{"id":41,"date":"2011-01-06T14:45:46","date_gmt":"2011-01-06T14:45:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=41"},"modified":"2011-01-19T05:20:07","modified_gmt":"2011-01-19T05:20:07","slug":"a-estupidez-da-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/a-estupidez-da-guerra\/","title":{"rendered":"A estupidez da guerra"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_79\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/osfuzis2.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-79\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-79  \" title=\"Os fuzis da senhora Carrar\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/osfuzis2.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"337\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/osfuzis2.jpg 500w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/osfuzis2-300x202.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-79\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Val Lima\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">Um pequeno tablado com uma janelinha suspensa, luz branca, gestual que ati\u00e7a antigos sonhos, dez bons atores e uma dire\u00e7\u00e3o primorosa para dar conta de problemas \u00e9ticos e das utopias renovadas em <em>Os fuzis da Senhora Carrar<\/em>, com texto do dramaturgo alem\u00e3o Bertolt Brecht. A montagem \u00e9 uma revisita\u00e7\u00e3o est\u00e9tica e hist\u00f3rica de outra encena\u00e7\u00e3o de <em>Os fuzis&#8230;<\/em> realizada em 1978, pelo Grupo Teatro Hermilo Borba Filho, com dire\u00e7\u00e3o de Marcus Siqueira. E faz parte do projeto de pesquisa cultural Transgress\u00e3o em tr\u00eas atos, desenvolvido pelos jornalistas Cl\u00e1udio Bezerra, Alexandre Figueir\u00f4a e Stella Maris Saldanha, que protagoniza a pe\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>Os Fuzis da Senhora Carrar<\/em> leva \u00e0 cena a hist\u00f3ria de Tereza Carrar, moradora de uma pequena vila de pescadores e m\u00e3e de Pedro e Juan. O tempo \u00e9 de conflito entre pacifistas e soldados, entre homens comuns e revolucion\u00e1rios anti-franquistas. Mas nossa protagonista j\u00e1 perdeuo marido e faz qualquer coisa para n\u00e3o ver os filhos metidos na guerra. A pe\u00e7a foi escrita por Brecht em 1937, no per\u00edodo da Guerra Civil Espanhola, que durou de 1936 a 1939. Dizem que n\u00e3o existe dor maior do que perder um filho (a). Tereza tenta evitar essa dor. N\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil, os generais avan\u00e7am e a perda da liberdade se faz sentir cada vez mais perto. Como manter a neutralidade diante de uma situa\u00e7\u00e3o dessas? Mas como entregar seus jovens filhos a uma guerra sangrenta, da qual dificilmente se sobrevive?<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Sabemos que Brecht imaginava que o teatro deveria servir como instrumento de transforma\u00e7\u00e3o social e de reflex\u00e3o cr\u00edtica da plateia. Mas Senhora Carrar \u00e9 a mais dram\u00e1tica das pe\u00e7as do dramaturgo alem\u00e3o. \u00c9 estruturada de forma linear e nos faz acompanhar a decis\u00e3o tr\u00e1gica dessa mulher que, diante dos acontecimentos n\u00e3o encontra outra alternativa para se manter viva.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&#8220;Por quem lutar ou enlutar, Carrar?&#8221;, pergunta o encenador Jo\u00e3o Denys no programa da pe\u00e7a, em meio a uma avalanche de questionamentos que a pr\u00f3pria montagem j\u00e1 desperta. L\u00e1 atr\u00e1s, na ditadura do general Franco, as atrocidades e os terrores da guerra, o sacrif\u00edcio humano e a barb\u00e1rie. A guerra hoje \u00e9 mais dif\u00edcil. Existe uma letargia diante do capitalismo que dita destinos e as facilidades de comunica\u00e7\u00e3o sufocam o verdadeiro di\u00e1logo. Mas diante da intoler\u00e2ncia, da mis\u00e9ria e da grotesca realidade cotidiana, da subservi\u00eancia ou do torpor, a Senhora Carrar de Stella Maris Saldanha e de Jo\u00e3o Denys se insurge para lembrar da humanidade, sem romantismo ou hero\u00edsmo. Mas carregada de emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Com seus rostos pintados de branco, os atores agem com a grandeza que o texto merece. A atua\u00e7\u00e3o de Stella Maris Saldanha como a protagonista Tereza \u00e9 de tirar o chap\u00e9u. Voz clara, gestos firmes e nuances comoventes de uma m\u00e3e que luta enquanto pode para proteger seus filhotes. Ela sangra no palco e essa dor atinge o p\u00fablico. O ator Roger Bravo faz Jos\u00e9, o filho de Tereza que quer ir para o front. Uma performance convincente. Jos\u00e9 Ramos faz o oper\u00e1rio com garra e compet\u00eancia. Os tr\u00eas ficam a maior parte do tempo em cena. Alfredo Borba faz o papel do padre reacion\u00e1rio com destreza.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\n<div id=\"attachment_79\" style=\"width: 472px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/osfuzis4.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-79\" loading=\"lazy\" class=\" \" title=\"Os fuzis da senhora Carrar\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/osfuzis4.jpg\" alt=\"\" width=\"462\" height=\"332\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-79\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Val Lima\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Tamb\u00e9m participam do elenco, em papeis menores mas n\u00e3o menos importantes: Ailton Brito, Evandro Lira, Karina Falc\u00e3o, Socorro Albino, e Antonio Marinho. Enquanto n\u00e3o est\u00e3o no palco, o elenco fica sentado na primeira fila. A dire\u00e7\u00e3o de arte (cen\u00e1rio, figurino e maquilagem) \u00e9 assinada pelo pr\u00f3prio Jo\u00e3o Denys. A sonoplastia, tamb\u00e9m de Denys, amplifica a carga das cenas. Um espet\u00e1culo ainda mais necess\u00e1rio neste come\u00e7o de s\u00e9culo 21.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um pequeno tablado com uma janelinha suspensa, luz branca, gestual que ati\u00e7a antigos sonhos, dez bons atores e uma dire\u00e7\u00e3o primorosa para dar conta de problemas \u00e9ticos e das utopias renovadas em Os fuzis da Senhora Carrar, com texto do dramaturgo alem\u00e3o Bertolt Brecht. A montagem \u00e9 uma revisita\u00e7\u00e3o est\u00e9tica e hist\u00f3rica de outra encena\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"categories":[1],"tags":[13,12,14],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":172,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41\/revisions\/172"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}