{"id":451,"date":"2011-02-03T03:56:28","date_gmt":"2011-02-03T06:56:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=451"},"modified":"2011-02-03T03:56:28","modified_gmt":"2011-02-03T06:56:28","slug":"a-peleja-da-mae-e-uma-investida-corajosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/a-peleja-da-mae-e-uma-investida-corajosa\/","title":{"rendered":"A Peleja da M\u00e3e \u00e9 uma investida corajosa"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_452\" style=\"width: 609px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/m\u00e3e-carlos1a.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-452\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/m\u00e3e-carlos1a.jpg\" alt=\"\" title=\"A Peleja da M\u00e3e nas Terras do Senhor do A\u00e7\u00facar\" width=\"599\" height=\"195\" class=\"size-full wp-image-452\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/m\u00e3e-carlos1a.jpg 599w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/m\u00e3e-carlos1a-300x97.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 599px) 100vw, 599px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-452\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Ivana Moura<\/p><\/div>\n<p><em>A Peleja da M\u00e3e nas Terras do Senhor do A\u00e7\u00facar<\/em>, encena\u00e7\u00e3o de Carlos Carvalho que vincula brincantes da cultura popular e atores me fez pensar sobre a amplitude do contempor\u00e2neo. H\u00e1 muito que falar sobre a montagem. Mas antes de qualquer outra coisa, \u00e9 preciso refor\u00e7ar que \u00e9 uma investida corajosa de Carvalho, e espelha um pouco das inquieta\u00e7\u00f5es do criador. Ele aposta num teatro pol\u00edtico (n\u00e3o partid\u00e1rio, \u00e9 bom ressaltar) e num teatro popular. Nesse \u00faltimo ponto, ele \u00e9 herdeiro das ideias do dramaturgo Hermilo Borba Filho, de quem Carlos j\u00e1 montou alguns textos. <\/p>\n<p>Desta vez, Carvalho foi buscar mais do que inspira\u00e7\u00e3o na Zona da Mata pernambucana. Requisitou de l\u00e1 os pr\u00f3prios int\u00e9rpretes-criadores. Entre eles, Mestre Grim\u00e1rio, Grim\u00e1rio Filho e Dielson Jos\u00e9. Se por um lado essa iniciativa traz em si a possibilidade de enriquecimento em todos os aspectos (pessoal, est\u00e9tico, de inova\u00e7\u00e3o, \u00e9tico), tamb\u00e9m produz dificuldades para harmonizar o universo dos folgaz\u00f5es com os dos atores de v\u00e1rias forma\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>O espet\u00e1culo estreou no Recife no dia 28 de janeiro, sexta-feira, no Teatro Apolo, com casa lotada, em \u00fanica r\u00e9cita. A pe\u00e7a j\u00e1 havia sido exibida na Zona da Mata. <\/p>\n<p>No palco, a montagem tem for\u00e7a, beleza. \u00c9 poderosa, \u00e0s vezes alegre \u00e0s vezes triste, em alguns momentos inquietante. Mas tamb\u00e9m apresenta problemas. Da dramaturgia \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o, do tempo dilatado a escolhas da dire\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p><em>A Peleja da M\u00e3e nas Terras do Senhor do A\u00e7\u00facar <\/em>\u00e9 inspirada no texto<em> A m\u00e3e<\/em>, do russo M\u00e1ximo Gorki. <\/p>\n<p>L\u00e1, a obra liter\u00e1ria est\u00e1 contextualizada na R\u00fassia do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, inspirada em manifesta\u00e7\u00f5es reais do primeiro de maio de 1902. O rebatimento da revolu\u00e7\u00e3o de um povo no seio de uma fam\u00edlia. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/peleja-caritina.jpg\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/peleja-caritina.jpg\" alt=\"\" title=\"A Peleja da M\u00e3e nas Terras do Senhor do A\u00e7\u00facar\" width=\"600\" height=\"411\" class=\"alignnone size-full wp-image-457\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/peleja-caritina.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/peleja-caritina-300x205.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/p>\n<p>C\u00e1, o territ\u00f3rio \u00e9 a Zona da Mata canavieira da d\u00e9cada de 1970. A vida no campo. O homem aguenta a viol\u00eancia do meio em que vive. Trabalha na terra que n\u00e3o lhe pertence, casa, tem filhos, enterra os seus, bebe, brinca, \u00e9 espancado, espanca e parte dessa para outra dimens\u00e3o. <\/p>\n<p>Em Gorki, quando o serralheiro Mikhail Vlassov morre, restam a m\u00e3e vi\u00fava e o filho. Uma rela\u00e7\u00e3o quase desconhecida: falavam pouco e quase n\u00e3o se viam. Em <em>Peleja da M\u00e3e<\/em>, depois que o pai Miguel (Mestre Grim\u00e1rio) morre sem atendimento m\u00e9dico, o filho (Paulo Henrique, do Maracatu Piaba de Ouro) se aproxima ainda mais do movimento sindicalista, no momento do pa\u00eds em que vigorava a ditatura militar com todos os seus tent\u00e1culos de repress\u00e3o e viol\u00eancia. <\/p>\n<p>Os camponeses se exprimiam pouco, sentiam e entendiam o que se passava, mas tinham medo. A press\u00e3o, a injusti\u00e7a, um pensamento diferente que chega dos livros vermelhos e a vontade de ser livre. A M\u00e3e teme pelo filho, mas depois at\u00e9 ela acha inevit\u00e1vel ter um posicionamento mais cr\u00edtico perante a vida. <\/p>\n<p>Mas o encenador tamb\u00e9m tra\u00e7a intertextualidades dramat\u00fargicas com<em> Morte e Vida Severina<\/em>, de Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto. Ao parodiar o poema cabralino, Carvalho empobrece o texto, que perde sua po\u00e9tica no deslocamento.<\/p>\n<p>O espet\u00e1culo come\u00e7a com festa. O elenco dan\u00e7a, Catirina faz suas acrobacias, os mestres se desafiam. Uma proje\u00e7\u00e3o sobrevoa a Zona da Mata pernambucana at\u00e9 chegar ao canavial. H\u00e1 um desfile de movimentos coreogr\u00e1ficos pujantes inspirados no cavalo-marinho. As imagens s\u00e3o poderosas, o som contagiante.<\/p>\n<p>Depois da festa, da dan\u00e7a, da embriaguez, a volta para casa, para a realidade, que alguns se recusam a aceitar. A M\u00e3e se entret\u00e9m com seu radinho. O mestre pensa no seu maracatu. <\/p>\n<p>Mas da passagem do universo l\u00fadico das brincadeiras populares para o drama dos canavieiros algo se solta, os elementos se desencaixam. Catirina com sua presen\u00e7a constante tenta fazer a liga\u00e7\u00e3o. Arrumando o cen\u00e1rio de pequenas casinhas (marca do diretor). <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/A-peleja-da-M\u00e3e-nas-terrras-4.jpg\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/A-peleja-da-M\u00e3e-nas-terrras-4.jpg\" alt=\"\" title=\"A Peleja da M\u00e3e nas Terrras do Senhor do A\u00e7\u00facar\" width=\"600\" height=\"359\" class=\"alignnone size-full wp-image-453\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/A-peleja-da-M\u00e3e-nas-terrras-4.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/A-peleja-da-M\u00e3e-nas-terrras-4-300x179.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O discurso mais pol\u00edtico do texto beira o panflet\u00e1rio. O texto no geral precisa ser revisto para n\u00e3o virar um arremedo de poema. <\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o do elenco \u00e9 bastante irregular no seu conjunto. Alguns atores s\u00e3o bem imaturos no trabalho, o que fica gritante nas cenas com di\u00e1logos. O ponto alto da interpreta\u00e7\u00e3o fica por conta do ator Fl\u00e1vio Renovatto, que se desdobra nos papeis de capataz e um dos canavieiros. <\/p>\n<p>A grande atriz Auric\u00e9ia Fraga oscila em sua atua\u00e7\u00e3o. Mas ela traz uma for\u00e7a que alguns ensaios a mais deve resolver. E at\u00e9 mesmo suas precariedades, como na dan\u00e7a, ela pode reverter a favor dela pr\u00f3pria. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/m\u00e3e-carlos2.jpg\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/m\u00e3e-carlos2.jpg\" alt=\"\" title=\"A Peleja da M\u00e3e nas Terras do Senhor do A\u00e7\u00facar\" width=\"595\" height=\"328\" class=\"alignnone size-full wp-image-454\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/m\u00e3e-carlos2.jpg 595w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/m\u00e3e-carlos2-300x165.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 595px) 100vw, 595px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O tempo dilatado tamb\u00e9m precisa de equaliza\u00e7\u00e3o, para n\u00e3o parecer que \u00e9 um apenas um buraco.<br \/>\nPor outro lado, a decis\u00e3o de juntar esses dois universos pode gerar bons frutos. Vale lembrar que toda a renova\u00e7\u00e3o musical pernambucana passou pela cultura popular e pelo som dos tambores do maracatu. <\/p>\n<p>O espet\u00e1culo tem m\u00e9ritos. \u00c9 ousado, busca uma linguagem pr\u00f3pria sem se preocupar em imitar ningu\u00e9m ou seguir modismos, estabelece suas bases, e conquista seus participantes. Precisa de ajustes internos. Mas, como avisou o diretor Carlos Carvalho, o espet\u00e1culo vai mudar e muito. Torcemos que para melhor. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Peleja da M\u00e3e nas Terras do Senhor do A\u00e7\u00facar, encena\u00e7\u00e3o de Carlos Carvalho que vincula brincantes da cultura popular e atores me fez pensar sobre a amplitude do contempor\u00e2neo. H\u00e1 muito que falar sobre a montagem. Mas antes de qualquer outra coisa, \u00e9 preciso refor\u00e7ar que \u00e9 uma investida corajosa de Carvalho, e espelha [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"categories":[1],"tags":[72,141,137,140,139,138],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/451"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=451"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/451\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":460,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/451\/revisions\/460"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=451"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=451"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=451"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}