{"id":952,"date":"2011-02-19T16:17:37","date_gmt":"2011-02-19T19:17:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=952"},"modified":"2011-02-19T23:36:59","modified_gmt":"2011-02-20T02:36:59","slug":"estagio-no-club-noir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/estagio-no-club-noir\/","title":{"rendered":"Est\u00e1gio no Club Noir"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_953\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/Fio-Invisivel-Fotos-Val-Lima-.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-953\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/Fio-Invisivel-Fotos-Val-Lima-.jpg\" alt=\"\" title=\"Fio Invisivel da minha cabe\u00e7a. Foto: Val Lima\" width=\"600\" height=\"401\" class=\"size-full wp-image-953\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/Fio-Invisivel-Fotos-Val-Lima-.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/Fio-Invisivel-Fotos-Val-Lima--300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-953\" class=\"wp-caption-text\">Henrique Ponzi em Fio invis\u00edvel da minha cabe\u00e7a. Foto: Val Lima<\/p><\/div>\n<p>Henrique Ponzi \u00e9 daqueles atores que se engrandece no palco. Franzino e aparentemente t\u00edmido, ele se potencializa quando interpreta seus personagens. O olho acurado da atriz e diretora Juliana Galdino, do Club Noir, de S\u00e3o Paulo, n\u00e3o deixou isso passar despercebido. E durante um exerc\u00edcio de uma oficina coordenada por ela, em novembro, durante o Festival Recife do Teatro Nacional, Ponzi foi convidado para passar uma temporada de treinamento no grupo que ela mant\u00e9m com o marido, o dramaturgo e diretor Roberto Alvim. <\/p>\n<p>Al\u00e9m da oficina, Juliana Galdino apresentou no festival o espet\u00e1culo <em>Comunica\u00e7\u00e3o a uma Academia<\/em>, com texto de Franz Kafka e dire\u00e7\u00e3o de Roberto Alvim. Uma intepreta\u00e7\u00e3o estupenda. Ela desempenhava o papel de um macaco que se foi transformando em gente e exp\u00f5e seu relato vigiado por um guarda armado (Jos\u00e9 Geraldo Jr.). O discurso sobre o processo de sua muta\u00e7\u00e3o de macaco ca\u00e7ado, maltratado e subjugado a homem \u00e9 duro e nos joga na cara o quanto de \u201chumano\u201d existe em nosso comportamento. Qualquer semelhan\u00e7a com a\u00e7\u00f5es de colonialismo e acultura\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mera coincid\u00eancia. Ela apresentou o espet\u00e1culo no Teatro Barreto J\u00fanior, com um palco praticamente vazio, numa encena\u00e7\u00e3o minimalista, com os atores quase imobilizados, com movimentos m\u00ednimos, \u00e0s vezes quase impercept\u00edveis; num ambiente frio, escuro, claustrof\u00f3bico. Na parede, uma grande cabe\u00e7a de cervo. E um dom\u00ednio da fala, que brincava com nossas sensibilidades e limita\u00e7\u00f5es. Uma cena forte, cortante, que n\u00e3o aceita concess\u00f5es. <\/p>\n<p>Mas voltemos a Ponzi. Essa ida dele para est\u00e1gio no Club Noir me fez recordar a atua\u00e7\u00e3o de Juliana no Recife. <\/p>\n<p>Neste s\u00e1bado, \u00e0s 20h, e domingo, \u00e0s 19h, Henrique Ponzi apresenta o mon\u00f3logo <em>Fio invis\u00edvel da minha cabe\u00e7a<\/em>, baseada num conto de Caio Fernando Abreu. \u00c9 a sua despedida e uma forma de levantar uma verba e ajudar a custear sua temporada em S\u00e3o Paulo, que deve durar no m\u00ednimo seis meses. <\/p>\n<p>Ponzi estudou Letras e cursos livres de teatro. Mas acredita que \u00e9 preciso investir sempre na forma\u00e7\u00e3o. Em 2004, ele fundou a Cia. do Ator Nu, com ator e produtor Edjalma Freitas. Com a companhia montou <em>Fio invis\u00edvel da minha cabe\u00e7a<\/em> e <em>Encruzilhada Hamlet<\/em>, com texto e dire\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Denys.<\/p>\n<p>O texto do espet\u00e1culo <em>Fio invis\u00edvel da minha cabe\u00e7a<\/em> foi elaborado pela Companhia do Ator Nu a partir do conto <em>Al\u00e9m do ponto<\/em>, do livro <em>Morangos Mofados<\/em> de Caio Fernando Abreu. Trecho a seguir: <\/p>\n<p>&#8220;Chovia, chovia, chovia e eu ia indo por dentro da chuva ao encontro dele, sem guarda-chuva nem nada, eu sempre perdia todos pelos bares, s\u00f3 levava uma garrafa de conhaque barato apertada contra o peito, parece falso dito desse jeito, mas bem assim eu ia pelo meio da chuva, uma garrafa de conhaque na m\u00e3o e um ma\u00e7o de cigarros molhados no bolso. Teve uma hora que eu podia ter tomado um t\u00e1xi, mas n\u00e3o era muito longe, e se eu tomasse um t\u00e1xi n\u00e3o poderia comprar cigarros nem conhaque, e eu pensei com for\u00e7a ent\u00e3o que seria melhor chegar molhado da chuva, porque a\u00ed beber\u00edamos o conhaque, fazia frio, nem tanto frio, mais umidade entrando pelo pano das roupas, pela sola fina esburacada dos sapatos, e fumar\u00edamos beber\u00edamos sem medidas, haveria m\u00fasica, sempre aquelas vozes roucas, aquele sax gemido e o olho dele posto em cima de mim, ducha morna distendendo meus m\u00fasculos. <\/p>\n<p>Mas chovia ainda, meus olhos ardiam de frio, o nariz come\u00e7ava a escorrer, eu limpava com as costas das m\u00e3os e o l\u00edquido do nariz endurecia logo sobre os pelos, eu enfiava as m\u00e3os avermelhadas no fundo dos bolsos e ia indo, eu ia indo e pulando as po\u00e7as d&#8217;\u00e1gua com as pernas geladas. T\u00e3o geladas as pernas e os bra\u00e7os e a cara que pensei em abrir a garrafa para beber um gole, mas n\u00e3o queria chegar na casa dele meio b\u00eabado, h\u00e1lito fedendo, n\u00e3o queria que ele pensasse que eu andava bebendo, e eu andava, todo dia um bom pretexto, e fui pensando tamb\u00e9m que ele ia pensar que eu andava sem dinheiro, chegando a p\u00e9 naquela chuva toda, e eu andava, est\u00f4mago dolorido de fome, e eu n\u00e3o queria que ele pensasse que eu andava insone, e eu andava, roxas olheiras, teria que ter cuidado com o l\u00e1bio inferior ao sorrir, se sorrisse, e quase certamente sim, quando o encontrasse, para que n\u00e3o visse o dente quebrado e pensasse que eu andava relaxando, sem ir ao dentista, e eu andava, e tudo que eu andava fazendo e sendo eu n\u00e3o queria que ele visse nem soubesse, mas depois de pensar isso me deu um desgosto porque fui percebendo percebendo, por dentro da chuva, que talvez eu n\u00e3o quisesse que ele soubesse que eu era eu, e eu era.<br \/>\n&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Adaptada e dirigida por Breno Fittipaldi, a pe\u00e7a mostra o desassossego de um homem que procura preencher o vazio interior. E ser\u00e1 que isso \u00e9 poss\u00edvel? O personagem sai numa louca jornada em busca de um amante que nunca \u00e9 encontrado. Ele se des-espera por seu amor &#8211; inventado? Numa atmosfera noturna, urbana, cheia de refer\u00eancias ao universo de Caio Fernando Abreu.<\/p>\n<p>O p\u00fablico tamb\u00e9m precisa de prepara\u00e7\u00e3o. No hall do teatro. M\u00fasica para entrar no clima com repert\u00f3rio de cantoras muito queridas pelo autor do conto, entre elas, Maria Beth\u00e2nia e Angela R\u00f4 R\u00f4. O jornalista  Tiago Soares, na fun\u00e7\u00e3o de DJ, faz a sele\u00e7\u00e3o dos LPs.  E ser\u00e1 servida uma dose de conhaque aos espectadores.<\/p>\n<p><em>Fio invis\u00edvel da minha cabe\u00e7a<\/em> estreou em 2008, no Recife. Participou de alguns festivais como o de Curitiba, no Paran\u00e1; o POA em Cena, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, o de Salvador, de Tuparetama, de Igarassu e de Petrolina.<\/p>\n<p>As Yolandas v\u00e3o conferir a despedida de Ponzi e desejar muita sorte para o ator na Paulic\u00e9ia. <\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p><em>Fio invis\u00edvel da minha cabe\u00e7a<\/em><br \/>\n<strong>Onde<\/strong>: Teatro Apolo (Rua do Apolo, Bairro do Recife)<br \/>\n<strong>Quando<\/strong>: Hoje, \u00e0s 20h. Amanh\u00e3, \u00e0s 19h<br \/>\n<strong>Quanto<\/strong>: R$ 20, R$ 10 (meia-entrada) ou R$ 15 (para colaborar com o interc\u00e2mbio)<br \/>\n<strong>Informa\u00e7\u00f5es<\/strong>: 3355-3321\/ 3355-3318<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Henrique Ponzi \u00e9 daqueles atores que se engrandece no palco. Franzino e aparentemente t\u00edmido, ele se potencializa quando interpreta seus personagens. 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