{"id":28098,"date":"2026-08-18T15:31:43","date_gmt":"2026-08-18T18:31:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=28098"},"modified":"2026-08-18T15:31:43","modified_gmt":"2026-08-18T18:31:43","slug":"pernambuco-no-porto-alegre-em-cena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/pernambuco-no-porto-alegre-em-cena\/","title":{"rendered":"Pernambuco no Porto Alegre em Cena"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_28109\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/MUDANDO-DE-PELE-FOTO-NANA-MORAES-e1787072639315.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-28109\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-28109\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/MUDANDO-DE-PELE-FOTO-NANA-MORAES-e1787072639315.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\"><\/a><p id=\"caption-attachment-28109\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Mudando de pele<\/strong>. com Ta\u00eds Ara\u00fajo. Foto Nana Moraes<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_28108\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/LIA-LIA-e1787072834972.png\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-28108\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-28108\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/LIA-LIA-e1787072834972.png\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"338\"><\/a><p id=\"caption-attachment-28108\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Lia Lia<\/strong>, com Bete Coelho e Camila Pitanga. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_28107\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-15-at-12.57.02-e1787073202965.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-28107\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-28107\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-15-at-12.57.02-e1787073202965.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"571\"><\/a><p id=\"caption-attachment-28107\" class=\"wp-caption-text\">Bando do Nada com o espet\u00e1culo <strong>Imorais<\/strong>. Foto Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_28105\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-15-at-13.35.01-e1787073440525.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-28105\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-28105\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-15-at-13.35.01-e1787073440525.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"727\"><\/a><p id=\"caption-attachment-28105\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Pela Noite, <\/strong>produ\u00e7\u00e3o do Recife inspirada em Caio Fernando Abreu. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Porto Alegre tem um festival que, h\u00e1 33 edi\u00e7\u00f5es, transforma a cidade em um acontecimento teatral. A cena se expande para al\u00e9m das casas de espet\u00e1culos e ocupa ruas, pra\u00e7as e espa\u00e7os alternativos. S\u00e3o 13 espa\u00e7os, dos tradicionais \u00e0s salas independentes, que viram endere\u00e7os do <strong><em>Porto Alegre em Cena<\/em><\/strong>, um dos maiores festivais de artes c\u00eanicas da Am\u00e9rica Latina, que desde 1994 arrasta em m\u00e9dia 100 mil espectadores por ano, e que neste ano, entre 10 e 20 de setembro, ocupa a capital ga\u00facha. Esse \u00e9 o tamanho de uma pr\u00e1tica que virou tradi\u00e7\u00e3o. Em 2026, esse encontro se confirmou r\u00e1pido. Metade dos ingressos esgotou em menos de 24 horas ap\u00f3s a abertura das bilheterias virtuais, e a maioria dos espet\u00e1culos j\u00e1 n\u00e3o tem mais lugares dispon\u00edveis para venda. Por tr\u00e1s dessa opera\u00e7\u00e3o est\u00e1 o coordenador-geral Luciano Alabarse, com a dire\u00e7\u00e3o geral de Let\u00edcia Vieira, a coordena\u00e7\u00e3o geral de produ\u00e7\u00e3o de Claudia D&#8217;Mutti e a curadoria da programa\u00e7\u00e3o local assinada por Adriana Jorgge, Gabriela Munhoz, Lu\u00edsa Dias Rosa e Rodrigo Marquez.<\/p>\n<p>Os ingressos desta edi\u00e7\u00e3o abriram na quarta-feira (12), \u00e0s 17h, no site oficial. uma semana depois, est\u00e3o praticamente todos esgotados. As quatro montagens pernambucanas no festival lotaram; duas delas, <strong><em>Imorais<\/em><\/strong> e <strong><em>Pela Noite<\/em><\/strong>, voaram em poucas horas e estiveram entre as primeiras sess\u00f5es esgotadas da edi\u00e7\u00e3o, na companhia das produ\u00e7\u00f5es estreladas de artistas que o grande p\u00fablico conhece da televis\u00e3o e do cinema, como Ta\u00eds Ara\u00fajo (<strong><em>Mudando de Pele<\/em><\/strong>), Bete Coelho e Camila Pitanga (<strong><em>Lia Lia<\/em><\/strong>), Danielle Winits (<strong><em>Choque! Procurando Sinais de Vida Inteligente<\/em><\/strong>) e Grace Gianoukas (<strong><em>Dora<\/em><\/strong>).<\/p>\n<h1><strong>Um festival que j\u00e1 foi trincheira do teatro mundial<\/strong><\/h1>\n<p>Falar de <strong><em>Porto Alegre em Cena<\/em><\/strong> \u00e9 falar do festival de artes c\u00eanicas mais longevo da capital ga\u00facha; e um dos mais respeitados do pa\u00eds. Desde 1994, o evento pavimentou uma rela\u00e7\u00e3o incomum entre uma capital do Sul e o que h\u00e1 de mais radical na cena internacional. A lista de quem passou por seus palcos \u00e9 impressionante. Peter Brook, o encenador ingl\u00eas que redefiniu o que se entende por cl\u00e1ssico; Pina Bausch, a core\u00f3grafa alem\u00e3 que reinventou a dan\u00e7a-teatro; Bob Wilson e Patrice Ch\u00e9reau, dois gigantes da dire\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea; Philip Glass, o compositor minimalista; a companhia japonesa Sankai Juku, com seu but\u00f4 hipn\u00f3tico; o m\u00fasico b\u00f3snio Goran Bregovic; e Marianne Faithfull, cantora e atriz brit\u00e2nica, para al\u00e9m do teatro.<\/p>\n<p>O festival tamb\u00e9m foi porta de entrada do Brasil para companhias que dificilmente desembarcariam em territ\u00f3rio nacional por outros caminhos. O caso mais c\u00e9lebre \u00e9 o do Th\u00e9\u00e2tre du Soleil, de Ariane Mnouchkine. Na 14\u00aa edi\u00e7\u00e3o, em 2007, o grupo franc\u00eas apresentou <strong><em>Les \u00c9ph\u00e9m\u00e8res <\/em><\/strong>&nbsp;em Porto Alegre; e, para receb\u00ea-lo, a produ\u00e7\u00e3o do festival construiu uma r\u00e9plica da Cartoucherie, o lend\u00e1rio teatro em que a companhia atua no bosque de Vincennes, em Paris. A experi\u00eancia rendeu um retorno. Anos depois, o festival foi co-realizador da vinda de <strong><em>Os N\u00e1ufragos da Louca Esperan\u00e7a<\/em><\/strong>&nbsp;ao Rio Grande do Sul. Coisas que s\u00f3 um festival com essa musculatura consegue fazer.<\/p>\n<div id=\"attachment_28103\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-15-at-22.14.08-e1787075558659.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-28103\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-28103\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-15-at-22.14.08-e1787075558659.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"395\"><\/a><p id=\"caption-attachment-28103\" class=\"wp-caption-text\"><span class=\"font-semibold\" style=\"font-size: 1rem;\"><strong><em>EDDY \u2013 viol\u00eancia &amp; metamorfose.<\/em><\/strong> Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/span><\/p><\/div>\n<h1><span style=\"font-size: 1.28571rem;\">O tamanho desta edi\u00e7\u00e3o<\/span><\/h1>\n<div class=\"whitespace-normal size-full [&amp;&gt;*:first-child]:mt-0 [&amp;&gt;*:last-child]:mb-0 space-y-2\">\n<p>S\u00e3o 46 espet\u00e1culos de teatro, dan\u00e7a, circo e m\u00fasica vindos de dez estados &#8211; S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Paran\u00e1, Pernambuco, Bahia, Cear\u00e1, Rio Grande do Norte, Goi\u00e1s, Minas Gerais e Rio Grande do Sul &#8211; e mais produ\u00e7\u00f5es da Argentina e do Canad\u00e1. <span style=\"font-size: 1rem;\">Al\u00e9m dos nomes j\u00e1 citados, o festival re\u00fane ainda Sandra P\u00eara em <\/span><span class=\"font-semibold\" style=\"font-size: 1rem;\"><strong><em>Eu Apenas Queria que Voc\u00ea Soubesse \u2013 A M\u00fasica de Gonzaguinha;<\/em><\/strong><\/span><span style=\"font-size: 1rem;\"> Juliana Linhares e Laila Garin em <\/span><span class=\"font-semibold\" style=\"font-size: 1rem;\"><strong><em>As Centen\u00e1rias<\/em><\/strong><\/span><span style=\"font-size: 1rem;\">, vers\u00e3o musical da obra de Newton Moreno, com 16 can\u00e7\u00f5es originais de Chico C\u00e9sar sob dire\u00e7\u00e3o de Lu\u00eds Carlos Vasconcelos. Tamb\u00e9m na programa\u00e7\u00e3o <\/span><span class=\"font-semibold\" style=\"font-size: 1rem;\"><strong><em>M\u00e3os Tr\u00eamulas<\/em><\/strong><\/span><span style=\"font-size: 1rem;\">, texto premiado de Victor N\u00f3voa sobre amor na terceira idade, etarismo e o apagamento dos idosos, com Cleide Queiroz e Pl\u00ednio Soares sob dire\u00e7\u00e3o de Yara de Novaes; <\/span><span class=\"font-semibold\" style=\"font-size: 1rem;\"><strong><em>EDDY \u2013 viol\u00eancia &amp; metamorfose<\/em><\/strong><\/span><span style=\"font-size: 1rem;\">, inspirado na obra do escritor franc\u00eas \u00c9douard Louis; <\/span><span class=\"font-semibold\" style=\"font-size: 1rem;\"><strong><em>Corpomundo<\/em><\/strong><\/span><span style=\"font-size: 1rem;\">, mais recente espet\u00e1culo da Cia. de Teatro e Dan\u00e7a F\u00e1brica de Sonhos, que une arte, inclus\u00e3o, diversidade e pertencimento; <\/span><span class=\"font-semibold\" style=\"font-size: 1rem;\"><strong><em>Medeia<\/em><\/strong><\/span><span style=\"font-size: 1rem;\">, espet\u00e1culo solo de T\u00e2nia Farias, do Tribo de Atuadores \u00d3i N\u00f3is Aqui Traveiz, de Porto Alegre.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"whitespace-normal size-full [&amp;&gt;*:first-child]:mt-0 [&amp;&gt;*:last-child]:mb-0 space-y-2\">\n<div class=\"whitespace-normal size-full [&amp;&gt;*:first-child]:mt-0 [&amp;&gt;*:last-child]:mb-0 space-y-2\">\n<p><span style=\"font-size: 1rem;\">A curadoria atravessa temas como&nbsp; corpo, racismo, maternidade, envelhecimento, mem\u00f3ria, desejo, solid\u00e3o e pertencimento e faz rever\u00eancias a Caio Fernando Abreu (30 anos de morte) e Guimar\u00e3es Rosa (70 anos de <em>Grande Sert\u00e3o: Veredas<\/em>). A abertura, no dia 10, \u00e9 com <strong><em>L<\/em><em><strong>a<\/strong> Pampa Grande<\/em><\/strong>, encontro musical entre artistas ga\u00fachos e argentinos que re\u00fane nomes como Dolores Sol\u00e1, Liliana Herrero, Hique Gomez, Arthur de Faria, Vitor Ramil e Nina Nicolaiewsky.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Nem sempre foi f\u00e1cil. Entre crises de financiamento, a pandemia que fechou teatros por quase dois anos e a disputa por aten\u00e7\u00e3o num cen\u00e1rio cultural cada vez mais fragmentado, o festival conheceu edi\u00e7\u00f5es enxutas, de or\u00e7amento apertado e p\u00fablico hesitante. A edi\u00e7\u00e3o passada, por exemplo, levou 31 espet\u00e1culos. A atual traz 46; um salto de 15 montagens, com tr\u00eas internacionais, 28 nacionais e 15 locais.<\/p>\n<div id=\"attachment_28111\" style=\"width: 609px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-15-at-13.54.20-e1787076236125.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-28111\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-28111\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-15-at-13.54.20-e1787076236125.jpeg\" alt=\"\" width=\"599\" height=\"620\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-15-at-13.54.20-e1787076236125.jpeg 599w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-15-at-13.54.20-e1787076236125-290x300.jpeg 290w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-15-at-13.54.20-e1787076236125-300x311.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 599px) 100vw, 599px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-28111\" class=\"wp-caption-text\"><span class=\"font-semibold\"><strong><em>Que Muito Amou<\/em><\/strong><\/span>, da C\u00eanicas Cia. de Repert\u00f3rio, com dire\u00e7\u00e3o de Ant\u00f4nio Rodrigues, que tamb\u00e9m atua<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_28112\" style=\"width: 607px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-15-at-13.19.37-1-e1787076319163.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-28112\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-28112\" src=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-15-at-13.19.37-1-e1787076319163.jpeg\" alt=\"\" width=\"597\" height=\"652\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-15-at-13.19.37-1-e1787076319163.jpeg 597w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-15-at-13.19.37-1-e1787076319163-275x300.jpeg 275w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-15-at-13.19.37-1-e1787076319163-300x328.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 597px) 100vw, 597px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-28112\" class=\"wp-caption-text\"><strong>HBLYNDA EM TRANSito<\/strong>, da artista HBlynda Morais. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<h1><strong>Pernambuco em quatro atos<\/strong><\/h1>\n<div class=\"whitespace-normal size-full [&amp;&gt;*:first-child]:mt-0 [&amp;&gt;*:last-child]:mb-0 space-y-2\">\n<p>A participa\u00e7\u00e3o pernambucana no festival \u00e9 um microcosmo da cena recifense: dramaturgia autoral, adapta\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias e um solo de afirma\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia. As quatro montagens est\u00e3o com lota\u00e7\u00e3o m\u00e1xima.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 1rem;\"><strong><em>Imorais, <\/em><\/strong>o<\/span><span style=\"font-size: 1rem;\"> espet\u00e1culo de estreia do Bando de Nada Coletivo de Teatro, com texto de Cristiano Primo, mergulha numa fam\u00edlia atravessada por comportamentos fora da norma como abuso, trai\u00e7\u00e3o, incesto, para discutir a hipocrisia das conven\u00e7\u00f5es morais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 1rem;\">Outra adapta\u00e7\u00e3o abre caminho por um territ\u00f3rio afetivo: <\/span><span class=\"font-semibold\" style=\"font-size: 1rem;\"><strong><em>Pela Noite<\/em><\/strong><\/span><span style=\"font-size: 1rem;\">, da NOZ Produz, parte do conto hom\u00f4nimo de Caio Fernando Abreu para reconstruir o reencontro de dois homens separados h\u00e1 quase vinte anos. Um coro de duas vozes conduz a narrativa, feita de solid\u00e3o, mem\u00f3ria, desejo e erotismo, enquanto P\u00e9rsio e Santiago decidem, juntos, sair pela noite. A dire\u00e7\u00e3o \u00e9 de Edjalma Freitas, com Amanda Cl\u00e9lia, Wydi Silva, Paulo C\u00e9sar Freire e Rog\u00e9rio Wanderley em cena.&nbsp;<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"whitespace-normal size-full [&amp;&gt;*:first-child]:mt-0 [&amp;&gt;*:last-child]:mb-0 space-y-2\">\n<p>J\u00e1 <span class=\"font-semibold\"><strong><em>Que Muito Amou<\/em><\/strong><\/span>, da C\u00eanicas Cia. de Repert\u00f3rio, com dire\u00e7\u00e3o de Ant\u00f4nio Rodrigues, re\u00fane tr\u00eas contos de <em>Os Drag\u00f5es N\u00e3o Conhecem o Para\u00edso<\/em> &#8211; <em>Sapatinhos Vermelhos<\/em>, <em>Praiazinha<\/em>&nbsp;e &#8220;<em>Dama da Noite<\/em>&#8211; para investigar as m\u00faltiplas faces do amor, do desejo, da perda e da solid\u00e3o. Personagens &#8220;fora da roda&#8221;, \u00e0 margem, exp\u00f5em afetos levados ao limite, com Barbara Brendel, Ant\u00f4nio Rodrigues e Guga Patriota.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 1rem;\">H\u00e1 ainda um solo que amplia o leque tem\u00e1tico. <\/span><span class=\"font-semibold\" style=\"font-size: 1rem;\"><strong><em>HBLYNDA EM TRANSito<\/em><\/strong><\/span><span style=\"font-size: 1rem;\">, da artista HBlynda Morais, que transforma a pr\u00f3pria trajet\u00f3ria de mulher gorda, preta, candomblecista e n\u00e3o bin\u00e1ria em performance, teatro, dan\u00e7a e m\u00fasica, com dire\u00e7\u00e3o musical de Monique Sampaio.<\/span><\/p>\n<p>Por tr\u00e1s do contingente pernambucano h\u00e1 uma ponte que vem de longe. A rela\u00e7\u00e3o entre a produ\u00e7\u00e3o teatral do Recife e o <strong><em>Porto Alegre em Cena<\/em> <\/strong>tem na APACEPE &#8211; Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores de Artes C\u00eanicas de Pernambuco &#8211; uma de suas articuladoras centrais. Presidida por Paulo de Castro, ator, diretor e produtor que h\u00e1 27 anos realiza o <em><strong>Janeiro de Grandes Espet\u00e1culos<\/strong><\/em>, festival internacional do Recife, que tamb\u00e9m tem recebido produ\u00e7\u00f5es ga\u00fachas ao longo dos anos.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<h1>Caio Fernando Abreu com sotaque pernambucano<\/h1>\n<p>Uma coincid\u00eancia bonita da edi\u00e7\u00e3o \u00e9&nbsp; que dos tr\u00eas trabalhos que celebram os 30 anos da morte de Caio Fernando Abreu, dois v\u00eam do Recife. O escritor nascido em Santiago, na Regi\u00e3o Central do Rio Grande do Sul (autor de <em>Morangos Mofados<\/em> e <em>Os Drag\u00f5es N\u00e3o Conhecem o Para\u00edso)<\/em> , \u00e9 homenageado por <strong><em>Pela Noite<\/em><\/strong> e <strong><em>Que Muito Amou<\/em><\/strong>, ambas pernambucanas, al\u00e9m de uma edi\u00e7\u00e3o especial do Sarau Voador, com Deborah Finocchiaro e Roger Lerina. O ga\u00facho mais universal da literatura brasileira encontrou no Nordeste leitores que o devolvem, em cena, \u00e0 sua terra.<\/p>\n<h1>Reside Amaro: a semente que brotou no Recife<\/h1>\n<p>Antes de Porto Alegre, a ideia nasceu no Recife. O <strong><em>Reside Alegre<\/em><\/strong>, que aquece o festival ga\u00facho desde 2025, \u00e9 um desdobramento do <em><strong>Reside Amaro<\/strong><\/em>, festival realizado em fevereiro de 2025 no bairro de Santo Amaro, na regi\u00e3o central da capital pernambucana. A proposta era a mesma que depois atravessaria o pa\u00eds: transformar as hist\u00f3rias de moradores em dramaturgia, apresentada dentro das pr\u00f3prias casas, bares e ruas do bairro.<\/p>\n<p>O projeto foi gestado pela a produtora Paula de Renor, diretora do <strong><em>Reside Festival<\/em><\/strong>, que se inspirou no &#8220;teatro vecinal&#8221; (teatro de vizinhan\u00e7a) da argentina Monina Bonelli, do coletivo Teatro Bomb\u00f3n, de Buenos Aires. Juntas, com o curador Celso Curi (SP), idealizaram uma a\u00e7\u00e3o in\u00e9dita no Brasil: por tr\u00eas dias, o quarteir\u00e3o entre as ruas Capit\u00e3o Lima e Rocha Pita, em Santo Amaro, no Recife,&nbsp; virou palco de mais de 70 apresenta\u00e7\u00f5es gratuitas, com vizinhos como artistas e int\u00e9rpretes das pr\u00f3prias hist\u00f3rias. O produtor e agitador cultural Roger de Renor, morador do local, abriu as portas de casa e se tornou o anfitri\u00e3o do encontro entre artistas e moradores.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia, que contou com alunos do Curso de Interpreta\u00e7\u00e3o para Teatro (CIT) do Sesc Santo Amaro em todas as etapas, foi a quinta edi\u00e7\u00e3o do <em><strong>Reside.FIT\/PE<\/strong> <\/em>&#8211; <strong><em>Festival Internacional de Teatro de Pernambuco<\/em><\/strong>, realizado pela Remo Produ\u00e7\u00f5es Art\u00edsticas, com patroc\u00ednio do Banco do Nordeste via Lei Rouanet, apoio do Minist\u00e9rio da Cultura e incentivo do Funcultura e do SIC Recife.<\/p>\n<p>A segunda edi\u00e7\u00e3o no Recife, por\u00e9m, ainda n\u00e3o saiu do papel. O <strong><em>Reside Amaro<\/em><\/strong> ainda n\u00e3o conquistou um edital que viabilize sua realiza\u00e7\u00e3o novamente. A proposta, por\u00e9m, n\u00e3o se perdeu. Foi justamente essa ideia &#8211; a de um festival que mora dentro do bairro e nasce das hist\u00f3rias de quem vive ali &#8211;&nbsp; que o <strong><em>Porto Alegre em Cena<\/em><\/strong> enxergou como algo in\u00e9dito.<\/p>\n<h1>Reside Alegre: a cidade como mat\u00e9ria de dramaturgia<\/h1>\n<p>Ao ver na proposta do <strong><em>Reside Amaro<\/em><\/strong> um formato in\u00e9dito de festival, o <strong><em>Porto Alegre em Cena<\/em><\/strong> prop\u00f4s aos envolvidos (a mesma equipe que gestou o projeto no Recife) a realiza\u00e7\u00e3o do Reside em Porto Alegre. Nasceu assim o <strong><em>Reside Alegre<\/em><\/strong>, que estreou em 2025 integrando as a\u00e7\u00f5es formativas do festival ga\u00facho e agora realiza sua segunda edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O projeto escuta hist\u00f3rias de moradores e as transforma em dramaturgia, apresentada depois nas ruas e em espa\u00e7os fora dos teatros convencionais, como casas, lojas, esquinas. Depois de estrear no Centro Hist\u00f3rico, a iniciativa ocupa agora a rua Alberto Torres, na Cidade Baixa, onde funciona a sede do festival, com a diretora e iluminadora Nara Maia como &#8220;vizinha embaixadora&#8221;, ao lado da atriz, diretora e produtora Sandra Possani.<\/p>\n<p>A coordena\u00e7\u00e3o re\u00fane a argentina Monina Bonelli (dire\u00e7\u00e3o), a pernambucana Paula de Renor (curadoria), e os paulistas Celso Curi (curadoria e dire\u00e7\u00e3o) e Wesley Kawaai (coordena\u00e7\u00e3o). A mostra resultante das viv\u00eancias com os moradores da Cidade Baixa acontece nos dias 5 e 6 de setembro, \u00e0s v\u00e9speras da abertura do festival.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Porto Alegre tem um festival que, h\u00e1 33 edi\u00e7\u00f5es, transforma a cidade em um acontecimento teatral. A cena se expande para al\u00e9m das casas de espet\u00e1culos e ocupa ruas, pra\u00e7as e espa\u00e7os alternativos. 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