{"id":28234,"date":"2026-10-10T03:17:01","date_gmt":"2026-10-10T06:17:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=28234"},"modified":"2026-10-10T13:22:14","modified_gmt":"2026-10-10T16:22:14","slug":"a-lama-e-a-purpurina-livro-do-grupo-vivencial-escrito-por-marcio-bastos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/a-lama-e-a-purpurina-livro-do-grupo-vivencial-escrito-por-marcio-bastos\/","title":{"rendered":"A lama e a purpurina, <\/br> Livro do Grupo Vivencial  <\/br> escrito por Marcio Bastos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_28237\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/grupo_vivencial-marcelino-e1791644913241.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-28237\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-28237 size-full\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/grupo_vivencial-marcelino-e1791644913241.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"389\"><\/a><p id=\"caption-attachment-28237\" class=\"wp-caption-text\">Grupo Vivencial. Foto Gilberto Marcelino \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_28243\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Marcio-Bastos_credito-Gabriel-Mesgo-1-scaled-1-e1791645173653.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-28243\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-28243\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Marcio-Bastos_credito-Gabriel-Mesgo-1-scaled-1-e1791645173653.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"436\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Marcio-Bastos_credito-Gabriel-Mesgo-1-scaled-1-e1791645173653.jpeg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Marcio-Bastos_credito-Gabriel-Mesgo-1-scaled-1-e1791645173653-300x218.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-28243\" class=\"wp-caption-text\">Jornalista Marcio Bastos, autor do livro sobre o Vivencial. Foto: Gabriel Mesgo \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>O grupo que Guilherme Coelho fundou \u00e0s margens de um mosteiro beneditino causou pol\u00eamica desde o in\u00edcio e, mais de cinquenta anos depois, ainda pulsa e influencia a cena pernambucana. Foi em 1974, quando ele, ent\u00e3o novi\u00e7o, dirigiu <strong><em>Vivencial I<\/em><\/strong> no galp\u00e3o do Col\u00e9gio de S\u00e3o Bento, em Olinda, para celebrar os dez anos de uma pastoral cat\u00f3lica. A pe\u00e7a criticava a Igreja, o machismo e o racismo e defendia abertamente a diversidade sexual, algo que nenhum palco da \u00e9poca fazia. O p\u00fablico jovem lotou o sal\u00e3o, a repercuss\u00e3o envergonhou os anfitri\u00f5es e, dias depois, a dire\u00e7\u00e3o do mosteiro proibiu que a montagem seguisse em cartaz no lugar onde tinha acabado de estrear. Foi desse encerramento for\u00e7ado que nasceu o Grupo de Teatro Vivencial, e a trajet\u00f3ria dos seus integrantes chega agora \u00e0s livrarias em <strong><em>Lantejoulas no mangue, teatro e desbunde do Vivencial<\/em><\/strong>, de M\u00e1rcio Bastos (Aut\u00eantica).<\/p>\n<p>O Vivencial recrutou o seu elenco entre os jovens da Arma, a Associa\u00e7\u00e3o de Rapazes e Mo\u00e7as do Amparo, grupo ligado \u00e0 Arquidiocese de Olinda e Recife, do qual v\u00e1rios futuros integrantes j\u00e1 participavam. Coelho n\u00e3o chegou a ser monge e deixou o h\u00e1bito nos anos seguintes, e o grupo, formado na maioria por gente dos bairros populares de Olinda e do Recife, acrescida de poucos estudantes e profissionais, transformou a falta de forma\u00e7\u00e3o em m\u00e9todo, a cria\u00e7\u00e3o coletiva como aprendizado.<\/p>\n<p>O livro integra a cole\u00e7\u00e3o <em>Nossas Hist\u00f3rias<\/em>, coordenada por Renan Quinalha, que declara no t\u00edtulo o seu compromisso, resgatar marcos da resist\u00eancia LGBTQI+ brasileira apagados pela ditadura e pelo esquecimento. Esse compromisso se cumpre em forma documental, verific\u00e1vel p\u00e1gina a p\u00e1gina. S\u00e3o 182 p\u00e1ginas, pr\u00f3logo, quatro cap\u00edtulos e ep\u00edlogo, atravessadas por 112 notas de rodap\u00e9 que citam recortes do <em>Diario de Pernambuco<\/em>, do <em>Jornal do Commercio<\/em>, do <em>Diario da Noite<\/em> e de ve\u00edculos nacionais entre 1974 e 1984, al\u00e9m de documentos da hemeroteca da Biblioteca Nacional e do Arquivo P\u00fablico. O miolo reproduz material prim\u00e1rio raro, o manifesto do grupo, o Manifesto Qu\u00e1 Qu\u00e1 Qu\u00e1, o manifesto de sete anos, panfletos e programas.&nbsp;<\/p>\n<p>A escrita de Bastos \u00e9 feita com afeto declarado. A lama do Capibaribe e a purpurina dividiram o mesmo palco durante quase uma d\u00e9cada, e \u00e9 dessa conviv\u00eancia improv\u00e1vel que o autor extrai a sua mat\u00e9ria. O arquivo que ele articula veio em boa parte das m\u00e3os do pr\u00f3prio fundador, e as mem\u00f3rias que divergem, as que lembram o dinheiro de outro jeito, as que apontam hierarquias dentro da coletividade proclamada, ficaram nas margens. Henrique Celibi, o viveca mais desconfiado, costumava separar o perfume de uma \u00e9poca do seu cheiro verdadeiro. Este livro tem mais cheiro do que qualquer homenagem anterior, e nem por isso escapa inteiramente ao perfume, e \u00e9 dessa tens\u00e3o que a leitura mais honesta se faz.<\/p>\n<div id=\"attachment_28240\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/caetano_no_vivencial-CVcomjaqueta-com-o-nome-de-gilberto-gil-.-1979.-foto-paulinho-santos-divulgacao.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-28240\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-28240\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/caetano_no_vivencial-CVcomjaqueta-com-o-nome-de-gilberto-gil-.-1979.-foto-paulinho-santos-divulgacao-e1791646927498.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"465\"><\/a><p id=\"caption-attachment-28240\" class=\"wp-caption-text\">Caetano Veloso no Vivencial com jaqueta com o nome de Gilberto Gil, em 1979. Foto: Paulinho Santos<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_28239\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/vivencial_diversiones-acervo-suzana-costa-e1791647314765.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-28239\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-28239\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/vivencial_diversiones-acervo-suzana-costa-e1791647314765.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"450\"><\/a><p id=\"caption-attachment-28239\" class=\"wp-caption-text\">Vivencial Diversiones. Acervo Suzana Costa<\/p><\/div>\n<p>Os fatos que o livro organiza sustentam a hist\u00f3ria. Em plena ditadura, quando a participa\u00e7\u00e3o de travestis no carnaval era proibida pela Pol\u00edcia Federal em todo o pa\u00eds, medida documentada no terceiro cap\u00edtulo e registrada pela imprensa de \u00e9poca, e quando um grupo autointitulado Comando de Ca\u00e7a aos Afeminados espancava dissidentes de g\u00eanero pelas ruas do Recife, epis\u00f3dio noticiado pelo <em>Diario de Pernambuco<\/em> em junho de 1970, aquele elenco de jovens da pastoral subiu em um galp\u00e3o de col\u00e9gio cat\u00f3lico com uma pe\u00e7a que criticava a Igreja, o machismo e o racismo. A proposta, como resumiu o fundador, era direta.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Em <em>Vivencial I<\/em>, nossa primeira montagem, a proposta era &#8216;seja voc\u00ea mesmo, busque seu eixo, saia de casa, construa, mude o mundo&#8217;.&#8221; (<strong>Guilherme Coelho<\/strong>)<\/p><\/blockquote>\n<p>Do galp\u00e3o ao mangue foi uma d\u00e9cada. Em 1978, as vivecas ergueram com as pr\u00f3prias m\u00e3os o Vivencial Diversiones, caf\u00e9-concerto de taipa numa comunidade de palafitas sem saneamento, que a imprensa local chamou de &#8220;a mais moderna casa noturna do Nordeste&#8221; e que recebeu Caetano Veloso de surpresa em maio de 1979. O m\u00e9todo do livro aparece bem nessa costura entre \u00e9poca e presente. No cap\u00edtulo 4, ao falar dos primeiros sal\u00e1rios dos integrantes, o texto informa que cada um recebia &#8220;cerca de 1.200 cruzeiros por semana (algo em torno de 1.100 reais, ou 275 reais por apresenta\u00e7\u00e3o, em valores de 2026)&#8221;. A convers\u00e3o \u00e9 o autor a trabalhar para o leitor de hoje, um recurso que atravessa o volume inteiro. Nele tamb\u00e9m est\u00e1 a engenharia pedag\u00f3gica do grupo. Em muitos casos, conta Bastos, o desejo de fazer teatro era t\u00e3o grande que integrantes que sabiam ler recitavam os textos at\u00e9 que os analfabetos do elenco conseguissem decor\u00e1-los.&nbsp;<\/p>\n<p>O alcance do resgate aparece nos epis\u00f3dios que o livro recupera. A narrativa acompanha Roberto de Fran\u00e7a, o Pernalonga, do carnaval de 1980, quando foi barrado por homofobia na escola de samba Preto Velho, at\u00e9 a morte em 2000, passando pela Aids e pelo ativismo contra o estigma junto ao Gestos. A biografia completa dele j\u00e1 tinha ganhado livro pr\u00f3prio de Bastos, <strong><em>Pernalonga, uma sinfonia inacabada<\/em><\/strong> (2023), e a diferen\u00e7a aqui \u00e9 de enquadramento, na biografia ele \u00e9 o sujeito central, no novo livro ele vira fio do coletivo, e a sua a\u00e7\u00e3o judicial contra Coelho, os conflitos financeiros e as sa\u00eddas do elenco aparecem costurados \u00e0 hist\u00f3ria do grupo, e n\u00e3o como epis\u00f3dio isolado. Mapeiam-se ainda a travesti Lolita e o bord\u00e3o que virou chave da boemia do Bairro do Recife, os 13 filmes em Super-8 feitos com Jomard Muniz de Britto, a bailarina Ivonete Melo e a di\u00e1spora que abriu casas em Natal e Fortaleza.<\/p>\n<div id=\"attachment_28244\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/69c41b7c248f1.ensaio-do-grupo-vivencial-na-rua-da-boa-hora-em-olinda-1982-com-americo-barreto-henrique-celibi-PERNALONGA-ana-farache-divulgacao.png\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-28244\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-28244\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/69c41b7c248f1.ensaio-do-grupo-vivencial-na-rua-da-boa-hora-em-olinda-1982-com-americo-barreto-henrique-celibi-PERNALONGA-ana-farache-divulgacao-e1791647933457.png\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"405\"><\/a><p id=\"caption-attachment-28244\" class=\"wp-caption-text\">Am\u00e9rico Barreto, Henrique Celibi e Pernalonga. Foto: Ana Farache \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>O livro n\u00e3o analisa os espet\u00e1culos do grupo, e n\u00e3o pretende disfar\u00e7ar a posi\u00e7\u00e3o de quem o escreveu. O material \u00e9 narrativo, cronol\u00f3gico, movido por depoimentos, recortes de jornal e documentos, e o autor escolhe os adjetivos que o apresentam. Em suas declara\u00e7\u00f5es de lan\u00e7amento, ele define o Vivencial como &#8220;uma das experi\u00eancias art\u00edsticas mais radicais do teatro brasileiro do per\u00edodo&#8221;, &#8220;grupo vibrante e constru\u00eddo no respeito \u00e0s diferen\u00e7as&#8221; e &#8220;territ\u00f3rio de contesta\u00e7\u00e3o e celebra\u00e7\u00e3o da vida&#8221;. O leitor sabe desde a capa que leitura afetiva \u00e9 o projeto, porque o livro n\u00e3o finge neutralidade.<\/p>\n<p>A leitura anal\u00edtica do coletivo est\u00e1 publicada em outro lugar. Rodrigo Dourado, professor de Teatro da UFPE e autor da disserta\u00e7\u00e3o Vivencial Diversiones, por uma cena transgressora, resume o grupo por outra chave, &#8220;o Vivencial era um espa\u00e7o de gente pobre, preta, de travestis, do &#8216;povo da lama'&#8221;. As disserta\u00e7\u00f5es de Mateus Melo dos Santos (UFPE, 2018), sobre as masculinidades e hierarquias internas, e de Maria Eduarda Santos de Oliveira (UERJ, 2024), sobre as opress\u00f5es vindas tamb\u00e9m do campo teatral e da esquerda brasileira, completam o quadro. O livro de Bastos cita as duas nas notas, e deixa a an\u00e1lise nelas.<\/p>\n<p>Fora do livro, mas indispens\u00e1vel para o clima que ele reconstitui, est\u00e1 a autoimagem que os sobreviventes produziram sobre si mesmos. A postagem que Henrique Celibi, o \u00f3rf\u00e3o da Ilha do Maruim acolhido pelo grupo aos 14 anos, escreveu no Facebook depois da estreia de <em>Puro Lixo,<\/em> montagem-homenagem ao coletivo, dirigida por Antonio Cadengue e que o <em><strong>Satisfeita, Yolanda?<\/strong><\/em> reproduziu em 2017, resume essa vis\u00e3o sem nenhuma aur\u00e9ola.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Nunca fomos anjos! Muito pelo contr\u00e1rio, n\u00e3o gost\u00e1vamos das aur\u00e9olas. Principalmente as feitas com arminhos. Gost\u00e1vamos mesmo era de sermos demon\u00edacas. \u00c9ramos terr\u00edveis, as vivecas! T\u00ednhamos a consci\u00eancia de que \u00e9ramos n\u00f3s as &#8216;Cinderelas&#8217;, lindas com o vestido de baile, mas, sem o sapatinho de cristal e sim, com os p\u00e9s sujos da lama em que a sociedade insistia em afundar-se. (ainda insistem).&#8221; (<strong>Henrique Celibi<\/strong>)<\/p><\/blockquote>\n<p>O fim do grupo tamb\u00e9m est\u00e1 no livro, e sem maquiagem. \u00c9 o que ocupa a \u00faltima parte do cap\u00edtulo 4, entre as se\u00e7\u00f5es A di\u00e1spora, A neblina e Para sempre vivecas (p. 145 a 176), com as ciss\u00f5es internas, as disputas financeiras e a a\u00e7\u00e3o judicial entre Pernalonga e Coelho narradas junto \u00e0 reabertura tempor\u00e1ria de 1982 e ao fechamento em agosto de 1983. O diagn\u00f3stico do fim, em voz do fundador, tinha sido dado antes, em entrevista de 2012.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;N\u00e3o podia faltar c\u00e9u para tanta estrela brilhar. Todos eram muito brilhantes, com muito ego. Cada um era uma entidade, todos tinham projetos, e n\u00f3s demos corda para esses projetos. Sempre poli o ego de todo mundo. O Vivencial nasceu para brilhar.&#8221; (<strong>Guilherme Coelho<\/strong>)<\/p><\/blockquote>\n<div id=\"attachment_28238\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/vivencial_pernambuco-pernabonga-esqueda-guilherme-direita-e1791646844836.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-28238\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-28238\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/vivencial_pernambuco-pernabonga-esqueda-guilherme-direita-e1791646844836.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"450\"><\/a><p id=\"caption-attachment-28238\" class=\"wp-caption-text\">Pernalonga, Luciana Luciene, Petr\u00f4nio de Sena e Guilherme Coelho. Acervo Guilherme Coelho<\/p><\/div>\n<p>O que o livro escolhe contar, e o que deixa para os outros, dizem muito sobre o tipo de livro que ele \u00e9. A base documental central foi cedida pelo pr\u00f3prio fundador, e algumas notas do volume o declaram, \u00e9 Guilherme Coelho quem entregou para a pesquisa o panfleto da casa, o programa de <em>Not\u00edcias tropicais<\/em> e o manifesto de sete anos que comp\u00f5em o miolo. O m\u00e9todo, como Bastos define, \u00e9 o da montagem de um quebra-cabe\u00e7a, &#8220;com essa generosidade coletiva, vamos chegando a outras pe\u00e7as. Tenho certeza de que ainda h\u00e1 muito a ser encontrado&#8221;. Muitas mem\u00f3rias divergentes dos pr\u00f3prios vivecas, ficaram fora do registro impresso. O arquivo que o livro organiza segue, portanto, a vers\u00e3o do fundador, e essa \u00e9 uma escolha de fonte que o pr\u00f3prio autor admite quando chama a pesquisa de sempre em constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O motivo de publicar agora, o autor tamb\u00e9m d\u00e1. &#8220;Me assusta e entristece perceber como, hoje, existe um discurso que minimiza ou mesmo nega as viol\u00eancias da ditadura militar&#8221;, disse Bastos na divulga\u00e7\u00e3o do lan\u00e7amento, para emendar a li\u00e7\u00e3o do objeto. &#8220;Nossa alegria, afinal, \u00e9 pol\u00edtica, e o Vivencial entendeu isso desde o primeiro espet\u00e1culo.&#8221; A heran\u00e7a que o livro documenta segue em cartaz. Jeison Wallace, que transformou a pe\u00e7a de Celibi no fen\u00f4meno <em>Cinderela, a hist\u00f3ria que sua m\u00e3e n\u00e3o contou<\/em>, em cartaz h\u00e1 35 anos, diz ao autor como chegou l\u00e1. &#8220;Jeison Wallace me contou que assistiu a um espet\u00e1culo dirigido por Guilherme Coelho e decidiu ser artista. Ou seja, um dos maiores fen\u00f4menos do teatro pernambucano \u00e9 filha direta do Vivencial&#8221;. Entre o mosteiro que proibiu a pe\u00e7a e as influ\u00eancias contempor\u00e2neas, \u00e9 dessa linhagem que o livro cuida, e \u00e9 por ela que o grupo, mais de cinquenta anos depois, ainda pulsa.<\/p>\n<h1>SERVI\u00c7O<\/h1>\n<p><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/capa-lantejoulas-no-mangue-e1791649301988.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-28235\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/capa-lantejoulas-no-mangue-e1791649301988.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"233\"><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lan\u00e7amento de <strong><em>Lantejoulas no mangue, teatro e desbunde do Vivencial,<\/em><\/strong> de M\u00e1rcio Bastos, com bate-papo entre o autor e o editor Schneider Carpeggiani<br \/>\n<strong>Quando<\/strong>, hoje, s\u00e1bado (10), \u00e0s 14h<br \/>\n<strong>Onde<\/strong>, Museu de Arte Contempor\u00e2nea de Pernambuco (MAC-PE), Rua Treze de Maio, 149, Carmo, Olinda<br \/>\n<strong>Entrada<\/strong>, livre<br \/>\n<strong>Pre\u00e7o <\/strong>do livro, f\u00edsico R$ 69,80, e-book R$ 48,90, \u00e0 venda em livrarias e no site da Aut\u00eantica<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O grupo que Guilherme Coelho fundou \u00e0s margens de um mosteiro beneditino causou pol\u00eamica desde o in\u00edcio e, mais de cinquenta anos depois, ainda pulsa e influencia a cena pernambucana. 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