Rumo à internacionalização
das artes cênicas brasileiras

MITbr – Plataforma Brasil está com inscrições abertas de 10 a 20 de março. Na imagem, violento, que participou de edição anterior. Foto Pablo Bernardo /Divulgação

Vestígios, de Marta-Soares, que integrou edição anterior da MITbr. Foto: Guto Muniz/ Divulgação

A 8ª edição da MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo vai ocorrer de 2 a 12 de junho. Notícia boa para as artes cênicas do país. Um dos seus eixos, a MITbr – Plataforma Brasil recebe inscrições de trabalhos entre 10 e 20 de março para a composição da programação da mostra deste ano, no site www.mitsp.org. Os selecionados para a MITbr serão divulgados junto com a programação da MITsp, em 2 de maio de 2022.

Com o propósito de dar visibilidade, difundir, circular e garantir reconhecimento para o cenário artístico nacional, a MITbr – Plataforma Brasil foi criada em 2018 como um dos eixos da MITsp . Para a edição 2022 serão selecionados até sete espetáculos nacionais por uma curadoria independente, formada por especialistas em artes cênicas, compreendendo teatro, dança e performance.

Entre os critérios de seleção dos trabalhos estão o compromisso com a investigação cênica, a radicalidade nos posicionamentos e propostas, o engajamento em perguntas sintonizadas com nosso tempo e as experiências não territorializadas, que se reconheçam como uma cena em campo expandido.

Os idealizadores da MITsp, Antonio Araújo (Teatro da Vertigem) e Guilherme Marques (Ecum – Encontro Mundial das Artes Cênicas), diretor artístico e diretor geral de produção, respectivamente, reafirmam a MITbr como uma das políticas da MITsp: a de fomentar e promover grupos e artistas nacionais com espetáculos oriundos de pesquisa experimental e investigação da linguagem cênica.

As ações que miram a internacionalização já assinalam resultados. Altamira 2042, de Gabriela Carneiro da Cunha, participou de festivais de países como França, Portugal, Suíça e Uruguai até o início de 2022. Lobo, de Carolina Bianchi, recebeu convite do Skirball, em Nova York. A atriz e diretora Janaína Leite dará um workshop no Festival Proximamente, na Bélgica.

Outros espetáculos como violento, solo encenado por Preto Amparo, Caranguejo Overdrive, da Aquela Cia de Teatro; Isto é um Negro?, do grupo E Quem É Gosta?; Vaga Carne, de Grace Passô; De Carne e Concreto, da Anti Status Quo Companhia de Dança integraram a programação de festivais como o Festival Mladi Levi, na Eslovênia, o Proximamente e o FITEI – Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica, no Porto, Portugal.

A dança também tem conquistado seus espaços. A bailarina e coreógrafa Marta Soares, com Vestígios, lotou sessões com sua performance em 2019 no Festival Proximamente. Boca de Ferro, das coreógrafas Marcela Levi e Lucía Russo, foi visto em vários festivais por programadores internacionais e, neste ano, a dupla estreou grrRoUNd no Festival de Artes Kunsten, na Bélgica.

Serviço
8ª edição da MITsp – de 2 a 12 de junho de 2022
Convocatória para a MITbr – Plataforma Brasil
Inscrição:
De 10 a 20 de março de 2022 por meio de formulário disponível no site www.mitsp.org

Postado com as tags: , , ,

A expressão do indizível:
Stoklos performa Lispector
ao som de Elis Regina

Cena de Abjeto-Sujeito: Clarice Lispector por Denise Stoklos. Foto: Leekyung Kim / Divulgação

A arte de três mulheres-criadoras incríveis, de diferentes gerações, se junta no espetáculo Abjeto-Sujeito: Clarice Lispector por Denise Stoklos. Com textos selecionados de Clarice Lispector, canções interpretadas por Elis Regina e atuação de Denise Stoklos, a peça fica em cartaz no Sesc 24 de Maio entre os dias 10 de março e 3 de abril, de quinta a sábado, às 20h e domingos, às 18h. A direção é assinada por Elias Andreato e o dramaturgismo por Welington Andrade.

Criadora do teatro essencial, Denise Stoklos leva à cena alguns textos de Lispector, a exemplo dos contos A quinta história e O ovo e a galinha; os romances Água viva e A paixão segundo G.H. e a crônica Vergonha de viver. A artista aponta que a ideia não é representar nenhuma personagem, “mas sim reapresentá-las, trazendo uma ideia cênica a partir das questões levantadas por Clarice”.

Um símbolo muito forte na obra clariciana, que o espetáculo explora do início ao fim, é o olho. Alusões à visão e metáforas do olhar se espraiam ao longo do trabalho. A narradora de A quinta história assiste diariamente, estupefata, ao cortejo das baratas; em A paixão segundo G.H., a visão da barata leva à epifania; em O ovo e a galinha, a narradora de manhã na cozinha “vê” o ovo – o que a convida a iniciar uma longa viagem através da linguagem; em O búfalo, a personagem busca insistentemente o olhar do animal, tendo seu olhar, por fim, penetrado por ele; em Amor, a epifania se dá porque Ana vê um cego.

Foto Leekyung Kim / Divulgação

Quando tinha 17 anos, no final da década de 1960, a estudante de Jornalismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, já era uma leitora empenhada de Clarice Lispector. Nessa época, Denise Stoklos colaborava para um jornal da Faculdade. Com a justificativa de fazer uma entrevista, a atriz descobriu o endereço de Clarice na lista telefônica, foi ao Rio de Janeiro e de um telefone público, embaixo do prédio, fez um contato com a escritora.

Foi atendida por Clarice que após alguns minutos perguntou: “Você não veio me entrevistar, você veio me conhecer, não é? Então, deixe de lado a caneta e o bloco de anotações e vamos conversar.” Stoklos mantém aquele encontro aceso na memória.

O dramaturgismo é assinado por Welington Andrade e a direção é de Elias Andreato 

O dramaturgista Welington Andrade distingue linhas que fazem o trajeto do que é abjeto. São textos, como ele explica, que vão da negação do sujeito até a constituição da subjetividade. “Trata-se de uma transição, de um percurso, de uma coisa levando a outra. Essas relações podem ser observadas em diversos textos de Clarice, como nas interações das personagens G.H com uma barata – algo repulsivo porque abjeto – e aquela do conto O búfalo, que se identifica com o animal a ponto de odiá-lo”, situa.

A cena é ocupada, além da “reapresentação” de figuras claricianas, por canções na voz de Elis Regina, registros mais soturnos e existencialistas da cantora, como Meio-Termo, Os Argonautas e uma versão à capela de Se Eu Quiser Falar com Deus. A voz de Elis compõe o ambiente para Denise desenvolver sua partitura coreográfica.

Depois das 16 apresentações em São Paulo, Abjeto-Sujeito: Clarice Lispector por Denise Stoklos se apresenta no Festival de Curitiba, no Sesc da Esquina, dias 8 e 9 de abril.

FICHA TÉCNICA
Concepção e Interpretação: Denise Stoklos
Direção: Elias Andreato  
Dramaturgismo: Welington Andrade
Textos: Clarice Lispector
Canções: Elis Regina
Iluminação: Aline Santini
Espaço Cênico e Figurino: Thais Stoklos Kignel
Fotos: Leekyung Kim
Assistente de Direção: Cristina Longo
Segundo Assistente: Wallace Dutra
Cabelo: Eron Araújo
Operação de Luz: Maurício Shirakawa
Operação de Som: Vanessa Matos
Diretor de Produção: Ederson Miranda
Assistente de produção: Sofia Gonzalez
Segundo assistente: Alexandre Vasconcelos
Produção Geral: Mira Produções Culturais

SERVIÇO
Abjeto-Sujeito: Clarice Lispector por Denise Stoklos
Quando: 10/03 a 03/04, quinta a sábado, às 20h e domingos, às 18h
Onde: Sesc 24 de Maio (Rua 24 de Maio, 109, Centro, São Paulo, SP – 350 mts do metrô República)*
*Obrigatório uso de máscara e apresentação de comprovante de vacinação contra covid-19 (físico ou digital), evidenciando as duas doses, ou dose única.
Ingressos: R$40 (inteira); R$20 (Credencial Sesc, meia-entrada: estudante, servidor de escola pública, + 60 anos, aposentados e pessoas com deficiência). Ingressos à venda a partir de 08/03, às 14h, no portal sescsp.org.br/24demaio e 09/03, às 17h, nas bilheterias da rede Sesc SP.
Duração: 75 minutos.
Classificação Indicativa: Não recomendado para menores de 14 anos.

Postado com as tags: , , , , , ,

Dois solos da Súbita Cia na Oswald de Andrade

 

Janaina Matter apresenta Mulher como você se chama? Foto: Elenize Desgeniski / Divulgação

O Arquipélago, com Pablito Kucarz. Foto: Elenize Dezgeniski / Divulgação

Muitas mulheres foram silenciadas, algumas perderam o direito ao nome. A personagem bíblica do Antigo Testamento, que foi casada com Ló, ficou conhecida como aquela figura transformada em uma estátua de sal. Não há registro na Bíblia sobre sua vida pessoal, nem mesmo o nome é revelado. Apenas que foi casada com Ló, sobrinho do patriarca Abraão, e que foi punida ao desobedecer às ordens divinas de não olhar para trás, na fuga de Sodoma.

O solo Mulher, como você se chama?, de Janaina Matter, considera a exclusão de mulheres que deixaram alguma marca no mundo e tiveram seus nomes apagados. Já o monólogo O Arquipélago, de Pablito Kucarz parte da sugestão geográfica do título – de pequenas ilhas que estão próximas, mas separadas por águas salgadas – para pensar as relações familiares.
As duas peças da Súbita Companhia, de Curitiba, integram o projeto Habitat, formado por cinco solos, que investiga a relação do corpo como uma casa, buscando nele questões poéticas, políticas e estéticas. 

Os dois solos, que têm direção de Maíra Lour, ficam em cartaz na sala 7 da Oficina Cultural Oswald de Andrade, de 8 a 12 de março, de terça a sexta, às 20h e sábado, às 17h, gratuitamente, É a primeira vez que a Súbita companhia faz uma temporada em São Paulo.

Solo discute apagamento de mulheres. Foto: Elenize Desgeniski / Divulgação

Janaina Matter utiliza o sal como principal elemento cênico, para trabalhar o conceito de corpo como espaço de memória, permanência, criação. Em Mulher, como você se chama?, a atriz adota a ideia de carregar muitas histórias em um só corpo, assumindo a ancestralidade e a ascendência para refletir se silêncio é abismo ou ponte.

Já Pablito Kucarz avança nos seus territórios em discussão sobre bullying, machismo, violência e homofobia vividas no adolescência. Ele elege como elemento cênico um copo d’água, que metaforiza a ideia do arquipélago. E ao oferecer o copo d’água ao público busca uma cumplicidade, um pacto cênico.

FICHA TÉCNICA DO PROJETO
Direção artística: Maíra Lour
Elencos: Janaina Matter e Pablito Kucarz
Iluminação: Beto Bruel
Desenho de som: Álvaro Antonio
Cenários: Guenia Lemos
Figurinos: Val Salles
Orientação dramatúrgica: Camila Bauer
Interlocuções artísticas: Francisco Mallmann e Lígia Oliveira
Treinamento de voz: Babaya
Direção de produção (montagem): Michele Menezes
Direção de produção (circulação): Gilmar Kaminski
Assistente de produção: Dafne Viola
Coordenação e operação de luz: Lucri Reggiani
Coordenação de som e operação: Álvaro Antonio
Assessoria de imprensa: Canal Aberto
Assistentes de assessoria de imprensa: Daniele Valério e Diogo Locci
Realização: Súbita Companhia
Produção: Flutua Produções
Produção local: Leneus Produtora de Arte

SERVIÇO
Quando: De 8 a 12 de março de 2022 (Terça a sexta, às 20h e sábado, às 17h)
Onde: Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo)
Capacidade: 30 lugares (Sala 7)
Ingressos: Grátis. Retirar com 1h de antecedência.
Duração: 100 minutos (com intervalo)
Classificação: 14 anos
Atenção: será exigida apresentação da carteirinha de vacinação contra a COVID-19 atualizada.

Postado com as tags: , , ,

Estratégias do teatro de periferia de São Paulo

O Ensaio Invisível, do Coletivo de Teatro Off Off Broadway, integra Mostra Teatro em Trânsito. Foto Bianca Fina / Divulgação

Refinaria Teatral apresenta trechos de quatro peças. Foto: Divulgação

Pirajussara do Bando Trapos, Foto: Will Cavagnolli / Divulgação

Pulsa mais arte da cena em São Paulo do que possa imaginar os circuitos centralizais. Feliz exemplo disso é a segunda edição da Mostra Teatro em Trânsito, que promove a circulação de oito coletivos parceiros em16 apresentações, por oito endereços da cidade. A ideia é movimentar trabalhos artísticos da capital paulista e realizar intercâmbio entre os grupos participantes. A programação ocorre durante os finais de semana entre março e abril.

Integram a programação os espetáculos Show do Pimpão, da Brava Companhia; O Ensaio Invisível, do Coletivo de Teatro Off Off Broadway; Mitos e Lendas Caiçara, da Cia. O Castelo das Artes; e Pirajussara: Vozes à margem, do Bando Trapos. E os infanto-juvenis Ladeira das Crianças – Teatro Funk, do grupo Rosas Periféricas e Menina Bonita do Laço de Fita em Ritmo de Palhaçaria, da Companhia de Teatro Flor do Asfalto. Além de Compendiado Refinaria, com cenas de um novo trabalho da Refinaria Teatral e uma ação cênica da atual pesquisa da Companhia de Teatro Heliópolis, com texto de Dione Carlos. 

O projeto Teatro em Trânsito é idealizado pela CTI – Cia. Teatro da Investigação e pode ser acompanhado de 5 de março a 24 de abril. A entrada é gratuita e os ingressos podem ser retirados uma hora antes de cada sessão.

A Mostra Teatro em Trânsito faz parte do Teatro-Baile, uma poética em construção, o caminho se faz caminhando, uma estratégia de difundir e democratizar o acesso à cultura. Os grupos colaboradores se exibem em bairros diferentes de suas sedes, servindo como troca entre essas trupes.

O deslocamento das companhias é realizado pela SARAVAN (como é chamada a van da CTI). No percurso para o espaço das apresentações a SARAVAN vira SARAWEB (uma entrevista online, transmitida pelo Instagram da CTI – @teatrobaile), no intuito de dar mais visibilidade às companhias. Essas conversas serão incluídas no documentário sobre o projeto.

As informações com toda a programação, horários e locais estão em www.teatrobaile.com. O projeto recebeu o apoio do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo – Secretaria Municipal de Cultura.

II Mostra Teatro em Trânsito
De 05 de março a 24 de abril de 2022
Grátis
Retirada de ingressos uma hora antes de cada sessão, nos locais de apresentação
Mais informações em www.teatrobaile.com

Grupo Rosas Periféricas apresenta Ladeira das Crianças – Teatro Funk. Foto: Divulgação

Ladeira das Crianças – Teatro Funk, com grupo Rosas Periféricas
Duração: 50 minutos
Classificação: Livre
Criação e Direção: O Grupo
Dramaturgia: Marcelo Romagnoli
Elenco: Rogerio Nascimento, Mônica Soares, Gabriela Cerqueira, Paulo Reis e Michele Araújo
As histórias de crianças periféricas ganham a cena e revelam seus desejos e sonhos, embalados pelo ritmo do funk.
Rosas Periféricas é um grupo de teatro que desenvolve suas pesquisas em São Paulo desde 2008. Tem sede no Parque São Rafael. Os temas dos trabalhos pulsam da periferia onde vivem: desigualdade social, machismo, feira livre etc

Brava Companhia participa com Show do Pimpão – Uma intervenção cênica (ou cínica). Foto Divulgação

Show do Pimpão – Uma intervenção cênica (ou cínica), da Brava Companhia
Duração: 55 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Concepção cênica: Show do Pimpão
Direção e Dramaturgia: Ademir de Almeida 
Direção Musical: Joel Carozzi 
Elenco: Fábio Resende, Max Raimundo e Márcio Rodrigues
Três miseráveis artistas se juntam para tentar arrecadar algum que lhes garanta a refeição do dia. Fazer graça com a própria desgraça foi o que lhes restou como forma de sobrevivência.
A Brava Companhia de Teatro foi fundada em 1998 e suas atividades e apresentações usam o teatro para combateras injustiças, desigualdades e violência nas periferias da cidade.

O Ensaio Invisível. Foto Bianca Fina / Divulgação

O Ensaio Invisível, com Coletivo de Teatro Off Off Broadway (exibição e bate-papo)
Duração: 35 minutos
Classificação: 18 anos
Direção e Dramaturgia: Samanta Precioso 
Direção Musical: Gustavo Sarzi
Elenco: Morgana Sales, Fábio Teixeira, Carla Zanini, Fernanda Faria, Josias Fabian e Guigo Ribeiro
Direção de Movimento:Felipe Cirilo
Voz: Mila Valle
Produção Executiva: Lia Levin 
Vídeo e Arte Gráfica: Natasha Precioso e Bianca Fina 
Direção de Arte: Hobjeto
Num futuro distópico marcado por um acidente não identificado, um grupo de pessoas encontra-se clandestinamente para usufruir do toque, do afeto, e da presença física, correndo riscos em nome do que sentem. O espectador pode apenas assistir participar ativamente deste experimento cênico.
O Coletivo de Teatro Off Off Broadway é um grupo de 19 anos de trajetória, oriundo da fundação do Programa Teatro Vocacional. Depois de aventurar-se pela linguagem do palhaço e da rua, o grupo debruça-se, em sua pesquisa atual, sobre a escuta e atuação junto aos moradores em situação de rua tentando entender as narrativas de invisibilização e marginalização de alguns corpos.

Mitos e Lendas Caiçara. Foto: Divulgação

Mitos e Lendas Caiçara, com a Cia. O Castelo das Artes
Duração: 60 minutos
Classificação indicativa: livre
Dramaturgia e Direção teatral: Henrique Cardim
Elenco: Henrique Cardim, Jessyca Biazini, Mário Farias e André Nunes
A peça reúne histórias contadas por caiçaras, passadas de pais para filhos, registradas em livros, e que não podem cair no esquecimento. A companhia leva ao palco as mais conhecidas lendas e mitos da cidade de São Sebastião, entre elas, A Lenda do Amor, A Lenda do Boi que Falou, O Dia que o Santo Pecou, como também contos de lobisomem, de pescador, entre outros.
A Cia. O Castelo das Artes é uma evolução do Grupo Artístico Fazarte, de São Sebastião, litoral norte de São Paulo. O grupo teve início em 2004 e, além de diversos espetáculos teatrais, tem mais de 10 anos de pesquisa sobre a cultura caiçara e o teatro popular, o que resultou em peças, como “O dia que eu peguei o lobisomem” e “Caiçaras: o povo do mar”.

Pirajussara , com o Bando Trapos. Foto: Will Cavagnolli

Pirajussara: Vozes à margem, com Bando Trapos
Duração: 75 minutos
Classificação indicativa: livre
Orientação dramatúrgica: Rudinei Borges 
Direção: Cleydson Catarina 
Assistência de direção: Eduarda Alves 
Elenco: Daniel Trevo, Dêssa Souza, Deco Morais, Joka Andrade, Stefany Veloso, Welton Silva
São releituras de histórias de moradores da região de Campo Limpo e Taboão da Serra em fragmentos criados pelos atores do grupo em período de afastamento social.
Bando Trapos mescla a pesquisa em torno do universo da máscara e os trabalhos de arte-educação com a linguagem do teatro de rua, do bufão e da cultura popular vivenciadas no bairro do Campo Limpo – Zona Sul da Cidade de São Paulo.

Companhia de Teatro Heliópolis apresenta pesquisa. Foto: Divulgação 

Ação cênica sobre a atual pesquisa do grupo sobre o Cárcere, com Companhia de Teatro Heliópolis
Duração: 30 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Direção: Miguel Rocha 
Texto: Dione Carlos 
Elenco: Dalma Régia, Davi Guimarães e Walmir Bess
Ação cênica da atual pesquisa do grupo Cárcere- Aprisionamento em Massa e seus Desdobramentos.
A Companhia de Teatro Heliópolis, em 20 anos de existência, realizou 11 espetáculos, criados em diálogo com os anseios e as vivências que permeiam a realidade de Heliópolis. 

Companhia de Teatro Flor do Asfalto apresenta  versão de texto de Maria Clara Machado. Foto: Divulgação

Menina Bonita do Laço de Fita em Ritmo de Palhaçaria, com Companhia de Teatro Flor do Asfalto
Duração: 60 minutos
Classificação indicativa: livre
Inspirado na obra de Maria Clara Machado 
Adaptação do Texto e Direção: Wagner Gama
Mostra a relação de admiração entre um coelho branco e uma menina negra. Nessa adaptação, três palhaços encontram o livro de Ana Maria Machado e decidem contar a história ao público, para falar sobre racismo estrutural e ancestralidade.
A Companhia de Teatro Flor do Asfalto nasceu no Verão de 2017 e funciona na Zona Leste de SP, com sede na Ocupação Cultural Instituto Reação Arte e Cultura. Com a orientação do dramaturgo e diretor Wagner Gama o grupo se consolidou, realizando diversos trabalhos, com destaque para a montagem de Vidas Secas.

Compêndio de quatro personagens interpretadas por Ana Szcypula, da Refinaria Teatral. Foto Divulgação

Compendiado Refinaria, com Refinaria Teatral
Duração: 30 minutos
Classificação: 14 anos
Direção e encenação: Daniel Alves Brasil 
Atuação: Ana Szcypula
Uma mesma atriz, quatro personagens, quatro encenações, quatro obras: Yeong-Gam, Meid In Brazilian, Porque as mulheres choram e Espelho.
Refinaria Teatral surge em meados de 2008 como um núcleo de investigação prática autodidata. Em 2010 estreia sua primeira obra, a peça “Espelho” e a partir daí inicia uma série de intercâmbios com grupos internacionais e nacionais e tem no currículo 11 peças. 

Serviço

II Mostra “Teatro em Trânsito”
De 05 de março a 24 de abril de 2022
Grátis
retirada de ingressos uma hora antes de cada sessão, nos locais de apresentação
Mais informações em www.teatrobaile.com

Ladeira das Crianças – Teatro Funk, com grupo Rosas Periféricas
5 de março de 2022, sábado, 16h
Praça Irmãs Nilza e Rosilene (em frente à igreja católica) – Jardim Macedônia
6 de março de 2022, domingo, 16h
Sede CTI – Teatro-baile (Rua Oti, 212 – Vila Ré)

Show do Pimpão, com Brava Companhia
12 de março de 2022, sábado, 16h
Sede CTI – Teatro-baile (Rua Oti, 212 – Vila Ré)
13 de março de 2022, domingo, 11h
Centro Cultural Arte em Construção (Av. dos Metalúrgicos, 2100 – Cidade Tiradentes)

O Ensaio Invisível, com Coletivo de Teatro Off Off Broadway (exibição e bate-papo)
19 de março de 2022, sábado, 20h
Sede CTI – Teatro-baile (Rua Oti, 212 – Vila Ré)
20 de março de 2022, domingo, 16h
Sede Rosas Periféricas (Rua Redução de Guarambaré 39 – Jd.Vera Cruz)

Mitos e Lendas Caiçara, com a Cia. O Castelo das Artes
26 de março de 2022, sábado, 20h
Sede CTI – Teatro-baile (Rua Oti, 212 – Vila Ré)
27 de março de 2022, domingo, 11h
Centro Cultural Arte em Construção (Av. dos Metalúrgicos, 2100 – Cidade Tiradentes)

Pirajussara: Vozes à margem, com Bando Trapos
2 de abril de 2022, sábado, 20h
Sede CTI – Teatro-baile (Rua Oti, 212 – Vila Ré)
7 de abril de 2022, quinta-feira, 20h
Casa de Teatro – Maria José de Carvalho (Rua Silva Bueno, 1533, Ipiranga) 

Ação cênica sobre a atual pesquisa do grupo sobre o Cárcere, com Companhia de Teatro Heliópolis
14 de abril de 2022, quinta-feira, 20h
Sede CTI – Teatro-baile (Rua Oti, 212 – Vila Ré)
19 de abril de 2022, terça-feira, 20h
Trapos Espaço Cultural CITA (Rua Aroldo de Azevedo, 20 – Campo Limpo)

Menina Bonita do Laço de Fita em Ritmo de Palhaçaria, com Companhia de Teatro Flor do Asfalto
16 de abril de 2022, sábado, 20h
Sede CTI – Teatro-baile (Rua Oti, 212 – Vila Ré)
17 de abril de 2022, domingo, 16h
Refinaria (R. João de Laet, 1507 – Vila Aurora) 

Compendiado Refinaria, com Refinaria Teatral
23 de abril de 2022, sábado, 20h
Sede CTI – Teatro-baile (Rua Oti, 212 – Vila Ré)
24 de abril de 2022, domingo, 16h
Reação Arte e Cultura (Rua Giácomo Quirino 76 – Conjunto José Bonifácio)

Postado com as tags: , , , , , , , , , , , , , , ,

Poética de Hilda Hilst abre Festival Gambiarra

Fabiana Pirro em Obscena – Um Encontro com Hilda Hilst. Foto: Divulgação

Quarteto do Coletivo Gambiarra: Hugo Coutinho, Olga Ferrario, Dea Ferraz e Cláudio Ferrario. Foto Reprodução do Facebook

No horizonte, atualizada praticamente em tempo real pelas redes e telas, uma guerra esdrúxula ameaça a todes, em camadas diversas. Tempos medonhos, sem Carnaval, com pandemia, com o infame brasileiro e seus asseclas a prosseguir o desmonte político das artes e da cultura, da ciência e da cidadania, a ameaçar a floresta, violar direitos dos povos originários. Enquanto a fome de alimentos, de dignidade, de vergonha na cara se alastra pelo país, os partidários da necropolítica atentam contra a vida com suas canetadas e votações imorais de projetos de lei, fundos eleitorais com o Supremo com tudo…

Mas nesse cenário é preciso despertar corações e mentes, ficar atentes porque bombas explodem de todo lado.
Nesse cenário é preciso fazer o que se sabe de melhor.
O Coletivo Gambiarra, com sede em Gravatá – Pernambuco, abriu os paraquedas coloridos (imagem-proposta de Ailton Krenak, em Ideias para adiar o fim do mundo) e articula o Festival Gambiarra.

Uma investigação poética da obra de Hilda Hilst abre os caminhos. Obscena – um encontro com Hilda Hilst, interpretado pela atriz Fabiana Pirro é apresentado na plataforma Zoom nesta sexta-feira (04/03), com ingressos esgotados, e sábado (05/03), à 20h. O Festival Gambiarra conta ainda com as atrações O Último Encontro do Poeta com a sua Alma, com Claudio Ferrario e Olga Ferrario (18/03, sexta-feira, às 20h), Avós, com Olga Ferrario (08/04, sexta-feira, às 20h) e Opá, com Lívia Falcão (22/04, sexta-feira, às 20h).

Fabiana Pirro trabalha a loucura e a estranheza das figuras de Hilda Hilst. Foto Divulgação

Líria, personagem interpretada por Fabiana Pirro, é uma mulher madura, incendiada de desejos; uma figura independente, febril e poderosa como as figuras femininas criadas por Hilda Hilst. No seu fluxo de consciência fragmentado, a personagem-narradora experimenta os ânimos do sagrado e do profano, em cruzamentos de presenças e ausências.

A vida da escritora traz disparadores para a atriz somar com sua vivência, das referências da força masculina de pai, filho e Deus. “Quando em 2013 comecei a adentrar na poesia da Hilda, fiquei muito impressionada. Vi que ela se tornou escritora para dar continuidade à obra do pai Apolonio de Almeida Prado Hilst, como eu também queria fazer algo no teatro para o meu pai. Ela veio como uma luz”, testemunha Fabiana Pirro.

O projeto de Obscena começou em janeiro de 2014 com uma minuciosa pesquisa sobre a poética de Hilda Hilst feita por Fabiana Pirro e Luciana Lyra. Intérprete e diretora passaram uma temporada na Casa do Sol – chácara em Campinas (SP) onde a escritora viveu, e que hoje funciona como o Instituto Hilda Hilst. Obscena estreou no Recife em janeiro de 2015. No mesmo ano viajou para a Paraíba, Portugal e Ceará.

Coletivo Gambiarra: criação em família, arte e transformação. Foto Divulgação

O Coletivo Gambiarra foi criado em 2020, em Gravatá, Pernambuco, no auge do isolamento social causado pela pandemia da Covid-19 para desenvolver experimentações de linguagens em formato híbrido, da interseção entre a tecnologia, o teatro e o cinema.

O quarteto do Gambiarra é composto pelo ator Cláudio Ferrario, pela atriz Olga Ferrario, pelo músico Hugo Coutinho e pela cineasta Dea Ferraz.  Eles apontam que a experiência é como um atravessamento entre teatro e cinema, feita pelo jogo cênico da câmera de Dea Ferraz (Câmara de EspelhosSete Corações), que filma ao vivo, em plano sequência como “um olho-corpo presente e atuante”. A imagem ganha contornos sensoriais, que permite uma aproximaçãode presença, apesar da virtualidade.

As imagens são construídas, decupadas e ensaiadas como cenas de um filme, mas tudo ao vivo, compartilhado com o público, com o risco do erro e da falha, próprios do teatro.

O Festival Gambiarra foi aprovado na Lab Recife, Edital Joel Datz.

PROGRAMAÇÃO

Fabiana Pirro. Foto: Divulgação

Obscena – Um Encontro com Hilda Hilst – Fabiana Pirro
4 e 5 de março (sexta-feira e sábado), às 20h

Criado para o teatro, o espetáculo Obscena – um encontro com Hilda Hilst, com a atriz Fabiana Pirro, chega ao CineTeatro Gambiarra e ganha nova leitura. Agora traduzido para essa linguagem híbrida entre o teatro e o cinema.

Claudio Ferrario e Olga Ferrario. Foto: Divulgação

O Último Encontro do Poeta com a Sua Alma – Claudio Ferrario e Olga Ferrario
18 de março (sexta-feira), às 20h

Num diálogo intenso e profundo, acompanhamos o poeta num encontro com a sua alma. Ele repassa a vida que teve, seus caminhos, os medos, as escolhas amorosas e suas entregas.

Olga Ferrario. Foto: Déa Ferraz / Divulgação

Avós – Olga Ferrario
8 de abril (sexta-feira), às 20h

A vida é uma espiral em movimento e a peça faz um mergulho em sentimentos, aprendizados, nascimentos e mortes. Uma experimentação poética sobre os ciclos.

Lívia Falcão em Opá. Foto Divulgação.

Opá – Lívia Falcão
22 de abril (sexta-feira), às 20h

A Palhaça de Lívia Falcão, Xamãe Zanoia, é uma benzedeira antiga, descendente direta da xamã mais velha, de terras distantes. Um lugar de abundâncias e milagres, de onde veio sua voz e a sua Opá. Xamãe Zanoia usa de seus poderes mágicos e entra na virtualidade para conectar-se com os inúmeros mundos à sua volta, fazendo de sua Opá um lugar de encontro, riso, leveza, cura e amor.

Serviço:
Obscena – um encontro com Hilda Hilst (solo com a atriz Fabiana Pirro)

Quando: Sábado (5 de março), às 20h
Quanto: R$ 15 (social), R$ 30 (sugerido) e R$ 50 (abundante)
Bilheteria virtual: wapp (81) 995297939
Mais informações no perfil do Instagram @cineteatrogambiarra.

Postado com as tags: , , , , , , ,