{"id":9455,"date":"2013-04-02T20:41:47","date_gmt":"2013-04-02T23:41:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=9455"},"modified":"2013-04-03T01:17:25","modified_gmt":"2013-04-03T04:17:25","slug":"nanini-faz-manual-combinatorio-de-probabilidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/nanini-faz-manual-combinatorio-de-probabilidades\/","title":{"rendered":"Nanini faz manual combinat\u00f3rio de probabilidades"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_9457\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-9457\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/nanin1i-Fotos-Lina_Sumizono.jpg\" alt=\"Marco Nanini em A arte e a maneira de abordar seu chefe para pedir um aumento. Foto: Lina Sumizono\" width=\"600\" height=\"400\" class=\"size-full wp-image-9457\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/nanin1i-Fotos-Lina_Sumizono.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/nanin1i-Fotos-Lina_Sumizono-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><p id=\"caption-attachment-9457\" class=\"wp-caption-text\">Marco Nanini em A arte e a maneira de abordar seu chefe para pedir um aumento. Foto: Lina Sumizono<\/p><\/div>\n<p>Os empregados que t\u00eam chefes aos quais precisam pedir um aumento, esses seres que j\u00e1 incorporaram o discurso nojento da empresa, s\u00e3o rid\u00edculos. E ris\u00edveis. J\u00e1 os que ostentam o poder de dizer sim ou n\u00e3o s\u00e3o tacanhos pensando que s\u00e3o superiores. E isso \u00e9 mat\u00e9ria de um mon\u00f3logo c\u00f4mico, mesmo que a situa\u00e7\u00e3o do protagonista seja desventurada.   <\/p>\n<p>O espet\u00e1culo <em>A arte e a maneira de abordar seu chefe para pedir um aumento<\/em> \u00e9 defendido por Marco Nanini. Seu personagem aparece para dar uma palestra que versa sobre o t\u00edtulo da pe\u00e7a e exp\u00f5e o problema de um funcion\u00e1rio mediano de uma grande corpora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que existe de divertido na tentativa de um infeliz homem de pedir um acr\u00e9scimo no seu contracheque a seu chefe imediato? Depois de mais de 30 anos de servi\u00e7os prestados, o coitado praticamente n\u00e3o saiu do lugar. Nunca recebeu uma promo\u00e7\u00e3o. Mas a aposentadoria, ou o fim, se aproxima e ele cria coragem de falar com o chefe de se\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>A partir da\u00ed, come\u00e7a um jogo de palavras, esquema matem\u00e1tico em que o personagem exp\u00f5e um manual combinat\u00f3rio de probabilidades. O organograma intricado e pontuado de ironia mostra as chances de sucesso e fracasso na ingrata incumb\u00eancia.<\/p>\n<p>O p\u00fablico ri, ent\u00e3o h\u00e1 comicidade. A plateia antev\u00ea que o infeliz n\u00e3o tem a menor chance de levar a melhor, ele se transforma num divertido personagem. E Nanini passa de narrador a empregado subalterno e chefe de se\u00e7\u00e3o com humor. <\/p>\n<p>A comicidade \u00e9 alcan\u00e7ada pelas aspira\u00e7\u00f5es frustradas. Ou porque o chefe est\u00e1 doente e morre. Ou porque ele \u00e9 diminu\u00eddo pelo superior e diz que ele deveria sentir orgulho de fazer parte daquele conglomerado, como uma min\u00fascula mol\u00e9cula. Ou porque o chefe mais convincente o induz de que um simples aumento de sal\u00e1rio iria mexer com a economia internacional. E garante que na pr\u00f3xima reuni\u00e3o dos executivos, vai sugerir uma medalha por servi\u00e7os prestados.   <\/p>\n<p>Quem traduziu o texto de Georges Perec (1936-1982) para o grupo foi Jos\u00e9 Almino. No Brasil, a obra j\u00e1 tinha sido publicada com tradu\u00e7\u00e3o de Bernardo Carvalho, pela Companhia das Letras, em 2010.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 uma narrativa cl\u00e1ssica. As falas s\u00e3o repetidas, com pequenas varia\u00e7\u00f5es. As ambi\u00e7\u00f5es do protagonista s\u00e3o ridicularizadas de modos diferentes. O rid\u00edculo da situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 uma cr\u00edtica \u00e0s corpora\u00e7\u00f5es, com ironias. Mas s\u00e3o farpas muito discretas, que n\u00e3o desafiam a intelig\u00eancia do espectador.<\/p>\n<p>Nanini sozinho no palco \u00e9 o que se espera dele, um ator de pleno dom\u00ednio t\u00e9cnico, com um timing invej\u00e1vel e com inflex\u00f5es vocais e gestos para garantir a divers\u00e3o. Ele conta com recursos visuais (criados por Batman Zavareze), que s\u00e3o proje\u00e7\u00f5es do organograma para apresentar os pr\u00f3s e os contras da empreitada, que chegam \u00e0s palavras sim e n\u00e3o. <\/p>\n<p>O cen\u00e1rio \u00e9 formado por totens com tonalidade cinza, e segundo a cen\u00f3grafa Bia Junqueira foi inspirado no design modernista dos filmes de Jacques Tati. A \u00e1gil dire\u00e7\u00e3o \u00e9 Guel Arraes.<\/p>\n<p>E, como diz o personagem, &#8230;&#8221;para simplificar pois sempre \u00e9 bom simplificar&#8221;, o grande Nanini pode qualquer coisa em cima do palco. Inclusive o seu stand-up.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os empregados que t\u00eam chefes aos quais precisam pedir um aumento, esses seres que j\u00e1 incorporaram o discurso nojento da empresa, s\u00e3o rid\u00edculos. E ris\u00edveis. J\u00e1 os que ostentam o poder de dizer sim ou n\u00e3o s\u00e3o tacanhos pensando que s\u00e3o superiores. 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