{"id":8242,"date":"2012-12-23T17:24:35","date_gmt":"2012-12-23T20:24:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=8242"},"modified":"2012-12-23T17:33:24","modified_gmt":"2012-12-23T20:33:24","slug":"os-espacos-bem-delimitados-entre-ficcao-e-realidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/os-espacos-bem-delimitados-entre-ficcao-e-realidade\/","title":{"rendered":"Os espa\u00e7os bem delimitados entre fic\u00e7\u00e3o e realidade"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_8284\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/olivierelili1.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8284\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/olivierelili1.jpg\" alt=\"\" title=\"Olivier e Lili: Uma hist\u00f3ria de amor em 900 frases\" width=\"600\" height=\"420\" class=\"size-full wp-image-8284\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/olivierelili1.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/olivierelili1-300x210.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8284\" class=\"wp-caption-text\">F\u00e1tima Pontes e Leidson Ferraz em <i>Olivier e Lili: Uma hist\u00f3ria de amor em 900 frases<\/i>. Foto: Pollyanna Diniz<\/p><\/div>\n<p>O que o espectador de hoje busca no teatro? No tempo das emo\u00e7\u00f5es afloradas, da &#8220;felicidade&#8221; estampada virtualmente, do simult\u00e2neo? Em <em>Olivier e Lili: Uma hist\u00f3ria de amor em 900 frases<\/em>, montagem com dire\u00e7\u00e3o de Rodrigo Dourado e F\u00e1tima Pontes e Leidson Ferraz no elenco, h\u00e1 uma proje\u00e7\u00e3o de universos particulares no palco. O tom autobiogr\u00e1fico e confessional permeia o espet\u00e1culo, que vi quase no fim da temporada no Teatro Hermilo Borba Filho e agora mais recentemente na VI Mostra Capiba.<\/p>\n<p>O texto base \u00e9 da atriz francesa Elizabeth Mazev; ela conta, desde a inf\u00e2ncia, a sua rela\u00e7\u00e3o com o diretor Olivier Py. Os dois estudaram na mesma escola, descobriram o teatro juntos, viveram perdas e amores. A partir das mem\u00f3rias evocadas pelos personagens, surgiram aquelas dos pr\u00f3prios atores e do diretor, que tamb\u00e9m foram transformadas em dramaturgia, numa tentativa de trilhar os limites da fic\u00e7\u00e3o-realidade.<\/p>\n<p>Est\u00e3o em cena a inf\u00e2ncia de Leidson Ferraz e F\u00e1tima Pontes, os anivers\u00e1rios, as lembran\u00e7as da casa de quando crian\u00e7a, o col\u00e9gio, o teatro, a morte de algu\u00e9m muito querido. E a\u00ed preciso fazer um adendo: \u00e9 bom explicar que esta \u00e9 uma aprecia\u00e7\u00e3o escrita sem imparcialidade; muitas daquelas mem\u00f3rias, principalmente as Leidson, me s\u00e3o muito pr\u00f3ximas. Tanto eu quanto ele somos de Petrolina; e ele fala da cidade, do col\u00e9gio tradicional de freiras, do padre Bernardino. Al\u00e9m disso, n\u00f3s nos conhecemos desde que entrei no curso de Jornalismo; ent\u00e3o a narrativa dele me cativa muito. <\/p>\n<p>Independente disso, da maneira como foi constru\u00edda a dramaturgia, em algum momento voc\u00ea vai se sentir tocado &#8211; e me parece muito deliberada e percept\u00edvel ao espectador essa inten\u00e7\u00e3o de fazer o p\u00fablico se emocionar, se reconhecer no palco em alguma daquelas hist\u00f3rias. <\/p>\n<p>O que queria discutir \u00e9 o quanto a montagem se tornou muito mais autobiogr\u00e1fica do que qualquer outra coisa. Em determinado momento cheguei a me questionar: mas e Olivier e Lili? Quem s\u00e3o esses personagens? O tratamento dado \u00e0 dramaturgia, por exemplo, \u00e9 claramente distinto.<\/p>\n<p>Quando Olivier e Lili est\u00e3o no primeiro plano, as frases s\u00e3o mais telegr\u00e1ficas (como imaginei que seria a proposta do espet\u00e1culo como um todo); h\u00e1 um distanciamento percept\u00edvel entre ator-personagem. Quando no momento seguinte vira vida pessoal, o texto \u00e9 longo, h\u00e1 um desprendimento de emo\u00e7\u00e3o, outra energia se instaura. Claro, est\u00e3o falando de si mesmos. Mas isso provoca quebras na encena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_8287\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/olivierelili5.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8287\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/olivierelili5.jpg\" alt=\"\" title=\"Olivier e Lili: Uma hist\u00f3ria de amor em 900 frases\" width=\"600\" height=\"450\" class=\"size-full wp-image-8287\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/olivierelili5.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/olivierelili5-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8287\" class=\"wp-caption-text\">A montagem participou da VI Mostra Capiba<\/p><\/div>\n<p>Al\u00e9m disso, as rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o estabelecidas de forma muito clara e c\u00famplice com o espectador. \u00c9 diferente, por exemplo, para dar uma refer\u00eancia pr\u00f3xima, do que faz o Grupo Magiluth em <em>Aquilo que meu olhar guardou para voc\u00ea<\/em>. Ali h\u00e1 uma fus\u00e3o &#8211; o p\u00fablico n\u00e3o sabe o que \u00e9 fic\u00e7\u00e3o e realidade. Em <em>Olivier e Lili<\/em> as cartas est\u00e3o postas na mesa: bom, aqui estou vendo o personagem (que tamb\u00e9m \u00e9 &#8216;real&#8217;, mas distante de mim, ent\u00e3o personagem) e aqui \u00e9 Leidson e F\u00e1tima, o que eles falam aconteceu de verdade. Talvez por isso o diretor tenha optado por colocar em cena tamb\u00e9m v\u00eddeos de Elizabeth Mazev e Olivier Py. Mas que s\u00e3o longos por demais, cansativos, necess\u00e1rios apenas para justificar essa quest\u00e3o do real-ficcional. Para a dramaturgia e para a montagem acrescentam muito pouco ou quase nada. E eles ainda aumentam o tempo da pe\u00e7a &#8211; que j\u00e1 \u00e9 longa. Parece ter sido dif\u00edcil para a dire\u00e7\u00e3o o exerc\u00edcio da s\u00edntese. Vi pelo menos um momento em que a plateia se perguntou se aquele n\u00e3o seria o final da pe\u00e7a.<\/p>\n<p>Enxergo tanto em Leidson quanto em F\u00e1tima muitas possibilidades interpretativas que ainda n\u00e3o se instauraram efetivamente. Faltam nuances e a transi\u00e7\u00e3o para a adolesc\u00eancia e para a fase adulta na hist\u00f3ria tamb\u00e9m n\u00e3o parece muito bem resolvida. Mas s\u00e3o dois atores que se entregam, inteiros em cena; \u00e9 como se esse projeto tamb\u00e9m fosse uma declara\u00e7\u00e3o de amor deles dois n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 amizade, mas a tudo que o teatro os proporcionou, ao pr\u00f3prio teatro.<\/p>\n<p>Muitos dos elementos do teatro contempor\u00e2neo est\u00e3o na montagem, desde a import\u00e2ncia da musicalidade, a profus\u00e3o de signos, o depoimento, os microfones no palco. S\u00edmbolos que juntos constr\u00f3em uma obra que reverbera muita afetividade e consegue atrair o p\u00fablico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que o espectador de hoje busca no teatro? No tempo das emo\u00e7\u00f5es afloradas, da &#8220;felicidade&#8221; estampada virtualmente, do simult\u00e2neo? Em Olivier e Lili: Uma hist\u00f3ria de amor em 900 frases, montagem com dire\u00e7\u00e3o de Rodrigo Dourado e F\u00e1tima Pontes e Leidson Ferraz no elenco, h\u00e1 uma proje\u00e7\u00e3o de universos particulares no palco. 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