Arquivo mensais:novembro 2012

A delicadeza das sombras japonesas

Companhia Kakashi-za abriu Sesi Bonecos. Fotos: Ivana Moura

Quatro japoneses. Oito mãos e a possibilidade de criar imagens incríveis, belas e totalmente lúdicas, que vão de silhuetas de animais a tantas outras figuras. O festival Sesi Bonecos do Mundo deu a largada ontem, com sessão de Hand Shadows Animare (Sombras de mão) com o grupo Kakashi-za, na sede da Fiepe.

O quarteto apresenta pequenos shows para contar a história de Pen-to, o pinguim que quer desbravar o mundo e, para isso, deixa para trás sua namorada Pen-Ka. Antes de chegar à narrativa propriamente da trajetória de Pen-to, os atores ensinam a plateia como fazer imagens de sombra. Aparecem dois voluntários e chegamos à conclusão de que não é nada fácil produzir aquelas imagens, com a agilidade, leveza e perfeição da trupe. Eles exibiram as séries “animais marchando”, “o gurila”, “o patinho feio” e cantaram músicas japonesas para crianças.

Depois partiram para a aventura de Pen-to: “O sonho de Pen-to”, “Acordando do sonho”, “Vida selvagem”, “Na cidade”. Em todas essas o pequeno herói enfrenta os desafios das ocasiões. Depois o espetáculo segue com “Saudades de casa”, “O sonho continua”, e “Viveram felizes para sempre”.

Além de uma performance admirável, o grupo esbanjou simpatia, e mostrou que executar aquela arte é uma grande prazer, uma grande paixão.

Mas eles não abriram mão de um ritmo japonês de ser, com o tempo das ações dilatado. A disciplina é uma das características dos artistas japoneses e esses até aprenderam e falaram algumas frases em português, o que é mais que gentil. A apresentação terminou com um samba brasileiro. É um espetáculo para a alegria dos olhos e de outros sentidos.

Espetáculo Sombras de mão

A apresentação de ontem foi só para convidados, mas o Sesi Bonecos ganha força hoje, no Teatro de Santa Isabel, com ingressos gratuitos.

SERVIÇO:

Sesi Bonecos do Mundo
Quando: De 7 a 9 de novembro, no Teatro de Santa Isabel, com apresentações às 19h e às 21h (os ingressos podem ser retirados na bilheteria do teatro a partir das 12h, nos dias dos espetáculos).
Dias 10 e 11 de novembro, no Parque 13 de Maio, das 16h30 às 20h30 (dia 10) e das 16h30 às 21h (dia 11).
Quanto: Entrada Franca

SESI BONECOS – PROGRAMAÇÃO 2012 | Recife

07/nov (quarta-feira), às 19h
Companhia Pequod | Brasil/RJ
Espetáculo Marina, a Sereiazinha
Classificação: a partir de 6 anos
Local: Teatro Santa Isabel

07/nov (quarta-feira), às 21h
Companhia Pequod | Brasil/RJ
Marina
Classificação: 16 anos
Local: Teatro Santa Isabel

08/nov (quinta-feira), às 19h e 21h
Companhia Kakashi-za | Japão
Espetáculo Sombras de mão
Classificação: Livre
Local: Teatro Santa Isabel

09/nov (sexta-feira), às 19h e 21h
Companhia Art Stage San | Coreia
Espetáculo: A História de Dallae
Classificação: Adulto
Local: Teatro Santa Isabel

10/nov (sábado)

às 16h30, Performance de Abertura com o Grupo Giramundo | Torres Andantes | MG| Livre. Entre o público;
das 16h30 às 21h, Grupo Giramundo, com Exposição Autômatas | MG | Livre no Pavilhão da Exposição;
17h, 18h e 19h, Ateliê ao Vivo dos Mestres Mamulengueiros, com Mestres Zé di Vina, Chico Simões, Tonho de Pombos e Saúba | PE, DF e PE | Livre, na Tenda dos Mestres;
Entre 17h e 20h30, Gente Falante, com Circo Minimal | RS | Livre | Mini Circo;
17h, 18h, 19h e 20h, Girovago & Rondella, com Mão Viva | Itália | Livre, no Palco 3
17h, 18h, 19h e 20h, Fernan Cardama, com O presente | Argentina | Livre | Empanada
17h30, 18h30, 19h30 e 20h30, Story Box Theatre, com Punch and Judy | Inglaterra | Livre, no Palco 3;
17h, 17h20, 17h40, 18h, 18h30, 19h, 19h30, 20h e 20h20, Gente Falante, com Caixa de Música | RS | Livre | Tenda Teatro;
17h, Victor Antonov, com Circo em fios | Rússia | Livre, no Palco 1;
18h, Kakashi-za, com Sombras de mão | Japão | Livre, no Palco 2;
19h, Pia Fraus, com Gigantes de Ar | SP |Livre, no Palco 1;
20h30, Show do Patu Fu com o Grupo Giramundo | Música de Brinquedo | SP | Livre, no Palco 2;

11/nov (domingo)
Às 16h30, Performance de Abertura com o Grupo Giramundo, com as Torres Andantes |MG| Livre. Entre o público;
das 16h30min às 21h, Grupo Giramundo, com Exposição Autômatas |MG |Livre, no Pavilhão da Exposição;
17h, 18h e 19h, Ateliê ao Vivo dos Mestres Mamulengueiros, com Mestres Zé Lopes, Waldeck de Garanhuns e Tonho de Pombos | (PE, SP e PE) | Livre, na Tenda dos Mestres;
Entre 17h e 20h30, Gente Falante, com Circo Minimal | RS | Livre, no Mini Circo;
17h, 18h, 19h e 20h, Victor Antonov, com Circo em fios |Rússia |Livre, no Palco 3
17h, 18h, 19h e 20h, Fernan Cardama, com O presente |Argentina |Livre, na Empanada
17h30, 18h30, 19h30 e 20h30, Story Box Theatre, com Punch e Judy | Inglaterra| livre, no Palco 3;
17h, 17h20, 17h40, 18h, 18h30, 19h, 19h30, 20h e 20h20, Gente Falante, com Caixa de Música | RS | Livre, na Tenda Teatro;
17h, Casa Volante, com Operação Romeu mais Julieta | MG | Livre, no Palco 1;
18h, Girovago & Rondella, com Mão Viva | Itália | Livre, no Palco 2;
19h, Caixa do Elefante, com Histórias da Carrocinha| RS |Livre, no Palco 1;
20h, Mão Molenga, com Babau | PE | Adulto, no Palco 2;
21h, Art Stage San, com A história de Dallae | Coreia | 12 anos, no Palco 1

Montagem volta a ser encenada nesta quinta-feira, no Santa Isabel, em duas sessões

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Os desafios do circo e a sinceridade das crianças

A carta. Fotos: Pollyanna Diniz

Já são oito anos de Festival de Circo do Brasil. É uma iniciativa que tem muito a nos ensinar. É lindo ver os teatros lotados, o povo circulando pelo Parque Dona Lindu (e também acompanhando as intervenções em vários lugares da cidade), as pessoas abraçando o festival, tomando parte de uma ideia que democratiza a arte e amplia horizontes.

Mas são também muitos os desafios. Principalmente para continuar conseguindo suprir o desejo pelo novo dos espectadores. E aí concordo com Ivana Moura quando diz no post anterior que sentiu falta de uma grande atração. Eu também. Afinal, o festival de circo já nos trouxe coisas estranhíssimas (e instigantes) como o espetáculo P.P.P, da companhia francesa Non Nova, em 2009. O artista Philippe Ménard misturava performance, dança contemporânea e circo atuando em meio a montes de gelo no palco do Santa Isabel. Lembro que muita gente detestou. Mas era algo que nos tirava da zona de conforto.

E como não lembrar de Aurélia Thierrée? Ano passado, por exemplo, ela trouxe Murmures des murs. Fantástico, surpreendente, com aquele cenário enorme de prédios abandonados; os truques que podem até ser aparentemente simples, mas que tomam uma proporção e simplesmente nos arrebatam.

Este ano parece que faltou algo assim. O destaque foi mesmo Paolo Nani com A carta, que lotou o Santa Isabel nos três dias de apresentação. É uma ideia bastante simples – e como me contaram as meninas da Cia Animé, muito usada em exercícios – a repetição de uma ação de várias maneiras. Primeiro ele entra no palco, bebe algo, cospe, tenta escrever uma carta, a caneta não funciona, ele surta. Só que essas mesmas ações podem ser feitas de várias maneiras – sem as mãos, bang bang, preguiçoso, sonho, bêbado. Há muita cumplicidade entre o performer e a plateia; é pra rir. E rir muito. As expressões faciais, o timing perfeito para a comédia, o inusitado de cada situação preenchem o palco. O espetáculo é da Dinamarca e a direção é de Nullo Facchini. Enquanto via o espetáculo fiquei imaginando como seria se houvesse uma trilha ao vivo.

Na sexta-feira, no Apolo, vi a apresentação do Giullari Del Diavolo, que já participou algumas vezes do festival. A direção do espetáculo é do diretor e palhaço brasileiro Flávio Souza. No palco, a mineira
Rose Zambezzi e o italiano Stefano Catarinelli. Lembro que a companhia italiana tem um belo trabalho humanitário. O Giullari Senza Fronteire que, desde 2006, reuniu circenses para realizar apresentações em lugares carentes ou de risco social. Houve até uma exposição ano passado sobre o projeto na Torre Malakoff.

Tuttotorna

Agora o Giullari apresentou Tuttotorna. Os dois artistas brincam com bolas e esferas. Fazem malabarismo, manipulações, cantam, se divertem. Dizem, acho que é assim, que a felicidade é uma esfera. É um espetáculo bastante plástico, bonito. Mas não vai muito além. Até se torna cansativo.

Assim como um espetáculo que vi no Dona Lindu no domingo. Que descobri agora que é o grupo Morosof, da Espanha. E que se chama 2 & 1/2 Street Vue. Bom, são dois “palhaços-acrobatas” que fazem caras e bocas e acrobacias – meio óbvio, né? Bonitinho, engraçadinho. O garoto que estava ao meu lado…lá pelas tantas: “vamos embora, pai? Isso tá muito chato!!!”. A gente caiu na risada. Sinceridade de criança é fogo.

2 & 1/2 Street Vue

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O circo divertiu o Recife

Espetáculo Maravillas mostrou diversidade da produção circense com muito humor. Foto: Divulgação

O Festival de Circo do Brasil cumpriu sua função deste ano: quebrar a rotina com diversão. Realizado durante o feriadão de finados (de 1 a 4 de novembro), o evento trouxe atrações interessantes, tendo como palco principal o Parque Dona Lindu, no bairro de Boa Viagem, Zona Sul da capital pernambucana. Mas também com apresentações no Teatro de Santa Isabel, Teatro Apolo e intervenções em vários pontos da cidade.

Coincidiu com a fome de consumo depois da inauguração do novo shopping no Recife, no Pina, o que provocou grandes engarrafamentos para a Zona Sul. Qualquer evento que venha a ser realizado em Boa Viagem terá que conviver com esse pequeno detalhe e as consequências da mobilidade urbana naquela área.

Mas quem conseguiu chegar lá teve o prazer de verificar que o Parque Dona Lindu ficou em festa. Com muita gente se movimentando e assistindo aos espetáculos oferecidos, de gente que brinca na água, que desafia a morte, e que provoca o riso, além dos filmes.

A abertura do festival, na quinta-feira (1º), foi com o espetáculo Maravillas, do grupo espanhol Ateneu Popular de 9 Barris, que é um tradução muito boa do momento que essa arte encantadora enfrenta em todo o mundo. Equacionar a tradição do circo com as novas conquistas, sem perder a pulsação do presente.

Maravillas é um espetáculo vigoroso, com números de circo tradicional e com artistas que dominam a técnica e apostam no humor. No segundo dia de apresentação, por exemplo, nossa querida atriz Márcia Cruz amplificava suas gargalhadas, principalmente com os números do carequinha dos malabares. Um rico espetáculo. Só achei um pouco longo.

Este ano, como a própria produtora executiva Danielle Hoover comentou, não houve coisas muito densas, conceituais. “O clima da edição não é com números técnicos mirabolantes, está tudo focado no lúdico. É uma edição simples, mas harmônica”, disse.
 Isso agradou a maioria. Mas eu senti falta de um grande espetáculo.

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