{"id":4344,"date":"2011-11-11T11:00:45","date_gmt":"2011-11-11T14:00:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=4344"},"modified":"2015-10-28T02:57:14","modified_gmt":"2015-10-28T05:57:14","slug":"objetos-que-ganham-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/objetos-que-ganham-vida\/","title":{"rendered":"Objetos que ganham vida"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_4353\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/avoltaaomundoemoitentadias.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4353\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-4353\" title=\"A volta ao mundo em 80 dias\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/avoltaaomundoemoitentadias.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/avoltaaomundoemoitentadias.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/avoltaaomundoemoitentadias-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4353\" class=\"wp-caption-text\">A volta ao mundo em 80 dias<\/p><\/div>\n<p>Aguarde mem\u00f3rias familiares. De uma inf\u00e2ncia em que caixas de f\u00f3sforo viravam soldados, talheres poderiam ser reis, qualquer coisa que tiv\u00e9ssemos \u00e0 m\u00e3o era instantaneamente personagem de um roteiro original. N\u00e3o \u00e9 preciso saber o que \u00e9 teatro de objetos. Na realidade, faz bem pouco tempo que o termo foi criado &#8211; d\u00e9cada de 1970. &#8220;Estamos trazendo algo muito novo; \u00e9, geralmente, a primeira experi\u00eancia que as pessoas t\u00eam com esse tipo de teatro. Mas n\u00f3s nos reconhecemos de alguma forma. Todos, quando crian\u00e7as, j\u00e1 tivemos a experi\u00eancia de teatralizar objetos&#8221;, recorda Lina Rosa Vieira, idealizadora do Festival Internacional de Teatro de Objetos (Fito), que ser\u00e1 realizado no Marco Zero de hoje a domingo.<\/p>\n<p>A primeira edi\u00e7\u00e3o do festival ocorreu em 2009, em Belo Horizonte. J\u00e1 passou, desde ent\u00e3o, por Porto Alegre, Bras\u00edlia, Florian\u00f3polis, Campo Grande e Manaus e foi visto por 115 mil pessoas. Lina, respons\u00e1vel pelo festival Sesi Bonecos (o Sesi \u00e9 tamb\u00e9m o promotor do Fito), evento que deu outra dimens\u00e3o aos mamulengos, levou os bonecos para grandes plateias, passou tr\u00eas anos pesquisando o teatro de objetos, at\u00e9 que o festival sa\u00edsse do papel. &#8220;N\u00e3o temos respostas ainda sobre o que \u00e9 esse teatro, mas estamos come\u00e7ando a perguntar&#8221;, aposta Lina, que faz a curadoria do festival ao lado de Sandra Vargas, do grupo Sobrevento, de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<div id=\"attachment_4355\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/historiasdemeiasola1.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4355\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-4355\" title=\"Hist\u00f3rias de meia sola\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/historiasdemeiasola1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/historiasdemeiasola1.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/historiasdemeiasola1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4355\" class=\"wp-caption-text\">Hist\u00f3rias de meia sola<\/p><\/div>\n<p>No festival, teremos 13 grupos &#8211; espet\u00e1culos n\u00e3o s\u00f3 do Brasil, mas da Argentina, Holanda, Espanha, Israel, B\u00e9lgica, It\u00e1lia e Fran\u00e7a. Como geralmente as hist\u00f3rias pedem uma proximidade maior com o p\u00fablico, o Marco Zero estar\u00e1 transformado neste fim de semana. Ser\u00e3o constru\u00eddas tr\u00eas salas para 200 pessoas, duas para 50 e ainda uma estrutura para shows (entre eles Nan\u00e1 Vasconcelos e Tom Z\u00e9), performances, mostras de tr\u00eas minutos e v\u00e1rios tipos de cenografia interativa &#8211; desde bailarinas-saca-rolhas gigantes at\u00e9 um aqu\u00e1rio feito s\u00f3 com objetos de luz ou uma chapelaria.<\/p>\n<div id=\"attachment_4351\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/Nana-Vasconcelos.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4351\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-4351\" title=\"Nan\u00e1 Vasconcelos\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/Nana-Vasconcelos.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/Nana-Vasconcelos.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/Nana-Vasconcelos-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4351\" class=\"wp-caption-text\">Nan\u00e1 Vasconcelos<\/p><\/div>\n<p>&#8220;Para os espet\u00e1culos das salas, apesar do grade n\u00famero de apresenta\u00e7\u00f5es, sabemos que as entradas ser\u00e3o mais disputadas, mas \u00e9 importante dizer que quem vier n\u00e3o vai perder a viagem, porque ser\u00e3o muitas as experi\u00eancias neste mundo do teatro de objetos&#8221;, garante Lina. A programa\u00e7\u00e3o \u00e9 gratuita. Mas, para as salas de espet\u00e1culos, ser\u00e1 preciso pegar ingresso com meia-hora de anteced\u00eancia. O festival funcionar\u00e1 das 16h30 \u00e0s 22h, na sexta-feira, e a partir das 16h30, s\u00e1bado e domingo.<\/p>\n<div id=\"attachment_4356\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/terounaoter.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4356\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-4356\" title=\"Ter ou n\u00e3o ter\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/terounaoter.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"420\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/terounaoter.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/terounaoter-300x210.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4356\" class=\"wp-caption-text\">Ter ou n\u00e3o ter<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_4349\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/Cenografia04.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4349\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-4349\" title=\"Fito\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/Cenografia04.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/Cenografia04.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/Cenografia04-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4349\" class=\"wp-caption-text\">Cenografia Fito<\/p><\/div>\n<p><strong>Entrevista \/\/ Katy Deville<\/strong><\/p>\n<p>Foi Katy Deville quem cunhou o termo teatro de objetos. A francesa fazia teatro de marionetes at\u00e9 conhecer Cristhian Carrignon, que vinha do teatro tradicional. Com ele, come\u00e7ou a criar hist\u00f3rias para personagens inusitados: legumes. Uma noite, depois de assistir \u00e0 pe\u00e7a Pequenos suic\u00eddios (que est\u00e1 no Fito 2011), a francesa teve o insight &#8211; o que faziam era teatro de objetos. Katy vai apresentar <em>20 minutos sob o mar<\/em>, da cia Th\u00e9\u00e2tre de Cuisine, criada em 1979.<\/p>\n<div id=\"attachment_4360\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/Katy_Deville05.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4360\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-4360\" title=\"Katy Deville\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/Katy_Deville05.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/Katy_Deville05.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/Katy_Deville05-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4360\" class=\"wp-caption-text\">Katy Deville<\/p><\/div>\n<p><strong>O que \u00e9 teatro de objetos?<\/strong><br \/>\nO Teatro de Objetos \u00e9 o teatro no qual representamos com objetos sem transformar a sua natureza, isto \u00e9, sem fazer dele uma marionete, mas criando uma dramaturgia a partir da associa\u00e7\u00e3o de ideias que esse objeto, que est\u00e1 em cena, desperta no espectador. Essa associa\u00e7\u00e3o de ideias, vem primeiramente, pela utiliza\u00e7\u00e3o que damos a esse objeto no cotidiano de todos n\u00f3s, criando uma met\u00e1fora com essa fun\u00e7\u00e3o. Por isso no Th\u00e9\u00e2tre de Cuisine, n\u00f3s falamos que os objetos usados nos espet\u00e1culos devem ser objetos manufaturados e reconhec\u00edveis por todos. Claro que, depois, para criar uma dramaturgia mais potente, pedimos aos atores para trabalharem com objetos carregados de alguma mem\u00f3ria e assim poder encenar uma hist\u00f3ria muito particular onde o ator tamb\u00e9m se torna dramaturgo.<\/p>\n<p><strong>Qual a diferen\u00e7a entre teatro de objetos e teatro de anima\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nA diferen\u00e7a \u00e9 que no teatro de objetos, a manipula\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o mais importante, muito pelo contr\u00e1rio, \u00e9 uma manipula\u00e7\u00e3o muito casual e nada formal. Os atores est\u00e3o sempre \u00e0 vista do p\u00fablico e s\u00e3o, na maioria das vezes, autores das suas pr\u00f3prias hist\u00f3rias. A dramaturgia nasce da met\u00e1fora usando o mesmo mecanismo que usamos na poesia. No teatro de objetos n\u00e3o h\u00e1 inten\u00e7\u00e3o de humanizar um objeto, diferente do teatro de anima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Foi voc\u00ea quem cunhou o termo &#8220;teatro de objetos&#8221;. Em que circunst\u00e2ncias?<\/strong><br \/>\nQuando eu conheci Cristhian Carrignon, eu vinha do teatro de marionetes e me sentia muito \u00e0 vontade. Ent\u00e3o, conheci Cristhian Carrignon, que vinha do teatro de atores, mas n\u00e3o se sentia \u00e0 vontade l\u00e1. Come\u00e7amos a fazer alguma coisa juntos em cima de uma mesa, no in\u00edcio com legumes, mas depois com objetos. Isso foi nos anos 1980. Nesse ano ent\u00e3o conhecemos outras companhias como o Velo Theatre, Gare Central, Bricciolle, Theatre Manarf, que faziam um tipo de teatro muito parecido com o que faz\u00edamos e com o qual nos identific\u00e1vamos e que n\u00e3o era considerado, pelos marionetistas, como teatro de marionetes, nem pelos atores como teatro. Um dia, depois de assistir ao espet\u00e1culo <em>Pequenos suic\u00eddios<\/em> (que faz parte da programa\u00e7\u00e3o deste FITO), sa\u00edmos todos juntos vibrando com o que t\u00ednhamos visto, a genialidade daquele espet\u00e1culo onde um Sal de Frutas, se sentindo exclu\u00eddo, por um conjunto de balas (doces), se suicida ao se jogar num copo de \u00e1gua. No meio de risadas, eu disse que o que faz\u00edamos era teatro de objetos, e essa terminologia ficou e foi se difundido com aquelas companhias e outras que surgiram depois.<\/p>\n<div id=\"attachment_4345\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/RocamoraPequenos-Suicidios.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4345\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-4345\" title=\"Pequenos su\u00edc\u00eddios\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/RocamoraPequenos-Suicidios.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/RocamoraPequenos-Suicidios.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/RocamoraPequenos-Suicidios-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4345\" class=\"wp-caption-text\">Pequenos suic\u00eddios, Rocamora<\/p><\/div>\n<p><strong>Queria saber um pouco da sua hist\u00f3ria. Quando voc\u00ea come\u00e7ou no teatro? Era tradicional? E a partir de que ponto voc\u00ea come\u00e7ou a trabalhar com objetos?<\/strong><br \/>\nEu trabalhava com teatro de marionetes. Durante muitos anos, trabalhei na companhia de Philippe Genty, que \u00e9 considerado um dos maiores nomes do teatro de anima\u00e7\u00e3o, mas que trabalha numa linha mais h\u00edbrida, com formas, n\u00e3o necessariamente com bonecos. Hoje ele trabalha com atores que tenham uma forma\u00e7\u00e3o de dan\u00e7a. Quando ainda est\u00e1vamos na Companhia de Philippe Genty comecei o teatro de objetos com Cristhian Carrignon. Philippe Genty viu os nossos espet\u00e1culos do Th\u00e9\u00e2tre de Cuisine e apontou que se tratava de algo diferente dentro do teatro de anima\u00e7\u00e3o. Depois, mais adiante, nas suas oficinas, ministradas em muitos pa\u00edses, ele apresentava um m\u00f3dulo de teatro de objetos, como uma vertente do teatro de anima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Li que &#8220;todo objeto animado, quando bem manipulado, neutraliza a presen\u00e7a do ator&#8221;. Voc\u00ea concorda com essa afirma\u00e7\u00e3o? Como o ator lida com isso?<\/strong><br \/>\nUma das t\u00e9cnicas que n\u00f3s utilizamos no teatro de Objetos e de anima\u00e7\u00e3o para conduzir o olhar do espectador para o boneco ou objeto que manipulamos, \u00e9 justamente trabalhar uma postura mais neutra do ator-manipulador. Mas no teatro de objetos, \u00e0s vezes precisamos n\u00e3o ser neutros, \u00e0s vezes passamos o foco do objeto propositalmente para o manipulador, como se fosse um extens\u00e3o do objeto, ou como se fosse um recurso cinemat\u00f3grafico, como se fosse um zoom, como se sa\u00edssemos de um plano aberto para um fechado. \u00c0s vezes trabalhamos uma postura mais exagerada. O teatro de objetos, muitas vezes tem uma dose de crueldade e o ator joga com isso.<\/p>\n<p><strong>Que tipo de treinamento, de habilidade, o teatro de objetos requer do ator?<\/strong><br \/>\nNo teatro de objetos o ator deve ser um poeta, antes de mais nada. A forma \u00e9 t\u00e3o simples, que o que se diz deve ser potente, deve ser forte e provocador. O ator deve ser capaz de perder o medo de se expor e colocar o que h\u00e1 de mais \u00edntimo, na mem\u00f3ria que os objetos lhe remetem.<\/p>\n<p><strong>Numa vida t\u00e3o racional, t\u00e3o corrida, o que significa conseguir enxergar, em objetos comuns, personagens?<\/strong><br \/>\nO teatro de objetos \u00e9 de nosso tempo e de nossa sociedade. Qualquer que seja a hist\u00f3ria contada, o teatro de objetos fala sobre n\u00f3s, atrav\u00e9s dos seus objetos manufaturados reconhec\u00edveis por todos. O teatro de objetos fala das pequenas coisas cotidianas. Cada espectador tem a lembran\u00e7a pessoal ligada a tal objeto. A qualidade de ver outras coisas atrav\u00e9s dos objetos \u00e9 a de tocar nossa intimidade, de interrogar o enigma que n\u00f3s somos aos olhos dos outros. Num tempo de pressa e t\u00e3o racional parece que o nosso interior pede isso cada vez mais.<\/p>\n<p><strong>Apesar de inicialmente pensarmos que o teatro de objetos teria uma rela\u00e7\u00e3o muito forte com o teatro infantil (n\u00e3o que isso n\u00e3o possa acontecer), nos surpreendemos ao encarar as possibilidades de cr\u00edtica social que o teatro de objetos apresenta.<\/strong><br \/>\nO teatro de objetos sempre foi para adultos, justamente por essa proposta de um jogo mental que o espectador deve fazer de associa\u00e7\u00e3o de ideias, met\u00e1foras e figuras de linguagens, ferramentas que um adulto domina mais do que uma crian\u00e7a. Hoje temos espet\u00e1culos de teatro infantil de teatro de objetos, mas esse jogo de associa\u00e7\u00e3o se d\u00e1 pela forma: como o martelo que \u00e9 um bode, na chamada do FITO. Mas n\u00e3o pela associa\u00e7\u00e3o de ideias da sua fun\u00e7\u00e3o com outro significado, como por exemplo, no espet\u00e1culo <em>Pequenos Suic\u00eddios<\/em>, em que o Sal de Fruta se joga num copo de \u00e1gua e se suicida. Esse jogo mental uma crian\u00e7a muito pequena n\u00e3o \u00e9 capaz de fazer e nem vai ver o humor e ironia nisso.<\/p>\n<p><strong>Queria que voc\u00ea falasse um pouco sobre as rela\u00e7\u00f5es entre pol\u00edtica e teatro de objetos.<\/strong><br \/>\nO objeto a partir de sua cria\u00e7\u00e3o, seja ela artesanal ou industrial, tem uma hist\u00f3ria, mais ele pode mudar sua imagem primeiro a partir da rela\u00e7\u00e3o com o ator. Tudo pode ser sublimado ou rejeitado. Nesse sentido, o objeto tem um car\u00e1ter pol\u00edtico, na concep\u00e7\u00e3o mais pura desta palavra. Ele \u00e9 atuante, \u00e9 cr\u00edtico, tem personalidade. N\u00f3s n\u00e3o temos rela\u00e7\u00f5es t\u00edpicas com os objetos. As rela\u00e7\u00f5es se modificam a partir de cada processo criativo, at\u00e9 quase desaparecer dentro das \u00faltimas cria\u00e7\u00f5es. Mas isso n\u00e3o quer dizer que somos fetichistas. \u00c9 verdade que nossos temas prediletos giram em torno da inf\u00e2ncia, da nossa inf\u00e2ncia, n\u00f3s que envelhecemos todos os dias&#8230;<\/p>\n<p><strong>No teatro de objetos, o texto tem uma import\u00e2ncia menor?<\/strong><br \/>\nO texto no teatro de objetos \u00e9 muito importante, tem um papel fort\u00edssimo, mas porque s\u00e3o texto muitas vezes autobiogr\u00e1ficos. Nascem da rela\u00e7\u00e3o que o objeto desperta nesse ator que est\u00e1 disposto a expor o que h\u00e1 de mais \u00edntimo nele. O texto n\u00e3o tem um papel secund\u00e1rio. Na verdade, o teatro de objetos faz criar textos muitos profundos e provocadores que n\u00e3o seriam criados de outra forma a n\u00e3o ser com essa linguagem.<\/p>\n<p><strong>Normalmente, os espet\u00e1culos de teatro de objetos s\u00e3o para poucas pessoas. Isso \u00e9 diferente para o ator? Muda a rela\u00e7\u00e3o com a plateia?<\/strong><br \/>\nO bonito do teatro de objetos \u00e9 isso, \u00e9 um teatro onde a forma como s\u00e3o encenadas as hist\u00f3rias faz parecer que estamos todos no mesmo barco, num momento m\u00e1gico e delicado, um encontro \u00edntimo entre atores e manipuladores. A diferen\u00e7a para o ator \u00e9 que essa proximidade e intimidade o obriga a tomar posturas, a revelar o seu ponto de vista em rela\u00e7\u00e3o ao que se est\u00e1 falando em cena.<\/p>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 escreveu que &#8220;o objeto do teatro de objetos tem uma identidade cultural e \u00e9 experimentado-o em diferentes culturas que ele se torna universal&#8221;. Qual a diferen\u00e7a do teatro de objetos feito aqui no Brasil e na Europa? Como voc\u00ea j\u00e1 esteve em edi\u00e7\u00f5es do Fito, de quais grupos brasileiros voc\u00ea destacaria o trabalho?<br \/>\nO que mais me chamou a aten\u00e7\u00e3o no teatro de objetos no Brasil \u00e9 a quantidade de espet\u00e1culos voltados para o p\u00fablico infantil. Na Europa, temos poucos trabalhos direcionados para as crian\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea tamb\u00e9m disse que o teatro de objetos na Europa continua confidencial. Porque isso?<\/strong><br \/>\nO teatro de objetos \u00e9 confidencial e \u00edntimo. Mas hoje em dia temos companhias muito jovens que trabalham hist\u00f3rias menos intimistas, mais cinematogr\u00e1ficas e que brincam com todos os c\u00f3digos que esta linguagem permite. J\u00e1 vi encenado uma esp\u00e9cie de espet\u00e1culo policial, com persegui\u00e7\u00f5es de carros, escaladas de pr\u00e9dios, etc, que tomam um ar muito engra\u00e7ado.<\/p>\n<div id=\"attachment_4347\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/20minutossobomar.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4347\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-4347\" title=\"20 minutos sob o mar\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/20minutossobomar.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/20minutossobomar.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/20minutossobomar-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4347\" class=\"wp-caption-text\">20 minutos sob o mar<\/p><\/div>\n<p><strong>Queria saber um pouco do espet\u00e1culo 20 minutos sob o mar. Quando foi criado? De quem foi a ideia? Onde j\u00e1 foi apresentado? Quais s\u00e3o as especificidades?<\/strong><br \/>\nO espet\u00e1culo foi criado a partir de um sentimento meu de uma raiva de mulher, de f\u00eamea, de feminista, mas isso naquela \u00e9poca, em que o modelo de mulher era ou a bela e fatal como Brigitte Bardot, ou aquelas esposas cheias de filhos que n\u00e3o trabalhavam. Por isso, o nome <em>mar<\/em> que em franc\u00eas tem uma semelhan\u00e7a com a palavra m\u00e3e. Era a oportunidade que eu encontrei de mostrar os dois lados da mulher, da m\u00e3e. Aqui no Brasil j\u00e1 o apresentei em todas as edi\u00e7\u00f5es do Fito.<\/p>\n<p><strong>Quantas pessoas formam o Th\u00e9\u00e2tre de Cuisine? Voc\u00eas s\u00f3 trabalham com objetos?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s trabalhamos somente com teatro de objetos. O Th\u00e9\u00e2tre de Cuisine \u00e9 uma companhia est\u00e1vel que recebe uma subven\u00e7\u00e3o do governo. Temos um quadro est\u00e1vel na \u00e1rea de administra\u00e7\u00e3o e trabalhamos com 3 artistas fixos e 4 a 5 atores convidados dependendo do espet\u00e1culo.<\/p>\n<p>Confira a programa\u00e7\u00e3o completa do Fito no <a title=\"www.fitofestival.com.br\" href=\"http:\/\/www.fitofestival.com.br\/2011\/programacao\">http:\/\/www.fitofestival.com.br\/2011\/programacao<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aguarde mem\u00f3rias familiares. De uma inf\u00e2ncia em que caixas de f\u00f3sforo viravam soldados, talheres poderiam ser reis, qualquer coisa que tiv\u00e9ssemos \u00e0 m\u00e3o era instantaneamente personagem de um roteiro original. N\u00e3o \u00e9 preciso saber o que \u00e9 teatro de objetos. Na realidade, faz bem pouco tempo que o termo foi criado &#8211; d\u00e9cada de 1970. 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