{"id":3378,"date":"2011-08-01T10:29:27","date_gmt":"2011-08-01T13:29:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=3378"},"modified":"2015-10-28T02:57:20","modified_gmt":"2015-10-28T05:57:20","slug":"marieta-severo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/marieta-severo\/","title":{"rendered":"Marieta Severo"},"content":{"rendered":"<p>Todas as quintas-feiras, ela est\u00e1 na televis\u00e3o interpretando a dona de casa Nen\u00ea, esposa do Lineu, m\u00e3e da Bebel e do Turco, sogra do Agostinho. Mas nem s\u00f3 de <em>A grande fam\u00edlia<\/em> vive a atriz Marieta Severo. Muito pelo contr\u00e1rio. Ela estreou nos palcos em 1965 e geralmente tem projetos no teatro e cinema, administra ao lado da amiga e parceira de palcos e neg\u00f3cios Andrea Beltr\u00e3o o Teatro Poeira e o Poeirinha, no Rio de Janeiro, \u00e9 m\u00e3e de tr\u00eas filhas (fruto do casamento de 30 anos com Chico Buarque), tem netos e ainda arruma tempo para namorar o diretor Aderbal Freire-Filho.<\/p>\n<p>Agora ela vem ao Recife no pr\u00f3ximo fim de semana para apresentar a divertida montagem <em>As centen\u00e1rias<\/em>, um texto que o pernambucano Newton Moreno escreveu especialmente para Marieta e Andr\u00e9a. S\u00e3o duas carpideiras &#8211; aquelas mulheres que antigamente eram chamadas quando algu\u00e9m morria, para &#8220;chorar o defunto&#8221;. Socorro e Zaninha convivem com a morte, mas fogem dela como diabo da cruz. No meio de muitos causos, encontram at\u00e9 com Lampi\u00e3o. A pe\u00e7a ainda tem no elenco S\u00e1vio Moll e a dire\u00e7\u00e3o \u00e9 de Freire-Filho.<\/p>\n<p>Na conversa por telefone, Marieta fala muito sobre <em>As centen\u00e1rias<\/em>, sobre o trabalho no Teatro Poeira, n\u00e3o encontra defeitos em Andrea Beltr\u00e3o, cita J\u00f4 Bilac como um novo dramartugo especial. E revela como consegue arrumar tempo para fazer tudo e sempre muito bem. <\/p>\n<div id=\"attachment_3407\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/ascentenarias11.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-3407\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/ascentenarias11.jpg\" alt=\"\" title=\"As centen\u00e1rias\" width=\"600\" height=\"383\" class=\"size-full wp-image-3407\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/ascentenarias11.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/ascentenarias11-300x191.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-3407\" class=\"wp-caption-text\">Marieta Severo e Andr\u00e9a Beltr\u00e3o em As centen\u00e1rias<\/p><\/div>\n<p><strong>Entrevista \/\/ Marieta Severo<\/strong><\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas estavam em d\u00edvida com Pernambuco. A pe\u00e7a \u00e9 do Newton Moreno, tem um contexto regional, mas ainda n\u00e3o tinha dado certo trazer ao Recife?<\/strong><br \/>\nA gente est\u00e1 muito feliz em levar, como a gente chama, &#8220;As veinhas&#8221;, ao Recife. O Newton como pernambucano, bebeu na cultura nordestina, isso est\u00e1 muito arraigado \u00e0 pe\u00e7a. Usamos, por exemplo, bonecos que s\u00e3o manipulados. Fazer a pe\u00e7a a\u00ed tem um significado muito especial. Estreamos em 2007, ficamos dois anos no Rio, quatro meses em S\u00e3o Paulo, j\u00e1 fizemos outras oito cidades e estamos chegando a\u00ed agora.<\/p>\n<p><strong>Embora a montagem seja uma com\u00e9dia, ela trata de assuntos bem s\u00e9rios e tem momentos em que fala, por exemplo de solid\u00e3o. O que voc\u00ea diria do texto?<\/strong><br \/>\nEu acho que isso \u00e9 um pano de fundo. O assunto principal \u00e9 a morte, elas est\u00e3o fugindo da Dona Morte, que quer pegar o filho de uma delas. Ent\u00e3o elas est\u00e3o o tempo todo neste embate. Mas isso \u00e9 feito com muitos signos e com a cultura popular nordestina que \u00e9 debochada, ir\u00f4nica. E vejo que a esperan\u00e7a \u00e9 colocada em cena. Elas lidam com a morte, j\u00e1 que s\u00e3o carpideiras, rezadeiras, s\u00e3o chamadas para chorar os mortos e a pe\u00e7a vai falando desses causos. \u00c9 uma hist\u00f3ria divertida, engra\u00e7ada, mas sim, como voc\u00ea disse, com muitos ingredientes: a fome, a solid\u00e3o, a bravura dessas mulheres. Mas os causos s\u00e3o muitos bons. O homem que diz que a mulher era uma &#8220;quenga&#8221; e quer que no vel\u00f3rio riam dela, o Lampi\u00e3o que n\u00e3o chora h\u00e1 muitos anos.<\/p>\n<p><strong>E como Aderbal Freire-Filho trabalhou com esse texto?<\/strong><br \/>\nEle abrigou toda essa hist\u00f3ria num cen\u00e1rio circense. \u00c9 como se fossem tr\u00eas palha\u00e7os contando essa hist\u00f3ria atrav\u00e9s dos bonecos. N\u00f3s contracenamos com os nossos pr\u00f3prios personagens como fantoches. Ent\u00e3o \u00e9 uma riqueza de elementos muito grande e o Aderbal articulou isso.<\/p>\n<p><strong>E o S\u00e1vio Moll, que tamb\u00e9m est\u00e1 no elenco? Faz os papeis secund\u00e1rios?<\/strong><br \/>\n\u00c9. Ele faz todos esses papeis e a Dona Morte. Mas n\u00f3s tamb\u00e9m fazemos outros papeis. A Andr\u00e9a faz o coronel que quer que riam da mulher dele, eu fa\u00e7o o Lampi\u00e3o. \u00c9 tudo muito coreografado, muito marcado, o Aderbal conseguiu uma precis\u00e3o nessa coreografia que \u00e9 muito interessante.<\/p>\n<p><strong>Esse texto foi um pedido de voc\u00eas ao Newton. Houve alguma recomenda\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nA gente encomendou esse texto a ele dizendo que n\u00e3o quer\u00edamos um texto em que f\u00f4ssemos fam\u00edlia. T\u00ednhamos feito <em>Sonata de outono<\/em>. E ele veio com essa possibilidade dessas mulheres que atravessam o tempo. E tamb\u00e9m mostram na cena a modernidade, em cenas como quando a luz el\u00e9trica chega ao Sert\u00e3o, elas se deparando com um r\u00e1dio&#8230; Tamb\u00e9m tem o fator de que como o Newton est\u00e1 muito acostumado ao trabalho em grupo, ele troca muito com o ator, com o diretor, mudava o texto, de acordo com as necessidades. A gente ligava, falava pra ele, ele vinha. Ent\u00e3o conseguimos essa sintonia, organicidade.<\/p>\n<p><strong>Fora o Newton, que autores te instigam hoje? E grupos?<\/strong><br \/>\n\u00c9 um momento muito rico da mossa dramaturgia. Temos um J\u00f4 Bilac surgindo, por exemplo. E muita gente mais\u2026\u00e9 porque eu sou p\u00e9ssima de nomes. Quando desligar, vou lembrar de tanta gente.  E tamb\u00e9m temos espet\u00e1culos muito interessantes, uma safra nova, forte, criativa. Os Atores de Laura, no Rio de Janeiro, que j\u00e1 tem uma trajet\u00f3ria, mas com uma pesquisa muito forte, uma riqueza. Acabei de ver <em>O idiota<\/em>, com a Cibele Forjaz, um espet\u00e1culo muito rico teatralmente.<\/p>\n<p><strong>Todo mundo pergunta sobre a amizade entre voc\u00ea e a Andrea e eu tamb\u00e9m tenho que perguntar. Mas vamos tentar mudar\u2026o que te irrita na Andr\u00e9a?<\/strong><br \/>\nA Andr\u00e9a n\u00e3o me irrita. Gosto muito de estar com ela. Criamos muita coisa e vivemos muita coisa. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o contrutiva e criativa, como todas deveriam ser. As duas cresceram muito nesses 20 anos. Uma ajudou a outra, uma colabora com a outra. Ela tem um talento enorme como atriz. \u00c9 estimulante estar com ela no palco. Jogar com ela em cena, o humor enorme que ela tem.<\/p>\n<p><strong>Vamos falar do &#8220;filho&#8221; de voc\u00eas e agora do &#8220;filhote&#8221;, que s\u00e3o os teatros. Como foi isso?<\/strong><br \/>\nO Poeira tem seis anos e o Poerinha tem seis meses. D\u00e1 muito trabalho, muita despesa e um prazer enorme que segura esses dois outros lados. Temos o patroc\u00ednio da Petrobras para a programa\u00e7\u00e3o, para fazer oficinas, para os artistas residentes, workshops, temos uma programa\u00e7\u00e3o intensa e temos muito orgulho porque muitos trabalhos surgiram atrav\u00e9s daqui, com pesquisa, e isso \u00e9 bancado. Mas o teatro em si \u00e9 bancado por n\u00f3s. Os dois teatros foram constru\u00eddos por n\u00f3s e mantidos por n\u00f3s. Porque muita gente fala, mas a Lei Rouanet \u00e9 muito rigorosa. Voc\u00ea n\u00e3o pode comprar nada, adquirir nenhum bem fixo. Ent\u00e3o tudo o que \u00e9 fixo, fomos n\u00f3s.<\/p>\n<p><strong>Mas voc\u00eas tem lucro?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, minha filha! N\u00e3o temos lucro. Temos um preju\u00edzo financeiro.<\/p>\n<p><strong>Queria falar um pouco de pol\u00edtica, do Minist\u00e9rio da Cultura, a sua opini\u00e3o\u2026<\/strong><br \/>\nN\u00e3o queria falar disso. Est\u00e1 caminhando tudo bem. N\u00e3o tem nada especial para comentar. <\/p>\n<p><strong>Mas \u00e9 mais f\u00e1cil fazer teatro hoje?<\/strong><br \/>\nAtrav\u00e9s da Lei Rouanet que possibilitou muitos e muitos espet\u00e1culos, v\u00e1rios e v\u00e1rios que n\u00e3o conseguiriam sem a lei. Mas temos a dificuldade que \u00e9 manter um espet\u00e1culo. Tem uma coisa muito estranha. Hoje voc\u00ea n\u00e3o vive da bilheteria de um espet\u00e1culo. Quando o patroc\u00ednio acabou, acabou a pe\u00e7a. Tem que repensar. <\/p>\n<p><strong>Por conta da meia-entrada?<\/strong><br \/>\n\u00c9 basicamente a meia-entrada. E as produ\u00e7\u00f5es foram ficando mais caras, s\u00e3o meandros, quest\u00f5es da pr\u00f3pria lei. N\u00e3o \u00e9 detonar a lei, n\u00e3o acho que seja o caso.<\/p>\n<p><strong>E a televis\u00e3o? Voc\u00ea n\u00e3o acha que a Nen\u00ea \u00e9 muito retr\u00f3grada?<\/strong><br \/>\nHoje em dia \u00e9 muito dif\u00edcil encontrar uma mulher como a Nen\u00ea. Ela \u00e9 de uma gera\u00e7\u00e3o que tentou romper padr\u00f5es, mas ela \u00e9 tradicional, vive para o lar. E essa realidade ainda existe para muitas mulheres, os valores familiares. Mas sim, \u00e9 mais dif\u00edcil. As mulheres est\u00e3o nas batalhas. O que mais me interessa nela \u00e9 o que ela representa, a m\u00e3e, os valores familiares, a compreens\u00e3o at\u00e9 acima das necessidades. \u00c9 bom falar disso e representar isso.<\/p>\n<p><strong>E como voc\u00ea faz para conciliar tudo na sua vida? Televis\u00e3o, cinema, teatro, tr\u00eas filhas, netos, dois teatros?<\/strong><br \/>\nEu fa\u00e7o isso todos os dias. E sempre foi isso. Tamb\u00e9m construi uma vida de acordo com as minhas necessidades. Sou muito ligada, ligada a muitas coisas, ao trabalho, ao lazer. <\/p>\n<p><strong>Mas voc\u00ea faz tudo ao mesmo tempo ou consegue tirar f\u00e9rias, por exemplo?<\/strong><br \/>\nA \u00fanica coisa que eu consigo preservar s\u00e3o as minhas f\u00e9rias porque eu normalmente vou para o exterior, s\u00f3 por isso. E aqui eu sou organizada, tenho o meu escrit\u00f3rio, o Poeira,<em> A grande fam\u00edlia<\/em>, um filme para rodar.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 o filme?<\/strong><br \/>\n<em>Vendo ou alugo<\/em>, com dire\u00e7\u00e3o da Betsy de Paula. \u00c9 uma com\u00e9dia muito interessante, que re\u00fane quatro gera\u00e7\u00f5es. A Nath\u00e1lia Timberg, que vai fazer minha m\u00e3e, a S\u00edlvia Buarque, ser\u00e1 minha filha e uma atriz jovem, a Beatriz Morgana, que ser\u00e1 filha da S\u00edlvia. Vamos filmar em setembro. Elas tiveram uma vida abastada e agora se juntam para vender uma casa e todas elas s\u00e3o representantes muito fieis das suas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todas as quintas-feiras, ela est\u00e1 na televis\u00e3o interpretando a dona de casa Nen\u00ea, esposa do Lineu, m\u00e3e da Bebel e do Turco, sogra do Agostinho. Mas nem s\u00f3 de A grande fam\u00edlia vive a atriz Marieta Severo. Muito pelo contr\u00e1rio. 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