{"id":341,"date":"2011-01-29T21:38:04","date_gmt":"2011-01-29T21:38:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=341"},"modified":"2011-01-29T21:44:54","modified_gmt":"2011-01-29T21:44:54","slug":"341","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/341\/","title":{"rendered":"Imperd\u00edvel Senhora Carrar"},"content":{"rendered":"\n\t\t<style type=\"text\/css\">\n\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\twidth: 25%;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t}\n\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-341 gallery-columns-4 gallery-size-thumbnail'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/341\/fuziscarrar_credito_claudia_moraes2\/'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/fuziscarrar_credito_claudia_moraes2-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/341\/fuziscarrar_credito_fotografico_claudia_moraes3\/'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/fuziscarrar_credito_fotografico_claudia_moraes3-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/341\/fuziscarrar_foto_claudia_moraes1\/'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/fuziscarrar_foto_claudia_moraes1-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/341\/fuziscarrar_fotografia_claudia_moraes4\/'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/fuziscarrar_fotografia_claudia_moraes4-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-345\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-345'>\n\t\t\t\tFotos: Cl\u00e1udia Moraes\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><br style=\"clear: both\" \/>\n\t\t<\/div>\n\n<p>Um pequeno tablado com uma janelinha suspensa, luz branca, gestual que ati\u00e7a antigos sonhos, dez bons atores e uma dire\u00e7\u00e3o primorosa para dar conta de problemas \u00e9ticos e das utopias renovadas em <em>Os fuzis da Senhora Carrar<\/em>, com texto do dramaturgo alem\u00e3o Bertolt Brecht. A montagem \u00e9 uma revisita\u00e7\u00e3o est\u00e9tica e hist\u00f3rica de outra encena\u00e7\u00e3o de <em>Os fuzis&#8230; <\/em>realizada em 1978, pelo Grupo Teatro Hermilo Borba Filho, com dire\u00e7\u00e3o de Marcus Siqueira. E faz parte do projeto de pesquisa cultural <em>Transgress\u00e3o em tr\u00eas atos<\/em>, desenvolvido pelos jornalistas Cl\u00e1udio Bezerra, Alexandre Figueir\u00f4a e Stella Maris Saldanha, que protagoniza a pe\u00e7a. <\/p>\n<p><em>Os Fuzis da Senhora Carra<\/em>r leva \u00e0 cena a hist\u00f3ria de Tereza Carrar, moradora de uma pequena vila de pescadores e m\u00e3e de Pedro e Juan. O tempo \u00e9 de conflito entre pacifistas e soldados, entre homens comuns e revolucion\u00e1rios anti-franquistas. Mas nossa protagonista j\u00e1 perdeu o marido e faz qualquer coisa para n\u00e3o ver os filhos metidos na guerra. A pe\u00e7a foi escrita por Brecht em 1937, no per\u00edodo da Guerra Civil Espanhola, que durou de 1936 a 1939. Dizem que n\u00e3o existe dor maior do que perder um filho (a). Tereza tenta evitar essa dor. N\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil, os generais avan\u00e7am e a perda da liberdade se faz sentir cada vez mais perto. Como manter a neutralidade diante de uma situa\u00e7\u00e3o dessas? Mas como entregar seus jovens filhos a uma guerra sangrenta, da qual dificilmente se sobrevive?<\/p>\n<p>Sabemos que Brecht imaginava que o teatro deveria servir como instrumento de transforma\u00e7\u00e3o social e de reflex\u00e3o cr\u00edtica da plateia. Mas <em>Senhora Carrar <\/em>\u00e9 a mais dram\u00e1tica das pe\u00e7as do dramaturgo alem\u00e3o. \u00c9 estruturada de forma linear e nos faz acompanhar a decis\u00e3o tr\u00e1gica dessa mulher que, diante dos acontecimentos n\u00e3o encontra outra alternativa para se manter viva.<\/p>\n<p>&#8220;Por quem lutar ou enlutar, Carrar?&#8221;, pergunta o encenador Jo\u00e3o Denys no programa da pe\u00e7a, em meio a uma avalanche de questionamentos que a pr\u00f3pria montagem j\u00e1 desperta. L\u00e1 atr\u00e1s, na ditadura do general Franco, as atrocidades e os terrores da guerra, o sacrif\u00edcio humano e a barb\u00e1rie. A guerra hoje \u00e9 mais dif\u00edcil. Existe uma letargia diante do capitalismo que dita destinos e as facilidades de comunica\u00e7\u00e3o sufocam o verdadeiro di\u00e1logo. Mas diante da intoler\u00e2ncia, da mis\u00e9ria e da grotesca realidade cotidiana, da subservi\u00eancia ou do torpor, a Senhora Carrar de Stella Maris Saldanha e de Jo\u00e3o Denys se insurge para lembrar da humanidade, sem romantismo ou hero\u00edsmo. Mas carregada de emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com seus rostos pintados de branco, os atores agem com a grandeza que o texto merece. A atua\u00e7\u00e3o de Stella Maris Saldanha como a protagonista Tereza \u00e9 de tirar o chap\u00e9u. Voz clara, gestos firmes e nuances comoventes de uma m\u00e3e que luta enquanto pode para proteger seus filhotes. Ela sangra no palco e essa dor atinge o p\u00fablico. O ator Roger Bravo faz Jos\u00e9, o filho de Tereza que quer ir para o front. Uma performance convincente. Jos\u00e9 Ramos faz o oper\u00e1rio com garra e compet\u00eancia. Os tr\u00eas ficam a maior parte do tempo em cena. Alfredo Borba faz o papel do padre reacion\u00e1rio com destreza. <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m participam do elenco, em papeis menores mas n\u00e3o menos importantes: Ailton Brito, Evandro Lira, Karina Falc\u00e3o, Socorro Albino, e Antonio Marinho. Enquanto n\u00e3o est\u00e3o no palco, o elenco fica sentado na primeira fila. A dire\u00e7\u00e3o de arte (cen\u00e1rio, figurino e maquilagem) \u00e9 assinada pelo pr\u00f3prio Jo\u00e3o Denys. A sonoplastia, tamb\u00e9m de Denys, amplifica a carga das cenas. Um espet\u00e1culo ainda mais necess\u00e1rio neste come\u00e7o de s\u00e9culo 21. <\/p>\n<p>SERVI\u00c7O<br \/>\n<em>Os Fuzis da Senhora Carrar<\/em>Neste s\u00e1bado, \u00e0s 21h<br \/>\nTeatro Hermilo Borba Filho.<br \/>\nIngresso R$ 10.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um pequeno tablado com uma janelinha suspensa, luz branca, gestual que ati\u00e7a antigos sonhos, dez bons atores e uma dire\u00e7\u00e3o primorosa para dar conta de problemas \u00e9ticos e das utopias renovadas em Os fuzis da Senhora Carrar, com texto do dramaturgo alem\u00e3o Bertolt Brecht. 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