Arquivo mensais:abril 2011

Infantil no Espaço Muda

Mayara Millane e Márcio Fecher estão elenco. Foto: Divulgação

Dois palhaços utilizam de vários recursos orais, cênicos e musicais para contar a história de Ventinho (um vento alegre e serelepe), Dorotéia, a centopéia afável que de repente muda de humor; da Galinhola, da Noite e do poeta popular Zé da Lasca.

Sábado será a penúltima apresentação do espetáculo infantil Assim me contaram, assim vou contando. No elenco estão Mayara Millane e Márcio Fecher.

Serviço
Assim me contaram, assim vou contando…
Quando: Sábado, às 16h30
Onde: Espaço MUDA (Rua do Lima, 280, Santo Amaro – Recife)
Quanto: R$10
Informações: +55 81/ 3032 1347

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Diário de um louco no Espaço Muda, no Recife

Carlos Mesquita interpreta o funcionário público. Foto: Xirunba

Existe uma atualidade temática em Diário de um Louco, um dos mais belos contos de Nicolai Gogol. O escritor narra em primeira pessoa e com humor, o peculiar universo de um funcionário público subalterno sem chances de ascensão, na Rússia do século XIX. Quanto mais ele se percebe distante de seus desejos e objetivos – o respeito de chefes e colegas, o amor da filha do diretor –, mais mergulha na fantasia desatinada, como recompensa à dura realidade.

Nesta quinta-feira, às 20h, o espetáculo Diário de um louco terá única apresentação no Espaço Muda, em Santo Amaro, no Recife. Carlos Mesquita interpreta Axenty Ivanovitch Propritchine, o pobre coitado que tem uma existência solitária. A montagem tem adaptação do texto feita por Rubem Rocha Filho e direção realizada por Zdenek Hampl há anos atrás, antes dele morrer.

Por trás da máscara cômica do maluco, é possível perscrutar o sofrimento do homem sem perspectivas.

A produção avisa que a montagem contará com a participação de pacientes do Caps Casa Forte e Recife (Centro especializado em doenças mentais). Eles estarão interagindo artisticamente dentro da montagem do espetáculo.

Diário de um Louco
Quando: quinta 07/04, às 20h
Onde: Espaço Muda (Rua do Lima)
Quanto: R$10

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Enfrentando Tchekhov

Montagem grupo mineiro estreia em Curitiba

“Quanto mais a gente se embrenhava pelo texto, mais percebia o quanto ele era necessário. Só com a força e a violência das palavras”. Essa foi uma das falas de um dos atores do grupo mineiro Galpão, referindo-se à escolha por encenar o texto Tio Vânia, de Anton Tchekhov, montagem que estreia aqui no Festival de Curitiba.

Com quase 30 anos de atuação, o grupo Galpão é conhecido principalmente (embora nunca tenha deixado de se apresentar nos teatros) pelo teatro de rua. Pelo encantamento que provoca ao levar a arte para tão perto das pessoas. Foi assim, por exemplo, com a peça Till, um herói torto, que abriu o Festival Recife do Teatro Nacional há dois anos.

Mas como grupo, e isso me parece ser o que faz com que os trabalhos da companhia sejam tão diferentes e únicos, eles queriam o desafio. Do teatro psicológico, com menos arroubos de emoção, com “implosões”, como disse uma das atrizes. Eles até pensaram em fazer uma dramaturgia decorrente do texto original, mas desistiram durante o processo. “O grupo queria enfrentar Tcheckhov. Não fazia sentido”, contou a diretora convidada pela companhia para montar a peça, Yara de Novaes. “Não sei se é realista, se não é, mas é a necessidade do Galpão agora”, complementa.

O grupo está na sua décima nova montagem. “Essa montagem significa muito. É mais um passo do Galpão no sentido de não se acomodar, de não estar satisfeito, fazendo uma coisa padronizada, uma marca que teria sucesso, uma fórmula”, conta o ator Antônio Edson, que faz o Tio Vânia.

Sobre o convite à Yara para fazer a direção, os atores disseram que acompanham o trabalho da colega mineira (que já morou no Recife) e que ela gosta de inquirir o tempo todo. Está sempre se perguntando o que é teatro, o que dizer, para que, como. “O Galpão é muito poderoso. Eles têm uma alquimia…e vi que como eles são trabalhadores, como não se negam ao trabalho, ao questionamento. Eles têm a humildade de quem quer aprender sempre. E por isso que são mestres”, finalizou a diretora.

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Amor e música pop

Peça do curitibano Felipe Hirsch tem três horas de duração e é a segunda parte da trilogia Som & fúria

A peça de Felipe Hirsch Trilhas sonoras de amor perdidas era a mais aguardada do Festival de Teatro de Curitiba. É verdade que a mostra principal também abriga o lançamento dos espetáculos do Grupo Galpão, Tio Vânia, direção de Yara Novaes para o texto de Tchekhov; da Armazém Cia. de Teatro , Antes da coisa toda começar, Tathyana, da Cia. Deborah Colker, a versão de Édipo, de Sofocles, de Elias Andreato, Os 39 graus, dePatrick Barleow, comdireção de Alexandre Reinecke com Dan Stulbach e Danton Melo no elenco; Preferiria não?, 27º espetáculo de Denise Stockos. Mas nada se igualava à expectativa de Trilhas sonoras… A pré-estreia no Teatro Bom Jesus foi com casa lotada.

É a segunda parte da trilogia Som & fúria, iniciada com A vida é cheia de som e fúria, em 2000, que fez temporada no Recife na sequência.

Em Trilhas sonoras de amor perdidas, Hirsch derrama suas memórias musicais na trajetória do jornalista e radialista, que encontra Soninho, apaixona-se por ela e com ela divide as mixtapes (fitas caseiras com várias músicas de artistas diferentes) para todas as horas. Das fitas para ouvir no carro às das loucuras da intimidade.

Guilherme Weber é o protagonista da montagem, que utiliza algumas referências recentes da vida cultural de Curitiba, como a lendária rádio curitibana Estação Primeira. A atriz Natália Lage faz Soninho e a peça também conta com as participações de Maureen Miranda e Luiza Mariani.

O roteiro utiliza as passagens musicais para contar essa história do radialista com Soninho, entre 1989 e 1994, quando ela morre abruptamente de embolia pulmonar, jovem, muito jovem, aos 23 anos de idade.

O narrador protagonista empreende um mergulho nostálgico de luto e reparação quando começa a abrir aquelas caixas para contar do amor e da convivência com Soninho.

Atores Guilherme Weber e Natália Lage protagonizam Trilhas sonoras de amor perdidas

A memória musical do protagonista, e de Felipe Hirsch, está repleta da sonoridade de Velvet Underground, Lou Reed, Husker Du, Cure, The Smiths, Lloyd Cole, Sonic Youth, T-Rex, Gladys Knight , Jesus & Mary Chain, The Replacements, Pretenders. E referências literárias do poeta, romancista e cantor Leonard Cohen e literárias como J.D. Salinger e Arthur Rimbaud.

A peça que se passa em Curitiba e São Paulo, depois que o protagonista fica viúvo e chega à conclusão que tem que seguir em frente, com outras músicas, mesmo que sua alma vibre na memória das músicas do passado. O texto é cheio de frases de efeito e umas ideias bem humoradas, beirando o surto de deduções juvenis, como a que afirma que o Desintegration, do The Cure, foi determinante para a queda do Muro de Berlim, por exemplo.

São três horas de duração, em dois atos, com 15 minutos de intervalo. Desfilam trechos de 90 músicas. Parece um exagero. Mas analisando com distância, talvez o diretor queira impor à plateia esse tempo dilatado que traduz a dor da perda. Parece um tempo que não acaba nunca, para quem está passando por isso. O tempo infindável da dor.

* A jornalista viajou a convite da produção do Festival de Teatro de Curitiba

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Teatro de sensações

O diretor Paulo de Moraes, da Armazém Companhia de Teatro, deu uma entrevisa esta manhã sobre a peça Antes da coisa toda começar, que será apresentada a partir de amanhã, aqui no Festival de Curitina. Com 22 anos de companhia, ele contou que a ideia era partir das primeiras sensações: “daquele momento em que você pensa que é imortal, que pode tudo”. Contou que, no processo de pesquisa e depois ensaio, que começou no início do ano passado, um filme importante foi O equilibrista, documentário que conta a história de Philippe Petit em sua travessia através de um cabo de aço suspenso entre as torres do World Trade Center, em 1974.

Na peça, três personagens surgem a partir das lembranças de um homem. Mas, em se tratando da Armazém, isso não se daria de forma comum. Então não é cronológico, histórico. E sim memórias de sensações. Apesar de não ser uma intenção explícita do projeto, o diretor acredita que toda a trajetória da companhia foi revista nessa montagem. “É porque esse momento em que nos sentimos imortais, podendo tudo, foi no tearo. E isso começou a reverberar”, explica. A dramaturgia, que foi construída ao longo dos ensaios, é assinada por Paulo de Moraes e Maurício Arruda Mendonça.

Paulo de Moraes diz que montagem quer falar de sensações

O grupo já fez uma temporada no Rio e outra em São Paulo. A última vez que a Armazém esteve no Recife foi para apresentar Inveja dos anjos. Um espetáculo lindo, que também falava de memória, tempo. “Bom, se o festival (Recife do Teatro Nacional) nos levar este ano, nós vamos! Se não, só ano que vem”, adiantou o diretor.

Vejo a peça amanhã e depois conto tudo por aqui!

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