Arquivo mensais:março 2011

Auto da Socorro

Durante uma entrevista à TV Cultura, a crítica de teatro Barbara Heliodora citou Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, como uma obra tipicamente brasileira; dizia que esse tipo de encenação é nossa especialidade e que era muito difícil encontrar uma montagem da peça que não tivesse qualidade. Em Pernambuco, pelo menos um grupo confirma a teoria da crítica. Há 19 anos ininterruptos, a Dramart produções encena Auto da Compadecida.

Para comemorar, o grupo faz mais uma apresentação neste sábado, dia do aniversário do Recife, às 19h30, no Teatro de Santa Isabel, na Praça da República. Os ingressos custam R$ 20 e R$ 10. No domingo, a montagem participa da Mostra Rui Limeira Rosal de Teatro e Dança, no Sesc Caruaru, às 20h. A peça, aliás, já circulou muito. Aqui em Pernambuco, foi vista em quase 30 cidades; e no Brasil, em muitos lugares, como Manaus, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Socorro Rapôso interpretou a Compadecida pela primeira vez em 1957; em 1992, assumiu novamente o papel, com direção de Marco Camarotti, que faleceu em 2004. “Ainda assim, o nome dele continua na direção. É uma forma de homenageá-lo. Quem assume a assistência de direção é Williams Sant’Anna, que também está no elenco como Chicó”, explica Socorro.

Foto: Jorge Clésio

Mesmo com tantos anos em cartaz, são poucas as mudanças no elenco. O segredo? “É o respeito mútuo. Nós nos tornamos uma família grande e unida. Há divergências, mas mesmo numa casa com duas crianças, isso acontece”, complementa. A atriz principal, que em junho completa 80 anos, diz que o público é fundamental. “No palco, é uma energia única. O espetáculo funciona, porque percebemos a resposta imediata da plateia”. No elenco, são 15 pessoas e a música é ao vivo, com a participação da banda Querubins de metal.

Foto: Priscilla Buhr

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O véu da ignorância

Ano passado, o baiano Luiz Antônio Jr. apresentou o espetáculo Véu – uma poética do só na cidade de Tuparetama. Conheceu algumas histórias de violência contra a mulher e percebeu que o nosso estado também sofre desse tipo de câncer: o homem que acha que pode tudo, que é superior, e que tem poder sobre a vida da mulher até, ou principalmente, para maltratá-la.

Decidiu então voltar com o projeto, que inclui a peça, debate depois da apresentação, e duas oficinas, uma delas de confecção de bonecas de pano. A apresentação será nesta sexta, às 20h, no Centro de Artes e Cultura Poeta Manoel Bandeira (Avenida Joaquim Nabuco, s/n, no Centro, próximo à Igreja de São Sebastião), em Igarassu. A escolha da cidade tem o dedo de Eduardo Machado, que é de lá, e atualmente estuda direção cênica na UFBA. “Acho que nós íriamos atingir mais especificamente o público-alvo do espetáculo, que é a comunidade, as mulheres”, conta Machado.

Foto: Alessandra Novais

A dramaturgia foi construída pelo ator-performer Luiz Antônio em parceria com Ana Paula Carneiro, que também faz a assistência de direção. Já Fábio Vidal orientou a pesquisa e a encenação. A pesquisa, aliás, começou em 2007, quando durante um curso de teatro, o ator precisou escolher uma temática para trabalhar. Escolheu opressão e violência e, mais tarde, decidiu focar nas agressões contra mulheres. “Percebi que no meu entorno, na família, na escola, no bairro, tinham muitas mulheres que sofriam. E elas se calam. Por vergonha, por medo”, conta o ator.

Pode até parecer estranho que um homem – normalmente o principal agressor – decidida trabalhar o tema. “Mas é porque eu vivi isso dentro de casa. Meu pai era um agressor. Hoje meu pai e minha mãe estão divorciados, graças a Deus, mas até contra minha madrasta eu já presenciei agressões”, conta. Foi assim, misturando depoimentos pessoais, de outras vítimas e familiares, números, estatísticas, dados qualitativos, que a dramaturgia de 45 minutos foi construída.

O projeto recebeu patrocínio do Prêmio BNB de Cultura 2010 e já circulou por onze cidades nordestinas. Este mês, ainda vai para Ilhéus e Alagoinhas, na Bahia. A apresentação hoje à noite é gratuita. As Yolandas vão lá conferir! Depois contamos por aqui como foi!

O ator-performer Luiz Antônio Jr.

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Toda novela tem seu fim?

Na próxima semana, depois de curada toda e qualquer ressaca do carnaval, a Prefeitura do Recife deve anunciar a programação que, finalmente, vai abrir o teatro do Parque Dona Lindu, no bairro de Boa Viagem. A gente tinha ouvido uns comentários – de uns e de outros – dizendo que a principal atração seria a peça As centenárias, com Marieta Severo e Andréa Beltrão, texto do pernambucano Newton Moreno.

Foto: Guga Melgar/Divulgação

Bom, segundo me confirmou o secretário Renato L no primeiro dia da folia de momo, a Prefeitura até tentou. Mas as atrizes não tinham agenda para vir ao Recife. Mais uma vez, a visita desta montagem – de texto engraçadíssimo -, vai ficar para a próxima. A produção também teria tentado trazer Maria do Caritó, outro texto de Moreno, desta vez tendo Lília Cabral como protagonista, mas também não teria sido possível.

A principal atração mesmo Renato L disse que só falava na coletiva; mas confirmou que O amor de Clotilde por um certo Leandro Dantas, sucesso da Trupe Ensaia Aqui e Acolá, deve participar dessa programação. Ah, quem está na direção de todo o Dona Lindu, é Simone Figueiredo, que estava comandando o Santa Isabel.

A data para esta abertura foi marcada logo que o prefeito João da Costa reassumiu o cargo depois do transplante a que foi submetido. Desta vez, parece que não tem mais enrolação: 26 de março. Desde que as obras começaram, lá se vão quase três anos – foi em abril de 2008. E olhe que essa “novela” Dona Lindu vem de antes, já que o projeto sofreu muitas críticas, ainda no tempo de João Paulo.

Renato L garantiu que o teatro do Dona Lindu terá sim espaço para as produções pernambucanas. “Não vai virar um teatro da UFPE?”, perguntei. Ele garantiu que não. Que vai ser aberta pauta. Assim seja!

Secretário de Cultura garante que teatro terá espaço para produção pernambucana

Bom, segundo informações divulgadas pela própria Prefeitura um tempinho atrás, o teatro do Parque Dona Lindu tem capacidade para 587 lugares, sendo dez vagas para cadeirantes. O palco pode ser invertido, o que possibilitaria apresentações também para o público da área externa do parque. Além dos equipamentos de som e luz, que seriam os mais modernos possíveis.

E aí? Algum de vocês artistas recebeu convite para participar desta programação?! Comenta com a gente! 😉

Ops…vocês perceberam que entramos mesmo de recesso no carnaval, mas o blog volta com todo gás! Mandem sugestões, pautas, o que vocês querem ver por aqui…O e-mail da gente é o satisfeitayolanda@gmail.com .

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Lázaro Ramos, galã de novela, diretor de teatro

Na novela das oito, ele é um cafajeste garanhão, que não vai pra cama com uma mulher pela segunda vez para não se envolver (Camila Pitanga, tadinha, sofre horrores! 😉 ) Está arrancando suspiros e elogios por sua atuação. Mas Lázaro Ramos, aquele que apareceu bem novinho, com Vladimir Brichta e Wagner Moura na peça A máquina, de João Falcão, quer levantar novos voos. Em março, estreia em Salvador a montagem Namíbia, não!, que tem texto de Aldri Anunciação (que também está no elenco), e direção de Ramos.

Lázaro Ramos é também embaixador do Unicef no Brasil

O release diz que a peça aborda a segregação racial, mas “com humor ácido, de forma não-panfletária”, a partir de uma situação absurda: em 2016, o governo brasileiro exige que todos os afrodescendentes voltem para a África.

Além de Aldri Anunciação, compõe o elenco o ator Flávio Bauraqui; a assistência de direção está sendo dividida pela atriz Ana Paula Bouzas e pelo ator Caio Rodrigo; a trilha sonora é assinada por Arto Lindsay; e as fotos são de Sandra Delgado (esposa de Wagner Moura).

Que tal uma visitinha à capital baiana? A peça entra em cartaz no dia 18 de março, na sala do coro do Teatro Castro Alves, em Salvador. Faz temporada até 01 de maio, às sextas, sábados e domingos, sempre às 20h. Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia). Informações: (71) 3535-0600.

Aldri Anunciação e Flávio Bauraqui. Foto: Sandra Delgado

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Ainda tem juízo?

É hoje! O Bloco do Miolo mole – O bloco mais bobo do mundo realiza seu desfile nesta quinta, a partir das 18h. A concentração será no bar Casa da Moeda, no Recife Antigo. Soube que a previa, no último domingo, foi um sucesso!

Doutores da Alegria e Gerlane Lops. Foto: Luciana Dantas

Devem animar os foliões artistas a Orquestra de Frevo Camará, Gerlane Lops e o maracatu dos Doutores da Alegria, com 14 palhaços-doutores que prometem parodiar a abertura do carnaval do Recife. Todo o elenco dos doutores, aliás, deve estar presente: Dra. Mary En (Enne Marx), Dr. Dud Grud (Eduardo Filho), Dr. Eu-zébio (Fábio Caio), Dra. Monalisa (Greyce Braga), Dr. Ado (Arilson Lopes), Dr. Cavaco (Anderson Douglas), Dra. Baju (Juliana de Almeida), Dr. Micolino (Marcelino Dias), Dr. Lui (Luciano Pontes), Dr. Marciano (Márcio Carneiro), Dr. Marmelo (Marcelo de Oliveira), Dra. Suca (Suenne Sotero), Dra. Tan Tan (Tâmara Lima) e Dr. Sibito (Eduardo Rios).

E a folia também está sendo levada, é claro, para os hospitais da cidade, com o Bloco do Miolinho Mole, que já está no seu quinto ano. Às 10h, por exemplo, as crianças do Imip vão receber essa visita tão especial.

Não é preciso pagar ingresso para participar do desfile do bloco hoje à noite, mas quem quiser comprar a camisa, que está muito fofa, custa R$ 15. Informações: 81 3466-2373 ou 3463-0866.

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