Arquivo mensais:março 2017

Precisamos de cúmplices na vida

Espetáculo Alguém pra fugir comigo. Foto: Mariá Vilar / Divulgação

Espetáculo Alguém pra fugir comigo entra em temporada no Hermilo Borba Filho. Foto: Mariá Vilar / Divulgação

Parece que o mundo deu uma marcha ré no quesito direitos humanos. Ou será que que foi a regência do Sol, no ano passado, que lançou luz sobre toda a sujeira que não enxergávamos com muita facilidade? A humanidade embruteceu? O poder do dinheiro tomou o lugar das relações afetivas? Não dá para confiar em absolutamente ninguém? Perguntas são combustível do espetáculo Alguém Pra Fugir Comigo, que expõe vários tipos de opressão (racista, sexista, homofóbica). O Resta Um Coletivo de Teatro parte de situações atuais ou remotas da micropolítica do Brasil ou do mundo e embaralha os tempos-espaços da montagem. 

Com uma estrutura fragmentada, inspirada em imagens, trechos de canções, relatos, pedaços da realidade reinventada na cena e ficção declarada, a peça anseia provocar, sacolejar certezas, questionar esse nosso estar no mundo. Mas também há traços de otimismo, traduzidos no próprio título da peça: um cúmplice, um companheiro, um comparsa, um aliado, um parceiro, um amor. Mas sem traições. Uma esperança.

Alguém pra Fugir Comigo inicia temporada nesta sexta-feira (24), às 19h, no Teatro Hermilo Borba Filho, onde segue em cartaz até 2 de abril. Dirigido por Analice Croccia e Quiercles Santana a montagem estreou no 23° Janeiro de Grandes Espetáculos e foi contemplada com o prêmio Apacepe de Melhor Espetáculo de Teatro Adulto.  

São inúmeras as dificuldades de fazer teatro de pesquisa no Recife, cidade que sufoca seus artistas com a debilidade de políticas públicas, com equipamentos sucateados, com a não valorização das artes da cena. Na entrevista, o encenador Quiercles Santana fala um pouco sobre isso e o processo de criação do do Coletivo Resta 1 de Teatro e das urgências cênicas do grupo. 

Entrevista: Quiercles Santana – Encenador

Foto: Reprodução do Facebook

Foto: Reprodução do Facebook

Enquanto fábula, o que você pode dizer sobre a peça? E enquanto procedimento cênico? 
Quiercles Santana – Não há exatamente uma fábula, no sentido mais comum da palavra. Criamos uma confluência de situações que se assemelham, que têm como leitmotiv o embate do Poder Soberano (e seus representantes opressivos, a força da lei) versus a possibilidade de sublevação, de rebeldia, como dizia Camus em o Homem Revoltado. É que chega uma hora em que tem de se dizer “basta!”, “chega!”
E é isso o que o espetáculo tenta trazer: o desafogo.
Era preciso fugir da obrigação de “originalidade”, que às vezes acomete alguns artistas, para falar sobre os trabalhos e os dias, comuns a todos nós (do Coletivo Resta 1 de Teatro, pelo menos), das mais diversas áreas e vivências.
Então fomos desenvolvendo uma série de quadros, de circunstâncias, cenas que podiam, a princípio, estar em qualquer parte da narrativa. Os diálogos eram improvisados, testados, para virar depois palavra escrita, reelaborada, ensaiada. Muitas cenas acabaram saindo do espetáculo, sendo substituídas por outras. Algumas delas retornaram já na reta final da montagem.
Assim, o fato de termos várias histórias e nenhum personagem central para seguir também possibilitaria ao público não ter a que se apegar, ficando à deriva junto conosco, sem chão; e que isso poderia ser um elemento de surpresa e expectativa.
Isso concomitantemente às leituras, aos filmes, às imagens. Por que se as palavras têm esse poder evocador de imagens, algumas imagens foram essenciais para desabonar a necessidade de fala. Daí foi preciso se conscientizar do poder imagético e subversivo dos corpos, das respirações. O que em outras palavras significa trabalho duro.

Como é o seu método no trabalho com os atores?
Quiercles Santana – Não tenho um método. Gostaria de ter, até. Mas não tenho. Vou no caos, tentando identificar pistas que possam desenhar um caminho. O que sinto é que o ator não deve ser preguiçoso, que deve despender suor, que deve ter um imaginário rico, que se deixe desconstruir em prol de coisas que estão além dele, o que não é nada fácil mesmo. O ator tem de gostar de instaurar outros mundos, atmosferas; deveria se empenhar em estar inteiro no que faz; ouvir o silêncio e deixar que outras vozes possam ser ouvidas.

A peça “traz relatos de fatos verídicos e ficcionais – ocorridos recentemente ou há décadas, no Brasil de hoje e na Europa do século 19”. Quais foram esses materiais primários?
Quiercles Santana – Diários Íntimos de Louis Vauthier, publicado por Gilberto Freyre, por volta de 1940, por exemplo, foi um deles. Um Inimigo do Povo, do Ibsen, outro. Olhar em retrospectiva histórica para fatos que continuam acontecendo hoje, como a escravidão, como as formas de violência perpetradas pelos agentes do estado, coisas que aconteciam há 150 anos e são ainda muito atuais.

Quais os recortes adotados para salientar os temas eleitos pela montagem corrupção, trabalho escravo, vidas nas grandes cidades, solidão e discriminação.
E a escolha por uma forma fragmentada de contar uma história … Qual a principal aposta?

Quiercles Santana – Pensamos que não cabia no nosso espetáculo uma fábula específica, uma historinha com começo meio e fim. Havia muitas coisas entaladas: a perda paulatina dos direitos sociais, a ascensão canhestra da Direita, a sensação de desamparo, a cretinice cínica dos três poderes, da mídia, a burrice de tantos discursos fechados, a desorientação geral, etc.
Então, a primeira coisa que pensamos em termos de procedimento era de que o espetáculo deveria ter um caráter ensaístico, não acabado, aberto, de experimentação com a diegese (fragmentária, alusiva, cheia de cascas de bananas, de pistas falsas, de metáforas).
Uma forma de balizar todo esse material era o tempo gasto em cada cena. E como cada uma delas iria dialogar com as precedentes e as subsequentes, dentro da ordem geral. Queríamos criar música, digamos assim, casando momentos mais intensos e pesados, com outros mais leves e engraçados. Não era só as situações, mas aonde elas poderiam surtir um efeito mais inesperado na ordem geral das cenas, compreende?

Montagem da Resta 1. Foto: Mariá Vilar

Montagem do Coletivo Resta 1 de Teatro. Foto: Mariá Vilar

A peça trata de realidade social injusta e do colonialismo em várias frentes. Você conseguiu identificar o alcance disso?
Quiercles Santana – Não, não consegui. Até porque nunca parto do princípio de que faço espetáculos para o outro ver, no sentido de que devo estar submetido ao que o outro vai ou não compreender. Parto da premissa de que devemos fazer antes de tudo para nós mesmos, de que deve ser um ato de expressão autêntico de nossas dores, de nossas solidões, de nossas alegrias e desencontros e esperanças. Se pudermos ser verdadeiros conosco, certamente seremos com o outro, o público. Mas nunca temos certezas sobre o alcance de uma obra. Isso vai depender de muitos fatores. Mas se podemos afetar as pessoas, isso já me parece bom e digno de nota.

A questão da identidade é para você um ponto crucial?
Quiercles Santana – Em que sentido de identidade você está se referindo? Se for em termos de estilo, não. O meu sonho era não ter um estilo. Era criar espetáculos distintos. Poder ir na aventura de descobrir coisas novas em cada novo trabalho. Claro que tem trabalhos que talvez por conta da temática e de ser o mesmo elenco, como o caso de trilogias que versam sobre temas afins, o resultado pode ser semelhante. Mas não queria ser um cara que as pessoas vão lá e dizem “é a tua cara!”. Queria não ter uma cara, mas muitas.

O que significou para o grupo ser eleito o melhor espetáculo do Janeiro?
Quiercles Santana – Foi importante na justa medida em que a premiação significou um reconhecimento de nossos esforços. Mas nada mais que isso. Não há nenhuma ilusão de que a tarefa sempre será desafiadora. Um prêmio é bom, mas outros desafios pela frente. Se manter juntos e criando, por exemplo, e poder pagar algumas contas…

Os prêmios no Janeiro também criaram uma tensão pelo fato de dois dos três integrantes da comissão serem de unidades do Sesc muito próximos ao grupo. O elenco foi formado pelo Curso de Teatro do Sesc Santa Amaro, de onde surgiu o exercício cênico que foi a semente do espetáculo. O que dizer sobre essa configuração?
Quiercles Santana – Veja, a comissão do Janeiro de Grandes Espetáculos deste ano de fato teve esta configuração peculiar. Mas as pessoas que estavam lá não são do tipo “vou passar a mão” pelo fato de que o grupo é egresso do SESC. Muito pelo contrário. Rita Marize é uma das pessoas mais criteriosas que conheço, carne de pescoço mesmo. Breno Fittipaldi não é menos. Jorge de Paula, uma pessoa a quem respeito muito, jamais seria conivente com qualquer tipo de facilidade, com quem quer que seja. E isso foi muito mais gratificante, acredite, estarmos sob o olhar de pessoas que não estão para brincadeiras.

Que caminho o teatro no Recife está sendo construído? O que você percebe?
Quiercles Santana – Não sei. Há muitos caminhos. E todos talvez sejam legítimos. Mas gosto de Teatro que faça as nossas certezas estremecerem, que nos tiram o chão. Há certos encenadores que gostam de tudo amarradinho, um pacote que faz sentido. Mas não é assim na existência. Há muitos nós que carregamos sem saber aonde encaixá-los. E gosto particularmente quando uma obra não oferece saídas, soluções, mensagenzinhas. O Teatro que questiona, que instaura outro diálogo, outro critério, outro jogo com o espaço e o tempo, que nos desafia, esse é o que prefiro.

Quais são os desafios e as limitações de fazer teatro no Recife nos dias de hoje?
Quiercles Santana – Falta de espaços adequados, de teatros bem equipados, de formação ampliada. A gente tem de desdobrar em cem mil para conseguir sobreviver.

O teatro pode ser um modo de resistência?
Quiercles Santana  -Teatro é resistência. É preciso resistir a muitas coisas, tentações, chamados. É preciso muita abnegação, coragem, loucura. Só doidos para dedicar a vida a isso. Eu mesmo vivo com vontades súbitas de desistir. Arte é pros fortes.

Você acha que os artistas têm uma responsabilidade social? Qual seria?
Quiercles Santana – Os artistas têm uma enorme carga de responsabilidade social. Quer dizer, todo mundo tem ou deveria ter, qualquer profissão. Mas o artista tem essa que é dar a conhecer que a vida passa, está passando neste momento e o que é que estamos fazendo enquanto ele, o tempo, não acaba? A vida não pode ser só trabalho e dinheiro. É que as coisas mais importantes da existência, como dizia alguém, não são coisas. O artista está ali para fazer com que reflitamos sobre coisas assim. É preciso repensar a nossa trajetória até aqui e o que queremos daqui por diante.

Analice Croccia divide a encenação com Quiercles Santana. Foto: Mariá Vilar / Divulgação

Analice Croccia divide a encenação com Quiercles Santana. Foto: Mariá Vilar / Divulgação

Serviço
Alguém Pra Fugir Comigo

Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Quando: 24, 25, 26, 31 de março e 01 e 02 de abril; Sextas e Sábados às 19h; Domingos às 18h
Ingressos: R$ 30 (inteira) R$ 15 (meia)

Ficha Técnica
ELENCO:
Analice Croccia, Ane Lima, Caíque Ferraz, Luís Bringel, Nataly Oliveira, Pollyanna Cabral, Wilamys Rosendo
ENCENAÇÃO : Analice Croccia e Quiercles Santana
ASSISTÊNCIA DRAMATÚRGICA: Ana Paula Sá
DESENHO DE LUZ: Elias Mouret
DIREÇÃO MUSICAL: Katarina Menezes e Kleber Santana
DESENHO DE SOM: Kleber Santana
PREPARAÇÃO DE CORPO E MOVIMENTO: Patrícia Costa
FOTOGRAFIAS: Mariá Vilar
DIREÇÃO ARTÍSTICA: Resta 1 Coletivo de Teatro
PRODUÇÃO: Resta 1 Coletivo de Teatro
CENOTECNIA: Flávio Freitas
VOZ OFF: Zoraide Coleto

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Banquete para objetos animados

Sala de Jantar inaugura nova fase da produtora teatral de Edvane Bactista e Ruy Aguiar. Foto: Divulgação

Sala de Jantar inaugura nova fase da produtora teatral de Edivane Bactista e Ruy Aguiar. Foto: Divulgação

A Métron Produções, no mercado teatral recifense há 19 anos, sabe explorar as propriedades da palavra resiliência. A crise é cíclica, a cultura nunca foi a prioridade das políticas governamentais, existe carência de palcos e parcos incentivos, a cena teatral precisa enfrentar adversidades. A produtora inventa e reinventa o seu jeito de sobreviver. Dessa vez abriu o escritório da companhia – localizada no bairro da Boa Vista – e transformou a sede em espaço para apresentações cênicas de diversos formatos, cursos, oficinas e o que mais vier.

E esse novo ciclo abriga a curta temporada do espetáculo de formas animadas Sala de Jantar, mais uma experimentação da empresa cultural. Na peça que tem texto e direção de Ruy Aguiar, Taças, Talheres, Pratos, Castiçais e Guardanapos são personagens de uma trama que se passa num castelo europeu no século 19. Essas figuras/objetos articulam a preparação de um banquete requintado e a interação com os humanos, sob a liderança do Lacaio.

Nesse espaço intimista, os artefatos ganham personalidades específicas, vinculadas às funções de cada um. O elenco – formado pelo próprio Ruy Aguiar, Adilson Carvalho, Edivane Bactista, Fabiana Coelho e Ryan Rodrigues – utiliza várias técnicas de manipulação em linguagens diferentes, como ilusionismo, mágica, teatro de sombras.

O texto foi fecundado no curso de dramaturgia “Na fronteira das linguagens”, proposto em 2008 pelo dramaturgo pernambucano Luiz Felipe Botelho, que também foi a semente de outras peças pernambucanas.

A montagem é produzida com incentivo do Funcultura.

FICHA TÉCNICA
Texto e Direção: Ruy Aguiar
Pesquisa Musical / Trilha Sonora: Lailson Cavalcante
Consultoria para Efeitos Especiais: Ryan Rodrigues  
Figurinos / Ambientação cenográfica: Marcondes Lima
Concepção do cenário: Ruy Aguiar
Desenho de Luz: Saulo Uchoa
Execução de luz: João Guilherme / Natalie Revorêdo (Farol Ateliê da Luz)
Execução de Sonoplastia: Ailton Brisa
Oficineira: Maria Oliveira 
Cenotécnico: Mario Almeida 
Aderecistas:  Ryan Rodrigues / Manuel Carlos / Elida Tavares   
Confecção de figurino e cenário (Costuras): Edilene Silva / Maria Lima
Gravação e mixagem: Marcílio Moura (Fábrica Estúdios)
Design Gráfico: Hilton Azevedo
Impressão: Contorno ideias e soluções

Produção Geral: Edivane Bactista / Ruy Aguiar
Produtor Cultural/ Proponente: Ruy Aguiar
Apoio de Produção: Camila Azevedo / Élida Tavares
Assessoria de Imprensa: Edivane Bactista (DRT/PE: 2151)
Incentivo Cultural: Funcultura / Fundarpe / Secretária de Cultura / Governo de Pernambuco
Realização: Métron Produções

Elenco:
Adilson Di Carvalho (Lacaio)
Edivane Bactista (Visitante)
Fabiana Coelho (Ajudante da cozinha / Guarda)
Ruy Aguiar (Visitante)
Ryan Rodrigues (Ajudante / Guarda)
Fabiana Coelho (Cadeira / Taça)
Mônica Maria (Toalha)
Isabela Cavalcanti (Faca / Taça)
Ruy Aguiar (Guardanapo)
Ryan Rodrigues (Garfo / Prato)
Simone Santos (Cadeira / Jarra)

Serviço
Espetáculo ‘Sala de Jantar’
Quando: Sábado e domingo, às 19h, até 9 de abril
Onde: Sede da Métron Produções (Rua Tabira, 109, Boa Vista – Recife)
Capacidade: 20 espectadores
Ingressos: R$ 20 e R$ 10
Reserva de ingressos: (81) 3423 1568 ou pelo Whatsapp, 8199418 0025.

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Comédia investe em terapia por telefone

 

Solange Couto interpreta terapeuta e sexóloga

Solange Couto interpreta terapeuta e sexóloga

A atriz Solange Couto ainda escuta o bordão “né brinquedo não!”, de sua personagem Dona Jura, da novela O Clone, que fez há mais de 15 anos. Segue em busca de outras alegrias no monólogo Tem alguém na linha?, em que interpreta várias personagens. A apresentação da peça ocorre neste sábado, às 20h, no Teatro Experimental Roberto Costa (Paulista North Way Shopping), no município de Paulista, Região Metropolitana do Recife. A terapeuta e sexóloga busca resolver problemas sentimentais, sexuais e profissionais, somente por telefone. É o que ela chama de fonoterapia 30 horas.

A protagonista é uma mulher estressada, mal-humorada, reclamona e compulsiva mas que assume a postura de mulher resolvida, prática, calma, competente, alegre e completamente sem problemas quando atende suas pacientes.

As pacientes são estereótipos engraçados. De uma rica e esnobe madama, passando por uma serelepe empregada, uma funcionária pública e a cobradora de ônibus Sheilão, que tem uma namorada chamada Leninha. Maria Carmem liga para a doutora todos os dias para falar de suas paradas com algum homem casado, separado, complicado ou tarado. E pode aparecer ou desaparecer alguma dessas personagens.

A peça foi escrita por Regiana Antonini e dirigida por Augusto Brilhante e Lauro Santanna.

TEM ALGUÉM NA LINHA?
Monólogo com Solange Couto
Quando: 11 de março (sábado), às 20h.
Onde: Teatro Experimental Roberto Costa (North Way Shopping, s/n, Paulista).
Quanto: R$ 40 e R$ 20 (meia).
Informações: 98463-8388.

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Marcas do passado escravocrata

Espetáculo A Última Cólera no Corpo de Meu Negro

Espetáculo A Última Cólera no Corpo de Meu Negro

Raphael Gustavo, autor e intérprete de A Última Cólera no Corpo de Meu Negro, expõe o racismo da sociedade brasileira e enfoca as tensões entre casa grande e senzala com os elementos de sexualidade e religiosidade. Nessa história situada no século 19, o protagonista Bastião trava uma luta, um jogo de humilhações com outro ser humano. Amor, ódio e perversidade fazem uma trama de segredos e prisões que o tempo irá cobrar.

O espetáculo faz apresentações neste sábado e domingo, na sede do Poste. A Cia Experimental de Teatro, de Vitória de Santo Antão, interior de Pernambuco, desenvolve há quase uma década trabalhos com a questão da herança afrodescendente. Em A Última Cólera no Corpo de Meu Negro a montagem contou com a colaboração dos artistas d’O Poste Soluções Luminosas, Samuel Santos e Naná Sodré, que também investigam o universo da cultura negra para combater o preconceito. 

Ficha técnica
Texto: Raphael Gustavo
Direção: César Leão
Preparação Corporal: Cleiton Santiago
Preparação De Ator: O Poste- Soluções Luminosas (Samuel Santos, Naná Sodré)
Sonoplastia: Fabiano Falcão
Cartazes: Ian de Andrade
Fotos: Lucivânio Moura

SERVIÇO
A Última Cólera no Corpo de Meu Negro, com a Cia Experimental de Teatro
Onde: Espaço O Poste- Rua da Aurora- 529- Boa Vista
Quando: Sábado, 11/03, às 20h e domingo, 12/03, às 19h
Quanto: R$ 20

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O menino da gaiola é lançado em livro

Primeiro texto de Cleyton Cabral é lançado na Torre Malakoff. Foto: Alex Ribeiro / Divulgação

Primeiro texto de Cleyton Cabral é lançado na Torre Malakoff. Foto: Alex Ribeiro / Divulgação

O teatro para infância também abraça temas espinhosos. É o caso da peça O Menino da gaiola, que trata do abuso sexual de crianças, da violência urbana e da poluição. É a primeira peça do publicitário, ator, escritor e blogueiro Cleyton Cabral, lançada em livro neste sábado (11), na Torre Malakoff, bairro do Recife Antigo.

O protagonista dessa história é Vito, garoto orfão que pede à avó e ao tio uma gaiola como presente de aniversário de 10 anos. Ele passa a anotar o sonho das pessoas e guardar os papeizinhos dentro do engradado para em casa soltar esses desejos para “voarem como pássaros”.

Nesse percurso de relatos ele se depara com algumas situações dramáticas. A de um velho que foi violentado por dois homens e teve o rosto queimado; a de uma menina que sofre abuso sexual e dois pescadores de só retiram lixo do rio.

O personagem Vito, o protagonista de O menino da gaiola nasceu em em 2010, quando Cleyton participou do Grupo de Estudos de Dramaturgia da Fundação Joaquim Nabuco, coordenado por Luiz Felipe Botelho.

O texto ganhou uma encenação em 2013, com direção de Samuel Santos. Em 20016, a peça recebeu o incentivo do Funcultura para ser publicada e também terá um versão em braile, produzida pela Biblioteca Pública Estadual, que deverá ser lançada em maio.

A edição tem design assinado pelo artista plástico Java Araújo. Inclusive as ilustrações originais do livro estarão disponíveis para venda nessa tarde de autógrafos. A produção executiva do projeto é de Alexandre Melo, diretor da produtora Nós pós.

capaSERVIÇO
Lançamento de O menino da gaiola
Quando: Sábado (11), às 16h
Onde: Torre Malakoff

Autor: Cleyton Cabral
Ilustrações: Java Araújo
Editora: Cepe
Páginas: 47
Preço: R$ 10

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