{"id":8548,"date":"2013-01-19T13:47:26","date_gmt":"2013-01-19T16:47:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=8548"},"modified":"2015-10-28T02:56:32","modified_gmt":"2015-10-28T05:56:32","slug":"nao-conseguimos-conceber-teatro-que-nao-tenha-relacao-direta-com-o-pensamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/nao-conseguimos-conceber-teatro-que-nao-tenha-relacao-direta-com-o-pensamento\/","title":{"rendered":"&#8220;N\u00e3o conseguimos conceber teatro que n\u00e3o tenha rela\u00e7\u00e3o direta com o pensamento&#8221;"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_8555\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/2013\/01\/19\/nao-conseguimos-conceber-teatro-que-nao-tenha-relacao-direta-com-o-pensamento\/hamlet-ensaio-foto-pablo-pinheiro-blog\/\" rel=\"attachment wp-att-8555\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8555\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/hamlet-ensaio-foto-pablo-pinheiro.blog_.jpg\" alt=\"Clowns de Shakespeare estreia Hamlet. Foto de ensaio feita por Pablo Pinheiro\" width=\"600\" height=\"354\" class=\"size-full wp-image-8555\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/hamlet-ensaio-foto-pablo-pinheiro.blog_.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/hamlet-ensaio-foto-pablo-pinheiro.blog_-300x177.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8555\" class=\"wp-caption-text\">Clowns de Shakespeare estreia Hamlet. Foto de ensaio feita por Pablo Pinheiro<\/p><\/div>\n<p>O grupo potiguar Clowns de Shakespeare estreia hoje, dentro do Janeiro de Grandes Espet\u00e1culos, o espet\u00e1culo <em> Hamlet<\/em>, com dire\u00e7\u00e3o de um dos encenadores mais importantes do pa\u00eds, Marcio Aur\u00e9lio. A companhia come\u00e7a a comemorar aqui no festival os 20 anos de atua\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de <em>Hamlet<\/em> (que ser\u00e1 encenada hoje e amanh\u00e3, \u00e0s 21h, no Santa Isabel), apresentam <em>O capit\u00e3o e a sereia<\/em> (pe\u00e7a in\u00e9dita no Recife), nos dias 22 e 23, \u00e0s 19h, no Marco Camarotti (Sesc Santo Amaro); e <em>Sua Incelen\u00e7a, Ricardo III<\/em>, em \u00fanica sess\u00e3o, no dia 26, \u00e0s 18h, no P\u00e1tio do Mosteiro de S\u00e3o Bento, em Olinda. O Clowns tamb\u00e9m lan\u00e7a o projeto Cartografia do Teatro de Grupo do Nordeste com uma mesa redonda na segunda-feira (21), \u00e0s 17h, no Centro Cultural Correios, e faz uma oficina de 22 a 25, das 9h \u00e0s 12h30, tamb\u00e9m nos Correios, intitulada Clowns de Shakespeare &#8211; Pr\u00e1tica e pensamento.<\/p>\n<p>Conversei com Fernando Yamamoto, que geralmente dirige as montagens do grupo, sobre o processo de cria\u00e7\u00e3o da companhia, a aproxima\u00e7\u00e3o com Marcio Aurelio, o trabalho de grupo, a import\u00e2ncia de <em>Sua Incelen\u00e7a, Ricardo III<\/em>. Foi uma das entrevistas que fiz, em dezembro, para a constru\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria sobre os 20 anos do grupo, que saiu na edi\u00e7\u00e3o de Janeiro da Revista Continente. <\/p>\n<div id=\"attachment_8572\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/2013\/01\/19\/nao-conseguimos-conceber-teatro-que-nao-tenha-relacao-direta-com-o-pensamento\/grupo-de-teatro-clowns-de-shakespeare\/\" rel=\"attachment wp-att-8572\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8572\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/fernando-yamamoto-foto.jpg\" alt=\"Dire\u00e7\u00e3o dos espet\u00e1culos do Clowns geralmente \u00e9 de Fernando Yamamoto\" width=\"600\" height=\"418\" class=\"size-full wp-image-8572\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/fernando-yamamoto-foto.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/fernando-yamamoto-foto-300x209.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8572\" class=\"wp-caption-text\">Dire\u00e7\u00e3o dos espet\u00e1culos do Clowns geralmente \u00e9 de Fernando Yamamoto<\/p><\/div>\n<p><strong>ENTREVISTA \/\/ FERNANDO YAMAMOTO<\/strong> <\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas est\u00e3o num movimento de reaproxima\u00e7\u00e3o com Shakespeare? Logo depois de <em>Ricardo III<\/em>, porque a decis\u00e3o de montar <em>Hamlet<\/em>? Como est\u00e1 sendo esse processo de cria\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que <em>Sua Incelen\u00e7a<\/em> parece ter \u201cabsorvido\u201d tanto voc\u00eas? Como esquecer um pouco aquelas refer\u00eancias pra trabalhar com outra obra de Shakespeare? Ou quais refer\u00eancias continuam as mesmas?<\/strong><br \/>\nDesde <em>Muito Barulho por Quase Nada<\/em>, em 2003, n\u00e3o mont\u00e1vamos um Shakespeare. Partimos para um Brecht &#8211; <em>O Casamento do Pequeno Burgu\u00eas<\/em> (2006) e tr\u00eas espet\u00e1culos com dramaturgia pr\u00f3pria: <em>Roda Chico<\/em> (2005), <em>F\u00e1bulas<\/em> (2006) e <em>O Capit\u00e3o e a Sereia<\/em> (2009). No entanto, desde 2007 j\u00e1 sent\u00edamos uma necessidade de n\u00e3o s\u00f3 retornar a Shakespeare, como partir para uma obra n\u00e3o c\u00f4mica. \u00c9 quando nos aproximamos do te\u00f3rico polon\u00eas Jan Kott e, principalmente, do Gabriel Villela e do Marcio Aurelio, durante uma resid\u00eancia que fizemos no TUSP, em S\u00e3o Paulo. Como costumamos trabalhar o planejamento do grupo com dois, tr\u00eas anos de anteced\u00eancia, j\u00e1 iniciamos o flerte com os dois para montar essas obras. No caso de <em>Hamlet<\/em>, em especial, \u00e9 uma pe\u00e7a que o Marcio \u00e9 um grande especialista, j\u00e1 montou e pesquisou muito em cima dela, e surge para n\u00f3s num momento em que todos estamos passando, ou perto de passar, pela &#8220;crise da meia idade&#8221;, que \u00e9 uma das quest\u00f5es que o Shakespeare aborda. A troca com o Marcio e sua assistente, Ligia Pereira, tem sido de grande aprendizado para n\u00f3s, principalmente porque eles trabalham com uma linguagem muito diferente do Gabriel Villela, que \u00e9 mais pr\u00f3xima ao que o grupo j\u00e1 tinha.<\/p>\n<div id=\"attachment_8557\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/2013\/01\/19\/nao-conseguimos-conceber-teatro-que-nao-tenha-relacao-direta-com-o-pensamento\/hamlet-ensaio-diretor-marcio-aurelio-foto-pablo-pinheiro\/\" rel=\"attachment wp-att-8557\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8557\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/hamlet-ensaio-diretor-marcio-aurelio-foto-pablo-pinheiro.jpg\" alt=\"Marcio Aurelio, da Cia Raz\u00f5es Inversas, assina dire\u00e7\u00e3o de Hamlet. Foto: Pablo Pinheiro\" width=\"600\" height=\"419\" class=\"size-full wp-image-8557\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/hamlet-ensaio-diretor-marcio-aurelio-foto-pablo-pinheiro.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/hamlet-ensaio-diretor-marcio-aurelio-foto-pablo-pinheiro-300x209.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8557\" class=\"wp-caption-text\">Marcio Aurelio, da Cia Raz\u00f5es Inversas, assina dire\u00e7\u00e3o de Hamlet. Foto: Pablo Pinheiro<\/p><\/div>\n<p><strong>Qual a contribui\u00e7\u00e3o de Marcio Aurelio neste espet\u00e1culo?<\/strong><br \/>\nComo citei antes, a aproxima\u00e7\u00e3o com o Marcio vem desde 2007, na resid\u00eancia no TUSP, quando tivemos cinco encontros de investiga\u00e7\u00e3o em cima justamente de <em>Hamlet<\/em>. Al\u00e9m de todo o encanto por tanto conhecimento e generosidade, pudemos assistir a dois trabalhos da companhia dele, a Raz\u00f5es Inversas, que nos instigaram ainda mais a poder passar por um processo de montagem com ele, que foram o <em>Anatomia Frozen<\/em> e <em>Agreste<\/em>. Ele est\u00e1 passando quatro meses em Natal, num processo de de verdadeira troca, j\u00e1 que tem trazido sua bagagem e procedimentos, mas com muita escuta e observa\u00e7\u00e3o sobre a forma como n\u00f3s trabalhamos, nossa linguagem, para que possamos construir de fato um espet\u00e1culo que marque o encontro entre ele e n\u00f3s. <\/p>\n<p><strong>Como essa encena\u00e7\u00e3o se estabelece? H\u00e1, por exemplo, papeis definidos para cada ator ou h\u00e1 uma troca? <\/strong><br \/>\nFizemos uma grande interven\u00e7\u00e3o dramat\u00fargica, numa linguagem contempor\u00e2nea que n\u00e3o se preocupa em contar linearmente a f\u00e1bula, mas sim buscar o recorte que nos interesse para apresentar a obra no m\u00e1ximo da sua pot\u00eancia. Assim, dos oito atores que est\u00e3o em cena, apenas o C\u00e9sar (Ferrario) e o Marco (Fran\u00e7a) se dividem em dois pap\u00e9is, os demais t\u00eam apenas um: Camille Carvalho (Rosencrantz), C\u00e9sar Ferrario (Pol\u00f4nio e Laertes), Dudu Galv\u00e3o (Hor\u00e1cio), Joel Monteiro (Hamlet), Marco Fran\u00e7a (Rei Claudius e Fantasma), Paula Queiroz (Guildenstern), Renata Kaiser (Rainha Gertrudes) e Titina Medeiros (Of\u00e9lia).<\/p>\n<p><strong>O trabalho com diretores convidados \u00e9 uma constante? De que forma isso enriquece o trabalho e, ao mesmo tempo, como \u00e9 poss\u00edvel manter a linguagem pr\u00f3pria ao grupo? No momento do impasse, qual opini\u00e3o prevalece? A do diretor ou dos atores?<\/strong><br \/>\nO <em>Hamlet<\/em> \u00e9 o segundo trabalho com diretor convidado. Antes dele, apenas o <em>Ricardo III <\/em>teve essa caracter\u00edstica. O <em>Muito Barulho por Quase Nada<\/em> e <em>O Casamento do Pequeno Burgu\u00eas<\/em> tiveram o Eduardo Moreira, do Galp\u00e3o, como diretor convidado, mas nos dois casos ele dividiu a dire\u00e7\u00e3o comigo, ent\u00e3o n\u00e3o se tratava de uma dire\u00e7\u00e3o externa. Os demais espet\u00e1culos tiveram a minha dire\u00e7\u00e3o. Essa premissa de trabalhar com profissionais convidados, n\u00e3o s\u00f3 na dire\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m na dire\u00e7\u00e3o musical, figurino, cen\u00e1rio, etc., \u00e9 uma busca por uma oxigena\u00e7\u00e3o na nossa pr\u00e1tica, para n\u00e3o corrermos o risco de ficarmos sempre circulando nos pr\u00f3prios v\u00edcios. Durante os processos, os diretores t\u00eam total autonomia &#8211; inclusive no meu caso. No entanto, nestas duas experi\u00eancias (e com o Eduardo Moreira tamb\u00e9m) sempre tivemos uma rela\u00e7\u00e3o muito dial\u00f3gica. Mas a ideia \u00e9 sempre aproveitar esses diretores convidados para conhecer melhor suas formas de trabalho.<\/p>\n<div id=\"attachment_8560\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/2013\/01\/19\/nao-conseguimos-conceber-teatro-que-nao-tenha-relacao-direta-com-o-pensamento\/palco-2\/\" rel=\"attachment wp-att-8560\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8560\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/sua-incelenca-ricardo-iii-com-os-clowns-de-shakespeare-foto-de-pablo-pinheiro.jpg\" alt=\"Sua Incelen\u00e7a, Ricardo III trouxe proje\u00e7\u00e3o internacional ao grupo. Foto: Pablo Pinheiro\" width=\"600\" height=\"400\" class=\"size-full wp-image-8560\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/sua-incelenca-ricardo-iii-com-os-clowns-de-shakespeare-foto-de-pablo-pinheiro.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/sua-incelenca-ricardo-iii-com-os-clowns-de-shakespeare-foto-de-pablo-pinheiro-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8560\" class=\"wp-caption-text\">Sua Incelen\u00e7a, Ricardo III trouxe proje\u00e7\u00e3o internacional ao grupo. Foto: Pablo Pinheiro<\/p><\/div>\n<p><strong>O que significou <em>Sua Incelen\u00e7a <\/em>na trajet\u00f3ria de voc\u00eas? \u00c9 o mesmo movimento que aconteceu, por exemplo, com <em>Muito barulho por quase nada <\/em>ou n\u00e3o? Quais foram os momentos mais marcantes de <em>Sua Incelen\u00e7a<\/em>? Desde a montagem at\u00e9 agora, na recep\u00e7\u00e3o do p\u00fablico?<\/strong><br \/>\nSem d\u00favida o <em>Ricardo III<\/em> proporcionou ao grupo um grande crescimento em diversos aspectos, principalmente de proje\u00e7\u00e3o do nome dos Clowns pelo pa\u00eds, e o in\u00edcio do processo de internacionaliza\u00e7\u00e3o. Acho que o momento em que o espet\u00e1culo surgiu foi muito oportuno, j\u00e1 que j\u00e1 t\u00ednhamos um certo nome e respeito pelo pa\u00eds, mas que foi muito incrementado pelo encontro com o Gabriel Villela e todo o peso do seu nome. \u00c9 dif\u00edcil fazer uma compara\u00e7\u00e3o com o <em>Muito Barulho<\/em>, j\u00e1 que sem d\u00favida foram marcos na nossa hist\u00f3ria, mas que de certa forma o <em>F\u00e1bulas<\/em> tamb\u00e9m foi, assim como <em>O Capit\u00e3o e a Sereia<\/em>. S\u00e3o muitos momentos marcantes nessas quase 100 apresenta\u00e7\u00f5es que o espet\u00e1culo j\u00e1 cumpriu. A estreia em Curitiba foi um deles, sem d\u00favida. A resid\u00eancia que fizemos no Complexo do Alem\u00e3o, pouco tempo depois dos conflitos que l\u00e1 aconteceram, foi outro. No Festival de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto, fizemos a abertura para uma arena com 7.000 pessoas! Alguns dias depois, apresentamos na \u00e1rea rural da cidade, para cerca de 100 pessoas, ao lado de um pasto de boi, numa das melhores apresenta\u00e7\u00f5es do trabalho at\u00e9 agora. Al\u00e9m disso, as duas viagens internacionais, no Chile e na Espanha, tamb\u00e9m foram marcantes. No Chile destacaria a apresenta\u00e7\u00e3o que fizemos na frente do La Moneda, pal\u00e1cio do governo, onde Salvador Allende sofreu o golpe militar e foi assassinado. Para n\u00f3s, contarmos a f\u00e1bula desse vil\u00e3o sanguin\u00e1rio e cruel nesse cen\u00e1rio t\u00e3o impregnado pela hist\u00f3ria foi muito emocionante.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 que esse grupo se reuniu l\u00e1 atr\u00e1s, h\u00e1 20 anos? Houve muitas mudan\u00e7as na composi\u00e7\u00e3o do grupo? E uma pergunta clich\u00ea, mas que \u00e9 bastante dif\u00edcil. Como manter um grupo art\u00edstico, um grupo teatral, por tanto tempo?<\/strong><br \/>\nDa forma\u00e7\u00e3o inicial, ainda restam tr\u00eas fundadores, eu, a Renata Kaiser e o C\u00e9sar Ferrario. A forma como conseguimos construir e manter o grupo \u00e9 muito dif\u00edcil de definir. Sem d\u00favida um dos mais importantes fatores para isso foi conseguirmos estabelecer um equil\u00edbrio entre os desejos pessoais e as demandas do coletivo. Ningu\u00e9m trabalha nos Clowns com o objetivo de proje\u00e7\u00e3o individual, o grupo sempre est\u00e1 \u00e0 frente. No entanto, \u00e9 fundamental que as inquieta\u00e7\u00f5es de cada integrante tenha espa\u00e7o dentro do grupo. Investimos muito no grupo, dedicamos muito para construir esse projeto art\u00edstico que \u00e9 o projeto de vida de todos n\u00f3s. No entanto, quando analiso friamente de onde sa\u00edmos e onde estamos, vejo que \u00e9 uma hist\u00f3ria absolutamente improv\u00e1vel, construir um grupo t\u00e3o s\u00f3lido e com uma qualidade art\u00edstica internacional numa cidade t\u00e3o \u00e1rida culturalmente como Natal.<\/p>\n<p><strong>Como se d\u00e1 o processo de gest\u00e3o do grupo? O apoio da Petrobras, por exemplo? O que significou esse apoio na trajet\u00f3ria de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nPor mais que o patroc\u00ednio da Petrobras, que est\u00e1 pr\u00f3ximo de terminar, n\u00e3o contemple nem metade dos gastos que o grupo tem, ele significou uma mudan\u00e7a radical na estrutura dos Clowns. A possibilidade de termos um montante fixo mensalmente, que cubra alguns gastos como aluguel da sede, sal\u00e1rio de um secret\u00e1rio, uma parte do sal\u00e1rio dos demais integrantes, etc, possibilita uma maior tranquilidade para que possamos de fato investir no aprimoramento art\u00edstico, sem precisar abrir concess\u00f5es. O processo de gest\u00e3o do grupo \u00e9 algo em constante reavalia\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o. Nesse aspecto, temos uma premissa de tentar sempre buscar o equil\u00edbrio entre o pensamento e a pr\u00e1tica, que as quest\u00f5es administrativas sempre levem em considera\u00e7\u00e3o os princ\u00edpios \u00e9ticos e art\u00edsticos que o grupo traz na cena.<\/p>\n<div id=\"attachment_8578\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/2013\/01\/19\/nao-conseguimos-conceber-teatro-que-nao-tenha-relacao-direta-com-o-pensamento\/fabulas2\/\" rel=\"attachment wp-att-8578\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8578\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/fabulas2.jpg\" alt=\"F\u00e1bulas (2006)\" width=\"600\" height=\"400\" class=\"size-full wp-image-8578\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/fabulas2.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/fabulas2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8578\" class=\"wp-caption-text\">F\u00e1bulas (2006)<\/p><\/div>\n<p><strong>Como era o cen\u00e1rio teatral em Natal h\u00e1 quase 20 anos, quando voc\u00eas surgiram? E no Brasil?  O teatro de grupo j\u00e1 tinha essa for\u00e7a?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s somos meio isolados na nossa gera\u00e7\u00e3o em Natal. At\u00e9 existem outros artistas da nossa gera\u00e7\u00e3o, mas grupos n\u00e3o. Naquele momento, Natal tinha dois grupos muito tradicionais, o Estandarte e o Alegria Alegria, e um grupo que era uma refer\u00eancia para n\u00f3s, o Tambor, capitaneado por Jo\u00e3o Marcelino. Apesar de formado por artistas mais velhos do que n\u00f3s, o Tambor era mais ou menos contempor\u00e2neo, no entanto n\u00e3o resistiu muito tempo. Houve um hiato nessa hist\u00f3ria, e depois de muitos anos come\u00e7a a surgir uma outra gera\u00e7\u00e3o de grupos na cidade, como o Atores \u00e0 Deriva, Facetas, Mutretas e Outras Hist\u00f3rias, Bolol\u00f4, Arkh\u00e9typos, dentre outros, alguns deles inspirados na nossa experi\u00eancia. Nacionalmente, era um momento de retomada do teatro de grupo. Come\u00e7amos a fazer teatro no per\u00edodo em que os famosos encontros de teatro de grupo de Ribeir\u00e3o Preto aconteceram.<\/p>\n<p><strong>Aqui voc\u00eas v\u00e3o lan\u00e7ar tamb\u00e9m o projeto Cartografia do Teatro de Grupo do Nordeste. Qual a import\u00e2ncia desse levantamento? D\u00e1 para apontar, por exemplo, caracter\u00edsticas comuns ao teatro feito no Nordeste?<\/strong><br \/>\nO projeto surge justamente com essa inquieta\u00e7\u00e3o. Circulamos muito pelo Nordeste e em cada estado encontramos parceiros que vivem realidades muito parecidas com as nossas, sejam de conjuntura pol\u00edtica, gest\u00e3o ou inquieta\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas. Esse mapeamento revela facetas opostas nesse sentido: por um lado, existem recorr\u00eancias claras, como a depend\u00eancia aos mecanismos de financiamento federais, ou quase inexist\u00eancia de grupos que conseguem garantir a manuten\u00e7\u00e3o de todos os seus integrantes; de outro, ao conhecer mais de perto cada experi\u00eancia, fica a evid\u00eancia que cada experi\u00eancia \u00e9 muito diversa da outra, e essa diversidade \u00e9 muito saud\u00e1vel justamente para que um grupo possa alimentar-se das solu\u00e7\u00f5es encontradas pelo outro. <\/p>\n<div id=\"attachment_8569\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/2013\/01\/19\/nao-conseguimos-conceber-teatro-que-nao-tenha-relacao-direta-com-o-pensamento\/muitobarulhoporquasenada\/\" rel=\"attachment wp-att-8569\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8569\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/muitobarulhoporquasenada.jpg\" alt=\"Muito barulho por quase nada, espet\u00e1culo de 2003\" width=\"600\" height=\"389\" class=\"size-full wp-image-8569\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/muitobarulhoporquasenada.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/muitobarulhoporquasenada-300x194.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8569\" class=\"wp-caption-text\">Muito barulho por quase nada, espet\u00e1culo de 2003<\/p><\/div>\n<p><strong>Queria falar um pouquinho sobre os espet\u00e1culos dos Clowns. Para voc\u00ea, Fernando, quais os mais marcantes?<\/strong><br \/>\nCada espet\u00e1culo teve sua import\u00e2ncia e seu momento. Alguns deles foram divisores de \u00e1gua. <em>A Megera DoNada<\/em> (1998), marcou a transi\u00e7\u00e3o da primeira fase do grupo, de total amadorismo, dentro da escola, para a nossa legitima\u00e7\u00e3o na classe teatral potiguar. O outro salto foi <em>Muito Barulho por Quase Nada<\/em>, que apresentou o grupo pro resto do pa\u00eds, fez com que circul\u00e1ssemos pelas cinco regi\u00f5es, conhec\u00eassemos muitos outros grupos, pensadores, cr\u00edticos e outros profissionais. O <em>F\u00e1bulas<\/em> proporcionou importantes pr\u00eamios. <em>O Capit\u00e3o e a Sereia <\/em>\u00e9 provavelmente o trabalho mais especial para os integrantes do grupo que participaram, porque conseguimos como nunca experenciar um processo de pesquisa que dialogou diretamente com o momento e o pensamento do grupo. Foi tamb\u00e9m a primeira estreia fora de Natal, no SESI Vila Leopoldina, em S\u00e3o Paulo. Depois disso, o <em>Ricardo<\/em> traz a proje\u00e7\u00e3o do nome do grupo e o come\u00e7o da internacionaliza\u00e7\u00e3o. Agora estamos ansiosos para ver como o pr\u00f3prio grupo responde \u00e0 radicaliza\u00e7\u00e3o de linguagem que o <em>Hamlet<\/em> est\u00e1 trazendo.<\/p>\n<p><strong>Quando o grupo conseguiu uma proje\u00e7\u00e3o maior? Foi com <em>Muito barulho<\/em>? O que tinha de especial nessa montagem?<\/strong><br \/>\nS\u00e3o proje\u00e7\u00f5es diferentes. Com o <em>Muito Barulho<\/em>, aparecemos para o Brasil. No <em>F\u00e1bulas<\/em>, ganhamos os principais pr\u00eamios do segmento no pa\u00eds. E com o <em>Ricardo<\/em>, tivemos um espa\u00e7o muito especial nos grandes festivais brasileiros, abrindo v\u00e1rios deles (Curitiba, Bras\u00edlia, Rio Preto e Belo Horizonte), e um espa\u00e7o na m\u00eddia nacional tamb\u00e9m in\u00e9dito. Acho que o <em>Muito Barulho<\/em> foi um trabalho que, por um lado, mostrou ao pa\u00eds que era poss\u00edvel se fazer um teatro de qualidade em Natal. Acredito que foi um choque, no melhor sentido da palavra. Por outro lado, a for\u00e7a do trabalho era a solaridade do grupo, em especial naquele momento de juventude dos integrantes. Acho que \u00e9 um espet\u00e1culo um tanto na\u00eff, e por isso tamb\u00e9m ele ganha um charme a mais. Temos a inten\u00e7\u00e3o de em 2013 remont\u00e1-lo, para que participe das atividades de comemora\u00e7\u00e3o dos 20 anos do grupo.<\/p>\n<div id=\"attachment_8563\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/2013\/01\/19\/nao-conseguimos-conceber-teatro-que-nao-tenha-relacao-direta-com-o-pensamento\/o-capitao-e-a-sereia-com-o-grupo-clowns-de-shakespeare-fotografia-mauricio-cuca\/\" rel=\"attachment wp-att-8563\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8563\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/o-capitao-e-a-sereia-com-o-grupo-clowns-de-shakespeare-fotografia-mauricio-cuca.jpg\" alt=\"O capit\u00e3o e a sereia \u00e9 baseado na obra de um pernambucano e tem o cavalo marinho como inspira\u00e7\u00e3o. Foto: Maur\u00edcio Cuca\" width=\"600\" height=\"388\" class=\"size-full wp-image-8563\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/o-capitao-e-a-sereia-com-o-grupo-clowns-de-shakespeare-fotografia-mauricio-cuca.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/o-capitao-e-a-sereia-com-o-grupo-clowns-de-shakespeare-fotografia-mauricio-cuca-300x194.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8563\" class=\"wp-caption-text\">O capit\u00e3o e a sereia \u00e9 baseado na obra de um pernambucano e tem o cavalo marinho como inspira\u00e7\u00e3o. Foto: Maur\u00edcio Cuca<\/p><\/div>\n<p><strong><em>O capit\u00e3o e a sereia<\/em> teve profissionais de oito estados envolvidos. Como foi isso? Como vai ser reapresentar esse espet\u00e1culo aqui?<\/strong><br \/>\n<em>O Capit\u00e3o<\/em> foi um processo muito especial, sem d\u00favida o mais pr\u00f3ximo do que consideramos o ideal. Conseguimos formar uma equipe de grande qualidade, inclusive com a participa\u00e7\u00e3o fundamental de dois pernambucanos, o Helder Vasconcelos e o Andr\u00e9 Neves. Apesar de ser baseado na obra de um pernambucano e ter o cavalo marinho como inspira\u00e7\u00e3o, o <em>Capit\u00e3o<\/em> ainda \u00e9 in\u00e9dito em Recife! Estamos muito ansiosos em poder lev\u00e1-lo ao Janeiro, porque ser\u00e3o duas estreias na capital pernambucana.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas estiveram muito pr\u00f3ximos do Galp\u00e3o ao menos em duas ocasi\u00f5es: <em>Muito barulho por quase nada <\/em>e <em>O casamento do pequeno-burgu\u00eas<\/em>. Qual a import\u00e2ncia do Galp\u00e3o no trabalho de voc\u00eas? Ou mais especificamente do Eduardo Moreira? <\/strong><br \/>\nCome\u00e7amos a fazer teatro sob a influ\u00eancia direta do Galp\u00e3o. Eles sempre foram a nossa maior refer\u00eancia, seja no aspecto est\u00e9tico, po\u00e9tico, seja no organizacional, de gest\u00e3o. O Eduardo foi o elo de aproxima\u00e7\u00e3o da gente com eles, mas depois desses dois trabalhos temos uma rela\u00e7\u00e3o muito \u00edntima, seja no compartilhamento dos mesmos parceiros &#8211; como no caso do Ernani Maletta, Babaya, Gabriel Villela, Mona Magalh\u00e3es, Francesca della Monica -, seja na troca constante que temos com eles. Para n\u00f3s \u00e9 uma honra imensur\u00e1vel poder hoje ter como parceiros e amigos aqueles que um dia foram nossos \u00eddolos &#8220;inating\u00edveis&#8221;.<\/p>\n<div id=\"attachment_8575\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/2013\/01\/19\/nao-conseguimos-conceber-teatro-que-nao-tenha-relacao-direta-com-o-pensamento\/ocasamentodopequenoburgues\/\" rel=\"attachment wp-att-8575\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8575\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/ocasamentodopequenoburgues.jpg\" alt=\"O casamento do pequeno burgu\u00eas, montada em 2006\" width=\"600\" height=\"366\" class=\"size-full wp-image-8575\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/ocasamentodopequenoburgues.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/ocasamentodopequenoburgues-300x183.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8575\" class=\"wp-caption-text\">O casamento do pequeno burgu\u00eas, montada em 2006<\/p><\/div>\n<p><strong>Qual a import\u00e2ncia do teatro infantil na trajet\u00f3ria de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nApesar de termos tido algumas outras experi\u00eancias menores, de fato a nossa rela\u00e7\u00e3o com o teatro infantil se concentra no <em>F\u00e1bulas<\/em>. Foi uma experi\u00eancia muito marcante, que ampliou nossa compreens\u00e3o do fazer teatro e trouxe frutos especiais. No entanto, apesar de ter sido muito bom para n\u00f3s, hoje n\u00e3o temos encontrado sentido em seguir nessa seara, pelos desejos e inquieta\u00e7\u00f5es que povoam nosso imagin\u00e1rio hoje.<\/p>\n<p><strong>Qual a rela\u00e7\u00e3o de voc\u00eas com Recife? Quando vieram ao Janeiro pela primeira vez? Porque iniciar essa comemora\u00e7\u00e3o aqui?<\/strong><br \/>\nSempre fomos muito bem recebidos no Recife, e em especial nessa dobradinha Janeiro de Grandes Espet\u00e1culos\/Teatro Santa Isabel. Acho que fomos pela primeira vez em 2005, com <em>Muito Barulho<\/em>, e voltamos com <em>Roda Chico<\/em>, ambos para abrir o Janeiro. Foram apresenta\u00e7\u00f5es muito marcantes pra n\u00f3s. Agora, estamos numa grande expectativa, porque ser\u00e1 muito especial abrir os 20 anos no Janeiro, no Santa Isabel, estreando o <em>Hamlet<\/em> e conseguindo levar, finalmente, o <em>Capit\u00e3o <\/em>para Recife. Al\u00e9m desses motivos, e da pr\u00f3pria quest\u00e3o do calend\u00e1rio, pelo Janeiro ser o primeiro grande festival brasileiro no ano, est\u00e1vamos tamb\u00e9m devendo essa ida. A Paula de Renor tentava nos levar de novo h\u00e1 alguns anos, mas em geral estamos de f\u00e9rias nesse per\u00edodo. Quando ela nos convidou para a edi\u00e7\u00e3o do ano passado, e tive que declinar mais uma vez porque ir\u00edamos para o Santiago a Mil, no Chile, me comprometi com ela a levar uma s\u00e9rie de atividades para lan\u00e7ar os 20 anos nesta edi\u00e7\u00e3o de 2013, e que bom que o Janeiro apostou e tudo deu certo!<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o as preocupa\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas e conceituais do Clowns hoje com rela\u00e7\u00e3o ao teatro? Que teatro voc\u00eas querem fazer? O que discutir hoje?<\/strong><br \/>\nEssa \u00e9 uma pergunta dif\u00edcil de responder, tanto pela complexidade que exige para respond\u00ea-la, quanto pelo fato que est\u00e1 em constante transforma\u00e7\u00e3o. Em determinado momento, quando o grupo completou dez anos, acho que a nossa principal atitude pol\u00edtica era provar, para os outros e para n\u00f3s mesmos, que era poss\u00edvel fazer um teatro de qualidade no Nordeste, no Rio Grande do Norte, em Natal. Naquele momento, isso j\u00e1 bastava, era suficiente. \u00c9 nesse contexto que surge o <em>Muito Barulho<\/em>, o <em>F\u00e1bulas<\/em>, o <em>Casamento<\/em>. No entanto, cumprida essa etapa, as demandas v\u00e3o se tornando cada vez mais exigentes. Hoje n\u00e3o conseguimos conceber um teatro que n\u00e3o tenha uma rela\u00e7\u00e3o direta com o pensamento. Algumas quest\u00f5es v\u00eam nos provocando, como o papel do artista latinoamericano, ou como encaramos o passar do tempo, para proporcionarmos um envelhecimento, dos integrantes e do grupo, que possibilite que nos reinventemos, que mantenhamos vivo e renovado o sentido de fazermos teatro dentro dos Clowns. \u00c9 nessa perspectiva que as quest\u00f5es est\u00e9ticas precisam se alinhar.<\/p>\n<p><strong>E porque os Clowns insistem em fazer teatro?<\/strong><br \/>\nAcredito que insistimos porque \u00e9 no teatro que encontramos o nosso lugar no mundo, \u00e9 a nossa forma de nos reconhecermos, propormos reflex\u00f5es e idealizarmos transforma\u00e7\u00f5es. \u00c9 nessa perspectiva coletiva, que tanto anda no contrafluxo do que a l\u00f3gica estabelecida tenta nos empurrar, que nos legitimamos como artistas e como cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>V\u00eddeo dos 20 anos do Clowns:<br \/>\n<iframe width=\"560\" height=\"315\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/YwNayoRnHCE?rel=0\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O grupo potiguar Clowns de Shakespeare estreia hoje, dentro do Janeiro de Grandes Espet\u00e1culos, o espet\u00e1culo Hamlet, com dire\u00e7\u00e3o de um dos encenadores mais importantes do pa\u00eds, Marcio Aur\u00e9lio. A companhia come\u00e7a a comemorar aqui no festival os 20 anos de atua\u00e7\u00e3o. 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