Arquivo mensais:agosto 2016

Sátira ao poder das cidades-irmãs

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Diógenes D. Lima em O Mascate, a Pé rapada e os Forasteiros

A produção de O Mascate, a Pé rapada e os Forasteiros apregoa que é um “espetáculo teatral que conta uma história real baseada em fatos fictícios sobre Olinda e Recife, usando a linguagem do Teatro de Objetos”. É pouco para definir essa encenação simples, mas potente, que navega de forma divertidíssima por questões políticas, históricas e sociais dessas duas cidades. É uma sátira com sotaque bem pernambucano do começo ao fim.

Despretensiosa, a montagem pega o espectador pelos pequenos detalhes. E são muitos. É uma narrativa sobre o poder, mas sem pompas, desde o português que se encantou com Olinda, à astúcia do holandês, que ficou com a garota. Mas também pontua as investidas do inglês e da espanhola. Entre tapas e beijos, a disputa é proposta entre a formosura e sinuosidade de Olinda e a bronquice do Recife, que soube fazer dinheiro, mas apesar de todo o verniz da riqueza permanece um vendilhão.

Uma e outra cidade sofrem com mandos e desmandos. Desde o século 16.

A montagem com o ator Diógenes D. Lima traça um diálogo estreito com os brincantes populares e os códigos dos mamulengos. O intérprete pesquisa a linguagem do Teatro de Objetos desde 2011. Com as técnicas do TO utiliza utensílios prontos, como brinquedos, instrumentos, esculturas e outros que transforma.

Diógenes D. Lima é hábil na construção dos colonizadores com imagens estereotipadas e na manipulação dos objetos. Ele vai se desdobrando em vários personagens com fluidez e graça. Uma sombrinha frevo representa Olinda, um pedaço de madeira roliça, Recife. E alguns assessórios colaboram na composição.

O texto satírico levanta pontos sobre a identidade cultural, as políticas públicas e a ação dos gestores nos dias atuais. É muito inteligente a transfiguração de alguns objetivos e a problemática mais profunda que suscita, como o projeto Novo Recife, a ação do Ocupe Estelita e o Empatando sua vista.

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Sobre o tabuleiro a disputa das novas terras por holandês, português, espanhola e inglês 

No livro Locuções tradicionais no Brasil, Luís da Câmara Cascudo registra que pé-rapado é o mesmo que “descalço, de pés nus, pé no chão”. Por metonímia é uma denominação que se refere à “mais humilde categoria social”. A montagem trabalha de forma bem engraçada com o termo.

Entre os anos de 1710 e 1711 Olinda e Recife protagonizaram a Guerra dos Mascates. Os holandeses tinham sido expulsos, vivia-se uma crise açucareira, mas a pé-rapada Olinda com sua aristocracia rural decadente prosseguia no controle político da capitania de Pernambuco.

O Recife com dinheiro do bolso, fruto das atividades do comércio dos mascates e os empréstimos, a juros altos, aos olindenses, já estava cansado da empáfia da vizinha e partiu para luta. Olinda alimentava um forte sentimento antilusitano e a coroa portuguesa favorecia os comerciantes do Recife.

Mas toda essa guerra é desenhada com poucos elementos, historinha bem diluída e a contundência do humor subversivo. Diógenes sabe tirar o melhor proveito do universo lúdico dos objetos, articulando com destreza os signos visuais e sonoros.

O ator faz questão de frisar, ao final do espetáculo, que apesar de estar sozinho no palco ele é acompanhado por muita gente nos bastidores. O encenador Marcondes Lima assina a supervisão artística de O Mascate, a Pé Rapada e os Forasteiros juntamente com o ator e diretor Jaime Santos, do grupo La Chana da Espanha. Jathyles Miranda é o responsável pelo plano de Iluminação. As coreografias são do bailarino Jorge Kildery e Arthur Canavarro cuida da programação visual. Triell Andrade e Bernardo Júnior se ocupam da direção de arte e Luciana Barbosa da coordenação de produção.

Diogenes

Diógenes faz uma crítica contunde e com muito humor ao destino das duas cidades

SERVIÇO
O Mascate, a Pé Rapada e os Forasteiros
Última apresentação nesta quarta-feira, 31/08, 20h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho, Bairro do Recife (Recife Antigo)
Ingresso: R$ 30 inteira e R$ 15, meia-entrada.
Capacidade 100 espectadores (plateia limitada)

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Memorialista do teatro pernambucano

Leidson estuda teatro infantil em Pernambuco desde 1998. Foto: Ivana Moura

O marco zero na história do teatro para crianças no Recife foi a estreia da peça Branca de Neve e os 7 anões, a primeira que levou crianças para a cena, em 1939, no Teatro de Santa Isabel. Era um projeto do teatrólogo Valdemar de Oliveira, que superou todas as expectativas. Essa é uma das conclusões do pesquisador e jornalista Leidson Ferraz, depois de anos de investigação que rendeu o livro Teatro para crianças no Recife – 60 anos de história no século XX (vol. 1). A pesquisa já havia sido lançada em formato DVD, em 2013.

Nesse volume, ele passeia pela historiografia do teatro pernambucano de 1939 até a década de 1970 e junta raros registros fotográficos de peças, programas, anúncios publicitários, críticas publicadas em jornais e relatos sobre a produção infanto-juvenil do período.

O livro estará à venda no Sindicato dos Artistas de Pernambuco e na Federação de Teatro de Pernambuco, ambos sediados na Casa da Cultura.

Nessa segunda-feira, durante o lançamento do livro o autor fez uma breve explanação sobre o objeto do seu estudo e exibiu imagens históricas guardadas na publicação.

Nesta entrevista ele fala sobre o processo de trabalho, da paixão pela pesquisa em teatro,  do  projeto Teatro Tem Programa!, que vai compartilhar pelo site da Fundaj (Fundação Joaquim Nabuco), de polêmicas e da vida que segue.

Entrevista: Leidson Ferraz

Leidson Ferraz, pesquisador e jornalista. Foto: Ivana Moura

Leidson Ferraz, pesquisador e jornalista. Foto: Ivana Moura

Você é uma das poucas pessoas nesta cidade do Recife que talvez vá mais ao teatro do que eu. Talvez. Tenho a vantagem de viajar com frequência para festivais e isso aumenta minha performance. Então, quantos espetáculos você assiste por semana, mês, por ano? E de onde vem esse amor pelo teatro?
(Risadas). Ivana, eu não contabilizo quantos espetáculos vejo. Mas procuro assistir tudo o que está em cartaz. Acho que é a forma de me manter atualizado sobre nossa produção teatral brasileira. Gostaria de poder viajar mais para assistir espetáculos em outros lugares (faço isso minimamente, infelizmente, muito mais ao interior de Pernambuco), mas não tenho nem tempo nem dinheiro para tanto. Quanto ao amor ao teatro, é parte do que me faz viver. Já pensei em me afastar deste universo por algumas decepções, mas não consigo. Está dentro de mim. É como o ar que respiro. O teatro está nos meus poros.

Sua carreira como ator começou na infância, em Petrolina, Sertão de Pernambuco. Como foi essa trajetória?
No Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, em Petrolina, eu já interpretava esquetes a cada final de ano, numa Feira de Ciências que programavam. Mas o primeiro espetáculo teatral que vi de verdade foi a Paixão de Cristo da Nova Jerusalém, aos oito anos de idade. Aos nove, já me arvorei a escrever e dirigir A Paixão de Cristo com 50 amigos da rua que eu morava. E eu ainda interpretava Judas, Pilatos e o Demônio. Ou seja, fui sempre ousado! Depois, fui dançar Menudo – num grupo cover – e passei a ser um “artista profissional” (kkkk), pois ganhávamos bem fazendo festinhas de aniversário e outros eventos. Só me aproximei do teatro, de verdade, quando vim morar no Recife em 1988. Comecei indo ver tudo o que eu podia e a fazer cursos com Ida Korossy, no Colégio Decisão; Valdi Coutinho, no Arteviva, e Elmar Castelo Branco, no TUCAP. Daí, fui me profissionalizando aos poucos, em cursos, oficinas, palestras, seminários, vendo muitos espetáculos e atuando e dirigindo num grupo que criamos na Unicap (o Grupo Pedaços, com o qual fiz uma versão do musical Hair, entre outros trabalhos)… Tirei meu DRT como ator profissional em 1993.

Quais as montagens que você participou como ator, diretor ou outra função?
Estreei profissionalmente com Memórias da Emília, em 1995, com adaptação e direção de Luiz Felipe Botelho e produção de Pedro Portugal. Fiz teste para entrar no elenco. Em seguida, fui convidado para Auto da Compadecida, da Dramart Produções, com direção de Marco Camarotti, onde atuei durante 17 anos. Na sequência, trabalhei com José Manoel Sobrinho, Érico José, Vital Santos, Max Almeida, Claudio Lira, José Pimentel, Samuel Santos, participando também de várias leituras dramatizadas com outros diretores e ainda dirigindo alguns espetáculos, especialmente no SESC. No ano 2000, escrevi e dirigi, junto a Claudio Lira, o musical Alheio, um sonho que acalentei durante sete anos (após a experiência de estudar canto no Conservatório Pernambucano de Música durante um tempo) e que me deu enorme trabalho, pois era uma produção grandiosa. Inaugurei um teatro próprio no Cais José Mariano e fomos até para São Paulo, mas só pude manter a peça por três meses de vida. Era caríssima com elenco enorme de atores e cantores, além de toda a infraestrutura de som, luz, arquibancadas, microfonação, etc… Meu último trabalho como ator (e não pretendo voltar a atuar, pelo menos neste momento) foi Olivier e Lili: Uma História de Amor em 900 Frases, com direção de Rodrigo Dourado, pelo Teatro de Fronteira, que sobreviveu nos anos 2012 e 2013. Ou seja, há mais de três anos não volto aos palcos. Já enquanto assessor de comunicação de muitos espetáculos, perdi as contas de quantos fiz. Atualmente ando afastado por conta do Mestrado em História na UFPE.

Você vem sendo considerado um memorialista do teatro Pernambucano com registro, análise e disseminação do passado do teatro feito no estado. Você é realmente um empreendedor, um homem de muita força e fôlego. Como e quando surgiu essa preocupação com o registro, com a documentação sobre o teatro pernambucano?
Quando fui convidado a assumir a assessoria de comunicação do Projeto Memórias da Cena Pernambucana – O Teatro de Grupo, em 1998, por José Manoel Sobrinho, meu maior incentivador em tudo. Era uma ação da Feteape e me envolvi totalmente com ela. Foi ali, entrevistando artistas que estavam afastados da cena, mas com longa trajetória no teatro, que me atentei para a história do teatro pernambucano e a necessidade de mais registros sobre este tema.

Mas vamos destrinchar isso.
Você é um assessor de imprensa muito peculiar, que exerce muito bem essa função em diversos festivais, peças e ações voltadas às artes cênicas. Você veste a camisa mesmo, como integrante da produção. Essa é a melhor postura na sua opinião?
Não sei fazer de outra forma. Talvez por amar tanto o teatro e a dança, acabo me envolvendo mais do que devia. Às vezes tenho raiva desta minha postura, pois muitas vezes me deixo confundir nas funções. No entanto, acho que todo assessor de comunicação precisa abraçar sua causa. Ficar em casa só mandando e-mails, não dá! Acho terrível quem faz assim. É preciso conhecer a sua fonte de informação por completo.

Montagem de 1976 de Maria Minhoca. Foto: Divulgação

Montagem de 1976 de Maria Minhoca. Foto: Divulgação

Gostaria que você falasse sobre trabalho desenvolvido com as pesquisas sobre a produção teatral pernambucana.
A série de livros Memórias da cena pernambucana resgatou em quatro volumes a trajetória de quase 40 grupos de teatro de Pernambuco, desde a década de 1940. Gostaria de levantar três questões sobre isso.
A primeira: Com encontros/palestras/debates gravados a partir da memória de integrantes de grupos (e a memória é falha) você multiplicou em vários livros. Você se considera um estrategista ou um ótimo marqueteiro? Ou ambos?
É preciso lembrar que, quando eu, Rodrigo Dourado e Wellington Júnior lançamos o Volume 01 do Memórias da Cena Pernambucana, pouco se falava sobre a história do teatro pernambucano naquele momento. O projeto, inclusive, nasceu por conta disso. Ainda tínhamos reduzidas publicações nesta área e acho que, modéstia à parte, o Memórias abriu o caminho para isso. Tanto que ninguém lembrava do Grupo de Teatro Vivencial! A nossa capa, com Ivonete Melo maravilhosa em Repúblicas Independentes, Darling!, foi estratégica para isso. E o livro circulou pelo Brasil inteiro, pois fiz vários lançamentos e o distribui, gratuitamente, a universidades, centros de pesquisas, sedes de grupos teatros e centros de memória, além das unidades do SESC, pelo Brasil inteiro. Esse era o nosso objetivo. Quanto ao lance da memória, ela é falha, mas, especialmente a partir do Volume 02 (quando fiquei sozinho na empreitada), me arvorei a pesquisar minuciosamente cada depoimento e, confrontando com os dados que consegui na imprensa e em acervos particulares, procurar cada depoente para retrabalhar o depoimento dado (algo que já foi feito no Volume 01, mas timidamente). Para qualquer historiador isso é um crime, mas não tinha formação em história e tentei, ao máximo, chegar próximo do que havia de fato acontecido. Hoje sei que nada se dá bem assim. Mas foi uma tentativa, e acho que o material se aproxima bastante dos fatos e acontecimentos, para além dos aspectos metodológicos empregados para isso.

A segunda: A narrativa construída sobre esses grupos não recebeu confrontamentos de dados, mas reproduz relatos dos atores daquelas companhias. Atualmente, com o mestrando em História, que caminhos diferentes você adotaria para publicar esses trabalhos.
O confrontamento existiu com o material impresso que eu encontrava – e muitas pesquisas em acervos foram feitas, infelizmente sem espaço no livro para registrá-las como fontes pesquisadas – e também no diálogo com outras pessoas que não estavam nos debates. Muito depoimento foi mudado, Ivana. E felizmente as pessoas concordavam com seus esquecimentos ou equívocos a partir do que eu lhes apresentava. Isso foi legal, pois todos autorizaram as mudanças. No entanto, hoje, percebendo quais os interesses e procedimentos da historiografia, será que eu registraria os depoimentos na íntegra e colocaria milhares de notas de rodapé para corrigir ou esclarecer cada trecho? Alguém aguentaria ler isso? Não! Portanto, excesso de academicismo não é a minha praia. Sou um questionador de tudo isso e precisaria pensar melhor como eu faria. O importante é perceber que o depoimento oral é sempre melindroso para se lidar, ainda mais no calor de um encontro público. No entanto, é uma alternativa como registro da(s) história(s).

Terceira: Você acha que falta interesse, coragem, disposição, de outras pessoas para mergulhar nesse universo da pesquisa sobre o tetro pernambucano, já que temos poucas referencias ainda?
Sim. Há pouca gente interessada nisso. No entanto, acredito que a UFPE e o SESC têm cumprido um papel de disseminar este desejo de lidar com nossa história teatral. Atualmente tenho dois alunos do Curso de Interpretação para Teatro do SESC Piedade (onde dou aulas de história do teatro pernambucano), Amanda Spacca e Anderson Cleber, que estão trabalhando como estagiários comigo. Penso que podem se tornar ótimos pesquisadores. E de vez em quando recebo pedidos de material de alunos da UFPE. Acredito que devem surgir mais pesquisadores vindo destes lugares, em breve.

Qual a contribuição do jornalismo para as artes cênicas hoje?
Fundamental. Não só em termos de divulgação para o que está em cartaz (e ainda contamos com isso para que saibam que nós existimos!), mas como fonte primordial para a historiografia teatral. Ainda que encontremos equívocos tremendos na escrita de vários jornalistas, continua a ser um guia imprescindível para este trabalho.

Você ainda se considera um ator, diretor atuante e como funciona isso com a sua função de crítico?
Não sou crítico, Ivana. Gosto de escrever quando um espetáculo me instiga a isso. Sou jornalista e pesquisador do teatro, apaixonado pela arte que acompanho fervorosamente. Quanto a atuar e dirigir, quero mais não! Tô bem no meu lugar.

E atualmente como encara a faceta de pesquisador?
É o que me dá mais prazer. Se pagasse todas as minhas contas, só faria isso na vida. Adoro mergulhar no passado e confrontá-lo com o momento que vivo. Acho que me sinto pleno nesta função.

Branca de Neve e os Sete Anoes. Foto: acervo projeto Memórias da Cena Pernambucana

Branca de Neve e os Sete Anões. Foto: acervo projeto Memórias da Cena Pernambucana


Uma aulinha para os leitores: Quando você identifica o nascimento do teatro em Pernambuco?
Desde quando os jesuítas chegaram no Brasil. É uma longa trajetória que remonta àqueles tempos, tanto que a primeira peça de autor verdadeiramente brasileiro foi encenada no Recife, Amor Mal Correspondido, de Luiz Álvares Pinto, em 1780, no primeiro teatro do Recife, a Casa da Ópera (segundo informação dos pesquisadores Padre Jaime C. Diniz e Valdemar de Oliveira). E o teatro, com o passar dos séculos, sempre resistiu entre momentos de maior ou menor qualidade.

É possível fazer um rápido trajeto, até hoje? Apogeu e declínio. O Recife por exemplo já foi considerado o terceiro polo produtor das artes cênicas do país.
Essa questão de terceiro pólo foi também uma grande estratégia de marketing dos divulgadores dos espetáculos (já nos anos 1930 encontro tal referência e o produtor Bóris Trindade, por exemplo, usou isso com muita maestria nos anos 1980, disseminando esta frase entre colunistas que reproduziram tal ideia sem nem saber do que se tratava na realidade). Entretanto, é notório que até os anos 1930, Recife ainda era um pólo importante para o “Norte” do país (aqui compreendendo o Norte-Nordeste, segundo terminologia da época). Mas não podemos esquecer Manaus e Belém, que também eram palcos significativos, estratégicos pelos portos e a chegada de companhias internacionais ou vindas do Rio de Janeiro, a então capital da República. Bom, como qualquer lugar do mundo, Pernambuco continua a produzir bom e mau teatro e isso tem a ver com muitos aspectos, diálogos de maior ou menor criatividade por parte dos fazedores de arte e a relação conflituosa ou não com a política, a economia da época, a sociedade que consome cultura, os intercâmbios travados com produções de outros lugares, a cultura como um todo. Ninguém hoje vai dizer que Recife é a terceira cidade mais importante do nosso fazer teatral no Brasil, mas, sem dúvida, continua a ser uma das mais significativas, tanto que todos querem vir para cá.

O teatro pernambucano vai bem, obrigado?
Vai como sempre, com altos e baixos. Quando a gente lida com o passado, passa a compreender melhor que a vida é cíclica.
Sua pesquisa voltada para seis décadas de teatro para criança em Pernambuco cataloga essa produção. Como é isso enquanto método? E como você conceituaria essa pesquisa?
A minha pesquisa é um mapeamento historiográfico. Para além da dramaturgia, como normalmente é feito, tento abarcar as realizações como um todo. Me interessa o universo teatral em sua maior amplitude, por isso tantos assuntos permeiam toda esta trajetória, inclusive na relação da criança com o cinema, o rádio e a TV, as outras diversões, a produção de espetáculos, festivais, polêmicas da classe artística junto ao poder público, personalidades mais influentes, as realizações à margem dos palcos oficiais, etc. É um passeio pelo tempo, encarando-o como fragmentário, incompleto, plural. Cito David Lowenthal no começo, mas não parti de nenhum outro historiador conceitualmente. Este trabalho antecede minha ida ao Mestrado na UFPE e traz ainda um caráter bem cronológico e factual, o que não o desmerece. Apenas não traz a problematização conceitual tão perseguida pelo meio acadêmico.

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Leidson, você é uma das figuras no teatro que mais teve projetos aprovados e realizados no Funcultura. Seria possível desenvolver esses projetos sem o Funcultura? O que você pensa da concentração de projetos aprovados para algumas pessoas/empresas em todas as áreas? Que mudanças você proporia ao Funcultura?
Impossível fazer o que faço sem o FUNCULTURA. E agradeço demais a todas as comissões deliberativas que entenderem isso. Se sou um dos mais contemplados no edital, acredito que não. A questão é que meus projetos sempre ganharam visibilidade, talvez pelo cuidado com que eu os faço, talvez pela relação próxima que mantenho com a impressa. Mas já tive muitos nãos no FUNCULTURA também. Nem sempre ganho, e é preciso ressaltar isso. Quanto à concentração de pessoas/empresas, claro que sou contra. Ganhei, certa vez, três projetos de uma vez e quase enlouqueci. Não recomendo isso a ninguém. E acho que os que fazem o FUNCULTURA precisam conhecer muito bem o mercado cultural para saber se vai haver concentração ou não. É injusto quando temos tão pouca verba para tamanha produção no estado. Sobre as mudanças, tenho muitas propostas, mas a principal é alterar a lei original para que possamos ter não só apenas um aprovado por linha. Isso tem emperrado bastante.

Quais os próximos passos?
Estou finalizando o projeto Teatro Tem Programa!, com mais de 700 programas de espetáculos teatrais do Recife e Olinda no século XX catalogados. A ideia é compartilhar tudo pelo site da Fundaj (Fundação Joaquim Nabuco), minha parceria nesta iniciativa. No mais, continuo no Mestrado em História na UFPE estudando O Teatro no Recife da Década de 1930 – Outros Significados à Sua História, outro tema que adoro.

Você é um homem muito bem relacionado, querido entre a classe. Gosta inclusive de dizer que consegue transitar pelos mais diversos núcleos do teatro em Pernambuco. Você já disse, com esse humor que lhe é peculiar que você é bem alto, seu abraço é grande. “Cabem todos junto a mim”. Mas também tem seus desafetos. Como você lida com isso?
Não que eu tenha muitos desafetos, mas não gosto de cultivar inimizades. Sofro com isso. Procuro, então, deixá-los distantes de mim. São poucos, felizmente. Prefiro pensar nos tantos amigos e colegas que fiz em toda a minha trajetória.

Em pelo menos dois episódios nós dois nos desconhecemos. O primeiro foi a publicação de uma carta à redação no Diario de Pernambuco em que dois gestores eram criticados.
A segunda foi uma crítica que escrevi para o Yolanda sobre o espetáculo Olivier e Lili: Uma história de amor em 900 frases [com o grupo Teatro de Fronteira, direção de Rodrigo Dourado], que causou polêmica e rupturas, mas nunca se botou os pratos na mesa para se falar disso.
Gostaria de falar sobre isso. O que ficou no seu coração desses dois episódios?

Sou leonino, Ivana, portanto, nunca esqueço por completo, confesso. Mas procuro seguir a vida. O alto-astral, para mim, é fundamental. E tento disseminar isso nas minhas convivências. Raramente vais me ver de cara feia. Não sou desse tipo.

Você já disse que encerrou minha vivência como intérprete em 2013, com a peça Olivier e Lili. Por quê?
Não tenho mais tempo para ensaiar, nem paciência nem tesão. E acredito que quando alguém quer ser ator, é preciso muita dedicação, entrega, sofrimento… Não estou mais disposto a tanto.

Bem, para encerrar, você soltou uma informação que está no seu livro: “Eu falo de um escândalo da gestão petista, quando João Paulo liberou R$ 150 mil para um espetáculo infantil, enquanto as artes cênicas locais minguavam patrocínio”. Você acha que é realmente um escândalo? Onde está o escândalo? Criticar e polemizar sobre essa questão agora, em plena campanha, não borra a imagem de um candidato? Que me parece que teve um tratamento mais cuidadoso com a cultura? Por exemplo, o que é essa gestão atual da prefeitura para a cultura? O consenso na área de teatro é que é desastrosa.
Escândalo foi na época, tanto que saíram matérias enormes nos jornais e era o que mais se falava nos teatros e, minimamente, na política. Afetou a todos que fazem teatro, dança e circo, porque, naquele momento, reclamávamos uma verba minguada pelo Prêmio de Fomento às Artes Cênicas da Prefeitura do Recife. No entanto, nada mudou. Só ganhei mais desafetos e alguns créditos, por parte de alguns, por ter tido a coragem de denunciar algo que todos queriam falar, mas não o faziam. No entanto, essa minha fase de “Dom Quixote” passou. Já reclamei tanto do poder público, que cansei. Mas essa questão não veio agora, Ivana, está como um dos fatos do ano 2008 no meu livro Panorama do Teatro Para Crianças em Pernambuco (2000-2010)”. Não estou fazendo denúncia alguma neste momento de campanha, porque ela nem me interessa. Não sou partidário de nenhum candidato, e acho que todos são desastrosos ao segmento cultural, uns mais outros menos. Como desacredito cada vez mais dessa política que aí está, nenhum tem o meu voto. E minha vida segue sem eles.

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Política no sangue de um sapateiro

 

Mario Miranda (de camisa vermelha) interpreta Zumba

A Gloriosa Vida e o Triste Fim de Zumba sem dente é uma peça política. Sobre sonhos que valem pouco, homens que valem muito, e manobras descaradas para sufocar a liberdade. “Na tortura toda carne se trai”, diz uma velha canção entoada por Zé Ramalho. Se trai? Cada vez mais frágil essa contextura humana. Mas o nosso Zumba, ou melhor o Zumba recriado por Carlos Carvalho das letras de Hermilo Borba Filho é um ser fincado num passado, nem tão esplendoroso assim.

Essa encenação diminui a voltagem política da trama. O encenador exagera nas alegorias, dialoga com a farsa e permite aos atores improvisações criativas. A peça encerra temporada nesta última terça-feira de agosto, às 19h30, no Teatro Hermilo Borba Filho, que fica no Bairro do Recife, com entrada franca ao público.

Baseada no texto O Traidor, de Hermilo expõe as escolhas do sapateiro bolchevista, candidato a prefeito na cidade de Palmares e que foi sequestrado e morto. A montagem tem adaptação também de Carlos Carvalho, e direção musical de Juliano Holanda. No elenco estão Mario Miranda, Andrezza Alves, Flávio Renovatto e Daniel Barros.

É a segunda versão de Carvalho sobre esse texto de HBF. A primeira leitura, de 2000, era mais pesada. Do elenco anterior, apenas Andrezza Alves permanece. Mario Miranda defende o personagem título e quem conhece a trajetória sabe que o ator sempre dá um jeitinho de colocar uma pilhéria, um gracejo, um caco.

A democracia é naquele palco uma senhora que precisa ser defendida. Mas seus algozes são cruéis. A encenação busca a simplicidade para contar essa história e no talento dos atores. Passa seu recado, em um ou outro momento pode suscitar aquele sentimento de revolta na plateia, quando os direitos de gente humilde são espezinhados, quando a manipulação cega a possibilidade de discernimento.

Atores utilizam poucos objetos cênicos

Atores utilizam poucos objetos cênicos

Com o palco nu, a montagem utiliza vídeos – com desenhos ou depoimentos reais – mas não contextualiza uma época. Justapõe ocasiões de barbárie contra figuras que lutaram por um mundo mais justo. E é inevitável fazer conexões com o Brasil atual.

O tempo é embaralhado. A viúva de Zumba dá um depoimento após o sumiço do sapateiro. Passa para a casa do protagonista que ensina a prática do esquerdismo para dois jovens pupilos. Como numa câmara de zoom e planos abertos, a encenação trabalha com esses movimentos. Do público e do privado.

Zumba quer ser candidato a prefeito. E quando começa sua estruturação para isso, a repressão chega sob forma de delegado, de polícia. Essa opção pela alegoria atenua a complexidade da situação.

O diretor simplifica com a utilização de mamulengos. E enriquece com os passos do cavalo-marinho, a ciranda, o frevo.

São emblemáticas as cenas da prisão de Zumba e a inocência que é associada ao analfabetismo. Lembra o famoso poema Confissão de Cabôco, de Zé da Luz, que cometeu um desatino porque não sabia ler. É uma cena síntese do espetáculo.

Andrezza Alves e Daniel

Andrezza Alves e Daniel Barros

Carvalho experimenta as ideias Hermilo e as questões que são caras ao escritor pernambucano, como justiça e liberdade no teatro. Já ergueu as montagens Mucurana, o Peixe, a partir do conto O Peixe, com Azaias Rodrigues (Zaza) e O Palhaço Jurema e os Peixinhos Dourados, elaborado com base em O Palhaço, com Gilberto Brito como protagonista.

Serviço
A Gloriosa Vida e o Triste Fim de Zumba sem Dente
Quando: Nas terças-feiras de agosto, às 19h30
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho, Av. Cais do Apolo, s/n, Bairro do Recife
Quando: Grátis
Informações: (81) 3355-3318

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Agenda Setembro com fim de agosto

ESPECIAL

SOLEDAD – A TERRA É FOGO SOB NOSSOS PÉS

Hilda Torres no solo sobre militante paraguaia morte pela ditadura brasileira. Foto: Rick de Eça

Hilda Torres no solo sobre militante paraguaia morte pela ditadura brasileira. Foto: Rick de Eça

O espetáculo Soledad – a terra é fogo sob nosso pés, do Grupo Cria do Palco, comemora o primeiro aniversário da obra, com duas apresentações especiais, nos dias 1º e 2 de setembro no Teatro Hermilo Borba Filho, às 20h. Na ocasião, também serão comemorados os 37 anos da anistia brasileira. No primeiro dia, após a encenação, serão homenageados: ex-prisioneiros políticos, militantes da época em gratidão a entrega de suas vidas na luta pela democracia e pessoas que contribuíram com o processo de montagem do solo.
O monólogo poético resgata a trajetória da militante paraguaia Soledad Barrett Viedma, que lutou pela liberdade de povos em vários países da América Latina. Em 1972, ela foi assassinada nos arredores do Recife. Junto a outros cinco militantes, ela foi entregue à ditadura brasileira pelo seu então “companheiro”, o infiltrado da Polícia, Cabo Anselmo. Ela estava grávida dele.
FICHA TÉCNICA
Dramaturgia: Hilda Torres e Malú Bazán
Atuação: Hilda Torres
Direção: Malú Bazán
Cenário e figurino: Malú Bazán
Desenho de luz: Eron Villar
Direção musical: Lucas Notaro
Produção geral: Márcio Santos
Produção executiva: Renato Barros
Realização: Cria do Palco
SERVIÇO
Soledad – A terra é fogo sob nossos pés | Apresentações comemorativas
Quando: Dias 1º e 02/09 (sempre às 20h) – únicas apresentações.
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho – Cais Apolo, s/n , Bairro do Recife
Contato: (81) 3355.3321
Quanto: R$ 30,00 e R$15,00
Duração: 1h10
Classificação: 14 anos

EM CARTAZ

A GLORIOSA VIDA E O TRISTE FIM DE ZUMBA SEM DENTE

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O espetáculo é baseado no texto O Traidor, de Hermilo Borba Filho, e conta a história de Zumba, sapateiro de Palmares que foi sequestrado e morto após se candidatar a prefeito da cidade. A montagem tem adaptação e direção de Carlos Carvalho, e direção musical de Juliano Holanda. No elenco Mario Miranda, Andrezza Alves, Flávio Renovatto e Daniel Barros.
Quando: 30 de agosto, terça-feira, às 19h30
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho (Cais do Apolo, s/n, Bairro do Recife)
Ingresso: Entrada gratuita
Informações: (81) 3355-3318

CAROS OUVINTES

Caros Ouvintes. Foto: Priscila Prade

Caros Ouvintes. Foto: Priscila Prade

A comédia resgata o final da era do rádio e o início do domínio da TV nos lares brasileiros, visto sob o olhar dos atores que faziam sucesso nas radionovelas. Com texto e direção de Otávio Martins, Caros Ouvintes, revela os bastidores: Vicente (Marcos Damigo), o produtor da radionovela, mantém com a atriz Conceição (Natállia Rodrigues) um caso amoroso que entra em colapso quando ela é chamada para estrelar uma telenovela. Mas Vicente conta com a absoluta lealdade e profissionalismo do sonoplasta Eurico Boavista (Oscar Filho) e do locutor Wilson Nelson (Ivo Müller). As apresentações ocorrem no Teatro Luiz Mendonça, no Parque Dona Lindu, nos dias 9, 10 e 11 de setembro.
CAROS OUVINTES
Onde: Teatro Luiz Mendonça (576 lugares) – Parque Dona Lindu (Av. Boa Viagem, s/n, Boa Viagem, Recife)
Bilheteria: De segunda à sexta-feira, das 9h às 17h
Ingresso: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia)
Vendas: www.compreingresso.com / Refazenda (Shopping Recife)
Quando: 9, 10 e 11 de setembro, sexta e sábado, às 21h e domingo, às 19h.
Duração: 90 minutos
Recomendação: 12 anos
Gênero: comédia
Informações: 3355-9821 / 3355-9823 / 9822

HISTÓRIAS BORDADAS EM MIM

Agrinez Melo. Foto: Reprodução da internet

Agrinez Melo. Foto: Reprodução da internet

Primeiro solo da atriz Agrinez Melo, Histórias Bordadas Em Mim, abarca histórias reais e vivências com a costura e com a vida. São depoimentos pessoais que traçam a dramaturgia, que resgata momentos de infância e da tempos recentes.
Quando: De 19 de agosto a 26 de setembro, sextas, às 20h 
Onde: Espaço O Poste (Rua da Aurora, 529, Boa Vista)
Ingresso: R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada)
Informações: (81) 98768-5804 / (81) 99505-4201

MEU NOME É CORAGEM

Peça do Coletivo Clã faz sessão gratuita no Teatro Arraial. Foto: Divulgação

Peça do Coletivo Clã faz sessão gratuita no Teatro Arraial. Foto: Divulgação

Meu Nome é Coragem é um espetáculo fruto de um processo colaborativo e das inquietações do Coletivo de Teatro Clã, formado por seis jovens atores graduandos de Licenciatura em Teatro. A inspiração da montagem é a primeira a obra Mãe Coragem e Seus Filhos, de Bertolt Brecht. Apresenta cenas independentes alicerçada na trajetória da personagem Coragem junto aos seus dois filhos, Rosa e Dois. É uma narrativa desconectada de um lugar e tempo específico, e tem por finalidade levar a reflexão sobre o ciclo de guerras que perpassa a história da humanidade deixando marcas catastróficas.
A peça tem direção coletiva e possui a orientação do encenador e dramaturgo João Denys. No elenco estão os atores Iago Josef, Isadora Lima, Luana Felix, Marcílio Moraes e Marco Salomão.
Serviço
Espetáculo Meu nome é Coragem
Quando: Quinta, 01/09, às 19h30
Onde: Teatro Arraial Ariano Suassuna, Rua da Aurora nº 457, Boa Vista, Recife)
Ingressos: Gratuito
FICHA TÉCNICA
Orientação/supervisão: Joao Denys Araújo Leite
Encenação: Coletivo de Teatro Clã
Direção: Coletiva
Dramaturgia: Iago Josef, Isadora Lima, Luana Félix e Marcílio Moraes
Maquiagem: Marco Salomão
Elenco: Iago Josef, Isadora Lima, Luana Felix, Marcílio Moraes e Marco Salomão
Direção Musical/ Arranjos/ Clarinete: Ângelo Lima
Composição: Isadora Lima
Piano: Matheus Marques
Percussão e efeitos: Jose Emerson
Iluminação: Dara Thayná
Material gráfico: Miquéias Almeida

NA BEIRA

Espetáculo é apresentado na residência do ator Plínio Maciel. Foto: Divulgação

Espetáculo é apresentado na residência do ator Plínio Maciel. Foto: Divulgação

Na Beira é um solo autobiográfico com Plínio Maciel e direção de Rodrigo Dourado, do Teatro de Fronteira. Faz curta temporada aos sábados 13, 20 e 27 de agosto e 3 de setembro, às 20h, numa residência no bairro da Boa Vista. O ator, aderecista, artesão e bonequeiro Plínio resgata suas memórias de menino de Surubim, agreste pernambucano, que se transferiu para o Recife e se encantou com a contação de “causos”. É apontado como um Forrest Gump pernambucano (Forrest Gump é um filme norte-americano de 1994, dirigido por Robert Zemeckis com Tom Hanks no papel-título, baseado no romance homônimo Winston Groom. O protagonista é um homem simples do Alabama que encontra figuras históricas ao viajar pelo mundo e é testemunha de momentos marcantes). Plínio Maciel resgata histórias e lembranças pessoais, personagens e pessoas que marcaram sua vida.
Quando: 3 de setembro (sábado), às 19h
Onde: Boa Vista/Recife/PE. Endereço completo enviado por email na confirmação da reserva
Ingressos: R$ 20 (meia-entrada para todos)
Lotação: Apenas 20 lugares
Reservas: exclusivamente pelo email teatrodefronteirape@gmail.com
Duração: 1h30min
Classificação: 14 anos

O MASCATE, A PÉ-RAPADA E OS FORASTEIROS

O Mascate, a Pé rapada e os Forasteiroscom o ator Diógenes D. Lima. Foto: Divulgação

Recife e Olinda têm histórias divertidas que o ator Diógenes D. Lima leva à cena com linguagem do teatro de objetos. Segundo a produção, o espetáculo urde uma trama real baseada em fatos fictícios sobre as duas cidades de forma inusitada, picante e criativa.
Quando: 24, 25 e 31 de agosto. Quartas e quintas, às 20h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho (Cais do Apolo, s/n, Bairro do Recife)
Ingresso: R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada)
Informações: (81) 3355-3320

OSSOS

André Brasileiro e Daniel Barros em Ossos. Foto: Divulgação

O amor moveu Heleno de Gusmão para o exílio e lá ele encontrou o prazer fortuito, o sucesso e a morte. O espetáculo Ossos explora essa viagem do protagonista as suas lembranças e origens, a pretexto de entregar os restos mortais do seu amante aos familiares, em Sertânia, no interior de Pernambuco. A montagem do Coletivo Angu de Teatro faz uma curta temporada no Teatro Barreto Júnior. Um coro de Urubus pontua os fatos embaralhados entre passado e presente. A peça tem dramaturgia de Marcelino e direção de Marcondes Lima. A montagem é patrocinada pelo prêmio Myriam Muniz da FUNARTE – Ministério da Cultura – Governo Federal. Com Arilson Lopes, Ivo Barreto, André Brasileiro, Marcondes Lima, Daniel Barros e Robério Lucado. A trilha sonora é assinada por Juliano Holanda.
Quando: de 19/08 a 25/09, sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 19h30
Onde: Teatro Barreto Júnior
Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada)
Vendas online pelo site: http://vendas.ne10ingressos.com.br

PURO LIXO, O ESPETÁCULO MAIS VIBRANTE DA CIDADE

Marinho e Eduardo em Puro lixo. Foto: Rodrigo Monteiro

Marinho Falcão e Eduardo Filho em Puro lixo. Foto: Rodrigo Monteiro

Puro lixo – O espetáculo mais vibrante da cidade celebra a atuação do Grupo Vivencial, trupe de Olinda que, com coragem e purpurina, protagonizou uma experiência  radicalmente transformadora de arte e liberdade no Brasil sob a repressão da ditadura militar.
A montagem destaca o clima de alegria e festa das montagens e das vivecas.
Última parte da trilogia Transgressão em três atos – projeto de Stella Maris Saldanha, Alexandre Figueirôa e Cláudio Bezerra desde 2008, que exalta o  legado do Teatro Hermilo Borba Filho (THBF), do Teatro Popular do Nordeste (TPN) e do grupo Vivencial. Tem texto de Luís Augusto Reis, com consultoria de João Silvério Trevisan e direção de Antonio Cadengue. No elenco Eduardo Filho, Gil Paz, Marinho Falcão, Paulo Castelo Branco, Samuel Lira e Stella Maris Saldanha.
Quando: Sábado e domingos, às 18h. Temporada de  de 13 de agosto a 4 de setembro. (Nos dia 3 e 4 de setembro, serão duas sessões: às 18h e às 20h)
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho (Rua do Apolo, 121, bairro do Recife)
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)

RITMO É TUDO

Espetáculo dos Irmãos Brothers traz a dança e a música presentes na rotina de um casal desde quando ele acorda até a hora de dormir. As cenas exploram o ritmo que pontua todas as atividades do nosso cotidiano: o sono, o acordar, o se vestir, o trânsito, o trabalho, o namoro, os diálogos corporais, o fim do dia.
Onde: Caixa Cultural Recife (Avenida Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife).

Quando: 2, 3 e 4 de setembro, Sexta, às 19h, sábado às 16h e às 19h e domingo, às 10h30.
Ingresso: R$ 10 e R$ 5 (meia).
Informações: 3425-1915.

DANÇA

CARA DA MÃE

As bailarinas Ana Luiza Bione (ao centro), Janaína Gomes (à esq.) e Íris Campos. Foto: Camila Sérgio/ Divulgação

As bailarinas Ana Luiza Bione (ao centro), Janaína Gomes (à esq.) e Íris Campos. Foto: Camila Sérgio/ Divulgação

Cara da Mãe é uma experiência poética em dança inspirada em jornadas do feminino, especificamente, na compreensão do universo da maternidade, com suas inquietudes e conquistas no mundo contemporâneo. Nasceu de uma ânsia pessoal e artística das bailarinas-criadoras Ana Luiza Bione, Íris Campos e Janaina Gomes que tiveram a ideia de condensar as vivências e indagações de mães numa proposta em dança. E para isso contaram com a orientação de Luciana Lyra, que dirigiu o espetáculo. O projeto de manutenção de temporada conta com incentivo do FUNCULTURA – Fundo de Incentivo à Cultura do Estado de Pernambuco.
Onde: Espaço Experimental (Rua Tomazina ,199 – Recife Antigo)
Quando: 26 e 27 de agosto, 10* e 11*, 17 e 18 de setembro, 01* e 02* de outubro, às 19h (* As apresentações com audiodescrição acontecerão nos dias 10 e 11 de setembro e nos dias 01 e 02 de outubro)
Ingresso: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
Mais informações: (81)3224.1482

INFANTIL

VENTO FORTE PARA ÁGUA E SABÃO

Segunda montagem da Fiandeiro para o público mirim. Foto: Divulgação

Segunda montagem da Fiandeiro para o público mirim. Foto: Divulgação

Musical mostra a incrível amizade entre uma bolha de sabão chamada Bolonhesa e Arlindo, uma rajada de vento. Os riscos são grandes, mas as recompensas também. É a segunda montagem da Companhia Fiandeiros dedicada ao público infanto-juvenil. O texto é de Giordano Castro, do grupo Magiluth e de Amanda Torres.
Onde:: Teatro Barreto Júnior (Rua Estudante Jeremias Bastos, s/n, Pina).
Quando: De 20 de agosto a 25 de setembro, Sábados e domingos, às 16h30.
Ingresso: R$ 20 e R$ 10 (meia).
Informações: 3355-6398.

 6ª MOSTRA MARCO CAMAROTTI DE TEATRO PARA INFÂNCIA E JUVENTUDE

A Menina que Buscava o Sol. Foto: Pedro Portugal/ Divulgação

A Menina que Buscava o Sol. Foto: Pedro Portugal/ Divulgação

Divercircus, da Trupe Circus – Escola Pernambucana de Circo (31/08, às 15h); Luzia no Caminho das Águas, do Grupo Engenho de Teatro (03/09, às 15h); A Menina que Buscava o Sol, do Núcleo de Pequisa Cênica de Pernambuco (04/09, às 15h); É verdade, é mentira, com o Grupo de Licenciatura em Teatro da UFPE, (06/09, às 15h)  são as últimas atrações da mostra.
Onde: Teatro Marco Camarotti – Rua 13 de maio, 455, Santo Amaro.
Quando: 31 de agosto, 3,4 e 6 de setembro, às 15h,
Ingresso: R$ 20 e R$ 10 (meia). Informações: 3216-1728.

CÚMPLICES DE UM RESGATE

Novela infantil. Foto divulgação

Novela infantil. Foto divulgação

A novela para crianças e adolescentes Cúmplices de um resgate virou musical e está circulando pelo país com músicas do folhetim entremeada por cenas.
Quando: 11 de setembro, domingo, às 17h.
Ingresso: R$ 135 e R$ 65,50 (meia) para a plateia especial, R$ 113 e R$ 56,50 (meia) para a plateia normal e R$ 93 e R$ 43.50 (meia) para o balcão.
Informações: 3182-8020.

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Memória da teatro infantil no Recife

 

Pesquisador e jornalista Leidson lança livro sobre produção para crianças em Pernambuco. Foto: Roberto MoreiraDias

Pesquisador Leidson Ferraz lança livro sobre produção para crianças na cidade. Foto: Roberto Moreira Dias

O jornalista e pesquisador teatral Leidson Ferraz vem cavoucando a memória das artes cênicas pernambucana há mais de uma década. Nesta segunda-feira, (dia 29 de agosto de 2016), às 19h30, no Teatro Marco Camarotti, lança o livro Teatro Para Crianças no Recife – 60 Anos de História no Século XX (Volume 01). Nele, o estudioso faz um mapeamento histórico, abarrotado de fotos raras de peças, programas de espetáculos, personalidades ligadas ao universo cênico e anúncios publicitários.

A publicação também inclui trechos de críticas e artigos jornalísticos das produções para o público infantil no Recife. O registro aponta que a primeira montagem feita por e para crianças ocorreu em 1939, pelo Grêmio Cênico Espinheirense, que estreou em 5 de março daquele ano a temporada de Branca de Neve e os 7 Anões, no Teatro de Santa Isabel. O projeto foi idealizado pelo teatrólogo Valdemar de Oliveira.

A produção infanto-juvenil dos anos 1940, 1950, 1960 até final dos anos 1970, é visitada como um painel deste segmento tanto na produção amadora quanto profissional. O autor destaca os repertórios, festivais, artistas, técnicos e projetos dirigidos à infância e juventude no Recife. Mas não faltam as polêmicas.

Branca de Neve e os Sete Anões. Foto: Acervo projeto memorias da cena pernambucana

Branca de Neve e os Sete Anões. Foto: Acervo projeto Memórias da Cena Pernambucana

A edição tem 216 páginas e conta com design bem colorido de Claudio Lira e orelha assinada pelo dramaturgo e diretor Luiz Felipe Botelho. Foi numa montagem de Botelho, Memórias da Emília, de 1995, adaptada da obra de Monteiro Lobato, que Leidson ingressou no palco como ator profissional.

A impressão do livro é da Gráfica Santa Marta e a obra recebe o incentivo do Funcultura e a parceria cultural do SESC Pernambuco. A publicação custa R$ 25 e foi lançada originalmente em DVD em 2013. Parte dos exemplares já foi doado a bibliotecas como da UFPE, SESCs, Central do Estado e Arquivo Público Estadual, além de instituições de pesquisa e sedes de companhias teatrais.

O Volume 02 já está preparado, mas ainda falta incentivo para poder ser publicado.

Leidson Ferraz é organizador da coleção Memórias da Cena Pernambucana, em quatro volumes, e do livro Panorama do Teatro Para Crianças em Pernambuco (2000-2010), além da pesquisa Um Teatro Quase Esquecido – Painel das Décadas de 1930 e 1940 no Recife. Atualmente prepara o projeto de salvaguarda de programas teatrais, Teatro Tem Programa!, com mais de 750 deles já catalogados.

SERVIÇO
Lançamento do livro Teatro Para Crianças no Recife – 60 Anos de História no Século XX (Volume 01)
Quando: Nesta segunda-feira, dia 29 de agosto, às 19h30, dentro da VI Mostra Marco Camarotti de Teatro Para a Infância e Juventude
Onde: Teatro Marco Camarotti (Rua 13 de Maio, 455, Santo Amaro. Fone: 3216 1728),
Quanto: R$ 25, o exemplar

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