{"id":4061,"date":"2011-12-31T10:57:07","date_gmt":"2011-12-31T13:57:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=4061"},"modified":"2011-12-31T11:14:50","modified_gmt":"2011-12-31T14:14:50","slug":"o-theatre-du-soleil-no-brasil-em-2011","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/o-theatre-du-soleil-no-brasil-em-2011\/","title":{"rendered":"O Th\u00e9\u00e2tre du Soleil no Brasil, em 2011"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_5044\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/esperan\u00e7a1.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-5044\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/esperan\u00e7a1.jpg\" alt=\"\" title=\"Th\u00e9\u00e2tre du Soleil - N\u00e1ufragos da louca esperan\u00e7a. Foto Ivana Moura\" width=\"600\" height=\"339\" class=\"size-full wp-image-5044\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/esperan\u00e7a1.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/esperan\u00e7a1-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5044\" class=\"wp-caption-text\">Os N\u00e1ufragos da louca esperan\u00e7a. Foto Ivana Moura<\/p><\/div>\n<p>Uma das grandes experi\u00eancias que vivi em 2011 foi assistir ao espet\u00e1culo <em>Les naufrag\u00e9s du Fol Espoir<\/em> (Aurores) do Th\u00e9\u00e2tre du Soleil, em S\u00e3o Paulo. Desde a aventura de conseguir um ingresso (agrade\u00e7o a Jos\u00e9 Manoel, Galiana Brasil, Sidnei Martins e pessoal do Sesc) at\u00e9 a encena\u00e7\u00e3o em si. <\/p>\n<p>O Th\u00e9\u00e2tre du Soleil tem 48 anos de exist\u00eancia, mas s\u00f3 veio ao Brasil pela primeira vez em 2007, com <em>Les \u00e9ph\u00e9m\u00e8res<\/em>, uma encena\u00e7\u00e3o deslumbrante, que estreou no Porto Alegre em Cena e depois fez uma pequena temporada em S\u00e3o Paulo. <\/p>\n<p>Este ano o grupo franc\u00eas trouxe <em>Os n\u00e1ufragos da louca esperan\u00e7a<\/em> para Sampa em outubro, Rio de Janeiro, em novembro e Porto Alegre (Canoas) em dezembro. Foram quase tr\u00eas meses no Brasil. Al\u00e9m da pe\u00e7a, o Soleil ofereceu palestras com a diretora Ariane Mnouchkine e oficinas com outros integrantes em algumas cidades do pa\u00eds. <\/p>\n<p>O ator e diretor Maurice Durozier ministrou oficina no Recife em setembro, gra\u00e7as \u00e0 iniciativa do Coletivo Angu de Teatro, com patroc\u00ednio da Prefeitura do Recife e do Sesc Pernambuco. Foi um curso pr\u00e1tico de interpreta\u00e7\u00e3o, <em>O teatro \u00e9 o outro<\/em>, e quem participou j\u00e1 quer mais. <\/p>\n<p>Os frutos dessa passagem do Soleil pelo Brasil ser\u00e3o vistos em breve. <\/p>\n<div id=\"attachment_5045\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/esperan\u00e7a2.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-5045\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/esperan\u00e7a2.jpg\" alt=\"\" title=\"Os N\u00e1ufragos da louca esperan\u00e7a- Foto Ivana moura\" width=\"600\" height=\"339\" class=\"size-full wp-image-5045\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/esperan\u00e7a2.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/esperan\u00e7a2-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5045\" class=\"wp-caption-text\">Montagem tem quatro horas de dura\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p><em>Les naufrag\u00e9s du Fol Espoir <\/em>(<em>Aurores<\/em>) \u00e9 uma montagem de quatro horas de dura\u00e7\u00e3o,  inspirada no romance p\u00f3stumo <em>Os n\u00e1ufragos do Jonathan<\/em>, de Julio Verne, com dramaturgia de H\u00e9l\u00e8ne Cixous. <\/p>\n<p>O elenco de mais de trinta artistas, liderado pela atriz carioca Juliana Carneiro da Cunha, encena essa hist\u00f3ria embalados por uma trilha sonora original executada ao vivo pelo compositor Jean-Jacques Lem\u00eatre. Os atores se desdobram em v\u00e1rios pap\u00e9is.<\/p>\n<p>O que vemos em cena \u00e9 uma trupe fascinada pela chegada do cinemat\u00f3grafo e que no s\u00f3t\u00e3o do cabar\u00e9 Louca esperan\u00e7a realiza o sonho de rodar um filme. O grupo nos leva a 1914, \u00e0s v\u00e9speras da Primeira Guerra Mundial. O romance p\u00f3stumo de J\u00falio Verne <em>Os N\u00e1ufragos do Jonathan<\/em> relata a edifica\u00e7\u00e3o no Cabo Horn, ao extremo Sul do Chile, de uma pequena sociedade, pelos sobreviventes de um naufr\u00e1gio. O filme mostra um grupo de imigrantes que, no final do s\u00e9culo XIX, partem rumo \u00e0 Austr\u00e1lia, mas naufragam na g\u00e9lida Terra do Fogo, onde tentam forjar uma comunidade socialista. <\/p>\n<div id=\"attachment_5046\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/esperan\u00e7a5.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-5046\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/esperan\u00e7a5.jpg\" alt=\"\" title=\"Os N\u00e1ufragos da louca esperan\u00e7a - foto ivana moura\" width=\"600\" height=\"339\" class=\"size-full wp-image-5046\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/esperan\u00e7a5.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/esperan\u00e7a5-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5046\" class=\"wp-caption-text\">Melhor espet\u00e1culo internacional que veio ao Brasil em 2011<\/p><\/div>\n<p>A utopia do <em>Les Naufrag\u00e9s du Fol Espoir<\/em> remete para o pr\u00f3prio projeto art\u00edstico do grupo, que aposta na indissoci\u00e1vel  parceria de \u00e9tica e est\u00e9tica, na arte com poder transformador e na igualdade de direitos (e deveres) de seus participantes<\/p>\n<p>A sofistica\u00e7\u00e3o da montagem, e talvez a\u00ed tamb\u00e9m um dificuldade de leitura, conta com o recurso da mise en ab\u00eeme &#8211; uma hist\u00f3ria dentro da hist\u00f3ria, dentro da hist\u00f3ria, e assim indefinidamente \u2013 que lembra uma babuska, a tradicional bonequinha russa. <\/p>\n<p>S\u00e3o apresentados tr\u00eas planos narrativos: as lembran\u00e7as de um dos atores do filme, atrav\u00e9s da voz off de sua neta, falando do que se passa no set e da pol\u00edtica da Europa pr\u00e9-guerra; o que se passa no est\u00fadio amador montado no cabar\u00e9 \u00e0 beira do Marne; e a fita, com os atores mexendo os l\u00e1bios sem emitir som, arregalando os olhos, tremendo e agitando-se, com suas gags, dramas, cenas de bravura, de erotismo, e revolta.<\/p>\n<div id=\"attachment_5049\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/espean\u00e7a8.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-5049\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/espean\u00e7a8.jpg\" alt=\"\" title=\"Os n\u00e1ufragos da louca esperan\u00e7a\" width=\"600\" height=\"339\" class=\"size-full wp-image-5049\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/espean\u00e7a8.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/espean\u00e7a8-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5049\" class=\"wp-caption-text\">Pe\u00e7a fex temporda em S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre<\/p><\/div>\n<p>As filmagens do naufr\u00e1gio ocorrem em ritmo fren\u00e9tico. O cen\u00e1rio \u00e9 uma taberna parisiense, cedida  pelo taberneiro Felix e  transformada em um set de filmagem. Jean La Palette, diretor de cinema egresso dos est\u00fadios Path\u00e9, e sua irm\u00e3 Gabrielle decidem rodar um filme mudo, tendo no elenco, cozinheiros, gar\u00e7ons e frequentadores da taberna.<br \/>\nUma multid\u00e3o de personagens ocupam o palco, como um arquiduque, capitalistas selvagens, jovens amantes, mission\u00e1rios, assassinos, ind\u00edgenas, colonizadores gananciosos, traidores.<\/p>\n<p>\u00c9 impressionante a agilidade nas mudan\u00e7as de cenas e t\u00e9cnica para mostrar como se filmava naquela \u00e9poca, com todas as precariedades, como balan\u00e7ar de saias ligadas por cord\u00f5es ou utiliza ventiladores pra forjar a ventania. <\/p>\n<p>O Th\u00e9\u00e2tre du Soleil promove uma reflex\u00e3o sobre a utopia no teatro e na pol\u00edtica. Muito interessante para esses tempos p\u00f3s-ut\u00f3picos. <\/p>\n<div id=\"attachment_5039\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/Ariane-Mnouchkine_1.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-5039\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/Ariane-Mnouchkine_1.jpg\" alt=\"\" title=\"Ariane Mnouchkine_1\" width=\"600\" height=\"400\" class=\"size-full wp-image-5039\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/Ariane-Mnouchkine_1.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/Ariane-Mnouchkine_1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5039\" class=\"wp-caption-text\">Ariane Mnouchkine, diretora do Th\u00e9\u00e2tre du Soleil<\/p><\/div>\n<p><strong>Palestra-debate da fundadora e diretora do Th\u00e9\u00e2tre du Soleil, Ariane Mnouchkine<\/strong><br \/>\nFunarte \u2013 Teatro Dulcina \u2013 Rio de Janeiro<br \/>\n11 de novembro de 2011<br \/>\n(http:\/\/www.funarte.gov.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/Palestra-debate_Th%C3%A9%C3%A2tre-du-Soleil_Ariane-Mnuchkine_Rio_2011.pdf)<\/p>\n<p><strong>Resumo das respostas<\/strong><\/p>\n<p><strong>Trabalho e motiva\u00e7\u00e3o <\/strong>\u2013 \u201cO entusiasmo \u00e9 fundamental. Ele \u00e9 uma soma de dois elementos: o primeiro \u00e9 trabalho \u2013 a pr\u00f3prio fazer e a pr\u00f3pria obra; o segundo \u00e9 o desejo e a forte vontade de realizar\u201d<\/p>\n<p><strong>Lidar com o tempo<\/strong> \u2013 \u201cO tempo se vinga do que se faz sem consider\u00e1-lo. Portanto, procuro n\u00e3o irritar o tempo.\u201d<\/p>\n<p><strong>A \u201clouca esperan\u00e7a\u201d do teatro e da arte <\/strong>\u2013 \u201cO teatro \u00e9 um momento de utopia, derivado da capacidade de doa\u00e7\u00e3o do elenco e do p\u00fablico. A arte prov\u00e9m da espectativa de transformar. Quando n\u00e3o existe a esperan\u00e7a verdadeira de transformar uma pessoa que seja, na plateia, n\u00e3o h\u00e1 teatro propriamente dito, mas, apenas uma representa\u00e7\u00e3o vazia de sentido. \u00c9 necess\u00e1rio que haja esta expectativa\u201d.<\/p>\n<p><strong>O fazer teatral<\/strong> &#8211; \u201cHouve quem dissesse que fazer teatro \u00e9 como um naufr\u00e1gio. Mas n\u00e3o. \u00c9 como uma explora\u00e7\u00e3o. \u00c9 tal qual explorar um mar desconhecido, na qual, sim, se corre o risco do naufr\u00e1gio. Mas, sem este, n\u00e3o h\u00e1 explora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>O processo de cria\u00e7\u00e3o e escolha de personagens <\/strong>\u2013 \u201cOs personagens s\u00e3o propostos aos atores, mas a escolha acontece durante o processo da cria\u00e7\u00e3o, no qual os personagens tamb\u00e9m se transformam, ganham novas caracter\u00edsticas. Cito o exemplo de uma personagem de camareira, que propus a uma atriz. Foi um longo processo de cria\u00e7\u00e3o. Dos muitos personagens que propus, foi criado este, uma coadjuvante. Era uma mulher comum, um tanto fr\u00e1gil. Mas a atriz, em meio ao ensaio, numa improvisa\u00e7\u00e3o, mudou a personalidade da camareira. Ela foi ficando mais feroz,<br \/>\nagressiva. Diante disso, eu sugeri que ela se transformasse num homem que, na sequ\u00eancia, virou um quitandeiro, que foi crescendo na narrativa! Todos o adoraram! Ele se tornou o mecenas do grupo que, na pe\u00e7a, produziria um filme. Assim, ele foi criado no processo de ensaio e ganhou import\u00e2ncia depois. Foi criada para ele uma pequena \u201cguinguette\u201d (taverna popular, ao ar livre, onde se bebe, come e dan\u00e7a) e o personagem cresceu \u2013 um quitandeiro que amava cinema, e trazia legumes e verduras para a produ\u00e7\u00e3o e um tipo de mecenas, \u201ccresce\u201d e se transforma num taverneiro, que cede um espa\u00e7o para os outros personagens desenvolverem a trama. Eis um exemplo concreto do que pode ocorrer durante o processo de cria\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p><strong>O \u201couvir\u201d e a cria\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo e dos personagens <\/strong>\u2013 \u201cA primeira tarefa e a primeira ferramenta do ator e do diretor \u00e9 o ouvir. Antes do falar, antes do agir, primeiro \u00e9 receber. Se eu n\u00e3o tivesse escutado a camareira, com sua autoridade quase masculina, as coisas n\u00e3o teriam tomado aquele rumo.\u201d<\/p>\n<p><strong>Processo de cria\u00e7\u00e3o e trabalho colaborativo <\/strong>\u2013 \u201cBasicamente, nos reunimos e conversamos. H\u00e1 liberdade para criar. Eu escuto antes os atores. O pacto que existe \u00e9 n\u00e3o haver censura, nem a mim nem ao elenco. Os atores tamb\u00e9m se re\u00fanem e trocam ideias entre si. Fa\u00e7o quest\u00e3o de n\u00e3o participar e n\u00e3o interferir, neste momento. N\u00e3o se discute a qualidade das ideias, mas sim como realiz\u00e1-las. Isso \u00e9 um dos elementos mais importantes e mais formadores. A seguir, eles conversam um pouco, e logo se p\u00f5em a trabalhar para a coisa, concretamente. V\u00e3o \u00e0 oficina, para fabricar o<br \/>\nque for necess\u00e1rio. Nada de discuss\u00e3o filos\u00f3fica, porque isto \u00e9 fuga. Evitamos o bl\u00e1-bl\u00e1-bl\u00e1. O debate filos\u00f3fico acontece depois. Consideramos o tempo que temos como oportunidade para agir.\u201d<\/p>\n<p><strong>Dramaturgia x cria\u00e7\u00e3o em processo<\/strong> \u2013 \u201cN\u00e3o temos dramaturgo, nem roteiro pr\u00e9-estabelecido. A cria\u00e7\u00e3o \u00e9 coletiva e ocorre no processo de elabora\u00e7\u00e3o e de ensaios. Entre come\u00e7ar com um roteiro e utilizar a cria\u00e7\u00e3o livre, prefiro come\u00e7ar com o \u201cnada\u201d, com o \u201cdeserto\u201d. Nele, realmente, se pode criar. Isto faz parte do processo de cria\u00e7\u00e3o. Mas me tocam muito certos autores contempor\u00e2neos, como o canadense Robert Lepage, por exemplo.\u201d<\/p>\n<p><strong>O papel do diretor <\/strong>&#8211; \u201cO trabalho \u00e9, de fato, coletivo. Mas \u00e9 vis\u00edvel e necess\u00e1rio tamb\u00e9m o papel do diretor. Mesmo com ele, trabalhamos coletivamente, mas isso n\u00e3o significa que n\u00e3o haja algu\u00e9m que ajude o grupo a se organizar. Sen\u00e3o, seria anarquia, que \u00e9, na verdade, uma lei do mais forte disfar\u00e7ada. Costumo comparar nosso trabalho com o \u201ccurling\u201d, esporte em que equipes competem, no gelo, com o objetivo de fazer deslizar pedras lisas sobre uma pista, at\u00e9 um alvo, impresso nela. Quando algu\u00e9m lan\u00e7a uma pedra, um dos companheiros fica o tempo todo aplainando a pista, facilitando o movimento da pe\u00e7a. O trabalho do diretor \u00e9 semelhante ao deste jogador. \u00c9 ele quem tira os obst\u00e1culos, reais ou imagin\u00e1rios do caminho dos atores. Ele facilita as coisas. A dire\u00e7\u00e3o deveria ser executada mais assim do que impondo barreiras \u00e0 cria\u00e7\u00e3o. Portanto, o trabalho coletivo n\u00e3o inviabiliza a presen\u00e7a da dire\u00e7\u00e3o. A confus\u00e3o entre coletivo e an\u00e1rquico me parece politicamente perigosa. \u2013 Afinal, caso n\u00e3o houvesse coordena\u00e7\u00e3o, n\u00e3o haveria nem<br \/>\ndemocracia representativa. \u00c9 bem verdade que n\u00e3o h\u00e1, ainda, democracia participativa, porque os l\u00edderes s\u00e3o eleitos mas, muitas vezes, n\u00e3o consultam o povo, a n\u00e3o ser em \u00e9poca pr\u00f3xima de elei\u00e7\u00f5es. Mas a democracia participativa \u00e9 algo desej\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<p><strong>Cria\u00e7\u00e3o da linguagem de cada espet\u00e1culo. Direcionamento da linguagem dos atores. Solu\u00e7\u00e3o de diverg\u00eancias na dire\u00e7\u00e3o<\/strong> \u2013 \u201cCada espet\u00e1culo \u00e9 um mundo [cria sua din\u00e2mica pr\u00f3pria]. Escuto a todos e dou \u00eanfase ao que parece evidentemente maravilhoso. Ao que n\u00e3o tem nada a ver com o espet\u00e1culo, digo n\u00e3o, simplesmente. Mas confio na criatividade e nas ideias dos atores. Se uma ideia me parece dissociada, pergunto o que ela tem a ver com o espet\u00e1culo, at\u00e9 para tentar aproveit\u00e1-la.A gera\u00e7\u00e3o de ideias \u00e9 sempre muito grande. N\u00f3s as selecionamos por elimina\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma pesquisa, uma explora\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m aprendemos com o erro, tamb\u00e9m pelo m\u00e9todo de tentativa e erro. Afinal, o teatro n\u00e3o \u00e9 ci\u00eancia exata. Se, muitas vezes n\u00e3o sabemos exatamente onde vamos chegar. O princ\u00edpio \u00e9: \u2018sabemos o que n\u00e3o queremos\u2019.\u201d<\/p>\n<p><strong>Postura do ator em rela\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico e aos colegas<\/strong> &#8211; \u201cH\u00e1 atores que se colocam acima das outras pessoas, dos demais. Por\u00e9m, num grupo de teatro, n\u00e3o h\u00e1 \u2018castas\u2019. Eu nunca trabalharia com algu\u00e9m que se recusasse a colaborar com o grupo em tarefas consideradas menores, mas que fazem parte da produ\u00e7\u00e3o. No Th\u00e9\u00e2tre du Soleil, todos os atores ajudam na confec\u00e7\u00e3o de material.\u201d<\/p>\n<p><strong>Figurino e caracteriza\u00e7\u00e3o. Cenografia<\/strong> \u2013 \u201cOs pr\u00f3prios atores buscam o material, no acervo da companhia. Eles v\u00e3o experimentando e encontrando a caracteriza\u00e7\u00e3o pouco a pouco. Depois \u00e9 que chegam as costureiras, que s\u00e3o, na realidade, mais do que isso: s\u00e3o verdadeiras consultoras e conselheiras. Mas n\u00e3o h\u00e1 figurino pronto. N\u00e3o entendo como pode ser utilizado este processo tradicional. J\u00e1 nos cen\u00e1rios \u00e9 diferente. Nos pequenos cen\u00e1rios, trabalhamos de forma inteiramente cooperativa. J\u00e1 nos grandes, nosso cen\u00f3grafo faz um projeto e uma pintora, que faz parte da equipe, trabalha na execu\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p><strong>A entrada de novos atores<\/strong> \u2013 \u201cUm trabalho como o nosso \u00e9 muito forte e muito fr\u00e1gil, ao mesmo tempo, e pode ser prejudicado por um indiv\u00edduo. Mas, felizmente, pessoas danosas ao grupo foram poucas e raras. O que \u00e9 importante para novos atores \u00e9 o compromisso. Quando algu\u00e9m entra na companhia, parto do princ\u00edpio que a pessoa dever\u00e1 ficar nela por muito tempo. Tenho dito que isto \u00e9 como um casamento. E que n\u00e3o se pode casar-se com qualquer pessoa. \u00c9 necess\u00e1ria uma boa escolha.\u201d<\/p>\n<p><strong>O processo de ensaios e o registro em v\u00eddeos <\/strong>\u2013 \u201cDe fato, h\u00e1 grupos que gravam os ensaios, como recurso de aprimoramento do trabalho. Mas nem pensamos nisto \u2013 somente se e quando algu\u00e9m do grupo tem interesse. Mas, se isso der prazer aos atores, pode ser feito. Tivemos uma experi\u00eancia, certa vez, com um palco bifrontal (plateia em ambos os lados), na qual a filmagem captou o p\u00fablico e sua emo\u00e7\u00e3o. Fizemos as grava\u00e7\u00f5es em seis apresenta\u00e7\u00f5es. N\u00e3o foi exatamente um filme, mas um registro documental do espet\u00e1culo. Em <em>Os N\u00e1ufragos da louca esperan\u00e7a<\/em>, pretendo fazer um v\u00eddeo com a atua\u00e7\u00e3o no palco. Mas n\u00e3o com os recursos visuais atual, mas<br \/>\nreproduzindo as t\u00e9cnicas do cinema antigo, como num antigo filme. Mas farei isto porque d\u00e1 prazer aos atores. Se assim n\u00e3o fosse, n\u00e3o o faria.\u201d<\/p>\n<p><strong>Dificuldade na prepara\u00e7\u00e3o e no exerc\u00edcio profissional do ator na Am\u00e9rica Latina, por falta de patroc\u00ednio direto dos governos, ao contr\u00e1rio da Fran\u00e7a. Dificuldade de disciplina dos atores, relacionada \u00e0 falta de patroc\u00ednio<\/strong><br \/>\n\u201cSim, na Fran\u00e7a h\u00e1 um sistema de incentivo privilegiado. Ela \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o cultural. L\u00e1 h\u00e1 dinheiro p\u00fablico para a cultura, para teatros p\u00fablicos e para grupos art\u00edsticos. N\u00e3o posso ir muito longe no assunto, porque n\u00e3o conhe\u00e7o muito sobre patroc\u00ednios no Brasil. Por\u00e9m, a maior parte do nosso patroc\u00ednio aqui, por exemplo, \u00e9 dinheiro p\u00fablico, como da Funarte, por exemplo, ou angariado por uma representa\u00e7\u00e3o coletiva.<br \/>\nTodavia, cabe a quest\u00e3o: \u00e9 preciso ter patroc\u00ednio para ter disciplina? Esta prov\u00e9m de ouvirmos e respeitarmos uns aos outros. Para isso voc\u00eas precisam de patroc\u00ednio? Costumo dizer que o ator deve sair da sedu\u00e7\u00e3o do falar e ouvir muito. No caso de voc\u00eas, acho que devem evitar confiar no \u2018charme latino-americano\u2019 e se p\u00f4r a trabalhar firmemente em teatro, sem se esconder em \u2018borboleteios\u2019. Para isto, n\u00e3o precisam de patroc\u00ednio. Sejam seus pr\u00f3prios patrocinadores! Mas lutem, tamb\u00e9m, procurando os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, para viabilizar patroc\u00ednios. Considero o fato de que, no Brasil, muitos atores precisam de outro trabalho para sobreviver. Sei que aqui, sua situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais dif\u00edcil e menos prop\u00edcia \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do que na Europa. Por isso, parabenizo os esfor\u00e7os de voc\u00eas\u201d.<\/p>\n<p><strong>O socialismo no contexto da \u00e9poca da cria\u00e7\u00e3o da companhia. A identidade e o papel do Th\u00e9\u00e2tre du Soleil na \u00e9poca de hoje, chamada de p\u00f3s-moderna<\/strong> \u2013 \u201cNo come\u00e7o, n\u00e3o \u00e9ramos considerados esquerdistas, mas pequenos burgueses de esquerda. O fato de n\u00e3o sermos, de fato, do movimento esquerdista causou dificuldades de relacionamento com outros grupos, que eram da esquerda radical. Mas eles desapareceram, ou foram absorvidos pelo sistema dominante. Vencemos, mas n\u00e3o como muitos esquerdistas da \u00e9poca, que se tornaram donos de jornal, ou pol\u00edticos. \u00c9 curioso, ver, por exemplo, jornais que eram mao\u00edstas radicais hoje defender o individualismo. Ao contr\u00e1rio daquele tempo, hoje, n\u00f3s \u00e9 que somos chamados de radicais&#8230; Mantemos, por exemplo, a igualdade de sal\u00e1rio, o que \u00e9 raro. Mas, se nos mantivemos neste princ\u00edpio de igualdade, isto n\u00e3o foi uma escolha politiqueira. Fazemos tudo no trabalho de forma coletiva; convivemos muito \u2013 mais de 14h juntos. Por\u00e9m, preservamos a individualidade e a vida privada de cada integrante.\u201d<br \/>\n<strong><br \/>\nO teatro conduz quest\u00f5es como liberdade e igualdade. Como \u00e9 lev\u00e1-lo a pa\u00edses onde h\u00e1 resist\u00eancia a isso? <\/strong>\u2013 \u201cO Th\u00e9\u00e2tre du Soleil n\u00e3o vai onde h\u00e1 ditaduras. S\u00f3 fomos a um \u00fanico lugar onde vi esta resist\u00eancia \u00e0 liberdade: um pa\u00eds do Oriente M\u00e9dio. Por\u00e9m, defendo o que acredito e, l\u00e1, deixei claro que defenderia meus valores. H\u00e1 princ\u00edpios transculturais e universais que defendo integralmente \u2013 por exemplo, a igualdade entre mulheres e homens. No Oriente, h\u00e1 coisas que<br \/>\nparecem t\u00e3o b\u00e1rbaras que est\u00e3o al\u00e9m das nossas torturas ocidentais. N\u00e3o \u00e9 por ser costume de uma cultura que isto seria aceit\u00e1vel. O relativismo cultural n\u00e3o \u00e9 desculpa para pr\u00e1ticas autorit\u00e1rias. Naquele pa\u00eds, exigi que houvesse mulheres nas oficinas. Eles trouxeram umas cinco ou seis, por causa disso. Foram poucas. Mas, pelo menos quatro delas est\u00e3o na Fran\u00e7a, estudando teatro!\u201d<\/p>\n<p><strong>Atuais movimentos de mobiliza\u00e7\u00e3o popular, tais como a \u201cPrimavera \u00e1rabe\u201d e suas poss\u00edveis consequ\u00eancias positivas para a \u00e1rea cultural<\/strong> &#8211; \u201c\u00c9 preciso dar tempo ao tempo, e verificar como estes movimentos v\u00e3o-se desenvolver: se v\u00e3o caminhar rumo \u00e0 democracia e \u00e0 laicidade, ou se parama volta do radicalismo religioso. Eis o cerne da quest\u00e3o. Para as mulheres, principalmente, isso \u00e9 muito importante. Tenho muita esperan\u00e7a quanto a esse processo, mas n\u00e3o o vejo como algo angelical. Em pelo menos dois pa\u00edses, a primeira coisa que fizeram foi implantar a lei religiosa. Logo,<br \/>\nvamos observar bem. Parece que as pessoas come\u00e7am a tentar respirar. H\u00e1 outro exemplo: os indignados da Espanha. Acontecem coisas tamb\u00e9m na Fran\u00e7a, ainda pouco discern\u00edveis. Mas, pelo menos, existe uma raiva. Ela pode ir para um lado ou para outro. Tenho esperan\u00e7a, mas, de qualquer forma, nosso trabalho \u00e9 subvencionado pelo dinheiro dos cidad\u00e3os franceses. Alguns nem v\u00e3o ao teatro, mas patrocinam a cultura.<br \/>\nN\u00e3o devemos ficar desesperados, mas produzir, com coragem e entusiasmo, com a for\u00e7a da intelig\u00eancia, apesar do momento que a Europa atravessa. Ela vive um tempo de muito desencanto e pessimismo \u2013 n\u00e3o como aqui. Diante disso, acho que meu papel n\u00e3o \u00e9 o de criar coisas ainda mais sombrias. Ao contr\u00e1rio, \u00e9 o de ser um pequeno farol, procurar onde brilha alguma pequena luz e trazer, junto comigo e a companhia, as centenas de pessoas, que estiverem na plateia, para<br \/>\nesta luta e para a resist\u00eancia ao absurdo. Esta seria a \u2018louca esperan\u00e7a\u2019&#8230; \u201c<\/p>\n<p><strong>A mulher o mercado de trabalho <\/strong>\u2013 \u201cNo in\u00edcio, eu n\u00e3o percebia a discrimina\u00e7\u00e3o. Quando a notei, at\u00e9 no teatro, me surgiu uma revolta. Fui percebendo que, se metade da humanidade julga a outra metade como inferior, isto s\u00f3 pode ser uma das causas de subdesenvolvimento. Mesmo na Fran\u00e7a, uma das democracias europ\u00e9ias, h\u00e1 uma discrep\u00e2ncia entre homens e mulheres na ocupa\u00e7\u00e3o de postos de trabalho e em ganhos, comprovada estatisticamente \u2013 e isso \u00e9 contra a lei l\u00e1.\u201d<\/p>\n<p><strong>In\u00edcio de carreira e descoberta da voca\u00e7\u00e3o <\/strong>\u2013 \u201cUm espet\u00e1culo que me marcou, no in\u00edcio, foi <em>Arlequim, servidor de dois patr\u00f5es<\/em> (texto de Carlo Godoni). Minha escolha da carreira aconteceu na universidade, onde comecei no teatro. Sa\u00ed de um ensaio fora de mim, como em \u00eaxtase. Foi como um amor \u00e0 primeira vista. Eu pensei: \u2018\u00e9 isto que quero fazer por toda a minha vida\u2019. Quando penso que muitos jovens n\u00e3o acham suas voca\u00e7\u00f5es, sinto que tive muita sorte em descobri-la\u201d.<\/p>\n<p><object width=\"480\" height=\"360\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/oUrBWETg4x0?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/oUrBWETg4x0?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"480\" height=\"360\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\"><\/embed><\/object><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das grandes experi\u00eancias que vivi em 2011 foi assistir ao espet\u00e1culo Les naufrag\u00e9s du Fol Espoir (Aurores) do Th\u00e9\u00e2tre du Soleil, em S\u00e3o Paulo. Desde a aventura de conseguir um ingresso (agrade\u00e7o a Jos\u00e9 Manoel, Galiana Brasil, Sidnei Martins e pessoal do Sesc) at\u00e9 a encena\u00e7\u00e3o em si. 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