertação, a dramaturga e encenadora sueca Liv Elf Karlén, autora do livro Mais que isso – Pensamento sobre Atuação Gênero-curiosa, criou um método sobre como percebemos e performamos gênero, sexualidade e raça tanto no dia a dia quanto na cena. Seu workshop prático apresenta técnicas de desconstrução de estereótipos refletidos com o objetivo de buscar novas e amplas expressões artísticas. Liv Elf Karlén vai desenvolver outras formas de trabalhar com o movimento, com a construção física e simbólica de personagens e com a relação entre corpo e espaço.

Elaboração de cenas e cenários-instalação

Sob orientação de Aby Cohen e Renato Bolelli Rebouças, cenógrafos e curadores da Mostra Nacional Brasileira na Quadrienal de Praga 2019, será realizada uma oficina de criação para diferentes áreas [cenografia/espaço, figurino/adereço, luz/multimidia, som, objetos/bonecos]. A atividade encara a amplitude da linguagem teatral, nas intersecções entre os grupos de participantes de diferentes formações. Serão seis encontros, de 28 de fevereiro a 9 de março, com apresentação dos resultados no último dia.

Serviço

Residência com Susanne Kennedy

De 19/2 a 04/3, de segunda a sábado, das 10h às 15h, com apresentação do experimento cênico no domingo (horário a definir).
Onde: Instituto Goethe – Rua Lisboa, 974, Pinheiros, São Paulo – SP
Público-alvo: atores, atrizes e performers.
Datas de inscrição:
Até 31 de janeiro
Inscrição: envio para o e-mail residencia@mitsp.org de
1. Nome completo, idade, endereço, e-mail e telefone para contato
2. Breve currículo (em Word ou PDF; máximo 300 palavras)
3. Carta de intenção, de preferência nada burocrática (também em Word ou PDF; máximo 400 palavras)
4. Um vídeo (formatos de celular e câmera fotográfica, que possam ser ouvidos e vistos por programas simples de Mac/PC) ou um áudio (wav, mp3 e formatos compatíveis), de no máximo três minutos, em que o candidato grave a leitura, do modo que quiser, com a entonação e o ritmo desejados, de uma notícia de jornal do dia.
Resultado: 7 de fevereiro
Os selecionados terão uma pequena tarefa a fazer – e entregar à curadoria do eixo Ações Pedagógicas – antes do início da residência.

Iva Horvat. Foto: Reprodução do Facebook

Iva Horvat. Foto: Reprodução do Facebook

Workshop Internacionalização de espetáculos com Iva Harvat

Quando: De 19 a 23/2, de segunda a sexta-feira, das 10h às 14h
Onde: Itaú Cultural (Avenida Paulista, 149, São Paulo)
Participantes: 20 profissionais + um ouvinte-pesquisador
Público-alvo: produtores, curadores, diretores de companhias teatrais e artistas-solo. *Apenas um participante por companhia ou instituição
Inscrição: de 17 de janeiro a 10 de fevereiro
Inscrição: envio para o e-mail curso@mitsp.org de:
1. Nome completo, idade, endereço, e-mail e telefone para contato
2. Breve currículo do candidato e da companhia/instituição para a qual/em que trabalha (em Word ou PDF; máximo 300 palavras)
3. Carta de intenção, de preferência nada burocrática (também em Word ou PDF; máximo 400 palavras), mencionando quais são suas expectativas em relação ao curso
4. Breve descrição de um projeto já desenvolvido ou em andamento que lhe interessaria internacionalizar (em Word ou PDF; máximo 400 palavras) e, de modo opcional, uma imagem de divulgação, se houver
Resultado: 14 de fevereiro

Possibilidades criativas de expressão, com Liv Elf Karlén

Liv Elf Karlén. Foto: Kent Werne / Divulgação

Liv Elf Karlén. Foto: Kent Werne / Divulgação

Quando: De 26/2 a 03/3, de segunda a sábado, das 10h às 15h
Onde: Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363, Bom Retiro. Metrô Tiradentes)
Participantes: 15 artistas + um ouvinte-pesquisador
Público-alvo: atrizes e atores, bailarinas e bailarinos, encenadoras e encenadoras, performers e ativistas, estudantes e profissionais
Inscrição: de 17 de janeiro a 10 de fevereiro
Inscrição: envio para o e-mail oficina@mitsp.org de
1. Nome completo, idade, endereço, e-mail e telefone para contato
2. Breve currículo (em Word ou PDF; máximo 300 palavras)
3. Carta de intenção, de preferência nada burocrática (em Word ou PDF; máximo 400 palavras)
4. Breve texto em que o/a candidato/a responda: Gênero. Raça. Sexualidade. Quem ou o que determinam o que você, de fato, é? (em Word ou PDF; máximo 300 palavras)
Resultado: 19 de fevereiro

Aby Cohen e Renato Bolelli Rebouças. Fotos: Reprodução da internet

Aby Cohen e Renato Bolelli Rebouças. Fotos: Reprodução da internet

Intersecções entre poéticas não-verbais – Oficina com cenógrafos e curadores da Mostra Brasileira na Quadrienal de Praga Renato Bolelli Rebouças e Aby Cohen
Quando: De 28/2 a 09/3, de quarta a sexta-feira, nas seguintes datas e horários:
28 de fevereiro:  10h às 17h
02 de março: 10h às 17h
05 de março:  10h às 14h
06 de março: 10h às 17h
08 de março: 10h às 17h
09 de março: 11h às 14h (apresentação dos experimentos cênicos, seguida de debate).
Onde: local a definir
Participantes: 20 artistas + um ouvinte-pesquisador
Público-alvo: profissionais e estudantes das seguintes áreas: cenografia e arquitetura cênica; figurino e visagismo; som; luz, audiovisual e multimídia; objetos, marionetes e adereços
Inscrição: de 17 de janeiro a 10 de fevereiro
Inscrição: envio para o e-mail poeticas@mitsp.org de:
1. Nome completo, idade, endereço, e-mail e telefone para contato
2. Breve currículo (em Word ou PDF; máximo 300 palavras). Indicar no campo a qual das áreas descritas acima pertence
3. Carta de intenção, de preferência nada burocrática (também em Word ou PDF; máximo 400 palavras)
4. Uma imagem (em JPG, GIF ou PNG), acompanhada de um parágrafo escrito (máximo 100 palavras), que sintetize um dos seguintes temas:
– Rastro e presença: o ser e a cidade
– Memória: recolher e descartar
– Imaginação: entre o real e o ficcional
Resultado: 19 de fevereiro

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Retomada, do Totem, para quem tem fome de justiça

Totem ergue um dos mais belos poemas cênicos de resistência, de demonstração de bravura inspirado nos povos primordiais. Foto: Divulgação

Totem ergue um dos mais belos poemas cênicos de resistência inspirado nos povos primordiais. Foto: Divulgação

Dignidade, honra,  coragem urgem voltar à prática cotidiana. Em tempos de golpes baixos é imprescindível estar atento e forte, insiste o espetáculo Retomada,que eclode em movimentos de resistência, de combate em defesa dos povos indígenas e de toda gente esmagada historicamente. A montagem faz única apresentação nesta sexta-feira (12/01) no Teatro Hermilo Borba Filho, dentro da programação do 24º Janeiro de Grandes Espetáculos – Festival Internacional de Artes Cênicas e Música de Pernambuco.

Esse trabalho do Grupo Totem, que inicia as celebrações dos 30 anos de existência da trupe, é uma experiência de luta que se manifesta no corpo, nos gestos, na sonoridade, na potência de se insurgir contra as injustiças. Encenação para quem tem fome de justiça, “Retomada se solidariza a todos os que sofreram e ainda sofrem com a invasão de seus territórios e o assassinato de seus líderes”, enfatiza o diretor, Fred Nascimento.

Retomada combina dança, teatro, performance e ritual, que permite uma experiência estética poderosa. “A energia da atmosfera sagrada se faz presente, formando um corpo expandido entre o físico, o sonoro, o espaço circundante e a metafísica, uma obra cosmológica, trazida à cena contemporânea através do contato com forças ancestrais”, confirma Fred.

oto Olga Wanderley

Foto: Olga Wanderley / Divulgação

As terras indígenas formam um espaço sagrado exaltado nesse poema cênico. É fruto da pesquisa Rito Ancestral Corpo Contemporâneo, residência artística desenvolvida junto aos povos Kapinawá, Xukuru e Pankararu.

Nesse belo, poderoso e mágico espetáculo, as artistas projetam seus corpos no universo. Com os pés batendo no chão, as mulheres guerreiras – Gabi Cabral, El Maria, Inaê Veríssimo, Juliana Nardin, Lau Veríssimo e Taína Veríssimo – convocam outros que vieram antes de nós.

A encenação ganha nuances, texturas, efeito com a trilha sonora original executada por Fred Nascimento na percussão, Cauê Nascimento na guitarra e Gustavo Vilar no pífano e nos maracás. É uma sonoridade carregada de elementos da cultura indígena que aciona as memórias em diálogo com a musicalidade contemporânea.

O desenho de luz de Natalie Revorêdo e a projeção do VJ Bio Quirino atuam como personagens a dialogar com as atrizes, amplificando a exuberância do trabalho.

O espetáculo Retomada estreou em maio de 2016, no Trema! Festival de Teatro. E a beleza se faz na cena, nos corpos expandidos. Enquanto houver injustiça, vai ter luta anunciam na pele, no gesto, no olhar, na energia feminina as atrizes-performers. Uma injeção de ânimo nesses tempos de apatia, que merece correr os palcos do Brasil e do mundo.

Ficha Técnica
Encenação: Fred Nascimento
Coreografias coletivas do grupo Totem
Preparação corporal: Totem
Performers: Gabi Cabral, El Maria, Inaê Veríssimo, Juliana Nardin, Lau Veríssimo e Taína Veríssimo.
Música original: Cauê Nascimento, Fred Nascimento e Gustavo Vilar
Cenografia: Totem
Figurino: Gabriela Holanda
Maquiagem: Totem
Designer de luz: Natalie Revorêdo
Vj: Bio Quirino
Pintura corporal: Airton Cardim
Assistente técnico: Ronaldo Pereira
Fotografia: Fernando Figueiroa
Designer gráfico: Uirá Veríssimo
Preparação vocal: Conrado Falbo e Thiago Neves

SERVIÇO
RETOMADA – performance do grupo Totem
Quando: Nesta sexta-feira (12/01),às 20h30,
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Quanto:;R$30 e R$ 15 (meia).

ATRAÇÕES DESTA SEXTA-FEIRA NO JGE (com informações da assessoria de imprensa)

Ator, diretor e dramaturgo . Ícaro - foto : Fernanda Chemale

Ator, diretor e dramaturgo Luciano Mallmann em Ícaro. Foto: Fernanda Chemale

19h, Teatro Arraial Ariano Suassuna – Ícaro –+ segunda sessão dia 13, às 18h
LM Produções (Porto Alegre/RS).

Em sua estreia como dramaturgo, o ator e bailarino Luciano Mallmann reflete sobre a fragilidade do homem a partir de seis histórias fictícias de cadeirantes. Inspirado em suas próprias experiências e nas de pessoas que conheceu ao sofrer uma lesão medular, em 2004, o monólogo mistura realidade e ficção num mosaico sobre a diversidade humana, partindo de temas universais, como relacionamentos interpessoais, abandono, maternidade e preconceito. R$ 20.

Dialogus

Dialogus Ibéricos

19h, Teatro Apolo – Dialogus Ibéricos
Favelacult Gestión Cultural (Portugal e Espanha).

O projeto une música, dança, canto e teatro numa viagem contemporânea às raízes populares portuguesas e suas influências na Espanha e no Brasil. Erudito e contemporâneo, tradicional e experimental. Resultante do encontro entre um músico espanhol, uma bailarina portuguesa e uma cantora espanhola, tendo como ponto de partida o cancioneiro popular ibérico, mostra o ciclo da vida das gentes. Verdadeiros laços de identidade que nos ligam mais do que separam. Com Carlos Blanco (músico), Vanessa Muela (cantora e percussionista), Alexandra Fonseca (bailarina). Dramaturgia e encenação: Moncho Rodriguez. Poemas: Ronaldo Correia de Brito. R$ 30 e R$ 15 (meia).

 

Espelunca, da Sede das Cias. Foto: Thiago Cristaldi Carlan / Divulgação

Espelunca, da Sede das Cias. Foto: Thiago Cristaldi Carlan / Divulgação

20h30, Teatro Barreto Júnior – Espelunca – + segunda sessão dia 13, às 20h
Cia Teatral Milongas e Pagu Produções Culturais (Rio de Janeiro/RJ).

Espetáculo baseado na relação das figuras do palhaço Branco (manipulador) com o palhaço Augusto (manipulado). A peça tem como cenário um antigo restaurante, visivelmente decadente. Um único homem espera ansioso por clientes que nunca chegam, até que uma figura estranha entra e começa o quiproquó. Toda a encenação é conduzida sem uso da palavra. R$ 30 e R$ 15 (meia).

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Claudette e Ayrton. Foto: Igor_Montarroyos / Divulgação

21h, Teatro de Santa Isabel |- Ayrton Montarroyos e Claudette Soares
Recife/PE.

Duas grandes vozes de diferentes gerações se juntam num show que passeia por vários tempos da música popular brasileira. Claudette Soares, 60 anos de carreira, grande cantora e diva da bossa nova, apresenta os clássicos dos anos 1950, 60 e 70, dos repertórios de Vinicius de Moraes, Johnny Alf, Roberto e Erasmo, Chico Buarque. Ayrton Montarroyos, 22 anos, finalista do The Voice, da TV Globo, leva ao palco as canções que o consagraram no programa e os novos compositores que estão no álbum de estreia, que leva seu nome, lançado em 2017. R$ 40 e R$ 20 (meia).

 

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Abertura do JGE: Política no segundo ato

Foto: fotos de wellington dantas

Leda Alves, Marcelino Granja, Márcia Souto, Paulo de Castro e Astrogildo Santos . Foto: Wellington Dantas

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O coordenador-geral do festival e a secretária de Cultura do Recife. Foto: Wellington Dantas

A noite de 14 de março de 2017 ficou na minha memória como uma experiência poética e política incrível e inesquecível. Com o Theatro Municipal de São Paulo lotado, os gestores representantes dos secretários municipal e estadual de cultura de São Paulo, e do então ministro da cultura foram silenciados por ensurdecedoras vaias, um festival de apupos, na abertura da 4ª Mostra Internacional de Teatro de São Paulo (MITsp). Um momento histórico no teatro brasileiro. O produtor da MITsp já havia demarcado a posição do evento contra a precarização da cultura, o congelamento do orçamento e a ameaça de destruição das políticas culturais significativas.

No Recife dos casarões coloniais e estruturas de pensamento conservadoras da elite e classe média que ocupavam as cadeiras do Teatro de Santa Isabel, na quarta-feira, na abertura do Janeiro de Grandes Espetáculos, as reações foram amenas e acanhadas. O coordenador-geral do JGE, Paulo de Castro, falou rapidamente dos desafios desta edição e da alegria em sua realização. Depois foram convidados ao palco o secretário de cultura de Pernambuco, Marcelino Granja; a presidenta da Fundarpe, Márcia Souto; a secretária de Cultura do Recife, Leda Alves e o diretor de Cultura da Fundação Joaquim Nabuco, Astrogildo Santos.

A fala de Marcelino Granja surpreendeu e provocou uma tensão cognitiva. Ele se posicionou a favor de Luís Inácio Lula da Silva e contra o golpe. Fez um discurso em defesa da democracia, do estado de direito e do ex-presidente Lula. E foi enfático de que a ameaça de condenação de Lula é uma infâmia, que pode se alastrar por todos setores.

A preleção parece boa, para quem se posiciona contra o golpe midiático, parlamentar e jurídico que afastou a presidenta Dilma Rousseff. A não ser por alguns pequenos “detalhes”, que motivaram discretos protestos de “Fora Temer” e ensaios de vaias, que sobraram para outro representante.

Granja é filiado ao PC do B (partido que é contra o golpe), mas é secretário de Cultura do Governo Paulo Câmara, declaradamente a favor do golpe. Então existe aí , pelo menos, uma esquizofrenia política.

Estamos em tempos em que as narrativas são construídas e desconstruídas ao bel-prazer de hábeis oradores. Granja portanto, lembrou dos editais do Funcultura (principal fonte de financiamento da produção cultural pernambucana – audiovisual, música e geral) para enaltecer o governo e e dizer que está do lado dos artistas. Numa estranha passividade, a plateia baixou a cabeça e alguns até aplaudiram o discurso.

Depois dele, a presidenta a Fundarpe, Márcia Souto também do PC do B falou pouco e destacou que a atriz e produtora Paula de Renor (que ficou por 15 anos na coordenação do JGE, junto com Paulo de Castro e Paula Valença), e que estava sentada na plateia, é a nova presidenta do Conselho de Cultura. Uma função merecida para Paula de Renor que luta há anos por políticas públicas mais justas em Pernambuco. Mas o anúncio pareceu uma cortina de fumaça em meio ao fogo cruzado.

A secretária de Cultura do Recife, Leda Alves, reafirmou que é um soldado na política do PSB e que luta pela cultura pernambucana. Ela tem um histórico, inclusive como artista e gestora que impõe respeito, e é muito querida no setor. Mas a realidade da política cultural recifense não é um palco iluminado e todos nós sabemos disso.

Dessa etapa protocolar, o produtor Astrogildo Santos, que atua como diretor na Fundaj, iniciou sua fala dizendo que estreou como ator no Teatro de Santa Isabel e outros feitos, para depois defender que o Ministro da Educação, Mendonça Filho, está fazendo grandes ações pela educação e cultura. Vaia na certa. Fora Temer! e Golpistas! foram as palavras de ordem gritadas por uma parte da plateia.

Coube a Paulo de Castro arrematar com as palavras de que este ano tem eleição e teremos condições de eleger os nossos representantes. Será? Há muitos meses da campanha política já há apostas de quem será o próximo deputado federal mais votado. Então, será que já saímos da era das capitanias hereditárias?

HOMENAGEADOS

Nesse clima tenso foram convidados os homenageados desta edição Vanda e Renato Phalante, dois queridos atores pernambucanos, com uma trajetória ligada ao Teatro de Amadores de Pernambuco e que ostentam 40 anos de profissão. Eles receberam os aplausos e carinho do público, muitos de seus pares de palco. Palavras de afetos foram transmitidas em vídeo, inclusive as de Geninha da Rosa Borges. E também foram presenteados com um quadro pintado por Cleusson Vieira .

Vanda Phaelante. Foto: Wellington Dantas

Vanda Phaelante. Fotos: Wellington Dantas

Homenageados desta edição ganham quadro pintado por Cleusson Viana

Homenageados desta edição ganham quadro pintado por Cleusson Vieira

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Abertura do JGE: Livro no primeiro ato

Cleodon Coelho e o biografado José Pimentel. Foto Pedro Portugal

Cleodon Coelho e o biografado José Pimentel. Foto Pedro Portugal / Divulgação

Hermila Guedes e José Pimentel. Foto Pedro Portugal

José Pimentel e a atriz Hermila Guedes. Foto Pedro Portugal

Escritora e jornalista Crla Denise, encenador Marcondes Lima e Cleodon Coelho. Foto Pedro Portugal

Escritora e jornalista Carla Denise, encenador Marcondes Lima e Cleodon Coelho. Foto Pedro Portugal 

A abertura do 24º Janeiro de Grandes Espetáculos – Festival Internacional de Artes Cênicas e Música de Pernambuco, na noite da quarta-feira (10/01), pode ser dividida em atos. O primeiro, o lançamento do livro no foyer do Teatro de Santa Isabel. O segundo composto por discursos e homenagens. E o terceiro, a exibição do musical Dorinha Meu Amor. No conjunto, sucesso de público, com a casa lotada.

Em clima festivo, o jornalista Cleodon Coelho lançou José Pimentel – Para Além das Paixões, em que desenha a trajetória do ator, diretor e jornalista pernambucano de Garanhuns, muito conhecido por suas atuações na Paixão de Cristo de Nova Jerusalém e na Paixão de Cristo do Recife. Autor e biografado passaram mais de duas horas dando autógrafos e entrevistas, tirando fotografias com os fãs.

De cabelos longos, mesmo depois de ter passado o bastão do papel de Cristo para Hemerson Moura, Pimentel parecia abatido, com uma alegria contida, mas cansado. Cleodon Coelho se mostrava jubiloso com a missão cumprida.

Essa é a terceira publicação assinada por Cleodon Coelho. A primeira foi Nossa Senhora das Oito (Mauad editora, 2003), sobre a novelista Janete Clair, em parceria com o crítico carioca Mauro Ferreira. A segunda foi Lilian Lemmertz – Sem Rede de Proteção (imprensa oficial, 2010).

 Para Além das Paixões está dividida em capítulos curtos e envolventes, que são flashes da vida do filho de Virgínio Albino Pimentel e dona Florentina nascido em 11 de agosto de 1934.

O rumo desse leonino que carregou a cruz de Jesus, na Paixão, por 40 anos, é curioso e marcado por ousadias e insistências

Algumas figuras foram fundamentais na escolha de caminhos desse artista. Entre elas, seu amigo de toda a vida que o encaminhou às artes, o diretor Octávio Catanho, o Tibi e o escritor Ariano Suassuna (1927-2014). “Sempre estive ao lado dele em todos os momentos de sua vida. Já fiz de tudo nos projetos que ele inventa. Trabalhei como ator, cenógrafo, produtor…”, conta Catanho no livro.  Foi com Tibi, no Grupo Dramático Paroquial de Água Fria, que Pimentel assumiu o primeiro personagem, o de Pôncio Pilatos, na montagem O Drama do Calvário.

Já seu début num palco italiano ocorreu com a peça Lampeão, em cinco atos de Raquel de Queiroz, sob a direção de Octávio Catanho, no papel de Ezequiel, cangaceiro conhecido como Ponto  Fino.

Cleodon registra que de uma maneira nada cordial, o crítico Isaac Gondim filho anunciou a novidade no Diário de Pernambuco “o Grupo Paroquial de Amadores (conjunto que não conhecemos e do qual nunca ouvimos falar) vai apresentar no Teatro de Santa Isabel representando a peça Lampeão, de Rachel de Queiroz…” Depois da estreia, apesar de apontar as falhas, Gondim Filho foi mais generoso: “Por isso, quando o GTA se apresenta pela primeira vez no teatro de Santa Isabel, só lhe podemos ter palavras de estímulo e de incentivo, sobretudo pelos valores positivos de sua realização …”

Já na crítica assinada por Ariano Suassuna, publicada no Diario de Pernambuco, em 16 de setembro 1956, sobre a peça A compadecida, depois chamada o Auto da Compadecida o escritor é só elogios a Pimentel: “José Pimentel viveu, no espetáculo do Teatro Adolescente, a figura do rico fazendeiro Antônio Moraes, e, posteriormente, o Encourado (o diabo). Saiu-se muito bem em ambas, tendo sido mesmo uma revelação de ator, com muito senso de ritmo nos gestos e nas falas, comedido e presunçoso como fazendeiro, odiento e perigoso como o diabo”.

Essa foi a primeira encenação do texto do escritor paraibano, montado por Clênio Wanderley com Teatro Adolescente do Recife. O livro revela detalhes deliciosos sobre a estreia na capital pernambucana, após alguns adiamentos, até a consagração no primeiro Festival de Amadores Nacionais no Rio de Janeiro. “Deu uma vontade danada de esfregar a medalha de ouro na cara de quem nos criticou na nossa própria terra”, comenta Pimentel na obra.  

As polêmicas da sua saída da montagem de Nova Jerusalém são bem conhecidas e estão retratadas. Mas uma outra faceta de Pimentel como colunista do jJornal da cidade dá uma apimentada na publicação.

O jornalista Cleodon Coelho selecionou algumas edições da Coluna Sinal Fechado, dentre elas estão alfinetadas em outros encenadores e grupos do Recife:

“Uma clara alusão aos espetáculos O Calvário de Frei Caneca e Batalha dos Guararapes, o pretensioso e pedante Toninho Candonga (nunca sei direito o nome desse cara) disse que ia resgatar, através de Shakespeare, a alegria e o barroquismo da Cidade Maurícia, no que ela tem de mais vivo e menos a arqueológico. Num ato falho, fala da Maurícia do século XVII”.

“A companhia teatral Fundação de Cultura Cidade do Recife Ltda. enviou-me dois convites para a estreia de Sonho de uma noite de verão, by (sic) Shakespeare. Na fila U, lateral, do Teatro do Parque. Levei luneta e amplificador. Na entrada, uma surpresa: a bolsa da minha mulher foi revistada.  Que será que os caras pensavam encontrar? Bombas, ovos podres, revólver? Máquina fotográfica? Pois é, os espiões teatrais, como os industriais, estão à cata de novidades e bem que poderiam documentar cenários, figurinos, peitos etc. Para utilizar em futuras montagens. … Sentei-me estiquei o pescoço e juro que vi. Gostei. Como sou leigo em teatro e não sou crítico de, deixo os comentários para Valdir Coutinho e Enéas Alvarez. Apenas, como espectador, devo dizer que gostei mais da revista Tal e qual – nada igual. Bom, pelo menos fui ver. Pior fazem eles que picham meus espetáculos sem vê-los.”

O encenador Antonio Cadengue comenta no livro que “Relendo o texto depois de muitos anos, eu dei boas risadas. Mas me chamar de Candonga não era um erro. Era provocação mesmo”.

Histórias do teatro pernambucano.

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