{"id":28219,"date":"2026-09-30T09:04:34","date_gmt":"2026-09-30T12:04:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=28219"},"modified":"2026-09-30T10:48:13","modified_gmt":"2026-09-30T13:48:13","slug":"aparecida-abre-os-arquivos-da-violencia-e-coloca-as-sobreviventes-em-cena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/aparecida-abre-os-arquivos-da-violencia-e-coloca-as-sobreviventes-em-cena\/","title":{"rendered":"Aparecida abre os arquivos da viol\u00eancia <\/br>e coloca as sobreviventes em cena"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_28221\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1_Aparecida-CENA-credito-Eric-Valenca-scaled-e1790713078721.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-28221\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-28221\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1_Aparecida-CENA-credito-Eric-Valenca-scaled-e1790713078721.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"401\"><\/a><p id=\"caption-attachment-28221\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Aparecida<\/strong> com Gheuza integra o projeto <strong>Mon\u00f3logas<\/strong> na Fabulosa Arte Colab, em Piedade. Foto: Eric Valen\u00e7a<\/p><\/div>\n<p>Quatro mulheres s\u00e3o mortas por dia no Brasil em crimes de feminic\u00eddio. O c\u00e1lculo acompanha o recorde registrado em 2025, quando o pa\u00eds contabilizou 1.571 v\u00edtimas, alta de 4% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, segundo o <em>20\u00ba Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/em>, do <em>F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/em>. O dado ganha peso quando lido junto com a tend\u00eancia geral. As mortes violentas no pa\u00eds ca\u00edram a patamares menores desde 2012, enquanto os feminic\u00eddios seguiram subindo.<\/p>\n<p><em><strong>Aparecida<\/strong><\/em>, solo com Gheuza em cartaz nos dias 1\u00ba e 2 de outubro, na Fabulosa Arte Colab, em Piedade, Jaboat\u00e3o dos Guararapes, parte desse cen\u00e1rio para fazer o oposto da estat\u00edstica. A montagem recolhe os relatos de quem sobreviveu \u00e0s agress\u00f5es, registrados em prontu\u00e1rios da Delegacia da Mulher e de unidades de acolhimento, pesquisados pela atriz com o diretor e dramaturgo Eric Valen\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n<p>Em cena, Gheuza interpreta uma investigadora policial que recebe os casos de viol\u00eancia contra mulheres em seu departamento. A personagem reconstr\u00f3i hist\u00f3rias a partir dos relatos colhidos na pesquisa e percorre os est\u00e1gios do abuso, da primeira amea\u00e7a aos desdobramentos das investiga\u00e7\u00f5es. O solo dura entre 50 e 55 minutos, em narra\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, e foi concebido pela atriz como um golpe \u00fanico e certeiro, capaz de despertar a plateia para o tema. A atriz prefere chamar a montagem de performance-protesto, algo que sai \u00e0 rua como um megafone.<\/p>\n<p>A narrativa da investigadora se mescla a analogias visuais e est\u00e9ticas que percorrem a figura da santa padroeira do Brasil at\u00e9 sua representa\u00e7\u00e3o na umbanda, onde ela \u00e9 Oxum. A ponte entre os dois universos se d\u00e1 pelo vi\u00e9s da mulher negra. Ao pensar na quest\u00e3o racial, a montagem buscou associar a personagem ao s\u00edmbolo do pa\u00eds, a santa negra encontrada no fundo do rio. A trilha original, do percussionista F\u00e1bio Gomes, inclui a ora\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora Aparecida em iorub\u00e1 e costura as matrizes cat\u00f3lica e africana dessa figura.<\/p>\n<div id=\"attachment_28223\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Gheuza-frame-4-divulgacao-e1790712972447.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-28223\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-28223\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Gheuza-frame-4-divulgacao-e1790712972447.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"335\"><\/a><p id=\"caption-attachment-28223\" class=\"wp-caption-text\">Vivemos um momento com recorde de feminic\u00eddios no Brasil e em Pernambuco, lembra a pe\u00e7a. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>A personagem tamb\u00e9m fala dos entraves do pr\u00f3prio trabalho, entre eles a falta de sustenta\u00e7\u00e3o da den\u00fancia por parte da pr\u00f3pria v\u00edtima, situa\u00e7\u00e3o que a atriz classifica como muito comum. Uma antepassada de Aparecida sofreu viol\u00eancia dom\u00e9stica, e essa mem\u00f3ria ajuda a explicar sua escolha pela carreira policial.<\/p>\n<p>As vozes se cruzam no di\u00e1logo, de v\u00e1rias mulheres que passam por situa\u00e7\u00f5es cotidianamente. A vers\u00e3o solo retoma uma personagem que integrou <em>Trilogia do Feminic\u00eddio<\/em>, dirigida por Valen\u00e7a, em 2019.<\/p>\n<p>A urg\u00eancia do tema aparece nos indicadores. O Brasil completou 20 anos da <em>Lei Maria da Penha<\/em> em 2026 e uma d\u00e9cada da tipifica\u00e7\u00e3o do feminic\u00eddio como crime, com os registros em patamar in\u00e9dito. O <em>Anu\u00e1rio<\/em> registrou que 59,4% das v\u00edtimas foram mortas pelo parceiro ou pelo ex-companheiro. Segundo levantamento da Ag\u00eancia Patr\u00edcia Galv\u00e3o divulgado a partir dos dados do mesmo <em>Anu\u00e1rio<\/em>, ao menos 148 mulheres foram assassinadas mesmo amparadas por medida protetiva de urg\u00eancia.<\/p>\n<p>Um dos gargalos apontados por pesquisadoras est\u00e1 na nomea\u00e7\u00e3o do crime. Segundo a educadora do SOS Corpo Instituto Feminista para a Democracia Analba Braz\u00e3o Teixeira, em entrevista publicada pelo <em>CFemea<\/em> em 27 de abril de 2026, h\u00e1 subnotifica\u00e7\u00e3o nos registros da seguran\u00e7a p\u00fablica, e casos que deveriam ser considerados feminic\u00eddios n\u00e3o recebem esse enquadramento. &#8220;A viol\u00eancia contra as mulheres \u00e9 estrutural. E o feminic\u00eddio \u00e9 o resultado do processo de viol\u00eancia de g\u00eanero&#8221;, afirma a pesquisadora. Em entrevista ao portal <em>Brasil de Fato<\/em> publicada em 7 de mar\u00e7o de 2026, ela estimou que apenas 30% dos casos de viol\u00eancia letal contra a mulher em Pernambuco chegam a ser enquadrados como feminic\u00eddio. No Brasil, o percentual \u00e9 de 40%. Nomear a viol\u00eancia faz parte do combate a ela, e a pe\u00e7a atua nesse terreno ao tirar os relatos do arquivo e coloc\u00e1-los diante do p\u00fablico.<\/p>\n<div id=\"attachment_28222\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Gheuza-frame-3-divulgacao-e1790713024930.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-28222\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-28222\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Gheuza-frame-3-divulgacao-e1790713024930.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"481\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Gheuza-frame-3-divulgacao-e1790713024930.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Gheuza-frame-3-divulgacao-e1790713024930-300x241.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-28222\" class=\"wp-caption-text\">A montagem transforma relatos colhidos em prontu\u00e1rios da Delegacia da Mulher em cena. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>O teatro transforma documento em presen\u00e7a compartilhada, com a intensidade que uma manchete raramente oferece. <strong><em>Aparecida <\/em><\/strong>conta&nbsp;com o bate-papo ap\u00f3s as sess\u00f5es. As apresenta\u00e7\u00f5es integram o projeto <strong><em>Mon\u00f3logas<\/em><\/strong>, que re\u00fane cinco cenas protagonizadas por mulheres.<\/p>\n<p>A temporada acontece em um estado onde a viol\u00eancia de g\u00eanero avan\u00e7ou. Pernambuco registrou 88 feminic\u00eddios em 2025, contra 76 em 2024, segundo os dados do Painel de Indicadores Criminais da Secretaria de Defesa Social reproduzidos pela <em>CBN Recife<\/em>. O<br \/>\n<em>G1<\/em> apontou o maior quantitativo em oito anos, o equivalente a um caso a cada quatro dias, ritmo resumido pelo <em>Marco Zero<\/em>. Recife liderou os registros, com 15 ocorr\u00eancias, e Jaboat\u00e3o dos Guararapes, cidade que recebe a montagem, aparece em seguida no painel.<\/p>\n<p>As contrapartidas sociais de <strong><em>Aparecida <\/em><\/strong>come\u00e7am antes das sess\u00f5es abertas ao p\u00fablico. Nesta quarta-feira, 30 de setembro, a montagem \u00e9 apresentada a estudantes da rede p\u00fablica estadual de ensino, em sess\u00e3o dedicada. A agenda inclui ainda oficinas de teatro para mulheres a partir dos 18 anos, ministradas por Gheuza, com foco na percep\u00e7\u00e3o da voz em cena e na reflex\u00e3o cr\u00edtica sobre textos e contextos teatrais. Uma oficina acontece na Fabulosa Arte Colab e as outras duas em Bras\u00edlia e Ceil\u00e2ndia, no Distrito Federal, onde o espet\u00e1culo faz tr\u00eas apresenta\u00e7\u00f5es no fim de outubro. O projeto tem apoio da Secretaria de Cultura de Pernambuco, por meio do edital <em>Multilinguagens da Pol\u00edtica Nacional Aldir Blanc<\/em>.<\/p>\n<p>Gheuza \u00e9 atriz, produtora cultural e educadora f\u00edsica formada pela Universidade de Pernambuco, com forma\u00e7\u00e3o de atriz pelo Curso T\u00e9cnico da Funda\u00e7\u00e3o Joaquim Nabuco. Fundou a Fabulosa Arte Colab com a atriz e produtora Cira Ramos, casa que oferece atividades formativas em Artes e atende crian\u00e7as, adolescentes e adultos em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social. Sua trajet\u00f3ria re\u00fane o teatro de <em>Marilyn, Marilyn<\/em>, de Jo\u00e3o Falc\u00e3o, a <em>Paix\u00e3o de Cristo de Nova Jerusal\u00e9m<\/em> e <em>Sobrados e Mocambos<\/em>, com dire\u00e7\u00e3o de Antonio Cadengue, e o audiovisual de <em>Lispectorante<\/em>, de Renata Pinheiro, <em>Dente<\/em>, de Rita Luna, <em>Rio Doce<\/em>, de Fellipe Fernandes, das s\u00e9ries <em>Chabadabad\u00e1<\/em>, dirigida por Tuca Siqueira e J\u00falia Moraes (Canal Brasil, 2024), e <em>Amorteamo<\/em>, dirigida por Fl\u00e1via Lacerda e Isabella Teixeira (Rede Globo, 2015), e do curta <em>Banho de Choque<\/em>, de C\u00edntia Lima, estreado no 59\u00ba Festival de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1>&#x1f4cd; Servi\u00e7o<\/h1>\n<p>Espet\u00e1culo <strong><em>Aparecida<\/em><\/strong>, solo com Gheuza, no projeto <strong><em>Mon\u00f3logas<\/em><\/strong><br \/>\n<strong>Onde<\/strong>: Fabulosa Arte Colab, Rua Silvia Ferreira, 110, Piedade, Jaboat\u00e3o dos Guararapes<br \/>\n<strong>Quando<\/strong>: Quinta, 1\u00ba, e sexta, 2 de outubro, \u00e0s 20h<br \/>\n<strong>Ingressos:<\/strong> R$ 20, na bilheteria e pelo Sympla<br \/>\nAcessibilidade Int\u00e9rprete de Libras e som da DJ Rafaella Rafael na sess\u00e3o de sexta<br \/>\n<strong>Classifica\u00e7\u00e3o:<\/strong>&nbsp;14 anos<br \/>\n<strong>Mais informa\u00e7\u00f5es:<\/strong> @fabulosaartecolab<\/p>\n<h1>&#x1f3ac; Ficha t\u00e9cnica<\/h1>\n<p><strong>Atua\u00e7\u00e3o e dramaturgia<\/strong>: Gheuza<br \/>\n<strong>Dramaturgia, dire\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o:<\/strong> Eric Valen\u00e7a<br \/>\n<strong>Trilha sonora original:<\/strong> F\u00e1bio Gomes<br \/>\n<strong>Cria\u00e7\u00e3o de luz:<\/strong> Luciana Raposo<br \/>\n<strong>Execu\u00e7\u00e3o de luz:<\/strong> Sueides Leal (Pipia)<br \/>\n<strong>Figurino:<\/strong> Carol Monteiro<br \/>\n<strong>Produ\u00e7\u00e3o executiva:<\/strong> Ewerton Marinho<br \/>\n<strong>Comunica\u00e7\u00e3o, redes sociais e identidade visual:<\/strong> Ana Paula Paz<br \/>\n<strong>Imprensa:<\/strong> Ana Nogueira<br \/>\n<strong>Apoio Secretaria de Cultura de Pernambuco:<\/strong>&nbsp;pelo edital Multilinguagens da PNAB Pernambuco<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quatro mulheres s\u00e3o mortas por dia no Brasil em crimes de feminic\u00eddio. 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