{"id":7982,"date":"2012-12-11T15:08:38","date_gmt":"2012-12-11T18:08:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=7982"},"modified":"2012-12-11T15:08:38","modified_gmt":"2012-12-11T18:08:38","slug":"equilibrio-nos-trilhos-de-williams","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/equilibrio-nos-trilhos-de-williams\/","title":{"rendered":"Equil\u00edbrio nos trilhos de Williams"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_8003\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/propriedade1.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8003\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-8003\" title=\"Propriedade condenada\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/propriedade1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"412\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/propriedade1.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/propriedade1-300x206.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8003\" class=\"wp-caption-text\"><em>Propriedade condenada<\/em>, texto de Tennessee Williams, dire\u00e7\u00e3o de \u00c9rico Jos\u00e9. Foto: Pollyanna Diniz<\/p><\/div>\n<p>Quem conheceu Tennessee Williams diz que estar ao lado dele n\u00e3o era exatamente agrad\u00e1vel. O dramaturgo e diretor Arthur Laurents, em entrevista a Richard Eyre, registrada no livro<em> Talking Theatre<\/em>, diz: &#8220;You should never have met Tennessee. He was usually drunk. He made silly jokes. I didn&#8217;t know him all that weel. He wasn&#8217;t the kind of person you wanted to spend time with. For me particularly because I revered his work, so I didn&#8217;t want to be disappointed in the person&#8221;.<\/p>\n<p>B\u00eabado ou n\u00e3o; perturbado por um biografia punk-hardcore, que inclui uma lobotomia sofrida pela irm\u00e3; Williams era genial. Tanto \u00e9 que foi o vencedor do Pulitzer por duas vezes, com <em>Um bonde chamado desejo<\/em> e <em>Gata em teto de zinco quente<\/em>. A hist\u00f3ria guardada na mem\u00f3ria e na gaveta do encenador \u00c9rico Jos\u00e9 por alguns anos, no entanto, n\u00e3o \u00e9 desses mais badalados, que viraram inclusive filme, mas o texto curto <em>Propriedade condenada<\/em>, de 1946. Foi essa a montagem (o texto foi traduzido por Diego Albuck) que Uerla Cardoso e Augusto Nascimento, da Escola de Teatro da UFBA, apresentaram no \u00faltimo s\u00e1bado na VI Mostra Capiba de Teatro.<\/p>\n<p>O texto de Tennessee \u00e9 extremamente pol\u00edtico. Fala do esfacelamento de um sociedade a partir de uma hist\u00f3ria particular: da garota Willie &#8211; a m\u00e3e dela fugiu com um homem, o pai desapareceu, a irm\u00e3 foi abusada e morreu de tuberculose, e a menina herdou os seus amantes. Um enredo por demais indigesto. Willie e o adolescente Tom se encontram nos trilhos de um trem e \u00e9 quando Willie come\u00e7a a contar ao amigo parte da sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Embora seja forte e fundamental, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no texto que est\u00e1 o vigor da montagem proposta por \u00c9rico Jos\u00e9 e por seu assistente de dire\u00e7\u00e3o Vin\u00edcius L\u00edrio; mas sim no trabalho de corpo dos jovens atores. \u00c9rico partiu das suas pesquisas sobre but\u00f4 e biomec\u00e2nica para levar ao palco algo que n\u00e3o tem necessariamente a ver com emo\u00e7\u00e3o &#8211; mas com energia. H\u00e1 uma intera\u00e7\u00e3o entre os atores que transcende o di\u00e1logo.<\/p>\n<p>Para completar, as cenas s\u00e3o constru\u00eddas como verdadeiras coreografias, como a entrada do garoto com uma pipa; a dan\u00e7a dos dois; um rio que aparece nos meios do trilho. A montagem tamb\u00e9m \u00e9 rica em signos que podem ser interpretados a partir do olhar de cada espectador. Os personagens, por exemplo, t\u00eam os corpos pintados de branco numa refer\u00eancia clara ao but\u00f4, o que n\u00e3o exclui outras camadas de significados.<\/p>\n<p>Pode existir, por exemplo, uma rela\u00e7\u00e3o com o imagin\u00e1rio, com o sonho, com o surreal &#8211; em certo momento Tom diz algo do tipo: &#8220;mas essas hist\u00f3rias parecem ter sido inventadas, Willie&#8221;. Ser\u00e1 que aconteceram mesmo? H\u00e1 ainda uma dicotomia que se estabelece muito &#8211; entre o equil\u00edbrio e o desequil\u00edbrio; desde o andar nos trilhos, at\u00e9 a rela\u00e7\u00e3o de energia entre os dois atores.<\/p>\n<p>Apesar de muito jovens, Uerla e Augusto est\u00e3o muito bem em cena (at\u00e9 cantam em ingl\u00eas). Cenografia (trilhos de madeira cortam o palco) e ilumina\u00e7\u00e3o ajudam na tarefa de trazer o espet\u00e1culo ainda mais para perto do p\u00fablico. Se o texto \u00e9 mais um dos elementos dessa encena\u00e7\u00e3o, tudo parece ter sido muito bem dosado. E, al\u00e9m de tudo, <em>Propriedade condenada<\/em> ainda serve para mostrar como as pesquisas surgidas dentro da universidade podem ser levadas ao palco de forma muito bem sucedida.<\/p>\n<div id=\"attachment_8000\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/propriedade2.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8000\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-8000\" title=\"Propriedade condenada\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/propriedade2.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"397\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/propriedade2.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/propriedade2-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8000\" class=\"wp-caption-text\">Uerla Cardoso como a garota Willie<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem conheceu Tennessee Williams diz que estar ao lado dele n\u00e3o era exatamente agrad\u00e1vel. O dramaturgo e diretor Arthur Laurents, em entrevista a Richard Eyre, registrada no livro Talking Theatre, diz: &#8220;You should never have met Tennessee. He was usually drunk. He made silly jokes. I didn&#8217;t know him all that weel. 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