{"id":28208,"date":"2026-09-28T12:43:06","date_gmt":"2026-09-28T15:43:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=28208"},"modified":"2026-09-28T12:43:06","modified_gmt":"2026-09-28T15:43:06","slug":"um-abolicionista-em-julgamento-na-peca-joaquim-nabuco-do-cativeiro-a-consciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/um-abolicionista-em-julgamento-na-peca-joaquim-nabuco-do-cativeiro-a-consciencia\/","title":{"rendered":"Um abolicionista em julgamento <\/br> na pe\u00e7a Joaquim Nabuco <\/br>Do Cativeiro \u00e0 Consci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_28212\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-27-at-15.01.09-e1790595437756.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-28212\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-28212\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-27-at-15.01.09-e1790595437756.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"398\"><\/a><p id=\"caption-attachment-28212\" class=\"wp-caption-text\">Coletivo Gr\u00e3o Comum estreia no Recife um espet\u00e1culo que tira Joaquim Nabuco do pedestal e o devolve ao centro do debate sobre racismo, privil\u00e9gio e mem\u00f3ria nacional. Foto: Cristiano Freitas dos Santos \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>O Brasil fez de Joaquim Nabuco o rosto do abolicionismo e seguiu sem perguntar o que isso implicava. O Coletivo Gr\u00e3o Comum leva a quest\u00e3o ao palco nesta ter\u00e7a-feira (29), \u00e0s 19h, quando estreia <strong><em>Joaquim Nabuco \u2013 Do Cativeiro \u00e0 Consci\u00eancia<\/em><\/strong>, no Teatro Hermilo Borba Filho, no Recife. Com roteiro e dire\u00e7\u00e3o de Jr. Aguiar, a pe\u00e7a cruza metateatro e drama hist\u00f3rico para revisitar a trajet\u00f3ria do abolicionista pernambucano, e o faz com uma premissa que j\u00e1 anuncia o tamanho da aposta. Em vez de repetir o retrato edulcorado consagrado pela escola e pelo calend\u00e1rio oficial, o espet\u00e1culo escolhe tensionar as contradi\u00e7\u00f5es de um homem que lutou contra a escravid\u00e3o e, ao mesmo tempo, encarnou os limites de uma elite que extinguiu o cativeiro sem extinguir a ordem que o sustentava.<\/p>\n<p>Poucas figuras da hist\u00f3ria brasileira carregam contradi\u00e7\u00f5es t\u00e3o expostas quanto Joaquim Nabuco. Nascido no Recife em 1849 e morto em Washington em 1910, ele foi o autor de <em>O Abolicionismo<\/em> (1883), texto fundador da campanha pela extin\u00e7\u00e3o imediata da escravid\u00e3o, e o principal nome pol\u00edtico da causa nos \u00faltimos anos do Imp\u00e9rio. O mesmo homem, por\u00e9m, era um monarquista convicto e um reformista que, como a maioria dos abolicionistas da elite, apostava na negocia\u00e7\u00e3o entre as classes dirigentes e que temia o levante dos escravizados (que ele registrou no pr\u00f3prio <em>O Abolicionismo);<\/em>&nbsp;e um defensor de uma transi\u00e7\u00e3o conduzida de cima para baixo. Depois de 1888, aceitou a Rep\u00fablica com ressentimento, trocou a pol\u00edtica interna pela diplomacia e terminou a vida em Washington, como primeiro diretor da Uni\u00e3o Pan-Americana, a primeira organiza\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica permanente das Am\u00e9ricas, embri\u00e3o da atual OEA.<\/p>\n<p>Essa trajet\u00f3ria rendeu a Nabuco um assento garantido no pante\u00e3o nacional. Avenidas, escolas e institutos levam seu nome, e a narrativa dominante o transforma no rosto generoso da aboli\u00e7\u00e3o. A historiografia das \u00faltimas d\u00e9cadas desmontou boa parte dessa tranquilidade. Angela Alonso, em <em>Joaquim Nabuco, os sal\u00f5es e as ruas<\/em> (2007), reconstr\u00f3i os dilemas de um reformista que oscilou entre a devo\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade aristocr\u00e1tica e o empenho em reformar o Imp\u00e9rio e acompanha o autor de <em>Minha Forma\u00e7\u00e3o <\/em>(1900) at\u00e9 suas tens\u00f5es com a Rep\u00fablica. A mesma autora, em <em>Flores, votos e balas<\/em> (2015), reconstitui o abolicionismo como o primeiro movimento social nacional do pa\u00eds, uma rede ampla de ativistas e associa\u00e7\u00f5es que teve entre seus protagonistas Lu\u00eds Gama e Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio, e questionando o consenso que a mem\u00f3ria oficial sugere.<\/p>\n<p>Eduardo Silva, em <em>As cam\u00e9lias do Leblon e a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura<\/em> (2003), recupera a atua\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios negros livres e libertos na campanha abolicionista, atores que a narrativa consagrada apagou. Para o autor, o abolicionismo de Nabuco foi um abolicionismo de elite, conduzido sem os escravizados e quase sem os libertos, desconfiado da agita\u00e7\u00e3o social e comprometido com a preserva\u00e7\u00e3o da ordem. A Lei \u00c1urea, assinada em maio de 1888 sem qualquer pol\u00edtica de repara\u00e7\u00e3o, integra\u00e7\u00e3o ou acesso \u00e0 terra, libertou corpos e abandonou vidas. A queima de documentos da escravid\u00e3o ordenada por Rui Barbosa em 1890, logo no in\u00edcio da Rep\u00fablica, selou o apagamento da mem\u00f3ria que o pa\u00eds ainda tenta reconstruir.<\/p>\n<div id=\"attachment_28214\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-27-at-15.01.11-2-e1790599591186.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-28214\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-28214\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-27-at-15.01.11-2-e1790599591186.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"583\"><\/a><p id=\"caption-attachment-28214\" class=\"wp-caption-text\">Jr. Aguiar e Paulo C\u00e9sar Freire interpretam Joaquim Nabuco. Foto: Cristiano Freitas dos Santos \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>O espet\u00e1culo do Gr\u00e3o Comum chega em um momento em que essa discuss\u00e3o est\u00e1 acesa no debate p\u00fablico. A ideia de uma aboli\u00e7\u00e3o inacabada, consolidada por historiadoras e historiadores como Hebe Mattos, Lilia Schwarcz, Fl\u00e1vio Gomes e Sidney Chalhoub, hoje estrutura a leitura do racismo brasileiro. Florestan Fernandes j\u00e1 apontava, nos anos 1960, em <em>A integra\u00e7\u00e3o do negro na sociedade de classes<\/em> (1965), que o mito da democracia racial funcionava como cortina para a exclus\u00e3o real da popula\u00e7\u00e3o negra. Gilberto Freyre havia oferecido, em <em>Casa-Grande &amp; Senzala<\/em> (1933), a vers\u00e3o harmoniosa dessa hist\u00f3ria, aquela que transformou a escravid\u00e3o em conviv\u00eancia cordial entre senhores e escravizados.<\/p>\n<p>As quest\u00f5es que a montagem promete levantar dialogam diretamente com as frentes em disputa no presente. O racismo estrutural, conceito que atravessa o pensamento social brasileiro de Florestan Fernandes e Octavio Ianni a Cl\u00f3vis Moura, Abdias do Nascimento, L\u00e9lia Gonzalez e Sueli Carneiro, e que ganhou formula\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea em <em>O racismo estrutural<\/em> (2018), de Silvio Almeida, \u00e9 anunciado pela produ\u00e7\u00e3o como cativeiro que nenhuma lei abole, express\u00e3o do pr\u00f3prio diretor. O debate sobre repara\u00e7\u00e3o, as pol\u00edticas de cotas que completaram uma d\u00e9cada em 2022 e seguem em avalia\u00e7\u00e3o, a obrigatoriedade do ensino de hist\u00f3ria afro-brasileira estabelecida pela Lei 10.639 de 2003 e a press\u00e3o por reexame de est\u00e1tuas e nomes de ruas, intensificada ap\u00f3s o assassinato de George Floyd em 2020, comp\u00f5em o pano de fundo contra o qual a pe\u00e7a ganha pot\u00eancia. Questionar Nabuco, nesse contexto, equivale a questionar a pr\u00f3pria forma como o pa\u00eds escolheu contar sua liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A escolha do metateatro d\u00e1 forma a esse questionamento. A linhagem do teatro documental \u00e9 longa. Erwin Piscator levou arquivos, filmes e depoimentos ao palco na Alemanha dos anos 1920. Peter Weiss, nas <em>Notas sobre o teatro document\u00e1rio<\/em> (1968), definiu o g\u00eanero como aquele que usa o material verific\u00e1vel para revelar as causas por tr\u00e1s dos fatos, e n\u00e3o os fatos em si. Nos Estados Unidos, a tradi\u00e7\u00e3o do teatro verbatim, de Anna Deavere Smith a The Laramie Project (2000), de Mois\u00e9s Kaufman, transformou depoimentos reais em dramaturgia. O dossi\u00ea <em>Teatros do Real<\/em>, publicado pela revista S<em>ala Preta<\/em> da USP em 2013, consolidou no Brasil o debate sobre uma cena contempor\u00e2nea que usa o real para interrogar quem teve o direito de contar a hist\u00f3ria. A montagem do Gr\u00e3o Comum se insere nesse territ\u00f3rio com uma diferen\u00e7a decisiva. Em vez de citar documentos, ela encena a pr\u00f3pria disputa pela mem\u00f3ria, e devolve ao espectador a responsabilidade sobre o que v\u00ea.<\/p>\n<p>O segundo ato transforma o palco em tribunal, e o faz com um caso real e vastamente documentado. Tom\u00e1s, escravizado que morava em Olinda, foi preso e torturado durante dias pelo subdelegado da cidade, como exemplo para os demais negros escravizados. Nos autos da \u00e9poca, Tom\u00e1s matou o subdelegado, foi preso no Recife e, ao tentar fugir, matou quem tentou impedir a fuga. O jovem advogado Joaquim Nabuco, rec\u00e9m-formado e vindo da elite, assumiu a defesa. O julgamento colocou a escravid\u00e3o no banco dos r\u00e9us, porque um homem humilhado, torturado e retirado de todos os princ\u00edpios foi considerado inocente do crime que cometeu. A pe\u00e7a recupera o epis\u00f3dio na cena da defesa, e o escravizado Tom\u00e1s \u00e9 vivido por Jefferson Embu\u00e1, que no primeiro ato interpreta o policial contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>O julgamento ganha um segundo movimento, e este vem da lei do presente. O Senhor Azevedo, deputado conservador e filho de engenhos, personagem ficcional vivido por Ricardo Andrade, confronta os dois Nabucos e \u00e9 detido por inj\u00faria racial, crime que a legisla\u00e7\u00e3o brasileira s\u00f3 definiu em 1989, com a Lei Ca\u00f3. De onde ele fala, e o que a plateia descobre nesse momento, faz parte das surpresas do espet\u00e1culo. O suficiente \u00e9 dizer que a pe\u00e7a recusa a todos a posi\u00e7\u00e3o de observador inocente.<\/p>\n<div id=\"attachment_28215\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-27-at-15.01.13-1-e1790600863531.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-28215\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-28215\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-27-at-15.01.13-1-e1790600863531.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"582\"><\/a><p id=\"caption-attachment-28215\" class=\"wp-caption-text\">Eron Vilar interpreta Machado de Assis. Foto: Cristiano Freitas dos Santos \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Em cena, Nabuco divide o palco com Machado de Assis e com Eufr\u00e1sia Teixeira Leite, herdeira de uma fam\u00edlia de bar\u00f5es do caf\u00e9 de Vassouras que hospedou e educou o jovem Nabuco entre 1863 e 1865, e que a pe\u00e7a apresenta como o grande amor da vida dele. O roteiro d\u00e1 a Eufr\u00e1sia mon\u00f3logo pr\u00f3prio, e o romance real entre os dois, documentado em cartas, vira mat\u00e9ria dram\u00e1tica na cena intitulada <em>A Carta Que N\u00e3o Foi Enviada<\/em>.&nbsp;<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de Machado de Assis na cena merece aten\u00e7\u00e3o. Neto de mulheres libertas e homem negro que conquistou as letras, o escritor construiu a carreira dentro da elite branca do Imp\u00e9rio e criticou a escravid\u00e3o de forma obl\u00edqua, nas entrelinhas de uma obra que a cr\u00edtica demorou d\u00e9cadas a ler nesse registro, como demonstra Sidney Chalhoub em <em>Machado de Assis historiador<\/em> (2003). Na cena <em>Sonhos de Imortalidade<\/em>, Nabuco e Machado sonham juntos em criar a Academia Brasileira de Letras. Coloc\u00e1-los lado a lado produz uma fric\u00e7\u00e3o. O pa\u00eds celebra os dois como \u00edcones nacionais e, no mesmo movimento, apaga a condi\u00e7\u00e3o racial e de classe que moldou suas trajet\u00f3rias e seus limites. \u00c9 esse choque que a montagem promete p\u00f4r em cena.<\/p>\n<p>A Consci\u00eancia Negra tem corpo pr\u00f3prio no palco. Felipe Baob\u00e1, ator e m\u00fasico, interpreta a personagem que responde \u00e0 tese de uma \u00e9poca, a de que os negros n\u00e3o tinham alma. &#8220;Somos seres humanos, temos esp\u00edrito, temos direitos, cidadania, fazemos parte da hist\u00f3ria&#8221;, resume o diretor. \u00c9 a voz que Eduardo Silva recuperou em <em>As cam\u00e9lias do Leblon<\/em>, a dos pr\u00f3prios negros na campanha abolicionista.<\/p>\n<p><strong><em>Joaquim Nabuco \u2013 Do Cativeiro \u00e0 Consci\u00eancia <\/em><\/strong>&nbsp;tem idealiza\u00e7\u00e3o, o roteiro e a dire\u00e7\u00e3o de Jr. Aguiar. Na <em>Trilogia Vermelha<\/em>, composta por <em>h(EU)st\u00f3ria &#8211; o tempo em transe<\/em> (2014), sobre Glauber Rocha, <em>pa(Ideia) \u2013 Pedagogia da Liberta\u00e7\u00e3o<\/em> (2016), sobre Paulo Freire, e <em>pro(F\u00c9)ta &#8211; O Bispo do Povo<\/em> (2018), sobre Dom Helder Camara, Aguiar dividiu a assinatura com M\u00e1rcio Fecher e Daniel Barros. A s\u00e9rie, premiada no <em>Janeiro de Grandes Espet\u00e1culos<\/em>, \u00e9 dedicada a revisitar a mem\u00f3ria do pa\u00eds sob a ditadura.<\/p>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o de dividir o protagonista entre mais de um ator vem dessa s\u00e9rie, e se repete aqui. Jr. Aguiar e Paulo C\u00e9sar Freire interpretam Joaquim Nabuco ao mesmo tempo, porque a diretora da fic\u00e7\u00e3o n\u00e3o decide em qual dos dois focar, e porque Nabuco carrega ambival\u00eancias demais para caber em um s\u00f3 corpo. O diretor resume a pergunta que orienta esse percurso ao indagar qual pa\u00eds a nossa mem\u00f3ria construiu e quem ficou de fora dele. Segundo ele, chegar a Nabuco depois de Glauber, Freire e Helder representa um caminho natural, porque o abolicionista obriga o p\u00fablico a encarar as contradi\u00e7\u00f5es do pr\u00f3prio pensamento progressista brasileiro. A proposta, adverte, n\u00e3o consiste em julgar um homem do s\u00e9culo XIX, e sim em provocar a plateia a decidir o que fazer com essa heran\u00e7a.<\/p>\n<p>A escrita do roteiro marcou uma estreia t\u00e9cnica na carreira do diretor J\u00fanior Aguiar. Pela primeira vez, ele usou intelig\u00eancia artificial como assistente de dramaturgia. Escreveu a cena, levou o material para a sala de ensaio, voltou, aperfei\u00e7oou, e o texto se desenhou nesse degrad\u00ea de camadas sobrepostas entre a m\u00e1quina e o ensaio.<\/p>\n<p>&#8220;Ao longo da minha pesquisa, aprendi que existem cativeiros que nenhuma lei abole, como o racismo, o privil\u00e9gio herdado e o sil\u00eancio diante da viol\u00eancia. Por isso, o espet\u00e1culo n\u00e3o termina quando a luz se apaga. Queremos que a plateia saia do teatro incomodada, mas tamb\u00e9m mais atenta, com a responsabilidade de se perguntar o que ainda a mant\u00e9m presa e o que pode fazer para se libertar&#8221;, afirma o diretor, que acumula mais de duas d\u00e9cadas de carreira.<\/p>\n<div id=\"attachment_28216\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-27-at-15.01.13.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-28216\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-28216\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-27-at-15.01.13-e1790602732602.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"573\"><\/a><p id=\"caption-attachment-28216\" class=\"wp-caption-text\">Jefferson Embu\u00e1 faz o escravizado Tom\u00e1s. Foto: Cristiano Freitas dos Santos \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>O elenco re\u00fane Jr. Aguiar, Paulo C\u00e9sar Freire, Ricardo Andrade, Jefferson Embu\u00e1, Eron Villar, Felipe Baob\u00e1 e Telma Melo, e quase todos interpretam dois personagens, os atores do tempo contempor\u00e2neo e os personagens do espet\u00e1culo hist\u00f3rico. Eron Villar faz apenas Machado de Assis, e Felipe Baob\u00e1 apenas a Consci\u00eancia Negra. O figurino e a caracteriza\u00e7\u00e3o s\u00e3o de Telma Melo e Ely Ara\u00fajo, o desenho de luz \u00e9 assinado por Eron Villar e Jr. Aguiar, com opera\u00e7\u00e3o de Mah Carvalho, e a opera\u00e7\u00e3o de \u00e1udio fica a cargo de Moacir Lago, o Moa. A fotografia \u00e9 de Cristiano Freitas dos Santos e a filmagem, de Giandson.<\/p>\n<p>A realiza\u00e7\u00e3o \u00e9 do Coletivo Gr\u00e3o Comum, com colabora\u00e7\u00e3o de Ricardo Nunes, Daniel Mendes, Roger Bravo, Arthur Canavarro, M\u00e1rcio Fecher e Sebasti\u00e3o Sim\u00e3o Filho, al\u00e9m do Centro Apolo Hermilo e do Teatro Barreto Jr.&nbsp;A montagem n\u00e3o tem patroc\u00ednio nem financiamento p\u00fablico ou privado, e os dois teatros alugados foram custeados com recursos pr\u00f3prios do grupo.<\/p>\n<p>A Consci\u00eancia Negra encerra o espet\u00e1culo com uma proposta dirigida \u00e0 mem\u00f3ria nacional. A pergunta que ela entrega ecoa h\u00e1 mais de um s\u00e9culo pelo Cais do Recife, regi\u00e3o que viu desembarcar escravizados e viu festejar a aboli\u00e7\u00e3o. O que significa celebrar libertadores quando a liberdade prometida nunca chegou inteira para a maioria dos libertados?<\/p>\n<h1>SERVI\u00c7O<\/h1>\n<p>Estreia do espet\u00e1culo <strong><em>Joaquim Nabuco \u2013 Do Cativeiro \u00e0 Consci\u00eancia<\/em><\/strong><br \/>\n<strong>Quando<\/strong>: Ter\u00e7a-feira (29), \u00e0s 19h<br \/>\n<strong>Onde<\/strong>: Teatro Hermilo Borba Filho (Av. Cais do Apolo, 142, Bairro do Recife, Recife, PE)<br \/>\n<strong>Quanto<\/strong>: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia-entrada), \u00e0 venda na Sympla,<br \/>\n<strong>Classifica\u00e7\u00e3o indicativa<\/strong>: 16 anos<br \/>\n<strong>Mais informa\u00e7\u00f5es<\/strong>: Instagram @joaquim.nabuco.espetaculo<\/p>\n<h1>FICHA T\u00c9CNICA<\/h1>\n<p><strong>Elenco<\/strong><br \/>\nJr. Aguiar, Paulo C\u00e9sar Freire, Ricardo Andrade, Jefferson Embu\u00e1, Eron Villar, Felipe Baob\u00e1 e Telma Melo<br \/>\n<strong>Idealiza\u00e7\u00e3o, roteiro e dire\u00e7\u00e3o<\/strong>:&nbsp;Jr. Aguiar<br \/>\n<strong>Figurino e caracteriza\u00e7\u00e3o<\/strong>:&nbsp;Telma Melo e Ely Ara\u00fajo<br \/>\n<strong>Desenho de luz<\/strong>:&nbsp;Eron Villar e Jr. Aguiar<br \/>\n<strong>Opera\u00e7\u00e3o de luz<\/strong>:&nbsp;Mah Carvalho<br \/>\n<strong>Opera\u00e7\u00e3o de \u00e1udio<\/strong>:&nbsp;Moacir Lago (Moa)<br \/>\n<strong>Fotografia<\/strong>:&nbsp;Cristiano Freitas dos Santos (@cristiano.authorial)<br \/>\n<strong>Filmagem<\/strong>:&nbsp;Giandson (@frowfilmes)<br \/>\n<strong>Parceiros e colaboradores<\/strong>:&nbsp;Ricardo Nunes, Daniel Mendes, Roger Bravo, Arthur Canavarro, M\u00e1rcio Fecher, Sebasti\u00e3o Sim\u00e3o Filho, Centro Apolo Hermilo e Teatro Barreto Jr.<br \/>\n<strong>Realiza\u00e7\u00e3o<\/strong>:&nbsp;Coletivo Gr\u00e3o Comum<\/p>\n<h1>REFER\u00caNCIAS<\/h1>\n<p><strong>Angela Alonso<\/strong>, <em>Joaquim Nabuco, os sal\u00f5es e as ruas<\/em>, cole\u00e7\u00e3o Perfis Brasileiros, Companhia das Letras, 2007<br \/>\n<strong>Angela Alonso<\/strong>, <em>Flores, votos e balas, o movimento abolicionista brasileiro (1868-88)<\/em>, Companhia das Letras, 2015<br \/>\n<strong>Eduardo Silva<\/strong>, <em>As cam\u00e9lias do Leblon e a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura<\/em>, Companhia das Letras, 2003<br \/>\n<strong>Sidney Chalhoub<\/strong>, <em>Machado de Assis historiador<\/em>, Companhia das Letras, 2003<br \/>\n<strong>Sidney Chalhoub<\/strong>, <em>Vis\u00f5es da liberdade, uma hist\u00f3ria das \u00faltimas d\u00e9cadas da escravid\u00e3o na Corte<\/em>, Companhia das Letras, 1990<br \/>\n<strong>Ana Lug\u00e3o Rios e Hebe Mattos<\/strong>, <em>Mem\u00f3rias do cativeiro, identidade e cidadania na p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o<\/em>, Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2005<br \/>\n<strong>Lilia Moritz Schwarcz<\/strong>, <em>O espet\u00e1culo das ra\u00e7as<\/em>, Companhia das Letras, 1993<br \/>\n<strong>Florestan Fernandes<\/strong>, <em>A integra\u00e7\u00e3o do negro na sociedade de classes<\/em>, Dominus Editora e Edusp, 1965<br \/>\n<strong>Silvio Almeida<\/strong>, <em>O que \u00e9 racismo estrutural?<\/em>, Editora Janda\u00edra, 2018, reeditado como O racismo estrutural pela P\u00f3len em 2019<br \/>\n<strong>Sueli Carneiro<\/strong>, <em>Escritos de uma vida<\/em>, Editora Janda\u00edra, 2020<br \/>\n<strong>Dossi\u00ea Teatros do Real, mem\u00f3rias, autobiografias e documentos em cena<\/strong>, revista <em>Sala Preta<\/em>, volume 13, n\u00famero 2, ECA-USP, 2013<br \/>\n<strong>Peter Weiss<\/strong>, <em>Notas sobre o teatro document\u00e1rio<\/em>, ensaio publicado originalmente na revista alem\u00e3 Theater heute, 1968 (tradu\u00e7\u00e3o inglesa de Heinz Bernard, &#8220;The Material and the Models&#8221;, Theatre Quarterly, volume 1, n\u00famero 1, 1971)<br \/>\n<strong>Augusto Boal<\/strong>, <em>Teatro do Oprimido e outras po\u00e9ticas pol\u00edticas,<\/em> Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 1974<br \/>\n<strong>Joaquim Nabuco<\/strong>, <em>O Abolicionismo<\/em>, Londres, 1883 (edi\u00e7\u00e3o C\u00e2mara dos Deputados e Academia Brasileira de Letras, 2019)<br \/>\n<strong>Joaquim Nabuco<\/strong>, <em>Minha Forma\u00e7\u00e3o<\/em>, H. Garnier, Rio de Janeiro, 1900 (edi\u00e7\u00e3o Senado Federal, 1998)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil fez de Joaquim Nabuco o rosto do abolicionismo e seguiu sem perguntar o que isso implicava. O Coletivo Gr\u00e3o Comum leva a quest\u00e3o ao palco nesta ter\u00e7a-feira (29), \u00e0s 19h, quando estreia Joaquim Nabuco \u2013 Do Cativeiro \u00e0 Consci\u00eancia, no Teatro Hermilo Borba Filho, no Recife. 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