{"id":4588,"date":"2011-11-25T08:49:51","date_gmt":"2011-11-25T11:49:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=4588"},"modified":"2011-11-25T08:49:51","modified_gmt":"2011-11-25T11:49:51","slug":"comovente-o-jardim-da-companhia-hiato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/comovente-o-jardim-da-companhia-hiato\/","title":{"rendered":"Comovente O jardim, da Companhia Hiato"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_4589\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/jardim-red1.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4589\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/jardim-red1.jpg\" alt=\"\" title=\"O jardim\" width=\"600\" height=\"338\" class=\"size-full wp-image-4589\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/jardim-red1.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/jardim-red1-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4589\" class=\"wp-caption-text\">O jardim, da Companhia Hiato, espet\u00e1culo comovente. Fotos: Ivana Moura<\/p><\/div>\n<p>\u00c9 muito dif\u00edcil um espet\u00e1culo despertar tantas sensibilidades. M\u00e9rito de <em>O Jardim<\/em>, da Cia. Hiato, dirigido por Leonardo Moreira. A recep\u00e7\u00e3o nos dois dias foi muito parecida. Gente chorando ap\u00f3s as apresenta\u00e7\u00f5es. \u00c9 um trabalho comovente que vai tecendo suas teias para tocar na emo\u00e7\u00e3o do p\u00fablico aos poucos. <\/p>\n<p>Seus personagens perderam algo e tentam se agarrar a todo custo a um passado que foge implacavelmente. Restam as lembran\u00e7as. <\/p>\n<p>\u00c9 uma pe\u00e7a que trata da mem\u00f3ria a partir do cruzamento de tr\u00eas epis\u00f3dios de uma mesma fam\u00edlia em \u00e9pocas distintas. <\/p>\n<p>Em meio a um amontoado de caixas de papel\u00e3o, &#8211; que j\u00e1 indica separa\u00e7\u00e3o, despedida, abandono,- os personagens exp\u00f5em situa\u00e7\u00f5es-limite. A jovenzinha que busca manter o casar\u00e3o ou o que sobrou dele; o \u00faltimo encontro de um casal que j\u00e1 se amou e o acerto de contas de duas filhas com seu pai que ser\u00e1 levado ao abrigo. <\/p>\n<p>Espa\u00e7o e tempo s\u00e3o fragmentados e o p\u00fablico fica dividido em tr\u00eas plateias e dependendo da localiza\u00e7\u00e3o assiste a sequ\u00eancias diferentes. As tr\u00eas a\u00e7\u00f5es se desenvolvem ao mesmo tempo, mas o espetctador s\u00f3 acompanha uma de cada vez. H\u00e1 uma sobreposi\u00e7\u00e3o e algumas lacunas o espectador deve preencher.<\/p>\n<p>A sequ\u00eancia que vi foi a partir da terceira trama, que se passa em 2011. A neta de Thiago luta pela conserva\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria sua fam\u00edlia. Ela dialoga com a mo\u00e7a que trabalhou a vida inteira na casa, uma propriedade que tem um grande jardim e faz alus\u00e3o ao cl\u00e1ssico <em>O Jardim das Cerejeiras<\/em>, de Tch\u00e9khov. Nesse primeiro quadro h\u00e1 o confronto da que sempre teve e perdeu e da que quase nada teve mas tamb\u00e9m perdeu. H\u00e1 um sutil choque social e um humor fino para destacar essas diferen\u00e7as. <\/p>\n<p>Depois vi um casal em processo de separa\u00e7\u00e3o. \u00c9 1938. A mulher tenta de todo jeito manter o casamento, eles brigam, se abra\u00e7am, choram,se beijam. Rememoram, se acusam. Ela faz chantagem emocional, mas Thiago est\u00e1 irredut\u00edvel. Eles perderam um filho, e o futuro. <\/p>\n<p>Quatro d\u00e9cadas depois, o Thiago de 1938 \u00e9 um senhor que sofre de Alzheimer, prestes a ser internado numa cl\u00ednica por suas filhas. Uma est\u00e1 gr\u00e1vida e foi abandonada pelo marido. Esta ficou para cuidar do pa\u00ed. A outra \u00e9 uma atriz que se mudou para a Fran\u00e7a, para cuidar da sua vida. H\u00e1 acusa\u00e7\u00f5es m\u00fatuas e a culpa que cada uma tem que aprender a conviver. O velho tem um olhar perdido no tempo. E essa situa\u00e7\u00e3o, de decidir internar seus velhos queridos em asilos j\u00e1 \u00e9 um detonador de sentimentos contradit\u00f3rios.<\/p>\n<div id=\"attachment_4594\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/o-jardim-red1.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4594\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/o-jardim-red1.jpg\" alt=\"\" title=\"O jardim, da Companhia Hiato\" width=\"600\" height=\"338\" class=\"size-full wp-image-4594\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/o-jardim-red1.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/o-jardim-red1-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4594\" class=\"wp-caption-text\">Epis\u00f3dio de 1938, separa\u00e7\u00e3o do casal<\/p><\/div>\n<p>Como atesta Carlos Drummond de Andrade em seu poema <em>Res\u00edduo<\/em>:<br \/>\n&#8220;De tudo ficou um pouco<br \/>\nDo meu medo. Do teu asco.<br \/>\nDos gritos gagos. Da rosa<br \/>\nficou um pouco&#8221;.<br \/>\n&#8230;<br \/>\nPara mais adiante em tom maior:<br \/>\n&#8220;E de tudo fica um pouco.<br \/>\nOh abre os vidros de lo\u00e7\u00e3o<br \/>\ne abafa<br \/>\no insuport\u00e1vel mau cheiro da mem\u00f3ria.&#8221;<\/p>\n<p>Lembrei desses versos, da mem\u00f3ria como algo que cheira e fede. E os odores s\u00e3o como senhas que nos transportam, quase num passe de m\u00e1gica, para um outro tempo, outro espa\u00e7o&#8230;<\/p>\n<div id=\"attachment_4595\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/o-jardim-3-dv.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4595\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/o-jardim-3-dv.jpg\" alt=\"\" title=\"o jardim. Foto: Ivana Moura\" width=\"600\" height=\"338\" class=\"size-full wp-image-4595\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/o-jardim-3-dv.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/o-jardim-3-dv-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4595\" class=\"wp-caption-text\">Epis\u00f3dio de 2011, da neta de Thiago<\/p><\/div>\n<p>Os \u00f3timos atores da pe\u00e7a trabalham valorizando a sutiliza e os detalhes emocionais. \u00c9 uma poesia dram\u00e1tica, com dire\u00e7\u00e3o delicada, ilimina\u00e7\u00e3o que acompanha esse sentimento. Um espet\u00e1culo que marcou esta vers\u00e3o do Festival Recife do Teatro Nacional, na primeira curadoria de Valmir Santos.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 muito dif\u00edcil um espet\u00e1culo despertar tantas sensibilidades. M\u00e9rito de O Jardim, da Cia. 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